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  • Mexerica ponkan bate recorde de produção e de renda

    Mexerica ponkan bate recorde de produção e de renda

    No sítio de Victor Abrantes, em Tocantins, município da Zona da Mata de Minas Gerais, os pés de mexerica ponkan estão carregados e prometem uma das melhores safras dos últimos anos. A colheita começa em abril, e a expectativa é que a produção do município chegue a 3 mil toneladas. Ou seja, até três vezes mais do que no ano anterior.

    O bom momento não é obra do acaso. Victor integra um grupo de 30 produtores atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente pelo Sindicato Rural de Tocantins. Desde 2023, o técnico de campo Gil Pedro Lara visita as propriedades mensalmente, orientando os agricultores em questões técnicas, de gestão e planejamento. Os resultados já aparecem nos números.

    Qualidade valoriza a fruta e eleva o preço pago ao produtor

    A melhoria nas práticas agrícolas foi determinante para o salto financeiro do grupo. Segundo Gil, os produtores passaram a fazer um controle mais rigoroso de mato, adubação e pulverização, com adoção crescente de calcário e adubos ricos em cálcio, insumos que aumentam a qualidade dos frutos.

    O efeito prático aparece na comparação entre os dois últimos anos: a renda coletiva do grupo saltou de R$ 1,378 milhão em 2024 para R$ 1,706 milhão em 2025, crescimento de aproximadamente 23,8%. O dado é ainda mais expressivo quando se observa que a produção caiu no mesmo período, de 989 mil quilos para 880 mil quilos. Uma variação considerada normal no ciclo da cultura de mexerica.

    Cooperativa nacional abre mercado mais lucrativo para os ponkaneiros

    A qualidade reconhecida abriu portas que antes estavam fechadas. Em 2024, os produtores de Tocantins firmaram contrato com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e forneceram cerca de 7 mil caixas de ponkan. A parceria trouxe um diferencial competitivo importante. Enquanto o quilo da fruta era negociado a R$ 1,39 no Ceasa, a Unicafes pagou R$ 2,50/kg,um preço 80% superior.

    Outro ponto vantajoso foi a aceitação das frutas menores, que costumam ter pouca saída no mercado convencional, mas são preferidas no fornecimento para merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para 2026, a estimativa é vender mais de 10 mil caixas a R$ 2,60/kg.

    Associação reativada dobra número de produtores na venda coletiva

    A conquista da Unicafes como compradora só foi possível graças à retomada da Associação de Produtores Rurais de Tocantins (Asprut), entidade que havia interrompido suas atividades. Victor Abrantes, atual presidente da associação, foi o responsável por mobilizar os colegas e demonstrar na prática os benefícios do trabalho coletivo: compra conjunta de insumos, acesso à assistência técnica e capacidade de abastecer grandes instituições.

    Para a safra de 2025, o grupo mais que dobrou o número de produtores participantes da venda para a Unicafes, de 23 para 54 agricultores. E com meta de comercializar 20 mil quilos. “Com isso, vendemos a fruta média com valor agregado e valorizamos também a fruta grande”, explica Victor.

    A colheita da ponkan em Tocantins se estende de abril a agosto, com pico de produção em junho.

  • Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    A produção de mel no Amapá vive um novo ciclo. Entre florestas preservadas e comunidades rurais dedicadas, apicultores do Estado têm aumentado produtividade e qualidade, graças à adoção de práticas mais eficientes e à organização cooperativa. A mudança, que começou nos municípios de Porto Grande e Itaubal, tem transformado o modo de trabalho e fortalecido a economia local.

    Nos últimos meses, produtores ligados à Coopermel Amapá passaram a utilizar kits de produção com equipamentos modernos para manejo das colmeias, extração e armazenamento. O que antes dependia de processos manuais e demorados agora flui com mais eficiência e segurança, permitindo maior aproveitamento da safra e melhor conservação do produto.

