Tag: Emater MG

  • De pai para filho: como a produção artesanal de queijo une gerações

    De pai para filho: como a produção artesanal de queijo une gerações

    Jayr Martins de Barros acorda todos os dias às 5h da manhã para iniciar a ordenha na Fazenda Serra do Condado, em Alagoa, no Sul de Minas Gerais. Às 8h, o queijo artesanal já descansa nas formas, seguindo um ritual que o produtor aprendeu ainda criança com o pai.

    “Saía da escola e ia para o laticínio, tombar queijo, ajudar”, relembra o queijeiro, que hoje produz uma das iguarias mais cobiçadas da região: o famoso Queijo de Alagoa.

    A propriedade fica a mais de mil metros de altitude, nas Terras Altas da Mantiqueira, onde o clima e a qualidade do leite favorecem a produção artesanal. Jayr mexe pacientemente a massa até cozinhar no ponto ideal, que ele identifica amassando um pouco nas mãos. “Tá de primeira qualidade”, atesta.

    Conhecimento passa de geração em geração

    A tradição familiar continua viva através dos filhos de Jayr. Tatiane Barros Siqueira produz queijo artesanal em Aiuruoca e mantém vínculo estreito com a fazenda do pai. “Juntos somos mais. Siqueira Barros, que é a minha marca de queijo, de um lado e Serra do Condado do outro. E eu só tenho a agradecer, por tudo”, emociona-se a produtora.

    Flávio Barros, o outro filho, assume papel fundamental no processo. Mais reservado, ele cuida do rebanho e garante a qualidade do leite – base essencial para o queijo de excelência.

    Fazenda se torna escola de queijeiros

    Jayr compartilha abertamente suas técnicas e já ensinou diversos produtores. “O que a gente tem, a gente passa para os outros”, resume sua filosofia. A Fazenda Serra do Condado recebe visitantes de várias regiões do país e do exterior, interessados tanto em aprender o ofício quanto em conhecer o local.

    O caderno de registros da propriedade guarda assinaturas de pessoas de Cuba, Piauí, Brasília, Mato Grosso e Goiás. “Uma moça queria me levar pra Pernambuco, pra eu ensinar a fazer queijo. Mas falei que não podia. Uma, que eu tenho medo de avião. Outra, ter que largar a família, não”, conta o queijeiro.

    Emater-MG apoia produtores artesanais

    O reconhecimento do Queijo de Alagoa no mercado nacional e internacional contou com o suporte da Emater-MG. “A Emater ajuda muito, dá apoio em tudo”, afirma Jayr.

    A empresa pública orienta os produtores desde o manejo dos animais até as boas práticas de fabricação e a abertura de novos mercados. O trabalho técnico contribuiu para que o queijo conquistasse premiações e expandisse seu alcance comercial.

    Apesar do sucesso, Jayr mantém a simplicidade e encontra felicidade na rotina das montanhas mineiras. “Aqui tudo é bom, os vizinhos todos bons, água boa, leite bom, família boa, tudo trabalhador. A gente vive feliz. Acho que a gente aqui tá quase no céu”, conclui o produtor.

  • Programa transforma agricultor em produtor de morango orgânico no Sul de Minas

    Programa transforma agricultor em produtor de morango orgânico no Sul de Minas

    O agricultor familiar José Lucas Faria Corrêa, de 26 anos, está colhendo os frutos de uma nova aposta em sua propriedade rural, localizada em Seritinga, no Sul de Minas Gerais. Após anos dedicados ao cultivo de hortaliças, o jovem produtor decidiu inovar e investir na produção agroecológica de morangos, com o suporte técnico do programa Futuro no Campo, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

    A primeira safra de morangos começou a ser colhida neste ano, resultado de um projeto iniciado em maio de 2025 em uma área de 500 m². A mudança representa não apenas a diversificação da produção familiar, mas também a busca por novos mercados e o aumento da geração de renda na propriedade.

    Do sonho à realidade: assistência técnica faz a diferença

    Acompanhado pela Emater-MG desde 2021, quando realizou o Cadastro de Agricultor Familiar (CAF), José Lucas já fornecia hortaliças para escolas municipais por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). No entanto, foi a partir da participação no Futuro no Campo que o jovem encontrou o incentivo necessário para realizar um antigo sonho.

