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  • Greening avança e acende alerta para resistência do psilídeo nos citros

    Greening avança e acende alerta para resistência do psilídeo nos citros

    A expansão do greening nos pomares brasileiros reforça a necessidade de aprimorar o controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão das bactérias associadas à doença. Ao mesmo tempo, pesquisas identificam redução da suscetibilidade do vetor a diferentes grupos de inseticidas, o que limita as alternativas disponíveis aos citricultores.

    Divulgação: Ihara

    Levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) mostra que a incidência de laranjeiras com sintomas de greening no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais subiu de 44,35%, em 2024, para 47,63%, em 2025. O avanço representa alta de 7,4% e corresponde a quase 100 milhões de árvores afetadas na principal região produtora de citros do país.

    Sem tratamento curativo, o greening reduz a produtividade, encurta a vida útil das plantas e compromete a qualidade dos frutos. Como consequência, a doença aumenta os custos de produção e pressiona a rentabilidade dos citricultores.

    Rotação de inseticidas é essencial

    Diante desse cenário, o manejo da resistência passou a ocupar posição central nos programas fitossanitários. As recomendações do Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC) indicam a rotação entre diferentes modos de ação como uma das principais estratégias para preservar a eficiência dos produtos e reduzir a pressão de seleção sobre as populações do psilídeo.

    O uso repetido de inseticidas com o mesmo mecanismo de ação favorece a sobrevivência e a multiplicação de indivíduos resistentes. Por isso, os especialistas recomendam evitar aplicações sequenciais de produtos pertencentes ao mesmo grupo químico.

    Pesquisas do Fundecitrus em parceria com o Laboratório de Resistência de Artrópodes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) já identificaram resistência do psilídeo a piretroides e neonicotinoides em algumas microrregiões do cinturão citrícola. Estudos posteriores também confirmaram o início da resistência à malationa, ingrediente ativo do grupo dos organofosforados.

    Segundo as orientações técnicas divulgadas pelo Fundecitrus, o produtor deve reavaliar o uso desses grupos quando observar falhas de controle e adotar alternativas dentro de um programa de rotação. A recomendação inclui trabalhar com diferentes grupos químicos e evitar a repetição de mecanismos de ação em aplicações consecutivas.

    Manejo integrado reduz riscos

    A rotação de inseticidas, no entanto, não deve ocorrer de forma isolada. O IRAC recomenda combinar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) com o Manejo de Resistência a Inseticidas (MRI).

    Entre as principais medidas estão:

    • Utilizar mudas certificadas e produzidas em viveiros protegidos.
    • Monitorar regularmente a presença de psilídeos nos pomares.
    • Aplicar inseticidas conforme a necessidade e as orientações técnicas.
    • Eliminar plantas hospedeiras e reduzir fontes de inóculo próximas à propriedade.
    • Controlar as populações adultas do inseto, principalmente em períodos estratégicos.
    • Alternar aplicações no solo com pulverizações foliares de diferentes modos de ação.
    • Preservar agentes de controle biológico e reduzir o risco de surtos de pragas secundárias.

    A adoção conjunta dessas práticas ajuda a reduzir a população do vetor, diminui a disseminação do greening e prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis.

    Novas tecnologias ampliam alternativas

    A evolução da resistência torna necessária a diversificação dos programas de controle. Produtos com diferentes mecanismos de ação permitem ao citricultor estruturar estratégias mais flexíveis e reduzir a dependência de um único grupo de inseticidas.

    “O manejo da resistência deixou de ser uma preocupação futura e passou a ser uma necessidade imediata para a sustentabilidade da citricultura. A incorporação de novas tecnologias registradas para o controle do psilídeo aos programas fitossanitários amplia as alternativas disponíveis aos citricultores ao longo das safras”, afirma o engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da IHARA, Silvio Marcussi.

    Para o especialista, a integração entre as ferramentas disponíveis será decisiva para enfrentar o avanço da doença.

    “Fortalecer o controle do psilídeo, tendo a rotação entre diferentes modos de ação como um dos pilares, contribui para retardar a evolução da resistência aos inseticidas e preservar a vida útil das moléculas disponíveis”, finaliza Marcussi.

  • Morre Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus

    Morre Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus

    Faleceu nesta terça-feira (7), o pesquisador e ex-presidente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Ademerval Garcia. A entidade confirmou a informação e destacou a importância do pesquisador para o fortalecimento da citricultura brasileira.

