Pequenos criadores rurais ganham mais opções para alimentar seus rebanhos. A Lei 15.490/26, sancionada pela Presidência da República, amplia a lista de produtos disponíveis no Programa de Venda em Balcão (ProVB).
Até então, o programa oferecia apenas milho aos pequenos criadores. Com a mudança, a lista passa a incluir também sorgo, caroço de algodão, farelo de soja, farelo de milho e outros insumos usados na alimentação animal.
Como funciona a compra pela Conab
A nova lei amplia o rol de produtos que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) pode comprar para revender pelo ProVB. Com isso, a estatal facilita o acesso dos pequenos criadores aos estoques públicos que administra.
pequenos criadores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo;
pequenos criadores sem o cadastro que atendam aos limites de renda do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e explorem imóvel rural de até 10 módulos fiscais; e
cooperativas agropecuárias e associações de agricultores familiares com CAF ativo.
Conab pode pagar até 25% acima do preço mínimo
A lei também altera a Lei 8.171/91 e cria leilões públicos para formar estoques de produtos agrícolas. Por meio desses leilões, a Conab poderá comprar de produtores rurais e cooperativas produtos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) pagando até 25% acima do preço mínimo estabelecido.
A estatal também ganha autorização para vender estoques públicos diretamente a ações de abastecimento e segurança alimentar, incluindo pequenas empresas, associações e cooperativas.
Limites de compra e novas regras de gestão
O limite mensal de compra continua em 27 toneladas para pequenos criadores e sobe para até 80 toneladas no caso de cooperativas e associações.
Por outro lado, a lei extingue o teto anual de 200 mil toneladas para as compras do ProVB. A partir de agora, o Poder Executivo definirá o volume a cada ano, conforme a disponibilidade orçamentária e financeira.
A gestão do programa também muda: os ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, da Agricultura e Pecuária e da Fazenda passam a exercer juntos as competências relacionadas ao ProVB.
Origem da lei
A nova legislação tem origem no Projeto de Lei 1384/11, apresentado pelo ex-deputado e atual senador Beto Faro (PT-PA). A Câmara dos Deputados aprovou o texto em maio e o Senado, em agosto.
A demanda global por farelo de soja impulsionou as cotações no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados são do Cepea. No mercado brasileiro, a disputa entre compradores internos e externos ganhou força. Com isso, os prêmios de exportação e os preços FOB avançaram.
Além disso, a valorização do farelo elevou os preços da soja no mercado interno. Segundo os pesquisadores do Cepea, a maior oferta mundial de soja limitou altas mais expressivas do grão. Ainda assim, a expectativa de crescimento da demanda internacional pelo farelo mantém o mercado aquecido.
A Argentina segue como principal exportadora mundial de derivados de soja. No entanto, o USDA destaca o avanço das exportações de farelo do Brasil e dos Estados Unidos.
Preços do milho oscilam entre regiões produtoras
Os preços do milho registram comportamentos diferentes nas regiões acompanhadas pelo Cepea. Em algumas praças, as cotações subiram devido à retração de vendedores. Além disso, o ritmo inicial da colheita da segunda safra permaneceu lento.
Por outro lado, os preços recuaram em regiões produtoras. Nesses locais, o avanço da colheita ampliou a oferta do cereal.
Parte dos consumidores continua atenta às oportunidades de compra. Outros adquiriram volumes no início da semana passada para reforçar os estoques. Mesmo assim, esses compradores aguardam maior disponibilidade de milho nas próximas semanas. A expectativa é de queda dos preços no mercado interno.
Enquanto isso, produtores paulistas mantêm postura cautelosa. Eles esperam o avanço da colheita para negociar volumes maiores.
O Brasil exportou mais de 240 milhões de toneladas de soja para a China entre 2021 e 2025, somando apenas os primeiros sete meses de cada ano. O volume explica como um único grão conecta cozinhas chinesas, fazendas brasileiras e decisões de segurança alimentar em Pequim.
A China transformou sua economia nas últimas cinco décadas. O país saiu de uma sociedade rural e pobre para se tornar a segunda maior economia do planeta. Mais de 300 milhões de pessoas entraram na classe média, enquanto cerca de 200 milhões deixaram as fazendas e migraram para cidades entre 2007 e 2017.
