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  • Crédito caro coloca gestão do agro à prova

    Crédito caro coloca gestão do agro à prova

    O agronegócio brasileiro atravessa um período em que produzir mais já não basta. Crédito mais caro, pressão sobre as margens, necessidade de capital de giro e mudanças na relação entre produtores, distribuidores e financiadores estão aumentando a importância da gestão e da capacidade de adaptação no campo. Esse cenário esteve no centro do 15º Congresso Nacional da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), realizado de 11 a 13 de agosto, em São Paulo.

    Com o tema “Agroeconomia brasileira: reflexões para o futuro”, o evento reuniu mais de 18 mil participantes nos quatro pavilhões do Transamérica Expo Center. Ao todo, foram mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição e mais de 250 marcas. A programação abordou temas como economia, crédito, inovação, bioenergia, mercado, gestão e reforma tributária.

    Mais do que apresentar produtos e tecnologias, o congresso colocou em discussão mudanças que atingem diferentes elos da cadeia. Nesse ambiente, a distribuição ganhou destaque pela posição estratégica entre indústria, tecnologia e produtor rural. Ao mesmo tempo, o aumento da complexidade financeira exige decisões mais precisas de empresas e produtores.

    Crédito caro aumenta pressão sobre o agro

    A situação financeira do setor foi um dos principais pontos levantados durante o Congresso. Segundo Ezequiel Wilbert, CEO da Safegold, o agronegócio convive com crédito mais caro, margens pressionadas e maior necessidade de capital de giro.

    Para o executivo, esse ambiente também ajuda a explicar o crescimento das recuperações judiciais no setor. Wilbert ressalvou, porém, que o número ainda representa uma parcela pequena diante da dimensão do agronegócio brasileiro.

    “O avanço das RJs sinaliza que existem empresas e produtores operando com ciclos financeiros mais apertados, crédito mais caro e menor margem para absorver erros de gestão ou mudanças de mercado”, afirmou.

    Nesse contexto, a gestão financeira passa a ter peso ainda maior. Wilbert defendeu que empresários conheçam com precisão seus custos e margens, acompanhem o ciclo financeiro e avaliem o impacto da dívida sobre a geração de caixa.

    “Não basta olhar crescimento ou faturamento; é preciso saber se a operação efetivamente gera caixa suficiente para sustentar o capital de giro e o endividamento”, disse.

    A avaliação feita durante a Andav, portanto, aponta para uma mudança de foco. O crescimento continua sendo importante, mas precisa vir acompanhado de controle financeiro, qualidade das informações e capacidade de tomar decisões em um ambiente de maior pressão.

    Tecnologia busca eficiência no campo

    Ao lado dos debates financeiros, a inovação apareceu como outro eixo importante para a competitividade do agronegócio. Soluções biológicas, tecnologias voltadas à fisiologia vegetal, agricultura regenerativa e inteligência artificial estiveram entre os assuntos discutidos no Congresso.

    Foi nesse contexto que o Grupo Casa Bugre participou do evento, no ano em que completa 45 anos. A empresa esteve ao lado de Krilltech, Agrilife Solutions e Terrus Regeneração, apresentando soluções relacionadas à nutrição vegetal, bioinsumos, eficiência fisiológica e agricultura regenerativa.

    Entre os exemplos apresentados esteve o conceito de Nutrifisiologia, desenvolvido pela Agrilife Solutions. A proposta busca integrar fisiologia vegetal e nutrição para ampliar o aproveitamento dos nutrientes e tornar o manejo mais eficiente.

    A empresa também apresentou soluções à base de microalgas, além do VacStress, voltado ao preparo de soja e milho diante de situações de estresse abiótico. Já a Krilltech levou tecnologias baseadas em nanopartículas de carbono, enquanto a Terrus Regeneração apresentou uma plataforma de agricultura regenerativa baseada na análise da tipologia de argila.

