Tag: França

  • Churrasco de 74 horas bate recorde mundial

    Churrasco de 74 horas bate recorde mundial

    Um churrasco de cocção contínua por 74 horas tomou conta do Parque Chabrières, em Oullins-Pierre-Bénite, região metropolitana de Lyon, na França, entre o meio-dia de quinta-feira, 30 de abril de 2026, e as 14h de domingo, 3 de maio de 2026. Um oficial de justiça acompanhou o evento do início ao fim e validou oficialmente cada etapa, confirmando o novo recorde mundial de churrasco mais longo da história.

    A marca superou o recorde anterior, pertencente a uma equipe do Texas, nos Estados Unidos, que somava 40 horas e 49 minutos de cocção ininterrupta. Ao final da maratona, os organizadores comemoraram a conquista do título mundial.

    Associação Les Toqués du Rock organiza a maratona gastronômica

    A associação francesa Les Toqués du Rock, equipe bicampeã nacional de churrasco, idealizou e conduziu o desafio. Maxime Balouzat, responsável pela agência de eventos Coïncidence, concebeu o projeto, enquanto Cyril Leroy, vice-presidente da associação e conhecido pelo apelido “Smoky Daddy”, comandou as cinco churrasqueiras usadas durante os quatro dias de programação.

    O cardápio reuniu merguez, costelas bovinas, carne de porco desfiada, linguiças, chipolatas, frango marinado, legumes e sardinhas. Para manter a operação funcionando 24 horas por dia, 49 voluntários se revezaram continuamente no parque, garantindo reposição de carne, controle das grelhas e atendimento ao público.

    A organização estimava inicialmente preparar 1,5 tonelada de carne fresca. A procura, porém, superou as previsões. Os estoques se esgotaram já nas primeiras horas, e as equipes precisaram acionar novos fornecedores com urgência.

    “Foi um desafio encontrar um fornecedor capaz de nos abastecer com uma quantidade tão grande de carne fresca”, afirmou Maxime Balouzat ao jornal Le Progrès, antes do início do evento.

    Evento dobra a meta inicial e serve mais de 10 mil refeições

    Ao fim dos quatro dias, o volume de carne preparada chegou a 3,4 toneladas, mais que o dobro da estimativa original. As equipes também serviram 10.500 refeições ao longo do fim de semana, número que evidencia o tamanho da mobilização popular em torno do evento.

    https://x.com/lyonmag/status/2050935036698898479?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2050935036698898479%7Ctwgr%5E85b98f10036de93965662c8cb698436f6533fe42%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.lyonmag.com%2Farticle%2F151804%2F3-4-tonnes-de-viande-cuisinees-et-servies-a-oullins-le-record-du-plus-long-barbecue-largement-battu

    Além da disputa pelo recorde, o churrasco reservou espaço para atrações paralelas: shows, karaokê e partidas de pétanca animaram o parque durante os quatro dias de programação, atraindo público para além dos amantes de churrasco.

    Iniciativa une recorde mundial e ação solidária

    Ao lado do desafio gastronômico, o evento manteve forte caráter beneficente. A organização firmou parceria com Restos du Cœur, Cruz Vermelha, Exército da Salvação e a Associação DNA (sigla de Drôle de Nom pour une Association), entidade que atua na inclusão de pessoas com deficiência.

    Todas as noites, as equipes distribuíram refeições gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade, estudantes e trabalhadores noturnos, incluindo policiais e bombeiros de plantão. Ao todo, 700 das 10.500 refeições preparadas seguiram para essa distribuição gratuita. A renda obtida com as demais vendas será revertida para a Associação DNA.

    Churrasco recorde mundial
    Foto: Les Toqués du Rock

    O comediante, ator e produtor francês Jason Chicandier, padrinho da instituição, acompanhou o evento durante todo o sábado, 2 de maio, em apoio à causa.

    Para os organizadores, a lembrança mais marcante ficou nas reações do público. “O que mais vou lembrar são os milhares de sorrisos e lágrimas de alegria que vimos durante o fim de semana”, declarou um dos responsáveis pelo evento.

