A Epagri realiza nesta terça-feira, 17 de dezembro, a abertura oficial da colheita do maracujá em Santa Catarina. O evento ocorre na propriedade da família Zizo e Filho, no bairro Vila São José, em São João do Sul, das 8h30 às 13h. A iniciativa é itinerante e destaca uma cidade e uma propriedade produtora diferente a cada ano.
Mais de mil famílias catarinenses trabalham na produção de maracujá, com destaque para a região Sul do Estado. Foto: Aires Mariga
Cerca de 200 participantes, entre produtores, técnicos e convidados, começam o dia com um café da manhã de recepção. Após o café, os visitantes podem conhecer as tecnologias e serviços de 18 expositores. Às 10h15, o consultor e engenheiro-agrônomo Hércules José de Oliveira, formado pela Universidade Federal de Viçosa (MG), ministra uma palestra sobre o mercado de maracujá. O ato simbólico de abertura da colheita está marcado para as 11h15, seguido de um almoço de confraternização.
Estado mantém posição como terceiro maior produtor nacional
Santa Catarina se consolida como o terceiro maior produtor nacional de maracujá. O estado cultiva a fruta em uma área de dois mil hectares, envolvendo mais de mil famílias. A região Sul concentra 90% da produção catarinense, com os municípios de Sombrio e São João do Sul se destacando.
Natan da Rosa Porto, extensionista rural da Epagri em São João do Sul, comenta as expectativas para a safra 2024/2025. “O setor prevê uma colheita em torno de 55 mil toneladas, volume semelhante ao do ano passado. Até agora, não tivemos contratempos climáticos significativos, mas a safra está só começando e precisamos acompanhar”, afirma.
A safra 2023/2024 registrou uma produção de 45 mil toneladas, queda atribuída ao excesso de chuvas no estado. A Epagri apoia a cadeia produtiva através de políticas de crédito, desenvolvimento de tecnologias e orientação sobre sistemas de manejo.
Serviço:
O quê: Abertura Oficial da Colheita do Maracujá em SC
Quando: 17 de dezembro, das 8h30 às 13h
Onde: Propriedade Zizo e Filho, Bairro Vila São José, São João do Sul (SC)
Pense numa revolução silenciosa que começou nos palmeirais da Amazônia e hoje conquista o mundo. De uns anos pra cá, o açaí deixou de ser apenas um alimento tradicional das comunidades ribeirinhas e virou fenômeno global. Mas essa história vai muito além das tigelas de café da manhã – ela revela como o Brasil está construindo uma bioeconomia que valoriza a floresta em pé.
Enquanto o mundo todo discute sustentabilidade, comunidades no Pará já mostram na prática como extrair valor da floresta sem derrubá-la. O açaí se transformou num caso de sucesso que ninguém previa. De repente, aquela frutinha que sempre alimentou populações locais virou commodity internacional – mas com uma diferença essencial: ela precisa da floresta em pé para existir.
“O açaí representa um daqueles raros momentos onde todo mundo ganha”, analisa uma especialista do setor. “As comunidades aumentam sua renda, o mundo recebe um alimento nutritivo e a floresta se mantém de pé.”
O sucesso do açaí abriu caminho para outros produtos da floresta. Cupuaçu, camu-camu e castanhas começam a seguir o mesmo caminho – e isso é crucial para diversificar a economia da região. A grande sacada está em mostrar que a Amazônia vale mais em pé do que derrubada.
Mas a estrada não é sem obstáculos. O desafio maior é garantir que os benefícios cheguem de verdade para quem vive na floresta. Tem muito empresário de fora querendo ficar com a maior parte do bolo, enquanto as comunidades tradicionais ficam com as migalhas.
O desafio que ainda persiste
Apesar dos avanços, o desmatamento continua sendo a ameaça que ronda esse sucesso todo. Enquanto algumas áreas investem no açaí sustentável, outras ainda veem a floresta como obstáculo ao progresso. O grande teste da bioeconomia será provar que ela pode gerar mais riqueza que a destruição.