    Segundo Júlio Avelar, presidente da cooperativa, a inovação representa um divisor de águas para quem vive da apicultura. “Antes, tudo era mais lento e difícil. Agora produzimos mais, armazenamos melhor e mantemos o ritmo da colheita. O produtor se sente valorizado e acredita mais no próprio trabalho”, relata.

    Mel de qualidade e processo sustentável

    O avanço tecnológico não apenas impulsionou a produção, mas também elevou o padrão de qualidade do mel amapaense, que hoje começa a se destacar no mercado regional. Para Edicleuma Santana, apicultora e integrante da agroindústria local, os ganhos vão além do volume produzido. “Os equipamentos trouxeram mais segurança no processamento e garantem um produto de excelência. Isso é essencial para conquistar o consumidor e abrir novos mercados”, destaca.

    Foto: Divulgação Júlio Avelar

    Ela reforça que a base desse sucesso está na assistência técnica e nas boas práticas de manejo, garantindo que o mel mantenha características naturais e seguras desde o campo até o envase.

    Cooperação e sustentabilidade

    A organização dos produtores através da Coopermel tem sido fundamental para enfrentar desafios logísticos e naturais da Amazônia. A cooperativa já reúne dezenas de apicultores em expansão por diferentes municípios, fortalecendo a cadeia produtiva e criando oportunidades de renda.

    Além do impacto econômico, a atividade tem papel direto na preservação ambiental. Como depende das abelhas e da conservação da flora nativa, a apicultura incentiva o cuidado com a floresta e contribui para o equilíbrio do ecossistema amazônico.

    Com resultados cada vez mais visíveis, o mel do Amapá se consolida como símbolo de resistência, qualidade e sustentabilidade. Mostrando que inovação e cooperação podem transformar comunidades rurais e abrir novas perspectivas para o campo amazônico.

  • Feira do Cerrado 2026 conecta produtores e novas oportunidades

    Feira do Cerrado 2026 conecta produtores e novas oportunidades

    Produtores de café e grãos do Cerrado mineiro estão reunidos em Monte Carmelo (MG) para a Feira do Cerrado 2026, promovida pela Cooxupé. O evento acontece até esta quinta-feira (5), das 8h às 18h, no núcleo da cooperativa, com entrada e estacionamento gratuitos.

    Com o tema “Tradição e Inovação: Gestão Responsável, Cooperativismo Forte, Futuro de Oportunidades”, a feira chega à sua 11ª edição reunindo mais de 70 expositores e 85 estandes em uma área de 50 mil m², com mais de 14 mil produtos voltados à produtividade agrícola, gestão e sustentabilidade no campo.

    Inovação e conhecimento para o campo

    Durante a abertura, o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, destacou o papel estratégico do evento na disseminação de conhecimento e tecnologias para os cooperados. “A cada ano, trazemos novos produtos e soluções que ajudam o cafeicultor a levar o que há de mais atual para sua propriedade”, afirmou.

    O vice-presidente, Osvaldo Bachião Filho, ressaltou que o atual cenário de preços do café é favorável e exige decisões inteligentes. “É hora de investir em produtividade para transformar bons preços em renda e qualidade de vida para as famílias produtoras”, observou.

    Gestão e comercialização com visão de futuro

    O superintendente comercial, Luiz Fernando dos Reis, enfatizou a importância do planejamento financeiro e da estratégia na hora de vender o café. “O produtor precisa acompanhar o mercado e cuidar dos custos. Vender toda a safra de uma vez pode causar pressão no preço; diluir as vendas é sempre uma boa estratégia”, explicou.

    Já o superintendente de Desenvolvimento do Cooperado, José Eduardo Santos Júnior, reforçou que o evento é uma oportunidade concreta de negócios.

    “Esperamos que os cooperados façam negócios de acordo com suas necessidades e aproveitem as condições comerciais da feira”, disse.