    Para Everton Campos, a inovação precisa estar ligada ao resultado econômico e ambiental. “O mercado não busca apenas produtividade. Hoje, eficiência precisa estar associada à rentabilidade para o produtor e para a distribuição, além de soluções com baixo ou zero impacto ambiental”, afirmou.

    A participação da Casa Bugre também levou a discussão para além das tecnologias apresentadas nos estandes. Uma edição especial do podcast AgriforLife Talks foi gravada durante o Congresso, reunindo convidados para discutir geração de caixa, crédito, barter, mercado de capitais, inovação e novos modelos de relacionamento na cadeia.

    Novos modelos aproximam crédito e produção

    As mudanças no financiamento do agro também apareceram nas conversas realizadas durante o evento. Francisco Martinez, diretor-executivo do Broto, apresentou o Barter Broto, solução que digitaliza a operação de troca de grãos por insumos.

    Nesse modelo, o produtor adquire os insumos necessários para a safra e utiliza parte da produção futura como forma de pagamento. A operação, segundo Martinez, é integrada ao Banco do Brasil, que assume o risco de crédito, enquanto a plataforma busca ampliar a agilidade e a rastreabilidade do processo.

    O advogado Ruy de Toledo Piza, sócio do FAS Advogados, também apontou uma aproximação maior entre fabricantes, fornecedores de insumos, revendas, financiadores e empresas especializadas em soluções financeiras.

    De acordo com Piza, o mercado vem recorrendo a estruturas mais sofisticadas para financiar o agronegócio, com a participação de instituições financeiras, gestoras, securitizadoras, fintechs e agtechs. A movimentação ocorre em um cenário marcado por crédito mais caro, inadimplência elevada e necessidade de capital de giro.

    Ao mesmo tempo, a tecnologia amplia seu espaço nessa transformação. O executivo citou avanços em biodefensivos, bioprodutos e biossoluções, além da crescente interação com a inteligência artificial.

    Competitividade depende de integração

    As discussões da Andav apontaram para um agro em transformação. De um lado, produtores e empresas precisam lidar com um ambiente financeiro mais exigente. De outro, novas tecnologias e modelos de financiamento abrem caminhos para aumentar a eficiência e melhorar a capacidade de resposta da cadeia.

    A conclusão que atravessou os diferentes debates é que produtividade, sozinha, não define mais a competitividade. Gestão financeira, inovação, acesso a crédito e eficiência produtiva precisam caminhar de forma integrada.

    Nesse cenário, a distribuição também ganha uma função estratégica. O setor deixa de atuar apenas como elo comercial entre fabricantes e produtores e passa a participar de uma rede que envolve ciência, tecnologia, crédito e novas soluções para o campo.

  • Bioenergia e crédito dominam debates no 15º Congresso Andav

    Bioenergia e crédito dominam debates no 15º Congresso Andav

    O 15º Congresso Andav começou nesta terça-feira, 11 de agosto, em São Paulo. A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) promove o evento, que a Zest Eventos organiza.

    O congresso reforça o protagonismo do mercado de distribuição de insumos agropecuários para o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro. E espera reunir 18,5 mil participantes e mais de 260 marcas ao longo da programação.

    Setor busca novos modelos de negócio

    “Com resiliência, diálogo contínuo e qualificado, e atenção a tendências, o segmento vem trabalhando. E entregando novos modelos de negócios, com o objetivo de diminuir custos, elevar produtividade e gerar valor para todo o agro”, destacou Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav, durante a abertura do evento.

    Diógenes Kassaoka, Secretário-Executivo da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, ressaltou o peso econômico do setor na solenidade de abertura. Segundo ele, a distribuição de insumos movimenta mais de R$ 160 bilhões por ano.

