Tag: Embrapa

  • Hortitec reúne inovações para o futuro da horticultura

    Hortitec reúne inovações para o futuro da horticultura

    A Hortitec 2026 reunirá 520 empresas brasileiras e estrangeiras para apresentar soluções voltadas à horticultura, cultivo protegido e culturas intensivas. O evento ocorrerá entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP).

    A organização espera receber cerca de 32 mil visitantes. Além disso, a feira projeta movimentar R$ 750 milhões em negócios durante e após o evento.

    As empresas levarão ao público tecnologias voltadas à automação, sustentabilidade, produtividade, rastreabilidade e saudabilidade. Essas áreas concentram os principais desafios enfrentados pelos produtores de hortifrúti no Brasil.

    De olho no consumidor

    O setor também acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Atualmente, cresce a procura por alimentos saudáveis, nutritivos e práticos para o dia a dia. Por isso, produtos frescos, higienizados e prontos para consumo ampliam participação na cesta de compras dos brasileiros.

    Entre os destaques da feira, a Embrapa e a Isla Sementes apresentarão novas cultivares de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). As variedades Bertalha BRS Tereverde e Caruru Verde BRS Ilekalu combinam valor nutricional, praticidade e apelo visual.

    Nova batata-doce

    A Embrapa Clima Temperado também lançará a batata-doce BRS BC179 Prenda. A cultivar possui alto teor de carotenoides e elevada produtividade.

    Flores

    Na floricultura, a tecnologia ganhará espaço com a Classificadora Inteligente de Flores. A solução utiliza visão artificial e inteligência artificial para classificar, cortar e embalar flores automaticamente. Segundo os expositores, a tecnologia aumenta a eficiência operacional e reduz impactos da escassez de mão de obra no campo.

    O setor também apresentará novas variedades ornamentais. A Bio Plugs exibirá uma Gérbera com flores duplas e gigantes, hastes resistentes e longo ciclo produtivo.

    Outro lançamento será o Girassol sem pólen. O híbrido oferece maior durabilidade, evita sujeira e reduz riscos de alergias respiratórias.

    Hortaliças processadas

    No segmento de hortaliças processadas, empresas apostam em variedades adaptadas ao mercado de produtos frescos e higienizados.

    A Enza Zaden lançará a alface Harumi. A variedade apresenta alta uniformidade e excelente rendimento para processamento.

    Já a Sakata apresentará a alface Bella Folha. A cultivar é a primeira alface crespa desenvolvida especificamente para o mercado de processamento.

    Fertilizantes e defensivos

    No setor de fertilizantes e defensivos, a biotecnologia reforçará a busca por sistemas produtivos mais sustentáveis.

    Entre as novidades, o RadiSanPro se destaca por estimular o desenvolvimento das raízes e fortalecer os mecanismos naturais de defesa das plantas.

    Com lançamentos voltados à eficiência e à sustentabilidade, a Hortitec 2026 reforça seu papel como uma das principais vitrines de inovação para a horticultura brasileira.

     

     

     

     

  • Sem abate: Embrapa produz carne em laboratório

    Sem abate: Embrapa produz carne em laboratório

    A Embrapa desenvolve carne cultivada em laboratório como alternativa à produção animal tradicional. A tecnologia dispensa o abate e busca reduzir impactos ambientais. A pesquisa reúne equipes da Embrapa Suínos e Aves, em Santa Catarina, e do Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.

    Os pesquisadores já produziram protótipos de filé de peito de frango cultivado. Além disso, o laboratório desenvolveu alimentos vegetais impressos em 3D, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

    Como funciona a produção de carne cultivada

    A técnica utiliza células retiradas de animais vivos por meio de uma pequena biópsia. Em seguida, os cientistas cultivam essas células em ambiente controlado. O meio de cultivo contém oxigênio, glicose, aminoácidos e sais minerais. Esses nutrientes permitem a multiplicação celular.

    A produção combina técnicas de engenharia de tecidos e biotecnologia celular. Os métodos também são utilizados na medicina regenerativa.

    Segundo a analista da Embrapa, Naiara Milagres Augusto da Silva, os pesquisadores isolam diferentes tipos celulares presentes no tecido muscular. Depois, a equipe seleciona as células desejadas e amplia sua multiplicação em larga escala.

    Estruturas garantem crescimento do tecido

    O tecido muscular cultivado precisa de uma superfície para crescer e se organizar. Essas estruturas imitam a matriz extracelular presente nos organismos vivos. Os pesquisadores utilizam suportes fibrosos, conhecidos como scaffolds, e microcarreadores esféricos.

    Os scaffolds orientam as células e ajudam na formação muscular tridimensional. Já os microcarreadores ampliam a área de crescimento celular. Segundo nota técnica da Embrapa, essas estruturas favorecem a produção em larga escala do tecido muscular.

    Além disso, elas influenciam características importantes da carne cultivada. Entre elas estão textura, firmeza, retenção de água e mastigação.

