Nas proximidades das Cataratas de Vitória, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue, os hóspedes de um hotel quatro estrelas às margens do rio Zambeze tiveram uma manhã bem diferente do planejado. Um crocodilo de cerca de quatro metros entrou no estabelecimento e foi direto à cozinha.
O réptil saiu do Zambeze e caminhou até o hotel como se soubesse exatamente onde estava indo. O perfil do hotel nas redes sociais resumiu bem o clima: “Na sexta-feira, recebemos a visita inesperada de um hóspede logo pela manhã. Ele estava verificando por que o serviço de quarto estava atrasado. Isto é o Zambezi, onde selvagem significa selvagem.”
John Richards, hóspede que estava no local, relatou que os funcionários contaram que o animal entrou sem cerimônia, como se fosse um cliente qualquer. Não conseguindo mesa no restaurante, seguiu direto para a recepção e, diante da ausência de atendentes, tentou passar por cima do balcão para alcançar a cozinha.
Hóspedes foram surpreendidos por um crocodilo de quatro metros — (Foto: Reprodução/Facebook)
Frustrado na tentativa, o crocodilo mudou de estratégia. Encontrou uma poltrona, deitou-se nela por alguns instantes e, em seguida, caminhou até o deck onde ficam as mesas. Por lá também não encontrou comida, então acabou se acomodando em uma fonte de água na entrada do hotel.
Foi justamente nesse ponto que as equipes de resgate chegaram. Guardas da Autoridade de Gestão de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue (ZimParks) imobilizaram o animal e o devolveram ao rio. Luckmore Saful, porta-voz da organização, confirmou que o episódio terminou sem maiores consequências: “Ele foi imobilizado por nossa equipe, sendo levado e devolvido ao Zambeze em segurança. Não houve feridos nem danos à propriedade.” Saful ainda ponderou que, na visão da organização, o comportamento do animal não chegou a ser uma surpresa: “Não é incomum que os crocodilos se desloquem para terra firme, especialmente porque este incidente ocorreu dentro da área de distribuição e habitat natural da espécie.”
Com mais de 700 ilhas, praias de areia branca e um mar em tons impossíveis de azul, as Bahamas já são conhecidas como um dos destinos mais cobiçados do Caribe. O que poucos viajantes brasileiros sabem é que o arquipélago vai muito além do cartão-postal: nos últimos anos, o destino se tornou referência em turismo sustentável e ecoturismo, combinando beleza natural com práticas concretas de conservação ambiental.
Foto: Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation (BMOTIA)
O compromisso com a preservação não fica no discurso. As Bahamas abrigam áreas marinhas protegidas, parques nacionais e iniciativas voltadas à conservação de manguezais, recifes de coral e pradarias marinhas,ecossistemas fundamentais para a biodiversidade local e para o equilíbrio climático do planeta. Para o visitante, esse cuidado se traduz em experiências mais autênticas: mergulhos em recifes intactos, passeios de caiaque por águas rasas e tranquilas, observação de vida selvagem e trilhas em cenários praticamente intocados.
Andros e Exuma: natureza em estado puro
A ilha de Andros concentra alguns dos melhores exemplos dessa proposta. Lar da terceira maior barreira de corais do mundo, a região é um convite para quem busca aventura com propósito. Snorkeling, mergulho, observação de pássaros e exploração dos famosos blue holes, buracos azuis de beleza singular, convivem com um forte senso de responsabilidade ambiental.
Em Exuma, a transparência da água e a riqueza da vida marinha reforçam o valor das práticas responsáveis no turismo náutico. As experiências ao ar livre ganham outro significado quando o ambiente ao redor permanece preservado. E o visitante percebe que faz parte dessa equação.