    Alexandre Alonso Alves, Diretor de Negócios e Inovação Tecnológica da Embrapa, chamou atenção para a capacidade do setor de identificar as demandas dos produtores e levar novas tecnologias até o campo. Roberto Betancourt, Vice-Presidente da Fiesp, reforçou a crescente integração entre o agronegócio, a indústria e os demais setores da economia como fator relevante para o desenvolvimento do país.

    Distribuidor ganha papel estratégico com novas tecnologias

    No painel “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro, Tendências e Oportunidades”, moderado por Marcelo Prado, presidente da MPrado Consultoria, Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), avaliou que as tecnologias vão reduzir o uso de insumos. Para ele, o distribuidor do futuro assumirá cada vez mais o papel de parceiro de inteligência aplicada.

    Antonio Botelho, CEO da Agrológica, defendeu a manutenção do financiamento como parte da atuação das empresas de distribuição, já que essas empresas conhecem o histórico e a realidade dos produtores. “Temos a proximidade com o cliente, experiência em fazer isso e, neste momento, o produtor precisa desse apoio. O desafio é aperfeiçoar os mecanismos de análise e financiamento para tornar esse modelo mais eficiente e sustentável”, afirmou.

    Bioenergia conecta produção agrícola, indústria e logística

    O painel sobre cenários e oportunidades para o setor, moderado por Marcos Fava Neves, chanceler da Harven Agribusiness School, apontou o avanço da bioenergia como uma das principais transformações estruturais do agronegócio brasileiro. Os participantes mostraram como o crescimento dos biocombustíveis vem ampliando a conexão entre produção agrícola, indústria, energia, alimentação animal, logística e desenvolvimento regional.

    “A cadeia dos biocombustíveis não é uma pauta das usinas, mas de todo o agro”, afirmou João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos. O executivo acrescentou que o setor cria uma demanda adicional e mais previsível por soja, milho e outras matérias-primas, beneficia o produtor rural e abre novas possibilidades de agregação de valor dentro do país.

    Janaína Lemes, vice-presidente da Unibio MT e líder em Biocombustíveis na Caramuru, destacou que a complementaridade entre biocombustíveis, produção de grãos, alimentação animal e outros derivados cria uma lógica de economia circular. Essa lógica estimula investimentos, empregos, diversificação de culturas e melhor aproveitamento da produção agrícola.

    Ricardo Amorim projeta novo ciclo de alta para as commodities

    O economista Ricardo Amorim encerrou o primeiro dia do Congresso Andav com uma análise sobre o cenário internacional e seus reflexos para o agronegócio. Ele projeta que o mercado global ingressará em um novo ciclo de valorização das commodities agrícolas. Isso impulsionado pela alta do petróleo, pelas guerras em curso e pelos efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

    Segundo Amorim, a estratégia norte-americana de reduzir importações e estimular a produção doméstica contribui para a desvalorização do dólar. Esse movimento fortalece outras moedas, amplia o poder de compra internacional de commodities e tende a sustentar a demanda e os preços.

    Andav homenageia advogada na categoria Defesa do Setor

    A advogada Samanta Pineda, especialista em Direito Socioambiental, recebeu o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Defesa do Setor. Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav, entregou a premiação e agradeceu a contribuição da advogada na defesa do agronegócio brasileiro.

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  • Banco do Brasil libera financiamento de até 100% para máquinas agrícolas

    Banco do Brasil libera financiamento de até 100% para máquinas agrícolas

    Produtores rurais de todo o Brasil já podem contratar no Banco do Brasil (BB) a nova linha de financiamento para máquinas, equipamentos e implementos agrícolas inovadores de fabricação nacional. A modalidade Aquisição Inovadora integra o Programa Move Máquinas Agrícolas e usa recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operacionalizados pela Finep.

    O programa permite financiar até 100% do valor do bem, com limite de R$ 30 milhões por beneficiário. O prazo de pagamento chega a 60 meses, com encargos de 7,12% ao ano mais TR, IOF zero e pagamento em parcelas semestrais ou anuais.

