Tag: conservação

  • Estado de São Paulo atualiza lista de flora em risco de extinção após 9 anos

    Estado de São Paulo atualiza lista de flora em risco de extinção após 9 anos

    O Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), firmou um acordo de cooperação técnica com o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para atualizar a lista de espécies vegetais ameaçadas de extinção no território paulista.

    A parceria marca a retomada de um processo que estava parado desde 2016, ano da última publicação oficial da lista. Naquele levantamento, o Estado registrava 1.088 espécies sob algum grau de ameaça: 368 presumivelmente extintas, 15 extintas na natureza, 57 em perigo crítico, 271 em perigo e 377 vulneráveis.

    Novos critérios seguem padrão da UICN

    A partir de agora, as avaliações paulistas passam a seguir a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), referência usada em levantamentos nacionais e globais de risco de extinção. O acordo prevê dois movimentos simultâneos: a análise de espécies que nunca haviam sido avaliadas e a reavaliação de todas as plantas já incluídas na lista de 2016, com base em estudos recentes sobre as espécies e os habitats onde ocorrem.

    Segundo o IPA, o Brasil concentra cerca de 37 mil espécies nativas de plantas, das quais aproximadamente 9.100 ocorrem em São Paulo. Esse patrimônio enfrenta pressões crescentes ligadas à mudança no uso do solo, à fragmentação de habitats e aos efeitos das mudanças climáticas. São fatores que reforçam a necessidade de listas atualizadas periodicamente, capazes de acompanhar novas descobertas científicas e mudanças na nomenclatura botânica.

    Primeira fase avalia 405 espécies exclusivas de SP

    A etapa inicial do projeto concentra os esforços em 405 espécies endêmicas do Estado de São Paulo. Ou seja, plantas que ocorrem exclusivamente em território paulista e que nunca foram avaliadas quanto ao risco de extinção, ou não passam por análise há mais de 12 anos. As pesquisadoras do IPA Cíntia Kameyama e Rosangela Simão Bianchini coordenam o trabalho no Estado.

    A iniciativa integra o Plano de Ação Territorial (PAT) Cinturão Verde de São Paulo. E deve fortalecer as políticas públicas de conservação da biodiversidade paulista, ao indicar quais espécies correm maior risco de desaparecer. E também ao gerar subsídios técnicos para ações de proteção de habitats, criação de áreas protegidas e programas de manejo e recuperação.

    “Além de orientar ações de conservação, as listas oficiais de espécies ameaçadas constituem importantes instrumentos para o planejamento ambiental”, afirma Cíntia Kameyama. Segundo a pesquisadora, os dados subsidiam a criação e gestão de unidades de conservação, a definição de reservas legais, o zoneamento ecológico-econômico, análises de impacto ambiental, projetos de restauração de áreas degradadas e processos de licenciamento e fiscalização ambiental.

    Capacitação prepara pesquisadores para os novos protocolos

    O CNCFlora conduziu um curso de quatro dias para transferir a metodologia a pesquisadores, assistentes de pesquisa, estagiários e alunos de pós-graduação do IPA. Eduardo Pinheiro Fernandez e Jaqueline Sousa Lima, do instituto carioca, ministraram o treinamento. Ele abordou os critérios internacionais de avaliação, a identificação e categorização de espécies ameaçadas e o uso de plataformas como ProFlora e Avalia, que vão dar suporte às análises futuras.

    Fernandez explica que o modelo usado anteriormente em São Paulo estava desatualizado em relação aos padrões internacionais vigentes. Ele destaca que a harmonização dos critérios busca capacitar os pesquisadores paulistas a aplicar a metodologia oficial de avaliação do risco de extinção.

    Jaqueline Sousa Lima reforça o caráter técnico do processo. Segundo ela, trata-se de um trabalho estritamente científico, que mede a probabilidade de as espécies desaparecerem diante das condições ambientais atuais. A padronização, afirma a pesquisadora, garante consistência às avaliações. E permite comparar os resultados de São Paulo com os de outras regiões do Brasil e do mundo.

    Mudanças climáticas devem ganhar peso nas próximas análises

    Os pesquisadores indicam que as próximas avaliações vão considerar de forma mais ampla os impactos das mudanças climáticas sobre a flora. Alterações na temperatura, no regime de chuvas e nas condições microclimáticas podem alterar a distribuição das espécies. E ampliar o risco de extinção de diversas plantas nativas.