    Por que esse tipo de recorde gastronômico chama atenção

    Eventos gastronômicos de longa duração exigem logística apurada, segurança alimentar rigorosa, trabalho em equipe coordenado e capacidade de atender grandes públicos sem interrupção. Em um churrasco desse porte, o desafio não se limita a manter o fogo aceso: a organização precisa garantir abastecimento constante, preparo contínuo, controle de filas e distribuição eficiente das refeições.

    Quando a ação também carrega propósito beneficente, o impacto ultrapassa o próprio recorde. A comida se transforma em ferramenta de mobilização social, aproxima voluntários, instituições e comunidade. E converte uma celebração popular em uma oportunidade concreta de apoio a quem precisa.

  • Não é só bola: como a França se tornou potência do agronegócio mundial

    Não é só bola: como a França se tornou potência do agronegócio mundial

    A França entrou em campo e derrotou o Marrocos, se classificando para a semi final da Copa pela terceira vez seguida. E podendo também chegar à final três copas seguidas, como fez o Brasil em 1994, 1998 e 2002.

    Mas o desempenho da seleção francesa nos gramados americanos esconde outra faceta do país que poucos torcedores brasileiros conhecem: a França também figura entre as maiores potências agrícolas do mundo, e negocia diretamente com o Brasil produtos que vão do trigo à carne bovina.

    A liderança agrícola da União Europeia

    A França concentra cerca de 18% de toda a produção agrícola da União Europeia, à frente de países como Alemanha e Itália. O país ocupa a posição de maior produtor agrícola do bloco europeu, com ampla diversidade de produtos voltados tanto à exportação quanto ao consumo interno.

    Os franceses dominam mercados globais específicos: detêm a maior produção mundial de linho, a maior exportação mundial de batatas, a maior produção mundial de vinhos e a maior exportação de malte para a fabricação de cervejas. No trigo, a França ocupa a sexta posição entre os maiores produtores mundiais, com cerca de 36 milhões de toneladas colhidas por safra.

    Fazenda na França
    Vale de Campan/ Occitanie, França. Foto: Miguel Angel/Flickr

    O setor também sustenta as contas externas do país. A França ocupa o segundo lugar mundial na exportação de serviços e produtos agrícolas, e o agronegócio garante ao país o terceiro maior superávit comercial francês, de € 7,8 bilhões. As lavouras e fazendas ocupam cerca de 52% do território nacional e empregam aproximadamente 827 mil pessoas em 437 mil propriedades rurais.

    Além disso, os números recentes reforçam essa força. Em 2025, as exportações agrícolas de Alemanha e França somadas cresceram, em média, 8% e somaram US$ 213,5 bilhões. Isso é o equivalente a 27% de tudo o que a União Europeia exportou no setor em 2024. No mesmo período, o agronegócio brasileiro também avançou: as exportações do setor fecharam 2025 com recorde de US$ 169 bilhões e superávit de US$ 149,07 bilhões.

    O que Brasil e França trocam no agro

    A relação comercial entre os dois países combina parceria histórica e disputa por espaço. Brasil e França celebraram, em 2025, 200 anos de relações diplomáticas, e o governo francês já sinalizou interesse em ampliar investimentos no mercado brasileiro. No campo agrícola, porém, o volume de comércio direto ainda é modesto: a França responde por uma fatia pequena das exportações agropecuárias brasileiras, enquanto o Brasil vende ao país europeu principalmente farelo de soja e outros insumos para alimentação animal.

    exportações
    Foto: Divulgação Governo SP

    Além disso, o setor também vive momentos de tensão. Produtores franceses lideram a resistência ao acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul, temendo a concorrência brasileira. A rede Carrefour chegou a suspender a compra de carne de países do Mercosul em solidariedade aos agricultores franceses. Uma decisão que gerou resposta imediata de frigoríficos brasileiros, que suspenderam vendas para toda a rede, incluindo Sam’s Club e Atacadão. O episódio expôs uma assimetria: o rebanho bovino brasileiro deve chegar a 235,70 milhões de cabeças em 2025, contra 72,30 milhões de toda a União Europeia.

