Tag: controle de pragas

  • Tetiaroa recupera aves marinhas e caranguejos após controle de pragas

    Tetiaroa recupera aves marinhas e caranguejos após controle de pragas

    O atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, apresenta uma recuperação expressiva da biodiversidade após a erradicação de espécies invasoras. Os resultados integram o Tetiaroa Atoll Restoration Program (TARP), iniciativa científica que conduz ações de restauração ecológica com apoio do resort The Brando.

    Pesquisadores do programa confirmam o avanço na recuperação de populações de caranguejos terrestres e aves marinhas, espécies-chave para o equilíbrio ambiental do atol. A eliminação de ratos invasores e o controle de formigas-loucas-amarelas impulsionaram o retorno de espécies antes ausentes e ampliaram a reprodução da fauna local.

    Retorno gradual

    Desde 2021, os cientistas Simon Ducatez e Jayna DeVore monitoram o retorno gradual de caranguejos em motus anteriormente invadidos por ratos. As populações crescem de forma consistente, enquanto comportamentos naturais voltam a ocorrer nas áreas restauradas.

    Os caranguejos exercem funções essenciais no ecossistema de Tetiaroa. Caranguejos-violinistas promovem a aeração do solo ao escavar tocas. Espécies como caranguejos-eremitas e caranguejos terrestres marrons atuam na decomposição de matéria orgânica e na reciclagem de nutrientes. Já os caranguejos-fantasma controlam algas e pequenos invertebrados nas praias, enquanto os caranguejos-coco atuam como predadores e dispersores de sementes.

    Foto: Divulgação

    Segundo os pesquisadores, a redução dessas populações compromete diretamente o funcionamento ecológico do atol, já que os caranguejos ocupam posição central na cadeia trófica local. Para aprofundar a análise, a Tetiaroa Society conduz estudos sobre os impactos da ausência desses animais no ecossistema.

    O monitoramento inclui expedições de campo em diferentes motus, frequentemente durante a noite, quando os caranguejos estão mais ativos. As equipes capturam, medem, pesam e identificam os indivíduos antes de devolvê-los ao ambiente, garantindo o acompanhamento de longo prazo das populações.

    Aves marinhas

    Além dos avanços entre os caranguejos, o TARP registra recuperação acelerada das aves marinhas. Em 2024, pesquisadores monitoraram 460 ninhos de trinta-réis-brancos, com taxa de 77% de eclosão e 90% de sobrevivência dos filhotes até o voo. O número de ninhos em áreas livres de ratos já supera em 2,6 vezes o registrado em regiões anteriormente invadidas.

    Entre os noddies marrons, os cientistas acompanharam 502 ovos em 2024 e observaram aumento de 2,8 vezes no número de ninhos apenas um ano após o controle das formigas-loucas-amarelas. Atobás-marrons também voltaram a ocupar áreas antes abandonadas.

    As aves marinhas desempenham papel estratégico na manutenção do equilíbrio ambiental. Seus dejetos enriquecem o solo, fortalecem a vegetação, sustentam populações de caranguejos e contribuem para a produtividade dos recifes de coral e dos ecossistemas marinhos ao redor do atol.

    O TARP atua na restauração dos habitats nativos desde 2018 e intensificou, a partir de 2022, o combate às formigas-loucas-amarelas, consideradas uma das principais ameaças às aves marinhas no Pacífico.

    Atualmente, mais de 500 ninhos ativos são monitorados em nove motus de Tetiaroa. Somente em 2024, mais de 200 filhotes conseguiram deixar os ninhos com sucesso, resultado direto das ações de restauração e do trabalho conjunto de pesquisadores e voluntários.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • Saruê não é vilão: entenda o papel do animal nas cidades

    Saruê não é vilão: entenda o papel do animal nas cidades

    Se você vive em cidade grande, já deve ter cruzado com um saruê – ou gambá‑de‑orelha‑preta – atravessando calçada, fuçando lixo ou sumindo em debaixo de carro. Para boa parte da população, o reflexo é o mesmo: medo, repulsa, até vontade de espantar ou matar. Porém, o que parece problema noturno é, na prática, um faxineiro da natureza, com papel direto na saúde e no equilíbrio ambiental das áreas urbanas.

