O atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, apresenta uma recuperação expressiva da biodiversidade após a erradicação de espécies invasoras. Os resultados integram o Tetiaroa Atoll Restoration Program (TARP), iniciativa científica que conduz ações de restauração ecológica com apoio do resort The Brando.
Pesquisadores do programa confirmam o avanço na recuperação de populações de caranguejos terrestres e aves marinhas, espécies-chave para o equilíbrio ambiental do atol. A eliminação de ratos invasores e o controle de formigas-loucas-amarelas impulsionaram o retorno de espécies antes ausentes e ampliaram a reprodução da fauna local.
Retorno gradual
Desde 2021, os cientistas Simon Ducatez e Jayna DeVore monitoram o retorno gradual de caranguejos em motus anteriormente invadidos por ratos. As populações crescem de forma consistente, enquanto comportamentos naturais voltam a ocorrer nas áreas restauradas.
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Os caranguejos exercem funções essenciais no ecossistema de Tetiaroa. Caranguejos-violinistas promovem a aeração do solo ao escavar tocas. Espécies como caranguejos-eremitas e caranguejos terrestres marrons atuam na decomposição de matéria orgânica e na reciclagem de nutrientes. Já os caranguejos-fantasma controlam algas e pequenos invertebrados nas praias, enquanto os caranguejos-coco atuam como predadores e dispersores de sementes.

Segundo os pesquisadores, a redução dessas populações compromete diretamente o funcionamento ecológico do atol, já que os caranguejos ocupam posição central na cadeia trófica local. Para aprofundar a análise, a Tetiaroa Society conduz estudos sobre os impactos da ausência desses animais no ecossistema.
O monitoramento inclui expedições de campo em diferentes motus, frequentemente durante a noite, quando os caranguejos estão mais ativos. As equipes capturam, medem, pesam e identificam os indivíduos antes de devolvê-los ao ambiente, garantindo o acompanhamento de longo prazo das populações.
Aves marinhas
Além dos avanços entre os caranguejos, o TARP registra recuperação acelerada das aves marinhas. Em 2024, pesquisadores monitoraram 460 ninhos de trinta-réis-brancos, com taxa de 77% de eclosão e 90% de sobrevivência dos filhotes até o voo. O número de ninhos em áreas livres de ratos já supera em 2,6 vezes o registrado em regiões anteriormente invadidas.
Entre os noddies marrons, os cientistas acompanharam 502 ovos em 2024 e observaram aumento de 2,8 vezes no número de ninhos apenas um ano após o controle das formigas-loucas-amarelas. Atobás-marrons também voltaram a ocupar áreas antes abandonadas.
As aves marinhas desempenham papel estratégico na manutenção do equilíbrio ambiental. Seus dejetos enriquecem o solo, fortalecem a vegetação, sustentam populações de caranguejos e contribuem para a produtividade dos recifes de coral e dos ecossistemas marinhos ao redor do atol.
O TARP atua na restauração dos habitats nativos desde 2018 e intensificou, a partir de 2022, o combate às formigas-loucas-amarelas, consideradas uma das principais ameaças às aves marinhas no Pacífico.
Atualmente, mais de 500 ninhos ativos são monitorados em nove motus de Tetiaroa. Somente em 2024, mais de 200 filhotes conseguiram deixar os ninhos com sucesso, resultado direto das ações de restauração e do trabalho conjunto de pesquisadores e voluntários.