    Fernandez resume o papel do diagnóstico no processo de conservação. Primeiro é preciso identificar quais espécies estão ameaçadas e por quê, para então definir ações efetivas de proteção.

    Proteção de habitats segue como estratégia central

    A conservação dos ambientes naturais continua sendo a principal ferramenta para evitar a extinção das espécies. Entre as prioridades apontadas pelo IPA estão a preservação de remanescentes de vegetação nativa, a criação e ampliação de unidades de conservação e a gestão adequada das áreas onde essas plantas ocorrem.

    O trabalho também prevê ações complementares, como a formação de bancos de sementes, a manutenção de coleções vivas em jardins botânicos, a produção de mudas, a implantação de viveiros e hortos, a reintrodução de espécies na natureza e estudos sobre genética da conservação e viabilidade populacional.

  • Peixamento e educação ambiental mobilizam comunidade em defesa do Rio São Francisco

    Peixamento e educação ambiental mobilizam comunidade em defesa do Rio São Francisco

    A mobilização em defesa do Rio São Francisco reuniu ações de educação ambiental, peixamento e debates técnicos em Juazeiro, no norte da Bahia. Durante a Semana do Meio Ambiente, milhares de alevinos foram lançados no Velho Chico, enquanto estudantes e especialistas participaram de atividades voltadas à preservação dos recursos hídricos.

    A 6ª Superintendência Regional da Codevasf, com apoio da Prefeitura de Juazeiro e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, promoveu o evento “Viro Carranca em Defesa do Velho Chico”, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente. A iniciativa buscou ampliar a conscientização ambiental e incentivar práticas sustentáveis entre a população ribeirinha.

    Na última semana, estudantes da rede municipal participaram do peixamento no Rio São Francisco. Crianças e adolescentes acompanharam a soltura de alevinos das espécies curimatã e piau, fornecidos pela 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina (PE). Representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Agência Peixe Vivo e do Comitê da Bacia também participaram da ação, com apoio da Capitania dos Portos de Juazeiro.

    Atividades educativas às margens do rio

    Além do peixamento, a programação incluiu atividades educativas às margens do rio. Técnicos e autoridades apresentaram projetos de conservação ambiental, saneamento básico e uso sustentável da água. O evento também contou com atrações culturais, como contação de histórias e apresentação de banda filarmônica escolar.

    No período da tarde, especialistas de universidades, da Embrapa e de outras instituições participaram de uma mesa-redonda sobre preservação ambiental. À noite, estandes exibiram projetos e iniciativas voltados à sustentabilidade na região do São Francisco.

    No espaço da Codevasf, técnicos demonstraram um sistema simplificado de tratamento de água para consumo humano, com apoio de vídeos e maquete. A apresentação atraiu visitantes e destacou soluções acessíveis para comunidades rurais.

    Segundo o superintendente regional da Codevasf, Nino Rangel, a participação em eventos como esse fortalece o diálogo com a sociedade e amplia a divulgação de ações ambientais e de desenvolvimento regional.

    A programação registrou forte participação popular e integrou instituições públicas, organizações civis e moradores locais em torno da preservação do Rio São Francisco.

  • Peixe-leão venenoso avança em Fernando de Noronha e pode virar alimento para conter invasão

    Peixe-leão venenoso avança em Fernando de Noronha e pode virar alimento para conter invasão

    A Segunda Semana do Peixe-leão (Pterois volitans) chega ao fim nesta sexta-feira em Fernando de Noronha, reunindo pesquisadores, mergulhadores, instituições ambientais e moradores em debates sobre o avanço da espécie invasora no litoral brasileiro. O evento, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), discutiu estratégias de monitoramento, captura e controle do animal, considerado uma ameaça crescente ao ecossistema marinho.

    Além das palestras e oficinas, um dos temas que mais chamou atenção foi a possibilidade de liberar o consumo humano do peixe-leão como forma de combater a proliferação da espécie. Especialistas apontam que essa prática já trouxe resultados positivos em outros países.

    Segundo a chefe do ICMBio em Noronha, Lilian Hangae, o encontro serviu para compartilhar experiências e fortalecer o manejo da espécie invasora no Brasil.

    “Como somos protagonistas no manejo aqui no Brasil, a ideia é trocar experiências, trazer o conhecimento gerado por outras instituições e pensar juntos nos nossos desafios”, afirmou.

    Consumo do peixe-leão ganha força entre especialistas

    De acordo com Lilian Hangae, o uso do peixe-leão na alimentação foi um dos principais assuntos debatidos durante o evento. Em diversos países, o consumo da espécie já integra as estratégias de controle populacional.