    Proteínas vegetais ganham destaque na pesquisa

    Foto: divulgação – Agência Brasil/Valter Campanato

    O Laboratório de Nanobiotecnologia também desenvolve biomateriais produzidos a partir de proteínas vegetais. Esses materiais servem como suporte para adesão e multiplicação das células da carne cultivada.

    Entre as soluções estão malhas compostas por fibras nanométricas. Embora pareçam folhas de papel, elas apresentam estrutura porosa ao microscópio. Essa superfície reproduz condições semelhantes às encontradas nos tecidos naturais dos animais.

    Segundo Naiara da Silva, o objetivo é ampliar o uso de insumos vegetais e reduzir a dependência de componentes de origem animal.

    Película comestível deve chegar em 2027

    Foto: divulgação – Agência Brasil / Valter Campanato

    Os pesquisadores também criaram uma película comestível para embutidos produzidos com carne cultivada. O material funciona como revestimento para produtos semelhantes à linguiça.

    De acordo com o pesquisador Luciano Paulino da Silva, o protótipo deverá ser concluído em 2027. Ele afirma que a tecnologia poderá integrar o portfólio de ativos tecnológicos da Embrapa já no próximo ano. Após essa etapa, empresas parceiras poderão adaptar os produtos para aplicações industriais e comerciais.

    Carne cultivada já possui regulamentação no Brasil

    O setor também avança na área regulatória. Em 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a Resolução RDC nº 839. Em geral, a norma estabelece diretrizes para a produção de carne cultivada no país.

    Além do Brasil, países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem a tecnologia. Esses mercados já possuem aprovação regulatória e comercial para produtos derivados de carne cultivada.

    Os resultados das pesquisas realizadas pela Embrapa foram publicados na revista científica Foods, especializada em ciência e tecnologia de acesso aberto.

  • Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) bloqueou R$ 461,6 milhões do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026. A medida retira quase metade dos recursos previstos para subsidiar apólices de seguro rural, em um cenário de aumento dos riscos climáticos no campo.

    O orçamento inicial do programa era de R$ 1,01 bilhão. Após um corte definitivo de R$ 25 milhões, o valor disponível caiu para R$ 991,1 milhões. Agora, com o bloqueio de 46,5% desse montante, os recursos ficam temporariamente indisponíveis para contratação de novas apólices.

    Impacto significativo

    Embora o bloqueio não represente um corte definitivo, o setor vê semelhanças com o que ocorreu em 2025. Naquele ano, o seguro rural também enfrentou restrições orçamentárias e encerrou o período com aplicação de R$ 565,4 milhões.

    Mesmo após reforços de caixa no fim do ano passado, que ampliaram a cobertura de culturas como a soja, o programa alcançou apenas 3,2 milhões de hectares segurados e pouco mais de 60 mil apólices subsidiadas.

    PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) chegou a atender 13,7 milhões de hectares — Foto: GOV Goiás

    Uma fonte do setor afirmou que o impacto pode ser expressivo caso os recursos não sejam liberados.

    “Ainda não temos estimativas, mas certamente o impacto será significativo caso esse bloqueio não seja revertido. A situação é muito parecida com a de 2025”, declarou.

    A contenção faz parte do ajuste fiscal conduzido pelo governo federal. Até o momento, foram bloqueados R$ 23,7 bilhões do orçamento da União para 2026. No âmbito do Ministério da Agricultura, o total bloqueado alcança R$ 788,4 milhões, incluindo ainda R$ 293 milhões do programa de Fomento Agropecuário, R$ 550 mil em pesquisas da Embrapa e R$ 33,1 milhões destinados à modernização da infraestrutura da estatal.

    Pressão do setor produtivo

    Diante do cenário, a bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) solicitou ao ministro da Agricultura, André de Paula, garantias de que os recursos do seguro rural serão executados integralmente neste ano.

    Além disso, a entidade reforçou apoio ao Projeto de Lei 2.951/2024, que busca modernizar o sistema e impedir futuros cortes, bloqueios ou contingenciamentos nos recursos do programa.

    Segundo a FPA, o seguro rural é essencial para proteger a renda dos produtores, fortalecer o crédito rural, garantir a continuidade da produção e reduzir a necessidade de renegociação de dívidas.

    Paraná critica bloqueio

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) classificou a medida como um “novo golpe no seguro rural” e pediu a reversão imediata da decisão.

    Em nota, a entidade destacou que cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR em 2025 foram bloqueados, enquanto em 2024 a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

    O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a efetivação do corte trará dificuldades ao produtor paranaense.

    “Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, pois nós somos o Estado que mais contrata o seguro rural no país”.

    Em 2025, o Paraná registrou 28,02 mil apólices, o equivalente a 43,7% dos 64,17 mil contratos firmados via PSR em todo o Brasil.


    Para Ágide, um novo corte será um ‘golpe duro no produtor rural’ — Foto: Divulgação/Sistema Faep

    Brasil tem seguro rural mais frágil entre os produtores agrícolas

    Um estudo do FGV Agro apontou que o Brasil possui o sistema de seguro rural mais vulnerável entre os principais produtores agrícolas do mundo. A análise comparou o modelo brasileiro com os de Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.