    O saruê é um marsupial onívoro, ou seja, come de tudo: frutas, insetos, pequenos animais e restos orgânicos de lixo. Essa dieta variada o coloca na posição de controlador natural de pragas, porque consome baratas, escorpiões, carrapatos, ratos e até alguns animais peçonhentos.

    Como o faxineiro atua no ecossistema urbano

    Se olhar com mais frieza, o saruê cumpre duas funções que muitos gestores públicos gastam dinheiro tentando resolver com veneno e controle químico. Na primeira, ele reduz populações de pragas urbanas, diminuindo a chance de infestações de baratas, escorpiões e carrapatos em áreas residenciais. Na segunda, ao se alimentar de frutas e carregar sementes em suas fezes, ajuda a dispersar vegetação em áreas verdes e remanescentes de mata, atuando como um jardineiro involuntário.

    Outro ponto pouco conhecido é a resistência do saruê a alguns venenos de animais peçonhentos. Isso significa que, em vez de sumir diante de escorpiões ou aranhas, ele passa a se alimentar desses bichos, o que aumenta sua eficiência como controlador biológico. Em áreas onde a fauna nativa foi reduzida, o saruê entra como predador que não foi chamado pelo homem, mas que acaba compensando, em parte, a ausência de outros controles naturais.

    O conflito entre preconceito e urgência ecológica

    Apesar disso, o saruê continua sendo visto como incômodo, sujo ou perigoso. Muitas pessoas não sabem que o animal é, na maioria das vezes, tímido e prefere fugir ou se fingir de morto quando ameaçado, um comportamento conhecido como tanatose. Outros ainda espalham informações erradas de que o saruê é agressivo ou responsável por doenças, quando o maior risco costuma vir da falta de manejo de lixo, não do próprio animal.

    Além disso, por causa da expansão urbana e da perda de habitat, o saruê foi se aproximando cada vez mais das cidades, onde encontra comida fácil em lixeiras e áreas mal fechadas. Se por um lado isso aumenta o contato com o ser humano e gera irritação, por outro demonstra que o sistema urbano está, indiretamente, criando condições para que esse faxineiro entre em cena.

    O que o saruê muda para quem vive na cidade?

    Para quem mora em bairro, condomínio ou área com muita vegetação, o saruê não é só um bicho esquisito que passa de noite. Ele é um agente de controle de pragas que, por não ser intencional, acaba subestimado. Em vez de depender apenas de inseticidas e raticidas, a convivência informada com o saruê pode reduzir pressão de baratas, escorpiões e carrapatos em espaços que já estão próximos de casa.

    Ecologistas e especialistas em fauna urbana recomendam, então, duas atitudes simples: não alimentar o saruê e manter o lixo bem fechado ou dentro de áreas seguras. Ao mesmo tempo, orientam que, ao invés de matar ou envenenar, seja chamada uma equipe de fauna ou de meio ambiente para captura e soltura em áreas de vegetação mais adequadas. Assim, o faxineiro continua trabalhando, só que em um lugar onde sua função faz mais sentido e gera menos atrito com o dia a dia urbano.

    Em outras palavras, o saruê é um dos casos em que o preconceito está na frente da leitura prática: o bicho que muita gente vê como problema pode ser, na verdade, um dos aliados silenciosos para evitar pragas maiores e manter o ecossistema urbano um pouco mais equilibrado.

  • Biossensor facilita busca por produtos naturais para controle de pragas

    Biossensor facilita busca por produtos naturais para controle de pragas

    Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criou um biossensor capaz de detectar rapidamente, em extratos de plantas, inibidores da enzima acetilcolinesterase (AChE), vital para o sistema nervoso dos insetos e, assim, um alvo estratégico para controle de insetos-pragas. A ferramenta, de baixo custo e fácil aplicação, pode levar ao desenvolvimento de novos biopesticidas.

    Financiado pela FAPESP (14/50918-7 e 12/25299-6), o estudo que resultou no biossensor eletroquímico baseado na enzima AChE é fruto de uma parceria entre o Laboratório de Produtos Naturais e o Laboratório de Bioanalítica e Eletroanalítica e foi conduzido por Sean dos Santos Araújo, pesquisador da UFSCar.

    O trabalho foi publicado no periódico Analytical Methods.