    O prefeito de Monte Carmelo, Ricardo Ferreira, destacou o impacto positivo da feira na economia local. “O evento movimenta nossa economia e valoriza o trabalho das famílias produtoras. Monte Carmelo é referência em cafés especiais, e a feira mostra essa força para o Brasil e o mundo”, afirmou.

    Feira do Cerrado 2026 – Informações:

    Foto: André Monteiro/Divulgação
    • 4 e 5 de fevereiro de 2026
    • Núcleo da Cooxupé de Monte Carmelo – Rodovia MG-190, Km 3
    • Das 8h às 18h
    • Entrada e estacionamento gratuitos
  • Agricultura familiar ganha força com novo plano de negócios da Coopfam

    Agricultura familiar ganha força com novo plano de negócios da Coopfam

    A Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam) deu mais um passo para fortalecer a produção e ampliar as oportunidades de renda no campo. A cooperativa recebeu um Plano de Negócios estruturado com o apoio técnico da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) e da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa). O documento serve como guia estratégico para gestão, comercialização e agregação de valor aos produtos dos cooperados.

    A apresentação do plano ocorreu na sede da Coopfam, em Poço Fundo, com a presença de representantes da Seapa, da Ocemg e de cooperados. Segundo a diretora de Agroindústria e Cooperativismo da Seapa, Isabella Gruppioni, o planejamento foi desenvolvido a partir de um diagnóstico detalhado da realidade da cooperativa. Considerando desafios, potencialidades e oportunidades de mercado.

    “Esse Plano de Negócios traz estratégias mais robustas para ampliar as vendas, melhorar a precificação e fortalecer a gestão interna. Com ele, a Coopfam tem mais condições de agregar valor aos produtos e oferecer melhor suporte aos seus associados”, destacou Isabella.

    Referência regional

    Com mais de 400 cooperados, a Coopfam mantém forte atuação na agricultura familiar e se tornou referência regional na produção de café de qualidade. O novo plano busca aprimorar a administração, impulsionar a comercialização e preparar a cooperativa para expandir sua presença nos mercados local e regional.

    O documento é resultado do trabalho contínuo de consultoria técnica iniciado em 2024 pela Ocemg. E conta com apoio da Seapa. A ação integra um edital do Programa Estadual de Cooperativismo da Agricultura Familiar e Agroindústria Familiar de Minas Gerais (Cooperaf-MG), criado pelo Governo de Minas em 2020. A iniciativa promove capacitação, assistência técnica e acompanhamento especializado para o fortalecimento das cooperativas.

    A expectativa é que a Coopfam amplie sua competitividade e gere mais retorno econômico para as famílias associadas. Produtores já projetam impactos positivos no curto e médio prazo, com maior estrutura e preparo para enfrentar os desafios do mercado e expandir as oportunidades. Especialmente no café, carro-chefe da produção regional.

  • Cooperativa transforma resíduos da maçã em novos produtos

    Cooperativa transforma resíduos da maçã em novos produtos

    O que antes era descartado como bagaço da produção de sucos agora vira farinha, farelo e chips crocantes de maçã. A inovação é fruto de um projeto da Cooperserra, de São Joaquim (SC), que inaugurou uma moderna unidade de processamento com apoio do Programa Financia Agro SC – Arranjos Produtivos Locais (APL), da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.

    A iniciativa contou com financiamento de R$ 1 milhão do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). O projeto foi elaborado pela Epagri em parceria com a equipe técnica da cooperativa e aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Rural (Cederural).

    Investimento que gera renda

    A unidade de processamento funciona há três meses. O secretário de Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, visitou a estrutura para acompanhar os resultados. Ele afirma que ao transformar o que iria para o lixo em novos produtos, há criação de oportunidades reais de crescimento para os agricultores familiares. Portanto, esse projeto é um exemplo de como as políticas públicas podem impulsionar a geração de renda, segundo o secretário.