    De acordo com Anna Cortellini, pesquisadora do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), os produtores brasileiros contam com menor apoio e cobertura quando comparados aos concorrentes internacionais.

    “Entre os grandes países produtores, o Brasil está em uma posição de maior fragilidade em seguro rural. Aqui, os produtores rurais têm menor apoio, e há menor cobertura de seguro”, afirmou.

    A especialista ressalta que não existe um modelo único. No entanto, destaca que o Brasil poderia buscar inspiração no sistema da Espanha, que combina recursos públicos e privados para ampliar a proteção ao produtor rural.

     

  • Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    A união entre o saber popular e a pesquisa científica deu origem a uma ferramenta que promete revolucionar o manejo da banana na região amazônica: o “Rabo de Jaraqui”. O nome curioso é uma homenagem ao peixe típico da bacia amazônica (Semaprochilodus taeniurus e Semaprochilodus insignis), cuja cauda se assemelha ao formato do equipamento.

    agricultor Raimundo Miguel Barbosa de Lima, mais conhecido como Barbosa Batiferro. Foto: Embrapa

    Idealizado pelo produtor rural Raimundo Miguel Barbosa de Lima, conhecido como “Barbosa Batiferro”, em Itacoatiara (AM), o removedor artesanal de folhas foi desenvolvido a partir de materiais reciclados encontrados na própria propriedade. A inovação ganhou escala após a parceria com o pesquisador Luadir Gasparotto, da Embrapa Amazônia Ocidental, que realizou a validação científica e sistematizou o conhecimento no Comunicado Técnico 181.

    Eficiência no controle de pragas

    O “Rabo de Jaraqui” resolve um dos principais gargalos da bananicultura: a desfolha. Segundo especialistas, uma bananeira produz entre 40 e 50 folhas em seu ciclo. E a remoção de folhas velhas ou doentes é vital para o controle fitossanitário. O processo facilita a entrada de luz solar e a circulação de ar, reduzindo a umidade e, consequentemente, os focos de pragas como o moleque-da-bananeira e doenças fúngicas.

    Pesquisador Luadir Gasparotto. Foto: Embrapa

    Além do ganho agronômico, a ferramenta destaca-se pelo baixo custo e pelo viés ambiental. Entre os principais benefícios citados nas fontes, destacam-se:

    • Reciclagem: pode ser confeccionada com sucatas de serralheria, lâminas de foices, enxadas ou discos de arado.
    • Adubação natural: as folhas cortadas se decompõem no solo, aumentando a matéria orgânica e melhorando a retenção de água.
    • Segurança: reduz o abrigo para animais peçonhentos e melhora a ergonomia do trabalhador.

    Dicas de manejo e higiene

    Para garantir a eficácia, Barbosa Batiferro ressalta que a lâmina deve estar sempre amolada para um corte limpo, feito de baixo para cima para não danificar o pseudocaule da planta. Outro ponto crucial é a esterilização. O inventor recomenda mergulhar a ferramenta em uma mistura de água e água sanitária ao trocar de lote ou variedade de banana, evitando a transmissão de doenças entre as plantas.

    Com a divulgação oficial pela Embrapa, a expectativa é que o “Rabo de Jaraqui” se torne um padrão em outras propriedades da região. Assim, consolidando-se como um exemplo de como a inovação sustentável pode nascer da observação prática no campo.

  • Semente de abóbora sem casca chegará ao mercado

    Semente de abóbora sem casca chegará ao mercado

    Um trabalho desenvolvido no Laboratório de Melhoramento Genético da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) resultou na criação de uma variedade inédita de semente de abóbora sem casca. Cultivadas na fazenda-escola da instituição, as sementes apresentam elevado potencial produtivo e comercial e já se encontram na etapa final de pesquisas antes da entrada no mercado.

    Ao destacar os resultados obtidos, o professor José Raulindo Gardingo, coordenador do estudo, afirma que a diferença entre a nova variedade e as sementes convencionais é facilmente percebida.

    “A nossa semente é inteiramente sem casca, não precisa tirar a casca com o dente ou com a unha, e já vem pronta para ser usada na indústria alimentícia”, explica.

     

    Pesquisadores da UEPG exibem sementes de abóbora desenvolvidas por melhoramento genético — Foto: Jessica Natal/UEPG

    Além da praticidade, a inovação também oferece vantagens funcionais. Segundo o pesquisador, as sementes possuem maior concentração de cucurbitacina, composto reconhecido por sua ação vermífuga.

    “Essa semente tem uma quantidade maior de uma substância chamada cucurbitacina, que funciona como vermífugo, e você pode extrair o óleo ou consumir a semente in natura”, destaca.

    Além disso, um estudo divulgado pela Embrapa em 2019 já indicava a ação vermífuga das sementes de abóbora, especialmente quando consumidas sem casca. Dessa forma, a nova variedade desenvolvida pela UEPG elimina a necessidade do descascamento, facilitando o aproveitamento do produto.

