Tag: citricultura

  • Prêmio de citricultura abre inscrições com foco em inovação

    Prêmio de citricultura abre inscrições com foco em inovação

    O Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico (IAC), abriu as inscrições para o Prêmio Centro de Citricultura 2026. O prazo segue até 23 de abril. A premiação acontece em 26 de maio, durante a abertura da 51ª Expocitros, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, o tema é “Inovação para o Futuro da Citricultura”, com foco em iniciativas que geram impacto direto na cadeia produtiva.

    Criado em 1997, o prêmio se consolidou como um dos principais reconhecimentos da citricultura brasileira. Ao longo dos anos, a iniciativa destacou projetos, profissionais e instituições que contribuíram para o avanço do setor. Além disso, reforçou a importância da tecnologia e da pesquisa no campo.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., o objetivo é valorizar quem impulsiona mudanças reais na atividade. “O prêmio busca identificar e reconhecer iniciativas que fortaleçam a modernização e a competitividade da citricultura”, afirma.

    Critérios valorizam tecnologia e impacto no campo

    Podem participar pessoas físicas, instituições públicas ou privadas e também projetos ligados ao setor. No entanto, a organização prioriza iniciativas com resultados comprovados. Entre os critérios, estão a adoção de tecnologias, o desenvolvimento de soluções práticas e a criação de redes de cooperação.

    Para se inscrever, o interessado deve enviar um documento de até duas páginas por e-mail. O material precisa apresentar o perfil do candidato ou da iniciativa. Também deve detalhar os avanços inovadores e justificar a relevância da contribuição.

    Foto: Expocitros/ Divulgação

    Além disso, o edital recomenda o uso de dados objetivos. Sempre que possível, o participante deve incluir evidências que comprovem o impacto da proposta no setor.

    Um comitê formado por especialistas vai analisar as indicações. O grupo avaliará inovação, impacto e contribuição para o futuro da citricultura. Depois disso, a diretoria do Centro de Citricultura define o vencedor.

    Histórico reforça importância do reconhecimento

    Nas últimas edições, o prêmio destacou diferentes elos da cadeia citrícola. Em 2025, a organização reconheceu a equipe da Expocitros, pelos 50 anos da feira. Já em 2024, o destaque foi a empresa Solo Sagrado. Antes disso, a Fundação Solidaridad recebeu o prêmio em 2023.

    O Programa Globo Rural foi homenageado em 2022. Em 2021, o reconhecimento ficou com o Centro de Ciências Agrárias da UFSCar. Esses exemplos mostram a diversidade de iniciativas que movimentam o setor.

    Com isso, a edição de 2026 deve ampliar ainda mais o alcance do prêmio. A expectativa é destacar soluções inovadoras diante de desafios como clima, produtividade e sustentabilidade.

    A cerimônia de premiação ocorre na abertura da Expocitros. O evento começa às 9h e reúne especialistas, produtores e empresas do setor.

  • Além dos grãos: maiores fazendas de frutas do mundo estão no Brasil

    Além dos grãos: maiores fazendas de frutas do mundo estão no Brasil

    O mercado conhece o Brasil como potência em grãos, carne e commodities tradicionais. Poucos sabem que o país lidera outro segmento com números ainda mais impressionantes: a fruticultura. O território brasileiro concentra as maiores fazendas de frutas do planeta, operações que colhem milhões de unidades mensalmente e abastecem os cinco continentes.

    Levantamentos setoriais do agronegócio e dados de empresas líderes comprovam: o Brasil não apenas produz em grande escala – define padrões globais de eficiência, tecnologia e logística agrícola.

    Citrosuco domina 25% do suco de laranja consumido no mundo

    A citricultura brasileira não tem rival. O país abriga a maior operação de laranja do mundo, um sistema integrado que une produção agrícola, processamento industrial e distribuição internacional. A Citrosuco comanda esse domínio: a empresa responde por 25% de todo o suco de laranja consumido globalmente e detém quase 50% da produção nacional.

