Tag: fundecitrus

  • Nutrição com nitrato de cálcio reduz podridão floral em pomares de laranja

    Nutrição com nitrato de cálcio reduz podridão floral em pomares de laranja

    Um estudo conduzido em pomares de laranja no interior de São Paulo revelou que a aplicação de nitrato de cálcio, isolado ou combinado com nitrato de amônio, pode aumentar em até 25% a produtividade das laranjeiras. Além  de elevar em 30% a eficiência no uso do nitrogênio. Além disso, a estratégia nutricional contribuiu para a redução de 30% na incidência da podridão floral, uma das principais doenças que afetam a citricultura na região Sudeste.

    O pesquisador Dirceu Mattos Jr, do Instituto Agronômico (IAC), liderou o experimento durante quatro anos na fazenda Guacho, do Grupo Agroterenas, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), em parceria com a Yara, referência global em nutrição de plantas, e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

    Fontes nítricas superam adubação amoniacal

    A pesquisa comparou diferentes fontes de nitrogênio em sistemas de fertirrigação. Essa prática cresce no cinturão citrícola diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela disponibilidade hídrica. Os resultados mostraram que as fontes nítricas, especialmente o nitrato de cálcio, proporcionam desempenho superior em relação às fontes amoniacais, tanto em produtividade quanto em eficiência de uso do nutriente.

    Durante o Citros Day, evento técnico promovido pela Yara em Araraquara (SP), os dados foram apresentados a produtores e especialistas do setor. Segundo Thais Chiachia, pesquisadora da Yara, “a empresa investe em mais de 150 pesquisas em parceria com mais de 50 instituições. Sempre com base em conhecimento científico para impulsionar a evolução da agricultura”.

    Cálcio fortalece combate à podridão floral

    A podridão floral é uma das doenças mais graves da citricultura, podendo causar perdas de até 80% na produção em áreas afetadas. O estudo destacou que o fornecimento adequado de cálcio, via fontes nítricas, favorece a formação homogênea dos tecidos florais. Além de aumentar a tolerância das plantas a doenças.

    Além do ganho em produtividade, a estratégia nutricional baseada em nitrato de cálcio se mostrou uma alternativa sustentável ao reduzir a necessidade de fungicidas. E ajuda a evitar o desenvolvimento de resistência dos patógenos e promovendo um manejo mais equilibrado dos pomares.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Importações de trigo atingem maior nível desde 2001

    + Agro em Campo: Inteligência Artificial impulsiona agronegócio brasileiro 

  • Safra de laranja 2025/26 cresce e SP reforça apoio à citricultura

    Safra de laranja 2025/26 cresce e SP reforça apoio à citricultura

    O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) anunciou a estimativa para a safra de laranja 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, com previsão de 314,60 milhões de caixas de 40,8 kg. O volume cresceu 36,2% em relação à safra anterior, afetada por condições climáticas adversas.

    São Paulo mantém sua liderança global no setor, sendo responsável por cerca de 80% da produção nacional de laranja e por 90% do suco de laranja processado no país. A cadeia produtiva movimenta mais de US$ 3 bilhões ao ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. Em 2024, o grupo de sucos respondeu por 9,6% das exportações do agronegócio paulista. Totalizando R$ 17,78 bilhões, com o suco de laranja representando 98,1% desse valor.

    Estado amplia combate ao greening e investe em pesquisa

    Para fortalecer o setor, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo lançou a linha de crédito “Combate ao Greening”, destinando mais de R$ 6 milhões para 32 produtores em 2024. O objetivo é apoiar medidas preventivas e de controle contra a doença, que representa uma das principais ameaças aos pomares paulistas.

    Além do crédito, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) intensifica ações de fiscalização, orientação técnica e defesa sanitária vegetal. Em 2024, as equipes de fiscalização do HLB (greening) realizaram 1.743 ações e retiraram mais de 4,5 milhões de mudas irregulares. A legislação estadual também proíbe o comércio ambulante de mudas cítricas, visando proteger a sanidade dos pomares comerciais.

    Inovação e sustentabilidade na citricultura paulista

    Para promover inovação e ampliar o conhecimento técnico, foi criado o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). Essa é uma parceria entre a Secretaria de Agricultura, Fundecitrus, FAPESP e Esalq/USP. Com investimento previsto de R$ 90 milhões nos próximos cinco anos, o CPA terá foco no enfrentamento ao greening e na formação de novos grupos de pesquisa. Isso consolida São Paulo como referência em ciência e tecnologia para o setor.