    “Com o Futuro no Campo, eu estou aprendendo muita coisa que eu não sabia, um sonho que eu tenho há muito tempo. A Emater me mostrou que é possível trabalhar com orgânicos, basta saber o que está fazendo. Então eu comecei a buscar conhecimentos para poder plantar o morango”, conta o produtor.

    Segundo a extensionista da Emater-MG, Milene da Silva Soares, o acompanhamento próximo foi fundamental para encorajar a inovação. “O apoio contínuo da Emater com os jovens do Futuro no Campo foi o que animou o produtor a tentar essa cultura nova. Já que ele sempre plantou hortaliças”, explica.

    Planos de expansão e certificação orgânica

    Com expectativas positivas para a safra atual, José Lucas já planeja os próximos passos. Entre os objetivos estão a expansão da área cultivada, a comercialização dos morangos em feiras regionais e, futuramente, o investimento em processamento e certificação orgânica dos produtos.

    José Lucas, produtor rural. Foto: Divulgação/Emater-MG

    Como participante do Futuro no Campo, o agricultor recebe acompanhamento técnico contínuo e participa de visitas técnicas especializadas. E também será contemplado com um kit de ferramentas, sementes de hortaliças e sistema de irrigação fornecidos pelo programa.

    Futuro no Campo: investindo na juventude rural

    Desenvolvido pela Emater-MG, o programa Futuro no Campo tem como foco principal a sucessão familiar rural e a valorização dos jovens agricultores. A iniciativa atende jovens com idade entre 16 e 29 anos, oferecendo acompanhamento técnico, incentivo à inovação e capacitações práticas para estimular a permanência no meio rural.

    O programa reúne três projetos principais: Jovens do Café, Jovens do Leite e Jovem Empreendedor Rural. Com ações voltadas para avicultura de postura, apicultura, fruticultura e olericultura.

    Atualmente, 506 jovens participam da iniciativa em todo o estado. A seleção dos beneficiários ocorreu por meio de edital público, que considerou critérios sociais, produtivos e educacionais. Além da assistência técnica especializada, os participantes também recebem capacitação virtual e presencial, além de kits para implantação das atividades.

    O investimento inicial no Futuro no Campo foi de R$ 1,9 milhão, com recursos próprios da Emater-MG.

  • Cacau surge como nova aposta agrícola de Minas Gerais, revela levantamento inédito

    Cacau surge como nova aposta agrícola de Minas Gerais, revela levantamento inédito

    Com uma área plantada de 480 hectares e produção estimada em 161 toneladas, a cultura do cacau ganha espaço no território mineiro, com forte concentração na região Norte do estado. É o que aponta o primeiro levantamento realizado neste ano pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

    A Emater-MG incluiu o cacau em seu estudo de safra anual após demandas de suas equipes no interior, que identificaram um número crescente de produtores iniciando o plantio. A empresa monitora mais de 40 frutas, mas ainda não tinha o cacau em seu acompanhamento oficial.

    “O levantamento nos ajuda na formulação de políticas públicas e a identificar a localização da produção para possíveis compradores”, explica o coordenador técnico de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio. Ele ressalta que os números atuais, 480 hectares e 161 toneladas, ainda podem crescer, pois novas áreas de plantio continuam sendo identificadas pelos técnicos.

    O Norte de Minas consolida-se como o coração da cacauicultura no estado. O município de Jaíba lidera o cultivo, com 256 hectares plantados, respondendo sozinho por 53,3% da área estadual. Na sequência, aparecem Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares).

    Clima do Norte de Minas e irrigação são chave para o cultivo

    Deny Sanábio detalha que o cacaueiro se desenvolve bem em regiões de alta temperatura e baixa umidade, desde que haja irrigação. Muitos produtores da região iniciam o plantio consorciado com bananais, que já contam com a infraestrutura de irrigação.