    A companhia opera 25 fazendas de laranja em São Paulo e Minas Gerais. Essas propriedades somam mais de 80 mil hectares de pomares, número que cresce quando a empresa contabiliza os produtores parceiros que abastecem suas três grandes unidades industriais.

    A logística impressiona tanto quanto os números de produção. A Citrosuco mantém terminais portuários próprios no Brasil, Estados Unidos, Bélgica, Japão e Austrália. A empresa também opera uma frota exclusiva de seis navios desenvolvidos especificamente para transportar suco de laranja a granel.

    Cada laranjeira nas fazendas possui identificador individual. Drones, sensores e sistemas digitais monitoram pragas, nutrição e produtividade planta a planta. Esse controle transformou a empresa na primeira operação de citricultura totalmente digital do mundo. Inteligência artificial auxilia decisões de manejo, reduz custos e mitiga impactos ambientais – agricultura de escala global com precisão cirúrgica.

    Só Coco colhe 1 milhão de cocos por dia na maior fazenda do mundo

    Do litoral à Amazônia, o Brasil também lidera a produção de coco. A Só Coco, fundada no fim dos anos 1970 em Moju (PA), a 100 quilômetros de Belém, administra a maior fazenda de coco do planeta.

    Foto: Divulgação – Mapa

    A empresa gerencia aproximadamente 20 mil hectares. Desse total, 6 mil hectares abrigam coqueiros, mais de 15,5 milhões de árvores em produção. Outros 14 mil hectares destinam-se exclusivamente à preservação ambiental, um dos maiores exemplos brasileiros de equilíbrio entre produção em larga escala e conservação.

    Em períodos de pico, a colheita ultrapassa 1 milhão de cocos diários. A empresa utiliza variedades híbridas, que cruzam coqueiros gigantes e anões. Enquanto um coqueiro tradicional produz entre 40 e 120 frutos anuais, os híbridos da Só Coco alcançam até 220 frutos por planta. Essas variedades também entram em produção mais cedo e atendem tanto ao mercado de água de coco quanto ao de coco seco.

    O modelo se espalhou nacionalmente. Atualmente, cerca de 70% da área cultivada com coco no Brasil utiliza variedades híbridas semelhantes às adotadas pela Só Coco. Um novo padrão produtivo nacional.

    Shutz Agroambiental implanta maior fazenda de açaí do mundo no Amapá

    O açaí representa outro capítulo dessa liderança. Tradicionalmente consumido por povos indígenas, o fruto amazônico conquistou mercados na Europa, América do Norte e Ásia. Empresas como a Açaí Amazonas cultivam açaizais irrigados em áreas antes degradadas, recuperam solos improdutivos e os transformam em sistemas agrícolas eficientes e exportadores.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O projeto mais ambicioso do setor pertence à Shutz Agroambiental. A empresa implanta no Amapá o que promete ser a maior fazenda de açaí do mundo. O empreendimento ocupa milhares de hectares em região com índices pluviométricos superiores a 4.000 mm anuais, o que permite cultivo sem irrigação artificial.

    Atualmente, a fazenda conta com mais de 2 milhões de palmeiras de açaí plantadas em aproximadamente 2.730 hectares. O modelo consolida produção sustentável, de baixo impacto e altamente competitiva no mercado internacional.

    Fazenda Jabuticabal reúne 42 mil pés da fruta símbolo do Brasil

    A jabuticaba, fruta-símbolo brasileira, também brilha nos recordes mundiais. A maior plantação de jabuticaba do planeta fica em Goiás, a poucos quilômetros de Goiânia. A história da Fazenda Jabuticabal começou em 1947, quando Antônio Batista da Silva, então pedreiro e feirante, plantou as primeiras mudas ao observar o crescimento urbano da capital goiana.