    Anunciada durante a Agrishow, a iniciativa amplia o acesso a tecnologias nacionais que modernizam a produção agropecuária, aumentam a produtividade e reforçam a sustentabilidade no campo.

    “O Banco do Brasil quer ser o principal operador da linha de crédito, colocando sua capilaridade, expertise em crédito rural e proximidade com o produtor a serviço da inovação no campo. Essa iniciativa amplia o acesso a tecnologias nacionais. E fortalece a competitividade, a produtividade e a sustentabilidade do agro”, afirma Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB.

    Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB. Foto: Divulgação BB

    As contratações permanecem abertas enquanto estiver em vigor a Medida Provisória nº 1.374/2026.

  • CMN regulamenta renegociação de dívidas rurais; veja as regras

    CMN regulamenta renegociação de dívidas rurais; veja as regras

    A renegociação de dívidas rurais ganhou novas regras. O Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou a linha de crédito destinada a produtores e cooperativas do agronegócio. A resolução define quem poderá aderir ao programa. Além disso, estabelece limites de financiamento, taxas de juros e prazos para pagamento.

    A medida regulamenta a Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho. O governo criou a iniciativa para reduzir o endividamento de produtores afetados por perdas climáticas e pela queda dos preços agrícolas entre 2019 e 2025.

    Na prática, o produtor poderá contratar um novo financiamento. Assim, quitará ou reorganizará dívidas antigas com juros menores e prazo mais longo.

    Quem pode aderir à renegociação de dívidas rurais

    A linha atende agricultores familiares enquadrados no Pronaf. O programa também contempla produtores do Pronamp. Além disso, outros produtores rurais e cooperativas agropecuárias poderão participar.

    Os interessados precisarão comprovar perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. A renda bruta esperada da atividade financiada deve ter caído, no mínimo, 30%. Segundo o governo, a medida atende produtores prejudicados por secas, enchentes e oscilações do mercado agrícola.

    Como funcionará o novo financiamento

    O produtor poderá substituir dívidas antigas por uma nova operação de crédito. A linha permitirá liquidar ou amortizar financiamentos rurais já contratados. O programa incluirá operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento.

    Além disso, produtores poderão renegociar Cédulas de Produto Rural (CPRs), desde que atendam aos critérios definidos pelo CMN.

    Limites de crédito para cada produtor

    Os valores máximos variam conforme o enquadramento do beneficiário. Pela regra geral, o Pronaf poderá contratar até R$ 400 mil. Os produtores do Pronamp poderão acessar até R$ 2 milhões. Já os demais produtores rurais poderão contratar até R$ 4 milhões.

    Juros menores e prazo ampliado

    As taxas também mudam conforme o perfil do produtor. Os financiamentos do Pronaf terão juros de 6% ao ano. As operações do Pronamp terão juros de 9% ao ano. Os demais produtores pagarão juros de 12% ao ano.

    O prazo para pagamento será de até oito anos. Nos dois primeiros anos, o produtor pagará apenas os juros. A amortização do principal começará após esse período.

    Produtores com maiores perdas terão condições especiais

    A resolução prevê benefícios adicionais para quem sofreu perdas mais severas. As regras especiais atenderão produtores com perdas em três ou mais safras entre 2019 e 2025.

    Além disso, será necessário comprovar redução mínima de 40% da renda bruta esperada. Nesses casos, o Pronaf poderá contratar até R$ 500 mil. O limite do Pronamp subirá para R$ 2,5 milhões. Os demais produtores poderão financiar até R$ 8 milhões.

    As taxas também serão reduzidas. O Pronaf pagará juros de 5% ao ano. O Pronamp terá juros de 8% ao ano. Os demais produtores pagarão 11% ao ano.

    Além disso, o prazo de pagamento aumentará para até dez anos. A carência continuará em dois anos antes da amortização do principal.

