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  • Cervejaria de 130 anos funciona em porão de igreja católica em Minas Gerais

    Cervejaria de 130 anos funciona em porão de igreja católica em Minas Gerais

    No subsolo da Igreja Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora, a cervejaria Hofbauer mantém uma tradição centenária que une fé, história e fermentação artesanal. A fábrica funciona desde 1894 e representa um patrimônio cultural único no Brasil: é a única cervejaria de convento totalmente artesanal ainda em atividade no país.

    A história começou quando os padres holandeses Mathias Tulkens e Francisco Lohmeyer, da Congregação do Santíssimo Redentor, fundaram a cervejaria. Os religiosos trouxeram consigo a tradição europeia de produção de cerveja nos mosteiros, prática comum na Holanda e na Alemanha desde a Idade Média. Na Europa, monges desenvolveram técnicas de fermentação e criaram estilos de cerveja que se tornaram referência mundial.

    Os primeiros redentoristas chegaram ao Brasil no final do século XIX e se estabeleceram em Juiz de Fora, onde construíram o convento e iniciaram a produção artesanal em caldeirões simples. Em 1907, equipamentos importados da Holanda chegaram ao porão da igreja e continuam em operação até hoje, testemunhas silenciosas de mais de um século de história cervejeira.

    Homenagem a um santo da autossuficiência

    A cervejaria recebeu o nome Hofbauer em 1909, em homenagem a São Clemente Maria Hofbauer, sacerdote austríaco canonizado naquele ano. Antes, os fiéis conheciam a bebida apenas como “Cerveja do convento da Glória”.

    São Clemente Maria Hofbauer viveu no século XVIII e ficou conhecido por renovar a vida religiosa em Viena, na Áustria. O santo defendia que os conventos alcançassem autossuficiência por meio da produção de alimentos e bebidas, tanto para manter as obras religiosas quanto para apoiar a população carente. A filosofia do santo guia a Hofbauer até hoje: toda a renda das vendas se destina a projetos sociais mantidos pela igreja em Juiz de Fora.

    Congregação administra Santuário de Aparecida

    A Congregação do Santíssimo Redentor, também conhecida como Redentoristas, foi fundada por Santo Afonso Maria de Ligório em 1732, em Scala, no sul da Itália. A ordem dedica-se à pregação de missões populares e ao atendimento de comunidades desfavorecidas. Atualmente, cerca de 5,5 mil redentoristas atuam em 82 países.

    No Brasil, os Redentoristas assumiram a administração do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida há 131 anos. O complexo religioso recebe milhões de peregrinos anualmente e mantém redes de comunicação, como a TV Aparecida e a Rádio Aparecida, além de diversas entidades sociais que atendem populações vulneráveis.

    Produção artesanal resiste ao tempo

    A produção da cerveja Hofbauer atravessou diferentes gerações de religiosos, embora tenha enfrentado interrupções em alguns períodos por falta de pessoas com conhecimento técnico na arte cervejeira, segundo o irmão Taylor Bertoli, atual responsável pela cervejaria.

    Em 2009, o padre Flávio Leonardo Santos Campos restaurou as máquinas centenárias e retomou a produção artesanal. O trabalho foi continuado pelo padre Jonas Pacheco Machado e sua equipe. Desde 2024, o irmão Taylor Bertoli lidera a fabricação com apoio de quatro colaboradores e consultoria técnica especializada.

    A cervejaria produz aproximadamente 350 litros por lote, em quatro bateladas anuais. Cada remessa leva cerca de 40 dias para ficar pronta, respeitando rigorosamente o tempo de fermentação e maturação. “Oferecemos cervejas que encantam não somente pelo sabor, mas pela herança cultural. É motivo de orgulho manter viva essa tradição europeia artesanal”, afirma Taylor.

