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  • El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    O El Niño ameaça reduzir em até um quinto a safra recorde de café que o Brasil esperava colher neste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O calor excessivo e as chuvas irregulares já comprometem lavouras em diversas regiões produtoras do país.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos de café arábica e canephora, categoria que inclui variedades como robusta e conilon. Mas a deterioração das condições climáticas durante o ciclo do El Niño pode derrubar drasticamente esse número, alerta o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva.

    “Estamos falando agora de uma perda de safra entre 15% e 20%, o que em um ano normal estaria dentro do esperado. Mas, no cenário atual, isso é uma notícia muito ruim”, afirmou Silva em entrevista.

    Produtores enfrentam o fenômeno com mais preparo

    Apesar do cenário desfavorável, os cafeicultores brasileiros chegam a este ciclo de El Niño mais preparados do que em episódios anteriores. Avanços tecnológicos tornaram a cultura mais resistente às variações climáticas, segundo Silva.

    “Fizemos avanços significativos e hoje conseguimos plantar e colher com mais eficiência”, destacou o executivo da Abic.

    Nos últimos anos, os produtores reforçaram a capacidade de mitigar riscos climáticos ao expandir rapidamente os sistemas de irrigação. O setor investiu fortemente nessa tecnologia para reduzir a dependência de chuvas cada vez mais irregulares. Um efeito direto das mudanças climáticas.

    Florada desuniforme preocupa cooperativas mineiras

    Ainda assim, especialistas esperam que o El Niño afete o ciclo biológico do café, especialmente durante o período de florada no segundo semestre de 2026. O calor excessivo e as chuvas irregulares podem provocar floradas desuniformes e mal-sucedidas.

    “A maturação irregular gera problemas de qualidade e torna a colheita mais desafiadora”, explicou Wellis Caixeta, gerente de compras de café da cooperativa Expocacer, em Minas Gerais.

    O precedente preocupa o setor. O El Niño de 2023/24, combinado a ondas de calor e chuvas irregulares, reduziu a safra brasileira de café de 2024: a estimativa inicial do governo, de 58,8 milhões de sacas, caiu para 54,2 milhões. Apesar do ciclo bienal positivo do arábica, a produção cresceu apenas 0,2%, enquanto a produtividade do conilon recuou 5,9%.

    O fenômeno já pode explicar algumas anomalias observadas neste ano, como as chuvas incomuns registradas no Sudeste do Brasil no último mês. A Expocacer estima que precipitações superiores a 50 milímetros nas regiões produtoras de arábica, cerca de 40 dias atrás, atrasaram a colheita e derrubaram uma quantidade significativa de frutos no chão, o que prejudicou a qualidade dos grãos.

    Espírito Santo teme prolongamento da seca até 2027

    O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café canephora, também registrou clima irregular neste ano. Intervalos maiores entre chuvas se combinaram com precipitações mais curtas e intensas, segundo Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, maior cooperativa de canephora do país.

    Os produtores capixabas temem que o El Niño prolongue os períodos de seca e calor excessivo até janeiro de 2027, o que prejudicaria o enchimento dos grãos, afirmou Bastianello.

    A produção de conilon no estado já deve cair 15% neste ano por causa do ciclo bienal natural da cultura, que alterna entre anos de alta e baixa produtividade. Ainda assim, Bastianello considera cedo para prever o impacto real do El Niño em 2027.

    “O calor é o maior risco para perdas severas na safra. Acima de 27°C, o canephora reduz seu metabolismo, e a 35°C ele para completamente. Os danos muitas vezes superam os causados pela falta de água em si”, acrescentou o presidente da Cooabriel.

    Rondônia projeta safra recorde de robusta

    O cenário muda no Norte do Brasil, onde temperaturas e chuvas permaneceram, em grande parte, dentro dos padrões sazonais neste ano. Em Rondônia, os produtores projetam uma safra recorde de 3 milhões de sacas de 60 kg. Um volume que supera a previsão da Conab, de 2,77 milhões de sacas.

