Tag: comércio exterior

  • Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Enquanto as seleções do Brasil e Escócia se enfrentam pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo nesta quarta-feira (24), uma relação construída muito além dos gramados segue ganhando força.

    Segundo estimativas da HM Revenue & Customs, órgão do governo britânico, o comércio bilateral entre Brasil e Escócia movimenta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano.

    O agronegócio, ao lado do setor de bebidas, está entre os principais pilares dessa parceria econômica.

    Relação histórica

    Os laços entre os dois países remontam ao século XIX, quando imigrantes escoceses chegaram ao Brasil em busca de oportunidades econômicas.

    A influência escocesa alcançou diferentes setores da economia e até mesmo o esporte brasileiro. Um dos exemplos mais conhecidos é Charles Miller, descendente de escoceses responsável por introduzir o futebol no Brasil após retornar de seus estudos na Inglaterra na década de 1890.

    Com sangue escocês, Charles Miller foi o ‘pai do futebol brasileiro’ — Foto: Divulgação

    A presença escocesa também ajudou a moldar a indústria nacional. A Antarctica, atualmente pertencente à Ambev, foi fundada em 1888 com participação do escocês William Mackenzie.

    Agro lidera a relação comercial

    De acordo com James Mor-Bell, copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), o intercâmbio comercial tem apresentado crescimento consistente desde 2021.

    “As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente.”

    Em 2023, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como mercado único.

    No mesmo período, as exportações da Escócia para o Brasil alcançaram 925 milhões de libras esterlinas.

    Principais produtos exportados pelo Brasil

    Entre os produtos brasileiros enviados à Escócia estão:

    • Café
    • Minério de ferro
    • Açúcar
    • Carnes
    • Celulose

    O que a Escócia vende ao Brasil

    Os principais produtos escoceses exportados para o mercado brasileiro incluem:

    • Scotch Whisky
    • Equipamentos para petróleo e gás
    • Tecnologias offshore
    • Bens industriais
    • Serviços especializados

    “A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas.”

    O whisky escocês é feito de grãos e envelhecido em barris de carvalho por no mínimo 3 anos — Foto: Divulgação

    Mercado britânico abre espaço para o agro brasileiro

    Para os próximos anos, o agronegócio deve continuar sendo um dos principais motores da relação entre Brasil e Escócia. Apesar do tamanho reduzido do mercado escocês, o Reino Unido representa uma oportunidade mais ampla para exportadores brasileiros.

    “O país importa cerca de metade dos alimentos que consome e busca diversificar seus fornecedores.”

    Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil tem espaço para ampliar sua participação no mercado britânico.

  • JBS encerra produção voltada à China diante de tarifas

    JBS encerra produção voltada à China diante de tarifas

    A JBS, uma das maiores empresas globais do setor de carne bovina, deve interromper a partir deste sábado (20) a produção de cortes específicos destinados ao mercado chinês. A medida busca evitar que cargas brasileiras desembarquem na China após o preenchimento da cota de importação, o que resultaria em elevadas sobretaxas.

    Segundo Renato Costa, CEO da Friboi, marca pertencente ao grupo JBS, a companhia passará a priorizar a logística de exportação e a organização dos embarques.

    “Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar embarques, não produção. Então, a partir do dia 20, concentra os embarques, define os portos, organiza, porque se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta”, afirmou o executivo.

    De acordo com estimativas da indústria, as exportações brasileiras seguem seguras até o final de junho, sem risco de ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para 2026. No entanto, dados consolidados pelo governo chinês indicam que o Brasil já havia utilizado mais de 50% do volume autorizado até 9 de maio.

    Além disso, o elevado número de cargas em trânsito aumenta a cautela entre frigoríficos e importadores. Somente no mês passado, o Brasil embarcou quase 154 mil toneladas de carne bovina para o mercado externo.

    Costa alertou que o impacto tarifário pode inviabilizar operações fora da cota.

    “O que entra hoje é 12% dentro da cota, fora da cota são mais 55%, vai para 67%. Aí realmente inviabiliza”, destacou.

    No início de junho, algumas plantas habilitadas para exportar à China já haviam reduzido o ritmo de abates e a produção de cortes específicos destinados ao país asiático.

    Estratégias variam

    Além de comandar a Friboi, Renato Costa preside o conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Segundo ele, cada empresa vem adotando estratégias próprias diante da proximidade do esgotamento da cota chinesa.