Tem também a questão da regulamentação – falta uma estrutura que proteja melhor os pequenos produtores e garanta preços justos. Sem isso, o risco é do negócio se concentrar nas mãos de poucos.
O futuro que já começou
O caso do açaí prova que o Brasil tem todas as cartas na manga para liderar a nova economia verde. A pergunta que fica é: vamos saber jogar esse jogo? Enquanto isso, nas feiras de Belém, nos mercados de São Paulo e nas prateleiras da Europa, o açaí conta sua história de sucesso – uma história que ainda está só no começo.
O que vem por aí? Muito mais que frutas. A próxima fronteira são os bioativos, cosméticos naturais e medicamentos derivados da biodiversidade. A Amazônia tem milhares de espécies esperando sua vez. E o açaí mostrou o caminho.
Depois dos ipês, as flores da guavira colorem o Cerrado de Mato Grosso do Sul. A espécie nativa do bioma encanta com suas flores delicadas e produz frutos de sabor doce e levemente ácido, que conquistam paladares e impulsionam a gastronomia regional.
A guavira, também conhecida como gabiroba (Campomanesia spp.), floresce em um período curto, entre setembro e outubro, durante a estiagem. As flores duram apenas três a quatro dias em cada arbusto, criando um espetáculo efêmero no Cerrado.
A guavira pertence à família Myrtaceae e inclui diversas espécies do gênero Campomanesia, sendo a Campomanesia xanthocarpa uma das mais comuns no Centro-Oeste brasileiro. O fruto possui casca fina, polpa suculenta e pode ser consumido in natura ou transformado em sucos, geleias, licores e doces.
As flores dependem da ação das abelhas para a polinização. Esses insetos visitam a planta em busca de néctar e pólen, que utilizam na produção de mel. Ao transportarem o pólen entre as flores, as abelhas contribuem para a fecundação e o surgimento dos frutos, processo que leva cerca de dois meses.
A polinização cruzada realizada pelas abelhas aumenta significativamente a taxa de frutificação da guavira, tornando esses insetos essenciais para a produção.
Resistência ao fogo garante sobrevivência no Cerrado
Uma das características mais notáveis da guavira é sua capacidade de resistir a incêndios. Os arbustos de guavira possuem raízes profundas e casca espessa que protegem a planta durante queimadas, permitindo que rebrotam rapidamente após o fogo. Essa adaptação torna a espécie fundamental para a regeneração do Cerrado e a manutenção da biodiversidade.
Foto: Marco Pimentell/Flickr
A guavira cresce naturalmente no final da estiagem e produz frutos em abundância nos meses seguintes, garantindo alimento para a fauna local e para comunidades tradicionais que praticam o extrativismo.
UFMS transforma fruta em produtos inovadores
Reconhecida por lei como fruto símbolo de Mato Grosso do Sul, a guavira tem se tornado referência na gastronomia regional. O laboratório do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolve diversos produtos a partir da fruta.
Entre os derivados estão farinha integral, casca cristalizada, isotônico da polpa e chá da casca. A farinha de guavira apresenta alto teor de fibras e compostos antioxidantes, podendo ser utilizada em produtos de panificação e confeitaria. O aproveitamento integral da fruta reduz desperdícios e agrega valor à produção regional.
Valor nutricional atrai interesse científico
A guavira é rica em vitamina C, fibras, compostos fenólicos e carotenoides, apresentando propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Estudos indicam que o consumo regular da fruta pode contribuir para a saúde cardiovascular e o fortalecimento do sistema imunológico.
Foto: Elio Rocha Jr/Flickr
A polpa da guavira contém cerca de 20 mg de vitamina C por 100 gramas, quantidade comparável à de frutas cítricas tradicionais. O perfil nutricional diferenciado tem atraído pesquisadores interessados em explorar o potencial funcional da fruta.