O luxo de andar descalço
Outro diferencial das Bahamas está no conceito de Barefoot Luxury, o luxo de andar descalço na areia branca, saborear o tempo sem pressa e trocar o excesso pelo essencial. Mais do que consumir atrações em ritmo acelerado, o arquipélago convida a um olhar contemplativo:. Travessias entre ilhas menores, passeios com operadores locais e experiências que valorizam cultura, paisagem e respeito ao ambiente natural.
Foto: Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation (BMOTIA)
Para um público brasileiro cada vez mais atento ao impacto de suas escolhas, essa proposta ressoa com uma demanda crescente por destinos que unem beleza, exclusividade e consciência ambiental.
Comunidades locais no centro da experiência
A sustentabilidade das Bahamas também passa pela valorização de quem vive no arquipélago. Roteiros que priorizam guias locais, pequenas embarcações, hospedagens integradas ao entorno e atividades em áreas protegidas criam um ciclo virtuoso. O viajante contribui para preservar exatamente aquilo que torna o destino tão singular.
Foto: Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation (BMOTIA)
Ao escolher esse modelo de turismo, o visitante não apenas desfruta de paisagens extraordinárias, ele ajuda a garantir que essas paisagens continuem existindo. Nas Bahamas, luxo de verdade é admirar a natureza em seu estado mais puro e ajudar a mantê-la assim.
Um bioma que já perdeu 87,6% de sua cobertura original acaba de ganhar um reforço estratégico de escala global. Ilhéus, no sul da Bahia, sediou o lançamento do projeto “Conservação da Mata Atlântica por meio do manejo sustentável das paisagens agroflorestais cacaueiras”. A iniciativa aposta no cultivo tradicional do cacau cabruca para frear o desmatamento, restaurar a biodiversidade e melhorar a renda de milhares de famílias produtoras.
Foto: FAO no Brasil/Divulgação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), executa o projeto com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) financia a iniciativa, e a Sitawi Finanças do Bem atua como parceira operacional.
O que é o sistema cabruca e por que ele importa
A cabruca é uma técnica secular de cultivo do cacau sob o dossel de árvores nativas da Mata Atlântica. Em vez de desmatar para plantar, o produtor mantém a floresta em pé e introduz o cacaueiro à sua sombra. O resultado é um sistema que forma corredores biológicos, regula o ciclo hídrico local e aumenta a resiliência ecológica da região. Tudo isso enquanto gera renda.
“A Mata Atlântica é um bioma de importância mundial. O projeto será um exemplo notável de conservação produtiva, onde a agricultura sustentável coexiste com a preservação de espécies nativas e endêmicas”, afirma Jorge Meza, representante da FAO no Brasil.
Metas ambiciosas: floresta, clima e economia
O projeto estabelece objetivos concretos para os próximos anos: restaurar 12.000 hectares de cacau em sistema cabruca; melhorar a gestão de mais de 203 mil hectares de áreas protegidas, incluindo as APAs Pratigi e Baía de Camamu; e mitigar 3,72 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
Imagem gerada por IA
No campo econômico, a iniciativa quer triplicar a produtividade média do cacau cabruca e elevar em 30% a renda das famílias beneficiárias, por meio de assistência técnica e acesso a mercados de cacau premium.
Três mil produtores organizados nos consórcios CIAPRA, CIMA e CDS-LS participam do projeto. O compromisso é que ao menos 50% dos beneficiários sejam mulheres e jovens.
Tecnologia, governança e formação
Além das ações de campo, o projeto propõe revisão de marcos legais e novos mecanismos de política pública para o manejo sustentável em uma escala de 1,6 milhão de hectares. Garantindo ao produtor rural retorno econômico sem abrir mão da conservação florestal.
Entre as inovações planejadas estão o uso de blockchain para rastreabilidade total do cacau, a criação da Escola do Cacau para formação de técnicos e produtores, e um Centro de Inteligência Territorial (CIT) para monitoramento da paisagem e da biodiversidade em tempo real. Os produtores também ganham acesso a um modelo de crédito rural sustentável, o CRA Sustentável, e a redes de comercialização nacionais e internacionais.
