Tag: Costa do Marfim

  • Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    A Costa do Marfim garantiu mais de US$ 80 bilhões em compromissos de financiamento durante uma mesa-redonda com doadores realizada em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho. O encontro reuniu grandes instituições internacionais e financiadores globais com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico do país.

    O volume final de promessas superou significativamente as metas que o governo havia estabelecido inicialmente. O resultado reforça a posição da Costa do Marfim como uma das economias de crescimento mais rápido da África Ocidental.

    O país mantém uma taxa média de crescimento anual de 6,5% desde que superou a crise pós-eleitoral de 2011. E esse novo influxo de capital deve dar suporte à continuidade dessa expansão. A estratégia nacional de desenvolvimento aposta fortemente em investimentos de infraestrutura de grande escala e em reformas que tornem o ambiente de negócios doméstico mais atrativo ao capital internacional.

    Governo prioriza infraestrutura e segurança energética

    O capital recém-garantido deve financiar áreas estruturais consideradas críticas para sustentar o crescimento econômico de longo prazo e ampliar a capacidade industrial do país. A participação de grandes instituições internacionais na mesa-redonda sinaliza forte confiança na estabilidade macroeconômica e no caminho de reformas que a Costa do Marfim vem adotando.

    A infraestrutura continua no topo das prioridades, mas o setor de energia local também ganha espaço relevante entre os investimentos públicos e privados. O governo pretende usar parte dos recursos para melhorar a segurança energética e construir redes domésticas confiáveis, capazes de sustentar o crescimento industrial do país.

    Segundo reportagem da Africanews, o setor energético desempenha papel essencial para garantir a sustentabilidade das elevadas taxas de crescimento econômico da Costa do Marfim e sua capacidade de atrair capital.

    Empresas locais ganham protagonismo no setor de energia

    À medida que a economia se transforma, empresas locais e campeãs nacionais assumem papel cada vez mais relevante na condução do crescimento industrial, especialmente no setor de energia. Essas empresas expandem redes de distribuição e constroem a infraestrutura necessária para abastecer as indústrias emergentes de manufatura e processamento agrícola.

    pé de cacau
    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    A Costa do Marfim consolidou-se como líder global absoluto na produção de cacau. O país colhe consistentemente mais que o dobro do volume do segundo maior produtor mundial. Essa posição dominante no setor agrícola construiu uma base sólida de estabilidade econômica e receitas de exportação confiáveis. Um fator que provavelmente contribuiu para o elevado nível de confiança dos investidores e viabilizou os históricos US$ 80 bilhões em compromissos.

    O país francófono também assinou recentemente um acordo em Abuja que o compromete a exportar cacau processado, em vez de grãos in natura. A medida representa um passo significativo rumo ao desenvolvimento industrial e econômico da Costa do Marfim.

  • Câmara aprova medida para proteger produção nacional de cacau

    Câmara aprova medida para proteger produção nacional de cacau

    A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo que amplia o controle sanitário sobre a importação de amêndoas secas de cacau da Costa do Marfim. O texto segue agora para análise do Senado.

    Deputado Zé Neto (PT-BA). Foto: Bruno Spada / Agência Câmara de Notícias

    A proposta, de autoria do deputado Zé Neto (PT-BA), suspende os efeitos da Instrução Normativa 125/2021, do Ministério da Agricultura. A norma retirou a exigência do uso de brometo de metila no tratamento do cacau importado, substância que enfrenta restrições internacionais por danos à camada de ozônio.

    Segundo o autor, o governo editou a norma sem consultar produtores brasileiros, que alertaram para o risco de contaminação das lavouras por micro-organismos. Ele defende maior rigor para evitar prejuízos à produção nacional.

    Antes da norma de 2021, regras técnicas já exigiam medidas de controle sanitário, como a Instrução Normativa 18/2020. No entanto, o governo federal flexibilizou essas exigências ao considerar baixo o risco de pragas. Desde então, passou a exigir apenas certificação fitossanitária emitida por autoridades da Costa do Marfim, com tratamento realizado na origem, geralmente com fosfina.

    Debate sobre riscos e impacto econômico

    O relator do projeto, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), defendeu a aprovação e criticou a flexibilização das regras. Para ele, a medida anterior favoreceu práticas comerciais prejudiciais e colocou em risco a sanidade das lavouras brasileiras.