    “O cacau não tolera ventos fortes nem frio. Já áreas com umidade muito alta favorecem doenças como a vassoura-de-bruxa. As áreas irrigadas do Norte de Minas são, portanto, muito propícias”, afirma o coordenador. Ele faz um alerta: a cultura exige investimento e conhecimento técnico, e a oferta de mudas no mercado ainda é reduzida, exigindo planejamento de longo prazo do produtor.

    Empresa aposta no cacau e projeta futuro promissor para a região

    Em Janaúba, a Rimo Agroindustrial Ltda. investiu forte e já cultiva cacau em mais de 100 hectares. A estratégia da empresa é substituir gradualmente seus bananais pela nova cultura.

    “Com as mudanças climáticas, deixamos de ser uma área exclusiva no cultivo de banana. O cacau, por ser uma commodity, não sofre a mesma guerra de preços. Você pode armazenar e o mercado é totalmente diferente”, analisa o gestor da empresa, Geraldo Pereira da Silva.

    Ele já comercializa sua produção para indústrias da Bahia e de Minas Gerais e faz uma projeção ousada: “Acreditamos que num espaço de sete a dez anos, o Norte de Minas terá entre 8 mil e 12 mil hectares de cacau. Seremos um grande polo produtor com qualidade e produtividade”.

  • Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Uma parceria estratégica entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) promete transformar a cafeicultura brasileira com foco em sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (1º), durante as celebrações do Dia Internacional do Café.

    A iniciativa integra o Programa Construindo Solos Saudáveis e está alinhada ao tema proposto pela Organização Internacional do Café (OIC) para 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O mote reforça a importância da cooperação em toda a cadeia produtiva para garantir sustentabilidade ambiental e prosperidade econômica.

    Culturas de cobertura são chave para regeneração do solo

    O projeto prevê a implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades cafeeiras do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro. Nessas áreas, será testada e difundida a técnica de cultivo de plantas de cobertura nas entrelinhas do café, prática que melhora significativamente a saúde do solo.

    “Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, explica Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé.

    Estudo comprova potencial de sequestro de carbono na cafeicultura

    A técnica já foi validada cientificamente pelo estudo “Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais”, conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) em parceria com o professor Carlos Cerri, da Esalq/USP. A pesquisa integra a agenda de carbono do Cecafé.

    Os resultados impressionam: a manutenção do solo coberto, combinada com outras práticas conservacionistas, resulta em um balanço negativo (sequestro) de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica cultivado ao ano. Os dados demonstram o potencial concreto da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos do aquecimento global.

    “Os resultados desse trabalho são uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, afirma Silvia Pizzol.

    Da teoria à prática: ações no campo começam agora

    A parceria entre Cecafé e Emater-MG viabilizará a transição dos conhecimentos científicos para aplicação prática nas lavouras. A Emater-MG contribui com sua expertise técnica e capilaridade estadual, enquanto os exportadores associados ao Cecafé apoiam a mobilização dos produtores.

    Entre as ações previstas estão dias de campo focados em manejo sustentável, assistência técnica especializada aos cafeicultores, análises detalhadas de solo e biomassa, mobilização de produtores e elaboração de relatórios técnicos baseados nos resultados das Unidades Demonstrativas.

    Mercado e produtores se beneficiam da agricultura regenerativa

    Bernardino Cangussú Guimarães, coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, destaca que a iniciativa responde às demandas crescentes do mercado internacional por produtos sustentáveis.

    “Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa. Que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, comemora o coordenador.

    A colaboração marca um momento importante para o setor cafeeiro brasileiro, unindo esforços para construir uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e ambientalmente responsável. E garantindo a sustentabilidade da atividade para as próximas gerações.

  • Doação de agrosilício fortalece agricultura sustentável no Leste de Minas

    Doação de agrosilício fortalece agricultura sustentável no Leste de Minas

    O Programa de Doação de Agrosilício tem incentivado práticas agrícolas mais sustentáveis no Leste de Minas Gerais. Em 2025, os 28 municípios atendidos pelo escritório regional da Emater-MG em Governador Valadares receberam cerca de 980 toneladas do insumo, que beneficiaram aproximadamente 400 produtores familiares.

    A iniciativa é resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Emater-MG, prefeituras e a empresa Harsco Environmental.