“O que estamos lançando na Bahia vai além de um projeto ambiental ou produtivo. É um modelo concreto de inovação no campo”, diz Thiago Guedes, diretor da Ceplac. “Estamos posicionando a cacauicultura agroflorestal como um ativo estratégico para o futuro da agricultura mundial.”
Para quem vive da terra, o significado é direto. “Trazer o processo de transição agroecológica para esse espaço de produção permite produzir uma amêndoa de cacau melhor, com mais qualidade, agregando valor ao produto para que as famílias possam melhorar sua qualidade de vida”, conta Luciano Ferreira, assentado da reforma agrária e produtor de cacau.
A comunidade internacional ampliou a proteção às preguiças-de-dois-dedos durante a 20ª Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites). O encontro, realizado em Samarcanda, no Uzbequistão, no início deste mês, incluiu duas espécies, Choloepus hoffmanni e Choloepus didactylus, no Anexo II da convenção.
A partir de 5 de março de 2026, o comércio desses animais seguirá regras mais rigorosas. A medida busca evitar que a exploração comercial comprometa a sobrevivência das espécies nas próximas décadas.
Aumento da demanda preocupa autoridades
“A inclusão dessas espécies no anexo da Cites é necessária para que exista melhor monitoramento e controle do aumento da demanda, a fim de garantir a sobrevivência das populações a longo prazo na natureza”, afirma Lívia Passos Martins, diretora de Biodiversidade e Florestas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela integrou a delegação brasileira na COP20.
O Ibama atua como autoridade administrativa da Cites no Brasil. O país proíbe a captura de animais silvestres na natureza desde 1967, quando promulgou a Lei de Fauna (Lei nº 5.197/1967), a primeira legislação nacional com restrições claras sobre o tema.
Turismo e redes sociais alimentam tráfico
Nos últimos anos, a demanda por bichos-preguiças como animais de estimação cresceu significativamente. A analista ambiental do Ibama Júlia Simões Damo, que também participou da COP20, aponta novas motivações para o comércio ilegal.
“Aumentou a demanda por bichos-preguiças como animais de estimação ou para outras atividades, como selfies com turistas e cafés com animais exóticos”, relata Damo.
Os traficantes capturam principalmente filhotes e juvenis. A prática impacta diretamente a capacidade da população de se recuperar frente a outras ameaças, como o desmatamento ilegal, perda de habitat e incêndios florestais.
Classificação e critérios de proteção
A espécie Choloepus hoffmanni aparece como quase ameaçada no Brasil e como ameaçada na Costa Rica e em Honduras. A Choloepus didactylus integra o Anexo II pelo critério de semelhança, já que as duas espécies são quase idênticas.
Bicho-preguiça Choloepus didactylus. Foto: World Animal Protection
A inclusão no Anexo II obriga países como a Guiana, que ainda permite a captura de bichos-preguiças na natureza para comercialização, a estabelecer regras mais rígidas. Os comerciantes precisarão comprovar que a captura ocorreu de forma legal e sustentável.
Proposta aprovada por consenso
O Brasil apresentou a proposta de restrição em parceria com a Costa Rica e o Panamá. A conferência internacional da Cites estabeleceu o aprimoramento dos critérios de proteção das espécies por consenso.
A decisão representa um avanço na proteção da fauna silvestre e demonstra o papel de liderança do Brasil nas discussões sobre conservação ambiental no cenário internacional.
A expansão agropecuária está colocando em risco a sobrevivência dos grandes felinos selvagens do Brasil. Uma pesquisa pioneira da Unesp mapeou mais de 14 mil observações de nove espécies de felinos para entender como esses predadores estão se adaptando à perda de habitat em biomas como Cerrado, Amazônia e Pantanal.
