Tag: floresta

  • Floresta em pé: modelo de pagamento busca escala no agronegócio brasileiro

    Floresta em pé: modelo de pagamento busca escala no agronegócio brasileiro

    Um modelo que remunera produtores rurais pela preservação de vegetação nativa no Brasil avança e busca ganhar escala sem depender de doações internacionais. A iniciativa mira áreas onde o desmatamento é legalmente permitido e tenta transformar a floresta em pé em ativo econômico.

    O programa, baseado em pagamento por serviços ambientais (PSE), incentiva proprietários a manter excedentes de reserva legal, áreas além do mínimo exigido pelo Código Florestal. Essas regiões, apesar de protegidas voluntariamente, poderiam ser convertidas para agricultura ou pecuária com autorização.

    Entre 2020 e 2024, um projeto piloto conservou mais de 20 mil hectares nos biomas Cerrado e Amazônia. A iniciativa contou com financiamento internacional e envolveu propriedades rurais de médio e grande porte. Novos contratos ampliaram a área protegida em mais 7 mil hectares, com apoio de empresas do agronegócio comprometidas com cadeias livres de desmatamento.

    O avanço do modelo ocorre em meio a um cenário preocupante. Dados recentes indicam que quase 70% dos alertas de desmatamento no Brasil ocorrem em áreas privadas. Além disso, cerca de 3,6 milhões de hectares foram desmatados legalmente entre 2008 e 2024 no Cerrado e na Amazônia. Isso é o equivalente a uma área maior que a Bélgica.

    O Código Florestal permite a supressão de vegetação nativa além do limite obrigatório de preservação, que varia de 20% a 80% conforme o bioma. Esse excedente representa milhões de hectares com potencial de conversão, o que pressiona biodiversidade, recursos hídricos e o equilíbrio climático.

    Especialistas alertam que o desmatamento legal também ameaça a produtividade agrícola no longo prazo, ao comprometer regimes de chuva e elevar temperaturas.

    Pagamento como incentivo econômico

    O modelo de PSE oferece pagamentos regulares a produtores que mantêm a vegetação nativa intacta. O valor leva em conta fatores como risco de desmatamento, serviços ambientais prestados e valor da terra.

    Além da renda adicional, produtores relatam benefícios indiretos, como redução de incêndios, aumento da biodiversidade e melhoria nas condições climáticas locais.

    O programa exige conformidade com a legislação ambiental, monitoramento via satélite e auditorias independentes. Irregularidades podem gerar penalidades.

    Desafio agora é escalar

    Após a fase piloto, o principal desafio passa a ser a expansão do modelo. A viabilidade depende de fontes estáveis de financiamento e de mecanismos que garantam previsibilidade de receita.

    Estudos apontam três caminhos principais para escalar o programa:

    • Comercialização de créditos de carbono
    • Pagamento de prêmios por commodities livres de desmatamento
    • Acesso a crédito rural com juros reduzidos

    A combinação desses instrumentos surge como a alternativa mais viável para sustentar o modelo no longo prazo.

    O Brasil já possui uma política nacional de pagamento por serviços ambientais, mas ainda carece de regulamentação que padronize critérios de cálculo e amplie a segurança jurídica.

    Créditos de carbono aparecem como opção promissora, mas enfrentam desafios relacionados à credibilidade e à mensuração, especialmente no Cerrado.

    Floresta em pé ainda enfrenta barreira econômica

    Apesar dos avanços, a conservação voluntária ainda enfrenta um obstáculo central: a rentabilidade. Sem incentivos financeiros contínuos, a tendência é que áreas com potencial produtivo avancem para o desmatamento legal.

    A conversão dessas áreas segue como alternativa economicamente mais atrativa para muitos produtores, o que reforça a necessidade de políticas e mercados que valorizem a floresta em pé.

    Especialistas destacam que o combate ao desmatamento exige múltiplas estratégias e integração entre setor público e privado. Sem isso, milhões de hectares de vegetação nativa seguem sob risco de conversão nos próximos anos.