    “Temos muitos peixes capturados e já temos dificuldade em armazenar. As estratégias internacionais mostram que o manejo é mais efetivo quando envolve o consumo”, explicou.

    A gestora destacou ainda que estudos apontam a viabilidade gastronômica do peixe, bastante apreciado em locais como a Costa Rica.

    “É um peixe muito apreciado, de filé branco e sabor leve, com potencial de alto valor agregado para Noronha, que pode servir de resultado de um manejo responsável”, disse.

    Apesar disso, pesquisadores alertam que o preparo exige cuidados específicos. O peixe-leão possui 18 espinhos dorsais venenosos, capazes de liberar toxinas que provocam dor intensa, febre, náuseas e até convulsões em seres humanos.

    Por isso, especialistas defendem treinamento adequado para manipulação e preparo seguro da espécie destinada ao consumo.

    Peixe-leão capturado em Noronha — Foto: Fernando Rodrigues/Sea Paradise

    Operações de captura retiraram centenas de peixes do arquipélago

    Em Fernando de Noronha, o ICMBio tem contado com apoio de empresas de mergulho para ampliar o combate ao animal invasor.

    Em 2024, uma operação coordenada pelo instituto resultou na captura de 140 peixes-leão no arquipélago pernambucano. A ação ocorreu no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e também na Área de Proteção Ambiental (APA).

    Segundo o mergulhador e diretor da empresa participante da operação, Fernando Rodrigues, o objetivo foi avaliar a taxa de repovoamento da espécie nas áreas monitoradas.

    “Nosso foco foi explorar pontos já mapeados para verificar a taxa de repovoamento do peixe-leão, identificando a densidade e os tamanhos da espécie. O menor peixe-leão media apenas 10 centímetros, enquanto o maior ultrapassou 45 centímetros”, declarou em nota divulgada pelo ICMBio.

    Rodrigues ressaltou ainda que o manejo da espécie ajuda diretamente na preservação da fauna marinha ameaçada pelo predador invasor.

    Espécie invasora ameaça biodiversidade marinha

    O peixe-leão (Pterois volitans) é nativo da região indo-pacífica e foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2014. Já em Fernando de Noronha, os primeiros registros ocorreram em 2020.

    Desde então, mais de mil exemplares foram capturados no arquipélago, segundo dados do ICMBio.

    A preocupação das autoridades ambientais se deve à alta capacidade de reprodução e predação da espécie. O peixe-leão consegue consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos e pode colocar cerca de 30 mil ovos de uma só vez.

    O coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR), Pedro Pereira, explicou que os animais ainda se concentram em regiões mais profundas, porém existe uma tendência de migração para áreas rasas.

    “É importante destacar que essas capturas foram feitas em áreas que não têm sido manejadas com frequência, o que mostra também que a população está aumentando devido à falta deste trabalho de captura dos bichos, aumentando mais ainda a necessidade de colaboração, de inclusão de novas operadoras, incentivo à pesquisa, para que o manejo continue”, destacou.

  • Surpreendente: Brasileiros podem ter achado a maior sucuri do mundo em MG

    Surpreendente: Brasileiros podem ter achado a maior sucuri do mundo em MG

    Dois jovens, Matheus Araújo e Gabriel Camargos, gravaram um vídeo que está dando o que falar no Brasil. Os observadores estavam em uma fazenda na zona rural de Lagoa da Prata, no interior de Minas Gerais, às margens do Rio São Francisco, quando se depararam com dezenas de sucuris concentradas no mesmo ponto, atraídas pelos feromônios de uma fêmea gigante.

    Essa fêmea tem nome e se chama Cotoca. A gigante foi avistada pela primeira vez em 2022 e estava desaparecida há cerca de quatro anos. Agora, os dois acreditam ter a reencontrado.

    Relato impressionante

    “Nos últimos dias, a grande fêmea vem liberando feromônios, substância capaz de atrair parceiros a quilômetros de distância! A alta concentração de sucuris aqui não é normal. O que indica que este local pode estar prestes a se tornar palco de um dos eventos mais impressionantes da natureza: o acasalamento!”, escreveram na legenda da postagem.

    Matheus e Gabriel acreditam que a sucuri-verde gigante esteja atualmente com mais de 6 metros de comprimento. Para eles, o animal representa um fenômeno raro e simbólico dentro do ecossistema local.