    Raulindo ressalta que a literatura científica também aponta potencial de utilização das sementes em pesquisas relacionadas ao combate a tumores.

    Foto: Jessica Natal/UEPG

    Parceria internacional

    A característica da variedade brasileira surgiu a partir de uma parceria de mais de duas décadas entre pesquisadores da UEPG e cientistas da Áustria. No país europeu, sementes assim já eram produzidas desde o século passado.

    “Recebi algumas sementes e já comecei os cruzamentos por aqui, com o objetivo de produzir um genótipo de abóbora brasileira que conseguisse produzir essa semente”, relata o professor.

    Quando uma abóbora apresenta naturalmente sementes sem casca, a ciência considera o fenômeno uma mutação genética. A partir dessa característica, os pesquisadores realizam sucessivos cruzamentos para estabilizar o traço desejado nas novas populações.

    “Depois de 20 anos, chegamos em um resultado mais satisfatório, com sementes que nascem todas sem casca, dentro de diferentes populações e tipos de abóbora”, comemora Raulindo.

    Pequenos produtores e mercado agroindustrial

    Outro aspecto importante observado pelos pesquisadores é a capacidade de germinação das sementes. Segundo o professor Rodrigo Mattielo, integrante da pesquisa, todas as sementes desenvolvidas apresentam germinação normal no solo.

    Agora, a equipe trabalha na conclusão dos testes laboratoriais. Em seguida, o material será submetido ao processo de registro junto ao Ministério da Agricultura. Após essa etapa, ocorrerá a avaliação oficial da viabilidade comercial da cultivar.

    Mercado promissor

    De acordo com Raulindo, a nova variedade também se diferencia pelo sabor mais agradável em comparação a sementes tradicionais comercializadas atualmente.

    “Vemos muitas sementes com cascas mais escuras, que têm um sabor até mais amargo, e a nossa tem um sabor muito agradável. Estamos num caminho positivo para disponibilizar as sementes para dentro e fora do Brasil e até para extração do óleo”, afirma.

    O pesquisador elogia as sementes e avalia seu potencial — Foto: Jessica Natal/UEPG

    Nos testes realizados em laboratório, os resultados confirmaram as expectativas da equipe. Ao abrirem os frutos, os pesquisadores verificaram que todas as sementes apresentavam a característica desejada.

  • Embrapa apresenta tecnologias para aquicultura na Aquishow 2026

    Embrapa apresenta tecnologias para aquicultura na Aquishow 2026

    A Embrapa levará tecnologias, capacitações e inovações para a Aquishow 2026, entre 9 e 11 de junho, em Uberlândia (MG). A instituição também disputará prêmios de inovação e reconhecimento no setor aquícola.

    Os visitantes poderão conhecer soluções desenvolvidas pelo projeto BRS Aqua. A iniciativa reúne 22 centros de10 pesquisa e dezenas de parceiros públicos e privados.

    Tecnologias fortalecem a produção de pescado

    A Embrapa destacará o TambaPLUS 1.0. A tecnologia utiliza marcadores genéticos para identificar parentesco, realizar testes de paternidade e reconhecer reprodutores.

    A instituição também apresentará um sistema de criação de tambaqui em tanques-rede de pequena escala. A tecnologia reúne práticas de manejo para melhorar indicadores produtivos e econômicos.

    Além disso, o aplicativo Aquicultura Certa utilizará inteligência artificial para apoiar a gestão de pisciculturas. A ferramenta monitora a produção e orienta ajustes no manejo de tilápias e tambaquis.

    Outro destaque será o Ater+ Digital: Peixes. A plataforma oferece informações técnicas por meio de vídeos, imagens, textos e infográficos.

    Cursos ampliam capacitação no setor

    A Embrapa lançará a terceira etapa do Aquacompete. A trilha reúne três cursos de ensino a distância voltados à competitividade da aquicultura.

    O novo módulo abordará inteligência comercial aplicada ao setor. Os participantes aprenderão sobre tendências de consumo, concorrência, nichos de mercado e comércio internacional.

    A programação também incluirá o curso sobre compostos nitrogenados no cultivo de camarão marinho. O treinamento abordará sistemas produtivos e manejo para reduzir perdas e riscos sanitários.

    Indústria recebe soluções com maior valor agregado

    A Embrapa apresentará produtos derivados de tilápia com fibra de abacaxi. Entre eles estão patê e salsicha com baixo teor de sódio.

    Outra inovação será a embalagem bioativa para pescado. O material reduz a oxidação e limita o crescimento microbiano durante a refrigeração. A tecnologia poderá ser utilizada no armazenamento de tilápia e camarão.

    Ferramenta avalia qualidade nutricional das rações

    A instituição também exibirá o sistema NIR para análise bromatológica de rações para peixes. A ferramenta utiliza modelos matemáticos e espectroscopia no infravermelho próximo. O objetivo é avaliar a qualidade nutricional das rações para tilápia.

    A análise identifica proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas. Além disso, detecta possíveis contaminantes e toxinas.