  • Caçador americano morre pisoteado por 5 elefantes durante safari

    Caçador americano morre pisoteado por 5 elefantes durante safari

    Um caçador experiente dos EUA encontrou um fim trágico na floresta africana. Ernie Dosio, de 75 anos, morreu atacado por uma manada de elefantes durante safari no Gabão. O incidente expõe os perigos imprevisíveis de caçadas legais em áreas selvagens.

    Tragédia no parque nacional

    Ernie Dosio participava de uma caçada licenciada no Parque Nacional de Lopé-Okanda, no Gabão. O grupo buscava antílopes raros, como o duiker de dorso amarelo, e bufalos-anões. Tudo custava cerca de 30 mil libras esterlinas. De repente, cinco elefantes fêmeas com um filhote surgiram da vegetação densa. Eles atacaram sem aviso.

    O guia profissional foi jogado ao chão e desarmado. Dosio, armado apenas com um rifle leve para presas menores, não resistiu. A morte veio rápida, sob as patas dos animais. A Collect Africa Safaris, operadora do tour, confirmou o fato e organizou o repatriamento do corpo aos EUA.

    “Enquanto estavam na floresta, Ernie e seu caçador profissional surpreenderam cinco fêmeas de elefante da floresta com filhotes e, sentindo-se ameaçados, os elefantes os atacaram imediatamente.” — Caçador aposentado na Cidade do Cabo, em entrevista ao jornal britânico The Mirror.

    Foto de arquivo – Ernie Dosio, em 2014
    Imagem: Reprodução/bobbyhansensafaris.com

    “Ernie havia agendado uma caçada de búfalos anões da floresta e duikers, em particular o duiker de dorso amarelo, e sob leis rigorosas de licenciamento ele não podia levar suas próprias armas”, afirmou o mesmo caçador.

    Veterano das caçadas troféu

    Ernie Dosio era dono da Pacific AgriLands Inc, empresa ligada à gestão de vinhedos na Califórnia. Entusiasta, colecionava troféus em casa. Suas salas exibiam centenas de animais empalhados, incluindo elefantes de caçadas passadas. Aos 75 anos, ele optou por uma caçada seletiva na floresta pluvial. No entanto, elefantes protegidos transformaram o passeio em fatalidade. Familiares e amigos lamentam a perda de um apaixonado pela aventura.

    Morte de Ernie Dosio expõe perigos.          Imagem: Reprodução/Flickr

    “Ernie realizava um evento de caridade lá todo mês, onde comida era servida aos membros das lojas Elk e cidadãos respeitáveis da comunidade”, afirmou um amigo à imprensa britânica.

    O corpo do caçador vai ser repatriado para a Califórnia, com apoio da embaixada dos EUA no Gabão. A informação foi relatada por pessoas próximas à família.

    Licenças de caça e elefantes-da-floresta no Gabão

    Caçadas no Gabão seguem regras rígidas locais sobre armas e espécies permitidas. Um caçador aposentado defendeu as atividades do grupo. “Embora muitos discordem da caça de grandes animais, todas as caçadas de Ernie eram estritamente licenciadas e legais, e registradas como conservação no controle do número de animais”, afirmou ele.

    O Gabão abriga uma das maiores populações de elefantes-da-floresta do planeta, com cerca de 50 mil animais. Esse número representa aproximadamente 60% da população remanescente da espécie. A concentração eleva os riscos em safáris na região.

    Riscos em safáris africanos

    Incidentes assim não são isolados na África. Elefantes protegem crias com fúria extrema em habitats densos. Caçadores pagam fortunas por licenças legais, mas a natureza ignora regras. No Gabão, o parque Lopé-Okanda abriga populações ameaçadas, elevando tensões.

    Operadoras como Collect Africa enfatizam guias treinados. Ainda assim, ataques surpresa persistem. Para turistas e caçadores, o alerta é claro: o luxo esconde perigos letais.

  • Animais que só existem na Amazônia e estão desaparecendo

    Animais que só existem na Amazônia e estão desaparecendo

    A Floresta Amazônica, conhecida como o bioma mais biodiverso do planeta, guarda espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo.