O estudo, publicado na revista científica Biological Conservation, revela que onças-pintadas, suçuaranas e jaguatiricas enfrentam paisagens cada vez mais fragmentadas, o que os força a circular próximo de fazendas, estradas e áreas urbanas – situações frequentemente perigosas tanto para os animais quanto para os humanos.
Desmatamento ameaça habitat de grandes felinos
Os números são alarmantes. Segundo a ONG Global Witness, apenas nos estados do Pará e Mato Grosso, foram desmatados 27 milhões de hectares do habitat original das onças-pintadas, uma área superior ao território do Reino Unido.
Vanesa Bejarano Alegre, autora principal do trabalho e doutora pelo Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, explica que grandes carnívoros dependem de extensas áreas preservadas para caçar suas presas naturais, como capivaras e jacarés. Quando esses animais escasseiam devido à destruição ambiental, os felinos invadem propriedades rurais em busca de bezerros e aves domésticas.
“O resultado são confrontos violentos com cães de guarda e fazendeiros armados”, destaca a pesquisadora.
Três perfis ecológicos de felinos brasileiros
O estudo propôs uma classificação inédita para os felinos nacionais, dividindo-os em três categorias conforme sua tolerância a ambientes modificados pelo homem:
Generalistas – Adaptam-se bem a áreas antropizadas. Incluem a onça-parda, o jaguarundi e o gato-do-mato-grande (embora este último tenha surpreendido os cientistas ao evitar fazendas).
Especialistas flexíveis – Toleram proximidade humana, mas preferem habitats naturais. Neste grupo estão a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis), que evitam estradas mas utilizam paisagens heterogêneas.
Especialistas estritos – Altamente dependentes de cobertura florestal densa. Espécies como L. wiedii, L. guttulus e L. tigrinus raramente são vistas em áreas abertas.
A análise utilizou dados de câmeras automáticas (camera traps) instaladas em diversos biomas brasileiros, cruzados com informações de uso do solo fornecidas pela rede MapBiomas.
Convivência entre fazendeiros e onças mostra sinais de melhora
Raíssa Sepulvida Alves, bióloga de campo da Panthera Brasil e coautora do estudo, observa avanços na relação entre produtores rurais e grandes felinos nos últimos 15 anos.
Foto: Ailton Lara/Instagram
“Antigamente, qualquer morte de gado era automaticamente atribuída às onças, resultando em retaliação. Hoje, com manuais de boas práticas e técnicas de manejo, a situação melhorou”, afirma.
Entre as medidas eficazes estão cercas elétricas, recolhimento noturno do gado para currais distantes da mata e proteção reforçada para bezerros. Além disso, o turismo de observação de onças em regiões como Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá, tem transformado a percepção local.
“As pessoas perceberam que as onças valem mais vivas do que mortas. Elas geraram uma nova fonte de renda e deixaram de ser vilãs”, conta Sepulvida.
Desafios para conservação em um país continental
Bejarano ressalta que não existe uma solução única para todos os contextos brasileiros. “O Brasil é um continente. Existem inúmeras comunidades com perspectivas diferentes sobre a natureza. Algumas matam por matar, outras não. Esse é o maior desafio na preservação de grandes carnívoros”, analisa.
O estresse causado por ruídos humanos e a necessidade de forragear em áreas perigosas têm consequências graves. Pesquisas mostram que os felinos apresentam níveis elevados de cortisol e se alimentam de forma apressada nesses ambientes, reduzindo sua expectativa de vida.
Menos de 5% do Pantanal está protegido
Um dado preocupante é que menos de 5% do Pantanal está dentro de unidades de conservação formalmente protegidas. A maior parte do bioma consiste em propriedades privadas, o que torna essencial o trabalho de coexistência desenvolvido por organizações como a Panthera.
O estudo também destaca a importância do compartilhamento de dados científicos. Muitas câmeras instaladas para monitorar outras espécies acabam registrando felinos, e essas informações podem ser reaproveitadas em novas pesquisas.