    Perspectivas para a safra de laranja 2025/26

    O novo censo do Fundecitrus aponta que o aumento da produção ocorre devido ao maior número de frutos por árvore, às condições climáticas favoráveis e ao crescimento do número de árvores produtivas. A produtividade média estimada é de 869 caixas por hectare, recuperando-se da queda registrada na última safra.

    Com ações integradas de crédito, defesa sanitária e pesquisa, São Paulo reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a competitividade da citricultura. E garante o protagonismo do estado no cenário nacional e internacional.

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Exportação brasileira de café cai 28% em abril, mas segue recorde na safra 2024/25
    + Agro em Campo: Tunísia promove degustação de azeites e tâmaras em São Paulo

  • Previsão de alta na safra no Brasil derruba preço do suco em NY

    Previsão de alta na safra no Brasil derruba preço do suco em NY

    A previsão de safra robusta de laranja no Brasil pressionou os preços do suco na Bolsa de Nova York. Nesta sexta-feira (9), os contratos futuros do suco concentrado e congelado (FCOJ) para julho recuaram 6,15%. O produto fechou o pregão cotado a US$ 2,2875 por libra-peso.

    O Brasil lidera as exportações mundiais de suco de laranja. Por isso, as estimativas otimistas da nova safra afetaram diretamente o mercado internacional. Desde o início de 2025, os preços vêm caindo com a expectativa de recuperação da produção brasileira.

    As primeiras projeções da safra 2025/26 reforçaram esse movimento. Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a produção deve crescer 36% em São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. A região é o maior parque citrícola do planeta. A colheita pode atingir 314,6 milhões de caixas de 40,8 quilos.

    Mesmo com o avanço expressivo, Juliano Ayres, diretor executivo do Fundecitrus, avalia que a produção apenas retorna à média histórica. Em relação aos últimos cinco anos, o volume representa alta de 4,8%.

    Segundo Ayres, o clima impulsionou o bom desempenho. “Chuvas de setembro a dezembro garantiram ótima fixação da segunda florada”, explicou o diretor.

    Café se mantém estável com colheita no radar

    Enquanto o suco recuou, o café arábica manteve a estabilidade em Nova York. Os contratos para julho subiram 0,10% e fecharam a US$ 3,8775 por libra-peso. Investidores seguem atentos ao ritmo da colheita brasileira, que pode influenciar as cotações.

    Algodão recua com leve desvalorização

    No mercado do algodão, os contratos de julho caíram 0,16%. A commodity fechou a 68,80 centavos de dólar por libra-peso.

    Açúcar sobe após ganhos na véspera

    O açúcar voltou a subir nesta sexta-feira. Após alta de 2% na quinta, os papéis com entrega para julho valorizaram 1,59%, encerrando o dia a 17,92 centavos de dólar por libra-peso.

    Cacau amplia ganhos em NY

    O cacau também teve valorização. Os contratos futuros com vencimento em julho subiram 1,31%, alcançando US$ 9.187 por tonelada.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Safra de laranja 2025/26 deve crescer 36%

    + Agro em Campo: Cacauicultores do Futuro: programa amplia capacitação de jovens agricultores de MG

     

  • Safra de laranja 2025/26 deve crescer 36%

    Safra de laranja 2025/26 deve crescer 36%

    A safra de laranja 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais deve atingir 314,60 milhões de caixas. Ou seja, o volume representa alta de 36,2% sobre a safra passada, que fechou com 230,87 milhões de caixas. O dado foi divulgado pelo Fundecitrus nesta sexta-feira (9), com base em pesquisa feita no parque citrícola.

    O crescimento da produção está ligado a dois fatores principais: mais frutos por árvore e aumento do número de árvores produtivas. Ao mesmo tempo, o novo censo do Fundecitrus revelou expansão de 7,5% no total de plantas em produção. São 182,7 milhões de árvores, espalhadas por 362 mil hectares em São Paulo e no Triângulo/Sudoeste Mineiro.

    Além disso, a média estimada da safra atual é 4,8% maior que a média das últimas dez safras. Em resumo, o ciclo 2025/26 marca o fim do período negativo e sinaliza o retorno do ciclo bienal positivo da produção.