Essa migração urbana mudou os hábitos alimentares. A população trocou a dieta tradicional de arroz e vegetais por refeições com mais carne, ovos, leite, óleo de soja e alimentos processados. A soja brasileira ocupa papel central nessa transformação.
A China possui mais de 1,4 bilhão de habitantes. Cada refogado diário exige óleo na panela, proteínas e ingredientes processados que dependem da soja.
O país usa soja de duas formas distintas. A produção interna, com grãos de maior teor proteico, atende o consumo direto em óleo de cozinha, tofu, bolinhos secos e receitas tradicionais milenares.
A soja brasileira segue outro caminho. Indústrias de esmagamento transformam o grão em óleo e farelo. O óleo vai para cozinhas e indústrias, mas o farelo rico em proteína alimenta a cadeia de ração que engorda porcos, frangos e bovinos.
Farelo de soja sustenta 56 milhões de toneladas de carne
A China consome mais de 56 milhões de toneladas de carne por ano. Mais da metade vem apenas da carne suína. Levar um porco até o abate exige cerca de 300 quilos de ração.
Entre 2018 e 2020, a peste suína africana devastou o rebanho chinês. Aproximadamente 225 milhões de porcos morreram, a oferta de carne despencou e os preços dispararam.
O governo chinês respondeu com fazendas verticais. Prédios de vários andares, totalmente automatizados, criam porcos com máximo controle e eficiência. Essas estruturas exigem ração em volume ainda maior e com regularidade absoluta.
O consumo de frango continua crescendo. A carne bovina, antes símbolo de status raramente acessível, passa por expansão com projeções de mercado acima de US$ 120 bilhões até 2030. Em todos os segmentos, o farelo de soja brasileira funciona como elo invisível.
Produção interna não acompanha apetite da classe média
Nos anos 1990, a China se aproximou da autossuficiência em soja. O cenário mudou a partir dos anos 2000, quando o consumo de carne, óleo e alimentos industrializados cresceu mais rápido que a capacidade de plantar.
O país produz entre 20 e 30 milhões de toneladas de soja por ano, mas consome cerca de 120 milhões. Mais de 80% da soja necessária vem de importações, transformando o grão em questão de segurança alimentar nacional.
Guerra comercial muda rotas e consolida Brasil como fornecedor
Os Estados Unidos lideraram o fornecimento de soja para China durante muito tempo. O Brasil cresceu abrindo áreas no Cerrado e investindo em tecnologia, mas a virada veio em 2018.
A guerra comercial entre China e Estados Unidos trouxe tarifas, sanções e desconfiança. A China decidiu reduzir a dependência de um único fornecedor e acelerou compras no Brasil.
Hoje, mais de 70% da soja importada pelos chineses sai de portos brasileiros. A China também busca diversificar com volumes da Argentina, Paraguai, Tanzânia e até retorno gradual às compras nos Estados Unidos, numa tentativa de diluir riscos.
Soja redesenha interior brasileiro e expõe gargalos
A parceria impulsionou o agronegócio brasileiro e redesenhou cidades do interior. Municípios como Canarana, Água Boa e outras cidades do Vale do Araguaia, no Mato Grosso, se fortaleceram como polos de produção, serviços e logística.
Cada safra movimenta caminhões em estradas congestionadas, forma filas em portos e expõe déficit de armazenagem superior a 80 milhões de toneladas. Produtores vendem rápido por falta de espaço para estocar.
O país enfrenta gargalos em ferrovias que deveriam ligar o Mato Grosso a portos como Paranaguá e Barcarena com mais eficiência. A estrutura incompleta aumenta custos internos, pressiona fretes e limita a capacidade de capturar todo o valor possível do grão.
Super ciclo cria dependência bilateral perigosa
O movimento atual se encaixa no super ciclo das commodities. Períodos longos em que demanda elevada e preços altos de matérias-primas como soja, petróleo, minério e cobre impulsionam países produtores.
Foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar
Dois terços de toda a soja comercializada no mundo têm como destino a China. A cada três grãos exportados, dois acabam em território chinês. Se uma rota é interrompida, se uma safra quebra ou se uma guerra afeta o caminho entre portos brasileiros e chineses, o impacto atinge o mercado global.
Sem a China, o Brasil exportaria muito menos. Campo, arrecadação e PIB encolheriam. Sem o Brasil, a China produziria menos carne e teria dificuldade para manter estável o consumo de proteína da população urbana.