    De acordo com o coordenador regional de Culturas da Emater-MG, Jader Murta, o agrosilício desempenha papel semelhante ao calcário na correção do pH do solo, tornando os nutrientes mais disponíveis para as plantas. “O programa oferece o insumo gratuitamente, reduzindo custos com fertilizantes químicos e, ao mesmo tempo, aumentando a produtividade e a qualidade da produção da agricultura familiar”, explica.

    O gerente regional da Emater-MG em Governador Valadares, Ademar Pires, destaca que o impacto vai além da distribuição do produto. Segundo ele, a iniciativa contribui para consolidar entre os agricultores uma cultura de análise e cuidado permanente com o solo, o que favorece práticas mais sustentáveis e fortalece a agricultura familiar. A ação também dialoga com os objetivos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que prioriza a oferta de alimentos saudáveis e de base agroecológica na merenda escolar.

    Beneficiados

    Um dos beneficiados é Gislei Alves dos Santos, pecuarista de leite em São José do Divino. A propriedade dele produz cerca de 200 litros de leite por dia, comercializados por meio de uma cooperativa regional. Desde 2024, ele utiliza o agrosilício tanto na pastagem quanto na lavoura de cana destinada à alimentação do rebanho. “Minha motivação foi o melhoramento da pastagem. O apoio técnico da Emater foi fundamental. A aplicação foi tranquila e já percebi melhora na rebrota”, relata. Com os bons resultados, Gislei planeja ampliar a área de cana e de pastagem nos próximos anos.

    O programa, criado em 2024, distribui fertilizantes doados pela Harsco Environmental às prefeituras, em parceria com a Seapa e a Emater-MG. O objetivo é melhorar a qualidade do solo, aumentar a produtividade agrícola e promover o uso eficiente de insumos no campo.

    Segundo o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária, Marlon Gomes Dias, a união entre poder público e iniciativa privada fortalece a agricultura familiar e amplia o acesso à tecnologia. “Essa integração assegura insumos de qualidade e democratiza o uso de novas práticas no campo”, afirma.

    A Emater-MG é responsável pelo acompanhamento técnico, que inclui análises de solo e apoio na distribuição. Para o coordenador técnico estadual de Culturas da instituição, Sérgio Brás Regina, os resultados de 2025 superaram as expectativas. “Distribuímos 12.667 toneladas, enquanto a meta era de 10 mil. Isso reforça o compromisso com a sustentabilidade e o fortalecimento da agricultura familiar”, explica.

    O alcance da iniciativa cresce a cada ano. Em 2024, cerca de 5 mil toneladas de agrosilício atenderam 90 municípios mineiros. Já em 2025, o programa beneficiou 111 municípios em diferentes regiões do estado.

  • Cafés especiais: concursos transformam produtores de Minas em exportadores

    Cafés especiais: concursos transformam produtores de Minas em exportadores

    Os concursos de qualidade de café estão revolucionando a vida de produtores rurais em Minas Gerais. Em 2025, o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais registrou um crescimento extraordinário de 31% no número de inscrições, saltando de 1.406 participantes em 2024 para 1.847 neste ano.

    O fenômeno é explicado pela valorização excepcional dos lotes premiados no mercado. Os grãos vencedores chegam a ser comercializados por até três vezes o valor do café convencional, proporcionando aumentos de renda que transformam completamente a realidade das famílias produtoras.

    Valores recordes movimentam o mercado de cafés especiais

    Os números da última edição impressionam: o café vencedor do concurso de 2024 foi adquirido por uma rede de supermercados por R$ 6 mil a saca, além do prêmio de R$ 10 mil recebido pelo Grande Campeão. Os grãos do segundo e terceiro lugares foram comercializados por R$ 5 mil e R$ 4 mil por saca, respectivamente.

    “Como o café subiu bastante no último ano, comprado por R$ 2,5 mil a saca anteriormente, a diferença de preços foi menos acentuada, mas nos últimos anos tivemos o lote campeão sendo vendido por três vezes a cotação do dia”, explica Bernardino Cangussu, coordenador estadual de Cafeicultura da Emater-MG.