    Clima e manejo favoreceram a segunda florada

    A primeira florada, que ocorreu entre agosto e setembro de 2024, sofreu com o calor e a falta de chuva. O aumento de 3,2°C na média das temperaturas máximas e a escassez hídrica afetaram o pegamento dos frutos. Essa florada representa apenas 20,7% da estimativa de produção.

    No entanto, o cenário mudou entre outubro e dezembro. A região registrou chuvas acima da média histórica. Portanto, a umidade do solo recuperou-se e favoreceu uma segunda florada intensa e bem distribuída. O desenvolvimento dessa florada foi ainda mais estimulado pelas chuvas de janeiro e fevereiro de 2025. Ela representa 70% do volume estimado para a safra.

    Frutificação aumentou com clima e boas práticas

    A maior rentabilidade da citricultura em 2024 incentivou os produtores a investir no manejo dos pomares. Eles intensificaram os cuidados com nutrição, irrigação e controle de pragas. A combinação entre manejo eficiente e clima favorável resultou em 617 frutos por árvore. O número representa um aumento de 30% em relação à safra anterior.

    A expectativa é que cada fruta pese em média 158 gramas na colheita. Apesar de discretamente abaixo do peso médio da última safra (159 gramas), a produtividade deve se recuperar. A estimativa é de 869 caixas por hectare, contra 687 caixas na safra anterior.

    Queda de frutos e impacto do greening

    Mesmo com os avanços, o setor ainda enfrenta desafios. A taxa de queda de frutos projetada é de 20%, 2,2 pontos percentuais acima da safra passada. A alta está associada ao avanço do greening e à colheita mais tardia, causada pela predominância da segunda florada.

    Censo mostra expansão da citricultura

    O Fundecitrus atualizou em 2025 o Inventário de Árvores do cinturão citrícola. O levantamento mapeou 182,7 milhões de árvores produtivas em São Paulo e Minas Gerais. A área cultivada cresceu 18 mil hectares em relação ao censo anterior de 2022, somando 362 mil hectares. A Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) tem supervisão estatística do professor José Carlos Barbosa, da Unesp de Jaboticabal.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Brasil desenvolve algodão de fibra longa e resistente a doenças

    + Agro em Campo: Papa Leão XIV: a trajetória missionária nas comunidades rurais do Peru

     

  • Safra de laranja no Brasil é a menor em 34 anos; calor é o vilão

    Safra de laranja no Brasil é a menor em 34 anos; calor é o vilão

    A Fundecitrus confirmou que a safra de laranja 2024/25 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro foi a menor dos últimos 34 anos, com uma produção total de 230,87 milhões de caixas de 40,8 kg. Em resumo, a safra foi marcada por condições climáticas adversas, incluindo ondas de calor e estiagem, que impactaram negativamente o desenvolvimento dos frutos.

    A produção desta temporada ficou 0,65% abaixo da estimativa inicial divulgada em maio de 2024 e 24,85% menor que a safra anterior de 2023/24, que totalizou 307,22 milhões de caixas. As condições climáticas, com chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, aceleraram portanto a maturação das laranjas, resultando em uma colheita antecipada e frutos com tamanho inferior ao projetado.

    Os principais dados sobre a safra incluem:

    • Produção por variedade:
      • Hamlin, Westin e Rubi: 37,63 milhões de caixas.
      • Outras precoces: 15,60 milhões de caixas.
      • Pera Rio: 74,70 milhões de caixas.
      • Valência e Folha Murcha: 75,99 milhões de caixas.
      • Natal: 26,95 milhões de caixas.
    • Taxas de queda:
      • Hamlin, Westin e Rubi: 10,6%.
      • Outras precoces: 13,9%.
      • Pera Rio: 16,5%.
      • Valência e Folha Murcha: 21,6%.
      • Natal: 22,6%.
    • Precipitação:
      • A precipitação média no cinturão citrícola de maio de 2024 a março de 2025 foi de 1.050 mm, 20% abaixo da média histórica.

    Colheita acelerada

    Apesar das adversidades, o surgimento tardio e expressivo da quarta florada ajudou a atenuar as perdas, evitando uma quebra ainda mais intensa na produção. Além disso, a colheita acelerada também contribuiu para reduzir as perdas, com uma taxa média de queda de frutos de 17,8%, a menor dos últimos cinco anos.

