Tag: financiamento rural

  • Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    O Ministério da Agricultura firmou acordo com a Comissão de Valores Mobiliários para ampliar o financiamento do agro. Além disso, a parceria busca expandir o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais. Segundo o Ministério, o convênio prevê compartilhamento de conhecimento técnico e aprimoramento de diagnósticos e análises. Também inclui a formulação e disseminação de ações para ampliar o financiamento das atividades agropecuárias.

    A Secretaria de Política Agrícola coordenará o acordo, com apoio de áreas técnicas do Ministério e da CVM. Por outro lado, a Superintendência de Securitização e Agronegócio da CVM participará das ações previstas.

    O Ministério destacou que parte relevante dos recursos do agro já vem do mercado de títulos e valores mobiliários. Assim, a Pasta considera a parceria estratégica para fortalecer o setor agropecuário. O acordo terá duração inicial de dois anos, com possibilidade de prorrogação por aditivo.

    Em uma rede social, o diretor Tiago Dahdah afirmou que ampliar fontes de financiamento fortalece competitividade, inovação e sustentabilidade. Além disso, ele disse que o acordo aproxima o agronegócio do mercado de capitais. Segundo Dahdah, a iniciativa melhora diagnósticos, análises e ações voltadas ao financiamento privado. Ele também destacou a importância de novos instrumentos diante das restrições fiscais ao crédito oficial. Por fim, o diretor afirmou que o financiamento privado complementa o crédito rural e moderniza o agro brasileiro.

     

  • Coopera Paraná libera R$ 100 milhões para cooperativas agrícolas

    Coopera Paraná libera R$ 100 milhões para cooperativas agrícolas

    As inscrições para o edital de chamamento público do Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar do Paraná (Coopera Paraná) começaram nesta quarta-feira, 11 de dezembro. O programa disponibiliza R$ 100 milhões em recursos financeiros, representando o maior investimento desde sua criação e um aumento de 217% em relação à edição anterior, que destinou R$ 31,5 milhões.

    Coordenado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o programa tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar e impulsionar o cooperativismo estadual. Cooperativas e associações ligadas ao setor podem se inscrever até 1º de fevereiro de 2026.

    Investimento recorde beneficia mais organizações

    Segundo o secretário estadual da Agricultura, Marcio Nunes, o programa impacta diretamente a vida das famílias rurais. “Esse é o maior Coopera da história do Paraná. Com ele avançamos fortalecendo cooperativas, diversificando a produção e promovendo práticas que fomentam o crescimento das comunidades rurais”, afirmou.

    O secretário destacou que o fortalecimento do cooperativismo aumenta a renda dos produtores, organiza melhor as cadeias produtivas e promove desenvolvimento rural sustentável, aliando crescimento econômico à preservação ambiental.

    Valores e mudanças no edital 2025

    A coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, do Departamento de Desenvolvimento Rural (Deagro), explicou que após análise e habilitação das propostas, o programa liberará até R$ 2,2 milhões por organização com Projeto de Negócio aprovado. Na edição anterior, os valores máximos eram de R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas.

    O edital trouxe inovações importantes, incluindo “padronização de objetivos, metas e indicadores de resultado” para facilitar a elaboração dos projetos. “É importante que as pessoas leiam com cuidado o edital, prestem atenção aos formulários, aos modelos de documentos e aos prazos de cada etapa”, alertou Julian.

    O Coopera Paraná promove ações integradas entre setores público e privado, oferecendo assessoria em gestão e governança, acesso a mercados e crédito. O programa também inclui capacitação de dirigentes, técnicos e equipes administrativas, além de políticas de apoio financeiro para investimentos.

    Requisitos para participação

    Para se inscrever no edital, as organizações devem atender aos seguintes critérios:

    • Estar sediada no Paraná
    • Ter dois anos de existência com CNPJ ativo
    • Possuir Cadastro de Agricultura Familiar (CAF) ativo
    • Apresentar média de faturamento anual que não ultrapasse R$ 300 milhões nos últimos três anos

    A ampliação do limite de faturamento, que anteriormente era de R$ 40 milhões, permite que mais organizações participem do programa.