    Projetos apoiam políticas públicas para aquicultura

    A Embrapa apresentará o Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui). O projeto apoia a tomada de decisões estratégicas no setor.

    A instituição também divulgará a Rede de Extensão e Inovação Aquícola (REAQUA). A iniciativa fortalece a transferência de tecnologia para produtores.

    Outro tema será o Drawback Exportações de Tilápia. O mecanismo reduz a carga tributária sobre insumos destinados à produção exportadora.

    Pesquisadores participam de debates e premiações

    A programação técnica contará com a participação da pesquisadora Flavia Tavares. Ela integrará uma mesa-redonda sobre regulação, licenciamento e segurança jurídica na produção de pescados. O debate reunirá especialistas dos ministérios da Pesca e Aquicultura e de Minas e Energia.

    A Embrapa também figura entre os finalistas do Prêmio Inovação Aquícola nas categorias academia e sustentabilidade. Além disso, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho concorre ao prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026.

  • Estudo mostra impacto ambiental completo da produção de whey protein no Brasil

    Estudo mostra impacto ambiental completo da produção de whey protein no Brasil

    Embrapa, UTFPR e Sooro Renner mapeiam, pela primeira vez no Brasil, a pegada de carbono do soro de leite em pó em toda a sua cadeia produtiva, do pasto à fábrica. O estudo redefiniu os critérios de medição do impacto ambiental do whey protein. E posiciona o setor lácteo nacional em um novo patamar de transparência e eficiência.

    https://www.instagram.com/p/DZId9h_pH8o/

    O professor Fábio Puglieri, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), coordenou o projeto com base na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). A metodologia mensura os impactos ambientais potenciais de produtos e serviços de forma integrada. A análise cobre a produção do leite in natura, o transporte, o processamento industrial e a obtenção do soro em pó, o popular whey protein. “A cadeia láctea brasileira acaba de dar um passo decisivo rumo à transparência ambiental e à eficiência produtiva”, afirma Vanessa Romário de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite.

    Abordagem sistêmica diferencia o estudo

    O diferencial do projeto em relação a pesquisas anteriores está na visão completa da cadeia. Em vez de analisar os elos de forma isolada, a metodologia conectou múltiplas etapas produtivas em uma única avaliação. “Ao incluir os fluxos de transporte e as sucessivas transformações industriais, o projeto oferece um diagnóstico fiel do desempenho ambiental do setor. E permite identificar onde estão os maiores gargalos de emissão de gases de efeito estufa”, explica Thierry Ribeiro Tomich, pesquisador da Embrapa Gado de Leite.

    A pesquisa se dividiu em duas etapas. Na primeira, os pesquisadores caracterizaram e tipificaram os sistemas de produção de leite da base de fornecedores da Sooro Renner, considerando critérios de representatividade geográfica e tecnológica. Na segunda, o estudo voltou-se para a indústria e o transporte, levantando dados primários sobre os processos de industrialização da empresa e de seus laticínios parceiros.

    85% das emissões acontecem no campo

    Um dos achados mais relevantes do estudo é a concentração das emissões na fase rural. Cerca de 85% dos gases de efeito estufa da produção de soro em pó têm origem no campo. Isso significa que ações de mitigação na produção primária geram impacto muito maior do que mudanças em embalagens ou na matriz energética da indústria, que respondem por uma parcela minoritária das emissões totais.

    Um dos pilares do projeto é a democratização do conhecimento. Os pesquisadores disponibilizaram os Inventários de Ciclo de Vida (ICV) do soro na plataforma SICV Brasil. Ela é gerida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em acesso livre e gratuito. “Essa iniciativa permite que pesquisadores, indústrias e órgãos governamentais utilizem dados reais da produção brasileira em outros projetos de ACV. Portanto, facilitando tomadas de decisão”, destaca Thiago Oliveira Rodrigues, pesquisador do IBICT.

    Os dados estão disponíveis nos seguintes inventários:

    • Whey (soro de leite) 30% (RS)
    • Whey powder (soro de leite em pó) (PR)
    • Whey powder (soro de leite em pó) (RS)

    Alinhamento com metas climáticas globais

    O projeto se alinha a compromissos internacionais como a Agenda 2030 da ONU (ODS 17) e o Compromisso Global de Metano, do qual o Brasil é signatário, com meta de redução de emissões de 30% até 2030.

    A parceria entre Embrapa, Sooro Renner e UTFPR prevê ainda a entrega de um plano de ação com recomendações práticas para a mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE.

    Essas estratégias são essenciais para que o setor lácteo atenda às exigências de mercados internacionais e a um consumidor cada vez mais atento ao impacto ambiental dos alimentos.

    Do resíduo ao ingrediente nobre

    Historicamente, o soro de leite representou um dos maiores desafios ambientais para a indústria de laticínios. Por sua altíssima carga orgânica, o descarte inadequado do soro líquido em cursos d’água provoca rápida depleção de oxigênio, morte de peixes e desequilíbrio nos ecossistemas aquáticos.