    A safra de laranja no Brasil é crucial para a economia, especialmente no setor de suco de laranja, que é um dos principais produtos de exportação do país. Entretanto, a redução na produção pode impactar os preços internacionais e a competitividade do setor. A Fundecitrus, por fim,  já prepara a próxima estimativa da safra 2025/26, que será divulgada em maio de 2025.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Sucuri de 6 metros é flagrada de ‘barriga cheia’ após refeição

    + Agro em Campo: Rainha do Pantanal, onça-pintada dá salto de cinema em MT

  • Doença começa a mudar o mapa da citricultura no Brasil

    Doença começa a mudar o mapa da citricultura no Brasil

    O avanço implacável do huanglongbing (HLB ou greening), doença que devasta pomares de citros em todo o mundo, está reconfigurando a citricultura brasileira. O tradicional Cinturão Citrícola, que abrangia São Paulo (exceto o litoral), Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, agora se expande para Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Distrito Federal, formando o Cinturão Citrícola Expandido (CCE). Pesquisadores da Embrapa e do Fundecitrus lideram iniciativas inéditas de zoneamento climático e fitossanitário para orientar produtores na migração estratégica.

    Expansão para o Cinturão Citrícola Expandido

    “A Embrapa está imbuída em colaborar de todas as formas para mitigar e controlar o huanglongbing , mas a avaliação de que a citricultura pode mudar e se expandir para novas áreas é uma realidade”, afirma Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura. “Vamos seguir nessa linha, procurando avaliar todo o País. É um compromisso com a cadeia produtiva”, reforça.

    Com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta que mapeia vulnerabilidades climáticas em municípios brasileiros, cientistas identificaram regiões com menor risco para a instalação de novos pomares. “Conseguimos separar áreas limítrofes do Cinturão Citrícola tradicional e diagnosticar possibilidades de expansão”, explica Mauricio Coelho, coordenador do Zarc Citros. O estudo considera fatores como déficit hídrico e temperaturas elevadas, críticos para floração e frutificação.

    Deslocamento é impulsionado pelo avanço do HLB e expande a produçào para outros estados, além de São Paulo e Minas Gerais. Foto: Orlando Passos/Embrapa

    Um projeto financiado pela Fapesp até 2026 avança no zoneamento de riscos fitossanitários, focando no psilídeo (vetor do HLB) e na podridão floral dos citros. “Queremos gerar mapas de favorabilidade para essas pragas no CCE, auxiliando produtores a tomar decisões em cenários climáticos futuros”, afirma Alécio Moreira, analista da Embrapa. Os primeiros resultados devem sair em 2025.

    Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus, destaca que a migração ganhou força em 2023 e segue em ascensão: “Em 2024, produtores intensificaram a busca por áreas livres do greening”. Apesar do aumento da doença em São Paulo (de 38% para 44% em 2024), o ritmo de crescimento diminuiu, sinalizando controle parcial.

    Desafios logísticos e climáticos

    Danilo Yamane, da FortCitrus Consultoria, aponta três obstáculos para a expansão: clima adverso, logística distante dos polos processadores e falta de mão de obra especializada. “Temperaturas altas prejudicam a fisiologia da planta, e regiões novas carecem de infraestrutura consolidada”, explica.

    Para enfrentar esses desafios, empresas como a Cambuhy Agrícola já migraram parte de seus cultivos. “Plantamos 1.200 hectares em Mato Grosso do Sul, gerando 1.200 empregos diretos”, relata Fabrício Lanza, gerente da empresa. A Agroterenas também investiu no estado: “Iniciamos 1.500 hectares em 2024, com orientação técnica da Embrapa sobre porta-enxertos e manejo”, diz Ezequiel Castilho, diretor da AGT Citrus.

    Por trás dos dados: processamento em tempo real

    Eduardo Monteiro, da Embrapa Agricultura Digital, detalha a base tecnológica do Zarc: “Processamos 4 mil séries históricas de clima, simulando cenários para diferentes solos e ciclos de cultivo”. Os dados, validados por especialistas e setor produtivo, orientam portarias do Ministério da Agricultura.