    Sete estilos que contam histórias

    A Hofbauer oferece sete estilos de cerveja artesanal, cada um com características distintas:

    • Pilsen: clara e levemente turva, apresenta aroma maltado com toque cítrico. É o estilo mais popular no Brasil e tem origem na cidade tcheca de Plzeň.
    • Belgian Blond Ale: dourada e brilhante, destaca-se pelo aroma de banana e sabor adocicado. Este é o rótulo mais premiado da Hofbauer.
    • Belgian Pale Ale: cor cobre escuro, traz notas de caramelo e teor alcoólico moderado.
    • Belgian Dubbel: âmbar escuro, oferece sabor caramelizado e aroma de frutas como passas e ameixas secas.
    • Weissbier: turva, com aroma de cravo e frutas maduras, a receita combina maltes de cevada e trigo.
    • Session IPA: leve e refrescante, apresenta aroma cítrico intenso e final seco, ideal para o clima brasileiro.
    • Russian Imperial Stout (RIS): escura e encorpada, surpreende com sabor intenso de maltes torrados e alta graduação alcoólica.

    O segredo está no processo

    Cada tipo de cerveja segue um processo específico de fermentação e maturação, que pode durar de alguns dias a várias semanas. A equipe controla a temperatura entre 10°C e 25°C para garantir o sabor, o aroma e o frescor característicos de cada estilo.

    Durante a fermentação, as leveduras transformam os açúcares do malte em álcool e gás carbônico. Na fase seguinte, a maturação, a cerveja descansa em tanques para que os sabores e aromas se desenvolvam plenamente.

    A Belgian Blond Ale, por exemplo, fermenta entre 20°C e 22°C. No fim do processo, a equipe eleva a temperatura para secar o mosto e desenvolver compostos que conferem aroma e sabor únicos à bebida. Esse cuidado meticuloso rendeu à Belgian Blond diversos prêmios em competições de cerveja artesanal.

    De mistério a atração turística

    Desde 2023, o público pode visitar o porão da Igreja da Glória e conhecer o local onde a cerveja é produzida. “Sempre foi um lugar cercado de mistério. Abrimos para mostrar a importância dessa tradição para Juiz de Fora”, afirma Taylor Bertoli.

    A Secretaria Municipal de Turismo de Juiz de Fora reconhece a Hofbauer como patrimônio cultural e turístico da cidade. A cervejaria integra o programa “Caminhando pela História”, que oferece passeios gratuitos por pontos históricos do município. A visita ao porão da Igreja da Glória figura entre as mais procuradas do roteiro.

    As garrafas custam a partir de R$ 25 e podem ser adquiridas na biblioteca redentorista da Igreja da Glória ou pelo site oficial, com entrega para todo o Brasil. Todo o lucro se reverte para obras sociais mantidas pela congregação na cidade.

    Preservação de um legado

    A permanência da Hofbauer representa mais do que a continuidade de uma tradição cervejeira. O projeto mantém viva a memória dos primeiros redentoristas que chegaram ao Brasil, preserva técnicas artesanais europeias e demonstra como a fé pode se unir ao trabalho para gerar impacto social positivo.

    Em um mercado dominado por grandes indústrias, a pequena cervejaria do porão da Igreja da Glória prova que é possível aliar tradição, qualidade e propósito social. Cada garrafa carrega consigo 130 anos de história, o legado de dezenas de religiosos dedicados e a esperança de que essa tradição continue inspirando novas gerações.

    SERVIÇO

    • Visitas à Cervejaria Hofbauer
    • Quando: sábados, com agendamento prévio
    • Capacidade: grupos de até 30 pessoas
    • Valor: R$ 65 por pessoa, com direito à degustação de três cervejas, pão e bolinho de cevada
    • Onde comprar: biblioteca redentorista da Igreja da Glória (Juiz de Fora-MG) ou pelo site oficial, com entrega em todo o Brasil
    • Local: Igreja Nossa Senhora da Glória, Juiz de Fora-MG
    • Mais informações: site oficial da Cervejaria Hofbauer

     

  • Cervejaria paulista conquista título de melhor cerveja do mundo

    Cervejaria paulista conquista título de melhor cerveja do mundo

    A cervejaria Ashby, pioneira do mercado artesanal brasileiro, acaba de conquistar um feito histórico no World Beer Awards 2025. A Ashby British Strong Ale foi eleita a melhor cerveja do mundo na categoria Bitter com mais de 5,5% de graduação alcoólica, destacando-se entre mais de 3.000 rótulos inscritos no prestigioso concurso londrino.