Brasil precisa agregar valor e reduzir vulnerabilidade
O desafio brasileiro é não se acomodar na posição de fornecedor bruto. Especialistas recomendam investir em logística, armazenagem, ferrovias, portos e tecnologia para reduzir gargalos internos e elevar a margem dos produtores.
Outra frente é agregar valor. Em vez de exportar apenas grão, o país pode ampliar a venda de óleo de soja, farelo e derivados industriais. Fortalecer a produção de carnes e outros produtos que incorporem a soja como insumo captura uma fatia maior da renda que hoje fica na transformação feita em outros países.
Para a China, o objetivo estratégico é garantir que comida nunca se transforme em arma política. Isso explica a busca por novos parceiros e estoques estratégicos, mantendo o Brasil no centro do tabuleiro.
O que fazer com toneladas de farelo de soja que sobram depois da extração do óleo? E com as cascas das amêndoas de cacau, aquelas fibras que cheiram a chocolate mas acabam no lixo? Pesquisadores da Unicamp encontraram respostas para essas perguntas. E elas envolvem ondas ultrassônicas, alta pressão e zero desperdício.
No Laboratório Multidisciplinar de Alimentação e Saúde da universidade, uma equipe liderada pelo engenheiro de alimentos Pedro Henrique Santos desenvolveu um método que extrai isoflavonas do farelo de soja de forma completamente sustentável. As isoflavonas são compostos que a indústria usa em suplementos, cosméticos e alimentos funcionais por seus benefícios à saúde: combatem doenças cardiovasculares, ajudam no controle da diabetes, tem ação anticancerígena e ainda aliviam sintomas da menopausa.
Adeus aos solventes tóxicos
O problema é que os métodos tradicionais para extrair essas substâncias usam solventes químicos prejudiciais ao meio ambiente e demoram horas pra completar o processo. “Nossa pesquisa buscou resolver essa questão aplicando uma tecnologia inovadora”, explica Santos. A solução? Combinar solventes ecológicos sob alta pressão com ondas ultrassônicas que intensificam a extração.
Mas os cientistas foram além. Depois de extrair as isoflavonas, eles aplicaram uma enzima que quebra essas moléculas em pedaços menores, genisteína e daidzeína, que o corpo humano absorve muito mais facilmente. É como transformar um pedaço grande de pão em migalhas: fica mais fácil de digerir.
“A junção das duas etapas resultou em um extrato totalmente rico em isoflavonas já na forma ativa, em menos tempo do que os métodos tradicionais e de maneira 100% sustentável”, destaca o pesquisador. E tem mais: o farelo que sobra mantém seu alto teor de proteína, podendo virar ração animal ou suplemento proteico vegetal. Dois produtos nobres a partir de um único resíduo.
Cascas de cacau viram ouro
Enquanto parte da equipe se dedicava à soja, outros pesquisadores do mesmo laboratório olharam pra um subproduto igualmente negligenciado: as cascas das amêndoas de cacau. “Elas lembram os nibs de cacau, com um cheiro extremamente parecido, mas são muito fibrosas, por isso normalmente são descartadas”, conta Felipe Sanchez Bragagnolo, engenheiro de processos e biotecnologia.
O material, descobriram os cientistas, esconde compostos valiosos para as indústrias de alimentos e cosméticos. Pra extrair essas substâncias, a equipe, que contou com colaboradores da Espanha e da Austrália, usou um equipamento que trabalha com pressões muito superiores às de uma panela de pressão comum.
Nesse sistema, água e etanol (solventes seguros) passam pelas cascas e retiram os compostos de interesse. Depois, a solução entra num “filtro inteligente” que separa tudo conforme afinidade química: o que “gosta” mais de água sai nas frações aquosas; o que “prefere” etanol aparece nas frações alcoólicas.
Frações puras para indústrias exigentes
O resultado impressiona. Os pesquisadores conseguiram obter uma fração rica em teobromina (principal composto das cascas), seguida por outra cheia de cafeína e uma última repleta de compostos fenólicos. Tudo separadinho, purinho.
“Os achados podem ser empregados em diferentes abordagens”, explica Bragagnolo. Uma aplicação imediata é no controle de qualidade da matéria prima.Agora é possível verificar em menos etapas o que há e quanto há no material vegetal. Outra possibilidade mais específica envolve o uso dirigido das frações.