    Enquanto o huanglongbing pressiona o coração citrícola paulista, a ciência abre rotas para uma nova geografia agrícola. Com investimento em pesquisa e adaptação logística, o Brasil busca manter sua liderança global na produção de laranjas, mesmo sob a sombra do greening.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Etanol: preços continuam em queda no mercado paulista
    + Agro em Campo: Novo Cadastro da Agricultura Familiar começa a operar no Brasil

  • Oferta de laranja deve novamente ficar abaixo da demanda na safra 2025/26

    Oferta de laranja deve novamente ficar abaixo da demanda na safra 2025/26

    Mesmo com o retorno das chuvas em outubro de 2024, a safra 2025/26 de laranjas no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro segue incerta. As flores abertas após as precipitações foram volumosas, mas o desenvolvimento dependerá das condições climáticas ao longo da temporada.

    Enquanto o cenário para 2025/26 permanece indefinido, a safra atual (2024/25) foi estimada pelo Fundecitrus em 223,14 milhões de caixas de 40,8 kg. Esse volume representa uma queda de 27,4% em comparação com 2023/24. A produção reduzida deve resultar em estoques de suco de laranja praticamente zerados até o fim da temporada.

    De acordo com cálculos do Cepea, mesmo com a redução nas exportações brasileiras de suco de laranja em 2024/25, os estoques devem cair significativamente. Assim, as fábricas continuarão com alta demanda por matéria-prima para manter a produção.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: 2025: soja deve ter produção recorde e preço externo menor
    + Agro em Campo: Brasil consolida liderança no comércio internacional de açúcar

    Oferta de laranja nos Estados Unidos

    Nos Estados Unidos, a situação também é preocupante. A Flórida enfrenta baixos estoques e deve aumentar as importações de suco brasileiro, o que deve sustentar os preços no mercado nacional.

    Além disso, dados divulgados em dezembro pelo USDA apontam que a produção da Flórida para 2024/25 deve alcançar apenas 12 milhões de caixas de 40,8 kg. O número representa uma queda de 20% em relação ao relatório de outubro.

    Doenças como o greening e os impactos do furacão Milton, que atingiu diversas fazendas em outubro, contribuíram para essa redução. Com isso, a demanda internacional pelo suco brasileiro segue aquecida, enquanto o mercado interno lida com estoques apertados e produção limitada.

  • Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    O Fundecitrus, a Esalq/USP e a Fapesp uniram forças para criar o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). O projeto foi apresentado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O objetivo é intensificar o combate ao greening, doença que afeta 44% dos pomares paulistas em 2024.

    Investimento

    O CPA terá um investimento de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos, renováveis por mais cinco. Ou seja, Fundecitrus e Fapesp destinarão R$ 90 milhões em recursos financeiros. O restante será contrapartida não financeira, como infraestrutura e salários de técnicos. Em geral, o centro busca desenvolver pesquisas, transferir tecnologia e difundir conhecimento para fortalecer a citricultura, setor responsável por 8,2% das exportações paulistas e 45 mil empregos no estado.

    Márcio de Castro Silva e Filho, diretor-científico da Fapesp, destacou a relevância histórica da parceria com o Fundecitrus. “Juntos, avançamos na pesquisa e mitigação do greening. Agora, damos um passo transformador para a citricultura paulista”, afirmou. Além disso, a colaboração entre as instituições remonta ao Projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou o genoma da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da CVC (amarelinho).

    Impactos do greening

    A doença, que provoca queda de produtividade e eleva os custos de produção, já reduziu pela metade o número de propriedades citrícolas no estado. Ou seja, de 2008 a 2024, a incidência subiu de 0,6% para 44,4%, condenando 90,7 milhões de árvores só neste ano. Portanto, desde 2004, outras 64 milhões de árvores foram eliminadas na tentativa de controlar a doença.

    Ao mesmo tempo, o aumento da população do inseto vetor, resistente a inseticidas, intensifica o problema. Entre 2019 e 2024, o número de vetores cresceu dez vezes, ampliando os desafios para conter a disseminação. “O CPA foi criado para oferecer respostas eficazes e reduzir os prejuízos à produção”, explicou Lilian Amorim, pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA.

    Em resumo, nas últimas cinco safras, o greening causou a perda de 97,2 milhões de caixas de laranja, totalizando US$ 972 milhões em receita. Algumas regiões já registram mais de 60% de pomares afetados pela doença, que ameaça a sustentabilidade do setor.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Herbicidas hormonais ameaçam produção de uva no Rio Grande do Sul
    + Agro em Campo: Entenda o sucesso da Starlink, de Elon Musk, no Agro

    Pesquisa e transferência de tecnologia

    As pesquisas do CPA abordarão interações entre patógenos, plantas e vetores, com foco em resistência genética e controle integrado. Outras áreas de estudo incluirão nutrição das plantas, avaliação de perdas e impactos econômicos das medidas de manejo.