    Matas de Minas: de região esquecida a potência nacional

    A transformação é ainda mais notável na região das Matas de Minas, dentro da Zona da Mata mineira. Willem Araújo, coordenador estadual de Culturas da Emater-MG, destaca a evolução impressionante da área.

    “Há alguns anos, nas Matas de Minas, quase não havia café de qualidade, mas atualmente a região é uma das maiores produtoras de cafés finos do país”, afirma Araújo, ressaltando o papel fundamental dos concursos municipais, regionais e estaduais na melhoria da qualidade.

    O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, agora em sua 22ª edição, consolidou-se como a maior e mais tradicional competição voltada exclusivamente para cafés especiais produzidos no estado.

    Família Lacerda: seis prêmios e exportação para quatro países

    Um dos casos de sucesso mais emblemáticos é o da família Lacerda, de Espera Feliz. José Alexandre Lacerda representa uma dinastia cafeeira que acumula seis prêmios estaduais (2012, 2014, 2017, 2019, 2022 e 2024) e três nacionais (2012, 2016 e 2020).

    Família Lacerda. Foto: Rafael Soal/Emater-MG

    “Nasci na cafeicultura, mas era uma vida muito difícil com o café convencional. Quando o extensionista da Emater-MG sugeriu entrarmos no concurso, já na primeira vez ganhamos um prêmio”, relembra José Alexandre.

    Hoje, o sítio Di Lacerda vende para torrefações e cafeterias em vários estados brasileiros e exporta para Portugal, Espanha, Inglaterra e Japão. Os valores dos cafés especiais giram entre 60% e 100% acima do preço de uma saca comum.

    “Vem gente do mundo inteiro aqui. Passar de produtor de café convencional para o gourmet foi como se tivéssemos achado uma mina de ouro”, celebra o cafeicultor.

    Estratégias digitais impulsionam vendas diretas

    Também na Zona da Mata, a cafeicultora Silmara Emerick, de Alto Jequitibá, desenvolveu uma estratégia diferente para aproveitar o prestígio dos concursos. Premiada regularmente nas competições regionais das Matas de Minas e do Caparaó, ela optou pela venda direta ao consumidor através das redes sociais.

    “Temos nossa marca de café e usamos a internet, Instagram e WhatsApp para comercializar nosso produto”, explica Silmara. A família também participa anualmente da Semana Internacional de Café (SIC), importante vitrine do setor.

    Plataforma digital amplia alcance dos produtores

    A Emater-MG criou ainda o site “É do Campo”, uma plataforma de vendas online que conecta produtores da agricultura familiar diretamente aos consumidores. Muitos dos cafeicultores premiados nos concursos utilizam a ferramenta para comercializar seus produtos com suas próprias marcas.

    Thiago Oliveira, coordenador regional da Emater-MG em Manhuaçu, destaca que os concursos, com inscrições gratuitas, representam “a vitrine mais acessível de projeção do cafeicultor”.

    “Os concursos atraem a atenção do mercado pois facilitam que identifiquem bebidas de alta qualidade. Vale a pena participar também para estreitar relações com cafeterias e compradores”, conclui Oliveira.

    Sobre o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais

    Promovido pelo Governo de Minas Gerais através da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), o concurso é gratuito e está em sua 22ª edição. A competição avalia exclusivamente cafés especiais produzidos no estado e se consolidou como a maior do gênero no Brasil.

  • É hoje: concurso elege a maior mandioca de Montes Claros

    É hoje: concurso elege a maior mandioca de Montes Claros

    Montes Claros sedia o primeiro concurso da maior mandioca da região. A competição acontece durante a 51ª Expomontes e busca identificar as maiores e mais pesadas raízes de mandioca de mesa da safra 2025.

    A Emater-MG organiza o evento em parceria com a Prefeitura de Montes Claros e a Sociedade Rural local. Quatro amostras concorrem nas categorias de maior comprimento e maior peso.

    As raízes passaram por análise técnica de uma comissão julgadora especializada. Os participantes podem conferir as amostras expostas na Feira Regional da Agricultura Familiar, que integra a programação da Expomontes.

    O resultado será anunciado nesta sexta-feira (11/7), a partir do meio-dia, no Parque de Exposições João Alencar de Athayde.