    “Vocês pensando que sucuri era do Pantanal, da Amazônia… e a maior sucuri do mundo come pão de queijo. Esse é o registro mais épico envolvendo sucuris, envolvendo Minas Gerais, quem sabe envolvendo o Brasil”, disseram eles no registro.

     

  • O que aconteceu com Bubbles? Veja a vida atual do chimpanzé de Michael Jackson

    O que aconteceu com Bubbles? Veja a vida atual do chimpanzé de Michael Jackson

    Ele viajou o mundo em jatos particulares, dormiu em quartos de luxo e apareceu em capas de revista ao lado do maior popstar de todos os tempos. Bubbles, o chimpanzé de Michael Jackson, foi por anos um símbolo da excentricidade do Rei do Pop, tão famoso quanto qualquer celebridade humana da época. Hoje, aos 43 anos, ele vive uma realidade completamente diferente e, em muitos aspectos, muito mais adequada.

    Longe dos holofotes, Bubbles está no Centro para Grandes Primatas (Center for Great Apes), em Wauchula, na Flórida. Pesa 84 kg, lidera um grupo de chimpanzés com calma e autoridade, e passou a se dedicar a uma atividade improvável para quem o conheceu filhote: pintura.

    Do Rancho Neverland a um santuário na Flórida

    A trajetória de Bubbles com Michael Jackson começou nos anos 1980, quando o cantor o adquiriu ainda filhote. Durante quase duas décadas, o chimpanzé foi tratado como um membro da família, acompanhando Jackson em turnês, eventos públicos e na vida cotidiana no Rancho Neverland.

    No entanto, o que funcionava quando Bubbles era pequeno e dócil tornou-se insustentável com o tempo. Chimpanzés adultos são animais de força bruta, comportamento imprevisível e necessidades sociais complexas que nenhum ambiente doméstico consegue suprir. Em 2005, Bubbles foi transferido para o santuário na Flórida, onde chegou junto de outros primatas vindos da indústria do entretenimento, todos com histórias parecidas: criados por humanos, deslocados de sua natureza e precisando reconstruir uma vida entre os seus.

    Com o espólio de Jackson pagando suas contas, Bubbles pinta quadros, lidera um grupo de primatas e vive longe das câmeras — (Foto: Reprodução/Jim Smeal)

    Artista, líder e cheio de personalidade

    Dentro do santuário, Bubbles encontrou algo que o Neverland nunca pôde oferecer: identidade própria. Ele é descrito pela equipe do Centro para Grandes Primatas como um indivíduo de personalidade tímida, porém cativante, com um lado travesso que aparece nas horas mais inesperadas. Não é raro que ele surpreenda tratadores com jatos d’água ou uma pitada de areia, apenas por diversão.

    Além disso, desenvolveu um talento genuíno para a pintura. Bubbles passa longos períodos criando obras coloridas e só as entrega quando considera que estão prontas. Essa característica revela algo que a ciência confirma sobre chimpanzés: são animais com vida mental rica, capazes de preferências estéticas e comportamentos que vão muito além do instinto básico.

    Por outro lado, o papel social que ele construiu no grupo também chama atenção. Bubbles é o líder de um grupo que inclui Oopsie, Boma, Kodua e Stryker, e exerce essa liderança com equilíbrio, sem agressividade desnecessária.

    Fake news e o alerta do santuário

    Com o lançamento do filme biográfico Michael, o interesse por Bubbles voltou à tona nas redes sociais, mas trouxe consigo um problema sério: desinformação. Imagens circulando com o animal interagindo fisicamente com humanos são falsas, geradas por inteligência artificial. O santuário veio a público para esclarecer o caso e reforçar sua política.

    “Como um santuário credenciado, o bem-estar dos primatas vem sempre em primeiro lugar. Não permitimos contato físico”, declarou a instituição em nota oficial.

    Além disso, o Centro desmentiu boatos de que Jaafar Jackson, sobrinho de Michael e protagonista do filme, teria visitado Bubbles. Isso nunca aconteceu. O alerta é importante: a banalização do contato entre humanos e primatas em redes sociais alimenta uma cultura que prejudica diretamente o bem-estar desses animais e incentiva o tráfico de espécies silvestres.

    Vale lembrar que o sustento de Bubbles continua garantido pelo espólio de Michael Jackson, que financia seus cuidados de forma vitalícia no santuário.

    O que a vida de Bubbles ensina

    No filme, o diretor Antoine Fuqua optou por representar Bubbles com CGI, sem usar nenhum animal real nas gravações. A decisão respeita não só o chimpanzé específico, mas sinaliza uma mudança de mentalidade na indústria do entretenimento em relação ao uso de animais silvestres como acessórios de celebridade.