    Foto: Jabuticaba – Embrapa/Neide Makiko Furukawa

    Décadas depois, a iniciativa familiar tornou-se gigante agrícola. Hoje, a fazenda abriga mais de 42 mil pés de jabuticaba distribuídos em 130 hectares. Muitas árvores descendem diretamente das plantadas nos anos 1940. Durante a safra, entre setembro e outubro, o local vira polo de turismo rural e recebe visitantes que colhem e consomem a fruta diretamente do pé.

    Com o aumento da produção, a família passou a industrializar o excedente. Atualmente, a fazenda produz geleias, doces, sorvetes, cachaças, cappuccinos e até molhos para churrasco – todos derivados da jabuticaba. A diversificação agrega valor e amplia a cadeia econômica da fruta.

    Brasil se consolida como maior laboratório de fruticultura global

    Laranja, coco, açaí e jabuticaba demonstram: o Brasil não é apenas grande produtor agrícola, é o maior laboratório de fruticultura em escala global. A combinação de áreas gigantescas, tecnologia digital, logística internacional e modelos sustentáveis coloca o país no centro da produção mundial de frutas.

    Mais do que números impressionantes, essas fazendas revelam um agronegócio que une tradição, inovação e responsabilidade ambiental. Uma questão permanece: o Brasil já reconhece o tamanho do poder estratégico que detém ao dominar a maior produção de frutas do planeta?

  • Frio intenso ameaça pomares de laranja na Flórida

    Frio intenso ameaça pomares de laranja na Flórida

    O estado da Flórida, nos Estados Unidos, registra temperaturas extremamente baixas desde o fim de janeiro. Além disso, o início de fevereiro mantém o clima muito frio na região. Os pesquisadores do Cepea avaliam os efeitos desse cenário no setor citrícola. Eles relatam forte preocupação com a já limitada produção local.

    A atual onda de frio amplia os riscos para os pomares. As temperaturas abaixo do ponto de congelamento prejudicam as árvores. O problema ocorre quando o frio dura mais de quatro horas. Nessas condições, as plantas sofrem danos significativos em sua estrutura.

    O frio intenso afeta células do tronco e dos galhos. Ele também compromete folhas e frutos das laranjeiras. Diante desse quadro, citricultores adotam medidas de proteção nas lavouras.

    Os produtores utilizam irrigação por aspersão para proteger os pomares. A técnica forma uma camada isolante de gelo sobre as plantas. Além disso, agricultores recorrem ao uso de aquecedores nos campos. Mesmo assim, o Cepea alerta para a eficácia limitada dessas estratégias. As medidas funcionam melhor em períodos curtos de frio. Entretanto, o frio intenso por muito tempo reduz os resultados.

    Nesta semana, as temperaturas voltaram a subir na Flórida. Além disso, chuvas devem ocorrer nos próximos dias na região. A mudança acontece com a chegada de uma nova frente fria. Apesar da melhora no clima, os impactos ainda são incertos. Somente com o passar dos dias o setor avaliará os prejuízos. Assim, produtores aguardam para contabilizar as perdas na produção.

  • Chuvas retornam, mas clima preocupa citricultura

    Chuvas retornam, mas clima preocupa citricultura

    Apesar do retorno das chuvas em janeiro, o clima ainda preocupa a citricultura brasileira, segundo análises do Cepea. De acordo com o Centro de Pesquisas, o clima pode afetar o desenvolvimento da safra 2026/27 em diferentes regiões produtoras.

    Calor provoca queda de frutos

    Em algumas áreas, as altas temperaturas provocaram queda de frutos em vários estágios de desenvolvimento.
    Além disso, a entrada recente de uma frente fria trouxe ventos e ampliou a variação térmica. Esse cenário, portanto, também pode prejudicar o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo produtivo.

    Clima amplia incertezas para a safra

    Segundo agentes consultados pelo Cepea, ainda é cedo para projeções mais precisas sobre a safra. No entanto, o clima permanece como o principal fator de incerteza para o setor citrícola.

    Mercado reage ao aumento da demanda

    No mercado, o calor elevou a demanda por laranja de mesa em várias regiões. Em alguns momentos, os vendedores tiveram dificuldade para atender aos pedidos. Frutas com boa qualidade, bom tamanho e ratio adequado, portanto, alcançaram preços mais elevados.