    De acordo com o gerente regional da Epagri em São Joaquim, Marlon Couto, a iniciativa nasceu de um estudo de mercado. “Em apenas 12 meses, confirmamos o retorno econômico e mostramos como a parceria entre pesquisa, extensão e agroindústria gera inovação, sustentabilidade e renda para os produtores”, afirmou.

    Cooperativa fortalece agricultura familiar

    Fundada em 1977, a Cooperserra reúne 115 sócios, dos quais 66% são agricultores familiares. Para o presidente da entidade, Mariozan Correa, os novos produtos abrem novos mercados.
    “Nós tínhamos a matéria-prima e agora aproveitamos tudo com valor agregado. A farinha e os chips de maçã trazem um diferencial para a agricultura familiar”, destacou.

    O que é o Programa APL

    O Financia Agro SC – Arranjos Produtivos Locais (APL) apoia investimentos coletivos de cooperativas e associações ligadas à agricultura, pesca e aquicultura.
    O objetivo é fortalecer cadeias produtivas locais, ampliar a geração de renda e superar gargalos logísticos e comerciais.

    Grupos de agricultores, pescadores ou aquicultores com participação mínima de 10 famílias, podem solicitar o financiamento. Eles poderão pagar em até cinco anos, sem juros e com parcelas anuais.
    Os projetos têm limite de até R$ 500 mil, podendo chegar a R$ 1 milhão por Unidade de Gestão Técnica da Epagri.

  • Cooperativa fortalece mulheres e cultura amazônica

    Cooperativa fortalece mulheres e cultura amazônica

    Fundada em 2009, a Cooperativa Turiarte nasceu da união de mulheres que transformam sementes, fibras vegetais, escamas de peixe e argila marajoara em peças artesanais únicas. Localizada em comunidades ribeirinhas de Santarém, no oeste do Pará, a cooperativa se tornou um espaço de resistência cultural e inclusão social, garantindo renda e reconhecimento para mulheres amazônicas.

    Com 180 cooperados — sendo 114 mulheres artesãs — a Turiarte atua em 12 comunidades, entre áreas de assentamento e reservas extrativistas. Além do artesanato, a cooperativa apoia iniciativas ligadas à agricultura familiar, piscicultura, meliponicultura e turismo comunitário.

    A viagem até Anã

    O portal Agro em Campo partiu de Alter do Chão ainda pela manhã. A chuva da madrugada havia deixado o céu encoberto e o rio Tapajós revolto, com ondas que batiam no casco do barco a motor e o jogava de um lado para o outro. Durante cerca de duas horas, a embarcação cortou as águas verdes e densas, margeadas pela floresta. Ao entrar no rio Arapiuns, o cenário se transformou: o ritmo do motor se misturou ao canto de pássaros e à calmaria da mata, revelando a entrada na comunidade de Anã.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    De acordo com informações obtidas no site da Prefeitura de Santarém, Anã é composta por 87 famílias, com um total de 342 moradores. A comunidade se organiza em torno do turismo comunitário, hospedarias, trilhas, culinária regional e atividades ligadas ao manejo de peixes e abelhas, que são oferecidas aos visitantes que desejam vivenciar a floresta e suas águas cristalinas de maneira próxima aos moradores.

    Piscicultura e meliponicultura como sustento

    Um dos pilares da comunidade é a piscicultura. O projeto, iniciado em 2000 e reforçado em 2004 pelo grupo Mulheres Sonhadoras em Ação (Musas), envolve 12 famílias. A produção abastece a alimentação local e o turismo, garantindo equilíbrio entre consumo e renda.

    Outra atividade em destaque é a meliponicultura. Vinte e duas famílias chegaram a cuidar de 700 enxames da abelha Canudo, espécie sem ferrão. A seca de 2024 reduziu a produção, mas, em média, chegam a extrair 400 quilos de mel orgânico por ano. O produto é uma das joias da comunidade. “Essa abelha não aceita alimento artificial, só néctar e pólen. É um mel puro e único da Amazônia”, explicou o meliponicultor Aldair José Goudinho Imbiriba, enquanto mostrava os potes dourados aos visitantes.