    Após 20 anos de vida tranquila em Wauchula, Bubbles se tornou, sem querer, um símbolo de outra natureza: o de que animais selvagens não pertencem a mansões, turnês ou tapetes vermelhos. Eles pertencem a espaços que respeitam o que são. Assim, o chimpanzé mais famoso da cultura pop finalmente encontrou o seu próprio Neverland, um lugar onde ele pode ser, simplesmente, um chimpanzé.

  • Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Tinha tudo para ser só mais um inseto morto à beira do caminho. Mas quando Morhaf Ghazi, de 30 anos, encontrou uma borboleta ferida durante uma trilha em Amã, na Jordânia, ele não passou por ela como se nada fosse. Levou o inseto para casa, cuidou por dias e, no fim, fez algo que parece saído de um conto: criou uma prótese de asa para borboleta usando pétalas de orquídea que estavam preservadas dentro de um livro há quase nove anos.

    Sim, nove anos guardadas em um livro. E foram exatamente essas pétalas que deram uma segunda chance de vida à borboleta.

    A trilha que virou resgate

    Morhaf percebeu que havia algo errado logo de cara. A borboleta estava no chão e não conseguia voar. Ao examinar com atenção, ele viu o problema: a asa direita estava muito amassada, comprometida a ponto de impedir qualquer movimento no ar.

    Ele levou o inseto para casa com cuidado e começou um processo de recuperação improvisado, mas cheio de atenção. “Durante alguns dias, eu a alimentei com água com açúcar. Ela ficou em um buquê de flores onde coloquei gotinhas para ela beber”, contou Morhaf ao New York Post. Por dias, a borboleta virou hóspede da casa, sendo alimentada e observada de perto enquanto ele pensava no próximo passo.

    Pétalas de orquídea e uma hora de cirurgia artesanal

    Foi aí que a ideia surgiu. Morhaf tinha pétalas de orquídea rosa preservadas dentro de um livro desde 2017, quase uma década guardadas sem uso aparente. Ele traçou cuidadosamente o formato da asa saudável da borboleta e usou as pétalas como material para construir uma substituta à mão.

    Antes de colocar a prótese, ele pesquisou como manusear borboletas com segurança. O que descobriu deu coragem para avançar: borboletas não sentem dor nas asas, apenas pressão. Com esse dado em mente, ele removeu a asa danificada e fixou a nova. “Todo o processo levou cerca de uma hora, sem contar os dias que passei cuidando dela antes”, explicou.

    No mundo da lepidopterologia, a asa das borboletas é formada por escamas de quitina extremamente finas, o que torna qualquer intervenção delicada e arriscada. Morhaf não tinha formação em biologia, mas agiu com paciência e precisão acima da média.

    Ela voltou a voar

    Depois da intervenção, a borboleta começou a se movimentar melhor. Gradualmente, voltou a usar as asas, e o que parecia impossível se tornou real: ela voou de novo. Morhaf registrou o momento em vídeo, que rapidamente viralizou nas redes sociais e chamou atenção de pessoas ao redor do mundo.

    No entanto, a história levanta uma reflexão além do encantamento: o quanto estamos dispostos a pausar, observar e agir quando um ser vivo ao nosso redor precisa de ajuda? Morhaf não era veterinário, não tinha equipamento especializado e não tinha nenhuma obrigação. Tinha só atenção.

  • Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Uma imagem que está viralizando nas redes mostra algo que muitos pesquisadores nem esperavam: um veado‑campeiro completamente branco passeando pelo Pantanal. O registro, feito pelo fotógrafo e guia de safári Fábio Mitsuka Paschoal, virou “fantasma do Pantanal” nas redes, e expõe um lado pouco falado do albinismo animal: é bonito, raro… e, em muitos casos, muito mais perigoso do que parece.

    O que faz esse veado parecer um “fantasma”

    O animal fotografado é um veado‑campeiro (Ozotoceros bezoarticus), espécie típica de campos abertos e áreas de transição, normalmente reconhecida pela pelagem marrom‑avermelhada que a ajuda a se misturar à vegetação. Já o exemplar flagrado no Pantanal apresenta albinismo, uma mutação genética rara que impede a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos pelos e aos olhos.