    O World Beer Awards 2025 bateu um novo recorde de participação, recebendo mais de 3.000 inscrições de cervejarias do mundo inteiro. Considerado um dos maiores e mais respeitados concursos cervejeiros internacionais, o evento acontece anualmente em Londres e conta com um júri especializado formado por profissionais renomados do setor.

    A competição adota um rigoroso processo em três etapas: primeiro, os jurados selecionam as melhores cervejas de cada país (medalhas de ouro, prata e bronze); depois, apenas as medalhistas de ouro disputam o título de melhor cerveja nacional; por fim, as vencedoras de cada país competem pelo título mundial em suas categorias.

    Cervejaria brasileira vence no país que criou o estilo

    O que torna a conquista ainda mais impressionante é que a Ashby British Strong Ale venceu uma competição realizada em Londres – berço do estilo bitter inglês – com uma cerveja tipicamente britânica. Este feito demonstra a excelência técnica da cervejaria brasileira ao dominar um estilo tradicional inglês em território britânico.

    A cerveja premiada apresenta personalidade autenticamente britânica, sendo uma legítima puro malte que segue a tradição das Ales inglesas. Produzida com quatro tipos de malte e lúpulos aromáticos, oferece sabores complexos de amêndoas e frutas amarelas, resultando em uma bebida de sabor intenso e marcante.

    Histórico de pioneirismo no mercado artesanal

    Fundada em 1993 em Amparo, interior de São Paulo, a Ashby é considerada pioneira no cenário das cervejas artesanais brasileiras. A empresa surgiu em uma época quando praticamente não existiam marcas apostando em bebidas especiais no país, sendo uma das responsáveis por abrir caminho para o atual boom do setor cervejeiro artesanal nacional.

    Esta é a segunda vez que a cervejaria conquista um grande feito no World Beer Awards, consolidando sua reputação internacional e comprovando a consistência de qualidade de seus produtos.

    Múltiplas premiações

    Além do título mundial, a Ashby conquistou outras importantes premiações no World Beer Awards 2025:

    Medalhas de Ouro:

    • Ashby Weiss: eleita a melhor cerveja de trigo do Brasil, apresenta coloração opaca, espuma cremosa e a característica turva natural que resulta da ausência de filtragem.
    • Ashby British Strong Ale: melhor bitter brasileira com mais de 5,5% de álcool

    Medalha de Prata:

    • Ashby American Pale Ale: a cerveja leva lúpulos cítricos e florais e já conquistou o título de melhor American Pale Ale do Brasil em 2022.

    Medalhas de Bronze:

    • Ashby Pilsen Puro Malte: categoria Lager International
    • Ashby Hops: categoria Hoppy Pilsener
    • Ashby Porter: categoria Porter

    Reconhecimento internacional da qualidade brasileira

    No total, a Ashby conquistou nove medalhas e teve seis produtos premiados no World Beer Awards 2025. Um desempenho excepcional que coloca a cervejaria brasileira entre as melhores do mundo.

    “Mais uma vez a nossa British Strong Ale é eleita a melhor do mundo mesmo concorrendo com cervejas renomadas de diferentes países. Ter esse reconhecimento é algo que nos enche de orgulho. Já que é uma forma de atestar a qualidade do mercado cervejeiro brasileiro”, declara Scott Ashby, fundador da cervejaria.

    A conquista da Ashby representa mais um marco para o mercado cervejeiro artesanal brasileiro, que tem ganhado crescente reconhecimento internacional. O sucesso no World Beer Awards 2025 demonstra que as cervejarias nacionais possuem qualidade técnica e criatividade para competir no mais alto nível global.

  • Potência mundial – Brasil registra mais de 43 mil marcas de cervejas

    Potência mundial – Brasil registra mais de 43 mil marcas de cervejas

    O setor cervejeiro brasileiro alcançou um marco histórico em 2024, consolidando-se como uma das principais forças econômicas do país. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o Brasil possui atualmente 43.176 cervejas registradas e impressionantes 55.015 marcas oficializadas.

    O número de cervejarias registradas no país atingiu 1.949 estabelecimentos em 2024, representando um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. Este avanço foi impulsionado pela entrada de 102 novos estabelecimentos no mercado, marcando o 9º maior crescimento da série histórica do setor.