    Mesmo assim, especialistas apontam contradições no discurso francês. Apesar de se posicionar como potência agrícola autossuficiente, a França importa cerca de 20% dos alimentos consumidos internamente, e essa importação praticamente dobrou nos últimos vinte anos. O texto também revela que os produtores brasileiros competem no mercado e assumem riscos sem receber subsídios, ao contrário dos agricultores europeus.

    Um país, duas seleções vencedoras

    A campanha de Mbappé e companhia no Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá coloca a França novamente sob os holofotes do esporte. Mas os números do campo mostram que o país joga, e vence, outra partida havia tempos. A da produção de alimentos, vinhos e insumos que abastecem o mundo.

    Para o Brasil, gigante agrícola do hemisfério sul, a França representa ao mesmo tempo parceiro comercial, concorrente direto e um espelho de como um país pequeno em território consegue competir entre os líderes globais do agro.

  • Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    O projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras no Brasil seguiu, nesta terça-feira (7), para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a proposta. Agora, o texto reacende o debate sobre bem-estar animal e os métodos utilizados para produzir a tradicional iguaria francesa.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

    Além disso, a entidade afirma que, caso o presidente sancione o projeto, o Brasil será o primeiro país da América Latina a proibir, por lei federal, tanto a produção quanto a comercialização do foie gras.

    Como o foie gras é produzido?

    Foie gras significa “fígado gordo” em francês. Os produtores obtêm a iguaria a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo de alimentação intensiva.

    Para isso, os criadores utilizam uma técnica conhecida como gavage.

    A imagem mostra um prato típico francês, o Foie Gras.
    O órgão animal aumenta diversas vezes de tamanho e adquire a textura característica do produto — Foto: Reprodução/PUC

    Durante esse processo, eles introduzem um tubo no esôfago da ave e fornecem grandes quantidades de alimento altamente energético. Em geral, essa etapa dura entre duas e três semanas e ocorre duas ou três vezes por dia.

    Impactos para as aves

    Em 1998, o Comitê Científico de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia publicou um relatório sobre os efeitos da produção do foie gras.

    Segundo o documento, muitas aves evitam o contato com os tratadores durante o período de alimentação forçada. Além disso, o aumento do fígado compromete a postura e dificulta a locomoção. Em alguns casos, os animais permanecem sentados durante boa parte do dia.

    O relatório também informa que a introdução repetida do tubo pode provocar dor e lesões no esôfago. Ao mesmo tempo, o crescimento exagerado do fígado caracteriza uma condição patológica capaz de causar desconforto e alterações fisiológicas.

    Outro ponto destacado envolve o comportamento natural das aves. Normalmente, patos e gansos procuram alimento, exploram o ambiente e vivem em grupos. Entretanto, sistemas intensivos de criação podem limitar ou impedir esses comportamentos.

    A história do foie gras

    Embora muitos associem o foie gras à gastronomia francesa, sua origem é muito mais antiga.

    Pesquisadores encontraram registros da prática no Egito Antigo, há cerca de 4.500 anos. Pinturas da época mostram gansos sendo alimentados intensivamente, o que indica que os egípcios já conheciam técnicas semelhantes.

    Os egípcios observaram que aves migratórias acumulavam gordura no fígado antes de longas viagens — Foto: Reprodução/The Archaeologist

    Posteriormente, autores como Heródoto e Homero também citaram métodos de engorda de aves.

    Com o passar dos séculos, a técnica se espalhou pela Europa. No século XVII, ela ganhou força no sudoeste da

    Proibição

    Diversos países já proibiram a produção de foie gras por considerarem a alimentação forçada incompatível com normas de bem-estar animal. Ainda assim, muitos deles continuam permitindo a venda e o consumo da iguaria.

    No Brasil, a cidade de São Paulo aprovou uma lei com esse objetivo em 2015. No entanto, o Tribunal de Justiça declarou a norma inconstitucional porque entendeu que o município não tinha competência para regulamentar a comercialização do produto.