     

  • Acordo Mercosul-UE pode impulsionar citros brasileiros

    Acordo Mercosul-UE pode impulsionar citros brasileiros

    O acordo Mercosul-União Europeia pode ampliar a competitividade do setor citrícola brasileiro no mercado europeu, avalia o Cepea. O pacto deve ser oficializado em 17 de janeiro e representa oportunidade de médio prazo para retomar vendas ao bloco europeu.

    O acordo prevê eliminação gradual de tarifas para o suco de laranja exportado pelo Brasil. Para o suco não concentrado (NFC), o prazo de isenção tarifária chega a quatro anos.

    Já o suco concentrado congelado (FCOJ) terá redução tarifária entre sete e dez anos. Além disso, o acordo inclui salvaguardas e mecanismos de monitoramento das exportações. Estimativas da CitrusBR indicam economia acumulada de cerca de US$ 320 milhões nos primeiros cinco anos.

    Segundo pesquisadores do Cepea, essa redução de custos pode favorecer a retomada dos embarques ao bloco europeu. Na safra 2025/26, as exportações brasileiras de suco de laranja seguem abaixo do registrado no ciclo anterior. Entre julho e dezembro de 2025, o Brasil exportou 423,26 mil toneladas de suco concentrado, em equivalente a 66° brix. O volume representa queda de 5,4% em relação ao mesmo período da safra 2024/25. Os dados são da Comex Stat, do MDIC, analisados pelo Cepea.

    Do total embarcado, 51,9% tiveram como destino os Estados Unidos. A União Europeia respondeu por 41,5% das exportações no período analisado. Essa participação ficou abaixo da registrada até a safra passada. Até então, o bloco europeu absorvia mais de 60% dos embarques brasileiros de suco de laranja.

  • SP investe R$ 3,6 milhões no combate ao Greening

    SP investe R$ 3,6 milhões no combate ao Greening

    O governo de São Paulo anunciou um investimento de R$ 3,6 milhões para fortalecer o combate ao HLB (Greening), uma das principais ameaças à citricultura mundial. O valor integra o Edital Público SAA nº 03/2025, que prevê a contratação de 28 profissionais para atuar ao lado da Defesa Agropecuária no monitoramento e controle da doença.

    Foto: Divulgação Governo SP

    Segundo o secretário executivo da Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, a medida é essencial para garantir a sustentabilidade do setor. “Mais monitoramento significa mais segurança e produtividade. São Paulo concentra cerca de 80% da produção nacional de citros e gerou quase 50 mil empregos em 2024”, destacou.

    Novas equipes e regionalização das ações

    A seleção dos profissionais ocorrerá por meio de termo de colaboração com uma Organização da Sociedade Civil (OSC). O contrato terá duração inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação. As equipes serão formadas por engenheiros agrônomos, inspetores de pragas e auxiliares administrativos, distribuídos em seis frentes de atuação pelo estado.

    As OSC interessadas podem enviar propostas até 26 de janeiro de 2026. De acordo com Alexandre Paloschi, chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal (DSV), as equipes ajudarão a regionalizar as ações de controle. “A atuação localizada permite medidas específicas conforme a incidência da doença em cada região”, explica.

    Reforço das ações de defesa vegetal

    A Defesa Agropecuária mantém fiscalização, ações sanitárias e orientação técnica em todos os municípios paulistas. Em 2025, o órgão fiscalizou 17.549 propriedades, retirou mais de 60 mil mudas irregulares de circulação e realizou 26 palestras educativas sobre o tema. Também mantém canal direto para denúncias de pomares abandonados ou mal manejados.

    Além disso, a Secretaria publicou as Resoluções nº 23 e nº 24 de 2025, que proíbem o plantio de hospedeiros do HLB e o uso da murta no paisagismo urbano, exceto em casos de pesquisa científica autorizada. As medidas visam impedir a propagação da bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, transmitida pelo inseto vetor psilídeo.