    Deputado Márcio Marinho, relator do projeto. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Marinho afirmou que a entrada de cacau africano pressionou os preços no mercado interno, levando a arroba a valores inferiores a R$ 200. Um patamar que, segundo ele, não cobre os custos de produção do agricultor familiar.

    O deputado também questionou a necessidade de importação. Dados de 2025 indicam produção nacional de 186 mil toneladas, frente a uma moagem de 196 mil toneladas. Para ele, a diferença poderia ser resolvida com incentivo à produção interna, em vez de importações. Ele ainda apontou que a indústria opera com cerca de 30% de ociosidade.

    Durante o debate em plenário, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) destacou a importância de manter padrões sanitários rigorosos. Ele afirmou que a legislação brasileira é mais exigente do que a de outros países, o que, na sua visão, torna a concorrência desigual.

    Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) reforçou que a proposta ajuda a proteger as lavouras nacionais, evita a entrada de novas pragas e preserva a produtividade do setor cacaueiro.

  • Páscoa agridoce: chocolate fica mais caro mesmo com queda de 60% no preço do cacau

    Páscoa agridoce: chocolate fica mais caro mesmo com queda de 60% no preço do cacau

    O consumidor brasileiro vai pagar mais pelo chocolate nesta Páscoa. E a queda de cerca de 60% nos preços internacionais do cacau ainda não explica o contrário. O mercado vive um cenário agridoce em 2026: as cotações das amêndoas recuaram nas bolsas, mas os efeitos não chegaram às prateleiras. A razão é direta; boa parte da indústria comprou a matéria-prima quando os preços ainda estavam nas máximas históricas.

    Ao longo de 2025, fabricantes reajustaram portfólios, reformularam produtos e repassaram custos ao consumidor. Com a demanda ainda pressionada, o setor entra na principal data do calendário chocolateiro sem folga de margem.

    Os dados confirmam o movimento. Na Europa, produtos à base de cacau atingem os maiores preços dos últimos anos. Nos Estados Unidos, os índices de preços ao produtor e ao consumidor seguem elevados, mesmo com correções recentes. No Brasil, chocolates em barra e doces registraram variações acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Um sinal claro de que o consumidor vai sentir o impacto no bolso.

    Brasil entre os maiores processadores do mundo

    O país ocupa a oitava posição no ranking mundial de processamento de cacau, posição que mantém nas últimas cinco safras. Esse peso global torna ainda mais relevantes as discussões sobre abastecimento e fluxo comercial. Especialmente agora, quando o setor acumula desafios em diversas frentes.

    A capacidade de processamento brasileira supera a produção doméstica. Para cobrir a diferença, o país recorre às importações: em média, 17% das amêndoas processadas vieram do exterior nos últimos cinco anos, com cerca de 80% originárias da Costa do Marfim.

    É justamente nesse ponto que o cenário se complica. A suspensão das importações de amêndoas do principal fornecedor africano, combinada com mudanças no regime de drawback, aumenta as preocupações com a atividade de moagem no país e eleva as incertezas sobre o abastecimento de médio e longo prazo.

    Exportações mostram comportamento misto em 2026

    No comércio exterior, os primeiros dois meses do ano revelam um quadro dividido. As exportações de pó de cacau caíram 23% entre janeiro e fevereiro na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto as de manteiga avançaram 37%. O movimento é inverso ao do ano passado, quando o pó cresceu 21% e a manteiga recuou 13%.

    Mesmo com exportações de manteiga e pó ainda acima da média histórica em fevereiro, o setor opera sob pressão crescente.

    “A Páscoa deste ano reforça um cenário agridoce para o mercado de cacau. Embora a recente correção das cotações internacionais possa sinalizar algum alívio adiante, os efeitos ainda não chegam de forma clara ao consumidor final”, afirma Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets. “Enquanto isso, a indústria segue lidando com um ambiente de demanda fragilizada e desafios adicionais para o abastecimento e a operação no Brasil.”