“Há biomas enormes, como a Amazônia, sofrendo com a falta de dados abertos”, alerta Bejarano, que atualmente trabalha como pós-doutoranda no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
A pesquisa revela lacunas críticas no conhecimento científico sobre felinos brasileiros e oferece subsídios para políticas públicas de conservação adaptadas às necessidades específicas de cada espécie.
O Ibama devolveu 148 jabutis-piranga ao seu habitat natural na Bahia nesta semana. Os animais haviam sido apreendidos durante uma ampla operação contra o tráfico de fauna silvestre no Rio de Janeiro.
Servidores do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Seropédica transportaram os répteis até a Caatinga, onde a espécie ocorre naturalmente. Os jabutis foram soltos em Vitória da Conquista, região que oferece condições adequadas para sua sobrevivência.
Uma equipe multidisciplinar composta por médicos veterinários, biólogos e técnicos acompanhou o processo de reabilitação dos animais. Em menos de três semanas, os jabutis recuperaram o peso ideal e apresentaram boas condições de saúde.
Os jabutis-piranga (Chelonoidis carbonaria) habitam naturalmente as matas brasileiras do Nordeste ao Sudeste. A espécie se caracteriza por um casco com placas amareladas e escamas vermelhas na cabeça e nas pernas. Esses répteis se alimentam de flores, frutos, folhagens e insetos, ocupando principalmente biomas de baixo relevo e pouca umidade.
Outras espécies retornam à Mata Atlântica
Além dos jabutis, a equipe do Cetas Seropédica devolveu outras espécies à natureza. Equipes de conservação soltaram uma iguana (Iguana iguana), dois corrupiões (Icterus jamacaii) e 48 galos-de-campina (Paroaria dominicana) em Porto Seguro, no litoral baiano.
Corrupiões e galos-de-campina foram libertados na Mata Atlântica. Foto: Divulgação/Ibama
O corrupião destaca-se pelo canto melodioso e pela capacidade de imitar outras aves. Já o galo-de-campina, também conhecido como cardeal-do-nordeste, chama atenção pela plumagem vermelha, cinza, branca e negra.
Operação nacional desarticula esquema milionário
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a operação em 16 de setembro. A ação resultou na prisão de 47 pessoas e na apreensão de mais de 700 animais silvestres.
A organização criminosa capturava os animais diretamente de seus habitats em Minas Gerais e nos estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Muitos espécimes chegaram aos centros de reabilitação abaixo do peso e doentes.
“A quadrilha movimentou mais de R$ 5 milhões em apenas um ano”, estima a Polícia Civil. O superintendente do Ibama no Rio de Janeiro, Rogério Rocco, alerta que os compradores também cometem crime: “Quem compra animal silvestre sem documentação legal contribui para essa atividade ilícita, podendo responder pelo crime de receptação.”
Ibama apreende 117 quelônios no Parque Nacional do Jaú
O Ibama também apreendeu 117 quelônios durante fiscalização na base fluvial do Parque Nacional do Jaú, no Amazonas. Os traficantes esconderam os animais entre produtos regionais que supostamente venderiam em Novo Airão.
Foto: Divulgação/Ibama
A operação ocorreu na terça-feira (7) em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A ação integrava o monitoramento de áreas de manejo do Programa Quelônios da Amazônia (PQA).
Multa de R$ 585 mil e soltura imediata
O infrator recebeu multa de R$ 585 mil, conforme o Decreto nº 6.514/2008. A legislação estabelece multa de R$ 5 mil por animal de espécie constante em listas oficiais da fauna brasileira ameaçada de extinção. A embarcação também foi apreendida. Especialistas examinaram os animais no local e constataram bom estado de saúde. Os quelônios foram soltos imediatamente dentro do próprio Parque Nacional.
O Parque Nacional do Jaú é uma Unidade de Conservação Federal de proteção integral gerida pelo ICMBio. Com 2,3 milhões de hectares, a área abrange os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Amazonas, e Caracaraí, em Roraima.