    “É uma alegria celebrar o setor cervejeiro, uma das grandes paixões nacionais. A cerveja é símbolo de comemoração, mas também representa trabalho, dedicação, qualidade e prosperidade”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, durante o lançamento do anuário.

    São Paulo lidera, Santa Catarina acelera

    São Paulo mantém sua posição de liderança absoluta no cenário nacional, concentrando 12.803 cervejas registradas e 427 cervejarias ativas. O estado paulista também apresenta a maior média de produtos por estabelecimento: impressionantes 30 registros por cervejaria, bem acima da média nacional de 22,2.

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    Contudo, Santa Catarina se destacou como o estado de maior crescimento proporcional, registrando 25 novas cervejarias em 2024 – um salto de 11,1% que demonstra o aquecimento do mercado regional.

    Revolução das cervejas sem álcool

    Uma das tendências mais marcantes do setor foi o crescimento explosivo das cervejas sem álcool ou desalcoolizadas. Este segmento registrou um crescimento impressionante de 536,9% em 2024, passando a representar 4,9% de toda a produção nacional.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA Senar

    Esta expansão reflete uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que busca cada vez mais opções de consumo equilibrado e consciente, alinhando-se às tendências globais de bem-estar e saúde.

    Brasil conquista mercados internacionais

    As exportações brasileiras de cerveja bateram recordes em 2024, atingindo 332,5 milhões de litros exportados – um crescimento robusto de 43,4% comparado ao ano anterior. O faturamento com vendas externas alcançou US$ 204 milhões, representando um aumento de 31,1% e estabelecendo o maior valor já registrado no período de estudo.

    O Paraguai consolidou-se como principal parceiro comercial, absorvendo 66,5% do volume exportado pelo Brasil. A América do Sul como um todo concentra 97,7% das exportações brasileiras de cerveja, confirmando a região como mercado estratégico para o produto nacional.

    O volume total de produção declarado ao Mapa em 2024 foi de 15,34 bilhões de litros. Deste montante, 24,7% correspondem a cervejas puro malte ou 100% malte, produzidas sem adjuntos cervejeiros como trigo, centeio, aveia ou milho.

    O estilo Lager Leve Clara domina o mercado nacional, representando 58,3% da produção total com 8,95 bilhões de litros. Em seguida, aparecem os estilos Pilsener (32,4%) e outras Lagers (8,5%), que juntos somam 99,2% da produção brasileira.

    Capilaridade nacional

    Atualmente, 790 municípios brasileiros possuem pelo menos uma cervejaria registrada, demonstrando a capilaridade do setor pelo território nacional. O Rio Grande do Sul apresenta a melhor relação cervejarias por habitante, com um estabelecimento para cada 32.177 habitantes, superando a média nacional de uma cervejaria para cada 109.073 habitantes.

    “Isso é resultado de uma estrutura sólida e de investimentos contínuos na produção e nas pessoas que fazem essa vasta cadeia acontecer, do campo ao copo. Cerveja é agro, emprego, renda, diversidade, cultura e gastronomia. Cerveja é Brasil”, enfatizou Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv.

    Os dados do Anuário da Cerveja 2025 evidenciam não apenas o crescimento quantitativo do setor, mas também sua evolução qualitativa, com diversificação de produtos, conquista de novos mercados e adaptação às tendências de consumo contemporâneas, posicionando o Brasil como uma potência cervejeira de relevância global.

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  • Lúpulo de São Paulo cresce 203% e conquista cervejarias artesanais do Brasil

    Lúpulo de São Paulo cresce 203% e conquista cervejarias artesanais do Brasil

    O cultivo de lúpulo em São Paulo vive momento de expansão acelerada. A planta essencial para fabricação de cerveja conquista espaço crescente na produção artesanal brasileira. O Estado concentra cerca de 30 produtores ativos que impulsionam o mercado nacional.

    Lúpulo Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A produção nacional alcançou 88 toneladas em 2023. Os números representam crescimento de 203% em relação ao levantamento anterior. A expansão resulta do aumento da área cultivada e do crescimento no número de produtores.