    Em nota, o Fundecitrus prestou solidariedade aos familiares e amigos de Garcia. Além disso, ressaltou sua trajetória marcada pela liderança, pelo incentivo à pesquisa e pelas contribuições que ajudaram a transformar a instituição em uma referência internacional.

    “O Fundecitrus manifesta solidariedade aos familiares e amigos de Ademerval Garcia e presta homenagem à sua visão, liderança e contribuição para a história da instituição e da citricultura brasileira. Seu legado permanece vivo na ciência produzida, no conhecimento compartilhado e nos avanços que continuam fortalecendo o setor.”

    Ademerval Garcia impulsionou a pesquisa na citricultura

    Ademerval Garcia presidiu o Fundecitrus entre 1994 e 2004. Durante sua gestão, criou o Departamento Científico da instituição, iniciativa que ampliou os investimentos em pesquisa e fortaleceu a produção de conhecimento voltada ao setor citrícola.

    Nesse período, Garcia também trabalhou em parceria com o pesquisador francês Joseph Marie Bové. Juntos, contribuíram para importantes estudos voltados à citricultura.

    Segundo o Fundecitrus, essas ações fortaleceram a cooperação com centros de pesquisa brasileiros e internacionais. Como resultado, a instituição conquistou reconhecimento científico em âmbito mundial.

    Sequenciamento da Xylella marcou a história da instituição

    O principal marco dessa trajetória ocorreu em 2000. Naquele ano, pesquisadores do Fundecitrus concluíram o sequenciamento genético da Xylella fastidiosa.

    O feito representou a primeira decodificação do genoma de um fitopatógeno registrada até então. Além disso, colocou a ciência brasileira em destaque internacional e consolidou o Fundecitrus como uma das principais referências mundiais em pesquisa sobre sanidade vegetal.

  • Citricultura brasileira ganha destaque na Expocitros 2026

    Citricultura brasileira ganha destaque na Expocitros 2026

    A abertura oficial da 51ª Expocitros e da 47ª Semana da Citricultura reuniu autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio brasileiro no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, interior de São Paulo. O evento ocorre entre os dias 26 e 29 de maio de 2026 e conta com 89 expositores. Além disso, reforça o papel da pesquisa, da inovação e da integração da cadeia produtiva para o fortalecimento da citricultura nacional.

    Promovida no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, unidade de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Agronômico (IAC), a cerimônia começou com o hasteamento das bandeiras e a execução do Hino Nacional. O IAC integra a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    Compuseram o palco o secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho; a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad; o ex-ministro da Agricultura e embaixador especial da ONU para Agricultura e Alimentação, Roberto Rodrigues; o diretor da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios da APTA, Carlos Nabil Ghobril; o diretor-geral do Instituto Agronômico, Marcos Lândell; e o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Evento reforça integração da cadeia citrícola

    Durante o discurso inicial, o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior, ressaltou a importância histórica da Expocitros para o setor.

    “Desde o nascimento, nunca foi apenas um evento, mas um sistema integrado de colaboração, em que reunimos essa cadeia de produção e tantos atores do agronegócio brasileiro. É o terceiro evento mais tradicional do Brasil. Continuamos existindo após 52 anos de sua criação e temos como propósito ser melhor que o ano anterior”, afirmou.

    Na sequência, o coordenador-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Marcos Guimarães de Andrade Lândell, destacou a tradição da pesquisa paulista voltada à citricultura.

    “O Instituto Agronômico trabalha há muito tempo com citros, durante todo o século 20 e continuamos ainda mais forte no século 21. Quero parabenizar a todos os pesquisadores e técnicos que nos apoiam e se dedicam para que as coisas sejam realizadas com excelência para que pudéssemos ter uma citricultura tão forte como a que temos hoje”, declarou.

    A prefeita Cristina Saad afirmou que o município amplia sua presença no cenário nacional e internacional por meio da citricultura.

    “Cordeirópolis abre suas portas não só para o Brasil, mas para o mundo através do Centro de Citricultura da nossa cidade. É um orgulho e um prazer muito grande contribuir com tudo isso”, disse.

    Homenagens reconhecem trajetórias do agro

    A solenidade também contou com homenagens voltadas à pesquisa, ao trabalho social e à trajetória de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da citricultura brasileira.