    O edital completo está disponível no site da Defesa Agropecuária.

    De acordo com o Levantamento de Greening 2025 do Fundecitrus, a incidência da doença no cinturão citrícola paulista aumentou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, evidenciando a necessidade de intensificar o controle. Apesar disso, a taxa de avanço do HLB desacelerou pelo segundo ano consecutivo, e houve redução expressiva nos pomares jovens, sinalizando que as estratégias de manejo e erradicação têm surtido efeito.

  • 2026 impõe novos desafios à citricultura brasileira

    2026 impõe novos desafios à citricultura brasileira

    O ano de 2026 deve se consolidar como um período desafiador para a citricultura brasileira, segundo pesquisadores do Cepea. Embora a safra 2025/26 apresente bom volume, fatores sanitários e climáticos comprometem parte do potencial produtivo. As quedas de frutos aumentam com o avanço do greening e do cancro cítrico, além de clima adverso em fases-chave.

    Ao mesmo tempo, a demanda por suco de laranja segue mais lenta no mercado europeu, pressionando as negociações. Esse cenário dificulta a sustentação dos preços atuais da commodity no mercado internacional.
    Com vendas em ritmo mais fraco, os estoques de suco tendem a se recompor nas indústrias processadoras.
    Como resultado, a indústria reduz a urgência na compra de novas cargas de laranja.

    Nesse ambiente, a disputa entre vendedores de suco e compradores se intensifica, apontam pesquisadores do Cepea. A indústria, por sua vez, adota postura mais cautelosa e transfere a pressão do mercado aos preços pagos aos produtores.

    Safra 2025/26

    Pelo lado da oferta, a safra 2025/26 deve alcançar pouco menos de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos.
    Mesmo assim, a temporada contribui para a recomposição dos estoques, favorecida pela boa qualidade das frutas. Apesar disso, a colheita mais tardia mantém efeitos sobre a dinâmica do mercado.

    Para a safra 2026/27, preocupa a continuidade do greening e do cancro cítrico nas lavouras. Essas doenças elevam os custos de produção e limitam os ganhos de produtividade no campo. No desenvolvimento da próxima safra, o clima mais irregular entre regiões tende a gerar cenários distintos.

    Essa heterogeneidade deve afetar principalmente a primeira florada nas principais praças produtoras. Já a segunda florada ocorre em condições melhores na maioria das regiões citrícolas. Com isso, a safra 2026/27 pode voltar a apresentar perfil mais tardio, como ocorreu em 2025/26.

  • Pesquisa brasileira revela mecanismo do cancro cítrico

    Pesquisa brasileira revela mecanismo do cancro cítrico

    Pesquisadores do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP), desvendaram um mecanismo sofisticado que a bactéria causadora do cancro cítrico utiliza para atacar plantações. A revista Science publicou a descoberta inédita que promete revolucionar o controle de uma doença responsável pela erradicação de 16 milhões de árvores e prejuízos de bilhões de dólares aos produtores globais.

    Mario Murakami, diretor do LNBR e coordenador das pesquisas no CNPEM. Divulgação

    A Xanthomonas citri, bactéria que causa o cancro cítrico, “hackeia” as plantas cítricas para alimentar sua própria proliferação. O patógeno ativa um gene chamado CsLOB1, naturalmente associado ao amadurecimento de frutos, forçando a planta a liberar açúcares das paredes celulares que servem como combustível para a multiplicação bacteriana.

    A pesquisa demonstra que a bactéria injeta uma proteína chamada PthA4 nas células vegetais. Esta proteína “liga” o gene CsLOB1 fora do contexto natural dos frutos. A planta então produz enzimas que degradam sua própria parede celular, liberando carboidratos como glicose, frutose e xilose.

    “A descoberta desse mecanismo tem o potencial de gerar um impacto econômico no mundo e, em especial, no Brasil, que representa mais de 75% de todo o comércio mundial de suco de laranja”, afirma Mario Murakami, diretor do LNBR e coordenador das pesquisas no CNPEM.