Se uma indústria quiser usar teobromina num produto, por exemplo, basta ampliar a escala do processo pra obter uma fração enriquecida e mais pura desse composto, extraído diretamente das cascas que antes iriam pro lixo.
Economia circular na prática
Os dois estudos demonstram como resíduos agroindustriais podem se transformar em matérias-primas valiosas. Com tecnologias limpas, processos mais rápidos e produtos de alto valor agregado, a pesquisa da Unicamp mostra um caminho viável pra economia circular no Brasil.
E o melhor: tudo isso sem comprometer o meio ambiente. Nada de solventes tóxicos, nada de desperdício. Só ciência brasileira fazendo o que faz de melhor, encontrar soluções inteligentes pros nossos desafios.
Citros: demanda mais fraca derruba preço da laranja de mesa
Os preços da laranja de mesa, que vinham em alta devido ao bom consumo, caíram nesta semana, segundo levantamento do Cepea.
Os dados apontam média de R$ 61,47/caixa (40,8 kg, na árvore) para a laranja pera, recuo de 0,19% em relação à semana anterior.
Segundo pesquisadores, a interrupção da alta reflete consumidores que aguardaram o salário e reduziram as compras — o que levou os barracões a diminuírem pedidos.
Frango: poder de compra frente ao farelo de soja atinge recorde
O avicultor paulista registrou o melhor poder de compra desde o início da série histórica, conforme o Cepea.
Esse avanço se deve à estabilidade dos preços do frango vivo e à queda dos preços do farelo de soja — insumo dominante na alimentação.
Ovos: cotações fecham outubro no menor nível do ano
As cotações dos ovos encerraram outubro com recuos marcantes em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.
Em Bastos (SP), as médias mensais dos ovos brancos e vermelhos atingiram o menor nível desde novembro/24, em termos reais.
Pesquisadores apontam excesso de oferta aliado à demanda enfraquecida como os principais fatores.
O poder de compra dos avicultores de São Paulo frente ao farelo de soja atingiu recorde histórico em outubro, segundo o Cepea. O indicador considera toda a série iniciada em julho de 2004.
De acordo com o Centro de Pesquisas, o resultado mostra que o setor avícola nacional reagiu com eficiência após o caso de gripe aviária registrado em maio, no Rio Grande do Sul. O cumprimento rigoroso dos protocolos sanitários permitiu uma recuperação rápida e consistente.
Em outubro, o vendedor de um quilo de frango vivo no estado conseguiu comprar 3,85 quilos de farelo de soja. O volume é 10% maior que o de setembro e 49,3% superior ao de outubro de 2024, em termos reais, com deflação pelo IGP-DI de setembro de 2025.
Os pesquisadores do Cepea explicam que o cenário favorável ao produtor está ligado à forte valorização do frango vivo no mercado interno e à queda nas cotações do farelo de soja.
Com preços em patamares pré-gripe aviária, a avicultura paulista demonstra resiliência e competitividade, reforçando a recuperação do setor no pós-crise sanitária.
A demanda global por farelo de soja aumentou na última semana e impulsionou os preços futuros na Bolsa de Chicago (CME Group).
Segundo o Cepea, a valorização internacional estimulou as negociações do derivado no Brasil. O movimento atraiu compradores, inclusive aqueles com estoques maiores, interessados em firmar novos contratos “frame”, que envolvem prazos médios e longos de entrega.
Enquanto isso, o mercado de soja em grão manteve baixa liquidez. Produtores concentraram-se nas atividades de campo e permaneceram atentos ao déficit hídrico em regiões do Sudeste e do Centro-Oeste.
Mesmo com as chuvas das últimas semanas, que favoreceram o avanço dos trabalhos, produtores relatam que o solo ainda precisa de mais umidade para garantir boas condições de plantio.
O suinocultor de São Paulo registra o momento mais favorável em mais de duas décadas na compra de farelo de soja. O levantamento do Cepea mostra que, em setembro, o produtor de Campinas comprou 5,57 quilos de farelo com a venda de um quilo de suíno vivo.
Esse é o maior volume desde dezembro de 2004, quando a relação de troca chegou a 6,49 quilos, segundo o Cepea. O poder de compra atual está 54% acima da média da série histórica iniciada em janeiro de 2004, de 3,62 quilos.
