Tag: Emater MG

  • Filha abandona carreira para salvar legado de cachaça artesanal

    Filha abandona carreira para salvar legado de cachaça artesanal

    A tecnóloga em Gestão Ambiental Aline Alves Pereira trocou a profissão pela roça. E essa decisão garantiu a sobrevivência de um negócio familiar com mais de quatro décadas de história. Ela retornou ao Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para reforçar a mão de obra da família e assumir a sucessão na produção artesanal de cachaça iniciada há 43 anos pelo pai.

    As irmãs Renata(esquerda) e Aline (direita) assumem a gestão com o pai, João Alves Pereira, e ampliam a comercialização da Durvalina. Foto: Renata Alves Pereira

    A história do alambique começa com uma aposta de João Alves Pereira, que decidiu investir na destilaria após enfrentar prejuízos com o cultivo de hortaliças. “Ele teve o apoio do meu avô Durval, que era degustador de cachaça. Os dois montaram o negócio e, como forma de homenagear o patriarca da família, a cachaça se chama Durvalina”, conta Aline.

    Aos 74 anos, João ainda acompanha todas as etapas da produção. E para a filha, trabalhar ao lado dele representa motivo de orgulho.

    Regularização e apoio técnico

    Um dos primeiros desafios que Aline enfrentou ao entrar no negócio foi a regularização do alambique junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A extensionista da Emater-MG Carolina Vilela Moreira explica que tanto o escritório local quanto a unidade central da empresa acompanharam o processo de reforma, a regularização do alambique e a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

    O suporte técnico da Emater-MG, combinado à dedicação da família, viabilizou as reformas e adaptações necessárias. “A regularização é a concretização de todo o esforço dedicado. Seria impossível sem a dedicação de todos. É um mix de emoções: alívio, alegria e sensação de dever cumprido”, afirma Aline.

    Gestão compartilhada e dois tipos de cachaça

    Hoje, Aline e a irmã Renata Alves Pereira respondem pela gestão administrativa do negócio. O pai, um primo e um funcionário cuidam do cultivo da cana-de-açúcar e da produção da bebida. O alambique produz dois tipos de cachaça: a branca, armazenada em barris de madeira de amendoim, e a amarela, envelhecida em barris de amburana. A comercialização alcança os municípios de Igarapé, São Joaquim de Bicas e Juatuba.

    Para a extensionista Carolina Vilela, a família representa um exemplo de integração entre gerações no campo. “O diálogo entre pai e filhas resultou em transformações no alambique, na organização do processo produtivo e na qualidade da cachaça. A participação das irmãs evidencia a crescente inserção das mulheres nas atividades produtivas do meio rural e traz novas perspectivas para o setor”, avalia.

  • Cultivo de pimenta-do-reino avança e atrai agricultores familiares

    Cultivo de pimenta-do-reino avança e atrai agricultores familiares

    O cultivo de pimenta-do-reino  ganha espaço como alternativa de renda para agricultores familiares em Minas. E já se consolida em municípios como Ataléia, Novo Oriente de Minas, Teófilo Otoni e Águas Formosas.

    plantio de pimenta do reino
    Foto: Divulgação Emater-MG

    O avanço da pimenta-do-reino em Minas acompanha a adaptação da cultura ao clima quente dessas regiões. Produtores locais adotam o plantio em pequenas áreas, principalmente como complemento à renda obtida com pecuária e outras lavouras. Segundo o coordenador regional de Culturas da Emater-MG, Sandro Rodrigues da Silva, o modelo tem mostrado bons resultados e estimula a expansão gradual da atividade.

    Apesar do Espírito Santo liderar a produção nacional, com cerca de 60% do volume, Minas Gerais amplia sua participação com base na agricultura familiar.

    Capacitação técnica impulsiona produção

    A transferência de conhecimento técnico tem papel central no crescimento da cultura em Minas. Em Teófilo Otoni, a Emater-MG promoveu recentemente um simpósio e um Dia de Campo voltados à pimenta-do-reino. Os eventos reuniram produtores e especialistas para discutir práticas de plantio, manejo e estratégias de comercialização.