    Ao transformar esse subproduto em soro em pó, a indústria não apenas agrega valor econômico, mas mitiga riscos de contaminação e reduz o desperdício de nutrientes que já consumiram água, energia e terra para serem produzidos. “A transformação do soro em pó não é apenas uma estratégia de lucro, mas uma necessidade de sustentabilidade operacional”, afirma Tomich.

    Embrapa como referência em sustentabilidade láctea

    Desde 2023, a Embrapa Gado de Leite aplica a metodologia ACV para avaliar o desempenho ambiental de todas as fases produtivas do leite. Isso inclui desde aalimentação animal ao resfriamento na fazenda. Os resultados mostram que eficiência produtiva e preservação ambiental andam juntas: sistemas que produzem mais leite por hectare ou por vaca tendem a apresentar pegada de carbono significativamente menor.

    Os estudos consolidaram a Embrapa como referência em métricas de sustentabilidade. E abriram caminho para parcerias como a que agora expande essa análise para toda a cadeia industrial do soro de leite.

  • O que plantar em junho? Confira 10 culturas que se adaptam ao frio

    O que plantar em junho? Confira 10 culturas que se adaptam ao frio

    A chegada de junho marca a transição para o inverno no Brasil e traz consigo temperaturas mais baixas em diversas regiões do país. No entanto, o clima frio não representa um obstáculo para a produção agrícola. Pelo contrário, diversas hortaliças e frutas encontram condições favoráveis para o desenvolvimento durante esse período.

    Muitas culturas apresentam bom desempenho em temperaturas amenas, o que amplia as oportunidades para produtores rurais e até mesmo para quem mantém hortas domésticas. Confira algumas opções:

    Agrião

    O agrião se destaca pelo valor nutricional. A hortaliça contém ferro, fósforo, zinco e vitaminas A, B1, B2 e C. Segundo a Embrapa, o plantio em junho é indicado para todas as regiões brasileiras.

    Além disso, a cultura oferece boa rentabilidade devido à possibilidade de realizar até quatro colheitas após o primeiro corte.

    Alface

    A alface, uma das hortaliças mais consumidas no país, também encontra condições adequadas para cultivo em junho em todas as regiões. Isso ocorre porque existem variedades adaptadas tanto ao verão quanto ao inverno.

    Geralmente, a colheita acontece cerca de dois meses após o transplante das mudas. Nesse período, as folhas desenvolvem sabor característico, crocância e elevada concentração de cálcio e vitamina A.

    Brócolis

    Nas regiões Sul e Sudeste, o inverno favorece o cultivo do brócolis de inverno. Para alcançar bons resultados, o produtor deve utilizar solos adubados com micronutrientes como boro e molibdênio.

    A colheita ocorre aproximadamente três meses após o plantio. O ponto ideal é quando os botões apresentam coloração verde intensa e ainda não surgiram flores.

    Cebolinha

    Muito utilizada como tempero natural, a cebolinha se desenvolve melhor em temperaturas inferiores a 25°C. Por isso, o cultivo é recomendado durante todo o ano no Sul e Sudeste.

    Nas demais regiões, o plantio depende das condições climáticas locais. Ainda assim, junho pode ser um período favorável. Em geral, a colheita ocorre entre 80 e 100 dias após o plantio.

    Cenoura

    A cenoura de inverno encontra condições ideais de cultivo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Conforme orientações da Embrapa, a germinação ocorre de forma mais rápida e uniforme quando as temperaturas ficam entre 20°C e 30°C.

    Por isso, o manejo correto das sementes é fundamental. Elas não devem ser enterradas excessivamente nem permanecer muito superficiais. A colheita costuma ocorrer após 100 dias.

    Couve

    De acordo com a Embrapa, a couve apresenta boa tolerância ao calor e pode ser cultivada durante junho em todas as regiões do país.

    Em canteiros, recomenda-se manter espaçamento entre 80 centímetros e 1 metro entre linhas e cerca de 50 centímetros entre plantas. Dessa forma, o desenvolvimento ocorre de maneira mais eficiente até a colheita. Além disso, a hortaliça possui ampla utilização culinária, sendo consumida em sucos, sopas, saladas, cozidos e recheios.

    Mostarda

    A mostarda, pertencente à mesma família da couve e do brócolis, é reconhecida pelo sabor marcante e levemente picante.

    O plantio é recomendado para as regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, utilizando mudas produzidas em bandejas. Além disso, a cultura apresenta ciclo curto, permitindo colheita em apenas 45 dias. O consumo pode ocorrer tanto in natura quanto refogado com outras folhas.

    Pepino

    Por ser uma cultura adaptada ao clima quente, o pepino sofre com geadas e temperaturas baixas. Por isso, o plantio em junho é recomendado apenas para a região Norte.

    Para obter bons resultados, o cultivo deve ocorrer em solos arenosos e ricos em matéria orgânica. Além disso, o desenvolvimento é rápido e a colheita pode começar cerca de 45 dias após o plantio.