    Quais dívidas poderão ser renegociadas

    O programa aceitará diferentes modalidades de crédito rural. Entram operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento contratadas até o fim de 2025. Também poderão ser incluídas dívidas já renegociadas anteriormente. Além disso, operações inadimplentes dentro do período previsto também poderão participar.

    Prazo para adesão

    Os produtores poderão contratar a nova linha de crédito até 12 de novembro. Caso as dívidas ultrapassem os limites do programa, os bancos poderão financiar o excedente. Nesse caso, as instituições usarão recursos próprios, LCA ou Poupança Rural. Os juros dessa parcela serão negociados diretamente entre o banco e o produtor.

    Governo estima alcance de R$ 100 bilhões

    A regulamentação foi publicada pouco mais de uma semana após o acordo entre o governo federal, o Congresso Nacional e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Segundo o Ministério da Fazenda, a medida poderá alcançar cerca de R$ 100 bilhões em dívidas rurais.

    O governo afirma que o programa permitirá reorganizar o endividamento sem exigir entrada. Além disso, a iniciativa pretende preservar o acesso ao crédito para as próximas safras.

    O pacote também prevê um fundo garantidor. A proposta busca ampliar o financiamento rural e facilitar novos empréstimos ao agronegócio.

  • Nova head do E-agro quer ampliar acesso ao crédito rural

    Nova head do E-agro quer ampliar acesso ao crédito rural

    O Bradesco anunciou Thaís Bueno como nova head do E-agro, seu ecossistema digital voltado ao agronegócio. A executiva assume a liderança com a missão de acelerar o crescimento da plataforma, ampliar a digitalização no setor e fortalecer a conexão com produtores rurais. Ela substitui Nadege Saad, que segue para novos desafios dentro da instituição.

    Com quase 20 anos de atuação no banco, Thaís construiu trajetória em áreas estratégicas e liderou projetos ligados a planejamento, eficiência operacional, expansão comercial e transformação digital. Ao longo da carreira, passou por unidades como Bradesco Cartões, Bradesco Financiamentos e Varejo. E contribuiu para ampliar a presença do agronegócio na agenda da instituição.

    A executiva é formada em Administração pela FAAP, possui MBA Executivo em Gestão de Negócios pelo Insper e especialização em Fintech pela Harvard University. Sua experiência reúne estratégia, inovação e desenvolvimento de soluções voltadas a clientes e parceiros.

    No comando do E-agro, Thaís lidera uma equipe de 45 profissionais e define como prioridades a aproximação da plataforma com a realidade do campo, a simplificação do acesso ao crédito e o apoio à tomada de decisão no meio rural.

    “Vejo esta posição como uma oportunidade de gerar valor no dia a dia do produtor, combinando tecnologia, crédito e parcerias estratégicas. Estratégia e inovação só geram impacto quando estão conectadas à realidade do campo”, afirma a executiva.

    E-agro amplia atuação no agronegócio

    Lançado em 2023, o E-agro integra o ecossistema digital do Bradesco voltado ao agronegócio. A plataforma nasceu em parceria com o inovabra, hub de coinovação do banco, com participação da IBM.

    O ambiente online reúne soluções para toda a cadeia produtiva, atendendo clientes e não clientes da instituição. Entre os serviços disponíveis estão linhas de crédito rural, financiamento para produção agrícola e pecuária, além da oferta de máquinas, equipamentos e insumos.

    A plataforma também permite a emissão de Cédula de Produto Rural (CPR) digital, incluindo operações com garantia em máquinas e equipamentos, realizadas de forma totalmente online.

  • Expansão de terras domina uso do crédito rural no Brasil, aponta estudo

    Expansão de terras domina uso do crédito rural no Brasil, aponta estudo

    O crédito rural no Brasil tem financiado, principalmente, a expansão de terras. Um levantamento da corretora Friggi & Secco mostra que 92,8% dos produtores que acessam recursos por meio da empresa direcionam o capital para ampliar área produtiva, e não para custeio da safra.