    As atividades contaram com apoio da Emater-Pará e da empresa Tropoc, referência na cadeia da especiaria. A iniciativa buscou fortalecer a troca de experiências e ampliar o nível técnico dos produtores mineiros, fator considerado decisivo para a expansão sustentável da cultura.

    O mercado da pimenta-do-reino apresenta ciclos de preços, mas mantém bom potencial de rentabilidade. Atualmente, o quilo do produto gira em torno de R$ 26, embora já tenha alcançado picos de R$ 40 e recuado para cerca de R$ 7 em períodos de baixa. Essa volatilidade exige planejamento, mas não reduz o interesse dos produtores.

    Produção cresce e atrai investimentos

    A produtora Dionísia Jardim, de Ataléia, representa o avanço da cultura na região. Ela iniciou o cultivo há três anos e hoje mantém cerca de sete mil pés em produção, em uma área de aproximadamente um hectare. Diante dos resultados positivos, já planeja ampliar o plantio.

    Segundo a agricultora, a pimenta-do-reino apresenta adaptação superior a outras culturas tradicionais, como o café. Ela também destaca a importância da capacitação técnica para o crescimento da atividade na região.

    O potencial produtivo tem atraído investimentos. Empresas do setor avaliam a instalação de estruturas de beneficiamento em Teófilo Otoni, com o objetivo de transformar o município em um polo regional da pimenta-do-reino. Produtores também discutem a criação de uma cooperativa para fortalecer a comercialização e viabilizar exportações diretas.

    Exportação domina destino da produção

    Atualmente, a produção dos Vales do Mucuri e do Jequitinhonha segue para o Espírito Santo, principal hub exportador do país. De lá, o produto abastece mercados da Europa, Estados Unidos e Ásia.

    O Brasil ocupa posição de destaque no cenário global, como segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, atrás apenas do Vietnã. Cerca de 90% da produção nacional segue para o mercado externo, reforçando o potencial da cultura como geradora de divisas.

  • Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    A Zona da Mata mineira ganha uma nova aposta no turismo rural com a inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina, marcada para esta quarta-feira (3). O projeto conta com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e da IGR Serras de Ibitipoca, além da parceria das prefeituras de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas. A iniciativa conecta produtores rurais, empreendedores e comunidades locais para estimular o desenvolvimento regional.

    A abertura oficial ocorre às 15h, no Rancho Minas Forno, em Cachoeira do São Bento, zona rural de Lima Duarte. A programação começa com a palestra “Turismo Rural e desenvolvimento: parcerias que transformam vidas no campo”, ministrada pela coordenadora estadual de turismo rural e artesanato da Emater-MG, Thatiana Daniella Garcia. As atividades seguem até sábado (6) e incluem passeio ciclístico, caminhada ecológica e lançamento de livro.

    A organização estima a participação de cerca de 300 turistas. Interessados em participar do ciclismo ou da caminhada devem se inscrever previamente pelos telefones (32) 99907-1819 e (27) 98844-2068.

    Rota

    A rota reúne 21 empreendimentos, entre restaurantes, pousadas, bares e propriedades rurais. Os pontos estão distribuídos nas comunidades de Cachoeira de São Bento, Rosa Gomes, Souza do Rio Grande, São José do Palmital, São Domingos da Bocaina, Capoeira Grande, Dois Córregos e Viegas, além dos municípios de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas.

    Segundo a extensionista da Emater-MG, Roberta Brangioni, a rota amplia as oportunidades de renda e fortalece o desenvolvimento rural sustentável. “A proposta consolida o turismo rural como alternativa complementar à atividade agropecuária”, afirma.

    O técnico da IGR Serras de Ibitipoca, Márcio Lucinda, destaca que o projeto pode impulsionar melhorias em infraestrutura e serviços públicos nas áreas rurais. “A iniciativa amplia a oferta de lazer, hospedagem e alimentação, além de incentivar novos empreendimentos turísticos”, explica.