    Aguaí e Mococa lideram produção paulista com qualidade premiada

    Cidades como Aguaí e Mococa ganharam reconhecimento nacional pela qualidade do lúpulo produzido. Os produtores dessas regiões conquistaram premiações importantes que elevaram o prestígio do produto paulista.

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    O lúpulo utiliza especificamente as flores femininas da espécie Humulus lupulus. Essas flores conferem amargor, aroma e atuam como conservante natural da cerveja. O processo envolve plantio, desenvolvimento, colheita e processamento das flores.

    As flores também contribuem para a estabilidade da espuma. Elas garantem a preservação adequada da bebida durante o armazenamento.

    Produtores fazem até duas safras anuais com tecnologia de suplementação luminosa

    O Brasil apresenta vantagem competitiva única no cultivo de lúpulo mundial. O país permite realizar mais de uma safra por ano graças às condições climáticas favoráveis.

    “O Brasil é um dos únicos lugares do mundo onde se consegue fazer mais de uma safra por ano porque ele precisa de um fotoperíodo específico, dias compridos. E aqui fazemos isso com suplementação luminosa”, explica o produtor Murilo Ricci, de Aguaí.

    A tecnologia de suplementação luminosa compensa as limitações naturais do fotoperíodo. Essa inovação fortalece a competitividade brasileira no mercado internacional.

    Cultivo gera alta rentabilidade em pequenas propriedades

    Ricardo Mason, especialista agropecuário da CATI de São João da Boa Vista, destaca o alto valor agregado da cultura. A atividade não exige grandes extensões de terra para gerar renda significativa ao agricultor.

    “O cultivo de lúpulo proporciona retorno de capital no decorrer do tempo, podendo ser uma alternativa tanto para grandes produtores como, em especial, para a agricultura familiar”, afirma Mason.

    O especialista projeta grande potencial para São Paulo. O Estado pode se tornar polo produtor capaz de atender demanda local, nacional e internacional.

    Parcerias com cervejarias artesanais impulsionam vendas nacionais

    As cervejarias artesanais lideram a demanda por lúpulo brasileiro. O produtor rural Mário Mancuso, de Mococa, confirma que parcerias com esses estabelecimentos impulsionaram o crescimento da produção.

    Mancuso iniciou a produção em 2021, mas começou a comercialização apenas no ano passado. “Nossa prioridade era garantir um produto de qualidade para oferecer às cervejarias. Nesse período, fizemos muitos testes e firmamos parcerias estratégicas”, relata.

    As parcerias se mostraram fundamentais tanto para o desenvolvimento do produto quanto para a divulgação. As cervejarias artesanais ajudaram a ampliar a produção e levar o produto além do mercado regional.

    As premiações conquistadas pelos produtores paulistas contribuíram para alavancar as vendas. Mancuso explica que os reconhecimentos transformaram o alcance comercial da produção.

    “Deixamos de atuar apenas em um comércio localizado e hoje fornecemos lúpulo para vários estados. Nossa meta agora é, em alguns anos, atingir o mercado internacional”, projeta o produtor.

    Instituto Biológico desenvolve pesquisas contra pragas e viroides

    O crescimento da produção trouxe novos desafios fitossanitários. O Instituto Biológico (IB-Apta) da Secretaria de Agricultura desenvolve estratégias para prevenir infestação e alastramento de pragas.

    O pesquisador Marcelo Eiras coordena trabalhos focados principalmente em viroides e vírus. Essas pragas podem comprometer a sanidade e produtividade das lavouras de lúpulo.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    “Os viroides podem causar sintomas como redução do desenvolvimento das plantas, seca dos ponteiros e podridão de raízes”, explica Eiras. Muitas infecções ocorrem sem sintomas visíveis, mas alteram significativamente os compostos responsáveis pelo aroma e sabor da cerveja.

    Laboratório oferece diagnóstico e estudos avançados

    O laboratório do IB atende diretamente produtores e viveiristas que comercializam mudas. O foco principal é o diagnóstico de viroides e vírus em lúpulo e citros.

    A instituição realiza estudos aprofundados sobre diversidade genética, interações moleculares, epidemiologia e sanidade vegetal. Dois projetos financiados pela FAPESP e CNPq estão em desenvolvimento.