“A região é altamente relevante para a conservação da natureza na Amazônia. Não podemos permitir que crimes ambientais ocorram no Parque Nacional”, afirma o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo. “O Ibama e ICMBio atuarão juntos e de forma intensa para impedir novas agressões à natureza.”
Programa Quelônios: a maior iniciativa de conservação do mundo
O Programa Quelônios da Amazônia representa a maior iniciativa de conservação de fauna em vida livre do mundo. Criado em 1979, o PQA já soltou mais de 100 milhões de filhotes na natureza.
O programa protege três espécies: tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis) e pitiú (Podocnemis sextuberculata). As ações acontecem ao longo da bacia dos rios Amazonas e Araguaia/Tocantins.
O Ibama combina estratégias de manejo conservacionista, pesquisa, capacitação, educação ambiental e fiscalização. O objetivo é promover o desenvolvimento social e garantir equilíbrio entre a fauna amazônica e as comunidades ribeirinhas.
Em setembro, o Instituto já havia apreendido 335 quelônios em outra operação integrada no Amazonas. As equipes do Ibama realizam frequentemente atividades de educação ambiental para conscientizar as populações locais sobre a importância da conservação das espécies.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a captura legal de 19.405 pirarucus (Arapaima gigas) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, no Médio Solimões, Amazonas. Essa autorização integra o Programa Arapaima, que visa o manejo sustentável do pirarucu e a conservação dos ecossistemas de várzea, estimulando práticas comunitárias e fomentando benefícios socioeconômicos para as comunidades envolvidas.
A cota liberada corresponde a 28% dos peixes adultos contabilizados nas 22 localidades beneficiadas, respeitando critérios científicos de sustentabilidade, com fiscalização rigorosa, biometria obrigatória e rastreabilidade do pescado. O manejo sustentável também promove transparência econômica e desenvolvimento comunitário na Amazônia.
Detalhes do manejo e autorizações
Foram emitidas 13 autorizações para seis instituições parceiras que organizam a pesca junto às comunidades.
São 68.063 pirarucus adultos contabilizados, e a cota de pesca liberada é de 28%, podendo variar entre 18% e 30% conforme a capacidade e situação de cada setor.A autorização é válida até 30 de novembro de 2025.
Foto: Divulgação/IDSM
Exigências rigorosas incluem biometria de todos os peixes, lacres numerados para rastreabilidade, relatórios detalhados, monitoramento via georreferenciamento e supervisão constante pelos órgãos ambientais.
O transporte do pescado depende de guias de trânsito do Ibama, garantindo legalidade. Peixes fora dos critérios legais devem ser doados, reforçando a responsabilidade socioambiental.
Programa Arapaima
Instituído pelo Ibama em fevereiro de 2025, o programa tem por objetivo promover o manejo sustentável do pirarucu e conservar ecossistemas de várzea.
Incentiva a organização coletiva dos pescadores e apoia o desenvolvimento socioeconômico das populações tradicionais da região.
O programa também prioriza o monitoramento contínuo da espécie, o controle da pesca e a rastreabilidade para fiscalização e exportação legal.
O Programa Arapaima cobre principalmente o estado do Amazonas, com possibilidades de expansão para outros estados da Amazônia.
Assim, o manejo autorizado em 2025 na RDS Mamirauá reflete um modelo de uso sustentável da biodiversidade amazônica. Cmbinando conservação ambiental e geração de renda para comunidades locais de forma transparente e regulamentada.
Um registro extraordinário da vida selvagem pantaneira chamou atenção nas redes sociais no último fim de semana. A onça-pintada conhecida como “Medrosa” protagonizou uma cena impressionante no Parque Estadual Encontro das Águas, localizado no Pantanal mato-grossense.