    O calor e a seca associados ao El Niño provavelmente não atingirão o robusta de Rondônia com a mesma intensidade que afeta as regiões produtoras de arábica, avaliou Juan Travain, presidente da associação estadual Caferon.

    “O café é altamente sensível às variações de temperatura, mas praticamente todas as lavouras de robusta são irrigadas, e algumas também utilizam sistemas de resfriamento com água. Muitas propriedades de arábica, por outro lado, ainda não possuem irrigação”, explicou Travain.

  • Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    A safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 kg, alta de 18% em relação ao ciclo anterior, segundo o 2º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. Se confirmado, o volume estabelecerá um novo recorde na série histórica da estatal, superando o desempenho de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas.

    O avanço da produção reflete o ciclo de bienalidade positiva, a expansão das áreas em produção e as condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9%, somando 2,34 milhões de hectares, dos quais 1,94 milhão já em produção e 401,7 mil em formação.

    A produtividade média nacional também apresenta recuperação relevante e deve atingir 34,4 sacas por hectare, avanço de 13% na comparação anual.

    Arábica lidera crescimento da safra

    A produção de café arábica deve somar 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% em relação ao ano passado. O volume configura a terceira maior safra da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018.

    O desempenho reflete diretamente o efeito da bienalidade positiva, que favorece maior carga produtiva, além do clima mais regular ao longo do ciclo, especialmente em fases críticas como florada e enchimento de grãos.

    Conilon cresce com apoio da área cultivada

    Para o café conilon, a Conab projeta uma produção de 20,9 milhões de sacas, leve alta de 0,8% frente à safra anterior. O crescimento ocorre mesmo com a queda de 3,5% na produtividade média, estimada em 53,9 sacas por hectare.

    A expansão da área em produção, que deve atingir 388,22 mil hectares, sustenta o resultado positivo e compensa o recuo no rendimento das lavouras.

    Minas Gerais impulsiona produção nacional

    Minas Gerais, principal produtor de café do país, deve colher 33,4 milhões de sacas, considerando arábica e conilon. O volume representa um aumento de 29,8% em relação à safra passada.

    O estado se beneficia da bienalidade positiva e de uma melhor distribuição das chuvas, principalmente no período pré-florada, além de condições climáticas favoráveis até março, fatores que garantiram boa granação e elevaram a produtividade.

    Espírito Santo mantém estabilidade com destaque para arábica

    No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção total deve atingir 18 milhões de sacas, alta de 3%. O arábica lidera o crescimento, com avanço de 27,9% na produtividade e produção estimada em 4,4 milhões de sacas.

    Já o conilon deve registrar queda de 4,2%, com colheita prevista em 13,6 milhões de sacas. O recuo reflete o alto desempenho registrado em 2025 e as temperaturas abaixo da média durante o ciclo, que afetaram o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, a produtividade segue como a segunda maior da série histórica no estado.

    Bahia, São Paulo e Rondônia ampliam produção

    Na Bahia, a safra deve crescer 5,9%, alcançando 4,7 milhões de sacas. O resultado combina clima regular, maior investimento em manejo e entrada de novas áreas em produção.

    Em São Paulo, onde predomina o cultivo de arábica, a produção pode atingir 5,9 milhões de sacas, alta de 24,6%.

    Rondônia, com produção exclusiva de conilon, deve colher 2,8 milhões de sacas, crescimento de 19,4%. O avanço resulta da renovação de lavouras com materiais clonais mais produtivos e das condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo.

    Exportações caem no início do ano, mas devem reagir

    O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café entre janeiro e abril de 2026, queda de 22,5% na comparação anual, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A redução reflete os baixos estoques internos, pressionados pela menor produção nos ciclos anteriores e pela demanda externa aquecida. Com a recuperação da safra, a expectativa é de retomada das exportações no segundo semestre.