    Além disso, o CPA atuará na formação de profissionais, com programas de pós-graduação e cursos online. Pesquisadores e técnicos de instituições parceiras, como CATI e Defesa Agropecuária do Estado, farão a transferência de tecnologia.

    Sediado na Esalq/USP, em Piracicaba, o CPA reunirá especialistas de universidades e centros de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre os parceiros estão a UFSCar, Unicamp, Embrapa e instituições de países como França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Portugal.

    O secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, reforçou a importância do setor. “A citricultura paulista é referência mundial. O CPA fortalecerá o setor, possibilitando enfrentarmos desafios como o greening com mais eficiência”, destacou.

    Com essa iniciativa, o estado de São Paulo renova seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade da citricultura, promovendo soluções que alavancam a economia e protegem uma das principais cadeias produtivas do Brasil.

  • Laranja; projeto Colhe+ pode revolucionar citricultura brasileira

    Laranja; projeto Colhe+ pode revolucionar citricultura brasileira

    O Projeto Colhe+, criado pelo Fundecitrus em parceria com as empresas Agricef e Move Agro, está revolucionando a citricultura ao promover um ganho de 7% no rendimento diário dos colhedores de laranja em quatro propriedades envolvidas.

    Durante seis meses, essas fazendas implementaram novos modelos e processos de gestão para aumentar a eficiência operacional, um desafio constante na produção de laranja no Brasil.

    A citricultura, uma das principais cadeias produtivas do agronegócio nacional, enfrenta desafios como a escassez de mão de obra e a necessidade de aumentar a produtividade dos colhedores.

    Pensando nisso, o Projeto Colhe+ investe na melhoria da colheita manual e incentiva a adoção de soluções mecanizadas e semimecanizadas.

    Estratégias de gestão e resultados

    O coordenador do projeto, Efraim Albrecht, explica que as equipes do Colhe+ mapearam os processos de colheita nas fazendas, identificando pontos que diminuíam o rendimento.

    Com isso, foram desenvolvidas práticas de gestão, implementadas com 21 líderes de equipe, para aumentar a produtividade e eficiência operacional.

    Segundo Albrecht, uma gestão de processos eficiente economiza tempo e recursos ao reduzir erros e retrabalhos, promovendo uma execução mais focada e ágil dentro do pomar.

    Projeto Colhe+: com adoção de estratégia de gestão, colheita de laranja tem ganho de 7% no rendimento diário. Divulgação Fundecitrus

    Marcella Freitas, especialista em processos do projeto, aponta que as análises feitas nas propriedades participantes comprovaram os resultados positivos. “Agora, a meta é expandir as práticas para outros líderes de campo, criando novas frentes de atuação no processo de colheita”, afirma.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pesquisa aponta benefícios do mel da florada do açaí
    + Agro em Campo: Novo vinho nacional – Pesquisadores desenvolvem bebida fermentada a partir do umbu

    Para Guilherme Rodriguez, engenheiro-agrônomo e supervisor de projetos do Fundecitrus, a gestão eficiente e participativa da colheita possibilita uma adaptação mais rápida a novas demandas.

    Sejam elas tecnológicas, regulatórias ou de mercado. “Esse dinamismo é essencial para manter a competitividade em um setor em constante transformação”, destaca.

    Parcerias para o futuro

    Até o momento, o Colhe+ já envolveu sete empresas, oferecendo mais de 50 horas de treinamento a 220 participantes.

    O projeto busca novas parcerias com empresas, institutos de pesquisa, startups e universidades, tanto nacionais quanto internacionais.

    Conseguindo, assim, desenvolver tecnologias que atendam às necessidades dos pomares brasileiros.

    Com um foco claro na eficiência e na inovação, o Projeto Colhe+ promete fortalecer a citricultura, ampliando sua competitividade e relevância no cenário agrícola nacional.

  • Citricultura e febre aftosa são focos da visita de Fávaro ao interior paulista

    Citricultura e febre aftosa são focos da visita de Fávaro ao interior paulista

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniu com representantes do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) em Araraquara para discutir avanços na citricultura, com foco no fortalecimento da defesa agropecuária e na competitividade do setor no mercado internacional. Durante a reunião, Fávaro enfatizou seu compromisso em encontrar soluções para a doença Huanglongbing (HLB), também conhecida como Greening, causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp..