    Enquanto isso, Nova York aprovou uma lei em 2019 para proibir a venda de foie gras. Em 2026, a Justiça autorizou sua aplicação. Mesmo assim, disputas judiciais ainda podem influenciar a implementação definitiva da medida.

  • Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    As primeiras notícias não vieram das plantações nem dos rebanhos. Vieram dos aviários.

    Em poucos dias, granjas de diferentes regiões da França começaram a registrar uma sequência incomum de mortes de frangos. À medida que o calor aumentava, as temperaturas permaneciam elevadas mesmo durante a madrugada e, pouco a pouco, milhares de aves deixavam de resistir. Em algumas áreas, o número de animais mortos cresceu tão rapidamente que a estrutura responsável pelo recolhimento das carcaças entrou em colapso.

    Como resultado, o problema ganhou dimensão nacional e passou a simbolizar uma crise que já alcança boa parte do campo francês. Reportagem publicada pelo jornal Le Monde mostra que a onda de calor provocou perdas expressivas na avicultura, afetou a produção de leite, castigou lavouras e obrigou agricultores a rever, mais uma vez, como enfrentar um clima que se tornou menos previsível.

    Milhraes de frangos na França
    Reprodução: ciwf.fr

    Embora as autoridades ainda consolidem os levantamentos, entidades do setor afirmam que a mortalidade registrada nas granjas está entre as mais severas associadas a episódios recentes de calor intenso no país.

    O calor chegou antes do esperado

    O verão europeu sempre exige atenção dos produtores rurais, mas, neste ano, o calor apareceu mais cedo e com intensidade acima da média em várias regiões francesas.

    Além disso, dias consecutivos de temperaturas elevadas foram seguidos por noites abafadas. Para a avicultura, essa combinação costuma ser uma das mais difíceis de enfrentar. Sem o resfriamento natural durante a madrugada, as aves permanecem sob estresse por muito mais tempo.

    Foi justamente esse cenário que se repetiu nas principais áreas produtoras.

    Na Bretanha, região que concentra grande parte da produção francesa de frangos, produtores passaram a relatar perdas em diferentes sistemas de criação. Ao mesmo tempo, à medida que os dias avançavam, aumentava também a dificuldade para retirar rapidamente os animais mortos das propriedades.

    Segundo o Le Monde, algumas autoridades locais autorizaram medidas excepcionais para evitar problemas sanitários, incluindo o enterramento das carcaças em determinadas situações. A decisão foi tomada porque o volume de aves mortas ultrapassou a capacidade operacional das empresas encarregadas da coleta.

    Por que as aves sofrem tanto com o calor

    Entre os animais criados para produção de alimentos, poucos reagem tão rapidamente ao calor quanto as aves.

    Diferentemente dos bovinos e dos suínos, elas praticamente não conseguem dissipar calor pela pele. Como não transpiram, dependem da respiração para tentar reduzir a temperatura corporal.

    Quando o ambiente permanece muito quente, o organismo acelera a frequência respiratória. Ao mesmo tempo, o consumo de ração diminui e a necessidade de água aumenta. Se o calor persiste por muitas horas, especialmente sem alívio durante a noite, o sistema deixa de compensar o excesso de temperatura. É nesse momento, portanto, que cresce o risco de hipertermia e de mortalidade.

    Por isso, ondas de calor prolongadas costumam atingir primeiro a avicultura. Mesmo granjas equipadas com ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento evaporativo podem enfrentar dificuldades quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.

    O prejuízo vai além da perda dos animais

    A morte das aves representa apenas parte do problema.

    Cada lote perdido interrompe o ciclo de produção, reduz a oferta de carne de frango e aumenta os custos das granjas. Além do impacto econômico direto, os produtores precisam lidar com questões sanitárias, logística para retirada das carcaças e limpeza completa das instalações antes da chegada de um novo plantel.

    Foi justamente essa sequência de desafios que chamou a atenção na França. Em diversas propriedades, o esforço deixou de ser apenas salvar os animais que ainda permaneciam vivos. Além disso, passou a incluir medidas emergenciais para evitar que o acúmulo de carcaças provocasse novos riscos à saúde animal e ao meio ambiente.