    Produção global cresce, mas preços seguem sustentados

    No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 178,8 milhões de sacas no ciclo 2025/26, alta de 2%.

    Mesmo com o avanço, os preços devem permanecer firmes, sustentados pelos baixos estoques globais e pela expectativa de crescimento de 1,3% na demanda, estimada em 173,9 milhões de sacas.

  • Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Os embarques do setor cafeeiro somaram 3,122 milhões de sacas de 60 kg em abril de 2026. Um volume que implica leve crescimento de 0,6% em relação aos 3,105 milhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em receita cambial, contudo, houve decréscimo de 17,7% no mesmo período comparativo. Com os valores recuando de US$ 1,347 bilhão para os atuais US$ 1,109 bilhão. Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, a elevação no volume embarcado reflete a chegada de alguns cafés da nova safra, principalmente os canéforas. Ao passo que o menor ingresso de dólares resulta do cenário internacional de preços.

    “Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”, relata.

    Com o desempenho no mês passado, as exportações no acumulado dos 10 meses do ano safra 2025/26 somam 32,247 milhões de sacas, volume que implica queda de 19,4% na comparação com os embarques aferidos entre julho de 2024 e abril de 2025. A receita cambial, por sua vez, subiu 0,8% nesse intervalo, saltando para US$ 12,551 bilhões.

    Ano civil

    De janeiro ao fim de abril deste ano, as exportações de café do Brasil totalizam 11,619 milhões de sacas, situando-se 16,1% abaixo dos 13,843 milhões registrados no primeiro quadrimestre de 2025. A entrada de recursos com essas remessas soma US$ 4,490 bilhões, montante 14,4% inferior aos US$ 5,247 bilhões obtidos nos primeiros quatro meses do ano passado.

    “O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume, quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado, que teve oferta menor, registrou um bom volume de exportações. Assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, comenta Ferreira.

    Por outro lado, ele aponta que a exportação de robusta e conilon, em abril de 2026, representa uma alta de 374% quando comparada ao mesmo mês do ano passado. “Tendo em vista que a variedade canéfora representa valor absoluto por saca bem inferior ao arábica, o impacto na receita total nas exportações de café verde não vai na mesma direção do aumento substancial do volume dos canéforas”, explica.

    O presidente do Cecafé conclui que, com menor volume de exportação de arábica no mês e no quadrimestre, “automaticamente tivemos menos ingresso de dólares, a ressaltar, ainda, a atual queda substancial nas cotações internacionais para as duas variedades”.

    Principais destinos

    Alemanha segue como o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, com a aquisição de 1,563 milhão de sacas. Esse volume representa 13,4% dos embarques totais do país no período, apesar de implicar queda de 12,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
    Os EUA aparecem na sequência, com 1,390 milhão de sacas importadas, o que significa um recuo de 41,5% ante os quatro primeiros meses de 2025 e representa 12% do total. Fechando o top 5, vêm Itália, com 1,182 milhão de sacas e alta de 3,2%; Bélgica, com 713.790 sacas e avanço de 15,4%; e Japão, com 612.720 sacas e queda de 29,7%.

    Tipos de café

    O café arábica, com 8,984 milhões de sacas, permanece como o mais exportado pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026. Esse montante equivale a 77,3% do total embarcado, mesmo representando queda de 23,4% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado.
    Na sequência, com o equivalente a 1,338 milhão de sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, que subiu 4,1% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Esse tipo de produto responde por 11,5% das exportações totais no período atual.
    Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 1,284 milhão de sacas – alta de 58,8% e 11% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 14.259 sacas (-23,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Cafés diferenciados

    Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 17,9% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de abril deste ano, com a remessa de 2,076 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 36,3% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

    A um preço médio de US$ 443,03 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 919,888 milhões, o que correspondeu a 20,5% do obtido com todos os embarques de café no primeiro quadrimestre de 2026. No comparativo anual, o valor é 34,9% menor do que o registrado nos quatro primeiros meses do ano passado.