    “A citricultura brasileira é um exemplo para o mundo. Venho aqui com muito otimismo, acreditando que, juntos – poder público, produtores e indústria -, conseguiremos desenvolver soluções e enfrentar esse desafio, mantendo a força dessa atividade. A liberação de novas moléculas avança a passos largos, sendo a prioridade número um do Ministério da Agricultura”, afirmou Fávaro.

    Ele também destacou o apoio à pesquisa e garantiu que todas as medidas necessárias seriam tomadas. “Fiquei profundamente sensibilizado. Vamos superar esse desafio e o Brasil continuará sendo um grande produtor mundial de citrus e de oportunidades na citricultura”, completou.

    O Greening é a principal ameaça à citricultura global, afetando todas as variedades de citros e sem cura conhecida para as plantas contaminadas. No Brasil, a praga está presente e sob controle oficial nos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

    Cutrale, empresa especializada em citricultura que abrange desde a formação de mudas até o processamento de sucos e subprodutos, é responsável por pelo menos 25% do mercado de suco de laranja mundial

    Durante sua visita a Araraquara, Fávaro também conheceu a sede da Sucocítrico Cutrale Ltda., uma empresa brasileira especializada em citricultura que abrange desde a formação de mudas até o processamento de sucos e subprodutos. A Cutrale detém pelo menos 25% do mercado mundial de suco de laranja, além de participações em muitas outras empresas, como Femsa Coca Cola.

    Visita técnica em Ribeirão Preto

    O ministro Carlos Fávaro também realizou uma visita técnica à Ourofino Saúde Animal, em Ribeirão Preto (SP).  A empresa é credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para conduzir estudos avançados e desenvolver insumos veterinários. A pauta da visita foi o futuro da produção de vacinas contra febre aftosa, visando manter o parque industrial ativo.

    Apesar da retirada da vacinação contra febre aftosa no Brasil, a Ourofino pretende manter sua estrutura e fábrica em funcionamento. Isso é estratégico para fortalecer a sanidade global e consolidar a liderança no setor. “Trabalhamos e defendemos, como estratégia prioritária para o Brasil, a capacidade de produzir insumos essenciais para garantir a saúde animal e fortalecer a sanidade no setor agropecuário”, disse Fávaro.

    Alternativas para manter produtividade no campo

    Durante a visita, discutiram alternativas para manter a produtividade do campo e da pecuária. Isso inclui novos produtos e soluções inovadoras. O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, ressaltou a importância da autodeclaração do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. “A visita de hoje buscou reforçar a estratégia do Mapa em garantir que o Brasil esteja sempre preparado para atender às demandas de sanidade animal”, destacou Goulart.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Bayer e Banco do Brasil lançam parceria para promover práticas agrícolas sustentáveis
    + Agro em Campo: Agreste pernambucano se torna polo produtor de vinhos

    A comitiva do Mapa foi recebida por Kleber Soares, presidente da Ourofino Saúde Animal; Jardel Massari, sócio fundador; Marcelo Abdo, CEO da Ourofino Agrociência; e Thais Clemente, diretora-executiva. Também participaram da visita Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola; Edilene Soares, diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas; Marcelo Mota, diretor do Departamento de Saúde Animal; Wilson Taques, chefe de Gabinete; e Carla Madeira, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social.

    Comitiva do Mapa visitou uma das empresas fabricantes da vacina contra a febre aftosa, a Ourofino

    Fundada em 1987, a Ourofino Saúde Animal possui um complexo industrial com mais de 200 mil metros quadrados que atende às rigorosas normas locais e internacionais para fabricação de produtos veterinários. Desde 2010, a empresa atua no mercado de imunobiológicos com a fabricação da vacina contra febre aftosa.

    Brasil Livre de febre aftosa sem vacinação

    Em maio deste ano, com o fim da última imunização contra febre aftosa em 12 unidades da Federação e parte do estado do Amazonas, o Brasil avançou no Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PE-PNEFA) e se tornou totalmente livre da doença sem vacinação.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Tecnologia a favor do produtor – pesquisa pode revolucionar análise de grãos
    + Agro em Campo: Perigo para o bolso – novas pragas ameaçam a fruticultura no Brasil

    O próximo passo é obter o reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Atualmente, apenas os estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso possuem esse certificado.