    As pesquisas buscam avançar no conhecimento sobre vírus e viroides que afetam o lúpulo. Os cientistas trabalham para criar métodos de detecção mais sensíveis e avaliar a resistência de variedades.

    Os projetos incluem produção de plantas livres de patógenos e análise do impacto socioeconômico da cultura. Os pesquisadores também estudam compostos em variedades infectadas para desenvolver soluções preventivas.

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  • Hoje é o Dia Internacional da Cerveja

    Hoje é o Dia Internacional da Cerveja

    O Dia Internacional da Cerveja acontece todo ano na primeira sexta-feira de agosto. A celebração surgiu em 2007, em Santa Cruz, Califórnia, quando quatro amigos criaram a data para homenagear a bebida e as cervejarias do mundo.

    A produção da cerveja começou por volta de 4.000 A.C., pelas mulheres da Suméria, que fabricavam e vendiam a bebida enquanto os homens caçavam. Com o tempo, a cerveja evoluiu para diversos estilos, sabores e receitas, indo desde as tradicionais até as artesanais e especiais.

    Curiosidades

    O mestre cervejeiro Alexandre Vaz, da Ashby, explica as principais curiosidades sobre a bebida. O lúpulo, por exemplo, é fundamental na cerveja. Ele define o amargor, contribui para o aroma e ajuda a conservar a bebida, evitando a proliferação de micro-organismos.

    Para conservar a cerveja corretamente, é importante controlar a temperatura. Mudanças térmicas podem alterar o sabor, o teor alcoólico e o gás. Cervejas mais leves e com menor teor alcoólico devem ser servidas mais geladas, entre 3ºC e 15ºC, dependendo do estilo.

    Foto: Divulgação

    O copo certo também melhora a experiência. Ele mantém a espuma, as bolhas de CO2, e realça o aroma e o sabor exclusivos de cada tipo de cerveja.

    Além disso, Alexandre diferencia harmonização e degustação. A degustação foca na análise sensorial da cerveja. Já a harmonização é a combinação entre cervejas e pratos da gastronomia.

    Por fim, conheça três siglas comuns nos rótulos:

    • IBU: mede o amargor (quanto maior, mais intenso).
    • ABV: porcentagem de álcool por volume.
    • Maturação: período para os sabores se integrarem.

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  • Cervejaria alemã centenária inicia produção inédita no Brasil

    Cervejaria alemã centenária inicia produção inédita no Brasil

    Pela primeira vez em mais de quatro séculos, a Hofbräu München autoriza a fabricação de sua Weissbier fora da Alemanha, para abastecer um mercado internacional. O Brasil será o primeiro a receber essa chancela. Todos os processos seguirão de perto as diretrizes dos mestres cervejeiros de Munique, garantindo receitas autênticas, ingredientes originais e a qualidade reconhecida da marca.

    A Bier & Wein vai coordenar toda a operação no Brasil. “Este é um marco para a Bier & Wein e para o universo cervejeiro brasileiro. Com a produção local supervisionada pela HB, entregaremos ao consumidor uma cerveja legítima, que une a tradição alemã ao frescor do produto nacional. É uma nova revolução no segmento de Weissbier, e estamos preparados para liderar esse movimento”, destaca Marcelo Stein, sócio da Bier & Wein.

    A operação brasileira começará com dois estilos clássicos: a HB Weissbier, cerveja de trigo com alta fermentação, aromas frutados e notas de cravo, e a HB Helles, lager clara de baixa fermentação, corpo equilibrado e leve picância, uma das favoritas na Alemanha. Os dois rótulos serão produzidos conforme a Lei da Pureza Alemã (Reinheitsgebot), criada em 1516, usando apenas água, malte, lúpulo e levedura, sem adição de cereais não maltados ou aditivos químicos.

    Foto: Divulgação

    Com mais de 400 anos de história, a Hofbräu é símbolo global da tradição cervejeira. Sua sede em Munique abriga o lendário Hofbräuhaus, maior choperia do mundo, que recebe 1,2 milhão de visitantes ao ano e serve mais de 5.000 litros de chope por dia.