  • Queda global do cacau agrava dívidas e paralisa pagamentos a agricultores

    Queda global do cacau agrava dívidas e paralisa pagamentos a agricultores

    O mercado global de cacau enfrenta sua pior crise em anos. Depois de um pico histórico em 2024, os preços desabaram em 2025 e colocaram em risco o sustento de milhares de famílias produtoras em Gana e na Costa do Marfim, responsáveis por mais de 60% da produção mundial.

    O contraste entre o preço crescente do chocolate nas prateleiras e a queda do valor do cacau pago aos agricultores evidencia o desequilíbrio da cadeia de valor. Em muitas comunidades rurais da África Ocidental, produtores não recebem há meses e já enfrentam escassez de recursos básicos.

    Em Gana, a Ghana Cocoa Board (Cocobod) fixou em outubro passado o preço de compra em quase US$ 5.300 por tonelada, mas a cotação internacional despencou para menos de US$ 3.500. A diferença gerou uma dívida estimada em US$ 3 bilhões e atrasou pagamentos a cerca de 800 mil produtores, comprometendo a renda de centenas de vilarejos agrícolas.

    Com as empresas exportadoras incapazes de vender os grãos, a Cocobod interveio para evitar o colapso completo do setor. Mesmo assim, muitos agricultores seguem sem receber. A instituição reduziu em fevereiro o salário de sua diretoria em até 20% e anunciou que os pagamentos estão sendo regularizados gradualmente.

    O cacau representa aproximadamente 7% do PIB de Gana e responde por cerca de 15% das receitas de exportação do país. Diante da crise, o governo planeja ampliar o processamento interno dos grãos para agregar valor e reduzir a dependência das exportações brutas.

    Custos altos e incerteza no campo

    Os produtores enfrentam dificuldades para manter as lavouras. Cultivar um hectare de cacau em Gana custa, em média, US$ 1.000 por ano, valor que inclui mão de obra e insumos agrícolas. Com a queda no preço pago por tonelada, muitos temem ficar no prejuízo em 2026.

    Lideranças rurais criticam as medidas adotadas até agora e defendem o reajuste do preço mínimo garantido aos produtores. “Os custos não reduziram, mas o valor do cacau caiu. Isso inviabiliza nossa sobrevivência”, afirmou um agricultor da região de Suhenso.

    Situação semelhante na Costa do Marfim

    Na vizinha Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, o cenário é parecido. Armazéns estão lotados de sacas que as cooperativas não conseguem vender, já que o preço interno fixado pelo Conselho do Café e do Cacau ficou muito acima do valor internacional.

    Na tentativa de destravar o mercado, o governo anunciou um corte de 50% no preço pago aos agricultores. Ainda assim, produtores relatam dificuldades para escoar a safra e sustentar suas famílias.

    Com a falta de compradores, estima-se que até o fim de março o país acumule mais de 200 mil toneladas de cacau sem destino. Agricultores afirmam que escolas, comércios e transportes locais já sentem o impacto da crise econômica gerada pela paralisação das exportações.

    “Quando não há dinheiro, não há paz nas famílias. E hoje, o cacau é o que nos mantém vivos”, resumiu um produtor da região de Bangolo.

  • Brasil suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim

    Brasil suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu, nesta terça-feira (24), a importação de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim. A decisão, publicada em despacho no Diário Oficial da União, foi motivada pelo risco fitossanitário representado pela mistura de grãos de países vizinhos às cargas destinadas ao Brasil.

    A medida atende uma demanda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que vinha pressionando o governo federal pela adoção de ações imediatas de proteção à cadeia produtiva do cacau. A entidade avaliou positivamente a decisão, classificando-a como essencial para a segurança dos produtores rurais brasileiros.

    Por que a Costa do Marfim preocupa o setor?

    Segundo o Mapa, o elevado fluxo de grãos oriundos de países vizinhos para o território marfinense aumenta o risco de contaminação das cargas exportadas ao Brasil por pragas e doenças. A mistura de amêndoas de diferentes origens nas remessas representa uma ameaça direta às lavouras nacionais. Especialmente nos estados do Pará, Bahia e Espírito Santo, principais polos produtores do país.

    “A suspensão da importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim é medida cautelar de extrema relevância. Acreditamos na competência técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa para que, com base em critérios científicos, tome a decisão mais assertiva para a proteção do cacau nacional”, afirmou Maciel Silva, diretor técnico adjunto da CNA.