    O dispositivo utiliza um eletrodo de carbono impresso, modificado com nanopartículas de ouro cobertas por glutationa, criando uma superfície ideal para fixar a acetilcolinesterase. Um dos principais desafios enfrentados na pesquisa foi alcançar as condições ideais para a manutenção da atividade biológica da enzima e sua correta interação com o sensor.

    “A imobilização do componente biológico é uma etapa fundamental para garantir a estabilidade da enzima e a precisão nas medições”, explica Araújo à Assessoria de Imprensa da UFSCar. Para isso, a equipe modificou a superfície do sensor com as nanopartículas de ouro, o que estabilizou a AChE e intensificou a resposta eletroquímica. “O protocolo que desenvolvemos funcionou com eficácia e precisão. Permitindo as leituras da atividade da AChE e, depois, a realização de bioensaios com extratos vegetais”, complementa o pesquisador.

    Uma das grandes vantagens dos biossensores eletroquímicos é o seu baixo custo. Especialmente quando comparado a métodos tradicionais, como a cromatografia de bioafinidade, mais caros e complexos.

    O biossensor foi testado primeiro com azadiractina, um inibidor natural conhecido de AChE, extraído da planta Azadirachta indica. A partir dos resultados positivos obtidos, que validaram a capacidade de o sensor detectar com precisão a inibição da enzima, testes foram conduzidos com outros extratos vegetais, das plantas Picramnia riedelli, P. ciliata e Toona ciliata. Os resultados indicaram taxas de inibição entre 41% e 55% e, assim, o grande potencial dessas plantas para a criação de biopesticidas.

    Na pesquisa, também foi possível identificar compostos específicos responsáveis pela inibição da acetilcolinesterase.

    Agência FAPESP

  • Broca-do-abacate ameaça até 100% da produção em Santa Catarina

    Broca-do-abacate ameaça até 100% da produção em Santa Catarina

    A broca-do-abacate (Stenoma catenifer) representa uma ameaça severa aos produtores catarinenses, com potencial para destruir completamente as safras. A praga ataca os frutos ainda no pomar: as lagartas perfuram a casca, devoram a polpa e chegam até o caroço, inviabilizando a comercialização.

    Produtores de abacate em Santa Catarina agora contam com uma ferramenta digital que prevê a ocorrência da praga. O portal Agroconnect, desenvolvido pela Epagri/Ciram, calcula quantas gerações anuais da broca-do-abacate devem surgir em cada região, além da duração de cada ciclo, conforme a temperatura local. O sistema atualiza os dados diariamente.

    Ciclo de vida e danos da praga

    A broca-do-abacate completa um ciclo destrutivo nos pomares. As mariposas depositam ovos em fissuras, pedicelos e pedúnculos dos frutos. Após a eclosão, as lagartas perfuram a casca e se alimentam da polpa até atingir o caroço. O ataque causa perdas que podem chegar a 100% da produção.

    Cientistas identificaram a praga no Brasil pela primeira vez em 1923. A espécie neotropical ocorre na Venezuela, Peru e México. No território nacional, a broca-do-abacate se distribui amplamente e ataca com frequência os principais estados produtores: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

    Projeto Miríades amplia monitoramento de pragas

    A pesquisadora Iria Sartor Araújo coordena o projeto Miríades, da Epagri/Ciram, que desenvolveu a nova ferramenta. A iniciativa apoia o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e garante uma abordagem eficiente, econômica e sustentável no controle de infestações agrícolas.

    O projeto já calculou a favorabilidade para ocorrência de outras pragas importantes: cigarrinha-do-milho, lagarta-do-cartucho-do-milho, tripes e mariposa oriental das fruteiras. O Miríades também monitora a distribuição e duração de ciclos de vida do mosquito da dengue. Todas as informações estão disponíveis gratuitamente no Agroconnect.

    Cultura do abacate tem potencial em Santa Catarina

    O cultivo de abacate apresenta potencial significativo em Santa Catarina, especialmente nas regiões litorâneas e em áreas com clima ameno, que minimizam o risco de geadas.