    Neste ano, a entidade social homenageada foi a Acesac (Ação Social e Educativa da Paróquia de Santo Antônio de Cordeirópolis). A presidente da instituição, Célia Aparecida Evangelista Avi, recebeu uma doação entregue por Afonso Nogueira Filho, diretor comercial da Luma Implementos Agrícolas.

    Outro destaque da cerimônia foi a entrega da Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao ex-ministro Roberto Rodrigues. A honraria reconhece personalidades que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento científico e para o fortalecimento do Instituto Agronômico e do agro paulista.

    Roberto Rodrigues recebe homenagem na abertura da Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Após receber a homenagem, Roberto Rodrigues fez um pronunciamento marcado pela emoção e por reflexões sobre o atual momento do país e do agronegócio brasileiro.

    “Eu tenho recebido algumas homenagens que muito me honram e me orgulham. Eu tenho amor pela agricultura, eu gosto de trabalhar com agricultura. Hoje é emoção pura, estou segurando as pontas aqui”, afirmou.

    O ex-ministro também destacou a ligação histórica com o Instituto Agronômico e com o setor citrícola paulista.

    “Vejo aqui diversas gerações, vejo alunos meus que se tornaram meus amigos, e estar aqui, na casa onde eu nasci, realmente me traz muita emoção”, declarou.

    Roberto Rodrigues alerta para momento de crise

    Ao comentar o cenário econômico e produtivo, Roberto Rodrigues avaliou que o agro atravessa um período desafiador. Ainda assim, reforçou confiança no futuro do setor.

    “Vivemos um momento complicadíssimo no Brasil, mas vai passar. É como um tsunami. O problema é quando a onda volta. Quem não estiver com raízes firmes vai embora com ela”, disse.

    Segundo ele, o cenário atual supera outras crises já enfrentadas pelo agronegócio brasileiro.

    “As crises passam, e essa, particularmente, é a maior que eu já vivi, pois não é uma crise nacional, fruto de problemas internos. É muito maior, mais grave e mais violenta, mas vai passar. O futuro é fantástico, portanto, fiquemos vivos”, afirmou.

    Além disso, o tradicional Dia do Citricultor homenageou José de Alencar Matta, produtor rural que construiu sua trajetória na citricultura a partir do trabalho familiar e da expansão das atividades agrícolas no interior paulista.

    O Prêmio GCONCI – Hall da Fama da Citricultura Brasileira foi entregue ao pesquisador Walter dos Santos Soares Filho. O agrônomo é referência nacional em melhoramento genético de citros e atua na Embrapa Mandioca e Fruticultura.

    Já o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura reconheceu Hamilton Humberto Ramos, pesquisador científico do Instituto Agronômico, com atuação voltada à tecnologia e segurança na aplicação de defensivos agrícolas.

    Pesquisa e inovação ganham espaço no evento

    O Prêmio Centro de Citricultura 2026, com o tema “Inovação para o Futuro da Citricultura”, foi concedido ao AcaroLab, da UNESP/FCAV de Jaboticabal. O laboratório se destaca pelos trabalhos desenvolvidos em manejo integrado de ácaros e pesquisas relacionadas à leprose dos citros.

    Além disso, a programação apresentou resultados inéditos de pesquisas sobre os benefícios do consumo de suco de laranja para a saúde humana. O conteúdo foi exibido em vídeo institucional com participação dos pesquisadores da USP Franco Lajolo e Neuza Hassimotto.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Durante o encerramento da solenidade, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou a importância econômica da citricultura brasileira e o papel estratégico da pesquisa para o avanço do setor.

    “Estar aqui hoje é uma honra, uma satisfação, pela importância do setor, pela importância dos produtores, pelo que a citricultura representa pro Brasil. Estar nesse solo tão fértil, com tanto conhecimento, tecnologia e solução que tanto contribuiu para o agro brasileiro”, afirmou.

    Segundo o secretário, o setor enfrenta um momento delicado, marcado por desafios econômicos e sanitários.

    “O setor como um todo está passando por um momento muito delicado, muito sensível. Produzir nesse momento de crise é algo desafiador, mas envolve pesquisa, tecnologia, acesso a mercado, preços internacionais, sanidade, principalmente contra o greening”, destacou.

    Governo paulista reforça apoio ao produtor

    Geraldo Melo Filho também reforçou a importância do apoio ao produtor rural.

    “O principal papel do Estado é o apoio ao produtor que está exposto a todos os riscos, estar ao lado desse produtor nos momentos de crise e de necessidade”, concluiu.