    CNPEM lidera análises cruciais do estudo

    A University of Tübingen, da Alemanha, lidera o estudo internacional e convidou o CNPEM para participar devido à sua excelência em pesquisas sobre metabolismo de carboidratos desenvolvidas nos últimos 15 anos. O centro brasileiro conquistou referência mundial na área.

    O Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do CNPEM conduziu análises genômicas e bioquímicas que identificaram as enzimas envolvidas na degradação da parede celular. A equipe também interpretou a rede metabólica que a Xanthomonas ativa, detalhando o impacto energético dessa exploração sobre a planta.

    O estudo revelou ainda que a bactéria utiliza simultaneamente dois sistemas de secreção: um desativa as defesas da planta enquanto o outro libera enzimas degradadoras. Esta sinergia intensifica a infecção.

    Aplicações práticas para a agricultura

    Os resultados abrem caminho para estratégias de controle mais eficazes. Os cientistas consideram criar citros geneticamente modificados com versões do gene CsLOB1 que a bactéria não consegue ativar. Outra possibilidade envolve desenvolver moléculas capazes de interromper a liberação ou o consumo de açúcares que alimentam as bactérias.

    A descoberta transcende a citricultura. Os pesquisadores encontraram indícios de que mecanismos semelhantes operam em tomateiros, o que sugere que este controle molecular existe em outras espécies vegetais. O processo de amadurecimento de frutos se conserva em diversas plantas, o que pode beneficiar toda a fruticultura.

    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) apoiaram o desenvolvimento da pesquisa no Brasil.

  • Mato Grosso do Sul se consolida como nova fronteira da citricultura brasileira

    Mato Grosso do Sul se consolida como nova fronteira da citricultura brasileira

    Mato Grosso do Sul desponta como a nova potência da citricultura nacional. O 1º MS Citrus Summit, realizado em Três Lagoas nos dias 10 e 11 de dezembro, reuniu quase 400 participantes. E confirmou o avanço do Estado em um setor capaz de gerar até 10 mil empregos diretos. Além de transformar o perfil econômico de aproximadamente 30 municípios.

    O evento, promovido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), contou com apoio da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e da Prefeitura de Três Lagoas.

    Embora ainda não figure entre os maiores produtores nacionais, Mato Grosso do Sul vive uma expansão acelerada. Gigantes do setor como Cutrale, Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco e Grupo Junqueira Rodas já atuam ou iniciam implantação de pomares no território sul-mato-grossense.

    A Cutrale, maior empresa de suco de laranja do mundo, avança no plantio em Sidrolândia com projeção de atingir 8 milhões de caixas por safra quando em plena produção. Dados oficiais indicam que o Estado já ultrapassa 15 mil hectares de citros plantados, com mais 40 mil hectares em fase de implantação.

    Os investimentos se concentram em municípios estratégicos como Sidrolândia, Campo Grande, Terenos, Ribas do Rio Pardo, Dois Irmãos do Buriti, Aparecida do Taboado, Cassilândia, Três Lagoas, Bataguassu e Paranaíba.

    Tolerância zero ao greening garante diferencial competitivo

    O governador Eduardo Riedel destacou na abertura do evento a importância da construção de bases sólidas para o setor. “Temos grandes desafios. São oportunidades como esta que precisamos aproveitar para nivelar conhecimento. Podemos caminhar juntos em um setor que gera emprego, renda e novas oportunidades para nossa gente”, afirmou.

    Foto: Mairinco de Pauda

    A política estadual de tolerância zero ao greening,doença que já devastou pomares no Brasil e no mundo, representa um dos principais atrativos para investidores. A defesa sanitária rigorosa foi tema central da capacitação técnica realizada no dia 10 de dezembro, que reuniu equipes de 30 prefeituras, além de servidores da Agraer e Iagro.