    Reprodução – Mapa

    “Diante do cenário de mudanças climáticas, precisamos conhecer a influência das condições do clima tanto em insetos e culturas de grande importância socioeconômica, como também em pragas e culturas com potencial de desenvolvimento em Santa Catarina”, explica Hamilton Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e integrante do projeto Miríades.

    A divulgação antecipada da favorabilidade de ocorrência da broca-do-abacate no território catarinense ganha relevância econômica e ambiental. As informações permitem que produtores planejem a instalação de pomares considerando os riscos de cada região.

    Como funciona o cálculo de favorabilidade

    O sistema utiliza uma equação matemática para calcular a favorabilidade térmica e estimar o número de gerações anuais da praga, a duração de cada ciclo e a distribuição espacial em Santa Catarina.

    O cálculo considera a duração em horas do desenvolvimento da mariposa Stenoma catenifer, do ovo até a fase adulta, em função da temperatura média horária. “Os insetos têm pequena massa corporal e dependem altamente da temperatura ambiente”, explica Hamilton Vieira.

    https://www.youtube.com/watch?v=4ncl9U4EUUQ

  • Estratégia: cobras usam cachos de banana como armadilha

    Estratégia: cobras usam cachos de banana como armadilha

    Vídeos de cobras escondidas em cachos de banana se tornaram comuns nas redes sociais. O fenômeno chama atenção tanto de curiosos quanto de produtores rurais. Mas por que as serpentes tem esse comportamento?

    Segundo o biólogo Henrique charles, a cobra aproveita o cacho de banana como ponto estratégico. Pequenos mamíferos e aves costumam se alimentar das frutas. A serpente usa a estrutura da bananeira para se camuflar e surpreender suas presas. Assim, ela aumenta suas chances de capturar alimento sem gastar tanta energia.

    No vídeo temos uma caninana tendo esse comportamento, e a presença dessa espécie pode ser positiva para quem cultiva bananas. A serpente afasta roedores e aves, principais responsáveis por prejuízos nas plantações. Com o tempo, a caninana ajuda a controlar essas pragas de forma natural, reduzindo a necessidade de venenos e protegendo o equilíbrio do ambiente.

    Mas a caninana não é a única a usar essa tática para se alimentar. Por isso, atenção ao pegar bananas direto no cacho. No vídeo abaixo vemos uma outra espécie disfarçada entre as bananas.

    @acciolygabriel

    #cobra #cobraverde #natureza #selvagem #snake #wildlife #banana

    ♬ som original – gabriel

    A caninana não é perigosa

    Apesar do susto que pode causar, a caninana não possui veneno e raramente ataca humanos. Ela prefere fugir quando percebe a aproximação de pessoas. Sua fama de agressiva vem do comportamento defensivo, mas, na prática, ela representa mais benefícios do que riscos para o campo.

    A combinação de surpresa, curiosidade e a beleza da serpente explicam o sucesso dos vídeos. A caninana pode chegar a mais de 2,5 metros e tem uma coloração marcante.

    A caninana, conhecida por sua agilidade, vive em todos os biomas brasileiros, exceto nos Pampas. Também aparece em diversos países das Américas do Sul, Central e do Norte. Costuma circular tanto pelo solo quanto pelas árvores, mostrando-se mais ativa durante o dia.

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  • RS inicia vazio sanitário da soja hoje

    RS inicia vazio sanitário da soja hoje

    O vazio sanitário da soja começa nesta quinta-feira (3/7) no Rio Grande do Sul e segue até 30 de setembro. Durante esse período de 90 dias, produtores não podem manter plantas vivas de soja em qualquer fase de desenvolvimento em suas lavouras. A medida, definida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) através da Portaria 1217/2025, visa combater a ferrugem asiática e proteger a produtividade das lavouras gaúchas.

    Além do vazio sanitário, o Mapa também estabeleceu o calendário de semeadura da soja no estado. O plantio poderá ocorrer de 1º de outubro a 28 de janeiro de 2026.

    Segundo Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o vazio sanitário e o calendário de plantio são estratégias essenciais para o controle da ferrugem asiática. “Essas ações garantem o manejo da praga, a manutenção das ferramentas químicas e a produtividade da cultura para nosso estado”, afirma Felicetti.

    A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, representa uma das maiores ameaças à sojicultura. Para monitorar a doença, o Rio Grande do Sul mantém o programa Monitora Ferrugem RS, que acompanha a presença de esporos nas regiões produtoras do estado.