    No entanto, esse patrimônio natural enfrenta uma ameaça crescente. Estudos recentes mostram que animais exclusivos da região já estão na chamada “linha vermelha” da extinção.

    Esse cenário preocupa pesquisadores. Isso porque a Amazônia abriga milhões de espécies, muitas ainda desconhecidas pela ciência.

    Espécies únicas e ameaçadas

    Entre os exemplos mais emblemáticos está o boto-cor-de-rosa, símbolo cultural da região e presente em lendas amazônicas.

    Além dele, outras espécies raras também enfrentam risco, como o macaco-aranha-de-cara-branca, um primata que só existe na Amazônia e depende diretamente da floresta para sobreviver.

    Esses animais possuem distribuição limitada. Ou seja, qualquer alteração no ambiente pode comprometer diretamente sua sobrevivência.

    O avanço da ameaça é real

    O número de espécies ameaçadas na Amazônia aumentou significativamente nos últimos anos.

    Levantamentos indicam que mais de 500 espécies da região já estão em risco de extinção, com crescimento superior a 65% em uma década.

    Esse avanço está diretamente ligado a fatores como desmatamento, mineração, queimadas e expansão agrícola.

    Além disso, a fragmentação do habitat dificulta a reprodução e reduz as chances de sobrevivência das espécies.

    Animais que podem desaparecer silenciosamente

    Muitos desses animais não são amplamente conhecidos pelo público. Ainda assim, desempenham papéis essenciais no equilíbrio do ecossistema.

    O macaco-aranha, por exemplo, atua na dispersão de sementes, ajudando a regenerar a floresta.

    Já espécies aquáticas, como o peixe-boi-da-amazônia, sofrem com poluição, caça e destruição de habitats.

    Quando essas espécies desaparecem, todo o sistema natural entra em desequilíbrio.

    Por que isso importa para o mundo

    A Amazônia não é importante apenas para o Brasil. Ela influencia diretamente o clima global, os ciclos de chuva e a biodiversidade do planeta.

    Por isso, a perda de espécies vai além da questão ambiental. Ela impacta economia, agricultura e qualidade de vida em escala global.

    Além disso, cientistas alertam que muitas dessas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudadas.

    Um futuro que ainda pode ser revertido

    Apesar do cenário preocupante, especialistas afirmam que ainda há tempo para reverter parte dos danos.

    A preservação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento e políticas públicas eficazes são fundamentais para garantir a sobrevivência dessas espécies.

    Além disso, a conscientização da população tem papel decisivo. Afinal, proteger a Amazônia não é apenas preservar uma floresta. É garantir que espécies únicas, que não existem em nenhum outro lugar do mundo, continuem existindo.

  • Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    A produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares da Amazônia Legal ganha um reforço de R$ 80 milhões do Fundo Amazônia. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançaram, nesta terça-feira (3), um edital público para selecionar os projetos que receberão os investimentos.

    A iniciativa integra o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva” e tem como objetivo principal superar os principais obstáculos que historicamente limitam a geração de renda na região. Os recursos financiarão soluções para gargalos em logística, beneficiamento, armazenamento, adequação sanitária e, principalmente, no acesso a mercados para produtos da sociobiodiversidade.

    Como funciona o edital e quem pode participar

    Cooperativas, associações e organizações da sociedade civil da Amazônia Legal já podem apresentar suas propostas. O edital priorizará projetos com maior número de beneficiários, protagonismo feminino, participação de jovens e atuação em cadeias produtivas como açaí, castanha-do-Brasil, babaçu, mel e pesca artesanal.

    Os valores dos apoios variam entre R$ 500 mil e R$ 2,5 milhões por projeto, com previsão de selecionar pelo menos 32 propostas. Os recursos podem custear desde assistência técnica e obras civis até a aquisição de máquinas, equipamentos e a realização de consultorias especializadas.