    Além da suspensão temporária, o Sistema CNA, mobilizado por sindicatos e Federações de Agricultura dos estados produtores, reforçou junto ao Executivo e ao Legislativo a necessidade do envio de uma missão técnica à Costa do Marfim. O objetivo é avaliar in loco a situação produtiva, fitossanitária e o trânsito das amêndoas no país exportador antes de qualquer retomada das importações.

    Agenda para fortalecer o produtor brasileiro

    Em paralelo à questão das importações, a CNA avança em uma agenda estruturante voltada ao fortalecimento da cacauicultura nacional. Por meio de reuniões regionais com produtores, a entidade tem mapeado gargalos comuns e construído propostas para o curto e médio prazo em eixos como transparência na precificação, comércio justo, sanidade vegetal e organização produtiva.

    “Junto aos Sindicatos e Federações temos buscado meios de ampliar a competitividade da cacauicultura com foco no desenvolvimento econômico sustentável. A avaliação adequada da importação é parte relevante do plano de trabalho para que os produtores tenham condição de permanecerem na atividade”, destacou Maciel Silva.

    O Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de cacau e o setor movimenta bilhões de reais na economia de estados como Bahia e Pará. A proteção fitossanitária da cultura é considerada estratégica tanto para a segurança alimentar quanto para a competitividade do agronegócio nacional.

  • Colapso no mercado de cacau ameaça produtores em Gana

    Colapso no mercado de cacau ameaça produtores em Gana

    Gana, o segundo maior produtor mundial de cacau, acumula cerca de 50 mil toneladas do produto não comercializadas em seus portos. A informação foi confirmada pelo Cocobod, órgão regulador do setor, que negocia com agricultores e com o Ministério das Finanças medidas para evitar maiores prejuízos à cadeia produtiva.

    Assim como a Costa do Marfim, líder global da commodity, Gana sofre os efeitos da forte retração na demanda internacional. A queda nas compras externas derrubou os preços globais do cacau (CCc1) pela metade em um ano, levando a cotação ao menor nível em dois anos, cerca de US$ 4.000 por tonelada.

    O preço interno pago ao produtor ganês, definido anualmente pelo Cocobod, está fixado em 58 mil cedis por tonelada (aproximadamente US$ 5.300). O valor está acima das cotações internacionais, o que torna a compra do produto inviável para os comerciantes e interrompeu as aquisições no país. A paralisação deixou diversos agricultores sem pagamento.

    “Estamos tendo discussões muito sérias. É uma questão que o governo leva extremamente a sério, e queremos resolver os problemas o mais rápido possível”, afirmou o diretor-executivo da Cocobod, Ransford Abbey.

    Produção

    Até o momento, o país colheu pouco menos de 585 mil toneladas de cacau e comercializou cerca de 530 mil, deixando 50 mil toneladas sem destino. A projeção para a safra total desta temporada é de 650 mil toneladas, segundo a Cocobod.

    As Empresas Compradoras Licenciadas de Gana (LBCs) pediram ao governo, por meio da Cocobod, recursos de emergência para cobrir cerca de 300 mil toneladas de cacau. O grupo alerta que o apoio é essencial para “evitar um colapso mais profundo da indústria”.

    As LBCs afirmam que muitos produtores estão sem receber desde novembro. Parte do cacau armazenado pelos agricultores está guardada em sacos de fertilizantes, situação que ameaça a qualidade do grão. Ele perde valor após seis a doze meses em condições de calor e umidade.

    Mais de 800 mil famílias dependem do cacau para sobreviver em Gana. O cultivo responde por cerca de 15% das receitas de exportação do país. Segundo cálculos da Reuters, o governo precisaria de aproximadamente US$ 200 milhões para adquirir o cacau acumulado aos preços internacionais.

  • Preço do chocolate pode cair; mercado aponta superávit recorde no cacau

    Preço do chocolate pode cair; mercado aponta superávit recorde no cacau

    O mercado global de cacau encerra um período de escassez e começa um novo ciclo de superávit. A consultoria StoneX, em seu Relatório de Saldo Global de Cacau, projeta um excedente de 287 mil toneladas na safra 2025/26 e de 267 mil toneladas na safra seguinte. As duas projeções indicam que a oferta supera a demanda pela primeira vez em dois anos.