    Enquanto isso, a previsão de novas temperaturas elevadas mantinha produtores e autoridades em estado de alerta. Com isso, a preocupação já não se limitava aos aviários. Aos poucos, outros setores da agricultura francesa começavam a sentir os efeitos da mesma onda de calor.

  • Cachaça mineira conquista prêmio em concurso internacional

    Cachaça mineira conquista prêmio em concurso internacional

    A cachaça orgânica Flor das Gerais, produzida em Felixlândia, na região Central de Minas Gerais, acaba de garantir mais um troféu internacional. Pelo segundo ano consecutivo, a destilaria recebeu premiação no Concours International des Produits Biologiques, realizado na França e considerado um dos mais importantes do segmento de bebidas orgânicas do mundo. O reconhecimento chega às vésperas do Dia Mineiro da Cachaça, celebrado em 21 de maio.

    Desta vez, a medalha de prata foi para a Porto Douro, rótulo extra premium da marca. A bebida passa dez anos em tonéis de carvalho europeu e termina o envelhecimento em barris que armazenaram vinho do Porto.

    O feito tem peso histórico: o Brasil acumula apenas duas medalhas nesse concurso, ambas da Flor das Gerais. Em 2025, a destilaria já havia levado ouro com a Dorna Única, envelhecida quatro anos em amburana.

    Trajetória de premiações

    Lançada no ano passado, a Porto Douro já soma conquistas nacionais e internacionais. Entre as mais recentes estão uma medalha de ouro no Concurso de Qualidade da Cachaça da Emater-MG e o reconhecimento do alambique entre os cinco mais sustentáveis do Brasil, segundo o Mapa da Cachaça.

    Para o engenheiro agrônomo Daniel Duarte, responsável técnico da empresa, o prêmio valida décadas de trabalho. “O concurso adota critérios rigorosos para avaliar bebidas produzidas sem agrotóxicos, reunindo vinhos, cervejas e destilados de diversos países”, explica.

    A Porto Douro integra uma estratégia da Flor das Gerais para crescer no segmento extra premium, iniciada em 2017 com pesquisas acadêmicas, análises sensoriais e estudos sobre envelhecimento. O primeiro resultado foi o lançamento da Dorna Única, em 2022. Um terceiro rótulo especial já está em desenvolvimento, com previsão de chegada ao mercado entre 2028 e 2029.

    Pioneira no orgânico

    Representante da quarta geração da família, Daniel Duarte destaca o compromisso ambiental como diferencial central da marca. A Flor das Gerais foi a primeira cachaça certificada como orgânica em Minas Gerais, com selo do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) desde 2009.

    A transição ao orgânico começou há mais de 20 anos, quando a fazenda abandonou o modelo convencional. Hoje, a produção elimina agrotóxicos no cultivo da cana-de-açúcar e adota práticas de preservação ambiental e desenvolvimento social para os trabalhadores.

    Mais de um século de história

    A Flor das Gerais tem raízes que atravessam gerações. Na Fazenda Mourões, um engenho de madeira tracionado a bois, construído em 1912 pelo bisavô de Daniel Duarte, ainda faz parte da operação.

    A produção atual ocupa 60 hectares e inclui um projeto próprio de envelhecimento sustentável, com cultivo das espécies usadas na fabricação dos barris. A iniciativa visa compensar a madeira consumida hoje e garantir autonomia futura na produção dos tonéis.

    A destilaria produz cerca de 10 mil litros por ano e chega a triplicar o número de funcionários durante a safra, entre maio e setembro. Daniel credita parte da credibilidade da marca ao trabalho dos pais, Adão e Lúcia Duarte, responsáveis pela operação da fazenda e pela transmissão do conhecimento entre gerações.

    O concurso

    Criado em 1996 pelo jornalista e especialista Pierre Guigui, o Concours International des Produits Biologiques et en conversion, também chamado de Concurso Amphore, é uma das principais premiações internacionais exclusivas para bebidas orgânicas.

