Tag: consumo

  • Carne bovina perde força no consumo e trava alta da arroba

    Carne bovina perde força no consumo e trava alta da arroba

    A arroba do boi gordo segue firme no mercado brasileiro. No entanto, a demanda interna enfraquecida limita novas altas nos preços. Segundo o Cepea, a oferta de animais terminados permanece ajustada em boa parte das regiões produtoras. Ao mesmo tempo, as exportações de carne bovina continuam em ritmo acelerado.

    Apesar do bom desempenho das vendas externas, o mercado interno ainda impede uma valorização maior da arroba. Os pesquisadores do Cepea afirmam que o poder de compra das famílias segue pressionado. Por isso, muitos consumidores substituem a carne bovina por proteínas mais acessíveis.

    Entre as principais alternativas estão o frango, a carne suína e os ovos. Essa mudança reduz o consumo de carne bovina no mercado doméstico.

    Como resultado, o escoamento da carne bovina ocorre de forma mais lenta. Consequentemente, frigoríficos enfrentam dificuldades para repassar preços ao longo da cadeia. Esse cenário também reduz a margem para que as indústrias ofereçam valores mais altos pela arroba do boi gordo, destaca o Cepea.

    Carne suína ganha espaço frente ao frango

    A carne suína aumentou sua competitividade frente ao frango na parcial de julho, até o dia 28. Segundo o Cepea, os preços das carnes suína e bovina caíram em relação à média de junho. Entretanto, a retração foi mais intensa na carne bovina. Já o preço do frango resfriado permaneceu praticamente estável no mesmo período.

    Com esse movimento, a carne suína ficou mais competitiva diante da proteína avícola. Em contrapartida, perdeu competitividade frente à carne bovina.

    Agentes consultados pelo Cepea atribuem a queda da carcaça especial suína ao excesso de oferta no atacado da Grande São Paulo.

    Além disso, a chegada de produtos do Sul, principal polo produtor do país, ampliou a oferta no mercado paulista. Isso reforçou a pressão sobre as cotações da proteína suína.

  • Mercado de marmitas é avaliado em R$ 12 bi

    Mercado de marmitas é avaliado em R$ 12 bi

    A Seara, marca de alimentos, carne de frango e suína do grupo JBS, anunciou sua entrada no mercado de marmitas prontas, setor estimado em R$ 12 bilhões.

    Segundo comunicado da empresa, a decisão se baseia em uma mudança concreta nos hábitos de consumo dos brasileiros, que têm almoçado mais em casa ou levado refeições prontas para o trabalho.

    Além disso, a companhia também quer dar escala e consistência a um segmento hoje considerado altamente fragmentado, segundo o CEO da Seara, João Campos.

    O mercado de marmitas no Brasil

    Apenas na cidade de São Paulo, cerca de 18 milhões de marmitas são consumidas todos os meses, dado apontado pela Seara com base em levantamento da principal empresa de delivery do país.

    A empresa também cita pesquisa da consultoria de alimentação Galunion, que mostra crescimento expressivo do hábito de levar marmitas, inclusive entre consumidores de alta renda.

    61% dos entrevistados da classe A passaram a levar, com maior frequência, refeições preparadas em casa para o trabalho. Em nota, a Seara afirmou:

    “Soluções prontas, com qualidade percebida e alinhadas às novas demandas nutricionais tendem a ganhar protagonismo.”

    Linha de pratos prontos já está no mercado

    Desde maio, a Seara vem comercializando no varejo uma linha de pratos prontos com ingredientes já conhecidos do consumidor brasileiro, como feijoada, frango desfiado, carne moída com legumes e linguiça calabresa acebolada.

    Segundo João Campos, o movimento não representa a criação de um novo comportamento de consumo, mas a organização de um mercado que já existe:

    “Não se trata de criar um novo hábito, mas de organizar um mercado que já existe e cresce rapidamente”, afirmou o CEO da Seara.

  • Banana lidera consumo mundial; veja o ranking das frutas

    Banana lidera consumo mundial; veja o ranking das frutas

    A banana ocupa a liderança entre as frutas mais consumidas do mundo. O alimento está presente na dieta diária de bilhões de pessoas e desempenha papel estratégico na segurança alimentar global.