    Foco na infraestrutura e geração de renda

    Líderes das instituições envolvidas destacam que o investimento vai direto para a ponta da cadeia produtiva. “Esse apoio do Fundo Amazônia chega à ponta, fortalecendo quem produz de forma sustentável. Ao ampliar o acesso a infraestrutura e mercados, criamos condições reais para geração de renda, redução das desigualdades e manutenção da floresta em pé”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

    A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a conexão entre economia e conservação. “Fortalecer as atividades produtivas dessas populações significa valorizar os saberes locais e proteger a floresta”.

    Conexão com políticas públicas

    Além do mercado privado, os projetos deverão fortalecer a participação das comunidades em programas públicos de abastecimento, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

    O lançamento do edital ocorreu em um webinar transmitido pelas instituições. A íntegra do documento e todas as regras para participação já estão disponíveis para consulta pública.

  • Desmatamento na Mata Atlântica cai 55% no primeiro semestre de 2024

    Desmatamento na Mata Atlântica cai 55% no primeiro semestre de 2024

    O desmatamento na Mata Atlântica diminuiu 55% no primeiro semestre de 2024, segundo o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD). Em resumo, a Mata Atlântica perdeu 21.401 hectares entre janeiro e junho, uma queda em relação aos 47.896 hectares desmatados no mesmo período de 2023. A Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o MapBiomas, divulgou os dados.

    Apesar da redução, a SOS Mata Atlântica alerta que o impacto do desmatamento ainda é grave. A área destruída equivale a 20 mil campos de futebol. Portanto, a fundação reforça que, embora possível, zerar o desmatamento no bioma continua sendo um grande desafio.

    Políticas públicas e fiscalização contribuem para a redução

    A queda no desmatamento reflete ações como o fortalecimento da fiscalização ambiental e o corte de crédito para desmatadores ilegais. Além disso, embargos remotos, que impedem o uso comercial de áreas desmatadas detectadas via satélite, também contribuíram.

    “O avanço na aplicação das políticas públicas ambientais, com o fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, foi essencial”, afirma Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica. Ele destaca que os dados atuais são um alívio, mas reforça a importância de manter a vigilância.

    Em áreas de encraves da Mata Atlântica, situadas na transição com outros biomas, o desmatamento caiu 58%. “Essa redução é resultado de estratégias nacionais de combate ao desmatamento, como as ações no Cerrado e na Caatinga”, explica Guedes Pinto.

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    Desmatamento zero até 2030 é meta desafiadora

    Segundo o MapBiomas, restam apenas 24% da cobertura original da Mata Atlântica, abaixo do mínimo de 30% indicado por estudos. Grande parte das florestas naturais está fragmentada em áreas menores que 50 hectares, sendo 80% delas em propriedades privadas.

    Guedes Pinto ressalta que o Brasil deve alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030, conforme o Acordo de Paris. “A Mata Atlântica pode ser o primeiro bioma a atingir essa meta, devido à maior governança e ao desmatamento relativamente menor”, avalia.

    Entretanto, ele aponta a impunidade como um obstáculo. “É crucial reforçar a aplicação da Lei da Mata Atlântica e implementar incentivos econômicos, como o pagamento por serviços ambientais e o mercado de carbono”, defende.

    Queimadas continuam sendo desafio ambiental

    Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, alerta sobre o impacto das queimadas. Este ano, incêndios criminosos atingiram níveis alarmantes, superando áreas desmatadas em 2023.

    “As queimadas não causam desmatamento imediato, mas degradam a floresta. Em longo prazo, podem levar à perda total de pequenos fragmentos”, explica Guedes Pinto. Além de prejudicar a biodiversidade, as queimadas aumentam as emissões de gases de efeito estufa.

    Proteger áreas impactadas é essencial para garantir a recuperação da floresta. “Os efeitos das queimadas podem se equiparar aos do desmatamento no médio e longo prazos”, conclui Guedes Pinto.