    A Alemanha também lidera o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 268.243 sacas. Isso é equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

    Fechando o top 5, aparecem Itália, com 250.545 sacas e representatividade de 12,1%; EUA, com 240.825 sacas (11,6%). Depois Bélgica, com 220.979 sacas (10,6%). E Holanda (Países Baixos), com 145.189 sacas (7%).

    Foto: Divulgação – Ministério de Portos e Aeroportos / José Fernando Ogura / ANPr

    Portos

    O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre, com 8,678 milhões de sacas. E representatividade de 74,7% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 21,3% dos embarques ao remeter 2,476 milhões de sacas ao exterior. E o Porto de Paranaguá (PR), que embarcou 132.487 sacas e teve representatividade de 1,1%.

    O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a abril de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

  • Arábica ou Robusta? Entenda a diferença entre os tipos de café e como escolher o melhor grão

    Arábica ou Robusta? Entenda a diferença entre os tipos de café e como escolher o melhor grão

    O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por cerca de 33,3% de toda a produção global. Só no primeiro quadrimestre de 2026, o país enviou ao exterior 13,81 milhões de sacas, gerando uma receita de US$ 5,23 bilhões, segundo o Observatório do Café. Apesar disso, grande parte dos brasileiros desconhece o básico sobre o produto que está entre as bebidas mais consumidas no país, ficando atrás apenas da água.

    É nesse contexto que o Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, ganha relevância. A data serve como convite para entender o que há dentro da xícara.

    Arábica x Canéfora/Robusta: qual a diferença?

    O ponto de partida para quem quer entender o universo do café é conhecer as duas espécies mais comuns: o Arábica e o Canéfora, também chamado de Robusta ou Conilon. A explicação é de Joshua Stevens, co-fundador e coffee hunter do Café Cultura.

    O Arábica é a espécie mais cultivada no mundo e se destaca pelo perfil sensorial mais complexo. Isso se deve ao seu cultivo em altitudes superiores a 800 metros, onde a temperatura mais baixa, a maior umidade e a menor incidência de luz direta fazem com que os grãos amadureçam lentamente. O que resulta em sabores mais elaborados, com notas que vão do frutado ao floral, além de acidez equilibrada e doçura natural.

    Já o Canéfora/Robusta cresce em altitudes inferiores a 600 metros e apresenta características distintas: menos açúcar, corpo mais intenso e praticamente o dobro de cafeína em relação ao Arábica. Por essas razões, é amplamente utilizado na produção de cafés solúveis e em blends de espresso.

    Joshua Stevens apresenta os principais aspectos de cada tipo. Foto: Divulgação.

    “O Arábica é um café com perfil de sabor mais delicado, muito utilizado em cafeterias especiais. Já o Robusta tende a ser mais forte e amargo, e é mais encontrado em cafés solúveis ou blends para espresso”, explica Stevens.

    Café tradicional x café especial: o que muda na prática?

    Os chamados cafés tradicionais, aqueles vendidos em supermercados em pacotes de 250g ou 500g, são misturas de diferentes tipos de grãos, que podem incluir tanto Arábica quanto Canéfora/Robusta, ou uma combinação dos dois. O problema, segundo o especialista, está na qualidade do que vai para o pacote.

    “Esses produtos podem conter grãos verdes, defeituosos e outras impurezas. A torra excessiva e a moagem muito fina são estratégias usadas para mascarar esses defeitos. É por isso que não se encontra café tradicional em grãos no supermercado”, aponta Stevens.

    Os cafés especiais seguem um caminho oposto. Para receber essa classificação, os grãos precisam atingir pontuação acima de 80 pontos em uma escala sensorial de até 100, avaliada por especialistas certificados. O resultado é uma bebida com sabores limpos, doçura natural e aroma marcante e com origem rastreável.

    Por onde começar no mundo dos cafés especiais?