O biólogo e guia especializado Ailton Lara, acompanhado pelo piloto de barco Gabriel Felipe, capturou o momento exato em que a fêmea de 9 anos e aproximadamente 90 quilos saltou de uma árvore diretamente no rio. A onça surpreendeu um jacaré antes de nadar em direção à margem.
O passeio também mostraoutro momento marcante: o macho “Bororo” capturando um jacaré em uma gravação separada. Os registros destacam a habilidade natural desses predadores e sua adaptação ao ambiente aquático do Pantanal.
Ailton Lara é reconhecido como um dos melhores guias especializados em turismo de observação de onças no Pantanal. O biólogo combina conhecimento científico com experiência prática para oferecer tours de alta qualidade na região.
Lara demonstra impressionante conhecimento da vida selvagem local, conseguindo “chamar” jaguatiricas e identificar a presença de onças através do comportamento de outros animais, como capivaras. Sua expertise permite aos visitantes experiências únicas de observação da fauna pantaneira.
O profissional opera principalmente no Pantanal Jaguar Camp, localizado em Porto Jofre, região considerada estratégica para avistamento de onças-pintadas.
Porto Jofre: destino mundial para observação de onças
O Parque Estadual “Encontro das Águas”, localizado no encontro dos rios Cuiabá e Piquiri na região do Porto Jofre, abriga hoje a maior quantidade de onças pintadas do mundo. Este território tornou-se referência internacional para turismo de observação da espécie.
Porto Jofre situa-se no final da Estrada Transpantaneira, no km 147, na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A localização estratégica facilita o acesso aos rios onde as onças costumam caçar e descansar.
A observação de onças-pintadas envolve safaris fluviais e terrestres, sempre conduzidos por especialistas locais. Os passeios percorrem diversos rios da região, incluindo Cuiabá, Três Irmãos, Corixo Negro, Piquiri e Negrinho.
Crescimento da população de onças
Moradores locais relatam que nos últimos cinco anos a população de onças-pintadas aumentou significativamente na região. O crescimento populacional favorece as chances de avistamento durante os passeios turísticos.
Foto: Ailton Lara/Instagram
O turismo de observação contribui diretamente para a conservação da espécie. As atividades geram renda para comunidades locais e incentivam a preservação do habitat natural das onças.
Experiência completa no pantanal
Diversos hotéis e pousadas especializaram-se em safaris fluviais para observação das onças. Os estabelecimentos oferecem infraestrutura completa, incluindo campos de pouso para facilitar o acesso à região.
O Pantanal concentra 65% de seu território em solo brasileiro, formando uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. A biodiversidade local inclui, além das onças, centenas de espécies de aves, mamíferos e répteis.
Os registros de Ailton Lara demonstram a importância do turismo científico responsável. Essas imagens educam o público sobre o comportamento natural dos predadores e valorizam a conservação do Pantanal como patrimônio natural brasileiro.
Pesquisadores do Projeto Mangues da Amazônia aplicam técnicas genéticas de ponta para recuperar a maior faixa contínua de manguezal do planeta,. Ela está localizada no nordeste do Pará. A iniciativa é inovadora, e integra ciência avançada e saberes tradicionais das comunidades locais. E visa o reflorestamento sustentável de áreas degradadas, fortalecendo a conservação desse ecossistema vital para o equilíbrio ambiental e a economia regional.
O diferencial do projeto está no mapeamento da variabilidade genética das espécies nativas — Rhizophora mangle (mangue-vermelho), Avicennia germinans (mangue-preto) e Laguncularia racemosa (mangue-branco). Por meio da coleta e análise de DNA das plantas em 12 quadrantes da península de Ajuruteua, em Bragança (PA), os pesquisadores identificam as áreas com maior diversidade genética. Essa seleção estratégica permite utilizar sementes com maior capacidade de adaptação e resistência a impactos ambientais e climáticos. E aumenta a produtividade e a resiliência das novas gerações de mangues.