    Na sequência, a organização realizou o tradicional brinde de encerramento com suco de laranja.

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura seguem até o dia 29 de maio com programação técnica, exposição de tecnologias, debates sobre inovação e apresentações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola brasileira.

  • Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    A safra de laranja 2026/27 deve recuar no cinturão citrícola paulista e mineiro. O avanço do greening preocupa os produtores. O Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, estima produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos.

    A projeção integra a primeira Pesquisa de Estimativa de Safra divulgada nesta sexta-feira (8). O volume representa queda de 12,9% frente à safra anterior. Em 2025/26, produtores colheram 292,94 milhões de caixas.

    Queda de frutos no pomar

    Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o número de frutos diminuiu nos pomares. De acordo com Ayres, as árvores apresentam 17% menos frutos. Esse fator explica a maior parte da redução produtiva.

    Além disso, o greening segue como principal ameaça da citricultura brasileira. O levantamento aponta que 52% dos pomares adultos apresentam contaminação pela doença. Com isso, o greening reduz o peso das frutas e compromete a produtividade anual.

    Entre as 12 regiões citrícolas analisadas, apenas quatro mantêm o número de frutos. Nessas áreas, os frutos tendem a ser maiores.

    Por outro lado, Porto Ferreira, no interior paulista, deve registrar queda de 26% no total de frutos. Segundo Ayres, os efeitos do greening explicam o forte recuo na região. Além das doenças, o clima também pode alterar a produção final da safra.

    Na temporada passada, a colheita ficou 7% abaixo da estimativa inicial. Ayres afirmou que o clima seco e as altas temperaturas prejudicaram o pós-florecimento dos pomares.

    Árvores produtivas e não produtivas

    O levantamento também identificou crescimento no número de árvores produtivas. Em 2026, o cinturão citrícola soma 184,3 milhões de árvores produtivas. O total cresceu 0,91% frente a 2025.

    Já o número de árvores não produtivas aumentou 6,17%. O volume passou de 26,3 milhões para 28 milhões.

    Segundo Ayres, áreas fora do cinturão citrícola possuem 13 milhões de árvores com menos de três anos. Essas plantas devem entrar no censo do Fundecitrus a partir de 2028. Ele afirmou ainda que a citricultura brasileira expandiu produção além das regiões tradicionais.

  • Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    O controle do psilídeo representa um dos maiores desafios da citricultura brasileira. O inseto é o principal vetor do greening, doença que não tem cura e compromete a produtividade dos pomares, e seu manejo envolve fatores biológicos, ambientais, econômicos e sociais. Para enfrentar esse problema, o Fundecitrus pesquisa desde 2015 o uso do caulim como barreira física contra o inseto, com resultados que apontam reduções expressivas tanto na população do psilídeo quanto na incidência da doença.

    O caulim é um mineral natural composto principalmente por silicato de alumínio. Quando pulverizado sobre as folhas dos citros, forma uma película branca que altera a aparência visual da planta. E é exatamente essa mudança que interfere no comportamento do inseto.

    “O psilídeo depende primariamente da visão para localizar as plantas para reprodução e alimentação. Ao alterar a aparência da planta, o caulim confunde o inseto e interfere diretamente no seu comportamento de selecionar o hospedeiro. Se ele não consegue pousar para se alimentar, também não é capaz de transferir a bactéria causadora da doença para a planta sadia nem depositar seus ovos”. É o que explica Marcelo Miranda, pesquisador do Fundecitrus e coordenador da pesquisa.

    Experimentos em pomares comerciais confirmam eficiência do caulim

    A partir de 2019, com apoio da Fapesp, o Fundecitrus conduziu experimentos de grande escala nas bordas de três pomares comerciais de laranjeira-doce no interior de São Paulo. Os resultados variaram conforme o tipo de pomar e o protocolo de aplicação, mas confirmaram o potencial do mineral como ferramenta complementar aos inseticidas químicos.

    No primeiro experimento, em um pomar em formação na região de Casa Branca, a combinação de caulim a 2% a cada 15 dias com inseticidas a cada 10 dias resultou em redução de 59% na população de psilídeos e 52% na incidência de greening, em comparação com a área tratada apenas com inseticidas.

    No segundo, em um pomar em produção na região de Borborema, pulverizações mensais de caulim a 2% no primeiro semestre e quinzenais no segundo, associadas a inseticidas a cada 10 dias, reduziram em 25% a infestação do inseto e 40% a incidência da doença.