     

  • Secas atrasam em 20 anos a recuperação de estoques de madeira em florestas manejadas

    Secas atrasam em 20 anos a recuperação de estoques de madeira em florestas manejadas

    Um estudo da Embrapa, realizado entre 2000 e 2022 no interior do Amazonas, revelou que secas prolongadas, intensificadas pelo fenômeno El Niño, atrasaram em 20 anos a reposição de estoques de madeira em áreas de manejo florestal. A pesquisa foi conduzida em 600 hectares da Fazenda Iracema, no município de Lábrea. Lá, os cientistas monitoraram a regeneração florestal e os efeitos da exploração madeireira. Embora a biomassa da floresta tenha se recuperado, os estoques de madeira comercial ainda não atingiram o volume previsto inicialmente.

    O pesquisador Marcus Vinício Neves d’Oliveira, da Embrapa Acre, explica que as árvores maiores, que são alvo da exploração comercial, sofreram alta mortalidade devido às secas sucessivas. Árvores com mais de 50 cm de diâmetro, necessárias para a exploração legal de madeira, cresceram lentamente, o que atrasou a reposição do estoque. Segundo o especialista, a expectativa inicial era que a floresta se recuperasse em 25 anos, mas agora estima-se que o processo completo levará cerca de 45 anos.

    Impactos climáticos no crescimento florestal

    Os resultados indicam que a floresta começou a responder ao manejo apenas oito anos após o corte inicial. Embora tenha havido um crescimento significativo das árvores remanescentes e ingressantes, a mortalidade elevada, associada ao El Niño, retardou o processo. Secas extremas, registradas em 2005, 2010/2011, 2015/2016 e 2018, foram identificadas como os principais fatores que comprometeram o crescimento das árvores, especialmente nas áreas exploradas.

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    A pesquisa avaliou indicadores como a biomassa acima do solo, a entrada de novas árvores, o crescimento das árvores residuais e a taxa de mortalidade. Apesar da recuperação completa da biomassa em termos de número de árvores e volume, a floresta se tornou mais jovem, com predominância de árvores menores, o que dificulta a exploração sustentável a curto prazo.

    O estudo também apontou que, apesar do crescimento de árvores novas, as espécies comerciais mais valiosas foram as mais afetadas pelas condições climáticas adversas. O ciclo de corte em florestas manejadas na Amazônia varia entre 20 e 35 anos. Mas, devido ao impacto do clima, a área estudada precisará de mais tempo para atingir os níveis de estoque de madeira adequados para exploração. O pesquisador d’Oliveira ressalta que, embora a recuperação em termos de biomassa tenha sido satisfatória, a estrutura da floresta mudou significativamente. Com uma maior quantidade de árvores jovens e menos árvores de grande porte, retardando o ciclo produtivo.

    Novos estudos e próximos passos da pesquisa

    Os estudos sobre dinâmica florestal são feitos no Acre há mais de 30 anos e na Amazônia como um todo há cerca de 50 anos. Mmas é consenso da pesquisa que esse tempo é relativamente curto para se conhecer efetivamente o comportamento da floresta.

    De acordo com Evaldo Muñoz, pesquisador da Embrapa Florestas (PR), participante desse estudo, como a pesquisa é contínua, os dados gerados servem de base para novas análises sobre a dinâmica da floresta. “A recorrência de efeitos climáticos atípicos vai demandar novos estudos para ampliar o conhecimento sobre como a floresta funciona a longo prazo. É necessário investigar outros efeitos desses eventos na regeneração de áreas manejadas, como possíveis mudanças na sua estrutura florística e quais espécies comerciais são mais afetadas”, considera Muñoz.

    Os dados gerados pela pesquisa serão integrados a um banco de dados em construção. Ele será disponibilizado pela Embrapa para pesquisadores e profissionais da área florestal. A análise contínua dos impactos climáticos, como o El Niño, sobre a regeneração de florestas manejadas será crucial para a criação de estratégias de manejo sustentável . E assim, tomar atitudes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

  • Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    A Embrapa Agrossilvipastoril concluiu o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em Sinop (MT). As pesquisas ofereceram dados fundamentais para o uso de árvores nesses sistemas produtivos.