    O programa utiliza métodos de detecção de esporos aliados à análise das condições meteorológicas para gerar mapas de risco da doença. Essas informações orientam técnicos e produtores na adoção de medidas preventivas e no manejo eficiente das lavouras.

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  • Paraná prorroga emergência fitossanitária contra o greening

    Paraná prorroga emergência fitossanitária contra o greening

    O governo do Paraná renovou por mais 180 dias o estado de emergência fitossanitária para combate ao greening (HLB), uma das doenças mais devastadoras para a citricultura. O Decreto nº 10.445, assinado pelo governador em exercício Darci Piana, foi publicado na segunda-feira (30/06) e garante agilidade nas ações de controle.

    A medida, em vigor desde 2023, já resultou na eliminação de mais de 270 mil mudas infectadas em todo o estado. Agora, as operações se concentram no Vale do Ribeira, principal região produtora de ponkan no Paraná.

    Operação Big Citros intensifica fiscalização

    Nesta semana, fiscais da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) iniciaram vistorias em propriedades de Doutor Ulysses e Cerro Azul. As equipes orientam produtores sobre identificação de plantas doentes e procedimentos para erradicação de mudas com sintomas de HLB.

    A Adapar também realizou encontros com citricultores na Ceasa de Curitiba para treinamento sobre reconhecimento da praga em frutas e plantas. “A educação sanitária é fundamental para conter o avanço da doença”, afirmou Caroline Garbuio, responsável pelo Programa de Sanidade da Citricultura da Adapar.

    Até agora, as equipes confirmaram plantas doentes na região, mas não encontraram o psilídeo (Diaphorina citri), inseto vetor da bactéria Candidatus Liberibacter spp que causa o greening. Armadilhas foram instaladas em vários pontos para monitoramento.

    Especialistas avaliam que os psilídeos podem ter sido controlados por predadores naturais, como a vespa Tamarixia radiata, usada no controle biológico 12. No entanto, o alerta permanece máximo.

    Impactos econômicos do HLB

    O greening provoca:

    • Queda prematura de frutos
    • Redução drástica da produção
    • Morte precoce das plantas
    • Frutos deformados e com qualidade inferior

    “Os prejuízos são enormes, tanto para consumo in natura quanto para a indústria de processamento”, explica Alexandre Paloschi, especialista em defesa sanitária vegetal.

    Ações integradas mostram resultados

    A Câmara Setorial da Cadeia da Citricultura do Paraná, criada este ano, reúne entidades como Sistema FAEP, Adapar e IDR-Paraná para coordenar o combate à doença. “A união de esforços está trazendo resultados concretos”, afirma Ágide Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.

    Produtores destacam a importância das medidas: “As ações são um caminho sem volta. Graças a esse trabalho conjunto, estamos conseguindo controlar o avanço da doença”, relata Marlene Calzavara, citricultora de Paranavaí.

    Como identificar e denunciar

    Sintomas do greening incluem:

    • Folhas com manchas irregulares amarelas
    • Frutos assimétricos e menores
    • Sementes abortadas
    • Morte de ramos

    Moradores podem denunciar plantas suspeitas diretamente nas Unidades Regionais de Sanidade da Adapar ou pelo WhatsApp (48) 3665.7300, em Santa Catarina.

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  • Tecnologia: cientistas brasileiros desenvolvem nariz eletrônico

    Tecnologia: cientistas brasileiros desenvolvem nariz eletrônico

    Cientistas brasileiros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT Nano Agro) desenvolveram um “nariz eletrônico” para detectar feromônios em insetos, visando um controle mais eficiente e sustentável de pragas agrícolas. Essa inovação é crucial em um cenário onde a crise climática aumenta a predação de culturas por insetos.

    Estudos recentes da Universidade de Stanford indicam que insetos são responsáveis por prejuízos significativos nas principais culturas de grãos, como trigo, arroz e milho. Com o aquecimento global, essa situação deve piorar, pois o metabolismo dos insetos acelera em climas mais quentes, aumentando seu apetite e taxas de reprodução.