    “Desejamos apoiar organizações que apresentem Projetos de Negócio técnica e economicamente viáveis e com elevado potencial de gerar impacto positivo. Contribuindo para a geração de trabalho e renda para agricultores familiares”, explicou a coordenadora.

    Parcerias estratégicas fortalecem o programa

    O Coopera Paraná conta com importantes parceiros institucionais, incluindo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Sescoop-PR, Unicafes, Sebrae Paraná e Fetaep.

    Carmem Truite, gerente operacional de convênios no BRDE, destacou a atuação do banco no programa. “Desde sua entrada no comitê, em 2019, o BRDE adota posturas para ampliar o acesso ao crédito e abrir portas para um público que praticamente não tinha acesso ao sistema financeiro formal”, afirmou.

    O edital completo e demais informações sobre o Coopera Paraná estão disponíveis no site da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.

  • Financiamento verde impulsiona agricultura de baixo carbono em SP

    Financiamento verde impulsiona agricultura de baixo carbono em SP

    Especialistas, autoridades e produtores discutiram soluções para financiar a agricultura de baixo carbono durante o Summit Agenda SP+Verde, realizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O painel “Investimentos em Sistemas Alimentares de Baixo Carbono para um Futuro Regenerativo” integrou o palco temático de Finanças Verdes do evento.

    O debate foi moderado por Lia Palm, coordenadora de Agricultura do município de São Paulo. Ela destacou o programa Sampa+Rural, iniciativa da prefeitura que conecta agricultura urbana, periurbana e rural, turismo e alimentação saudável em uma única plataforma. O programa incentiva a criação de hortas e práticas agroecológicas, reforçando o compromisso da cidade com o desenvolvimento rural sustentável.

    Pacote estadual

    O secretário-executivo de Agricultura de São Paulo, Alberto Amorim, apresentou o pacote estadual de investimentos em agricultura de baixo carbono. Ele afirmou que o Estado se consolidou como referência nacional em agricultura regenerativa e apoio aos pequenos produtores rurais. Entre 2023 e 2025, o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) aplicou mais de R$ 800 milhões em crédito rural sustentável.

    Amorim destacou ainda as linhas de apoio do FEAP Mulher e outras subvenções voltadas à transição energética no campo. Os incentivos incluem projetos com bioinsumos, biodigestores, biogás e biometano, além da expansão de práticas agrícolas de baixo carbono.

    Do setor produtivo, a Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul (Cooperapas) participou com sua presidente, Valéria Macoratti. Ela apresentou o trabalho da cooperativa, localizada no extremo sul da capital paulista, voltada à agricultura familiar agroecológica e à proteção dos mananciais. Valéria ressaltou os desafios e avanços da comercialização coletiva e a importância das políticas públicas de apoio às pequenas propriedades.

    O painel também contou com representantes do setor privado global. Eija Hietavuo, diretora de Sustentabilidade da Tetra Pak, e Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade da MBRF, apresentaram ações empresariais voltadas a sistemas alimentares sustentáveis. Eles destacaram metas de redução de emissões, uso de materiais certificados e inovação em embalagens de baixo impacto ambiental.

    Carbono, floresta e água: integração ambiental

    O Estado de São Paulo avança na integração entre produção e conservação ambiental. Por meio do programa Integra SP, já foram alcançados 1,3 milhão de hectares com sistemas integrados de produção. A meta é expandir em mais 1 milhão de hectares até 2030, restaurando áreas degradadas e promovendo práticas regenerativas.