Campo Grande cultiva tradição e arborização
Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, lidera o ranking nacional de arborização urbana. A cidade recebe há seis anos consecutivos o título internacional de “Tree City of the World” (Cidade Árvore do Mundo).
Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam Campo Grande como a capital mais arborizada do Brasil. O levantamento aponta que 91,4% dos domicílios da capital ficam em vias públicas com ao menos uma árvore. O estudo considerou apenas árvores em áreas públicas, excluindo quintais privados.
A presença da guavira na paisagem urbana reforça a conexão da população com o Cerrado e mantém viva a tradição de “catar” a fruta, prática comum entre moradores da região que saem para colher os frutos em áreas preservadas.
Preservação garante futuro da espécie
Apesar da resistência natural, a guavira enfrenta desafios com a expansão agropecuária e a degradação do Cerrado. Iniciativas de cultivo sustentável e extrativismo comunitário têm surgido como alternativas para conciliar conservação ambiental e geração de renda.
A valorização de produtos regionais derivados da guavira fortalece cadeias produtivas locais e incentiva a preservação do bioma. O reconhecimento da fruta como símbolo estadual representa um passo importante para a conservação dessa espécie emblemática do Cerrado sul-mato-grossense.
Uma fruta com nome de difícil pronúncia vem ganhando espaço silenciosamente no agronegócio brasileiro. A achachairu (pronuncia-se “achachairú”), de origem boliviana, planta da família do mangostão, representa um exemplo curioso de como produtos exóticos podem encontrar nichos de mercado mesmo sendo pouco conhecidos domesticamente.
Foi em 2001 que o produtor Abel Basílio de Souza Neto conheceu a fruta exótica de origem boliviana, quando seu tio trouxe algumas sementes da Bolívia para cultivo familiar. O que começou como curiosidade transformou-se em negócio promissor. Em 2007, Souza Neto plantou 600 árvores em consórcio com as lavouras de café que sua família cultivava em Itarana, região serrana do Espírito Santo.
Hoje, passados mais de 15 anos desde o primeiro plantio comercial, são mais de 3 mil árvores, que renderam ao produtor 50 toneladas de frutas na última safra. O crescimento foi estratégico: “Todo ano plantamos um pouco. Nossa estratégia foi crescer devagar para construirmos uma demanda pela fruta”, explica o produtor.
Mercado externo como salvação
O paradoxo da achachairu brasileira é revelador. “No mercado externo a fruta é mais conhecida do que no Brasil”, diz Souza Neto, que já destina mais de 50% de sua produção para países da União Europeia, Canadá e parte do Oriente Médio e Ásia.
Foto: Arquivo Pessoal produtor
A estratégia de exportação nasceu da necessidade. “A venda externa foi uma aposta para driblar a dificuldade de venda no Brasil. O valor pago lá fora é mais estável, não oscila em época de safra, o que torna os embarques interessantes, mesmo com os altos custos logísticos”, afirma o produtor capixaba.
Em São Paulo, outro polo de produção se desenvolveu na região de Araçatuba, onde a produtora Renata Fernandes administra o pomar iniciado por seu pai há 13 anos. Com cerca de 480 árvores em produção, ela também apostou na exportação: “Enviei duas toneladas para a França, e a aceitação do produto foi excelente. Este ano devemos embarcar um volume maior”.
Características e cultivo
A achachairu pertence à família das Garcinias, cujas espécies mais conhecidas no Brasil são a Garcinia gardneriana, de nome popular bacupari, de ocorrência natural na Amazônia e na Mata Atlântica, e a Garcinia mangostana, conhecida como mangostão, explica José Edmar Urano de Carvalho, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.
O cultivo da fruta exige cuidados específicos. “As sementes de achachairu não suportam secagem. Portanto, devem ser semeadas logo que retiradas dos frutos. Elas produzem bem quando cultivadas em locais com temperatura entre 25 graus e 35 graus centígrados”, detalha o pesquisador.