    Voz feminina no cooperativismo

    Natália Dias Viana, 24 anos, presidente da Turiarte, carrega no discurso a força de quem cresceu vendo a mãe construir o cooperativismo. Nascida na Vila Brasil, às margens do rio Arapiuns, ela foi secretária da cooperativa ainda adolescente e hoje lidera 180 cooperados.

    Natália Dias Viana, presidente da Cooperativa Turiarte – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Trabalhamos com artesanato e turismo, mas também apoiamos indiretamente outros projetos, como a piscicultura, a meliponicultura e a agricultura familiar. Nosso papel é valorizar a cultura e garantir que as mulheres tenham renda e autonomia”, afirmou.

    Ela detalha a gestão descentralizada da Turiarte: cada comunidade tem um coordenador responsável por trazer demandas e compartilhar informações. “O cooperado precisa entender seus direitos e deveres. O artesanato é mais que um produto, é nossa história e nossa cultura. Se não houver comercialização, corremos o risco de perder esse legado”, ressaltou.

    Segundo Natália, a demanda pelo artesanato cresceu com a aproximação da COP 30 e com a participação em feiras internacionais. “Estamos quase sem espaço para novos pedidos. Nosso trabalho é manual, exige tempo e dedicação. Por isso precisamos de estratégias para crescer com qualidade”, destacou.

    Tradição que atravessa gerações

    Entre as mãos que mantêm viva essa herança está a de Ivaneide de Oliveira, a Dona Neide, 47 anos. Sentada em frente a sua casa na comunidade de Urucureá, ela trançava pacientemente a palha do tucumã, transformando-a em cestos e peças que carregam a identidade amazônica.

    Dona Neide realiza o tingimento da palha do tucumã – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Aprendi com minha mãe, que aprendeu com a dela. Hoje já ensinei à minha filha. É um trabalho que passa de geração em geração. O artesanato é nossa marca e precisa ser valorizado”, contou.

    O gesto repetido ao longo dos anos, segundo ela, é também uma forma de resistência. “A cooperativa trouxe muitos benefícios para nossas famílias. Além da renda, nos deu independência. Cada peça é mais que um objeto, é a continuidade da nossa cultura”, completou.

    Reconhecimento internacional

    Com apoio do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e da ApexBrasil, a Turiarte avançou no posicionamento digital, participou da Expotextil em Bogotá, na Colômbia, e realizou sua primeira exportação em 2023. O passo reforça a capacidade de o cooperativismo amazônico acessar mercados globais sem abrir mão da preservação cultural e ambiental.

    “Nosso sonho é consolidar as exportações. Já estamos nos preparando com cursos e treinamentos. O mercado internacional é exigente, mas queremos levar a arte da floresta para o mundo”, afirmou Natália.

    Mais que artesanato: desenvolvimento local

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A Turiarte integra artesanato, turismo e inclusão social, ao mesmo tempo em que fortalece políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos Indígenas (PAA Indígena). O modelo mostra como o cooperativismo pode ser solução local para desafios globais, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como igualdade de gênero, trabalho decente e combate às mudanças climáticas.

    “É muito mais do que só o artesanato. Para nós é a nossa história, nossa riqueza, nossa cultura”, concluiu Natália.

  • Compras coletivas beneficiam agricultura familiar no Pará

    Compras coletivas beneficiam agricultura familiar no Pará

    O superintendente da OCB/PA, Júnior Serra, concedeu entrevista exclusiva ao portal Agro em Campo, detalhando como as cooperativas da agricultura familiar no estado vêm fortalecendo a produção por meio da compra coletiva de insumos. Segundo ele, o modelo não apenas organiza os produtores, mas também garante maior competitividade e retorno financeiro para quem integra essas cooperativas.

    Qual é o principal trabalho das cooperativas no Pará hoje?