    Origem do projeto

    A criação da Rota Ferrovia da Bocaina começou em 2024, durante o II Seminário Regional de Turismo Rural promovido pela Emater-MG. A proposta surgiu após uma produtora rural apresentar a ideia de estruturar um roteiro turístico na região.

    Em parceria com a IGR Serras de Ibitipoca e apoio das prefeituras, a Emater-MG realizou diagnósticos comunitários com base na metodologia Mexpar para mapear o potencial turístico das localidades. As equipes também conduziram visitas técnicas e orientaram produtores sobre boas práticas agropecuárias, manipulação de alimentos e serviços de hospedagem.

    Localizada entre a Serra Negra e a Serra do Ibitipoca, a rota possui cerca de 85 quilômetros de extensão e preserva vestígios de um antigo ramal ferroviário planejado para ligar Lima Duarte a Bom Jardim de Minas.

  • 4ª edição do Mulheres do Agro tem foco no protagonismo feminino no campo

    4ª edição do Mulheres do Agro tem foco no protagonismo feminino no campo

    Curvelo recebe, nesta quinta-feira (14/5), a 4ª edição do Mulheres do Agro, evento que reúne produtoras rurais, lideranças regionais e representantes de instituições do agronegócio. A organização espera cerca de 300 participantes no Tattersall Mário Ermírio de Moraes, no Parque de Exposições de Curvelo, na região Central de Minas Gerais. A programação começa às 8h e integra a 81ª Expo Curvelo.

    A Emater-MG participa do evento com estande próprio e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), reforçando o circuito mineiro de inovação no agronegócio. “A quarta edição do Mulheres do Agro é um encontro construído a várias mãos, com o objetivo de promover a valorização e a autonomia da mulher no Coração do Estado”, afirma o gerente regional Virginio Alves Pereira Neto.

    A programação inclui palestras de Simone Roncada e Andrea Sayar, que compartilham experiências e reflexões sobre o protagonismo feminino no setor agropecuário.

    A Associação Mineira dos Criadores de Zebu (AMCZ) e o Sindicato dos Produtores Rurais de Curvelo realizam o evento em parceria com entidades do agronegócio. Desde 2023, a iniciativa valoriza, inspira e fortalece mulheres do campo, contribuindo também para o desenvolvimento das comunidades rurais.

    As inscrições são gratuitas e estão disponíveis pelo link de cadastro.

  • Força feminina transforma a produção rural em Divino, Minas Gerais

    Força feminina transforma a produção rural em Divino, Minas Gerais

    No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a força feminina no campo mineiro se revela nas histórias das produtoras de Carangolinha de Cima, comunidade rural de Divino, na Zona da Mata de Minas Gerais. Lá, as mulheres transformam a terra e o sustento das famílias por meio da agricultura familiar.

    Cerca de 60% dos 200 moradores da comunidade são mulheres, responsáveis por todas as etapas da produção agrícola, do plantio à comercialização. Elas cultivam cafés especiais, hortaliças, frutas, farinhas, quitandas e doces, abastecendo feiras locais, mercados e programas de alimentação escolar.

    “Aprendi com minha mãe, que já se foi, a respeitar a natureza e trabalhar com amor”, conta Renata de Souza Gomes, de 40 anos. Agricultora e formada em Educação do Campo pela UFV, ela se dedica à produção de cafés especiais e mantém vivas as tradições da família em Carangolinha de Cima.

    Gerações

    A história de Renata reflete a força feminina de várias gerações. Ela vive com a avó, Geisha Neto de Souza, a dona Zica, de 90 anos, e com as tias Neli, Ana, Vanilda e Romilda. A jovem Valentina, de 12 anos, filha de Romilda, já demonstra vontade de seguir no mesmo caminho. “Aqui plantamos banana, feijão, abóbora, mandioca, abacate, manga, amora, pitanga… A lista é grande”, celebra Renata.

    A tradição começou com dona Zica, que, ainda no século passado, plantou as primeiras lavouras ao lado do marido. Para Renata, as mulheres sempre sustentaram o campo, mesmo quando o reconhecimento era raro. “Antes, cuidávamos dos quintais e da família, garantindo alimento e afeto. Hoje, temos orgulho de dizer que somos produtoras rurais”, afirma.