Quanto ao sabor, a unanimidade é positiva: “o sabor é muito bom. Não há quem prove a fruta e não a aprecie”, garante Carvalho. A fruta apresenta características únicas, com um leve toque ácido que a diferencia de outras frutas tropicais.
Desafios do mercado interno
No Brasil, há pequenos pomares caseiros em Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo e Pernambuco, mas a comercialização interna ainda enfrenta obstáculos significativos. “A primeira compra é sempre motivada pela curiosidade”, reconhece Souza Neto.
O principal gargalo é a oferta restrita, uma vez que a maior parte das redes de supermercados e atacadistas ainda reluta em apostar em um item pouco conhecido. No Estado de São Paulo, principal mercado consumidor, “Quem abre o mercado é o Ceagesp”, referindo-se ao maior centro atacadista da América Latina.
Números e perspectivas
Os preços variam consideravelmente entre regiões e períodos de safra. Em São Paulo, no início da última safra, em outubro de 2024, o quilo era negociado a R$ 55, valor que caiu para R$ 40 no final da safra em fevereiro. No Espírito Santo, onde a colheita vai de janeiro a abril, os preços oscilaram de R$ 22 a R$ 10 por quilo.
Globalmente, a maior produtora mundial é a região de Santa Cruz, na Bolívia, que soma 2 mil hectares e safra anual de cerca de 100 toneladas. No Brasil, ainda não existem estatísticas oficiais sobre a área plantada, mas a tendência é de crescimento gradual.
Foto: Arquivo Pessoal produtor
A produtividade brasileira mostra-se promissora. “Em geral, a produtividade oscila em torno de 2 mil frutos por árvore”, segundo Renata Fernandes, cuja colheita cresce cerca de 20% ao ano em função da maturação das árvores de diferentes idades.
Um futuro exótico
A achachairu representa um fenômeno interessante no agronegócio brasileiro. Uma fruta que conquistou mercados externos antes mesmo de ser descoberta pelos consumidores nacionais. Embora ainda não existam linhas de pesquisa sobre achachairu no Brasil, os resultados obtidos pelos pioneiros sugerem potencial para expansão tanto no mercado interno quanto externo.
Para os poucos produtores brasileiros, o desafio atual é equilibrar o crescimento da produção com o desenvolvimento do mercado doméstico. Mantendo a qualidade que tem garantido sucesso nas exportações. A achachairu pode estar no início de uma trajetória que a levará das propriedades familiares aos supermercados, seguindo o caminho de outras frutas exóticas que se tornaram comuns no Brasil.
O murici desponta como uma das frutas mais nutritivas do Brasil. Esta pequena fruta amarela, também conhecida como nance ou nanche, distribui-se naturalmente entre o Brasil e o México. No território brasileiro, o Nordeste e a região do Cerrado concentram as maiores ocorrências naturais da espécie.
Pesquisadores identificam no murici um perfil nutricional excepcional. A fruta contém aproximadamente 4% de proteínas em sua composição. Este índice supera em mais de três vezes o teor proteico da banana, que apresenta apenas 1,1 grama de proteína a cada 100 gramas.
Vitamina C em doses extraordinárias
A concentração de vitamina C no murici impressiona especialistas em nutrição. Cada 100 gramas da polpa podem conter até 404 mg do nutriente. Esta quantidade representa quatro vezes mais que a recomendação mínima diária para um adulto saudável.
Foto: Reprodução Embrapa
A vitamina C desempenha funções múltiplas no organismo humano. O nutriente fortalece o sistema imunológico e facilita a absorção de ferro pelo intestino. Além disso, combate os radicais livres e protege as células responsáveis pela produção de colágeno. Esta proteína contribui diretamente para a firmeza e elasticidade da pele.
O murici apresenta características sensoriais distintivas. Seu sabor adocicado remete ao queijo, criando uma experiência gustativa única entre as frutas tropicais. Esta particularidade sensorial torna o fruto especialmente atrativo para aplicações culinárias diferenciadas.