    “Nós, como JBS, não vemos impacto de volume, nós distribuímos isso. Já o preço é o mercado que vai ditar”, afirmou.

    Por outro lado, o executivo reconheceu que não há expectativa de ampliação da cota brasileira ainda em 2026. Mesmo assim, o setor produtivo e o governo brasileiro solicitaram às autoridades chinesas a redistribuição de volumes não utilizados por outros países exportadores.

    A cota total destinada a todos os fornecedores internacionais soma 2,6 milhões de toneladas.

    “O ministro [da Agricultura] André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Aí a gente vê como possibilidade, mas dentro desse ano, não”, explicou.

    Enquanto isso, a China informou nesta quinta-feira (18) que a Austrália atingiu integralmente sua cota de 205 mil toneladas. Dessa forma, a partir de sábado (20), as cargas australianas que chegarem aos portos chineses passarão a pagar uma sobretaxa de 55%.

    Mudanças de hábitos alimentares favorecem consumo de proteína

    Outro fator apontado pela companhia para o fortalecimento das vendas é a mudança nos hábitos de consumo da população, incluindo o uso crescente das chamadas canetas para emagrecimento.

    Segundo Costa, esse movimento tem reforçado a procura por alimentos ricos em proteína.

    “Isso tem tido um efeito e vem comprovar o que a gente sempre acreditou, que a proteína é a principal fonte de tudo, de energia do corpo humano como um todo. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas”, concluiu.

  • Frigoríficos brasileiros negociam retomada de embarques à Venezuela

    Frigoríficos brasileiros negociam retomada de embarques à Venezuela

    O Brasil intensificou os esforços para retomar as exportações de carne bovina para a Venezuela, mercado que já esteve entre os principais destinos do produto brasileiro no exterior. Nesta semana, uma missão multissetorial organizada pelo Ministério das Relações Exteriores cumpre agenda em Caracas para discutir oportunidades comerciais.

    As vendas de carne bovina brasileira para o país vizinho permanecem praticamente interrompidas desde meados de 2015. Naquele período, a forte queda dos preços internacionais do petróleo, somada ao início das sanções impostas pelos EUA, agravou a crise econômica venezuelana e reduziu significativamente o poder de compra local.

    Antes desse cenário, a Venezuela representava um mercado relevante para a proteína brasileira. Em 2014, auge da relação comercial entre os dois países nesse segmento, os embarques alcançaram 160 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 852 milhões.

    A programação, iniciada nesta semana, inclui encontros de negócios entre empresas brasileiras e venezuelanas. Durante as reuniões, os participantes avaliam possibilidades de ampliação do comércio bilateral e oportunidades de investimentos.

    Consumo ainda é desafio para o setor

    Apesar das perspectivas positivas, a retomada do mercado enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão a continuidade das dificuldades econômicas no país e o baixo consumo de carne bovina pela população.

    Antes da crise, cada venezuelano consumia, em média, 21 quilos de carne bovina por ano. No entanto, esse volume caiu drasticamente nos anos seguintes. Em 2019, o consumo per capita atingiu apenas três quilos por habitante.

    Desde então, houve recuperação gradual. Ainda assim, a média atual permanece em torno de nove quilos por pessoa ao ano, número bastante inferior ao registrado no Brasil, onde o consumo médio anual é de aproximadamente 35 quilos por habitante.

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    Mercado estratégico para a carne brasileira

    Mesmo diante das dificuldades, a indústria exportadora considera que a Venezuela continua oferecendo oportunidades relevantes no longo prazo.

    Segundo Julio Ramos, diretor de Assuntos Estratégicos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e integrante da missão empresarial em Caracas, o mercado vizinho não deve ser ignorado.

    “Temos uma tendência natural de olhar para mercados muito distantes, e, muitas vezes, deixamos de observar oportunidades importantes em nossa própria região. A Venezuela já foi um grande mercado para a carne bovina brasileira e continua sendo um país estratégico”, afirmou.

    Além disso, a estrutura exportadora já está preparada para atender uma eventual ampliação da demanda. Atualmente, quase 80 frigoríficos brasileiros possuem habilitação para exportar carne bovina ao mercado venezuelano.