    Melancia

    Enquanto as baixas temperaturas limitam o cultivo no Sul e Sudeste, a melancia apresenta melhor desempenho nas regiões Norte e Nordeste durante junho.

    Por outro lado, municípios do Centro-Oeste com baixa altitude e disponibilidade de irrigação também podem investir na cultura. Rica em vitaminas A e C, a fruta normalmente alcança o ponto de colheita após aproximadamente três meses.

    Vagem

    A vagem também apresenta sensibilidade ao frio intenso. Dessa forma, o cultivo durante junho é mais indicado para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

    Como o Sul e o Sudeste registram ocorrência frequente de geadas e até episódios de neve em algumas áreas, a cultura tende a apresentar melhor desempenho em regiões mais quentes. A colheita ocorre entre 60 e 70 dias após o plantio, período em que as vagens atingem o ponto ideal de consumo e ainda não desenvolveram fibras excessivas.

    Com planejamento adequado e escolha correta das culturas, junho pode representar uma excelente oportunidade para manter a produtividade agrícola mesmo durante os meses mais frios do ano.

  • Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa a patente nº BR 102024018669-9, oficializando uma tecnologia que pode mudar o manejo de pragas em lavouras de soja e milho. A invenção protege formulações pesticidas de liberação controlada desenvolvidas a partir da lignina, um polímero natural abundante na biodiversidade brasileira.

    Os pesquisadores Silvio Vaz Júnior, da Embrapa Agroenergia, Ângelo Aparecido Barbosa Sussel, da Embrapa Cerrados, e a bolsista de pós-doutorado Flávia Augusta Dias Galarza assinam a inovação. A patente, expedida em 12 de maio de 2026, garante à Embrapa a propriedade da tecnologia por 20 anos, contados a partir de setembro de 2024.

    Da fábrica de celulose para o campo

    A matéria-prima da tecnologia é a lignina Kraft, coproduto da indústria de papel e celulose que normalmente vai para a queima em caldeiras. Ao transformar esse resíduo em suporte para defensivos, os pesquisadores inserem o material na lógica da economia circular e ampliam seu valor tecnológico.

    “O principal objetivo é reduzir os impactos ambientais causados pelos pesticidas sintéticos convencionais”, afirma Silvio Vaz Júnior. Nos métodos tradicionais de pulverização, perdas chegam a 30% por degradação imediata dos princípios ativos. O que leva agricultores a aumentar as doses e contaminar solos e recursos hídricos.

    A lignina atua como matriz protetora: encapsula o pesticida e o libera de forma lenta e gradual nas lavouras. Ela também oferece proteção contra a radiação ultravioleta, que frequentemente degrada pesticidas quimicamente instáveis antes de cumprirem sua função.

    Como a tecnologia funciona

    Para viabilizar o encapsulamento, os pesquisadores submeteram a lignina a modificações químicas, gerando duas variantes: lignina Kraft acetilada (LKA) e lignina Kraft aminada (LKAM). Nos testes laboratoriais, essas versões atingiram índices de encapsulamento entre 80% e 100%.

    As nanopartículas resultantes medem entre 150 e 300 nanômetros, tamanho que favorece a adesão e a absorção pelas plantas. Essa precisão em escala nanométrica garante que o princípio ativo chegue exatamente onde e quando o produtor precisa, com menos desperdício.

    Resultados nos campos de soja e milho

    Em lavouras de soja, o alvo dos testes foi a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença da cultura no Brasil. A formulação TBZ-LKA reduziu em até 84,85% o número de lesões causadas pelo fungo. Um desempenho comparável ao dos produtos líderes de mercado Tebufort® e Fox Xpro®.

    No milho, os pesquisadores testaram o controle da helmintosporiose (Exserohilum turcicum). O destaque foi a formulação PTZ-LKA, que reduziu a incidência da doença em 97% na primeira avaliação. Mesmo 45 dias após a aplicação, sob condições climáticas favoráveis ao fungo, a tecnologia continuou protegendo as folhas, superando fungicidas comerciais em longevidade e redução de pústulas.

    Além da eficácia prolongada, a análise comparativa mostrou que as formulações de lignina demandam menor massa de fungicida por hectare. “Reduzimos significativamente a carga tóxica lançada no ecossistema”, destaca Silvio.

    Alinhamento com as metas globais de sustentabilidade

    A patente se encaixa nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — especificamente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). A tecnologia responde à demanda por “intensificação sustentável”: produzir mais alimentos sem ampliar o impacto ambiental.

    O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de celulose, o que garante oferta abundante e barata de lignina Kraft. Esse cenário torna a fabricação das nanoformulações economicamente viável e estrategicamente relevante para a indústria nacional de defensivos.

  • Tilápia é espécie invasora? Veja o que os especialistas dizem

    Tilápia é espécie invasora? Veja o que os especialistas dizem

    A possível inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras voltou a gerar debate entre ambientalistas, pesquisadores e representantes da piscicultura brasileira. A discussão começou nesta quarta-feira (27), em Brasília, durante reunião da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente. O tema seguirá em análise até esta quinta-feira (28).