    Essa mudança trouxe independência financeira e visibilidade. “Muitos homens ainda perguntam por meu pai ou marido, e eu respondo com orgulho: pode falar comigo. Nada nos impede”, diz Renata, que estampa em suas embalagens a frase “Produzido por mulheres”.

    Apoio e protagonismo feminino

    O trabalho das produtoras de Carangolinha de Cima recebe apoio técnico da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). As ações incluem assistência no cultivo, capacitação e acesso a tecnologias agrícolas. “Participo de cursos e dias de campo que ampliam nosso conhecimento e fortalecem a produção”, conta Renata.

    Em 2025, a comunidade foi beneficiada pelo Programa Irriga Minas, que distribuiu kits de irrigação a 49 agricultores familiares de Divino. 27 deles destinados a mulheres da comunidade. Com o sistema de irrigação, as produtoras aumentaram a oferta de alimentos e o fornecimento ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), gerando mais renda para as famílias.

    “Ampliar a produção e fortalecer o protagonismo feminino no campo é essencial para o desenvolvimento rural sustentável”, destaca Emanuella Costa Torres, extensionista da Emater em Divino.

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    O mel exige cuidado desde a retirada da colmeia até o envase final para manter a qualidade e garantir a segurança alimentar. Pensando nisso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) lançou a “Cartilha Apicultura: Boas Práticas de Processamento”, que orienta apicultores sobre manejo adequado, higienização e prevenção de contaminações. O material está disponível gratuitamente na Livraria Virtual da Emater-MG.

    Segundo a publicação, o mel é um alimento natural produzido a partir do néctar das flores, e sua qualidade depende diretamente das plantas visitadas pelas abelhas, da pureza da água que consomem e dos cuidados do apicultor ao longo de todas as etapas de produção e processamento.

    De acordo com a cartilha, o produto deve manter as mesmas características que possuía dentro da colmeia. Uma vez perdida, a qualidade não pode ser recuperada, o que exige atenção constante aos critérios físicos, químicos e sensoriais, bem como ao cumprimento da legislação brasileira sobre alimentos de origem animal.

    “A produção de um mel seguro depende do manejo correto e do uso adequado das boas práticas durante a coleta, o transporte e o processamento, reduzindo os riscos de contaminações”, explica Márcia Portugal, coordenadora estadual de Pequenos Animais da Emater-MG e autora da cartilha.

    Principais riscos de contaminação

    O material técnico alerta sobre três tipos de contaminação:

    • Física, causada por materiais estranhos como terra, fragmentos de madeira ou insetos.
    • Química, decorrente de resíduos de detergentes, medicamentos ou agrotóxicos.
    • Biológica, provocada por microrganismos como leveduras e bactérias, que podem gerar fermentação e comprometer a segurança do consumidor.

    “Pequenos descuidos em equipamentos, instalações ou higiene da equipe podem inviabilizar o produto e trazer riscos à saúde pública”, destaca Portugal.

    Orientações sobre higienização e processamento do mel

    A cartilha reúne recomendações sobre limpeza de equipamentos, higiene da mão de obra e procedimentos adequados na colheita, transporte e extração do mel. O documento orienta a sanitização correta de pisos, paredes e superfícies com produtos apropriados e em concentrações seguras.

    No processamento, o mel passa por etapas como centrifugação, filtragem, decantação, envase e armazenamento. Cada fase deve respeitar parâmetros técnicos para evitar degradação dos açúcares e formação de substâncias indesejáveis, mantendo a pureza e a estabilidade do produto.

    Armazenamento e conservação

    O armazenamento adequado também é essencial. Para preservar o aroma, o sabor e as enzimas naturais, o consumidor deve guardar o mel em local seco, escuro e em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. A cristalização é um processo normal e indica pureza, não defeito do produto.