    A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) informa que a banana está entre as frutas mais produzidas, comercializadas e consumidas do planeta. Além disso, a cultura gera renda para milhões de agricultores e abastece mercados em todos os continentes.

    Segundo a FAO, existem mais de mil variedades de banana cultivadas no mundo. No entanto, a variedade Cavendish domina o comércio internacional. Ela responde por quase metade da produção mundial, com cerca de 50 milhões de toneladas por ano. A maior parte da produção abastece o consumo interno dos países produtores. Índia e China lideram esse mercado, enquanto a América Latina, a Ásia e a África concentram grande parte da produção mundial.

    Fruta popular

    Além da ampla oferta, a banana reúne características que explicam sua popularidade. A fruta possui preço acessível, alto valor nutricional e facilidade de transporte. Por isso, tornou-se um alimento básico em diversos países.

    A FAO destaca que a banana contribui diretamente para a segurança alimentar, principalmente em países de baixa renda. Nesses locais, a fruta garante calorias, nutrientes e também gera emprego e renda para milhões de famílias rurais.

    O comércio internacional também mantém forte ritmo. Nos últimos anos, o mercado global movimentou aproximadamente 20 milhões de toneladas anuais. Entretanto, eventos climáticos extremos, doenças, pragas e o aumento dos custos de produção desafiam o setor.

    Entre as principais ameaças está o fungo Fusarium Tropical Race 4 (TR4). A doença já foi confirmada em diversos países produtores e representa um dos maiores riscos para a bananicultura mundial.

    Ranking das frutas mais consumidas

    Com base em dados compilados pela FAO, a banana lidera o consumo entre as frutas de mesa no mundo. Na sequência aparecem maçã, laranja, uva, melancia e manga, todas com forte presença na alimentação global.

    Os especialistas ressaltam que o crescimento da população, a busca por alimentação saudável e a praticidade do consumo devem manter a banana entre os alimentos mais importantes do agronegócio mundial nas próximas décadas.

  • PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre e alcança R$ 3,3 trilhões

    PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre e alcança R$ 3,3 trilhões

    A economia brasileira iniciou 2026 com um ritmo acelerado. Segundo dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgados hoje (29) pelo IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre em comparação ao período anterior. Em valores correntes, a riqueza gerada pelo país atingiu a marca de R$ 3,3 trilhões.

    O resultado positivo reflete o avanço nos três principais setores da economia. A Agropecuária liderou a alta com 2,0%, seguida pela Indústria (1,0%) e pelo setor de Serviços (0,5%). No confronto com o primeiro trimestre de 2025, o PIB apresenta uma expansão ainda mais sólida, de 1,8%.

    Dentro da indústria, a Extração Mineral (3,6%) e a Construção (2,9%) garantiram o saldo positivo. No setor de Serviços, que representa cerca de 70% da economia nacional, os destaques ficaram com as atividades de Informação e Comunicação (2,4%) e Atividades Imobiliárias (1,2%).

    Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, explica que a Agropecuária e a Extrativa Mineral foram essenciais para sustentar o índice médio de crescimento neste início de ano.

    Consumo das famílias e investimentos em alta

    Pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias subiu 1,0%, consolidando-se como o principal motor do PIB devido ao seu peso na economia. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) registrou uma recuperação expressiva de 3,5% após a queda no trimestre anterior.

    O setor externo, por sua vez, apresentou comportamentos distintos: enquanto as importações saltaram 4,4%, as exportações recuaram 1,7% na comparação com o quarto trimestre de 2025.

    Safra recorde de soja impulsiona resultados anuais

    Ao analisar o acumulado de um ano, a Agropecuária destaca-se pelo ganho de produtividade. O cultivo de soja atingiu uma produção recorde na série histórica, com um crescimento estimado de 4,8%. Condições climáticas favoráveis e a expansão da área plantada favoreceram o campo, compensando as quedas registradas nas safras de milho (-2,5%) e arroz (-10,6%).