    Outros programas, como o PSA Berços d’Água e o Águas Rurais, já investiram R$ 18 milhões entre 2023 e 2025. As iniciativas remuneram agricultores pela proteção de mananciais e recursos hídricos. O avanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR) também foi destaque, com 198 mil cadastros validados e 16 mil hectares em recomposição de áreas de preservação e reservas legais.

    Evento reforça compromissos climáticos

    O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.

    Montado no Parque Villa-Lobos, o evento conta com cinco palcos temáticos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade e espaço gastronômico. A programação inclui debates sobre Finanças Verdes, Resiliência Urbana, Justiça Climática, Sociobiodiversidade e Transição Energética.

    Uma trilha de economia circular conecta todos os palcos e atividades da Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular. Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos debatem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo.

    No palco principal, a economia verde domina as discussões, com lideranças políticas e convidados internacionais defendendo soluções para o futuro sustentável da agricultura brasileira.

  • Plano Safra 2025/2026 investirá R$ 516,2 bilhões no agro

    Plano Safra 2025/2026 investirá R$ 516,2 bilhões no agro

    O Governo Federal lançou nesta terça-feira (1º), no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2025/2026, que destina R$ 516,2 bilhões para impulsionar a agricultura empresarial no Brasil. O valor supera em R$ 8 bilhões o montante da safra anterior e marca o maior investimento já feito no setor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, além do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participaram da cerimônia de lançamento, que reforçou o compromisso com o crescimento do agro nacional sob o slogan “Força para o Brasil crescer”.

    Crédito ampliado e foco em sustentabilidade

    O Plano Safra 2025/2026 oferece crédito para médios e grandes produtores, abrangendo operações de custeio, comercialização e investimento. As condições de financiamento variam conforme o perfil do produtor e o programa acessado. Os detalhes sobre taxas de juros e prazos estão disponíveis nas tabelas oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Foto: Ricardo Stuckert / PR

    A nova edição traz medidas inéditas para promover segurança e sustentabilidade no campo. Agora, o crédito rural de custeio agrícola exige o cumprimento das recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ampliando a exigência para operações acima de R$ 200 mil e para contratos sem Proagro. A medida busca evitar financiamentos fora dos períodos indicados e em áreas com restrições, fortalecendo a produção sustentável.

    O plano também permite financiar rações, suplementos e medicamentos adquiridos até 180 dias antes da formalização do crédito, facilitando o acesso a insumos. Além disso, produtores podem destinar recursos à produção de sementes e mudas de essências florestais, nativas ou exóticas. E investir em plantas de cobertura para proteger o solo no período de entressafra.

    Renegociação de dívidas e acesso ampliado ao Funcafé

    Para apoiar produtores que enfrentaram dificuldades em safras anteriores, o Plano Safra facilita a renegociação de dívidas, proporcionando mais flexibilidade para reorganizar passivos e manter o fluxo produtivo.

    O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) ampliou o acesso nesta edição. Agora, portanto, os beneficiários do Pronaf e do Pronamp podem acessar o fundo mesmo com contratos ativos pelo Plano Safra, fortalecendo o setor cafeeiro e ampliando as opções de crédito.

    O governo manteve a taxa de desconto de 0,5 ponto percentual nos juros do crédito rural de custeio até junho de 2026 para produtores do Pronamp e para quem investir em práticas sustentáveis. Além disso, os programas Moderagro e Inovagro foram unificados, aumentando o limite para investimentos em granjas e facilitando a modernização das estruturas.

    O subprograma RenovAgro Ambiental agora inclui ações de prevenção e combate a incêndios, além da recuperação de áreas protegidas. Assim, produtores podem financiar caminhões-pipa, carretas-pipa e mudas de espécies nativas para recompor áreas de preservação permanente e reservas legais.

    O Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) dobrou o limite de capacidade por projeto, passando de 6 mil para 12 mil toneladas. Assim, melhorando a infraestrutura de estocagem e escoamento da produção rural.

    Outra novidade é o aumento do limite de renda anual para enquadramento no Pronamp, que subiu de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões. Portanto, ampliando o acesso às condições diferenciadas do programa.