    A apicultura mineira é praticada, em sua maioria, por pequenos produtores rurais. O estado reúne cerca de 7,5 mil agricultores familiares dedicados à produção de mel, própolis e derivados, com uma produção anual estimada em 7,6 mil toneladas. As principais regiões produtoras são o Centro, Centro-Oeste e Norte de Minas, segundo dados da Emater-MG.

  • Em Minas, feiras livres garantem renda para quase 19 mil famílias do campo

    Em Minas, feiras livres garantem renda para quase 19 mil famílias do campo

    As feiras livres transformam ruas e praças em pontos pulsantes de economia e encontro em Minas Gerais. Aos sábados em Formiga, o aroma de hortaliças frescas, doces caseiros e queijos atrai uma clientela fiel. Para o produtor José Lopes, que há 36 anos comercializa seus produtos no local com ajuda do filho, a feira representa mais que um negócio. “A feira é tudo para mim. Enquanto eu tiver vida, eu vendo na feira. Quem compra lá já é família”, afirma.

    A história de José se repete em centenas de municípios. A Emater-MG, em parceria com as prefeituras, apoia e organiza feiras livres em quase 700 cidades mineiras. A iniciativa beneficia diretamente 18,9 mil famílias de agricultores, que encontram nesses espaços uma fonte vital de renda. Dados da empresa apontam uma renda média mensal de R$ 1.158,21 por família participante.

    “As feiras criam um espaço fundamental de socialização, profissionalização e inclusão socioeconômica. Elas geram emprego e renda, inserem o produtor no mercado e dinamizam o comércio local”, explica Raul Machado, coordenador técnico da Emater-MG. Machado destaca ainda um dado promissor: os jovens rurais já participam ativamente de 65% dessas feiras, mostrando o engajamento das novas gerações com a agricultura familiar.

    Conexão campo-cidade na capital

    Em Belo Horizonte, as feiras cumprem a missão de conectar o campo à cidade. Desde 2018, a Feira da Agricultura Familiar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) virou ponto de encontro mensal entre produtores e consumidores. O sucesso levou a parceria com a Emater-MG a se renovar até 2025.

    Mais de 100 agricultores e artesãos de 86 municípios já participaram do evento. Cada edição reúne cerca de 25 barracas e movimenta aproximadamente R$ 30 mil – valor que pode dobrar em datas comemorativas. “Adotamos um rodízio para garantir rotatividade e atender aos próprios agricultores, dando oportunidade a todos”, explica Wagner Santos Fani, coordenador regional da Emater-MG.

    A cafeicultora Conceição de Jesus Lara, de Piedade dos Gerais, coleciona clientes fiéis na feira. “O cliente compra, gosta e depois manda mensagem perguntando quando a gente volta. Diz que está com saudade do café”, relata.

    Além da ALMG, a Emater-MG coordena outras edições da Feira da Agricultura Familiar em BH, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Associação dos Técnicos Agrícolas de Minas (Atamg). O projeto usa recursos do Comitê Gestor do Dano Moral Coletivo para fortalecer a agricultura familiar.

  • Produtor tem a maior nota da história no Concurso de Cafés de Minas

    Produtor tem a maior nota da história no Concurso de Cafés de Minas

    O agricultor familiar João Pedro Emerick Ramos, de Alto Jequitibá, na região das Matas de Minas, alcançou um feito inédito no 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, promovido pela Emater-MG. Seu café atingiu 93,2 pontos, a maior nota já registrada desde o início da competição.

    Foto: Divulgação Emater-MG

    O anúncio dos vencedores ocorreu nesta semana, durante solenidade na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte. As amostras foram avaliadas pela metodologia da Specialty Coffee Association (SCA), referência mundial na classificação de cafés especiais.

    Aos 24 anos, João Pedro cultiva 20 hectares de café com a família e o apoio técnico da Emater-MG. O café premiado leva o nome João Miguel, homenagem ao filho do produtor. “Desde 2019 trabalhamos com café especial. É um esforço conjunto da família, com muita dedicação e carinho. Nosso objetivo é sempre fazer tudo com excelência”, contou o campeão.