Potencial econômico ainda subexplorado
Apesar de sua riqueza nutricional, o murici ainda carece de exploração comercial em larga escala no Brasil. O processamento da polpa e a produção de derivados geram empregos e valor agregado, representando oportunidades econômicas significativas para produtores rurais.
Economicamente, a produção de frutos pode gerar uma fonte de renda significativa para os agricultores, especialmente em mercados locais. A crescente demanda por frutos nativos e produtos naturais impulsiona o mercado do murici.
Perspectivas de desenvolvimento sustentável
Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental identificaram clones de muricizeiro com genética boa para produção de polpa de fruta de valor nutricional superior. Este avanço científico pode impulsionar a produtividade e qualidade dos cultivos comerciais.
Áreas com ocorrência de muricizais podem atrair ecoturistas interessados na flora e na gastronomia local. O turismo ecológico representa uma fonte adicional de renda para comunidades rurais.
Ambientalmente, o murici contribui para a conservação da biodiversidade, servindo de abrigo e alimento para diversas espécies de fauna. Esta característica posiciona a fruta como alternativa sustentável para diversificação agrícola.
Aplicações industriais em expansão
O estudo da composição química e das propriedades biológicas do murici pode levar ao desenvolvimento de novos produtos nas áreas alimentícia, cosmética e farmacêutica. A indústria de alimentos funcionais demonstra crescente interesse em frutas com alto valor nutricional.
O murici representa uma oportunidade única de valorização da biodiversidade brasileira. Sua excepcional concentração de nutrientes, aliada ao potencial econômico ainda inexplorado, posiciona esta pequena fruta como um grande tesouro nacional.
A produção de mirtilo cresce na Serra Catarinense e atrai investidores que buscam alternativas lucrativas ao setor florestal tradicional. A fruta, ainda pouco cultivada na região mais fria do Brasil, apresenta alta rentabilidade e potencial de geração de empregos.
Celso Claudino, um dos maiores produtores catarinenses da fruta, comprova a viabilidade do negócio. Ele cultiva três mil pés de mirtilo em área de reflorestamento no interior de Palmeira, município com 2,7 mil habitantes localizado a 40 quilômetros de Lages.
Pomar está entranhado em uma grande área de reflorestamento. Foto: João Carneiro / Divulgação
O empresário comercializa a produção em todo o território nacional. Consumidores exigentes pagam até R$ 60 por quilo no varejo. No atacado, Celso vende o produto sem embalagem por cerca de R$ 30 o quilo.
Cada pé produz entre cinco e dez quilos da fruta anualmente. “Se produzir dez quilos, uma árvore rende R$ 300. O mirtilo oferece alta rentabilidade para pequenos e grandes produtores”, explica Celso.
Fruta européia se adapta ao clima frio catarinense
O mirtilo, conhecido também como blueberry, tem origem nas regiões frias da Europa e Estados Unidos. A fruta azul e arredondada concentra antioxidantes, fibras e vitaminas em sua composição.
Foto: João Carneiro / Divulgação
Celso e o genro João Carneiro, sócio na administração do pomar, criaram a marca Palm Berries em referência ao município de Palmeira. “Consumo diariamente e minha qualidade de vida melhorou muito. A fruta faz bem para a saúde e, para quem investe, também para o bolso”, afirma o produtor.
O empresário destaca ainda o potencial turístico da atividade. “O pomar passa por várias fases de beleza, como a florada em setembro. Além de gratificante, pode atrair visitantes”, complementa.
Epagri oferece suporte técnico e acesso a políticas públicas
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) apoia produtores estabelecidos e novos investidores interessados no cultivo de mirtilo.
Celso e João recebem orientações técnicas sobre doenças no pomar, poda adequada das plantas e produção de mudas. A propriedade já conta com viveiro próprio para multiplicação das plantas.
“Temos especialistas em fruticultura e programas que apoiam a implantação de pomares. Todos os escritórios municipais da Epagri prestam este tipo de assistência”, informa Clayrton Accacio Cruz da Silveira, extensionista rural da empresa em Palmeira.