    Enquanto especialistas defendem critérios técnicos mais regionalizados, representantes do setor produtivo temem prejuízos econômicos caso a espécie receba oficialmente a classificação de invasora. Apesar disso, o governo federal afirma que não há intenção de proibir o cultivo da espécie no país.

    Atualmente, a tilápia responde por cerca de 65% da produção aquícola brasileira. Além disso, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais da espécie. Em 2025, o país produziu 707.495 toneladas, número 6,83% superior ao registrado em 2024. Em comparação com 2015, quando a produção era de 285 mil toneladas, o crescimento mais que dobrou em uma década.

    Tilápia pode ser considerada invasora?

    Segundo a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Flávia Tavares, a tilápia é, de fato, uma espécie exótica, já que não pertence naturalmente à fauna brasileira. No entanto, ela ressalta que isso não significa automaticamente que o peixe deva ser tratado como invasor em todo o território nacional.

    “Do ponto de vista técnico e ambiental, isso não significa, automaticamente, que ela deva ser tratada como espécie exótica invasora em todo o território nacional”, explicou.

    A pesquisadora afirma que uma espécie invasora precisa não apenas sobreviver fora de sua área de origem, mas também se reproduzir, se espalhar e causar impactos relevantes sobre espécies nativas e ecossistemas.

    “A simples presença da tilápia em rios, lagos ou reservatórios não basta para caracterizá-la como invasora. É necessário demonstrar, com evidências, que ela provoca efeitos ambientais negativos relevantes”, destacou.

    De acordo com Tavares, os impactos variam conforme a região e o tipo de ambiente. Por isso, ela defende avaliações específicas para cada bacia hidrográfica, levando em conta fatores ambientais e históricos de introdução da espécie.

    Além disso, a especialista afirma que ambientes artificiais, como reservatórios de hidrelétricas, não podem receber o mesmo tratamento dado a rios naturais ou áreas prioritárias de conservação.

    “A abordagem mais adequada é reconhecer a tilápia como uma espécie exótica que exige controle, biossegurança e monitoramento, mas não enquadrá-la automaticamente como invasora em escala nacional”, completou.

    Setor produtivo teme prejuízos

    O diretor-presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, também rejeita a classificação ampla da tilápia como espécie invasora. Segundo ele, diversas cadeias do agronegócio brasileiro trabalham com espécies exóticas.

    “Ela é uma espécie exótica estabelecida, assim como os suínos, as aves e os bovinos”, afirmou.

    Medeiros ainda lembrou que culturas como soja e milho também vieram de outros países. “Hoje, entre os alimentos mais consumidos, apenas mandioca e açaí são efetivamente nativos do Brasil”, disse.

    O representante da piscicultura revelou preocupação após decisões recentes do Ibama envolvendo outras espécies fora de suas bacias hidrográficas, como o pirarucu.

    Segundo ele, a tilápia chegou ao Brasil inicialmente por meio de programas governamentais voltados ao repovoamento de lagos de hidrelétricas no Nordeste. Posteriormente, a criação se expandiu para regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

    “Hoje, a tilápia é o peixe de cultivo mais produzido e consumido no mundo. É produzida em 90 países e consumida em 140”, ressaltou.

    O que apontam os estudos científicos

    Flávia Tavares afirma que estudos já identificaram possíveis impactos ambientais relacionados à presença da tilápia em rios, lagos e reservatórios, especialmente após escapes de criadouros ou introduções irregulares.

    Entre os efeitos analisados por pesquisadores estão a competição com espécies nativas por alimento e espaço, alterações na cadeia alimentar, aumento da turbidez da água e mudanças na estrutura das comunidades aquáticas.

    Mesmo assim, a pesquisadora destaca que ainda faltam estudos mais robustos no Brasil capazes de comprovar relação direta entre a presença da tilápia e a redução de espécies nativas.

    “Muitos trabalhos registram ocorrência e abundância da tilápia, mas são mais raros os estudos que demonstram nexo causal claro entre a presença da espécie e alterações ecológicas”, explicou.

    Governo diz que não haverá proibição

    Caso a tilápia entre oficialmente na lista de espécies invasoras, o setor teme impactos em exportações, financiamentos e pesquisas científicas.

    “Nenhum país exporta uma espécie considerada prejudicial ao meio ambiente. Pela legislação, espécies invasoras precisam ser controladas ou erradicadas”, alertou Medeiros.

    Ele também afirmou que bancos e instituições de pesquisa poderiam enfrentar restrições para financiar ou desenvolver estudos ligados à espécie.

    Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) reforçou que a eventual inclusão da tilápia na lista não significa proibição do cultivo.

    Em nota, o ministério informou que o Ibama continua autorizando normalmente a criação da espécie no país.

    “Não há qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, destacou a pasta.

    O MMA ainda explicou que a classificação teria caráter técnico e preventivo, voltado principalmente à prevenção de novas invasões biológicas e ao monitoramento ambiental.