    O terceiro experimento, em um pomar recém-implantado em Pirajuí, revelou uma condição importante: a frequência de aplicação faz diferença. O uso quinzenal de caulim apenas no segundo semestre dos dois primeiros anos não foi suficiente para reduzir a população do psilídeo nem a incidência de greening. Quando os pesquisadores passaram a aplicar o produto ao longo de todo o ano, a 1% no primeiro semestre e 1,5% no segundo, os resultados melhoraram significativamente: após três anos, a infestação caiu 48% e a incidência de greening, 46%.

    “Esses experimentos em pomares comerciais permitiram acompanhar de perto a evolução do psilídeo e da doença em diferentes cenários. Contribuindo para gerar informações práticas ao citricultor”, diz Miranda.

    Nem todo caulim é igual: como escolher o produto certo

    Estudos mais recentes do Fundecitrus, com apoio da Givaudan Foundation, avaliaram diferentes produtos à base de caulim e compostos semelhantes, comparando pH, cobertura foliar, resistência à chuva e repelência ao psilídeo. Os resultados mostraram diferenças relevantes entre os produtos disponíveis no mercado.

    Produtos à base de silicato de alumínio, em geral, não alteram significativamente o pH da calda de pulverização. O que é desejável, já que variações de pH podem comprometer a eficácia dos inseticidas aplicados na mesma mistura. Já o hidróxido de cálcio, o hidróxido de magnésio e o carbonato de cálcio elevam o pH da calda, o que pode ser um problema quando há combinação com outros defensivos.

    “É importante que os produtos confiram uma tonalidade visualmente mais branca à superfície da planta, apresentem boa cobertura foliar e resistência à lavagem pela chuva. Produtos com essas características reduzem de forma mais significativa a quantidade de psilídeos na planta”, afirma Wellington Ivo Eduardo, pesquisador do Fundecitrus.

    Ao escolher um produto, o citricultor deve priorizar formulações específicas para pulverizações agrícolas, com granulometria fina (igual ou inferior a 2 micrômetros), fácil diluição em água, ausência de substâncias tóxicas, baixo poder abrasivo. E sobretudo capacidade de deixar a superfície foliar com coloração esbranquiçada.

    Como aplicar o caulim corretamente

    A concentração recomendada é de 3% na pulverização inicial e 2% nas aplicações de manutenção, podendo variar conforme a indicação do fabricante. A sequência de diluição, porém, exige atenção.

    “Produtos à base de caulim e minerais afins devem ser diluídos primeiro, adicionados lentamente ao tanque ou ao pré-misturador, sempre com agitação constante. Isso reduz o risco de o produto decantar ou permanecer na superfície da calda”, orienta Eduardo.

    Quando houver aplicação conjunta com outros produtos,  inseticidas, acaricidas ou fungicidas, o citricultor deve seguir a ordem de mistura. E priorizando os produtos que exigem maior tempo de agitação, seguidos dos de diluição mais rápida.

    Caulim também promete contra o cancro cítrico

    Além do psilídeo e do greening, o Fundecitrus investiga, desde 2021, o desempenho do caulim no controle do cancro cítrico. Essa pesquisa conta também com apoio da Givaudan Foundation.

    Em experimentos de casa de vegetação, o caulim (produto Surround WP) reduziu a severidade da doença em 80%, resultado semelhante ao do cobre, principal defensivo utilizado hoje para o cancro. O mecanismo de ação envolve dois efeitos combinados. A camada física sobre a folha atua como barreira contra a bactéria causadora da doença. E o caulim ainda reduziu em até 50% o tempo de secagem da folha após simulação de chuva, diminuindo o período favorável à infecção.

    Em pomares comerciais de laranja Natal, os resultados foram menos expressivos, mas ainda relevantes. Aplicado isoladamente a cada 21 dias, o caulim reduziu em até 44% a incidência de folhas com cancro cítrico. Alternado com cobre, o controle subiu para até 75% em relação às plantas não tratadas. Um resultado semelhante ao do tratamento exclusivo com cobre. Nos frutos, a combinação dos dois produtos atingiu redução de até 37%.

    Para o pesquisador Franklin Behlau, do Fundecitrus, o uso do caulim no manejo do psilídeo pode trazer um benefício adicional indireto: reduzir a quantidade total de cobre nos pomares.