    Para quem está dando os primeiros passos, a recomendação de Stevens é começar com um café de torra média. “Se você está acostumado com o café tradicional, que é mais amargo, comece com um especial de torra média, que apresenta notas achocolatadas e corpo mais denso. Aos poucos, vá explorando diferentes origens e métodos de preparo, como o coado, a prensa francesa ou o espresso”, sugere.

    Para difundir essa cultura, o especialista tem realizado workshops sobre tipos de café em lojas do Café Cultura, com a primeira edição realizada na unidade flagship da rede, no bairro de Moema, em São Paulo.

  • Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    O cultivo de café canéfora, que abrange as variedades robusta e conilon, está se expandindo rapidamente no Brasil e ganhando espaço em regiões fora de seu berço tradicional, o Espírito Santo. O país, atualmente segundo maior produtor mundial dessa espécie, vem reduzindo a distância em relação ao Vietnã, líder global do segmento.

    De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais e Mato Grosso registraram forte crescimento na produção desde 2020. O movimento reflete os preços elevados e o aumento do consumo mundial de cafés diferenciados, fatores que motivam agricultores a apostar no canéfora.

    “O cenário é favorável para que esse avanço continue”, afirma Ricardo Schneider, presidente da Câmara de Café de Minas Gerais. Ele destaca que a demanda aquecida e a disponibilidade de áreas agrícolas impulsionam o ritmo de expansão. Analistas acrescentam que a melhora na qualidade dos grãos tem reforçado o interesse das torrefações e exportadores.

    Minas Gerais amplia aposta no canéfora

    Conhecido como o principal produtor de café arábica do país, Minas Gerais também começa a se destacar na produção de canéfora. A safra mineira deve alcançar 602,2 mil sacas de 60 quilos em 202. Um salto de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.

    Mato Grosso mira produtividade de Rondônia

    O Mato Grosso, referência na produção de grãos como soja e milho, agora mira o exemplo do vizinho Rondônia para aumentar sua produtividade no café robusta. “Nossa meta é elevar a média atual de 23 sacas por hectare para o nível de 50 sacas obtido em Rondônia”, explica Dalilhia Nazare dos Santos, engenheira agrônoma da Empaer-MT.

    A Conab projeta que o estado colha 298,7 mil sacas neste ano, ante 158,4 mil em 2020. O avanço confirma o movimento de diversificação agrícola no Centro-Oeste.

    Ceará e Norte entram no mapa do café

    O café canéfora também começa a ganhar espaço no Norte e Nordeste do país. O Ceará, por exemplo, testa o cultivo de conilon e robusta amazônico, variedade tradicionalmente produzida em Rondônia. A produção combinada de Ceará, Acre e Pará deve chegar a 118,7 mil sacas em 2026. Quase o triplo do registrado em 2020.

    “Esperamos alcançar cerca de mil hectares de café conilon até 2026, com potencial para atingir 5 mil hectares”, afirma Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio do Ceará. Ele ressalta que a proximidade de portos e infraestrutura logística coloca o estado em posição estratégica para exportar.

    Com o arábica ainda como principal variedade, o Brasil reforça sua posição de destaque no cenário internacional ao diversificar sua produção de canéfora. O país se consolida como competidor direto do Vietnã, ampliando a oferta para atender à crescente demanda global por robusta e conilon, usados em cafés solúveis e espressos.

  • Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 56,5 milhões de sacas de café de 60 quilos em 2025. O resultado marca a terceira maior safra da série histórica da instituição e representa um crescimento de 4,3% em relação a 2024, mesmo em ano de bienalidade negativa para o arábica.

    O 4º Levantamento de Café 2025, divulgado nesta quinta-feira (4), mostra que a área em produção recuou 1,2% e chegou a 1,85 milhão de hectares. Porém, a produtividade média nacional subiu para 30,4 sacas por hectare, impulsionada principalmente pelo desempenho excepcional das lavouras de conilon.