    Com o título estadual, João Pedro recebeu R$ 10 mil em prêmio. E também foi reconhecido como Produtor Destaque do programa Certifica Minas Café, o maior programa público de certificação de propriedades cafeeiras do país.

    Recorde de participação e valorização do café mineiro

    A edição de 2025 do concurso bateu recorde de inscrições, com 1.857 amostras provenientes de 162 municípios mineiros. Foram mais de 10 mil xícaras avaliadas em todas as etapas. A disputa envolveu as quatro principais regiões produtoras (Sul de Minas, Cerrado, Matas de Minas e Chapada de Minas) em duas categorias: Café Natural e Café Cereja Descascado/Despolpado/Desmucilado, com cafés 100% Arábica da safra 2025.

    Para o presidente da Emater-MG, Otávio Maia, o concurso é essencial para o desenvolvimento da cafeicultura mineira. “É uma estratégia de extensão rural e assistência técnica que incentiva a melhoria contínua da qualidade e valoriza, principalmente, a agricultura familiar presente na cafeicultura”, afirmou.

    Premiação e mercado para os cafés campeões

    Durante o evento, a cafeicultora Beatriz Aparecida de Souza Guimarães, de Serra do Salitre, no Cerrado Mineiro, recebeu o prêmio Mulher Destaque em Qualidade, com a nota de 91 pontos. Os dois primeiros colocados também receberam prêmios em dinheiro oferecidos pelo Sicoob Crediminas.

    Os cafés campeões terão compra garantida pelo Supermercado Verdemar, que pagará até R$ 6 mil por saca e lançará, em 2026, uma linha especial com os produtos vencedores.

    O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, destacou o papel do café no agro mineiro. “De janeiro a novembro, o agronegócio estadual exportou US$ 18,1 bilhões, superando a mineração. O café responde por 52% dessas exportações”, ressaltou.

    O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é promovido pela Emater-MG, em parceria com a Seapa, Ufla, Faepe e o Conselho Nacional do Café (CNC). E tem patrocínio do Sistema Sicoob Crediminas e dos Supermercados Verdemar.

    Vencedores – Categoria Cereja Descascado

    Matas de Minas
    1º João Pedro Emerick Ramos – Alto Jequitibá – 93,2 pts – CAMPEÃO ESTADUAL
    2º Flávio José Protásio de Abreu – Espera Feliz – 92,8 pts
    3º Tatiane Larissa Quintino – Manhuaçu – 92,2 pts

    Sul de Minas
    1º Flávio Roberto Carvalho Ferraz – Dom Viçoso – 88,8 pts
    2º João Onofre da Silva – São Pedro da União – 88,7 pts
    3º Thiago Chagas de Almeida – Muzambinho – 88,4 pts

    Cerrado
    1º Beatriz Aparecida de Souza Guimarães – Serra do Salitre – 91 pts
    2º Luciano Rodrigues Carneiro – Patrocínio – 88,8 pts
    3º Eduardo Pinheiro Campos – Presidente Olegário – 87,9 pts

    Chapada
    1º Vicente de Paula Rego de Lima – Angelândia – 88,2 pts
    2º Vílson dos Reis Resende – Rio Pardo de Minas – 86,8 pts

    Vencedores – Categoria Café Natural

    Matas de Minas.
    lass=”yoast-text-mark” />>1º José Alexandre de Abreu Lacerda – Espera Feliz – 92,8 pts
    2º Augusto Evaristo Lacerda – Espera Feliz – 92,3 pts
    3º Luiz Felipe Lacerda Gomes – Espera Feliz – 91,2 pts

    Sul de Minas.
    >1º Rosângela Camelo Sebe Barbosa – Dom Viçoso – 91,4 pts
    2º Gabriel Borges Oliveira – Carmo do Rio Claro – 91,1 pts

    3º Pieter Keijsers – São Sebastião do Paraíso – 90,6 pts

    Cerrado.
    1º Sílvia Nishikawa – Campos Altos – 89,4 pts
    2º Márcia Mayumi Tomizawa – Carmo do Paranaíba – 88,1 pts
    3º Thiago Corsi – Rio Paranaíba – 87,9 pts