    Agro fortalecido para o futuro

    O Plano Safra 2025/2026 reforça o papel estratégico da agropecuária no desenvolvimento do Brasil. Ao ampliar o crédito, incentivar práticas sustentáveis e modernizar o campo, o governo aposta em um setor mais eficiente, competitivo e alinhado às demandas ambientais, consolidando o agro brasileiro como referência mundial.

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  • Demanda por crédito no agro ultrapassa R$ 1 trilhão

    Demanda por crédito no agro ultrapassa R$ 1 trilhão

    O agronegócio brasileiro registrou em 2024 uma demanda por crédito superior a R$ 1 trilhão, segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Esse volume reforça a importância do setor na economia nacional e evidencia a concentração histórica do acesso ao capital em grandes produtores e financiamentos tradicionais.

    Nesse cenário, as agfintechs ganham destaque ao oferecer soluções financeiras tecnológicas que atendem às necessidades específicas do campo. De acordo com o Radar Agtech Brasil 2024, elaborado pela Embrapa em parceria com SP Ventures e Homo Ludens Research, o número dessas startups cresceu 14,1% em relação a 2023, totalizando 97 empresas no país.

    Essas plataformas inovadoras disponibilizam alternativas como antecipação de recebíveis via CPR digital, crédito peer-to-peer, seguro paramétrico baseado em dados climáticos e sistemas integrados de gestão financeira e de risco. Tais soluções beneficiam desde pequenos produtores familiares até grandes cooperativas agroindustriais, promovendo um acesso ao crédito mais descentralizado e inclusivo.

    Mercado de capitais e investimento coletivo no agro

    O mercado de capitais também se aproxima do setor rural como fonte alternativa de financiamento. A Resolução CVM 88 está vigente desde 2022. Ela permite ofertas públicas de até R$ 15 milhões por meio de plataformas reguladas de investimento coletivo. Como a Arara Seed, pioneira no Brasil focada em agro, food e climate tech.

    Essa regulamentação possibilitou a criação de instrumentos financeiros pulverizados, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Notas Comerciais lastreadas em recebíveis rurais e CPRs, democratizando o acesso ao capital para startups, pequenas empresas e produtores que antes tinham dificuldade de financiamento.

    Investimentos sustentáveis e impacto no agro

    A nova geração de investidores busca não apenas rentabilidade, mas também impacto socioambiental. Projetos voltados para agricultura regenerativa, descarbonização, rastreabilidade de alimentos e soluções climáticas atraem tanto investidores institucionais quanto pessoas físicas.

    Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, destaca: “O desafio do agro hoje é inovar com responsabilidade, rastreabilidade e menor impacto ambiental. Isso abre espaço para investimentos descentralizados e alinhados aos valores do investidor moderno.”

    O futuro do agronegócio brasileiro está ligado a investimentos bilionários em tecnologias. Entre elas, inteligência artificial aplicada ao campo, biológicos, monitoramento climático, agroflorestas e plataformas digitais de crédito e seguro rural.

    Com sua diversidade de biomas e vocação agrícola, o Brasil tem potencial para liderar a transição global para um modelo produtivo mais eficiente e tecnológico. Além, é claro, sustentável. Galvani conclui: “Com um ecossistema em expansão e demanda reprimida por crédito, o agro brasileiro é um dos setores mais promissores para quem busca unir impacto e retorno financeiro.”

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  • Tributação sobre LCAs preocupa setor agro

    Tributação sobre LCAs preocupa setor agro

    A decisão do governo federal de tributar em 5% os rendimentos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) gerou forte preocupação no setor agropecuário brasileiro. A medida está prevista para entrar em vigor a partir de 2026. E pode impactar diretamente o financiamento rural, afetando um mercado que movimenta mais de R$ 560 bilhões e era, até então, isento de impostos para investidores pessoas físicas.