“Quanto maior a variabilidade genética, maior a capacidade das plantas de se adaptarem e sobreviverem às mudanças ambientais”. É o que explica Marcus Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e líder do projeto. Segundo ele, essa abordagem reduz perdas no reflorestamento e potencializa benefícios ambientais, como o aumento do estoque de carbono e a proteção da fauna local, incluindo o caranguejo-uçá.
Resultados e metas do reflorestamento
Desde 2021, o projeto já recuperou 18 hectares de manguezais degradados nos municípios paraenses de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu, com o envolvimento ativo das comunidades locais que dependem dos recursos naturais para seu sustento. A meta é alcançar 40 hectares reflorestados e monitorar 100 hectares na região nos próximos anos, alinhando-se ao Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC).
John Gomes, gerente do projeto, destaca que o reflorestamento é “um gesto de sensibilização e conexão com a natureza”. Isso é essencial para despertar a consciência coletiva sobre a conservação dos manguezais, especialmente em um ano marcado pela realização da COP30 em Belém, que reforça a importância desses ecossistemas no combate às mudanças climáticas.
Manguezais amazônicos: sumidouros de carbono e proteção ambiental
Os manguezais da Amazônia são reconhecidos como grandes sumidouros de carbono, capazes de capturar de duas a três vezes mais carbono do que as florestas de terra firme, contribuindo significativamente para a mitigação dos gases do efeito estufa. Além disso, eles protegem as zonas costeiras da erosão, abrigam biodiversidade e sustentam comunidades tradicionais.
O Projeto Mangues da Amazônia é uma iniciativa conjunta do Instituto Peabiru, Instituto Sarambuí e do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA/UFPA). E conta com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e apoio do Governo Federal. O trabalho envolve pesquisa técnico-científica, educação ambiental e atividades socioculturais nas Reservas Extrativistas Marinhas (RESEX) da região.
Ciência e conservação integradas para o futuro
O biólogo Adam Bessa, responsável pelo mapeamento genético, ressalta que o projeto está na vanguarda da ciência aplicada à conservação dos manguezais. Além de subsidiar a seleção de sementes, os dados genéticos orientam o planejamento de corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação nativa, fortalecendo a estrutura biológica e a resiliência do ecossistema.
Com a continuidade das coletas e análises ao longo de 2025, o projeto reforça seu compromisso com a conservação e o uso sustentável dos manguezais amazônicos, promovendo um modelo que alia inovação científica, gestão ambiental eficiente e inclusão social das comunidades tradicionais.
Um pescador esportivo capturou imagens impressionantes de uma onça-parda nadando na Represa do Vargedo, localizada em Ibiúna, interior de São Paulo. O vídeo foi registrado nesta semana. E rapidamente viralizou nas redes sociais, chamando atenção para a presença da fauna silvestre na região. Além de reforçar a importância da conservação ambiental.
A onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana, é um dos maiores felinos da América do Sul. E desempenha papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas onde habita. A presença desse animal na represa reforça a biodiversidade local e a necessidade de proteger áreas naturais como o Parque Estadual do Jurupará, que fica próximo à região e é uma importante unidade de conservação ambiental no estado de São Paulo.
O Parque Estadual do Jurupará abriga diversas espécies nativas e é essencial para a manutenção dos recursos hídricos e da fauna regional. A aparição da onça-parda em áreas próximas à represa serve como alerta para a população sobre a importância de preservar as riquezas naturais da cidade e respeitar as áreas de reserva ambiental.
Segundo especialistas em fauna silvestre, o comportamento de nadar é comum entre onças-pardas. Elas utilizam rios, lagos e represas para se deslocar, caçar e se refrescar, especialmente em períodos de calor.
A Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo reforça a necessidade de conscientização sobre a convivência harmoniosa entre humanos e animais silvestres, destacando que a proteção desses animais contribui para a saúde dos ecossistemas e para o turismo ecológico sustentável na região.