    A tecnologia do nariz eletrônico

    O dispositivo, liderado pelas pesquisadoras Juliana e Clarice Steffens, utiliza nanosensores baseados em nanocompósitos de Óxidos de Grafeno (GO) e polianilina (PANI) para detectar feromônios de acasalamento de pragas como percevejos e mariposas. Essa detecção permite um manejo localizado e sustentável, evitando o uso excessivo de pesticidas.

    Docentes da URI Prof. Dra. Juliana Steffens e da Prof. Dra. Clarice Steffens.

    A tecnologia pode ser integrada à inteligência artificial para monitorar pragas no campo e aplicar soluções de controle mais eficazes. “Os avanços em miniaturização e análise de dados, aliados a sensores funcionais, oferecem soluções promissoras para uma agricultura mais sustentável”, destaca Juliana Steffens.

    Os próximos estudos incluirão a validação do dispositivo em campo, utilizando feromônios padrão e insetos vivos. A expectativa é que essa inovação contribua significativamente para reduzir gastos e melhorar a eficiência dos produtores agrícolas.

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  • Viabilidade econômica de biofábricas de bacillus thuringiensis (bt)

    Viabilidade econômica de biofábricas de bacillus thuringiensis (bt)

    Um estudo realizado pela Embrapa revela que a produção de Bacillus thuringiensis (Bt) em biofábricas é viável econômica e financeiramente. O microrganismo, utilizado como base para bioinseticidas, desempenha um papel crucial no controle de pragas agrícolas, como lagartas que atacam culturas como milho, soja e algodão. O plano de negócios estima que um investimento inicial de R$ 2,1 milhões possa gerar um faturamento anual de R$ 18 milhões.

    A Bacillus thuringiensis é uma bactéria em formato de bastonete que forma esporos e cristais com alta atividade tóxica contra insetos, especialmente lepidópteros. Segundo Fernando Hercos Valicente, pesquisador da Embrapa, o controle dessas pragas evita perdas significativas na produção agrícola.

    “Esses bioinseticidas são uma alternativa mais sustentável, sem riscos ao meio ambiente ou à saúde humana e animal”, destaca Maria Marta Pastina, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Milho e Sorgo.

    Estrutura e projeções financeiras das biofábricas

    O estudo considerou uma biofábrica com 120 m², capaz de produzir 1.000 litros de bioinseticida por dia, totalizando 15 mil litros mensais. Com preço médio de mercado de R$ 120 por litro, o modelo de negócios propõe uma oferta a R$ 100 por litro, viabilizando uma receita anual de R$ 18 milhões.

    A análise financeira apontou um Valor Presente Líquido (VPL) superior a R$ 5 milhões, uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 18% e um retorno sobre o investimento (ROI) de 1,64. O prazo para recuperação do investimento (payback) é de apenas seis meses, confirmando a atratividade do projeto.

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    A produção de Bt exige rigoroso controle de qualidade para garantir a eficiência dos bioinseticidas. A Embrapa oferece suporte técnico e inteligência competitiva para assegurar a confiabilidade do processo.

    O projeto também contribui para a bioeconomia brasileira, promovendo o uso de insumos biológicos de alta qualidade. “Além de reduzir o impacto ambiental, essa iniciativa gera novas oportunidades de emprego e empreendedorismo no setor agrícola”, explica Pastina.

    Rede de biofábricas e expansão nacional

    Como parte do projeto Rede de Biofábricas, a Embrapa busca parceiros empreendedores interessados em instalar novas unidades de produção no Brasil. A proposta inclui desenvolvimento de protocolos de produção e capacitação de profissionais para ampliar o uso de bioinsumos no país.

    “Estamos investindo no fortalecimento de uma agricultura mais sustentável, com insumos biológicos que promovem benefícios econômicos e ambientais”, afirma Pastina.

    Com uma área plantada de cerca de 67 milhões de hectares de milho e soja no Brasil, o uso de bioinseticidas representa uma solução eficaz para o controle de pragas. A Embrapa Milho e Sorgo mantém uma coleção de microrganismos com 11 mil acessos. Isso incluindo Bacillus thuringiensis, para apoiar o desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade agrícola.

    A iniciativa reforça o compromisso da Embrapa em impulsionar a bioeconomia e posicionar o Brasil como líder em soluções biológicas no setor agrícola.