    De acordo com dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne estatísticas do comércio exterior do agronegócio, a Venezuela importou 25,3 mil toneladas de carne bovina brasileira entre 2016 e 2026.

  • Trump acusa Brasil de usar trabalho forçado na pecuária e propõe nova tarifa

    Trump acusa Brasil de usar trabalho forçado na pecuária e propõe nova tarifa

    Os Estados Unidos voltaram a direcionar críticas à produção agropecuária brasileira ao relacionar a pecuária de corte do país ao uso de trabalho forçado. Além disso, o governo norte-americano propôs a criação de uma tarifa adicional de 12,5% para países que, segundo sua avaliação, não impedem adequadamente a importação de mercadorias produzidas sob essas condições.

    Apesar da proposta, a carne bovina aparece entre os produtos que devem permanecer isentos da nova cobrança tarifária — Foto: MAPA

    A iniciativa foi apresentada nesta terça-feira (2), após uma investigação conduzida pelas autoridades americanas concluir que 60 países, incluindo o Brasil, não adotam medidas consideradas suficientes para bloquear a entrada de produtos vinculados ao trabalho forçado.

    Além do Brasil, a lista inclui a China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina e maior compradora do produto nacional.

    Pecuária brasileira na mira

    O relatório que fundamenta a proposta dedica um capítulo específico à pecuária brasileira. Segundo o documento, a suposta utilização de trabalho escravo na cadeia produtiva do gado teria contribuído para reduzir a competitividade da carne congelada dos Estados Unidos no mercado chinês.

    De acordo com a nota divulgada, “está amplamente documentado que trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”.

    Além disso, o relatório afirma que “a falha da China em impor e aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de carne bovina congelada produzida com trabalho forçado no Brasil conferiu uma vantagem de custo à carne brasileira e distorceu a concorrência”.

    Dessa forma, o governo americano sustenta que a ausência de restrições mais rígidas por parte dos países importadores teria favorecido a competitividade da carne brasileira em mercados estratégicos.

    Mesmo com as acusações apresentadas no documento, a proposta prevê que a carne bovina permaneça fora da lista de produtos sujeitos à tarifa adicional.

  • Brasil terá recorde de empresas na maior feira de alimentos da Ásia

    Brasil terá recorde de empresas na maior feira de alimentos da Ásia

    O Brasil terá participação recorde na Sial China 2026, considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das principais do mundo. Ao todo, 82 empresas brasileiras exportadoras estarão presentes no evento, que começa nesta segunda-feira (18), em Xangai. A expectativa do setor é movimentar cerca de US$ 3,3 bilhões em negócios.

    O ministro da Agricultura, André de Paula, também participará da feira em sua primeira missão internacional desde que assumiu o cargo. Após a agenda em Xangai, ele seguirá para Pequim, onde se reunirá com representantes do governo chinês para discutir novas aberturas de mercado e melhorias nas relações comerciais entre os países, incluindo a flexibilização da cota de importação de carne bovina brasileira.

    A Sial China é vista como estratégica para ampliar a presença dos produtos brasileiros não apenas entre importadores chineses, mas também junto a compradores de diferentes países asiáticos. O maior espaço será dedicado à carne bovina, sob coordenação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, com a participação de 25 frigoríficos.

    O projeto Brazilian Beef, criado pela entidade para promover a carne bovina brasileira no exterior, contará com um estande de mais de 1,2 mil metros quadrados. Na edição passada da feira, os negócios fechados durante o evento somaram US$ 265,2 milhões, enquanto a projeção para os 12 meses seguintes alcançou US$ 2,24 bilhões.

    Estratégia para o agronegócio brasileiro

    O evento também contará com um espaço exclusivo para o Programa Cooperar para Exportar, iniciativa voltada à internacionalização de cooperativas da agricultura familiar. Nesta edição, 10 cooperativas brasileiras apresentarão produtos como cafés especiais, açaí, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e alimentos ligados à biodiversidade brasileira.

    Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a missão reforça a importância estratégica da China para o agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para produtos de maior valor agregado.

    “A China é um parceiro estratégico para o Brasil e esta missão representa mais um passo importante na diversificação e agregação de valor das exportações brasileiras. Estamos ampliando a presença de empresas brasileiras no mercado chinês, fortalecendo setores tradicionais e abrindo espaço para cooperativas, agricultura familiar e produtos de maior valor agregado. O número recorde de empresas na Sial demonstra a confiança do setor produtivo brasileiro no potencial desse mercado”, afirmou.