    No âmbito industrial anual, as Indústrias Extrativas saltaram 13,1%, puxadas pela extração de petróleo e gás natural. Entretanto, a indústria de transformação enfrentou desafios, registrando queda de 0,9%, influenciada principalmente pelos setores de fabricação de máquinas e equipamentos.

    Desafios nos investimentos e produção nacional

    Apesar do otimismo trimestral, a comparação anual revela que a produção nacional de bens de capital caiu 6,3%. Segundo Moraes, essa retração na produção interna puxou para baixo o índice de investimentos (FBCF) no período de um ano, mesmo com o crescimento observado na construção civil.

    Nas trocas comerciais com o exterior no primeiro trimestre de 2026, as exportações cresceram 7,4%, com destaque para o petróleo, gás e produtos alimentícios. Já as importações avançaram 1,2%, focadas em veículos automotores e produtos farmacêuticos.

  • Carne suína atinge maior competitividade da história frente à bovina

    Carne suína atinge maior competitividade da história frente à bovina

    A carne suína ganhou ainda mais competitividade em relação às principais concorrentes neste mês, especialmente frente à carne bovina. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a diferença de preços entre as proteínas atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2004.

    Na parcial de maio, até o dia 26, o preço da carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo registrou queda de 3,7% em comparação à média de abril, chegando a R$ 8,68 por quilo.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, este é o menor valor real da carne suína desde outubro de 2018, quando o quilo custava R$ 8,54, considerando os valores corrigidos pelo IPCA de abril de 2026.

    Demanda interna enfraquecida pressiona preços

    Segundo o Cepea, a retração nos preços está ligada principalmente ao enfraquecimento da demanda interna, cenário que vem se mantendo ao longo de praticamente todo o ano.

    Com isso, a diferença entre os preços da carcaça bovina e da suína chegou a R$ 16,56 por quilo, alta de 2,1% em relação a abril. Este é o maior diferencial já registrado pela série histórica do Cepea em termos reais.

    Na prática, quanto maior essa distância, mais competitiva a carne suína se torna frente à bovina para o consumidor.

    Carne suína também ganha espaço frente ao frango

    A proteína suína também avançou em competitividade na comparação com a carne de frango.

    Segundo o levantamento, a diferença de preços entre a carne suína e a de frango caiu 23,4% entre abril e a parcial de maio, ficando em R$ 1,39 por quilo.

    Esse foi o menor resultado desde abril de 2022, quando o diferencial era de R$ 1,15 por quilo.

    Os pesquisadores destacam que, quanto menor a diferença de preços entre as proteínas, maior tende a ser a competitividade da carne suína no mercado.

  • Brasil está entre os países que mais bebem cerveja no mundo

    Brasil está entre os países que mais bebem cerveja no mundo

    O consumo de cerveja continua elevado no mundo e mantém a bebida entre as mais populares do planeta.

    Dados recentes apontam que o volume global ultrapassa 194 bilhões de litros por ano, o que reforça a força do setor e sua presença em diferentes culturas.

    Brasil segue entre os maiores consumidores

    O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário.

    O país aparece como o terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos. Ao todo, o mercado brasileiro consome cerca de 15,3 bilhões de litros por ano, o que representa aproximadamente 7,9% do volume global.

    Esse desempenho confirma a relevância do país dentro de um mercado já consolidado.

    Ranking global tem liderança asiática

    No cenário internacional, a China lidera o consumo com ampla vantagem, impulsionada pelo tamanho da população e pela expansão do mercado interno.

    Na sequência, os Estados Unidos mantêm a segunda posição. Além disso, países como México, Rússia e Alemanha também figuram entre os maiores consumidores.

    Ao mesmo tempo, mercados emergentes ganham espaço, puxados pelo aumento da renda e pela mudança nos hábitos de consumo.

    Consumo por pessoa muda o ranking

    Quando o recorte considera o consumo per capita, o cenário muda. Países europeus passam a liderar, com destaque para a República Tcheca, onde o consumo ultrapassa 150 litros por pessoa ao ano.

    Esse dado mostra que tradição cultural e hábitos locais influenciam diretamente o consumo.

    Perfil do consumidor começa a mudar

    Apesar dos números elevados, o comportamento do consumidor vem mudando de forma consistente.