    Conilon quebra recorde histórico com 20,8 milhões de sacas

    O conilon protagoniza a safra 2025 ao atingir 20,8 milhões de sacas, superando o recorde anterior de 18,2 milhões registrado em 2022. A produção da espécie avançou 42,1% em relação ao ano passado, beneficiada pela regularidade climática que favoreceu o vigor das plantas e gerou elevada carga produtiva.

    O Espírito Santo, maior produtor nacional de conilon, colhe 14,2 milhões de sacas — um salto de 43,8% sobre 2024. A Bahia projeta 3,29 milhões de sacas, crescimento expressivo de 68,7% na comparação anual. Rondônia espera produzir 2,32 milhões de sacas, alta de 10,8% frente à temporada anterior.

    Arábica recua 9,7% pressionado por bienalidade e seca

    O arábica enfrenta um ciclo desafiador em 2025. A bienalidade negativa, somada aos períodos de escassez hídrica durante a safra, reduziu o potencial produtivo das lavouras. A área em produção caiu 1,5%, atingindo 1,49 milhão de hectares, enquanto a produtividade média despencou 8,4%, chegando a 24,1 sacas por hectare.

    Com isso, a colheita do arábica totaliza 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação à safra anterior.

    Minas Gerais, principal estado produtor do país, colheu 25,17 milhões de sacas de arábica — retração de 9,2% provocada pelo ciclo de bienalidade negativa e pelo longo período de seca antes da floração. A colheita finalizou em setembro.

    São Paulo registra 4,7 milhões de sacas, recuo de 12,9% atribuído aos efeitos da baixa bienalidade e ao clima adverso, marcado por estiagem e altas temperaturas. Na contramão, a Bahia apresenta crescimento de 2,5%, alcançando 1,14 milhão de sacas, com destaque para a região do Cerrado, que avançou 18,5%.

    Exportações batem recorde em valor apesar de volume menor

    O Brasil exportou cerca de 34,2 milhões de sacas de café entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume representa queda de 17,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

    A redução ocorre principalmente pela limitação dos estoques internos no início do ano, após o embarque recorde de 50,5 milhões de sacas em 2024.

    Apesar do volume menor, as exportações brasileiras de café somaram US$ 12,9 bilhões no acumulado dos dez primeiros meses de 2025, superando o total exportado nos 12 meses de 2024. O país estabelece um novo recorde anual mesmo sem contabilizar os dados do último bimestre.

    O crescimento no valor das exportações resulta do aumento dos preços médios do café no mercado internacional em 2025, que compensou a redução na quantidade embarcada.

    Estoque mundial atinge menor nível em 25 anos

    Análises do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) preveem aumento na produção mundial de café na safra 2025/26. No entanto, especialistas não esperam reduções expressivas nas cotações devido ao baixo patamar do estoque remanescente do ciclo anterior.

    O estoque mundial no início da safra 2025/26 é o mais baixo dos últimos 25 anos, estimado em 21,8 milhões de sacas de 60 quilos.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.

  • Espírito Santo projeta produção recorde de café em 2025

    Espírito Santo projeta produção recorde de café em 2025

    A safra de café no Espírito Santo deve crescer 23% em 2025, alcançando 17,07 milhões de sacas, destaca o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em setembro. O aumento confirma a liderança capixaba no setor, impulsionada pela forte alta da produção de café conilon.

    A produção do conilon chega a 13,8 milhões de sacas, ou 68,9% da safra nacional. O avanço é de 40,3% em relação a 2024, com produtividade média de 53,5 sacas por hectare — o melhor desempenho recente. Já o café arábica, concentrado no sul do Estado, deve totalizar 3,26 milhões de sacas, queda de 18,8% pelo ciclo bienal, que favorece a recuperação das plantas em vez da produção.

    Segundo a Conab, a ausência do El Niño, chuvas regulares e a recuperação das reservas hídricas garantiram o bom resultado do conilon. No Norte capixaba, maior polo produtor, as lavouras têm boa sanidade e um pegamento satisfatório dos frutos.