    A recuperação da oferta depende principalmente de quatro países: Costa do Marfim, Equador, Gana e Indonésia. Cada um deles aumenta a produção por razões específicas, desde investimentos em área plantada até condições climáticas favoráveis.

    Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que a consultoria revisou a safra 2025/26 com base no aumento da oferta na Costa do Marfim, ajuste negativo em Gana e redução da demanda global. A produção mundial e a demanda foram revisadas para baixo, mas o saldo global permanece em 287 mil toneladas.

    O cenário pressiona os preços do cacau, que chegam atualmente a US$ 4.185 por tonelada. Os efeitos no preço do chocolate ao consumidor devem aparecer gradualmente, à medida que os estoques se normalizam após a forte destruição registrada em 2023/24.

    Gana: otimismo crescente com a safra

    Até a primeira metade de novembro, cerca de 220 mil toneladas de cacau já chegaram aos portos de Gana, alimentando um clima de otimismo para a safra 2025/26. As expectativas iniciais apontavam para uma produção abaixo de 600 mil toneladas, mas as boas condições das lavouras levaram analistas a revisar essa estimativa para cima.

    Foto: Divulgação – Mapa

    O preço farmgate pago aos produtores ganenses representa outro fator relevante. O valor superou as cotações internacionais e alcançou patamares acima de US$ 5.000 por tonelada, dependendo da taxa de câmbio do cedi ganense. Esse diferencial reduz o incentivo ao contrabando para países vizinhos e sustenta a perspectiva de uma safra volumosa.

    Equador consolida expansão produtiva

    O Equador destaca-se como um dos principais produtores fora da África. Borges aponta que a expansão da produção reflete condições climáticas favoráveis nos últimos dois anos, além da maturação de investimentos em ampliação de área e uso intensivo de fertilizantes. Além disso, a predominância de variedades híbridas, mais resistentes a pragas e doenças, também contribui para maior estabilidade dos rendimentos.

    Os altos preços internacionais estimularam novos investimentos no país, com apoio dos setores público e privado. Estimativas oficiais indicam que a produção equatoriana pode superar 650 mil toneladas em 2026/27, com potencial de crescimento adicional ao longo da década.

    Indonésia e Peru avançam com cautela

    Na Indonésia, a StoneX projeta uma recuperação moderada, com produção em torno de 230 mil toneladas nas próximas duas safras. Os elevados preços ampliaram a capacidade de investimento dos produtores, mas o declínio estrutural do parque cacaueiro limita ganhos mais expressivos. Chuvas acima da média e o risco de um evento de El Niño em 2026 permanecem como fatores de atenção.

    O Peru compartilha características estruturais com o Equador, como clima tropical úmido e desafios fitossanitários semelhantes. A safra 2024/25 já beneficiou-se de chuvas regulares e preços elevados, que impulsionaram investimentos em manejo e fertilização. As perspectivas para as próximas temporadas permanecem favoráveis.

    Demanda segue pressionada, mas mostra sinais de estabilização

    Os dados de moagem, o principal indicador de consumo de cacau, registraram forte queda nos últimos três trimestres. No primeiro trimestre da safra 2025/26, a moagem recuou 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Ainda assim, o trimestre apresentou moagem superior ao período imediatamente anterior, contrariando a sazonalidade histórica. A StoneX avalia que a recente queda nos preços pode permitir uma estabilização ou leve recuperação do consumo até o final de 2026. A consultoria estima uma moagem global de 4,663 milhões de toneladas em 2025/26, com avanço de 2,4% na safra seguinte, para 4,774 milhões de toneladas.

    Estoques caminham para normalização

    Os superávits estimados devem elevar a relação entre estoques e demanda para patamares próximos de 40% ao final de 2026/27. Portanto, indicando uma recomposição gradual após a crise do ano anterior.

    Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação

    Borges conclui que o mercado global de cacau passa por um processo de reorganização e caminha para uma nova normalidade de preços. Essa normalidade depende do equilíbrio entre atratividade e destruição da demanda, além dos incentivos e desestímulos aos investimentos no cultivo, não apenas na África, mas também em países como o Equador.