    Incentivo ao cultivo regional

    “A mandioca tem alto consumo na região, mas está sendo pouco cultivada”, explica Antônio Dumont, técnico da Emater-MG em Montes Claros. “Nossa intenção é trabalhar com os agricultores para aumentar esse cultivo.”

    A iniciativa visa promover uma cultura estratégica para o Norte de Minas. A região enfrenta escassez hídrica, e a mandioca apresenta boa adaptação a essas condições climáticas.

    mandioca
    Foto: Divulgação Emater-MG

    A região Norte de Minas Gerais cultiva mandioca de mesa em 3 mil hectares. A safra 2025 deve alcançar 46 mil toneladas, segundo dados da Emater-MG.

    Aproximadamente 4,8 mil agricultores trabalham com o cultivo da raiz na região. Minas Gerais ocupa a 8ª posição nacional na produção de mandioca, com a região norte liderando dentro do estado.

    Expomontes 2025 fortalece agricultura familiar

    A 51ª Expomontes ampliou significativamente o espaço para pequenos produtores. O evento reúne 60 barracas, número expressivamente maior que os 40 expositores dos anos anteriores.

    A feira espera 350 mil visitantes ao longo dos 11 dias e deve movimentar aproximadamente R$ 400 milhões em negócios.

    Cerca de 50 agricultores familiares expõem e comercializam produtos regionais durante a Expomontes. O público encontra mel, derivados da cana, derivados do milho, beiju, requeijão, quitandas, artesanato, doces cristalizados, paçoca e comidas típicas. A feira acontece até domingo (13/7), último dia da exposição agropecuária.

    A Emater-MG também promove uma Mostra Tecnológica durante o evento. Produtores rurais visitam os estandes para conhecer novidades em máquinas, implementos agrícolas, insumos e equipamentos de irrigação.

    A atividade busca apresentar tecnologias adequadas para uso na região, considerando as características climáticas e econômicas locais.

    Importância estratégica da mandioca

    As pequenas propriedades são a maioria na produção de mandioca, reforçando o papel da cultura para a agricultura familiar. A raiz representa uma fonte de renda importante para os produtores do Norte de Minas.

    A cultura adapta-se bem ao clima semiárido da região e oferece alternativa sustentável para os agricultores familiares. O concurso da Emater-MG representa um passo importante no reconhecimento e valorização desta atividade agrícola.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Manga é a fruta brasileira mais exportada em 2025

    + Agro em Campo: Tarifa de Trump contra Brasil é criticada por CNA

  • Queijo mineiro conquista prêmio inédito na ExpoQueijo 2025

    Queijo mineiro conquista prêmio inédito na ExpoQueijo 2025

    O queijo artesanal “Pedra do Segredo”, produzido em Alagoa (MG), conquistou pela primeira vez o prêmio Super Ouro na ExpoQueijo Brasil 2025. A vitória marca um feito histórico, já que nas quatro edições anteriores, apenas queijos italianos e argentinos haviam vencido a principal categoria da competição.

    O produtor Jayme Porfírio Mendes, da Queijaria Pedra do Segredo, não esperava o resultado. “Sou um pequeno produtor familiar em uma cidadezinha de 2 mil habitantes. Jamais imaginei que meu queijo superaria italianos e argentinos”, declarou o queijeiro, que não pôde comparecer à premiação por questões de saúde.

    O queijo vencedor possui massa semi-cozida, é feito com leite cru e maturado por mais de 180 dias. A produção é 100% artesanal e apresenta pontuação superior a 86 pontos na escala da SCA (Specialty Coffee Association).

    Foto: Expoqueijo

    Mendes produz apenas seis queijos por dia a partir de 300 litros de leite. Ele credita o sucesso ao apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), que ofereceu assistência técnica fundamental para sua trajetória.

    Minas Gerais domina a competição

    O Brasil liderou o ranking geral com 39 prêmios “Ouro” em 42 categorias disputadas. Os produtores mineiros conquistaram 69 medalhas no total: 24 de ouro, 21 de prata e 24 de bronze, representando mais de 50% dos prêmios distribuídos.

    O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, celebrou o resultado: “A ExpoQueijo cumpriu seu papel. Mais de 50% dos queijos vencedores são do nosso estado e o grande vencedor é mineiro”.