    Na edição mais recente, cerca de 500 amostras receberam avaliação de aproximadamente 80 jurados internacionais em degustações às cegas, sob condições controladas. O evento tem certificação ISO 9001 e supervisão das autoridades francesas.

  • Descoberta genética revela que uva de 600 anos é idêntica à atual Pinot Noir

    Descoberta genética revela que uva de 600 anos é idêntica à atual Pinot Noir

    Uma descoberta impressionante está fascinando tanto cientistas quanto apaixonados por vinho: uma semente de uva de cerca de 600 anos, encontrada no banheiro de um hospital medieval na França, revelou-se geneticamente idêntica às uvas modernas utilizadas na produção do famoso vinho tinto Pinot Noir.

    O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, analisou DNA extraído de 49 sementes de uva encontradas em sítios arqueológicos na França e na Espanha. As amostras datam de diferentes períodos, da Idade do Bronze até a Baixa Idade Média, cobrindo aproximadamente 4 milênios, de 2300 a.C. até 1500 d.C.

    As sementes mais antigas eram de uvas silvestres. Mas, a partir de cerca de 500 a.C., os cientistas observaram que algumas amostras apresentavam alta semelhança genética com as variedades domesticadas ainda cultivadas hoje. Isso sugere que, já naquela época, os humanos adotavam a propagação clonal, técnica na qual usam estacas de plantas selecionadas para reproduzir características desejadas, método que continua essencial na viticultura moderna.

    Segundo a geneticista evolutiva Jazmín Ramos Madrigal, da Universidade de Copenhague, “as civilizações antigas sabiam preservar o que gostavam, e temos de agradecê-las por isso”.

    Joana d’Arc

    Uma das amostras estudadas chamou especialmente a atenção dos pesquisadores. Datada do século XV, época de Joana d’Arc, a semente encontrada na França possui DNA idêntico ao da uva Pinot Noir cultivada atualmente. De acordo com o autor principal Ludovic Orlando, da Universidade de Toulouse, é possível que a heroína francesa tenha provado as mesmas uvas que bebemos hoje.

    Foto: Sistema CNA/Senar

    Embora não se saiba se essas uvas medievais eram consumidas in natura ou usadas na produção de vinho, tudo indica que o clone já era aproveitado pelos vinicultores da época. Como destaca Laurent Bouby, arqueobotânico do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, o país já tinha uma longa tradição na viticultura medieval.

    A conclusão dos pesquisadores mostra que a Pinot Noir se manteve praticamente inalterada por séculos. Uma prova da resistência e popularidade dessa uva, conhecida como “a uva do coração partido” por ser difícil de cultivar. Mas amplamente admirada por sua delicadeza e sabor sofisticado.

  • Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul em Paris

    Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul em Paris

    Agricultores franceses voltaram a protestar em Paris nesta terça-feira contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. Pela segunda vez em uma semana, produtores rurais levaram tratores à capital francesa para pressionar o governo.

    Eles afirmam que o acordo ameaça a agricultura local ao ampliar a concorrência com produtos sul-americanos mais baratos. Além disso, os agricultores criticam diferenças nos padrões sanitários e ambientais exigidos dentro da União Europeia.

    Os produtores franceses e de outros países do bloco protestam há meses contra o acordo UE-Mercosul e pautas nacionais. A manifestação desta terça-feira contou com a organização da FNSEA, uma das principais entidades sindicais rurais da França.

    Segundo a FNSEA, o acordo permite importações de produtos que a França produz internamente com elevados padrões regulatórios. “O acordo foi aprovado sem manifestação do Parlamento Europeu”, afirmou Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA. De acordo com Greffin, os produtos importados não seguem as mesmas exigências impostas à agricultura francesa.

    Ainda assim, os agricultores mantiveram protestos em frente ao Parlamento francês durante todo o dia. Além disso, o grupo planeja nova manifestação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.

    Na sexta-feira, a maioria dos Estados-membros da União Europeia aprovou o acordo, apesar da oposição francesa. Essa decisão aumentou a pressão política sobre o governo, incluindo reações de partidos de oposição.
    Algumas legendas, inclusive, apresentaram moções de censura após a aprovação do acordo.