    O veado branco como termômetro do Pantanal
    (Foto: Fábio Paschoal)

    Como resultado, o veado aparece com pelagem totalmente branca, olhos mais claros e contorno muito marcado contra o verde e o dourado do Pantanal, justamente o contrário do que seria ideal para passar despercebido. E o próprio Paschoal comentou que, depois de mais de 15 anos trabalhando como guia na região, foi a primeira vez que viu um animal como esse.

    Albinismo: raro, mas caro para a sobrevivência

    Especialistas explicam que o albinismo é uma condição hereditária, recessiva, que costuma aparecer quando dois pais portadores do gene se reproduzem. Em ambientes naturais, a ausência de pigmento pesa muito: o animal fica mais visível para predadores, além de enfrentar maior sensibilidade à luz solar e risco de doenças de pele e problemas de visão.

    No caso do veado‑campeiro, isso é um problema sério, porque a espécie já vive pressionada pela destruição de campos, caça ilegal e atropelamentos. A combinação de vulnerabilidade ecológica com coloração chamativa aumenta a chance de o animal ser atacado ou ser mais facilmente caçado.

    Quando a genética pesa mais que a camuflagem (Foto: Fábio Paschoal)

    Por que esse registro é um “em 1 milhão”

    Fábio Paschoal comparou o encontro a algo como “um em 1 milhão”. A chance de um animal nascer com albinismo na natureza é muito baixa. Em populações isoladas ou com endogamia, essa chance pode subir um pouco, mas ainda assim o albinismo continua sendo um evento raro.

    O mesmo filhote albino já foi visto várias vezes pelos guias de safári da região. Isso mostra que ele conseguiu, até agora, driblar parte dos riscos que sua genética traz. Pesquisadores veem nisso um sinal de que a área protegida e o cuidado dos safáris atuam como um escudo para esse animal tão singular.

    O veado‑campeiro albino virou um termômetro visual do que resta de naturalidade no Pantanal. Se um animal tão marcante consegue sobreviver em plena natureza, é sinal de que a proteção ambiental ainda funciona em parte.

     

  • Elefante-marinho retorna ao mar após período de descanso

    Elefante-marinho retorna ao mar após período de descanso

    Um elefante-marinho surpreendeu moradores e turistas ao aparecer em praias do litoral norte de São Sebastião nos primeiros dias de abril.

    O animal, um macho jovem da espécie Mirounga leonina, chamou a atenção ao circular por diferentes pontos da região, como Barra do Sahy e Juquehy. Equipes do Instituto Argonauta iniciaram o acompanhamento logo após os primeiros registros.

    Monitoramento garantiu segurança

    Ao longo do dia, o elefante-marinho percorreu diferentes praias até escolher a faixa de areia de Boiçucanga para descansar.

    Durante esse período, profissionais acompanharam o animal de forma contínua e avaliaram seu estado de saúde. Os técnicos observaram respiração estável, bom estado corporal e ausência de sinais de debilidade.

    Além disso, especialistas identificaram indícios de que o animal passava pela fase de muda. Nesse processo natural, ele troca pelos e parte da pele, o que exige mais energia e faz com que permaneça mais tempo fora da água.

    Espécie chama atenção por comportamento e porte

    O elefante-marinho-do-sul figura entre os maiores mamíferos marinhos do planeta. Machos adultos podem ultrapassar 4 toneladas e alcançar mais de 5 metros de comprimento, embora indivíduos jovens apresentem menor porte.

    A espécie vive principalmente em regiões subantárticas. Ainda assim, alguns indivíduos se deslocam para áreas mais ao norte, especialmente durante fases de dispersão.

    Além disso, o animal impressiona pela capacidade de mergulho. Ele pode atingir profundidades superiores a 1.000 metros e permanecer submerso por mais de uma hora em busca de alimento.

    Retorno ao mar ocorreu de forma natural

    Na manhã seguinte, o elefante-marinho voltou ao mar por conta própria.

    Mesmo após o retorno, as equipes mantêm o monitoramento na região. Esse cuidado continua porque o animal pode retornar à faixa de areia para novos períodos de descanso.

    Orientação é evitar aproximação

    A presença do animal exige atenção da população.
    Especialistas orientam que as pessoas mantenham distância e evitem qualquer tipo de interação. O elefante-marinho pode reagir de forma agressiva quando se sente ameaçado.

    Além disso, a aproximação pode causar estresse e prejudicar o comportamento natural do animal.

    Ocorrências têm se tornado mais frequentes

    Nos últimos anos, pesquisadores registraram com mais frequência a presença de mamíferos marinhos fora de suas áreas habituais no litoral brasileiro.