O preço firme do suíno vivo contribuiu para esse resultado. Em setembro, o animal registrou média de R$ 9,25 por quilo, o maior valor de 2025.
Além disso, a forte queda do farelo de soja favoreceu os produtores. A tonelada do derivado em Campinas custou, em média, R$ 1.660,53. Esse valor representa queda de 21,7% em relação a setembro de 2024, segundo levantamento da equipe de grãos do Cepea.
Os preços do frango no atacado da Grande São Paulo caíram com força em junho. Segundo o Cepea, a retração mensal foi a mais intensa dos últimos 18 anos.
O frango inteiro resfriado teve média de R$ 7,50/kg em junho. O valor representa queda de 13,4% frente ao registrado em maio. A média mensal real foi a menor desde setembro de 2024, considerando o IPCA de maio de 2025.
A forte desvalorização teve início após o caso inédito de gripe aviária em uma granja comercial de Montenegro (RS), confirmado em 15 de maio. O episódio impactou as exportações brasileiras de carne de frango.
Na segunda quinzena de maio e nas primeiras semanas de junho, os preços despencaram. Parceiros comerciais do Brasil impuseram restrições às importações da proteína.
Contudo, em 18 de junho, o Brasil voltou a ser reconhecido como livre da doença. A certificação internacional renovou o otimismo entre os agentes do setor.
Após a reabilitação sanitária, o Cepea detectou reações positivas nos preços da carne de frango em várias regiões. Apesar disso, os reajustes ainda não compensaram as perdas expressivas acumuladas no início do mês.
Poder de compra do avicultor melhora em junho
O poder de compra do avicultor paulista avançou em junho frente ao milho e ao farelo de soja. Os dados são do Cepea. Mesmo com a leve queda nos preços dos ovos, os custos dos principais insumos recuaram ainda mais no período.
Em Bastos (SP), o ovo branco tipo extra caiu 1,5% em junho, com média de R$ 164,43 por caixa de 30 dúzias. O ovo vermelho na mesma região registrou queda de 1,6%, com média de R$ 184,84 por caixa.
Já o milho teve desvalorização de 7%, fechando o mês a R$ 68,15/saca de 60 kg na região de Campinas (SP). O farelo de soja caiu 4,9%, com média de R$ 1.705,25 por tonelada. Segundo o Cepea, o cenário favoreceu o avicultor de postura, que ganhou fôlego na relação de troca com os insumos.
A Bunge, uma das líderes globais nos setores de alimentos e agronegócios, fez uma doação de 10 toneladas de farelo de soja à Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.). Essa iniciativa visa auxiliar os apicultores do Rio Grande do Sul, que enfrentaram perdas significativas devido às enchentes recentes. As condições climáticas adversas impediram que muitos enxames estocassem a quantidade necessária de alimentos para sobreviver ao inverno.
O farelo de soja, que será combinado com açúcar, alimentará os polinizadores até que a vegetação local se recupere. Esta doação integra o projeto Semêa, desenvolvido pela Fundação Bunge, que foca na agricultura de baixo carbono e em práticas regenerativas, promovendo a preservação do solo, da floresta e da água.
Impacto das enchentes na apicultura
Um levantamento da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), revelou que cerca de 17 mil colmeias foram destruídas durante as enchentes de maio de 2024. Esse número não inclui as colmeias parcialmente atingidas ou aquelas em risco devido à falta de alimentos. O que pode elevar a estimativa de perdas para cerca de 35 a 40 mil colmeias.
A escassez de abelhas pode ter consequências graves para a polinização de diversas plantas, afetando a produção agrícola de culturas como maçã e melancia, além de reduzir a produtividade de grãos.
Conheça a A.B.E.L.H.A.
A Associação Brasileira de Estudos das Abelhas tem como missão liderar a criação de uma rede em prol da conservação das abelhas e outros polinizadores. A entidade busca reunir, produzir e divulgar informações científicas que visem à conservação da biodiversidade brasileira. E também à convivência sustentável entre a agricultura e os polinizadores.
Com esta doação, a Bunge reafirma seu compromisso com a sustentabilidade e a agricultura. E contribui para a recuperação de um setor vital para a produção de alimentos no Brasil. Essa ação não apenas apoia os apicultores, mas também destaca a importância das abelhas na polinização e na segurança alimentar do país.