  • Câmara barra mudança que facilitaria entrada de cacau africano no Brasil

    Câmara barra mudança que facilitaria entrada de cacau africano no Brasil

    A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta semana o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 330/22, que suspende mudanças nas regras de importação de cacau africano. A matéria segue agora para análise no Plenário da Casa.

    O relator, deputado José Rocha (União-BA). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O projeto barra uma decisão da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que eliminou exigências fitossanitárias para a entrada de amêndoas de cacau provenientes da Costa do Marfim no mercado brasileiro.

    O deputado José Rocha (União-BA), relator da proposta, defendeu a aprovação do texto. “A retirada de mecanismo de proteção reconhecido como imprescindível à defesa agropecuária brasileira configura verdadeiro retrocesso sanitário”, declarou o parlamentar.

    Risco de contaminação preocupa produtores

    A Instrução Normativa 125/21, alvo da suspensão, dispensa a aplicação de brometo de metila nas cargas importadas. O produto atua no controle de pragas agrícolas comuns no continente africano.

    O deputado Zé Neto (PT-BA), autor do PDL, alerta para os perigos da medida. “Essas pragas podem contaminar as plantações brasileiras de cacau e até mesmo aquelas de outras culturas”, afirmou o parlamentar.

    O Plenário da Câmara dos Deputados analisará o projeto em breve. Caso os deputados aprovem a matéria, o texto ainda precisará passar pelo crivo do Senado Federal antes de entrar em vigor.

  • Produção mundial de cacau caminha para recuperação em 2025/26

    Produção mundial de cacau caminha para recuperação em 2025/26

    O mercado global de cacau apresenta sinais robustos de recuperação após anos consecutivos de déficit produtivo. Projeções da StoneX, empresa internacional de serviços financeiros, apontam para um superávit de 287 mil toneladas na temporada 2025/26, impulsionado pela retomada da produção em países fora da África Ocidental e pela redução na demanda industrial.

    A reversão do cenário deficitário, entretanto, não elimina as incertezas. O comportamento climático nas principais regiões produtoras permanece como fator determinante para a estabilidade dos preços e o desempenho das próximas safras.

    África Ocidental mantém instabilidade produtiva

    A Costa do Marfim, responsável por cerca de 40% da oferta mundial, encerrou a safra 2024/25 com queda de 3,6% nas entregas, totalizando 1,69 milhão de toneladas. A redução foi provocada por períodos de seca que comprometeram a qualidade das amêndoas e aumentaram a mortalidade dos brotos.

    Embora o primeiro semestre de 2025 tenha registrado precipitações 30% superiores ao ano anterior, o trimestre seguinte apresentou retração de 40% em relação à média histórica. Para a temporada 2025/26, a StoneX projeta produção de 1,76 milhão de toneladas, mas a irregularidade climática continua representando risco elevado.

    Em Gana, segundo maior produtor africano, o cenário apresenta desafios semelhantes. O país antecipou o início da safra para agosto, estimulado por um reajuste de 4,2% no preço ao produtor. No entanto, após um começo promissor com chuvas 18% acima da média, o período de julho a setembro registrou queda de 40% nos volumes pluviométricos.

    Além das adversidades climáticas, Gana enfrenta a disseminação do vírus CSSVD (Cocoa Swollen Shoot Virus Disease), que afeta aproximadamente 30% das áreas cultivadas, e os impactos da mineração ilegal de ouro, responsável por perdas estimadas em 10 mil toneladas anuais.

    Produtores fora da África impulsionam recuperação

    Enquanto a África Ocidental lida com instabilidade, outros países emergem como protagonistas da recuperação global. O Equador deve encerrar 2024/25 com produção de 580 mil toneladas, alta de 38% em relação à temporada anterior, podendo alcançar 610 mil toneladas já em 2026/27.

    “O Equador tem se beneficiado de dois anos consecutivos de regime de chuvas favorável e da adoção de variedades híbridas mais resistentes a doenças. A principal preocupação agora é o potencial impacto do fenômeno La Niña, que tende a reduzir as precipitações”, explica Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

    cacau
    Foto: Divulgação – Seagri/BA

    No Brasil, as condições climáticas também têm colaborado para a expansão produtiva. Dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) indicam que chuvas regulares em 2024 e 2025 favoreceram a recuperação das lavouras na Bahia e o crescimento no Pará, onde a área plantada expande 4,4% ao ano.