    “O caulim pode ajudar a aumentar o intervalo entre aplicações de cobre para cancro cítrico, principalmente em áreas com menor favorabilidade da doença. Isso representa um avanço importante do ponto de vista ambiental, pois ajudaria a reduzir o acúmulo desse metal no solo e o risco de seleção de bactérias resistentes”, afirma Behlau.

    Os pesquisadores são enfáticos. O caulim não substitui o cobre, mas pode atuar como aliado em estratégias integradas de manejo, conciliando eficiência agronômica e sustentabilidade ambiental.

  • Colheita de laranja 2025/26 entra na reta final

    Colheita de laranja 2025/26 entra na reta final

    A colheita de laranja da safra 2025/26 avança e se aproxima do encerramento. O Fundecitrus divulgou nova estimativa nesta semana e manteve projeção próxima à anterior, publicada em dezembro de 2025.

    O cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deve colher 292,6 milhões de caixas. Cada caixa pesa 40,8 quilos, conforme dados do levantamento oficial. A nova projeção aponta leve recuo de 0,7% frente ao relatório anterior.  Por outro lado, o volume estimado supera em 26,7% a safra 2024/25.

    O ajuste negativo reflete mudanças nas estimativas das variedades tardias. Entre elas, destacam-se valência, folha murcha e natal. Enquanto a safra 2025/26 entra na fase final, o mercado já observa a próxima temporada.

    Os agentes consultados pelo Cepea voltam a atenção ao desenvolvimento da safra 2026/27.
    O clima recente pode favorecer as lavouras neste momento do ciclo. Dezembro registrou temperaturas mais elevadas em boa parte das regiões produtoras. Em seguida, janeiro teve aumento das chuvas após a metade do mês. Além disso, fevereiro apresentou alto índice pluviométrico em diversas áreas. Mesmo assim, produtores e analistas ainda enfrentam incertezas sobre o potencial produtivo.

    As regiões exibem grande variação nas condições de carga e no desenvolvimento das plantas. Por fim, meteorologistas preveem meses mais quentes adiante. Caso o calor se intensifique, ele poderá prejudicar novamente as condições das árvores.

     

  • Clima e greening derrubam nova estimativa da safra de laranja 2025/26

    Clima e greening derrubam nova estimativa da safra de laranja 2025/26

    O Fundecitrus revisou para baixo a estimativa da safra de laranja 2025/26, em razão das condições climáticas adversas e do avanço do greening, doença que afeta os pomares citrícolas. Apesar da correção negativa, a projeção de produção segue superior à registrada na safra anterior, apontando recuperação parcial do parque produtivo.

    De acordo com a segunda reestimativa divulgada em 10 de dezembro, a produção deve totalizar 294,81 milhões de caixas de 40,8 quilos. O volume representa queda de 3,9% em relação à previsão de setembro e 6,3% inferior à primeira estimativa, publicada em maio. Ainda assim, o resultado aponta alta de 28% sobre a safra 2024/25, marcada por forte impacto climático.

    Os dados, divulgados no relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA, indicam que a redução em relação à estimativa inicial de 314 milhões de caixas decorre principalmente da diminuição do peso dos frutos, provocada pela escassez de chuvas, e do aumento da queda de frutos associado ao avanço do greening.

    O cinturão citrícola enfrentou ventos fortes em setembro, agravando o estresse hídrico das plantas. Entre janeiro e novembro, o acumulado de chuvas atingiu 392 milímetros, cerca de 20% abaixo da média histórica. Com exceção de Porto Ferreira, todas as regiões registraram volumes inferiores à média dos últimos 30 anos.

    Os produtores já concluíram a colheita das variedades precoces e de meia estação. Entre as variedades tardias, como Valência e Natal, eles haviam colhido menos de 50% da produção até a data da reestimativa. Mesmo com a retomada das chuvas em novembro e dezembro, a avaliação do Fundecitrus aponta para frutos com peso inferior ao inicialmente previsto.

  • Rede global quer vencer o greening na citricultura

    Rede global quer vencer o greening na citricultura

    O setor citrícola brasileiro avança em uma nova frente científica para combater o greening, considerada a doença mais devastadora da citricultura mundial. A criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA), sediado na Esalq-USP, marca um novo capítulo na defesa dos pomares.

    O Fundecitrus, a Fapesp e outras instituições públicas e privadas vão investir R$ 90 milhões em pesquisas nos próximos cinco anos. O objetivo é desenvolver soluções tecnológicas e sustentáveis para controlar o greening e reduzir suas perdas crescentes. Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a experiência com o sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa, causadora da CVC, orienta os novos estudos. Ele afirma que o mesmo modelo de cooperação científica usado no passado agora servirá para enfrentar o novo desafio.