    “O Estado tem clima, solo, isolamento produtivo e, desde o primeiro dia, apoio incondicional do Governo. O cenário é extremamente favorável para ter uma citricultura de alta produtividade e fruta de padrão premium”, avaliou Juliano Ayres, diretor executivo da Fundecitrus.

    Expansão sustentável sem desmatamento

    O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, enfatizou o diferencial ambiental do modelo adotado em Mato Grosso do Sul. A expansão da citricultura ocorre exclusivamente por meio da conversão de áreas de pastagens, sem necessidade de desmatamento.

    “Temos 18 milhões de hectares de pastagens aptas para a transição para outras culturas. A citricultura é mais um exemplo de diversificação sustentável”, explicou Beretta.

    O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, destacou a rapidez da consolidação do setor. “Rapidamente trouxemos os principais players e estruturamos nossas instituições com capacitação, fiscalização e orientação. Hoje, os pomares projetados já colocam MS como o terceiro Estado em área plantada”, afirmou.

    Entre os principais desafios identificados durante o Summit está a questão da mão de obra qualificada. O secretário Verruck apontou novas estratégias em desenvolvimento, incluindo estímulo à mecanização e absorção de trabalhadores indígenas, que já possuem experiência em colheitas de outras culturas em diferentes estados.

    Visita técnica revela práticas de alta tecnologia

    A programação do MS Citrus Summit foi encerrada na quinta-feira (11) com visita técnica à Fazenda Paraíso, próxima a Água Clara. A propriedade, que iniciou o plantio de forma modesta em 2007, hoje cultiva 230 hectares e possui quase 20 anos de tradição na fruticultura estadual.

    Foto: Mairinco de Pauda

    Os mais de 300 participantes conheceram métodos de manejo da laranja, tratamentos fitossanitários, características de porta-enxertos e variedades adaptadas à região, além do sistema de irrigação e produção de limão Tahiti. A fazenda destina frutas selecionadas para mercados de Campo Grande, Belo Horizonte, Ceasa de São Paulo, Rondônia e Manaus, enquanto produtos fora do padrão seguem para indústrias paulistas.

    A propriedade também serviu como modelo de gestão de recursos humanos, recebendo 80 trabalhadores sazonais, principalmente da região Nordeste, que permanecem cerca de dez meses com alojamento, alimentação e benefícios completos.

    “O momento foi essencial para que os participantes do MS Citrus Summit pudessem conhecer na prática uma citricultura já estabelecida e produzindo com alta tecnologia”, concluiu Beretta.

  • Chuva ajuda a citricultura, mas granizo preocupa produtores

    Chuva ajuda a citricultura, mas granizo preocupa produtores

    A segunda quinzena de novembro elevou a umidade no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro.
    As chuvas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e indicaram boa condição hídrica nas principais áreas produtoras de citros.

    No entanto, pesquisadores do Cepea alertam para os impactos de ventos fortes e granizos registrados em vários municípios. Esses eventos extremos causaram enfolhamento das plantas e derrubaram frutos e flores em propriedades atingidas. Além disso, as intempéries aumentaram o risco de doenças ao comprometer a estrutura das árvores.

    O problema surge em período decisivo para a colheita da safra 2025/26 e formação da temporada 2026/27.
    Em São Paulo, Avaré, Pratânia e São Manuel registraram granizo nas últimas semanas. Antes disso, essas cidades já haviam enfrentado chuvas intensas acompanhadas por ventos fortes.

    O noroeste paulista também sofreu com instabilidades climáticas e acumulados elevados de precipitações.
    Segundo colaboradores do Cepea, a maior frequência de eventos extremos em 2025 preocupa o setor citrícola.

    Apesar disso, o volume total de chuvas segue considerado adequado nas regiões produtoras. Além do clima úmido, as temperaturas ficaram mais amenas desde o inverno. Esse cenário favoreceu a florada e sustentou o desenvolvimento das plantas. Por isso, técnicos projetam uma safra mais produtiva de citros no cinturão agrícola.
    Até agora, a qualidade dos frutos da safra 2025/26 permanece satisfatória na maioria das regiões.