    Esse movimento pode estar ligado a mudanças climáticas, variações na oferta de alimento e deslocamentos naturais da espécie.

    Por isso, cada registro contribui para ampliar o conhecimento científico sobre esses animais.

    Monitoramento reforça conservação

    O acompanhamento integra ações do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, iniciativa ligada ao licenciamento ambiental de atividades costeiras.

    O projeto monitora aves, tartarugas e mamíferos marinhos, além de prestar atendimento a animais encontrados nas praias.

    Nesse cenário, a presença do elefante-marinho reforça a importância do monitoramento contínuo e da atuação conjunta entre pesquisadores, instituições e população para proteger a fauna marinha.

  • Papagaios raros são resgatados no RJ e passam por reabilitação

    Papagaios raros são resgatados no RJ e passam por reabilitação

    Papagaios ameaçados de extinção ganharam uma nova chance após um resgate no Rio de Janeiro. O Ibama interceptou uma tentativa de tráfico internacional e apreendeu ovos que estavam sendo transportados de forma ilegal no Aeroporto Internacional do Galeão.

    A passageira levava 24 ovos escondidos junto ao corpo. Diante da situação, equipes técnicas agiram rapidamente para preservar a vida dos animais.

    Filhotes nasceram após ação emergencial

    Como os ovos já estavam em estágio avançado de desenvolvimento, os especialistas iniciaram um trabalho intensivo para garantir a eclosão. Dos 24 ovos, 12 chegaram a nascer. No entanto, apenas nove filhotes sobreviveram, o que reforça a fragilidade desse tipo de operação ilegal.

    Com o crescimento das aves, os técnicos identificaram espécies ameaçadas de extinção, como o papagaio-charão e o papagaio-de-cara-roxa.

    Tráfico de animais continua sendo ameaça

    O caso evidencia, mais uma vez, a gravidade do tráfico de fauna silvestre.

    Além de retirar animais da natureza, essa prática reduz drasticamente as chances de sobrevivência das espécies. Isso acontece porque o transporte ilegal expõe ovos e filhotes a condições inadequadas. Por esse motivo, muitos não resistem antes mesmo de chegar ao destino final.

    (Imagem/Reprodução: Ibama)

    Reabilitação prepara aves para a natureza

    Após o resgate, os filhotes seguiram para acompanhamento especializado. Atualmente, eles passam por um processo de reabilitação no Zoológico de São Paulo.

    Durante essa fase, os técnicos monitoram a saúde das aves e estimulam comportamentos naturais. Ao mesmo tempo, realizam avaliações genéticas e sanitárias para garantir que os animais estejam aptos para viver em liberdade.

    Retorno ao habitat é objetivo final

    Assim que completarem todas as etapas de reabilitação, os papagaios devem retornar à natureza. Para isso, os especialistas selecionam áreas compatíveis com o habitat de cada espécie.
    Dessa forma, aumentam as chances de adaptação e sobrevivência no ambiente natural.

    Resgate reforça importância da preservação

    O episódio mostra como a atuação rápida dos órgãos ambientais faz diferença na proteção da biodiversidade. Além disso, o caso reforça que combater o tráfico de animais exige não apenas fiscalização, mas também investimentos em reabilitação e conservação.

  • Conheça o Fantasma de Ubajara: caso preocupa ciência

    Conheça o Fantasma de Ubajara: caso preocupa ciência

    Cientistas brasileiros registraram pela primeira vez um caso de leucismo em Sapajus libidinosus, espécie de macaco-prego que normalmente exibe pelagem variando entre marrom-escuro e amarelo-dourado claro. A descoberta, que ocorreu no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, acende um alerta sobre a saúde genética da população local.

    Os pesquisadores apelidaram o filhote de aproximadamente três meses de “Fantasma” devido às manchas brancas espalhadas pelo corpo. Diferentemente do albinismo, o leucismo causa perda parcial de melanina na pelagem enquanto mantém a coloração escura nos olhos.

    Descoberta durante trabalho de campo

    O primatólogo Tiago Falótico, pesquisador associado ao Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, e presidente da Neotropical Primates Research Group (NeoPReGo), relata como encontrou o animal. “Eu estava instalando os gravadores de som na área, daí observei primeiro esse macaco branco ali, diferente, que nem era do nosso grupo de estudo. Fui atrás e vi esse filhote branquinho”, conta ao Jornal da USP.