    “O que a gente faz muito aqui no estado do Pará é, em primeiro lugar, organizar. Fazemos um levantamento da produção, porque todo mundo que produz alguma coisa precisa de insumos agrícolas. A cooperativa entra justamente nesse ponto: comprar direto, principalmente quando temos mais de 20, 30, 40 produtores juntos. Esse volume gera um diferimento no valor de compra, tornando o processo competitivo.”

    Como funciona esse modelo na prática?

    “Primeiro fazemos toda a lista dos possíveis cooperados e levantamos a necessidade de cada um. A partir disso, vamos barganhar preço no mercado. É nesse momento que conseguimos mais competitividade e vantagem econômica para os produtores.”

    Pode dar um exemplo concreto de resultado?

    “Temos uma cooperativa, em um município próximo a Belém, que antes era uma associação. No primeiro ano como cooperativa, com 64 pequenos produtores rurais, alcançou um faturamento de R$ 500 mil. Desse valor, sobraram R$ 400 mil graças ao modelo da compra coletiva. Isso mostra como o sistema é eficiente.”

    A compra coletiva, então, é o ponto de partida?

    “Exatamente. A compra coletiva já é algo que estimula muito e sempre dá certo. Não tem como dar errado, porque todo produtor precisa de insumos agrícolas. O trabalho inicial é mapear essa demanda e negociar em bloco.”

    Qual é a diferença entre associação e cooperativa?

    “Tanto em associação quanto em cooperativa é possível participar de editais. Mas a associação tem mais restrições legais, porque seu fim é assistencial e cultural. Já a cooperativa tem caráter econômico.”

    E isso impacta no retorno financeiro?

    “Sim. Todo recurso que entra em uma associação não pode ser dividido entre os associados, precisa ser investido em prol da coletividade. No cooperativismo é diferente: o associado recebe proporcionalmente ao que entregou da produção dele.”

  • Abertura da safra do Aipim da Terra Preta em Itajaí reúne produtores e entidades

    Abertura da safra do Aipim da Terra Preta em Itajaí reúne produtores e entidades

    O aipim produzido em Itajaí destaca-se por ser tenro, adocicado, de cozimento rápido e fácil de descascar e colher. Isso graças ao solo poroso e rico em matéria orgânica, conhecido como terra preta. Essas características únicas tornam o Aipim da Terra Preta de Itajaí um forte candidato ao Selo de Indicação Geográfica (IG).

    Para celebrar a safra 2025, a cooperativa Cooperar, na localidade Rio Novo, sediou um evento especial de abertura de safra. Que reuniu 17 produtores e representantes da Epagri, Sebrae, Univali, além do prefeito Robson Coelho e do vice Rubens Angioletti. Após a colheita simbólica, a Univali serviu pratos à base de aipim, como creme com couve e presunto de parma e bombocado com goiabada, evidenciando a versatilidade do produto.

    O extensionista da Epagri fez questão de homenagear os agricultores. Fotos: Renata Rosa / Epagri

    O extensionista rural da Epagri, Antônio Henrique dos Santos, que percebeu o potencial do aipim em 2019, explica. “Por ser produzido num solo rico em matéria orgânica, proveniente de substrato marinho, o aipim, além de macio e saboroso, é mais nutritivo por causa dos compostos fenólicos”. Ele destaca ainda que “em algumas plantações é possível encontrar restos de conchas, como um sambaqui”, reforçando a singularidade do solo negro da região.

    Comitê

    Em janeiro de 2025, formou-se um comitê com representantes da Cooperar, agricultores da Colônia Japonesa, Sebrae, Epagri, Univali e prefeitura para conduzir o processo de obtenção da IG. O pesquisador da Univali, Evandro Luis Pasa, ressalta a importância do trabalho coletivo. “Vale destacar que a ideia da IG do Aipim da Terra Preta partiu da necessidade de valorização dos produtos da agricultura familiar de Itajaí, identificada pelo Antônio. Sem a total adesão da Cooperar, do diretor executivo do Planejamento Estratégico do Município de Itajaí (PEMI 2040), da Epagri, Sebrae e Univali, nada estaria acontecendo”.