    As LCAs foram criadas para incentivar o investimento no agronegócio, oferecendo isenção fiscal como atrativo para captar recursos privados. Atualmente, esses títulos representam entre 35% e 43% de todo o financiamento privado do crédito rural no país. Portanto, sendo essenciais para operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização da produção agropecuária, especialmente entre cooperativas e produtores de pequeno e médio porte.

    Com a nova taxação, especialistas e entidades do setor alertam para a possível redução da atratividade das LCAs. O que pode diminuir a oferta de crédito e elevar o custo do financiamento agrícola. Isso tende a dificultar o acesso ao crédito, principalmente para pequenos e médios produtores, que já enfrentam barreiras burocráticas e financeiras.

    “Essa decisão compromete o acesso ao crédito de muitos produtores, especialmente os pequenos e médios. Se o volume de recursos disponíveis cai e o custo sobe, o impacto será sentido na lavoura, no mercado e no prato do brasileiro”, afirma Romário Alves, CEO da Sonhagro.

    Justificativa do governo e reação do setor

    O governo justifica a medida como necessária para aumentar a arrecadação e corrigir distorções fiscais, buscando equilibrar o sistema tributário após o recuo no aumento do IOF. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirma que a proposta visa tornar o sistema mais justo. Enquanto o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, minimiza o impacto sobre a agricultura familiar. Ele alega que as LCAs não são uma fonte significativa de crédito para esse segmento.

    Entidades do agronegócio, como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), criticam fortemente a medida. E destacam que ela pode encarecer o crédito rural, reduzir a liquidez, afastar investidores e até pressionar os preços dos alimentos para o consumidor final.

    Queda nas liberações de crédito rural agrava cenário

    O cenário já é de alerta: o crédito rural do Plano Safra 2024/25 somou R$ 298,6 bilhões entre julho de 2024 e abril de 2025, uma retração de 20% em relação ao ciclo anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A redução no volume desembolsado reflete maior cautela das instituições financeiras e exige planejamento financeiro redobrado dos produtores.

    A distribuição dos recursos até abril foi de R$ 142,7 bilhões para custeio, R$ 52,2 bilhões para investimento, R$ 35,5 bilhões para comercialização e R$ 15,9 bilhões para industrialização. A queda nas liberações dificulta especialmente o acesso de pequenos e médios produtores ao financiamento necessário para suas atividades produtivas.

    Planejamento e alternativas ganham destaque

    Com a perspectiva de crédito mais caro e escasso, o planejamento financeiro torna-se ainda mais importante. Especialistas recomendam que produtores antecipem a captação de recursos para garantir melhores condições de negociação. E, além disso, evitar pressões no momento de contratar insumos, fretes e seguros.

    Empresas de agfintech, como a Agree e a Sonhagro, têm registrado aumento na procura por linhas de crédito personalizadas e consultorias financeiras, oferecendo soluções digitais e menos burocráticas para conectar produtores e investidores, mesmo diante do cenário de incerteza.

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  • Espírito Santo registra recorde histórico em crédito rural

    Espírito Santo registra recorde histórico em crédito rural

    O Espírito Santo alcançou um novo patamar no agronegócio ao registrar um crescimento de 23,6% nas operações de crédito rural durante os primeiros 11 meses da safra 2024/2025. O volume aplicado chegou a R$ 8,1 bilhões entre julho de 2024 e maio de 2025, estabelecendo um recorde estadual e contrastando com a retração de 14,4% observada na média nacional no mesmo período. Os dados são da Gerência de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), com base em informações do Banco Central.

    O resultado representa um acréscimo de R$ 1,5 bilhão em relação ao ciclo anterior (2023/2024), quando o total aplicado foi de R$ 6,6 bilhões. No total, foram realizadas 41,9 mil operações de crédito rural, um avanço de 9,5% em comparação às 38 mil operações do período anterior.