    No Brasil, o mercado já mostra sinais de desaceleração em alguns períodos. Ao mesmo tempo, cresce rapidamente a busca por alternativas mais leves, como as cervejas sem álcool. Esse movimento ganhou força nos últimos anos, com avanço expressivo na produção e no consumo desse tipo de bebida.

    Além disso, a categoria deixou de ser vista como algo restrito e passou a fazer parte do consumo cotidiano. Hoje, muitos consumidores alternam versões com e sem álcool, mantendo a socialização sem abrir mão de escolhas mais equilibradas.

    Esse comportamento se intensifica principalmente entre os mais jovens, que priorizam saúde, bem-estar e menor ingestão calórica. Como reflexo, o mercado também começa a expandir esse conceito para outras bebidas.

    Nesse contexto, a chegada do whisky zero álcool ao Brasil reforça essa tendência. A novidade amplia o portfólio de opções sem álcool e mostra que a mudança no consumo não se limita à cerveja. Com isso, o setor de bebidas acompanha a nova demanda e passa a investir cada vez mais em alternativas que combinem sabor, experiência e moderação.

    Harmonização ganha espaço, inclusive na Páscoa

    Além da mudança no perfil, o consumo também se diversifica.

    A cerveja tem sido cada vez mais associada à gastronomia, com combinações que vão além do tradicional. Durante a Páscoa, por exemplo, cresce a recomendação de harmonizar cervejas escuras com chocolates e sobremesas, valorizando sabores mais intensos.

    Essa tendência reforça o posicionamento da bebida como parte de experiências gastronômicas mais completas.

    Especialistas reforçam consumo consciente

    Ao mesmo tempo, especialistas destacam a importância do consumo equilibrado. Profissionais do setor orientam sobre hidratação, alimentação adequada e moderação, especialmente para evitar efeitos como a ressaca.

    Assim, o consumo de cerveja segue forte, mas evolui com novos hábitos, produtos e formas de consumo no Brasil e no mundo.

  • Salmão vira alternativa e impulsiona vendas na Páscoa

    Salmão vira alternativa e impulsiona vendas na Páscoa

    O consumo de pescados deve crescer na Quaresma de 2026, impulsionado pela busca por alternativas mais acessíveis e práticas no dia a dia. Uma multinacional do varejo projeta aumento de 11% nas vendas, com destaque para o salmão.

    Salmão ganha espaço na mesa

    Nos últimos anos, o salmão passou a ocupar um espaço maior nas refeições durante a Páscoa. Isso acontece porque o produto combina preço mais competitivo com facilidade no preparo.
    Além disso, o peixe aparece com mais frequência em promoções, o que amplia o acesso e incentiva o consumo. Com isso, o salmão se consolida como uma alternativa ao bacalhau, tradicionalmente mais caro.

    Consumo mais diversificado

    O comportamento do consumidor também vem mudando. Em vez de concentrar as compras em um único tipo de peixe, as famílias passaram a diversificar o cardápio.

    Por isso, além do salmão, outros pescados frescos ganham espaço. Ao mesmo tempo, o varejo amplia a oferta para atender diferentes perfis de consumo, com opções que vão desde cortes mais acessíveis até produtos premium.

    Varejo amplia oferta

    Para acompanhar essa demanda, redes de supermercado reforçam o estoque e ampliam a variedade de produtos.

    A expectativa é que o volume comercializado fique entre 2.500 e 3.000 toneladas de pescados durante o período. Esse aumento reflete não só a procura maior, mas também a estratégia de fortalecer a presença de produtos frescos nas lojas.

    Mudança reflete no agro e na cadeia produtiva

    Esse movimento também impacta a cadeia produtiva. Com o aumento da demanda, produtores, distribuidores e importadores precisam ajustar a oferta.

    Além disso, o crescimento do consumo de pescados abre espaço para novas oportunidades dentro do setor, especialmente em áreas ligadas à produção, logística e comercialização.

    Tendência deve continuar

    A diversificação no consumo de peixes deve se manter nos próximos anos.
    Isso acontece porque o consumidor busca cada vez mais praticidade, variedade e melhor custo-benefício. Dessa forma, a Páscoa deixa de depender de um único produto e passa a refletir um consumo mais amplo.