    Greening causa prejuízos bilionários ao setor

    Nos últimos cinco anos, a doença provocou a queda de 97 milhões de caixas de laranja, gerando US$ 972 milhões em prejuízos. Neste ano, o greening atingiu 47,63% dos pés de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro.

    O índice representa um aumento de 7,4% em relação a 2023, segundo o levantamento anual do Fundecitrus.
    Ayres compara o impacto do greening a uma pandemia para a citricultura. Ele lembra que o Brasil já investiu entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no combate à doença. Nos Estados Unidos, os investimentos superam US$ 200 milhões, após perdas severas na Flórida.

    Pesquisa une Brasil e centros internacionais

    A nova rede de pesquisa reúne mais de 70 cientistas e integra instituições como USP, Esalq, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa. Também participam centros internacionais da França, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Portugal, reforçando a troca global de conhecimento. A pesquisadora Lilian Amorim, da Esalq, será a diretora do centro.
    Ela vai coordenar os trabalhos com foco em controle biológico, genética e sustentabilidade na produção de citros. Ayres destaca que metade do plantio de laranja já migrou para fora de São Paulo por causa do greening.
    “Queremos manter a citricultura no Estado, que emprega 200 mil pessoas e está presente em 360 municípios”, afirma.

    Experiência com a Xylella inspira novos caminhos

    A história do combate ao amarelinho (CVC) serve de exemplo para os novos desafios. Em 1997, o Fundecitrus participou da escolha da Xylella fastidiosa como alvo do primeiro sequenciamento genômico brasileiro, realizado com apoio da Fapesp. Na época, a doença ameaçava dizimar os pomares paulistas e chegou a ser confundida com o greening.

    O fitopatologista francês Joseph Maria Bové, referência mundial em doenças de citros, ajudou a identificar o novo patógeno. O trabalho levou à criação de uma rede científica nacional que conseguiu controlar a CVC e salvar a produção paulista.

    Ayres lembra que o sequenciamento da Xylella não eliminou a doença, mas permitiu desenvolver métodos eficazes de manejo e prevenção. “Conseguimos reduzir os casos a níveis mínimos. Agora, queremos repetir essa vitória contra o greening”, diz o diretor.

    Fapesp reforça papel da ciência a longo prazo

    O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, também participou do projeto pioneiro da Xylella.
    Ele afirma que a pesquisa em rede colocou o Brasil no mapa global da ciência e consolidou a capacidade nacional de inovação. “Quando há um problema sério, a ciência precisa responder. A Fapesp investe recursos públicos em soluções de longo prazo”, diz Zago.

    A Fapesp recebe 1% dos tributos paulistas, o que representa R$ 2,9 bilhões em orçamento anual. Desse total, 95% são aplicados diretamente em pesquisas e apenas 5% em estrutura administrativa.
    Com a criação do CPA, o Brasil aposta mais uma vez na ciência e na cooperação internacional para garantir o futuro da citricultura. O objetivo é transformar conhecimento em inovação e proteger uma das cadeias mais importantes do agronegócio nacional.

  • Avanço do greening obriga citricultura brasileira a investir em inovação e manejo sustentável

    Avanço do greening obriga citricultura brasileira a investir em inovação e manejo sustentável

    O greening (HLB – Huanglongbing) já atinge 47,6% das laranjeiras no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais. O dado, divulgado pela Fundecitrus, reforça o alerta sobre a saúde dos pomares e a necessidade urgente de gestão eficaz.

    Esta doença é a maior ameaça à citricultura mundial. No Brasil, o maior produtor e exportador global de suco de laranja, a doença vai além do campo. Ela impacta diretamente a competitividade internacional e a segurança da cadeia de alimentos e bebidas.

    O caso dos Estados Unidos serve de exemplo preocupante. Na Flórida, o avanço do greening provocou o colapso da produção citrícola. Estima-se que a safra 2024/25 tenha apenas 12 milhões de caixas, segundo o USDA. Já o Brasil projeta mais de 300 milhões de caixas, conforme a Fundecitrus. O contraste evidencia a urgência de ações intensas.

    Produtores e indústrias brasileiras investem em monitoramento constante, controle do psilídeo-dos-citros e no desenvolvimento de soluções que unem produtividade e sustentabilidade.