    Na semana passada, outro sindicato rural, a Coordination Rurale, também levou tratores a pontos turísticos de Paris. Na ocasião, produtores protestaram sob a Torre Eiffel e no Arco do Triunfo, em ato considerado surpresa.

     

     

  • França proíbe importação de frutas sul-americanas com agrotóxicos banidos

    França proíbe importação de frutas sul-americanas com agrotóxicos banidos

    O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu anunciou neste domingo (4) que a França bloqueará a importação de produtos agrícolas da América do Sul que apresentem resíduos de substâncias proibidas na União Europeia. A declaração ocorreu por meio da rede social X e representa mais um capítulo na tensão entre agricultores europeus e o setor produtivo sul-americano.

    Segundo o primeiro-ministro, a ministra da Agricultura Annie Genevard preparará uma portaria que será publicada nos próximos dias. O documento estabelecerá critérios para barrar a entrada de frutas que contenham resíduos de quatro defensivos agrícolas: mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim – todos vetados pelas normas sanitárias europeias.

    Quais frutas serão fiscalizadas

    A lista de produtos afetados inclui abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs provenientes da América do Sul ou de qualquer outra região. O governo francês criará uma brigada especializada para reforçar a fiscalização e garantir o cumprimento rigoroso da legislação sanitária nacional.

    Lecornu classificou a medida como uma “primeira etapa” para proteger as cadeias produtivas e os consumidores franceses. O objetivo também é combater o que o governo chama de “concorrência desleal”, buscando garantir condições equitativas para agricultores locais que seguem regulamentações mais rigorosas.

    Protestos e pressão política

    A decisão surge em meio a protestos intensos de agricultores franceses que se iniciaram em dezembro de 2024. As manifestações envolvem bloqueios de estradas e ações em diversas regiões do país, principalmente no sudoeste, motivadas por duas questões principais: a política governamental para enfrentar a dermatose nodular contagiosa (DNC) em rebanhos bovinos e a forte oposição ao acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul.

    Os agricultores franceses temem que produtos do Brasil e Argentina – países que utilizam pesticidas em plantações e antibióticos de crescimento no gado proibidos na Europa – ganhem acesso facilitado ao mercado europeu.

    Acordo Mercosul-UE enfrenta resistência

    Após mais de 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia concluíram o acordo comercial em dezembro de 2024, mas adiaram a assinatura para janeiro de 2025 diante da resistência da França e da Itália, pressionadas por seus setores agrícolas.

    O tratado reuniria cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB de aproximadamente 22 trilhões de dólares, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Para o Brasil, o acordo representa acesso preferencial para produtos como carne bovina, etanol, açúcar e frutas ao mercado europeu.

    Disparidade no uso de agrotóxicos

    Estudos recentes revelam uma significativa diferença na regulamentação de pesticidas entre os blocos. A quantidade de resíduo do herbicida glifosato encontrado em amostras de água potável no Brasil é 5 mil vezes maior do que na União Europeia.

    Em 2021, o Brasil consumiu cerca de 719 mil toneladas de pesticidas, enquanto os Estados Unidos consumiram 257 mil toneladas e a China 244 mil toneladas. O país possui mais de 3 mil agroquímicos registrados. Desses,  49% são considerados altamente perigosos à saúde.

    Impacto na balança comercial

    A União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de aproximadamente 92 bilhões de dólares em 2023. A medida francesa pode criar um precedente para outros países do bloco europeu, potencialmente afetando as exportações brasileiras de frutas.

    O governo francês argumenta que a nova regulamentação visa proteger tanto os produtores locais quanto os consumidores. Enquanto críticos apontam que a medida pode ser mais uma barreira protecionista do que uma preocupação genuína com segurança alimentar.

    A portaria deverá entrar em vigor nas próximas semanas, estabelecendo um novo paradigma para a importação de produtos agrícolas sul-americanos na França.