    A produção nacional deve atingir 215 mil toneladas em 2025/26, crescimento significativo frente às 180,8 mil toneladas da temporada anterior. “O uso de variedades híbridas mais adaptadas e as condições climáticas favoráveis, especialmente na região Norte, têm impulsionado a produtividade”, destaca Bezzon.

    Outros países contribuem para o reequilíbrio global. Camarões deve colher 310 mil toneladas, embora enfrente risco de aumento da podridão-preta. A Nigéria, apesar da seca persistente e níveis mínimos de umidade do solo em cinco anos, projeta produção próxima a 360 mil toneladas. A Indonésia mantém dois anos consecutivos de clima favorável, com expectativa de 210 mil toneladas.

    Demanda industrial em retração

    O lado da demanda apresenta retração expressiva. As moagens registraram queda de 8,9% no segundo trimestre e 12,9% no terceiro trimestre de 2025. Reflexo de margens industriais comprimidas e substituição de ingredientes nas formulações.

    “O processo de destruição da demanda, antecipado desde 2023, consolidou-se este ano. Os preços elevados do cacau forçaram a indústria a reformular produtos e reduzir volumes de produção”, afirma Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

    A combinação entre oferta crescente e consumo retraído deve elevar os estoques globais para 1,66 milhão de toneladas até 2026/27, com a relação estoque/demanda atingindo 35,4%, próxima à média histórica dos últimos dez anos.

    Apesar da tendência de normalização, o mercado permanece vulnerável a episódios de volatilidade. “O comportamento climático continua sendo o principal ponto de inflexão. Caso a seca persista na África Ocidental entre outubro e novembro, os preços podem registrar nova alta no curto prazo. Estruturalmente, porém, o mercado caminha para um novo equilíbrio, com fundamentos mais sólidos e recomposição gradual dos estoques”, conclui Bezzon.

  • Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    O mercado internacional de cacau permanece sob forte volatilidade em 2025. Os preços da commodity atingiram patamares historicamente altos devido à quebra de safra nos principais países produtores da África Ocidental, região responsável por quase 70% da produção mundial. A escassez de oferta e as incertezas climáticas têm elevado o risco de um novo déficit no balanço global. E podem configurar o quarto ano consecutivo de saldo negativo.

    A safra 2024/25 na Costa do Marfim e em Gana, líderes globais na produção de cacau, foi impactada por condições climáticas adversas, resultando na menor oferta dos últimos oito anos. Estimativas apontam que a produção marfinense deve ficar entre 1,75 e 1,80 milhão de toneladas, patamar semelhante ao ciclo anterior e bem abaixo dos recordes históricos. O clima seco e as chuvas insuficientes limitaram o desenvolvimento das lavouras, frustrando expectativas de recuperação para a safra intermediária de 2025.

    Com a oferta restrita, os preços futuros do cacau dispararam. Ele chegou a  superar US$ 11 mil por tonelada em 2024 e permanecendo acima de US$ 8 mil em 2025, um aumento de 180% em dois anos. Apesar de uma leve queda recente, as cotações seguem significativamente acima da média histórica, pressionando a indústria global de chocolates e derivados.

    Novos players ganham espaço, mas não compensam queda africana

    A alta nos preços tem estimulado o crescimento da produção em países como Equador, Indonésia e Nigéria, que apresentam exportações mais robustas em 2025. No entanto, o avanço desses mercados ainda não é suficiente para suprir a lacuna deixada pela queda africana, mantendo o cenário global de oferta apertada.

    Outro fator de instabilidade é o ritmo mais lento das vendas antecipadas da safra 2025/26 por parte das entidades estatais de comercialização da Costa do Marfim e Gana, fundamentais para a definição de preços ao produtor e para sinalizar expectativas de produção. O atraso nas negociações reforça a percepção de risco sobre a próxima colheita.

    Apesar de alguns indicadores climáticos apontarem chuvas próximas à normalidade para o início da nova safra, analistas recomendam cautela. Caso o clima favorável se mantenha e os preços elevados incentivem investimentos em manejo, há potencial para recuperação. Mas ainda é cedo para prever uma reversão do quadro atual.

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