    O dado surge em um momento de forte crescimento do agronegócio brasileiro. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra recorde de grãos em 2025/26, com 358,6 milhões de toneladas. No comércio exterior, o setor exportou US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre, maior valor da série histórica para o período. Em abril, os embarques somaram US$ 16,65 bilhões, alta de 11,7% na comparação anual.

    Dentro da porteira, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) alcançou R$ 1,4 trilhão em maio, com R$ 908,8 bilhões das lavouras e R$ 510,2 bilhões da pecuária. Já o crédito rural empresarial contratado no Plano Safra 2025/26 chegou a R$ 354,4 bilhões até fevereiro, avanço de 7% sobre o ciclo anterior.

    Ferramenta de crescimento

    Nesse cenário, produtores passam a tratar o crédito como ferramenta de crescimento. O estudo da corretora reuniu dados de 104 clientes, entre 29 pecuaristas e 75 agricultores, e identificou uma mudança clara de estratégia no uso dos recursos.

    Segundo o CEO da Friggi & Secco, Alberto Ferreira Friggi, o produtor rural utiliza cada vez menos o crédito para necessidades imediatas e mais para expansão patrimonial. Ele afirma que o setor já domina técnicas de produção e busca ganho de escala. “Quando 92,8% das operações estão ligadas à expansão de terras, o crédito deixa de ser solução emergencial e passa a ser estratégia de crescimento”, diz.

    A preferência pela terra como destino do crédito também reflete a lógica econômica do agro. O setor opera com demanda global constante, forte presença exportadora e receitas frequentemente atreladas ao dólar. Esse contexto reforça o papel da terra como ativo estratégico.

    De acordo com Friggi, o produtor cresce de duas formas: aumentando a produtividade na mesma área, com tecnologia e gestão, ou ampliando a área cultivada. Apesar dos avanços tecnológicos recentes, a expansão territorial segue como caminho direto para elevar a capacidade produtiva e diluir riscos.

    O executivo destaca ainda que o Brasil reúne vantagens competitivas difíceis de replicar, como escala territorial, clima favorável e domínio de tecnologia tropical. “Ao investir em terras, o produtor não apenas amplia sua área. Ele adquire capacidade futura de produção em um mercado essencial e em expansão”, afirma.

  • Agro paulista ganha pacote de ações com foco em crédito e segurança jurídica

    Agro paulista ganha pacote de ações com foco em crédito e segurança jurídica

    Durante a abertura da Feicorte 2026, nesta terça-feira (23), foi anunciado um pacote de ações para fortalecer o agronegócio paulista. As medidas priorizam regularização fundiária, acesso ao crédito e segurança alimentar, com foco no aumento da competitividade e da segurança jurídica no campo.

    Foto: Secom/SP

    Durante o evento, o governador Tarcísio de Freitas destacou o peso do setor na economia paulista, que responde por cerca de 20% do PIB estadual. Segundo ele, a pecuária de corte segue como um dos principais motores do agro, impulsionada por tecnologia e práticas sustentáveis.

    O governo também reforçou o papel do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), que oferece linhas de crédito para irrigação, mecanização e apoio a pequenos e médios produtores. As taxas podem ficar até 20% abaixo das praticadas no mercado, o que amplia o acesso a investimentos no campo.

    Títulos de regularização fundiária

    Entre as principais entregas da Feicorte, foi realizado a emissão de 20 títulos de regularização fundiária para médias e grandes propriedades. A ação, coordenada pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), garante segurança jurídica, facilita o acesso ao crédito rural e estimula novos investimentos.

    Desde 2023, já foram entregues mais em São Paulo mais de 6,3 mil títulos rurais, regularizando mais de 276 mil hectares em diferentes regiões do estado e beneficiando milhares de famílias.

    O secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, afirmou que a feira também cumpre papel estratégico na implementação de políticas públicas. Segundo ele, as ações apresentadas ampliam investimentos e fortalecem a base produtiva dos municípios.