A Epagri planeja realizar evento na propriedade de Celso para divulgar a atividade. “Queremos mostrar que o mirtilo e outras frutas do mesmo contexto podem gerar boa renda para famílias, especialmente em pequenas propriedades”, conclui o técnico.
O cerrado brasileiro abriga tesouros gastronômicos únicos, e entre eles destaca-se o oiti (Licania tomentosa), uma fruta pequena mas poderosa em sabor e propriedades nutricionais. Essa pequena esfera dourada de polpa suculenta tem conquistado cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros e despertado o interesse de nutricionistas e chefs renomados.
O oiti é o fruto da oitizeira, árvore nativa do cerrado brasileiro que pode atingir até 15 metros de altura. Com formato arredondado e tamanho que varia entre 2 a 4 centímetros de diâmetro, a fruta apresenta casca lisa de coloração amarelo-dourada quando madura. Sua polpa é carnosa, suculenta e envolve uma ou duas sementes grandes.
A árvore floresce entre agosto e outubro, e os frutos amadurecem de dezembro a março, coincidindo com o período chuvoso do cerrado. Esta sazonalidade torna o oiti ainda mais especial, sendo aguardado pelos apreciadores durante todo o ano.
Sabor inconfundível: uma experiência sensorial única
O sabor do oiti é uma verdadeira explosão gustativa que combina doçura natural com um toque levemente ácido, criando um equilíbrio perfeito no paladar. A textura da polpa lembra uma mistura entre manga e cajá, com consistência cremosa e suculenta que literalmente derrete na boca.
Foto: Agência Agro em Campo
Muitos descrevem o sabor como tropical e exótico, com notas que remetem a frutas como caju, manga e até mesmo um leve toque floral. Esta complexidade de sabores torna o oiti uma experiência gastronômica inesquecível para quem prova pela primeira vez.
Perfil nutricional: um tesouro de vitaminas e minerais
O oiti não é apenas saboroso, mas também uma excelente fonte de nutrientes essenciais para o organismo. Estudos nutricionais revelam que a fruta é rica em:
Vitaminas:
Vitamina C: fundamental para o sistema imunológico e produção de colágeno
Vitaminas do complexo B: essenciais para o metabolismo energético
Vitamina A: importante para a saúde ocular e da pele
Minerais:
Potássio: crucial para a função cardiovascular
Magnésio: importante para ossos e músculos
Ferro: essencial na prevenção da anemia
Cálcio: fundamental para a saúde óssea
Benefícios para a saúde: mais que sabor
As propriedades nutricionais do oiti traduzem-se em diversos benefícios para a saúde. A alta concentração de vitamina C fortalece o sistema imunológico, enquanto os antioxidantes presentes na fruta combatem os radicais livres, contribuindo para o retardamento do envelhecimento celular.
O potássio presente no oiti ajuda na regulação da pressão arterial, enquanto as fibras auxiliam no bom funcionamento do intestino e na sensação de saciedade. Além disso, o baixo teor calórico torna a fruta uma excelente opção para quem busca uma alimentação saudável e equilibrada.
Formas de Consumo: da natureza à mesa
O oiti pode ser consumido in natura, sendo esta a forma mais tradicional e que preserva integralmente seus nutrientes. Basta descascar a fruta e saborear sua polpa doce e refrescante.
Foto: Agência Agro em Campo
Na culinária regional, o oiti é transformado em:
Sucos naturais refrescantes
Sorvetes e picolés artesanais
Geleias e compotas caseiras
Doces e sobremesas tradicionais
Licores e bebidas fermentadas
Sustentabilidade e preservação do cerrado
O cultivo e consumo do oiti representam mais que uma experiência gastronômica – são atos de preservação ambiental e cultural. A valorização desta fruta nativa contribui para a conservação do cerrado, bioma que abriga 5% da biodiversidade mundial e enfrenta constantes ameaças de desmatamento.