    Políticas públicas e parcerias fortalecem o setor

    O Plano de Crédito Rural do Espírito Santo para a safra 2024/2025, lançado em julho de 2024, impulsionou o desempenho expressivo da produção agrícola no estado. A iniciativa reúne esforços dos governos estadual e federal em parceria com instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa, Banestes, Sicoob, Sicredi, Cresol e Banco do Nordeste. O plano está alinhado ao Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag 4 – 2023/2032), que visa alcançar R$ 12 bilhões em crédito rural anual até 2032.

    Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli. “O Espírito Santo tem mostrado que é possível crescer com segurança e planejamento, mesmo diante de um cenário nacional adverso. O aumento nas aplicações comprova que nossos produtores estão confiantes e encontram no Estado um ambiente favorável para investir”.

    Distribuição e crescimento das modalidades de crédito rural

    O crédito rural no Espírito Santo foi destinado a diferentes finalidades, com destaque para:

    Custeio: crescimento de 23,1%, saltando de R$ 2,7 bilhões para R$ 3,4 bilhões. O custeio cobre despesas do ciclo produtivo, do beneficiamento ao armazenamento.

    Investimento: alta de 20,7%, passando de R$ 2,1 bilhões para R$ 2,6 bilhões, destinado a reformas, construções, irrigação e compra de equipamentos.

    Comercialização: expansão de 29,8%, de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,1 bilhões, auxiliando na venda dos produtos.

    Industrialização: redução de 10%, de R$ 79,2 milhões para R$ 71,3 milhões, voltado à transformação de produtos agropecuários.

    Na composição do valor total aplicado, o custeio representa 41,1%, o investimento 31,7%, a comercialização 26,3% e a industrialização 0,9%.

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  • Projeto amplia financiamento para agricultores familiares da Região Norte

    Projeto amplia financiamento para agricultores familiares da Região Norte

    A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro, um projeto de lei que pode ampliar o acesso a financiamentos para agricultores familiares da Região Norte. A proposta permite que produtores rurais que ocupam terras públicas de forma precária possam acessar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). Ela segue em análise na Câmara.

    Deputado Zezinho Barbary, relator do projeto de lei. Foto Myke Sena/Câmara dos Deputados

    O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Zezinho Barbary (PP-AC), ao Projeto de Lei 3421/23, de autoria do deputado Lucio Mosquini (MDB-RO). O relator ajustou a proposta, que modifica a Lei dos Fundos Constitucionais, para incluir os agricultores familiares que não possuem a titularidade das terras. Desde que eles possam comprovar a ocupação por meio de documentos como a Carta de Anuência ou o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural, emitidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

    Facilitação de crédito para o desenvolvimento regional

    Atualmente, para acessar os recursos do FNO, os agricultores precisam atender aos requisitos da Lei da Agricultura Familiar e comprovar a titularidade do imóvel rural. Com a nova proposta, essa exigência pode ser flexibilizada, beneficiando centenas de famílias que enfrentam dificuldades para obter financiamentos. “Haverá uma alternativa para que o FNO possa contemplar centenas de famílias”, destacou Zezinho Barbary. O deputado Lucio Mosquini reforçou a importância da medida, lembrando os desafios enfrentados pelos agricultores para acessar recursos de custeio.

    Os recursos do FNO, provenientes de parte da arrecadação federal (Imposto de Renda e IPI), são destinados a investimentos em infraestrutura, equipamentos, capital de giro e custeio. E tem  o objetivo de promover o avanço econômico e social da Região Norte.

    Próximas etapas

    O projeto segue em caráter conclusivo e ainda passa por análise das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal precisam aprová-lo.

    A medida representa um avanço significativo para fortalecer a agricultura familiar na Amazônia, uma região essencial para a economia e a preservação ambiental do país. Com a ampliação do acesso ao crédito, espera-se impulsionar o desenvolvimento sustentável e melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais da Região Norte.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

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