    A ExpoQueijo Brasil 2025 reuniu mais de mil concorrentes de 17 países, consolidando-se como a principal competição de queijos artesanais das Américas. O evento é organizado pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seapa), em parceria com a Epamig e o Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT).

    O concurso busca dar visibilidade aos produtos, profissionalizar a cadeia produtiva e agregar valor aos queijos artesanais brasileiros.

    Outros destaques mineiros

    Os produtores Reginaldo de Assis Castro e Liliane Patrícia, do queijo Três Irmãos em Tapira (Alto Paranaíba), também se destacaram. Em três anos de participação, acumularam 11 medalhas: uma de prata na estreia, cinco na segunda participação, quatro no ano passado e mais uma em 2025.

    O queijo vencedor deste ano é um Minas Artesanal de Casca Florida, descrito como leve, suave e cremoso por dentro. Liliane começou a produção de forma despretensiona, aproveitando o leite de uma vaca. Hoje, o casal produz cerca de 70 queijos por dia.

    Alagoa tem tradição queijeira que remonta ao século 18, quando o coronel Porfírio Mendes Pinto figurava como um dos maiores produtores de leite da região. A cidade, localizada nas terras altas da Mantiqueira, faz parte da tradicional Região do Queijo de Minas Gerais.

    “Todos os queijos presentes são de produtores totalmente dedicados à arte de fazer queijo artesanal. Independente do troféu, eles saem vencedores”, afirmou a organizadora da ExpoQueijo, Maricell Hussein.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Matrona leva essência afetiva e café colaborativo ao São Paulo Coffee Festival 2025

    + Agro em Campo: Demanda da China por gelatina ameça jumentos no Brasil

  • Minas Gerais prevê safra recorde de tangerina ponkan em 2025

    Minas Gerais prevê safra recorde de tangerina ponkan em 2025

    Minas Gerais deve colher 238,6 mil toneladas de tangerina ponkan em 2025, consolidando-se como o segundo maior produtor da fruta no Brasil, atrás apenas de São Paulo. A projeção foi divulgada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). E aponta crescimento de 3,1% em relação ao volume registrado em 2024. O pico da colheita ocorre entre maio e julho, período de maior movimentação nos pomares do estado.

    O cultivo da tangerina ponkan, também conhecida como mexerica, ocupa uma área de 12,4 mil hectares em Minas Gerais e é dominado pela agricultura familiar. São 6.175 pequenos produtores responsáveis pela produção, que se beneficia do fácil manejo da planta e da alta produtividade por hectare, fatores que garantem boa rentabilidade aos agricultores.

    Segundo Deny Sanábio, coordenador de fruticultura da Emater-MG, “a ponkan tem uma predominância da agricultura familiar por ser uma planta de fácil manejo, com uma produtividade alta por hectare. Isso traz um rendimento bom para os produtores”.

    Principais polos produtores

    Os três municípios mineiros com maior produção de tangerina ponkan são Belo Vale (região Central), Campanha (Sul de Minas) e Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte). Em Belo Vale, maior polo produtor do estado, a expectativa é colher 34,6 mil toneladas em 2025, numa área de 2,1 mil hectares dedicada à fruta.

    A fruta se adapta melhor a regiões com temperaturas médias entre 20°C e 30°C, o que favorece áreas como o Sul de Minas, região Central, Zona da Mata e Campo das Vertentes. As temperaturas mais elevadas reduzem a expressão do cultivo no Norte e Nordeste do estado. Mas o uso de irrigação pode viabilizar a produção nessas regiões.