    Atualmente, a China lidera como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o país asiático importou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% de todas as exportações do setor. Entre 2019 e 2025, o mercado chinês abriu 25 novas oportunidades para produtos brasileiros, incluindo itens do complexo soja, proteínas animais, gergelim, farinha de aves e suínos, além de DDG de milho utilizado na alimentação animal.

  • Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Dois dos maiores produtores agrícolas do hemisfério sul decidiram sentar à mesa para construir algo maior do que uma simples troca comercial. Brasil e África do Sul assinaram, nesta quinta-feira (30), um Memorando de Entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação agropecuária bilateral. O destaque fica para a defesa sanitária animal e para a ampliação de oportunidades em setores estratégicos do agro.

    Do lado brasileiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou o documento. Do lado sul-africano, o ministro da Agricultura, John Steenhuisen. No centro das negociações, um tema que o Brasil conhece bem e que ainda preocupa o sul do continente africano: a febre aftosa.

    Brasil como referência global em sanidade animal

    Não é por acaso que a África do Sul buscou o Brasil como parceiro técnico nessa área. Afinal, o país conquistou, junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o status de território livre de febre aftosa sem vacinação. Trata-se de um dos patamares mais elevados de reconhecimento sanitário no mundo. Chegar a esse ponto levou décadas de investimento em vigilância, rastreabilidade e políticas públicas de defesa agropecuária.

    Agora, essa experiência pode ser transferida. O governo sul-africano demonstrou interesse direto em aprender com o modelo brasileiro para estruturar um plano regional de combate à doença. Vale lembrar que a febre aftosa ainda provoca impactos econômicos relevantes em boa parte do sul da África. “Estamos aqui para aprender com a experiência brasileira e buscar apoio no enfrentamento da febre aftosa”, afirmou o ministro John Steenhuisen.

    André de Paula, por sua vez, reforçou o papel estratégico da parceria: “A garantia da segurança alimentar no mundo é uma prioridade do governo brasileiro e representa um ponto de convergência importante com a África do Sul”. Além da febre aftosa, o acordo também abre espaço para cooperação no monitoramento da influenza aviária. Essa é outra preocupação crescente para produtores de proteína animal em escala global.

    O que está na mesa além da sanidade

    Saúde animal é o núcleo do acordo, mas está longe de ser o único tema. Os dois países mapearam oportunidades concretas em pelo menos cinco segmentos: proteínas animais, frutas cítricas, fertilizantes, máquinas agrícolas e genética animal e vegetal.

    Para que esse comércio funcione com mais agilidade, o acordo prevê ainda o aprimoramento dos mecanismos de diálogo em medidas sanitárias e fitossanitárias, o chamado sistema SPS. Na prática, isso significa reduzir o tempo de resolução de barreiras técnicas que costumam travar exportações. Quando essas barreiras persistem, o prejuízo ao setor pode ser considerável.

    Uma das propostas mais concretas do encontro foi a criação de um Corredor de Biosseguridade Brasil–África do Sul. A ideia é montar uma estrutura capaz de reduzir o risco de interrupções no fluxo comercial em casos de surtos sanitários. Esse tipo de evento, quando ocorre, pode fechar mercados da noite para o dia.

    Por que esse acordo importa para o produtor brasileiro

    Em um cenário em que o agronegócio brasileiro segue expandindo sua presença internacional, acordos como este têm peso direto na competitividade do setor. A África do Sul representa uma porta de entrada relevante para o continente africano, um mercado em crescimento que ainda importa volumes consideráveis de proteína animal, insumos e tecnologia agrícola.

    No entanto, o valor estratégico do acordo vai além dos números imediatos. Ao se posicionar como referência técnica em sanidade animal, o Brasil fortalece sua credibilidade internacional. Assim, amplia também sua capacidade de negociar acesso a mercados com mais solidez. Ser reconhecido como o país que ensina a combater a febre aftosa tem um peso diplomático e comercial que nenhuma campanha publicitária compra.

    Por fim, a cooperação entre Brasil e África do Sul reforça uma tendência crescente: o hemisfério sul construindo alianças próprias em torno de agendas produtivas. Para o agro brasileiro, essa aproximação chega em um momento estratégico.