    Chapada.
    1º Cláudio Fujio Nakamura – José Gonçalves de Minas – 87,4 pts
    2º Ecoagrícola – Francisco Dumont – 87 pts

    Produtor Certifica Minas Café: João Pedro Emerick Ramos – Alto Jequitibá

    Mulher Destaque em Qualidade/Certifica Minas Café: Beatriz Aparecida de Souza Guimarães – Serra do Salitre

    Extensionista Destaque: Antônio Fernando Teixeira – Carangola

  • Natal da roça: plataforma conecta consumidores direto com agricultores

    Natal da roça: plataforma conecta consumidores direto com agricultores

    A Emater-MG criou o site ÉdoCampo há alguns anos, e agora a plataforma digital virou uma vitrine estratégica para quem quer fugir dos presentes convencionais neste Natal. A campanha lançada neste fim de novembro aposta numa ideia simples: conectar consumidores direto com produtores rurais mineiros.

    São 120 agricultores e estabelecimentos cadastrados que oferecem aproximadamente mil produtos diferentes. Queijos artesanais que ganharam prêmios importantes, cafés especiais que colocam Minas no mapa mundial, cachaças envelhecidas, doces caseiros, artesanato e até cosméticos naturais. Tudo isso chega na porta de casa, em praticamente qualquer canto do país.

    “A gente começou uma campanha bem legal de Natal, mostrando várias opções de presentes que vem da agricultura familiar. Quem quiser acompanhar as novidades é só seguir o Instagram @edocampooficial”, conta Thiara Viggiano, coordenadora técnica estadual da Emater-MG que toca o programa.

    Histórias que temperam a comida

    Maria Virgínia Guimarães produz temperos e antepastos em Casa Branca, um distrito tranquilo de Brumadinho. Há dez anos ela trabalha com produtos naturais, sem aqueles conservantes industriais que enchem os rótulos de nomes impronunciáveis. “Seria incrível se as pessoas conhecessem essa linha neste Natal. Os temperos tem usos bem diferentes na cozinha, e os antepastos são perfeitos pra quem vai receber visita ou montar uma ceia especial”, ela sugere com aquele entusiasmo de quem realmente acredita no que faz.

    Todos os produtos que aparecem no ÉdoCampo passaram por habilitação sanitária, seja federal, estadual ou municipal. A Emater-MG não apenas disponibiliza a plataforma mas também presta assistência técnica pros agricultores participantes, garantindo que eles produzam seguindo as melhores práticas.

    “O site tá crescendo bastante. Recentemente lançamos seções novas: uma pra turismo rural e outra pra compras no atacado, a ‘Compre Mais, Pague Menos’”, explica Thiara. A coordenadora também destaca uma novidade que deve animar muita gente: produtos selecionados agora tem frete grátis pro Sul e Sudeste quando a compra passa de R$ 150 do mesmo produtor.

    As compras funcionam de forma bem simples: você escolhe os produtos, paga com cartão de crédito ou Pix, e espera chegar em casa. Nada de complicação.

    Um presente que alimenta histórias

    Enquanto os shoppings lotam e as lojas virtuais bombardeiam emails promocionais, o ÉdoCampo aposta numa proposta diferente. Cada queijo, cada pote de geleia, cada saco de café especial carrega junto a história de quem produziu. É agricultura familiar encontrando espaço num mercado que costuma favorecer as grandes marcas.

    Pra quem já cansou de dar perfume importado ou eletrônico que vai ficar obsoleto em dois anos, presentear com comida de verdade pode ser aquela escolha que surpreende. E de quebra, você ainda ajuda famílias que vivem do campo a fortalecer seus negócios.

    Serviço:

    Site: ÉdoCampo (plataforma da Emater-MG)

    Instagram: @edocampooficial

    Produtos: queijos, cafés, cachaças, doces, artesanato, cosméticos

    Frete grátis: Sul e Sudeste para compras acima de R$ 150 do mesmo produtor

    Pagamento: Cartão de crédito e Pix