    A programação inclui ainda a regularização da área do Recinto de Exposições Jacob Tosello, em Presidente Prudente. A escritura de doação ao município garante segurança jurídica para o uso do espaço, considerado referência regional para eventos agropecuários.

    Outro destaque foi a entrega de três unidades do Projeto Cozinhalimento nos municípios de Presidente Prudente, Presidente Epitácio e Murutinga do Sul. O programa promove segurança alimentar, qualificação profissional e geração de renda por meio da implantação de cozinhas industriais.

    Sustentabilidade e investimentos no Pontal

    Também foram anunciadas novas ações para o desenvolvimento sustentável do Pontal do Paranapanema. Entre elas, a assinatura de convênio para a entrega de 14 kits de combate a incêndios para 13 municípios da região, com investimento superior a R$ 4,4 milhões.

    Os kits incluem tratores, tanques-pipa, roçadeiras hidráulicas, carretas agrícolas e sopradores costais, que devem reforçar as ações de prevenção e combate a incêndios em áreas rurais.

    Além disso, foi firmado um protocolo de intenções com a empresa Vista Alegre para implantação de projetos produtivos em assentamentos. A iniciativa prevê o cultivo de 150 hectares de batata-doce para produção de etanol e biometano, além do plantio de 80 hectares de eucalipto voltado à geração de biomassa. Ao todo, 45 lotes rurais devem ser beneficiados.

  • Banco Central afirma que o clima pressiona o crédito rural

    Banco Central afirma que o clima pressiona o crédito rural

    Eventos climáticos extremos elevaram a inadimplência no agronegócio brasileiro em 2025. A avaliação é do Banco Central do Brasil. O dado aparece no REF, Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta segunda-feira (25).

    Segundo o BC, os impactos climáticos atingiram principalmente as operações de crédito rural. Além disso, o cenário aumentou a inadimplência no setor agropecuário.

    Risco climático x crédito rural

    A autoridade monetária afirmou que o sistema financeiro segue exposto ao risco climático por meio do crédito rural. De acordo com o relatório, os maiores riscos concentram-se na agropecuária e na indústria extrativista.

    O documento destaca ainda que todas as 122 atividades agropecuárias analisadas apresentaram alto risco climático. Entre os eventos extremos registrados em 2025, o BC citou tempestades no Sul do Brasil. Além disso, mencionou temporais no interior paulista, enchentes e períodos de seca.

    Segundo o Banco Central, algumas instituições financeiras aperfeiçoaram mecanismos de gerenciamento climático após os eventos extremos de 2024.

    O relatório também mostrou queda no número de instituições afetadas por problemas climáticos nas carteiras de crédito. O percentual recuou de 44% na pesquisa anterior para 21% no levantamento realizado em 2026.

    Mesmo assim, o BC afirmou que o risco de crédito continua sendo o principal canal de transmissão climática ao Sistema Financeiro Nacional.

    Por outro lado, o documento ressaltou que a inadimplência no agronegócio possui múltiplos fatores. Dessa forma, o Banco Central afirmou que não é possível calcular o impacto exclusivo dos eventos climáticos sobre os atrasos financeiros.

  • Investimento verde avança sobre terras degradadas e impulsiona o agro sustentável

    Investimento verde avança sobre terras degradadas e impulsiona o agro sustentável

    O Brasil concentra uma das maiores oportunidades globais de expansão agrícola sustentável, ainda pouco explorada pelo mercado. De acordo com o relatório Áreas de Pastagens Degradadas e Potencial de Conversão, do Itaú BBA, o país possui cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial de conversão em áreas produtivas. A valorização dessas terras pode gerar até R$ 904 bilhões e aumentar em até 52% a produção nacional de grãos, sem necessidade de desmatamento.