    O secretário de Agricultura do Estado, Enio Bergoli, reforça o impacto econômico da safra e a posição do Espírito Santo no mercado. Ele destaca que dados privados indicam possibilidade da safra atingir até 22 milhões de sacas, com 19 milhões de conilon.

    A colheita do conilon, iniciada em abril, já atingiu mais de 90% da área. O arábica registra cerca de 75% da área colhida até agosto, com previsão de finalização em outubro. O Espírito Santo segue como o maior produtor nacional de café conilon e o segundo maior produtor geral do Brasil.

  • Brasil exporta 2,963 milhões de sacas de café em maio, uma queda de 33% em relação à maio de 2024

    Brasil exporta 2,963 milhões de sacas de café em maio, uma queda de 33% em relação à maio de 2024

    De acordo com o boletim estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 2,963 milhões de sacas de 60 kg do produto em maio deste ano. O volume implica queda de 33,3% em relação aos 4,446 milhões registrados no mesmo mês de 2024. A receita cambial, contudo, cresceu 21,1% no mesmo intervalo comparativo, saindo de US$ 1,027 bilhão para os atuais US$ 1,243 bilhão.

    No acumulado dos 11 meses do ano safra 2024/25, o Brasil exportou 42,968 milhões de sacas de café. E obteve o valor recorde de US$ 13,691 bilhões com essas transações comerciais. Na comparação com o período de julho de 2023 a maio de 2024, essa performance representa leve recuo de 2% em volume, mas expressiva alta de 52,3%em receita

    Ano civil

    Entre janeiro e o fim de maio de 2025, os embarques brasileiros de café totalizaram 16,790 milhões de sacas, aferindo declínio de 19,2% na comparação com os cinco primeiros meses do ano passado. Já os valores arrecadados com as exportações atuais cresceram 44,3% ante 2024, alcançando US$ 6,483 bilhões, o maior montante da história para o período.

    “O recuo observado nas exportações do Brasil reflete à menor disponibilidade de café. Principalmente da espécie arábica, cuja colheita começou a ganhar corpo somente agora neste mês de junho. E o fato de nossos canéforas (conilon e robusta) estarem menos competitivos, atualmente, em relação a outras origens produtoras, como Vietnã e Indonésia”, explica o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.

    A respeito dos recordes registrados nos valores arrecadados, ele relata que resultam das cotações elevadas no mercado internacional. “Vivemos um período de perdas de potencial produtivo de café ao longo de praticamente cinco safras, devido aos extremos climáticos, com menores ofertas dos principais produtores mundiais, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Indonésia, por exemplo. Isso gerou a disparada nos preços em todo o mundo e, consequentemente, a evolução da receita cambial com nossas exportações”, analisa.

    Principais destinos

    Os Estados Unidos lideram o ranking das exportações brasileiras de café no acumulado de 2025, com a importação de 2,874 milhões de sacas até o fim de maio. Esse montante corresponde a 17,1% do total remetido pelo Brasil ao exterior e implica queda de 17,4% em relação ao mesmo intervalo de 2024.

    A Alemanha, respondendo por 12,6% dos embarques nos cinco primeiros meses deste ano, adquiriu 2,112 milhões de sacas de café, o que representa redução de 28,7% na comparação anual. Fechando o top 5, aparecem Itália, com 1,375 milhão de sacas (-17,5%); Japão, com 1,089 milhão de sacas (+10,6%); e Bélgica, com 809.897 sacas (-61,7%).

    Tipos de café

    O café arábica foi o mais exportado nos cinco primeiros meses de 2025, com as remessas ao exterior somando 14,116 milhões de sacas. O segmento do café solúvel veio na sequência, com embarques equivalentes a 1,641 milhão de sacas. Ele é seguido pela espécie canéfora (conilon + robusta), com 1,011 milhão de sacas. E pelo setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 22.128 sacas.