  • Operação comum no agro vira alvo da Receita, mas CARF cancela multa de R$ 55 milhões

    Operação comum no agro vira alvo da Receita, mas CARF cancela multa de R$ 55 milhões

    Uma decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) chamou a atenção do setor de comércio exterior e do agronegócio ao cancelar uma multa superior a R$ 55 milhões aplicada à multinacional Cofco, uma das maiores companhias de alimentos do mundo.

    O caso envolve operações no modelo “back to back”, bastante utilizadas em cadeias globais de suprimentos, mas que seguem gerando divergências com a Receita Federal.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil movimenta cifras expressivas no comércio internacional, com mais de US$ 82 bilhões em exportações e US$ 68 bilhões em importações. Nesse cenário, a logística se torna peça central, mas também foco de disputas fiscais relevantes.

    Operação logística virou alvo da Receita

    A autuação teve origem em uma operação envolvendo a Cofco na Suíça e sua subsidiária no Brasil. A empresa europeia comprou trigo de um fornecedor na Argentina e revendeu o produto para a unidade brasileira.

    Por eficiência logística, a carga foi enviada diretamente da Argentina para o Brasil, sem transitar fisicamente pela Suíça.

    A Receita Federal entendeu que a estrutura poderia configurar simulação, com o objetivo de transferir lucros para um país com tributação favorecida. No entanto, o relator do caso no CARF, o conselheiro Mateus Soares de Oliveira, apresentou entendimento contrário.

    “Não há lógica do produto ter que ser deslocado para a Suíça e, posteriormente, remetido ao Brasil”, afirmou. Ele destacou ainda que o custo de frete de um único navio entre Rosário e Paranaguá ultrapassava US$ 400 mil à época.

    CARF reconhece legalidade da operação

    Ao analisar o caso, formalizado pelo Acórdão nº 3401-014.264, o colegiado do CARF decidiu, por maioria, cancelar integralmente a multa.

    O entendimento seguiu a linha de que a operação possui fundamento econômico e logístico válido, afastando a acusação de irregularidade fiscal.

    Segundo o relator, estruturas como essa são comuns no comércio internacional e refletem uma busca por eficiência operacional. “As operações ‘back to back’ são legais e realizadas no mundo inteiro”, destacou.

    Ele também apontou fatores estratégicos que justificam a escolha da Suíça como base operacional, como estabilidade econômica, segurança jurídica, acesso a mercados globais e eficiência nas operações financeiras.

    Modelo “back to back” cresce no agro

    O formato “back to back” tem ganhado espaço entre empresas do agronegócio e do supply chain global. Nesse modelo, uma empresa intermedeia a negociação entre dois países, sem que a mercadoria circule fisicamente por seu território.

    A estratégia permite:

    • Redução de custos logísticos

    • Ganhos de escala e eficiência

    • Centralização de operações globais

    • Melhor gestão financeira e comercial

    Apesar disso, o modelo ainda enfrenta resistência por parte da fiscalização, principalmente em situações com margens reduzidas ou inconsistências documentais.

    Decisão acende alerta no setor

    Mesmo com a decisão favorável à Cofco, o caso evidencia um ponto crítico para empresas que atuam no comércio exterior.

    A Receita Federal tem adotado entendimento rigoroso em situações onde identifica possível ausência de propósito negocial, podendo aplicar multas que chegam a 100% do valor aduaneiro.

    Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de:

    • Comprovar o propósito econômico das operações

    • Garantir consistência nas informações de comércio exterior

    • Investir em compliance e governança

    Na prática, a decisão do CARF traz alívio, mas também reforça que operações globais exigem cada vez mais transparência e estrutura técnica para evitar riscos fiscais.

  • Brasil lança plataforma digital para mapear oportunidades de exportação com União Europeia

    Brasil lança plataforma digital para mapear oportunidades de exportação com União Europeia

    O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou nesta sexta-feira, 16 de janeiro, o Painel de Oportunidades Mercosul–União Europeia. A plataforma digital reúne dados do comércio entre os dois blocos e mapeia as oportunidades que o acordo comercial cria para exportadores brasileiros.

    A ferramenta consolida informações sobre países compradores, produtos que o Brasil exporta, distribuição regional das vendas externas, tarifas vigentes e o cronograma de redução tarifária previsto no tratado. O sistema busca apoiar exportadores brasileiros e orientar políticas públicas de comércio exterior.