    A tradição da produção de ponkan em Minas Gerais é passada de geração em geração. Produtores como Flávio Amaral Santos, de Belo Vale, mantêm a atividade na família desde a década de 1960. “É um plantio que vem passando de geração a geração. Tenho orgulho da nossa história”, relata. Mesmo com atraso na colheita este ano devido à baixa pluviosidade em fevereiro e março, a expectativa é de boa safra e vendas para diversos mercados do país. Isso inclui São Paulo, Belo Horizonte, Uberlândia, Maceió, Teresina, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

    Desafios sanitários: combate ao greening

    A Emater-MG reforça a necessidade de cuidados para evitar o greening, doença bacteriana considerada a mais grave da citricultura. O greening provoca deformação dos frutos, maturação irregular, queda de produtividade e pode levar à morte das plantas. A principal forma de controle é a eliminação imediata das plantas contaminadas, controle do inseto transmissor (psilídeo), uso de mudas sadias e viveiros certificados. Além da erradicação de pomares antigos que possam servir de foco para a doença. Técnicos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) devem acompanhar a eliminação de plantas doentes, conforme as normas do Ministério da Agricultura.

    No cenário nacional, Minas Gerais ocupa posição de destaque, respondendo por uma parcela significativa da produção brasileira de tangerina. O estado mantém desempenho superior à média nacional em produtividade e área cultivada, reforçando sua importância para a citricultura do país.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Emprego no agronegócio atinge recorde no primeiro trimestre

    + Agro em Campo: Frio intenso e geadas ameaçam lavouras no Paraná

     

  • Pecuaristas do Sul de Minas investem em  fertilização in vitro

    Pecuaristas do Sul de Minas investem em fertilização in vitro

    Pecuaristas de leite dos municípios de Santa Rita de Caldas, Caldas, Ipuiúna e Senador José Bento, no Sul de Minas Gerais, estão investindo em fertilização in vitro (FIV) para aprimorar geneticamente seus rebanhos. A iniciativa já beneficia mais de 30 produtores da região. E é resultado de uma parceria entre Emater-MG, Sebrae Minas e prefeituras locais, e tem impulsionado o aumento do rebanho e da produtividade leiteira.

    A fertilização in vitro é uma biotecnologia de reprodução que coleta óvulos de vacas selecionadas e os fecunda em laboratório com sêmen de touros de alta qualidade genética. Em seguida, técnicos transferem os embriões resultantes para vacas receptoras, o que acelera o melhoramento genético do rebanho.

    Segundo Rodrigo Beck Júnior, coordenador técnico regional de Pecuária da Emater-MG, a técnica é eficiente, mas exige alto investimento. Para facilitar o acesso dos pequenos produtores, o programa Sebraetec FIV, do Sebrae Minas, subsidia 70% do custo da transferência de embriões, enquanto o restante é pago pelo produtor. A Emater-MG atua na mobilização, orientação técnica e acompanhamento dos processos, desde a gestação até o nascimento dos bezerros.

    Resultados práticos: mais produtividade e sustentabilidade

    O produtor Eliton Ferreira Silva é um dos beneficiados pelo programa. Ele realizou o sonho de criar um rebanho girolando, predominantemente de animais meio-sangue, graças ao acesso facilitado à FIV. “O resultado foi excelente, aumentei muito a minha produção. Os animais são mais resistentes a doenças e mais férteis”, comemora. Atualmente, Eliton possui mais de 100 cabeças, sendo 57 provenientes da fertilização in vitro, e pretende continuar investindo na tecnologia para expandir sua produção de leite.

    Entre as vantagens do melhoramento genético via FIV estão o rápido avanço do padrão racial e a valorização financeira do rebanho. Além da maior eficiência produtiva e menor impacto ambiental. “É possível aumentar a produção com menos animais, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, a necessidade de áreas para pastagem, o volume de dejetos e o consumo de água”, explica Rodrigo Beck.

    Expansão do programa e impacto regional

    De acordo com Ivan Figueiredo, analista técnico do Sebrae Minas, o programa Sebraetec FIV, iniciado em 2019, já atende tanto pecuaristas de leite quanto de corte. A expectativa é ampliar a iniciativa para outros municípios, como Jacutinga, São Pedro da União e Guaranésia. E assim, promover uma pecuária mais sustentável, competitiva e rentável em toda a região.

    Para participar do programa, o produtor precisa apresentar documentos pessoais, inscrição de produtor rural e ter ao menos 10 animais aptos ao protocolo reprodutivo. E cadastrar-se no escritório local da Emater-MG.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Operação apreende mais de 50 toneladas de soja no Rio Grande do Sul

    + Agro em Campo: Greening ameaça pomares do Vale do Ribeira