    A equipe observou o Fantasma duas vezes em um intervalo de 30 dias. O filhote demonstrava comportamento típico de um infante saudável: a mãe o carregava e, ocasionalmente, sua curiosidade o levava a explorar o ambiente sozinho. O grupo o aceitava completamente, sem sinais de rejeição.

    Tiago Falótico. Foto: Lucas Ninno

    Outro caso levanta suspeitas

    Ao revisar bancos de dados antigos após descobrir o Fantasma, os pesquisadores encontraram registros de Jenipapo, um macho adulto que também apresenta mancha branca na cabeça, embora mais sutil. Os dois animais pertencem a grupos diferentes.

    Jenipapo é um macho adulto com uma mancha de pelo mais claro no topo da cabeça. Foto: Tiago Falótico / Extraída do artigo

    “O Jenipapo é de outro grupo, e provavelmente é o macho alfa de lá”, explica Tatiane Valença, coautora do artigo publicado durante seu doutorado no Instituto de Psicologia (IP) da USP. A pesquisadora atualmente coordena o trabalho de campo na base da NeoPReGo no parque cearense.

    Falótico revela ao Jornal da USP que o Jenipapo apresenta outra característica não mencionada no artigo: “Além da cabeça, o Jenipapo tem uma descoloração nos testículos”. A equipe não observou nenhum outro macaco-prego com esses padrões nessa população desde o início da pesquisa, há seis anos.

    Hipóteses: ambiente ou genética?

    O Parque Nacional de Ubajara, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), possui 6.300 hectares que englobam florestas, montanhas, cavernas e cachoeiras. A fragmentação territorial e a intensa ocupação humana nas extremidades inicialmente levantaram suspeitas sobre influências ambientais.

    Filhote leucístico de macaco-prego-barbudo (Sapajus libidinosus) do Parque Nacional de Ubajara e sua mãe. Ele tem membros e cauda com coloração esbranquiçada, diferente do padrão de coloração da pelagem da mãe. Fotos: NeoPReGo / extraídas do artigo

    “Uma das hipóteses dessa diferença de coloração seria o fator ambiental. O primeiro é o genético, alguma mutação aleatória que deu essa característica. A outra seria a questão da alimentação, alguma deficiência alimentar ou algum poluente”, explica Falótico.

    No entanto, os cientistas descartam a tese ambiental. “Se fosse alguma coisa mais ambiental, de poluição e de alimentação, a gente espera que veria muito mais [casos de leucismo] espalhados nos grupos”, argumenta o pesquisador.

    A hipótese genética ganha força. O leucismo pode resultar do cruzamento em uma população pequena onde a diversidade genética diminui significativamente, permitindo que genes recessivos raros se manifestem.

    Risco para tradição cultural dos macacos

    A presença de dois macacos-prego com padrões anormais de coloração funciona como sinal de alerta. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de monitoramento de longo prazo não apenas para preservar a espécie, mas também tradições culturais únicas.

    Tatiane Valença. Foto: CV Lattes

    “Essa população é bem interessante porque, durante o meu doutorado, eu descobri que eles usam não só as pedras para quebrar coco, como boa parte dos macacos-prego, mas eles também usam pedras para cavar e usam varetas para tirar aranhas de alçapão de tocas. Um comportamento que a gente só tinha visto na Serra da Capivara”, destaca Tatiane Valença.

    Pressões ambientais e conservação

    O parque enfrenta pressões das mudanças climáticas e do desenvolvimento urbano. Animais domésticos também entram e interagem com os macacos selvagens, criando riscos adicionais.

    “Esse sinal de mutação, um bicho com cor diferente, pode ser um indicativo de endogamia de uma população que está restrita, ali, num fragmento, e não está tendo fluxo gênico”, aponta Tiago Falótico.

    Somente o acompanhamento sistemático desses animais confirmará se a característica aumenta na população. Tatiane Valença conclui: “Conservar essas populações é importante para a gente conservar a diversidade de tradições dos macacos-prego. Esses comportamentos são importantes para a sobrevivência desses animais, mas também nos ajudam, enquanto seres humanos, a entender mais sobre nós mesmos”.

    Sobre o Leucismo

    O leucismo é uma doença congênita que causa perda parcial ou total de melanina na pelagem ou nas penas dos animais. Diferentemente do albinismo, a cor dos olhos permanece escura. A condição é extremamente rara em primatas. Casos anteriores de albinismo ocorreram em um macaco-prego-preto e em um macaco-prego-das-guianas, ambos em cativeiro.

    Jornal da USP/Tabita Said