    A doença também tem estimulado a migração de pomares para novas regiões, como Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Distrito Federal, formando o Cinturão Citrícola Expandido. Embora essa estratégia diminua a pressão da praga, especialistas alertam que a mudança não substitui o manejo integrado.

    Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, destaca: “Mudar de região não substitui o manejo integrado do HLB. É preciso vigilância contínua para garantir a sustentabilidade do setor”.

    A citricultura brasileira, responsável por mais de 70% das exportações mundiais de suco de laranja, enfrenta um momento decisivo. Para garantir oferta e qualidade, o setor precisa combinar inovação tecnológica, práticas regenerativas e trabalho conjunto entre produtores, governo e indústria. Só assim evitará repetir o cenário negativo da Flórida.

  • Greening atinge 47,6% das laranjeiras, mas cresce em ritmo menor

    Greening atinge 47,6% das laranjeiras, mas cresce em ritmo menor

    O greening atingiu 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro em 2025. O levantamento do Fundecitrus mostra que quase 100 milhões de árvores, de um total de 209 milhões, estão contaminadas.

    O índice representa alta de 7,4% frente a 2024, quando a incidência foi de 44,35%. Apesar disso, o ritmo de crescimento desacelerou pelo segundo ano seguido. Entre 2022 e 2023, a incidência subiu 55,9%. Já entre 2023 e 2024, o aumento foi de 16,5%. Agora, o avanço ficou restrito a 7,4%.

    Fatores que explicam a desaceleração

    O pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi atribui o resultado a medidas de manejo mais rigorosas.
    Produtores passaram a escolher áreas com menor risco para novos plantios. Eles retomaram a prática de eliminar árvores doentes até cinco anos e replantar imediatamente. Além disso, o psilídeo, inseto transmissor da bactéria, teve queda populacional significativa em 2024.

    Produtores resistem em eliminar plantas produtivas

    A boa remuneração pela caixa de laranja em 2023 e 2024 influenciou o manejo. Muitos produtores resistiram em eliminar plantas doentes já em produção. Assim, a maior incidência continua em pomares acima de 10 anos, com 58,43% das árvores contaminadas. Nos pomares de 6 a 10 anos, a incidência é de 57,79%. Já em pomares de 3 a 5 anos, o índice é de 39,18%. Em plantas jovens de 0 a 2 anos, a taxa cai para 2,72%.

    Avanços no controle em plantas jovens

    O greening recuou 54,1% no grupo de 0 a 2 anos. Em pomares de 3 a 5 anos, a redução foi de 17,1%.
    Segundo Juliano Ayres, diretor do Fundecitrus, os citricultores se tornaram mais conscientes no manejo.
    Ele destaca a importância de preservar plantas jovens para garantir qualidade e viabilidade do negócio.
    Nas regiões de baixa incidência, produtores entenderam que não compensa manter árvores novas doentes.

    Severidade da doença preocupa

    A severidade média subiu pelo quarto ano seguido. Ela passou de 18,7% em 2024 para 22,7% em 2025.
    Esse avanço eleva a queda prematura de frutos e o impacto na produção.

    A perda de laranjas atribuída ao greening subiu para 9,1% na safra 2024/25. Atualmente, metade das frutas que caem antes da colheita tem ligação com a doença.

    Diferenças regionais no cinturão citrícola

    Cinco regiões têm mais de 60% das árvores contaminadas: Limeira, Porto Ferreira, Avaré, Duartina e Brotas.
    Bebedouro e Altinópolis seguem na faixa de 40% a 50%. Já São José do Rio Preto, Itapetininga e Matão estão entre 20% e 35%. Votuporanga e Triângulo Mineiro mantêm os menores índices, inferiores a 5%. Em São José do Rio Preto e Itapetininga, o avanço quase dobrou em um ano.

    As regiões de maior incidência também registram os níveis mais elevados de severidade.

    Estratégias regionais de manejo

    O Fundecitrus orienta que o manejo seja ajustado conforme a realidade regional. Em áreas de alta incidência, produtores devem intensificar o controle do psilídeo. Já em regiões de baixa incidência, é essencial eliminar imediatamente plantas contaminadas. Ayres reforça que o greening segue como maior obstáculo da citricultura.
    Ele alerta que não existe meio termo no controle da doença. Segundo ele, apenas o manejo completo e rigoroso freia o avanço.