    Decisões baseadas em fatores técnicos

    A estratégia de uso das árvores em sistemas ILPF varia conforme o interesse do produtor. Fatores como destinação da madeira, mercado consumidor, forma de colheita e uso das árvores influenciam as decisões. Ou seja, cada projeto é único, mas deve-se basear em fundamentos técnicos da pesquisa.

    A pesquisa usou eucalipto (clone H13) devido ao rápido crescimento e múltiplos usos. As árvores foram testadas em sistemas ILF, IPF e ILPF, além da monocultura como controle. O plantio inicial ocorreu em renques de três linhas, espaçadas a 30 metros. Os pesquisadores reduziram algumas linhas a uma única linha espaçada a 37 metros.

    Produção de madeira

    Nos 12 anos, os sistemas integrados produziram entre 87 m³ e 114 m³ de madeira por hectare. A produção variou conforme o número de árvores mantidas. Mais árvores resultaram em menor produção de grãos e forragem. “A produtividade do sistema deve ser considerada globalmente”, destaca o pesquisador Maurel Behling.

    A área testemunha com monocultura de eucalipto produziu 350 m³/ha, dentro da média do H13 em Mato Grosso, que é de 32 m³/ha.

    Crescimento e acúmulo de carbono

    Os dados de crescimento mostraram o efeito bordadura nas árvores externas, que recebiam mais luz e nutrientes. No sistema ILPF, o efeito bordadura foi mais evidente nos renques triplos. Além disso, esse sistema também acumulou mais carbono, chegando a 30 kg/ano por árvore, acima dos 20 kg/ano na monocultura.

    Recomendações práticas

    Os resultados oferecem subsídios para o planejamento de sistemas ILPF. Se o objetivo é adicionar renda ou melhorar o conforto térmico do gado, recomenda-se linhas simples. Para maior número de árvores, é possível usar renques de múltiplas linhas. A análise do mercado consumidor da madeira é crucial no planejamento do sistema.

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    Fim de um ciclo, início de outro

    O primeiro ciclo de ILPF com foco em pecuária e grãos termina com o corte dos eucaliptos após 12 anos. Ainda restam 3.666 árvores em 43 hectares. A venda da madeira pode render até 514 mil reais, sem contar a produção de carne e grãos.

    O próximo experimento incluirá teca, além do eucalipto. A combinação das duas espécies será testada, visando melhorar o conforto térmico e escalonar as receitas.

    Maior experimento mundial

    O experimento de ILPF da Embrapa é um dos maiores do mundo, com 72 hectares e dez tratamentos distintos. Desde 2011, pesquisadores analisam solo, água, microclima, forragicultura, sanidade animal e vegetal, microbiologia e emissão de gases de efeito estufa.

    Entre os resultados está o Sistema PPS (Precocidade, Produtividade e Sustentabilidade), que usa ILP e IPF para manejo da pecuária de cria.

     

  • Brasil é referência em exportação de madeira sustentável

    Brasil é referência em exportação de madeira sustentável

    O aumento da demanda global por produtos florestais impulsionou a expansão do setor no Brasil, colocando o país como o sétimo maior produtor mundial.

    A geração de empregos no setor é significativa. Segundo o Perfil Setorial da Indústria (CNI), a indústria de madeira sustentável emprega atualmente 160 mil pessoas em mais de 11 mil indústrias, com 36% desses empregos concentrados em pequenas empresas.

    Referencia em manejo florestal

    Segundo o Fórum Nacional da Base Florestal (FNBF), o estado do Mato Grosso atualmente administra mais de 5 milhões de hectares de florestas manejadas. Assim, essa prática inclui rigoroso monitoramento por satélite, adoção de técnicas avançadas de rastreabilidade e limitação do número de árvores abatidas por hectare. Isso evidencia o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

    Por exemplo, Cuiabá, a capital do estado, ganha destaque ao ser escolhida como uma das sedes da próxima reunião do G20 em setembro de 2024. Este evento proporcionará uma plataforma global para compartilhar as práticas inovadoras e o papel de Mato Grosso na mitigação das mudanças climáticas. Desta forma, segundo estudos da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), o manejo florestal sustentável na região já contribuiu para uma redução estimada de 16% nas emissões de gases de efeito estufa.