    Portos

    O Porto de Santos (SP) permanece como o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro quinquemestre, com o embarque de 13,562 milhões de sacas e representatividade de 80,8% no total. Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 14,9% ao enviar 2,5 milhões de sacas para fora do país. E o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 170.596 sacas e teve representatividade de 1%.

    Cafés diferenciados

    Os cafés que possuem certificados de práticas sustentáveis ou qualidade superior responderam por 22,1% das exportações totais brasileiras nos cinco primeiros meses de 2025, com a remessa de 3,703 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 7,2% inferior ao registrado no acumulado de janeiro a maio do ano passado.

    A um preço médio de US$ 440,44 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 1,631 bilhão. Isso correspondeu a 25,2% do total obtido com os embarques de café no primeiro quinquemestre do ano. No comparativo anual, o valor é 70,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2024.

    Os EUA lideraram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 709.586 sacas. Isso é o equivalente a 19,2% do total desse tipo de produto remetido ao exterior pelo Brasil. Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 514.163 sacas e representatividade de 13,9%; Bélgica, com 344.118 sacas (9,3%); Itália, com 275.403 sacas (7,4%); e Holanda (Países Baixos), com 270.114 sacas (7,3%).

    O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a maio de 2025, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

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  • Mercado de café: aumentam incertezas para safra 2025/26

    Mercado de café: aumentam incertezas para safra 2025/26

    O mercado brasileiro de café enfrenta desafios significativos, impulsionados por condições climáticas adversas e flutuações econômicas. Após um período prolongado de seca até setembro de 2024, as chuvas retornaram às regiões produtoras, beneficiando o pegamento das flores e o enchimento dos grãos. No entanto, com a volta do clima seco e quente em fevereiro, surgem incertezas sobre os impactos na safra 2025/26.

    As chuvas volumosas no início do ano foram seguidas por um retorno das condições secas e quentes no Brasil. Esse cenário levanta preocupações sobre os possíveis danos à produção futura. As projeções indicam uma queda na produção de café arábica para a safra atual, enquanto o conilon pode apresentar uma recuperação.

    Os dados do INPC mostram que o “cafezinho” está pesando mais no bolso dos brasileiros. Apesar do aumento do salário-mínimo recente, a participação do café na renda aumentou significativamente. Isso poderia impactar negativamente o consumo caso os preços continuem elevados ao longo de 2025.

    Produção Nacional: arábica em queda e conilon em recuperação

    Estimativas da Hedgepoint Global Markets apontam uma redução de 4,9% na produção arábica para a safra atual (41 milhões de sacas), influenciada pelas condições climáticas adversas e menor área plantada. Por outro lado, o conilon deve crescer cerca de 14%, atingindo aproximadamente 23 milhões de sacas.

    No entanto, baixos estoques podem limitar as exportações nos próximos meses. Grande parte da safra anterior já foi comercializada antes da colheita atual começar.

    Cenário internacional para o mercado de café

    Internacionalmente, a Indonésia deve recuperar sua produção em breve enquanto Vietnã ainda enfrenta oferta limitada. Na América Central — especialmente Honduras e México — são esperadas safras menores este ano; contudo a Colômbia pode compensar parte dessa perda com uma estimativa superior aos anos anteriores.

    Na Europa — maior consumidor global — não houve sinais expressivos até agora que indiquem queda no consumo; mas é possível que isso mude com preços elevados mantidos por tempo prolongado.

    O mercado global aponta para um déficit consecutivo desde há alguns anos. Embora seja cedo demais para fazer previsões precisas sobre outros países produtores além do Brasil.

    Entre os principais fatores monitorados estão as condições climáticas brasileiras durante esta temporada agrícola (que afetará diretamente tanto arábica quanto conilon), diferenciais nos preços entre diferentes origens produtoras globais (que podem influenciar decisões comerciais) além dos altos custos operacionais atuais que pressionam pequenos produtores locais sem grandes margens financeiras disponíveis para investimentos ou manutenção adequada das lavouras existentes hoje em dia.

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