    “O acordo com a União Europeia é o mais relevante que o Mercosul já firmou. Para que ele alcance todo o seu potencial, precisamos transformar os compromissos assumidos em oportunidades concretas. O Painel representa uma primeira contribuição em um esforço contínuo de implementação do acordo a partir de sua assinatura. Ele organiza informações estratégicas e as coloca à disposição de quem decide, produz e exporta”, afirmou Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC.

    Democratização de dados estratégicos

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) desenvolveu o painel como instrumento de política pública para democratizar o acesso à informação, reduzir assimetrias e apoiar decisões de empresas, estados e entidades setoriais.

    “Ao dar transparência aos ganhos tarifários, aos prazos de eliminação das tarifas e aos fluxos comerciais, a ferramenta fortalece a implementação do acordo e orienta políticas públicas de apoio às exportações”, destacou a secretária.

    A visualização por Unidade da Federação permite identificar como cada estado já atua no mercado europeu e onde estão as novas possibilidades de expansão, alinhando a política comercial ao desenvolvimento regional. Com filtros que cruzam estado e produto, o painel apoia o planejamento estratégico e contribui para decisões baseadas em dados.

    Indústria de alimentos projeta incremento de até R$ 3,5 bilhões ao ano com acordo

    A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) avalia o Acordo Mercosul-União Europeia como um instrumento estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar, da previsibilidade comercial e da capacidade de agregação de valor das cadeias produtivas.

    A entidade destaca que o valor econômico central do acordo reside menos na redução tarifária isolada e mais na previsibilidade institucional, na estabilidade das regras de acesso a mercado e na mitigação de incertezas regulatórias. Fatores decisivos para a atração de investimentos produtivos de médio e longo prazo.

    Projeções de crescimento para o setor alimentício

    Projeções setoriais indicam que, uma vez implementado, o acordo poderá elevar as exportações brasileiras de alimentos industrializados para a União Europeia entre 1% e 2% no curto prazo. E entre 3% e 5% no médio prazo e entre 6% e 8% no longo prazo.

    Esses percentuais correspondem a incrementos anuais estimados entre R$ 400 milhões e R$ 3,5 bilhões. Com potencial de sustentar entre 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo. Isso associados a investimentos, ganhos de produtividade e maior agregação de valor.

    Resiliência em cenário internacional instável

    Em um cenário internacional caracterizado por instabilidade geopolítica, choques climáticos, fragmentação do comércio e uso crescente de barreiras comerciais, o acordo amplia a resiliência dos sistemas de abastecimento ao consolidar regras estáveis de acesso a um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo.

    O tratado integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo. E consolida o acesso a mercados de elevado poder aquisitivo e alta densidade regulatória. Portanto, com efeitos diretos sobre a sofisticação da pauta exportadora, a diferenciação de produtos e a inserção da indústria brasileira em segmentos de maior valor agregado.

    Ao reforçar a previsibilidade regulatória, a cooperação institucional e a integração entre cadeias produtivas, o Acordo Mercosul–União Europeia contribui para a resiliência dos sistemas alimentares. E também para o fortalecimento da segurança alimentar em ambos os blocos.

    O acordo amplia oportunidades de internacionalização e estimula investimentos em segmentos associados à bioeconomia, a ingredientes alimentares e a alimentos processados de maior valor agregado. Além de criar um ambiente mais favorável à inovação industrial.

    Relevância da indústria alimentícia brasileira

    A indústria brasileira de alimentos constitui um dos principais pilares estruturais da economia nacional. Em 2024, o setor registrou faturamento aproximado de R$ 1,27 trilhão. Isso é o equivalente a 10,8% do Produto Interno Bruto, mantendo-se como o maior segmento da indústria de transformação.

    O setor emprega diretamente cerca de 2,1 milhões de trabalhadores formais, processa aproximadamente 62% da produção agropecuária brasileira. E desde 2022 lidera as exportações mundiais de alimentos industrializados em volume.

    Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 66,8 bilhões, dos quais cerca de US$ 8,7 bilhões tiveram como destino a União Europeia. O que reforça a relevância estratégica do acordo para o setor.

