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  • Artigo: o diesel e a opção por ferrovias

    Artigo: o diesel e a opção por ferrovias

    O Brasil ainda apresenta uma forte dependência para com o transporte rodoviário. Nessa modalidade de transporte, o principal veículo é o caminhão, movido majoritariamente a diesel.

    Essa dependência torna o sistema econômico brasileiro mais vulnerável a oscilações no preço do combustível. Discute-se a diversificação da matriz energética, com o uso de outros combustíveis e tecnologias mas, no transporte de cargas, esse movimento ainda avança lentamente, sobretudo no curto prazo.

    A dependência do Brasil de importações de diesel tem variado ao longo do tempo, mas existe um padrão relativamente claro nos últimos anos: de forma geral, entre 20% e 30% do diesel consumido no país é importado.

    E por que o Brasil importa diesel? Mesmo sendo um importante produtor de petróleo (via Petrobras), o país ainda precisa importar por alguns motivos estruturais. Incluindo o fato de as refinarias brasileiras não produzirem diesel suficiente para atender a toda a demanda do mercado interno. O petróleo brasileiro (pré-sal) nem sempre é ideal para maximizar a produção de diesel sem ajustes/refino mais complexo (o que poderia significar custos mais expressivos, se comparados com as despesas de se importar de países como os Estados Unidos e a própria Rússia).

    Investimentos

    Para o médio e longo prazos, tem-se reforçado a necessidade de investimentos em outras modalidades de transporte, como ferrovias, hidrovias e cabotagem. São investimentos estruturais, de maior prazo, mas que podem contribuir para uma logística mais eficiente e menos dependente do diesel.

    Particularmente com relação às ferrovias brasileiras, a maioria delas também se utiliza do diesel, tendo em vista o baixo nível de eletrificação (menos de 2% da malha). Mesmo sendo diesel, muitas locomotivas são diesel-elétricas: o motor a combustão gera eletricidade que alimenta motores elétricos nas rodas.

    De qualquer forma, seria de se esperar uma maior economia com o consumo de diesel a partir do crescimento do uso de ferrovias? A partir da contabilização da chamada eficiência energética (tonelada-km por litro), além da economia a partir do uso da ferrovia, tem-se a confirmação daquela velha premissa que “um comboio ferroviário pode vir a substituir dezenas de caminhões”. A malha ferroviária brasileira é ainda incipiente em termos de capilaridade. Mas mesmo se houvesse algo em torno de 5% a 10% de incremento no uso dessa modalidade, já poderiam ser observados impactos relevantes no consumo nacional de diesel.

    A ferrovia não só seria uma opção mais eficiente, mas também estrategicamente importante para se reduzir importação de diesel.

    Diversificação

    Para o mundo em geral, há previsões de expansão contínua da eletrificação e até uso de hidrogênio e baterias. Para o Brasil, têm sido analisados cenários futuros com predomínio do diesel, mas com discussões sobre eletrificação em corredores estratégicos (especialmente para exportação).

    Implicações logísticas  bem significativas  dão conta de que a dependência de importação continuará a impactar o custo do frete (rodoviário e ferroviário diesel). E a afetar as taxas de inflação (combustível influencia alimentos e transporte), o que certamente atestaria a vulnerabilidade do País a choques internacionais.

    José Vicente Caixeta Filho ([email protected]) é ex-diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e consultor na empresa cAIxeta Inteligência Logística
  • Exportações de milho e soja pelo Arco Norte crescem 57% 

    Exportações de milho e soja pelo Arco Norte crescem 57% 

    As exportações de milho e soja pelos portos do Arco Norte registraram alta de 57% entre 2020 e 2024, impulsionadas por investimentos em infraestrutura multimodal. Segundo dados do Anuário Agrologístico 2025, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume escoado saltou de 36,7 milhões de toneladas para 57,6 milhões de toneladas nesse período. O aumento reflete a consolidação da região Norte como rota estratégica para o agronegócio brasileiro. Especialmente pela proximidade com as novas fronteiras agrícolas do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

    O presidente da Conab, Edegar Pretto, destacou que o Brasil avança para uma nova configuração logística no setor agroindustrial, com o fortalecimento das rotas do Arco Norte, a ampliação da capacidade de armazenagem e a integração dos modais ferroviário e hidroviário. “Esses pilares são fundamentais para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global”, afirmou.

    Em 2024, os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e os terminais do Arco Norte — como Itaqui (MA), Barcarena (PA) e Santarém (PA) — concentraram 81,2% das exportações nacionais de soja e milho. Desse total, 38% saíram pela região Norte. De acordo com o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, a redução no custo dos fretes e a proximidade entre áreas produtoras e portos incentivam o uso da rota. Especialmente com a crescente interiorização de fertilizantes.

    Destaques

    Entre os terminais do Arco Norte, Itaqui e Barcarena se destacaram pelos maiores crescimentos. As exportações de milho e soja por Itaqui subiram de 11,21 milhões de toneladas em 2020 para 20,22 milhões em 2024 — um aumento de 80,3%. Em Barcarena, o salto foi de 70,3% no mesmo período. Segundo Arnoldo de Campos, diretor de Operações e Abastecimento da Conab, o crescimento se deve, sobretudo, ao fortalecimento do transporte ferroviário. Com cargas oriundas de diversos estados sendo escoadas de forma mais ágil e segura.

    Atualmente, cinco grandes projetos estruturantes formam o eixo central do plano ferroviário nacional. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), o prolongamento da Ferrovia Norte-Sul até o porto de Vila do Conde (PA), o Anel Ferroviário do Sudeste (entre Vitória e Itaboraí) e a Ferrogrão, planejada para conectar o Centro-Oeste ao Pará por 933 quilômetros.

    Hidrovias

    Além das ferrovias, as hidrovias têm ganhado protagonismo na logística agrícola. De 2017 a 2025, o número de armazéns com acesso hidroviário cresceu 24%. Com destaque para a região Amazônica, responsável por quase dois terços do transporte fluvial do país. Assim, nessa região, os rios desempenham papel semelhante ao das rodovias e ferrovias em outras partes do território brasileiro.

    Para fortalecer ainda mais essa matriz sustentável, o governo federal anunciou, no início de 2025, investimentos de R$ 4,8 bilhões nas hidrovias, por meio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A medida busca ampliar a navegabilidade e reduzir os custos logísticos, contribuindo também para a meta de descarbonização. Estudo conjunto da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e do Instituto Energia e Meio Ambiente (Iema) mostra que o transporte hidroviário emite 95% menos carbono do que o rodoviário e 70% menos do que o ferroviário. Ou seja, mais sustentável.

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