  • França pede adiamento de acordo UE-Mercosul

    França pede adiamento de acordo UE-Mercosul

    A França pediu neste domingo que a União Europeia adie os prazos do acordo comercial com o Mercosul.
    Segundo o governo francês, as condições políticas ainda não permitem uma votação segura entre os Estados-membros.

    Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu defendeu mais tempo para negociar proteções à agricultura europeia. O Executivo francês solicitou o adiamento dos prazos de dezembro para aprofundar as discussões técnicas.

    Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende assinar o acordo no próximo sábado. A assinatura está prevista durante a cúpula do Mercosul, marcada para Foz do Iguaçu.
    Segundo Von der Leyen, a Comissão busca o aval dos Estados-membros entre terça e sexta-feira.

    Resistência francesa ao acordo

    A França lidera o grupo de países europeus contrários ao tratado negociado há mais de 20 anos. Esses países alegam riscos econômicos e concorrência desleal no setor agrícola europeu.

    Em setembro, a Comissão Europeia anunciou um sistema de monitoramento reforçado para produtos sensíveis.
    O mecanismo inclui carnes bovina e de aves, além de arroz e etanol. A Comissão prevê intervenção no mercado caso ocorram desequilíbrios após a entrada do acordo.

    Antes de decidir, países da União Europeia aguardam votação do Parlamento Europeu nesta terça-feira. O parlamento analisará medidas de salvaguarda para atender às demandas dos agricultores europeus. Agricultores franceses lideram a oposição ao tratado e pressionam o governo.

    Antes do comunicado oficial, o ministro Roland Lescure criticou o formato atual do acordo. Em entrevista ao jornal Handelsblatt, Lescure afirmou que o tratado ainda não é aceitável. Segundo o ministro, a França exige uma cláusula de proteção forte e eficaz.

    Além disso, Paris quer igualdade nas normas de produção entre União Europeia e países parceiros. O governo francês também defende controles rigorosos sobre produtos importados. O acordo prevê ampliar exportações europeias de automóveis, máquinas e vinhos ao Mercosul. Em contrapartida, facilita a entrada de carne, açúcar, soja e arroz sul-americanos.

    Os produtores franceses temem aumento da concorrência com produtos mais competitivos do Mercosul.
    Se aprovado, o acordo UE-Mercosul criará um mercado comum com 722 milhões de habitantes.

  • Operação apreende garrafas de vinho irregular em Balneário Camboriú

    Operação apreende garrafas de vinho irregular em Balneário Camboriú

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 307 garrafas de vinho irregular em um estabelecimento comercial no centro de Balneário Camboriú (SC), no dia 5 de novembro. A Polícia Militar de Santa Catarina apoiou a operação, que resultou na retirada de produtos avaliados em aproximadamente R$ 100 mil.

    Auditores fiscais federais agropecuários e agentes de atividades agropecuárias identificaram vinhos armazenados sem documentação fiscal que comprovasse importação regular. Os produtos vinham de Argentina, Uruguai, França, Portugal e Espanha.

    A fiscalização mirou a venda de bebidas clandestinas, importadas sem autorização do Mapa e comercializadas sem comprovação de procedência. A prática representa risco à saúde dos consumidores.

    O Mapa mantém trabalho contínuo no combate ao comércio irregular de bebidas. O objetivo é garantir que apenas produtos seguros, com origem comprovada e devidamente inspecionados, cheguem ao consumidor final.

    Como identificar vinhos importados regulares

    O Ministério orienta os consumidores a verificarem o contrarrótulo da garrafa. Todo produto importado deve conter informações traduzidas para o português e indicar claramente o número de registro do importador no Mapa. A ausência desses dados pode indicar irregularidade.

    Foto: Mapa

    “O trabalho do Ministério garante que os produtos que chegam ao consumidor sejam seguros e de qualidade”, afirma Ivanor Boing, superintendente federal de Agricultura e Pecuária em Santa Catarina. “As fiscalizações coíbem práticas ilegais e protegem a saúde pública, ao mesmo tempo em que asseguram condições justas de concorrência para quem atua dentro da lei.”