    A Univali realiza análises laboratoriais para identificar compostos fenólicos totais, fibras, açúcares, amido e outros componentes, com resultados previstos para os próximos seis meses. A consultora do Sebrae Ester de Jesus explica os próximos passos. “O próximo passo será criar o conselho regulador, que vai definir regras e estabelecer os critérios de qualidade para se adequar às exigências do INPI. Também precisa fazer o caderno de especificação técnica. E boa parte dele depende do estudo que está sendo feito pela Univali e pela Epagri, no caso do solo. Se esta etapa for concluída até outubro, em dezembro poderemos submeter a documentação ao INPI”.

    Importância do vínculo entre produto e território

    Ester reforça a importância do vínculo entre produto e território. “O registro de denominação de origem exige que a documentação comprove a ligação do produto ao meio geográfico, neste caso, ao solo. É preciso ter um nexo causal e comparativo do local em relação a outros locais comprovando que ali, de fato, é diferente”. Para isso, serão feitas plantações experimentais em locais com solos diferentes, como Navegantes e Luiz Alves.

    Terra preta e porosa facilita a colheita e melhora a qualidade de vida do produtor. Fotos: Renata Rosa / Epagri

    Evandro Luis Pasa complementa: “O dossiê deve conter, além da especificidade do solo, uma série de elementos que dizem respeito também à história, forma de produção, coletivo de produtores, etc. Sendo o mais importante a peculiaridade do aipim”.

    Assim, essa iniciativa visa valorizar a agricultura familiar de Itajaí. E além disso, reforçar a identidade regional e garantir reconhecimento nacional e internacional ao Aipim da Terra Preta, promovendo desenvolvimento sustentável e agregação de valor ao produto.

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  • Cooperativas puxam pauta do CCAgro e miram R$ 423 bi

    Cooperativas puxam pauta do CCAgro e miram R$ 423 bi

    Numa economia que vive do suor da terra, as cooperativas agropecuárias continuam mostrando fôlego. Só em 2023, o ramo movimentou impressionantes R$ 423,1 bilhões, segundo o recém‑lançado Anuário do Cooperativismo Brasileiro. É essa força que dará o tom do Congresso Conecta Agro (CCAgro), de 2 a 4 de julho, no Expo Dom Pedro, em Campinas (SP).

    A organização montou a “Casa do Cooperativismo”, espaço que promete virar vitrine de experiências bem‑sucedidas, fechar negócios e discutir os caminhos do setor. A ideia é simples: colocar, sob o mesmo teto, cinco encontros já famosos no calendário rural — ENCA, Top Farmers, Encontro de Gestão dos Cafeicultores — e dois novatos, MegaPec e Top Farmers Cana.

    A previsão é de mais de 4 mil participantes circulando entre duas plenárias simultâneas, estandes e rodadas de networking que não param.

    Para Luciana Martins, diretora executiva do Grupo Conecta e voz à frente do evento, o cooperativismo “é uma engrenagem sólida da economia brasileira”. Segundo ela, garantir renda, segurança alimentar e energética exige respostas rápidas às mudanças climáticas e às oscilações de mercado: “No CCAgro, queremos reforçar o papel das cooperativas como protagonistas na busca por soluções integradas e eficientes diante dos desafios climáticos, de mercado e produção. É um espaço para discutir o futuro com quem já está construindo esse presente todos os dias em todas as regiões produtoras do Brasil”

    Luciana Martins, diretora executiva do Grupo Conecta – Foto: Divulgação

    Força das cooperativas

    Os números dão respaldo. O Brasil soma 1.179 cooperativas agropecuárias, passando de 1 milhão de associados e empregando 257 mil pessoas. Mesmo com a leve queda de 1,6 % na receita, puxada pela acomodação dos preços de commodities e insumos, o fôlego segue grande.