  • Certificação de ração animal para exportação fica mais rápida no Brasil

    Certificação de ração animal para exportação fica mais rápida no Brasil

    O prazo para emissão do certificado sanitário de exportação de ração animal caiu de 15 para 5 dias no Brasil. Ou seja, a redução resulta de medidas de desburocratização adotadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), garantindo economia de tempo e redução de custos para exportadores.

    A implementação do Portal Único do Comércio Exterior acelerou o processo, com participação do MDIC, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Receita Federal. O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou a agilidade conquistada. “O que levava 15 dias, agora é feito em cinco, mantendo todas as garantias sanitárias. Estamos reduzindo prazos e facilitando a vida do setor produtivo”, afirmou.

    Entenda o processo

    Antes das mudanças, o procedimento exigia etapas burocráticas, como abertura de processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e envio manual de documentos. Porém, agora, a solicitação e emissão ocorrem de forma automatizada no Portal Único, sem necessidade de anexar PDFs. A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, ressaltou que a documentação fica centralizada e integrada, garantindo segurança e eficiência ao processo.

    Além disso, o certificado sanitário internacional assegura que os alimentos atendem aos padrões exigidos pelos países importadores. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou os impactos positivos da mudança. “Essa eficiência gera novas oportunidades, dinamiza a comercialização, estimula investimentos e cria empregos”, disse.

    Exportação de ração

    Em 2024, as exportações brasileiras de ração para pets cresceram 14% em relação a 2023. Em geral, os principais destinos são Colômbia, Uruguai e Chile. Já a Indonésia lidera a compra de ração para pecuária de corte, especialmente para frangos de abate.

    O Brasil ocupa a terceira posição na produção mundial de ração animal. Em 2024, a fabricação nacional cresceu 3% em comparação ao ano anterior, alcançando um recorde de 85 milhões de toneladas.

    Portal Único

    Criado para reduzir burocracia e custos no comércio exterior, o Portal Único substitui gradualmente o antigo Siscomex. Desde 2014, o governo federal implementa o sistema de forma modular. Atualmente, 100% das exportações utilizam a nova plataforma, que será totalmente integrada às importações até o fim do ano. Portanto, a expectativa é que as mudanças gerem uma economia anual superior a R$ 40 bilhões para os operadores privados.

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  • Brasil aumenta exportação de frutas em 49% em dez anos

    Brasil aumenta exportação de frutas em 49% em dez anos

    As exportações brasileiras de frutas frescas e secas registraram um crescimento notável de 49% na última década, saltando de 733,2 milhões de toneladas em 2014 para 1,1 bilhão de toneladas em 2024. Os dados são do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Apesar de um crescimento relativamente menor se comparado aos números totais do agronegócio, este volume evidencia a relevância da fruticultura para a economia nacional, caracterizada pela produção familiar, geração de empregos, valorização de produtos com alto valor agregado e diversificação da economia agrícola.

    Em termos financeiros, as exportações de frutas geraram US$ 1,3 bilhão em 2024, em comparação com US$ 840,8 milhões em 20145. O agronegócio como um todo apresentou um montante de US$ 164,4 bilhões em 2024 e US$ 140,8 bilhões há dez anos.

    Entre as frutas frescas mais exportadas, destacam-se manga, limão e lima, melão, mamão e melancia5. No entanto, banana, maçã e uva sofreram impactos negativos devido a condições climáticas adversas.

    Principais destinos

    Os principais destinos das frutas brasileiras em 2024 foram os Países Baixos (37%), Reino Unido (15%), Estados Unidos (13%) e Espanha (10%). A Argentina, na América do Sul, importou 3,3% das frutas exportadas.

    O aumento das exportações impulsiona a economia local, diversifica os produtos agrícolas e garante uma oferta contínua ao longo do ano5. Muitos pequenos e médios produtores adotam práticas sustentáveis, recebendo incentivos para a produção de qualidade5. A expectativa para 2025 é de que as exportações continuem a crescer, impulsionadas pelo dólar valorizado e pela retomada da produção de algumas culturas.

    A Abrafrutas, em parceria com a ApexBrasil, busca fortalecer a expansão das exportações de frutas brasileiras através de ações estratégicas junto aos fruticultores. O objetivo é aumentar o volume de exportações, ampliar a base de clientes e fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global.

    Para os próximos anos, os principais desafios do setor incluem agregar valor ao produto e utilizar tecnologias para minimizar os danos climáticos.

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