Pequenos produtores e comunidades tradicionais dependem da coleta e comercialização do oiti como fonte de renda, tornando o consumo consciente desta fruta uma forma de apoiar a economia local e a preservação ambiental.
O oiti pode ser encontrado em mercados regionais, feiras livres e estabelecimentos especializados em frutas do cerrado, principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Distrito Federal, durante sua época de safra.
Para escolher frutos de qualidade, prefira aqueles com casca dourada uniforme, sem manchas escuras ou machucados. A fruta deve ceder levemente à pressão dos dedos, indicando maturação adequada.
Com o crescente interesse por alimentos funcionais e sustentáveis, o oiti desponta como uma das frutas nativas brasileiras com maior potencial de expansão. Pesquisadores estudam formas de prolongar sua conservação e desenvolver produtos derivados, enquanto chefs renomados incorporam a fruta em pratos sofisticados.
A pequena fruta dourada do cerrado representa muito mais que um sabor exótico – é um símbolo da riqueza da biodiversidade brasileira e uma ponte entre tradição e inovação gastronômica.
O Brasil tem muitas riquezas, mas quando o assunto é fruta, a manga brasileira reina soberana. Até maio de 2025, o país já havia exportado mais de US$ 80 milhões em mangas, somando impressionantes 73,6 mil toneladas. E adivinha pra onde vai tanta doçura? Principalmente para a União Europeia, seguida de perto por Estados Unidos e Reino Unido.
Não por acaso, o Dia Mundial da Fruta, que foi celebrado em 1º de julho, chegou com gosto de festa para o setor. O Ministério da Agricultura e Pecuária aproveitou a data para celebrar e reforçar seu compromisso com a fruticultura. “Estamos ampliando os investimentos com o novo Plano Safra 25/26, garantindo mais acesso a crédito e mais oportunidades aos fruticultores”, disse o ministro Carlos Fávaro.
Nordeste domina exportações de frutas do Brasil
Quem carrega esse sucesso nas costas — ou melhor, nos galhos — é o Nordeste, com Pernambuco e Bahia despontando como líderes na produção e exportação da manga. A fruta, que encanta pelo sabor e pela resistência no transporte, é também símbolo do esforço de um setor que não para de crescer.
Em 2024, a exportação total de frutas brasileiras, entre frescas e processadas, rendeu ao país US$ 1,38 bilhão, com mais de 1 milhão de toneladas embarcadas. E não é só a manga que brilha: uvas, limões, limas e até preparações em conserva também marcam presença no portfólio internacional.
Enquanto isso, o Brasil segue importando maçãs, peras e kiwis para equilibrar o consumo interno. Mas essa dependência pode estar com os dias contados. De acordo com a Abrafrutas, o clima temperado nas regiões Sudeste e Sul tem favorecido o aumento da produção nacional de frutas como pêssegos, mirtilos, peras e maçãs. É a natureza dando uma forcinha para o Brasil ampliar sua cesta de exportações.
Com um pé no campo e outro no futuro, a fruticultura brasileira mostra que tem casca grossa e polpa doce. E, se depender do apetite global, a manga continuará sendo a estrela do pomar nacional por um bom tempo.
No interior da Inglaterra, no condado de Lincolnshire, a empresa Dyson, mais conhecida por fabricar aspiradores e ventiladores, está colhendo frutos bem diferentes. Literalmente. Em uma estufa de 10,5 hectares, o grupo britânico montou uma operação de cultivo vertical de morangos que parece saída de um filme de ficção científica.
Lá dentro, por exemplo, rodas gigantes de 24 metros de comprimento e 5 metros de altura, cada uma com cerca de 500 quilos, giram lentamente, segurando fileiras de morangueiros. Esse movimento, por sua vez, garante luz uniforme para todas as plantas. Ao mesmo tempo, robôs percorrem os corredores: uns emitem luz UV para eliminar fungos, enquanto outros liberam insetos benéficos para combater pragas.