    Quem passar por Campinas vai encontrar também um palco plural. Entre os nomes confirmados, o comentarista Caio Coppola, o psiquiatra Augusto Cury, o especialista em inovação Walter Longo, o presidente da Câmara de Comércio Brasil‑China, Charles Tang, e o escritor Fábio Ruiz. Política, economia, saúde mental e oportunidades globais entram na pauta — tempero extra para quem precisa decidir rápido no agronegócio que não dorme.

    O Agro em Campo é apoiador de mídia do CCAgro. Fique por dentro da programação.

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  • Cooxupé bate recorde e distribui R$ 134,4 milhões aos cooperados

    Cooxupé bate recorde e distribui R$ 134,4 milhões aos cooperados

    A Cooxupé registrou em 2024 o maior faturamento de sua história. A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé alcançou R$ 10,7 bilhões, um crescimento de 67% em relação a 2023. Os resultados, divulgados em 28 de março durante Assembleia Geral Ordinária, também incluem R$ 394,4 milhões em sobras, dos quais R$ 134,4 milhões serão distribuídos aos cooperados.

    Exportações e mercado interno

    Em geral, a Cooxupé embarcou 6,6 milhões de sacas de café em 2024, um avanço de 46% em relação ao ano anterior. Desse total, 5,1 milhões foram exportadas, um aumento de 41%. O restante abasteceu o mercado interno e clientes exportadores. Em resumo, a cooperativa envia café para mais de 50 países, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, China, Argentina, Canadá, Japão e Suécia. As exportações representam 80% das atividades da Cooxupé.

    Recebimento de café

    Em 2024, a cooperativa recebeu 6,1 milhões de sacas de café. Os cooperados entregaram 4,9 milhões de sacas, enquanto 1,2 milhão veio de terceiros.

    Investimentos

    A Cooxupé investiu R$ 91,3 milhões na modernização do patrimônio dos cooperados. A cooperativa aplicou os recursos em obras, reformas, ampliações e inovações tecnológicas, incluindo robotização e desenvolvimento agrícola.

    Torrefação e mercado corporativo

    A indústria de café torrado e moído da Cooxupé completou 40 anos em 2024 e firmou parceria com a Master Expresso. Com essa iniciativa, a cooperativa ingressou no mercado corporativo. Os produtos já estão disponíveis no varejo em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com planos de expansão para outras regiões. No ano passado, a torrefadora produziu 13,7 milhões de quilos de café.

    Perfil dos cooperados

    Foto: Divulgação – Cooxupé

    A maioria dos cooperados pertence à agricultura familiar. Portanto, em 2024, 97,4% dos cafeicultores eram mini e pequenos produtores. Os médios, grandes e mega produtores representaram apenas 2,7% do total.

    Assistência técnica no campo

    Os cooperados receberam 109,3 mil atendimentos gratuitos de engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas em 2024. O suporte ocorreu tanto no campo quanto nos núcleos da cooperativa. Em geral, ao longo do ano, mais de 670 eventos reuniram 52 mil participantes.

    Sustentabilidade e reconhecimento

    O Protocolo Gerações, programa de sustentabilidade da Cooxupé, ganhou destaque em eventos internacionais, como a COP29. Além disso, o projeto também recebeu a equivalência do GCP (Plataforma Global do Café) e o Ministério da Agricultura o reconheceu por suas boas práticas agrícolas.

    Desafios e perspectivas

    O presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, destacou que os altos preços do café impulsionaram os resultados de 2024. No entanto, ele alertou para os desafios climáticos que afetam a produtividade. “Nossos cooperados têm sido resilientes e buscam alternativas para suas lavouras. Comemoramos esses números recordes, especialmente a distribuição de sobras, mas seguimos focados na sustentabilidade dos nossos negócios”, afirmou.

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