    Portanto, com metas ambiciosas, espera-se que até 2030 o estado alcance a marca de 6 milhões de hectares de florestas sob manejo sustentável. Esta iniciativa não apenas preserva recursos naturais preciosos, mas também posiciona Mato Grosso como líder nacional em práticas de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

    Impacto econômico

    Entre os dias 17 e 20 de julho, 12 compradores internacionais estarão em Alta Floresta, MT, para participação na rodadas de negócios com empresas especializadas em madeira processada sustentável. O evento, promovido pelo programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil  busca impulsionar as exportações e destacar as técnicas de manejo florestal sustentável do país.

    Durante o evento, os compradores realizarão visitas técnicas às indústrias locais, conhecendo de perto os métodos de produção e práticas sustentáveis adotadas pelas empresas brasileiras.

    A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, enfatiza a importância das visitas técnicas. “Quando os compradores conhecem o processo produtivo e as práticas sustentáveis, a relação com o negócio se fortalece. Isso melhora a percepção dos produtos e favorece a compra internacional”, afirma Repezza.

    Os compradores vêm de países como África do Sul, Alemanha, Bélgica, França, México, Polônia e Uruguai. Eles estão em busca de fornecedores brasileiros de madeira beneficiada para seus mercados. Essa interação direta permite que compreendam a sustentabilidade da cadeia produtiva e o potencial do mercado local.

    Participante dessa rodada de negócios, como o empresário Siderlei Luiz, veem com otimismo a iniciativa. “Esperamos atender os compradores de forma sustentável, apresentando a nossos potenciais clientes nossos melhores produtos e práticas de produção”, comenta Siderlei, cuja empresa é pioneira no manejo florestal sustentável e certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council).

    Promovendo o Brasil Internacionalmente

    A ApexBrasil tem trabalhado para posicionar o país como referência mundial em práticas de manejo florestal sustentável. O presidente da agência, Jorge Viana, destaca a importância de aproximar o empresariado amazônico dos mercados internacionais e promover produtos de alto valor agregado compatíveis com a floresta.

    Essas iniciativa refletem o compromisso do Brasil em compartilhar suas práticas sustentáveis com o mundo, reforçando a importância da sustentabilidade na produção de madeira processada e abrindo novas oportunidades no comércio exterior.

    Programa Exporta Mais Brasil

    O Exporta Mais Brasil foi lançado pela ApexBrasil com o objetivo de impulsionar as exportações nacionais através de uma abordagem dinâmica com diversos setores econômicos de todas as regiões do Brasil.

    Em 2023, com um investimento de R$5 milhões, o programa realizou diversas rodadas de negócios alcançando um total impressionante de R$275 milhões em negócios e facilitando milhares de reuniões entre nossos empresários e centenas de compradores internacionais.

    Entretanto para 2024, o programa expandirá sua cobertura. Essa iniciativa fortalece as relações comerciais internacionais e promove o crescimento econômico regional e nacional, proporcionando novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro.

    Manejo florestal sustentável

    O manejo sustentável, permite a colheita de no máximo 8 árvores por hectare, assegurando que elas estejam maduras e tenham completado sua fase reprodutiva antes do corte. Além disso, essa técnica protege plantas jovens, “porta sementes” e espécies importantes como a castanheira e a seringueira.

    O manejo florestal sustentável é uma estratégia crucial para reduzir queimadas e combater o desmatamento ilegal. Ao garantir que móveis e outros objetos de madeira sejam produzidos legalmente e de forma sustentável, o manejo florestal contribui para a conservação ambiental e promove práticas responsáveis na cadeia produtiva da madeira.

    Perspectivas

    Assim sendo, a realização das rodadas de negócios é uma oportunidade valiosa para mostrar ao mundo que é possível combinar lucratividade com preservação ambiental. Com iniciativas como essa, o Brasil se destaca no cenário internacional, demonstrando o potencial e a importância do manejo florestal sustentável.