Assim que o ponto ideal de maturação dos morangos é atingido, 16 braços mecânicos entram em ação e cuidam do serviço com precisão. Ao longo de apenas um mês, segundo James Dyson, os robôs conseguiram colher impressionantes 200 mil morangos, um resultado que reforça a eficiência do sistema automatizado.
“Sou um fabricante e, portanto, suponho que, de certa forma, abordei a agricultura sob esse ponto de vista”, diz Dyson no vídeo que apresenta o projeto. “Como podemos torná-la mais eficiente? Que tecnologia podemos implementar para melhorar a qualidade, o sabor dos alimentos e o uso eficiente da terra?”
Energia limpa, irrigação com chuva e morango o ano inteiro
A estufa usa energia gerada por um digestor anaeróbico no próprio terreno. O equipamento transforma gases de grãos em eletricidade, aquece a estrutura com o calor excedente e ainda gera um subproduto reaproveitado como fertilizante. A equipe da Dyson coleta a água da chuva que escorre pelo telhado de 760 metros de comprimento e a utiliza para irrigar as plantas. Ao final de cada ciclo, a estufa produz cerca de 1.250 toneladas de morangos por ano. Eles são cultivados, portanto, com o mínimo de luz artificial e distribuídos localmente, o que ajuda a reduzir a pegada de carbono.
Foto: Divulgação – Dyson
Para Dyson, o futuro da agricultura passa por essa revolução tecnológica. “A produção sustentável de alimentos, a segurança alimentar e o meio ambiente são vitais para a saúde e a economia do país. A Dyson Farming se esforça para estar na vanguarda disso”, afirma.
No coração da floresta amazônica, longe dos olhos do grande público, cresce uma fruta de nome curioso e sabor marcante: o mapati (Pourouma cecropiifolia). Conhecida como a “uva da Amazônia”, a fruta tem polpa roxa, doce, casca fina e alto valor nutricional — mas segue fora das prateleiras do Brasil urbano.
O cenário, no entanto, está mudando. Cientistas e produtores começam a apostar na fruta como uma alternativa viável para a produção de vinhos artesanais, cervejas exóticas, chás naturais e até cosméticos sustentáveis.
Potencial das PANCs da Amazônia
Segundo o pesquisador Valdely Kinupp, especialista em Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), o mapati é uma das frutas mais promissoras da região.
“Selecionamos essas plantas com potencial para o preparo de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, fermentadas, vinhos, cervejas, chás, hidroméis, eventualmente geleias ou outros produtos. E, assim, fazer a caracterização química de espécies das PANC da Amazônia”, explica Kinupp.
A pesquisa integra um esforço maior para valorizar a biodiversidade brasileira e revelar sabores pouco explorados pela indústria alimentícia nacional.
Do mato para o mercado
Apesar de ser amplamente consumido por comunidades amazônicas, o mapati ainda é desconhecido da maioria dos brasileiros. Seu cultivo, até hoje, é quase todo extrativista. Mas com a crescente busca por ingredientes nativos e funcionais, essa realidade pode mudar.
O fruto já apresenta atributos ideais para a indústria:
Doçura natural
Alta concentração de antioxidantes
Textura e aroma agradáveis
Potencial fermentativo
Além disso, é uma planta adaptada ao clima e ao solo da região, o que reduz custos agrícolas e minimiza impacto ambiental.
Benefícios econômicos e ecológicos
A valorização do mapati vai além da gastronomia. Ou seja, promover o uso do mapati é também fomentar o desenvolvimento sustentável — gerando renda para comunidades locais, protegendo a floresta e diversificando a dieta do brasileiro.
Próximos passos
Os estudos seguem com foco na caracterização química e nas possibilidades de aplicação do fruto. A expectativa é que, em breve, produtos à base de mapati comecem a ganhar espaço em feiras, empórios e mercados especializados.
E quem sabe, num futuro próximo, você não estará saboreando uma taça de vinho amazônico, uma cerveja de frutas nativas ou um chá funcional de mapati?