    O diagnóstico da Embrapa reforça o cenário: mais da metade das pastagens brasileiras apresenta algum nível de degradação, sendo grande parte recuperável com tecnologias já disponíveis. Essa combinação de demanda crescente por alimentos sustentáveis e soluções tecnológicas acessíveis posiciona a recuperação de solos como uma nova fronteira de investimento no campo.

    Falta de capital freia avanço da restauração

    Apesar do potencial econômico e ambiental, o avanço das iniciativas de recuperação ainda depende de novas fontes de financiamento. Segundo a Climate Policy Initiative (CPI) Brasil, menos de 2% do financiamento climático no país é direcionado ao uso da terra, o que evidencia o descompasso entre o tamanho da oportunidade e o volume de recursos disponíveis.

    Para mudar esse quadro, a Arara Seed, plataforma brasileira de equity crowdfunding voltada ao agro, planeja lançar uma vertical dedicada a investimentos em terras agrícolas. A proposta é canalizar capital coletivo não apenas para startups do setor. Mas também para projetos de recuperação de áreas degradadas, unindo retorno financeiro e impacto positivo.

    “O Brasil já conta com tecnologias acessíveis para transformar áreas improdutivas em sistemas agrícolas de alta performance, com rastreabilidade e retorno consistente”, afirma Henrique Galvani, CEO da Arara Seed.

    Crédito e novos instrumentos financeiros impulsionam a restauração

    Transformar os 28 milhões de hectares degradados em áreas agrícolas competitivas requer investimentos entre R$ 188 bilhões e R$ 482 bilhões, segundo o Itaú BBA. Mas muitos produtores, especialmente os médios, enfrentam barreiras de acesso ao crédito, já que os retornos desses projetos costumam ocorrer entre três e cinco safras.

    Em 2022, o Ministério da Agricultura destinou apenas R$ 3,5 bilhões em crédito rural para tecnologias de recuperação de pastagens, dentro do Plano ABC+, número muito abaixo da necessidade estimada. Esse gargalo reforça a importância de mecanismos alternativos, como CRA verde, CPR verde, blended finance e fundos de impacto, além do investimento coletivo.

    “Com o mercado global cada vez mais exigente sobre a origem e o impacto ambiental dos alimentos, transformar terras degradadas em ativos produtivos e valiosos é uma das estratégias mais inteligentes para o futuro do agro e para o planeta”, conclui Galvani.

  • Estoques de CPR explodem 16% e atingem R$ 561 bi no agro

    Estoques de CPR explodem 16% e atingem R$ 561 bi no agro

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulga o Boletim de Finanças Privadas do Agro com números robustos de fevereiro. Registradoras contabilizaram 402 mil Cédulas de Produto Rural (CPR), totalizando R$ 561 bilhões em estoques. Esse volume representa alta de 16% ante fevereiro de 2025.

    Na safra atual, de julho de 2025 a fevereiro de 2026, o setor emitiu R$ 248 bilhões em CPR. O valor cai 8% em relação à safra anterior, mas os estoques totais impulsionam o funding privado no agronegócio.

    Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) também avançam. Bancos e financeiras acumularam R$ 588 bilhões em estoques, crescimento de 9% em 12 meses. Pelo menos 60% desse montante, R$ 352 bilhões em fevereiro, voltam obrigatoriamente ao financiamento rural, com salto de 31% ante 2025.

    Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) mantêm o ritmo forte de 2026. Os estoques atingiram R$ 176 bilhões, alta de 15% em um ano. Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuaram 8%, para R$ 32 bilhões, efeito residual do pico atípico de agosto de 2024.

    Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) voltam aos holofotes. Em janeiro, o patrimônio líquido alcançou R$ 48 bilhões, crescimento de 10% em 12 meses. O número de fundos operacionais subiu 60%, para 220.

    O Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, produz o boletim mensalmente. Acesse o relatório completo no site do Mapa para dados atualizados sobre financiamento do agronegócio.