  • Ovos de Páscoa custam mais que o dobro do chocolate em barra, aponta Procon

    Ovos de Páscoa custam mais que o dobro do chocolate em barra, aponta Procon

    Os ovos de Páscoa devem pesar ainda mais no bolso do consumidor em 2026. Um levantamento do Procon-SP aponta que o produto pode custar mais que o dobro do chocolate em barra, mesmo quando a composição é semelhante.

    Diferença de preço chama atenção

    De acordo com a pesquisa, o quilo do chocolate em tablete custa, em média, cerca de R$ 131. Já os ovos de Páscoa chegam a aproximadamente R$ 291 por quilo. Na prática, isso representa uma diferença média de mais de 120% entre os produtos.

    Além disso, o levantamento identificou variações significativas entre estabelecimentos, o que reforça a importância de pesquisar antes da compra.

    O que encarece os ovos de Páscoa?

    Apesar de utilizarem o mesmo chocolate, os ovos possuem características que elevam o preço final.
    Entre os principais fatores estão:

    • embalagens mais elaboradas
    • licenciamento de marcas
    • apelo sazonal da data
    • inclusão de brindes e itens voltados ao público infantil

    Por isso, o consumidor acaba pagando mais pelo formato e pela experiência do produto, e não apenas pelo chocolate.

    Preço já reflete custos mais altos

    Além desses fatores, o cenário global também influencia. Nos últimos anos, o mercado de cacau enfrentou uma forte crise global.

    Problemas climáticos em países como Costa do Marfim e Gana reduziram a produção, após períodos de seca e chuvas irregulares. Além disso, doenças nas lavouras agravaram o cenário e diminuíram ainda mais a oferta.

    Com isso, os preços do cacau dispararam e atingiram níveis históricos entre 2024 e 2025. Esse aumento pressionou toda a cadeia e ainda impacta os preços finais, mesmo com leves quedas recentes.

    Consumidor busca alternativas

    Com os preços mais altos, muita gente já começou a mudar o jeito de comprar na Páscoa.

    Em vez dos ovos tradicionais, cresce a procura por opções mais baratas, como chocolates em barra, caixas sortidas e até produtos artesanais. Também ganhou força a produção caseira, principalmente entre famílias e pequenos empreendedores que veem na data uma oportunidade de economizar ou gerar renda extra.

    Além disso, o consumidor está mais atento ao custo-benefício. Comparar preço por quilo, aproveitar promoções e substituir marcas mais caras por opções similares virou um hábito.

    Esse movimento já começa a mexer com o mercado. Para não perder vendas, empresas passaram a apostar em versões menores, linhas mais acessíveis e até kits promocionais.

     

  • Frutas ficam quase 10% mais baratas e impulsionam consumo na Quaresma

    Frutas ficam quase 10% mais baratas e impulsionam consumo na Quaresma

    Os preços de alimentos frescos caíram nos supermercados em fevereiro e favoreceram o consumo de produtos naturais durante a Quaresma, fase em que parte da população adota refeições mais leves. Dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostram esse movimento.

    O levantamento indica que os produtos in natura recuaram 2,94% em fevereiro. No acumulado de 12 meses, os preços caíram 3,22%. As frutas lideraram a redução, com queda de 9,97% no mês e de 5,51% em um ano.

    Os tubérculos, como batata e mandioca, também registraram retração. Os preços desse grupo diminuíram 3,09% em fevereiro e 2,05% no acumulado anual, ampliando o acesso a alimentos básicos e frescos.

    Além de aliviar o orçamento das famílias, a queda ocorre em um período de maior demanda por itens naturais. Consumidores costumam priorizar alimentos frescos em dietas equilibradas e em preparações típicas do período que antecede a Páscoa.

    O economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, atribui o movimento à maior oferta. Segundo ele, a boa safra elevou a disponibilidade de produtos e pressionou os preços para baixo, com destaque para as frutas, que registraram queda próxima de 10% no mês.

  • Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    A indústria cervejeira brasileira enfrenta uma transformação que vai muito além dos recentes anúncios de reestruturação. Dados da Worldpanel by Numerator revelam uma mudança estrutural no comportamento do consumidor: a cerveja está perdendo espaço nos finais de semana, seu território tradicional.

    As ocasiões anuais de consumo dentro do lar caíram 19,4% nos 12 meses até junho de 2025 em comparação com o ano anterior, totalizando 167,7 milhões de ocasiões. O recuo concentra-se nos finais de semana (sexta a domingo), que registraram queda de 25,4%. Em contraste, os dias de semana (segunda a quinta) cresceram 6,2% em participação nas ocasiões.

    “O setor enfrenta um ajuste que não é apenas financeiro. Estamos vendo uma redefinição do papel da cerveja na rotina do brasileiro. O desafio deixou de ser apenas volume. Passou a ser relevância”, afirma David Fiss, Diretor Sênior de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator no Brasil.

    Brasileiro troca momento social por consumo solitário

    O consumo individual saltou de 13,6% das ocasiões em 2024 para 22,4% em 2025, um crescimento de 64%. A cerveja deixa de ocupar predominantemente momentos compartilhados com amigos e passa a fazer parte de experiências pessoais.

    Nos finais de semana, ocasiões compartilhadas ainda predominam (77%), mas registram queda relevante de 9,3 pontos percentuais versus o ano anterior. Durante a semana, 80% das ocasiões ainda envolvem outras pessoas, porém também com redução de 7,4 pontos percentuais.

    O número de usuários semanais caiu 24,1%. Hoje, apenas 4,5% dos consumidores bebem cerveja ao menos uma vez por semana. Um sinal claro de que a categoria perde seus consumidores mais frequentes.

    “A categoria nasceu social. Quando o consumo se individualiza, o modelo inteiro precisa ser revisto da embalagem à comunicação”, completa Fiss.

    Consumo em casa resiste, mas volume por ocasião diminui

    O consumo fora do lar sofre pressão mais forte, especialmente em restaurantes e com vendedores ambulantes. Já o consumo doméstico mantém-se relativamente estável, mas com reconfiguração interna: marcas e segmentos de menor custo ganham espaço, enquanto o Premium e o consumo médio apresentam retração em unidades.

    O cenário macroeconômico e fatores climáticos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, também influenciam negativamente o desempenho da categoria.

    Outras bebidas avançam e tomam espaço da cerveja

    A disputa por ocasiões de consumo, o chamado “share of throat”, intensifica-se. Refrigerantes, sucos, vinhos e energéticos avançam em diferentes faixas etárias, enquanto a cerveja registra variações negativas em praticamente todos os grupos geracionais.

    Nos churrascos, tradicionalmente dominados pela cerveja, a bebida e os refrigerantes perdem participação para vinho, outras bebidas alcoólicas e sucos.

    “O consumidor continua buscando prazer, mas com mais controle e menos frequência. É um prazer racionalizado”, destaca Fiss.

    Gerações respondem de forma diferente

    A Geração Z consome menos cerveja do que as gerações anteriores e divide preferência com outras bebidas. A Geração X, hoje o maior grupo consumidor, começa a desacelerar, influenciada por maior preocupação com saúde e moderação. Entre os Millennials, cresce o consumo individual e fora dos grandes rituais sociais.

    “O que vemos é uma transição silenciosa: a cerveja deixa de ser um hábito automático e passa a ser uma escolha contextual”, analisa David Fiss.

    Semana e futebol aparecem como oportunidades

    O crescimento das ocasiões durante a semana, especialmente às quartas-feiras, tradicional dia de transmissões de futebol, abre oportunidade estratégica para a categoria. A Copa do Mundo de 2026 surge como potencial momento de alavancagem.

    Ao mesmo tempo, a retração do fim de semana exige estratégias promocionais direcionadas e reposicionamento de portfólio para recuperar território perdido.

    “Os recentes anúncios de reestruturação na indústria sinalizam ajustes financeiros importantes. Mas os dados de consumo mostram algo mais profundo: a categoria está passando por uma redefinição de papel. O desafio agora não é apenas vender mais litros, mas reconstruir relevância na rotina e na cultura do consumidor”, alerta David Fiss.