    A produção nacional vai garantir ao consumidor brasileiro cervejas com mais frescor, logística facilitada e preços mais acessíveis, já que elimina custos de importação e oscilações cambiais. O lançamento promete esquentar ainda mais o competitivo mercado cervejeiro no Brasil. A produção nacional começa em agosto de 2025.

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  • Cervejaria de Campinas é premiada em concurso internacional

    Cervejaria de Campinas é premiada em concurso internacional

    A cervejaria Sim! Cerveja, de Campinas (SP), alcançou destaque internacional ao conquistar medalhas de ouro e prata na Copa Cervecera Mitad del Mundo 2025, realizada em Quito, no Equador. O evento reuniu grandes nomes da indústria cervejeira das Américas e reconheceu a excelência das bebidas sem álcool produzidas no Brasil.

    A cervejaria, pioneira na produção exclusiva de cervejas sem álcool no Brasil, brilhou na categoria com as versões Melancia Sour n’ Salt e Maracujá Sour n’ Salt. A Melancia Sour n’ Salt, que já havia sido eleita a melhor cerveja sem álcool do mundo na World Beer Cup 2025, nos Estados Unidos, conquistou o ouro também em solo equatoriano. A Maracujá Sour n’ Salt garantiu a medalha de prata, consolidando o protagonismo da marca no segmento.

    Inovação com releitura do estilo Gose

    As cervejas premiadas são releituras do tradicional estilo alemão Gose, conhecido pelo perfil ácido e toque salgado. A Melancia Sour n’ Salt e a Maracujá Sour n’ Salt unem acidez equilibrada e sabores refrescantes de frutas, proporcionando uma experiência sensorial diferenciada para o público que busca opções sem álcool.

    Fundada em junho de 2024 como spin-off da Cervejaria Cogumelo, a Sim! Cerveja já acumula 13 prêmios nacionais e internacionais em apenas um ano de existência. O reconhecimento reforça o trabalho de pesquisa e inovação da equipe.

    “Com essas duas premiações no Equador, já somos umas das cervejarias mais premiadas do Brasil e atingimos a marca de 13 conquistas nacionais e internacionais com nossa linha de cerveja sem álcool”, comemora David Figueira, CO-Founder da Sim! Cerveja e Diretor Industrial da Cervejaria Cogumelo. “Tudo isso é fruto de muita pesquisa e envolvimento de toda a nossa equipe de diretores e colaboradores”, frisa ele.

    Mercado de cervejas sem álcool em expansão

    O segmento de cervejas sem álcool cresce no Brasil e no mundo, impulsionado pela busca por opções saudáveis e inovadoras. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o consumo desse tipo de bebida aumentou significativamente nos últimos anos. E tem acompanhando tendências globais de moderação e bem-estar.

    A conquista da Sim! Cerveja reforça a presença brasileira nas principais premiações do setor e destaca o potencial de inovação das cervejarias nacionais.

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  • Cerveja: conheça a marca brasileira premiada no European Beer Challenge

    Cerveja: conheça a marca brasileira premiada no European Beer Challenge

    A cervejaria brasileira Ashby foi destaque no European Beer Challenge 2025, considerado o concurso de cervejas mais importante da Europa. Pelo segundo ano consecutivo, a marca foi a única representante do Brasil a conquistar medalhas no evento, que reúne cervejarias de diversos países em uma competição de degustação às cegas realizada em Londres. Este ano, a Ashby superou seu desempenho anterior ao conquistar sete medalhas, incluindo três Double Gold Medal, o prêmio máximo da competição.

    Cervejaria Ashby em Amparo

    O European Beer Challenge avalia as melhores cervejas do mundo por meio de critérios como aparência, sabor e aroma. Os jurados incluem os principais compradores de cerveja da Europa, garantindo que as premiações reflitam os padrões mais exigentes do mercado. As medalhas concedidas são divididas em quatro categorias: Double Gold Medal (Ouro Duplo), Gold Medal (Medalha de Ouro), Silver Medal (Medalha de Prata) e Bronze Medal.

    Destaques

    Fundada em 1993 por Scott Ashby na cidade de Amparo, interior de São Paulo, a empresa tem como missão difundir as cervejas especiais no Brasil. Este ano, a marca conquistou sete medalhas no European Beer Challenge, sendo três Ouro Duplo para os rótulos American Pale Ale, IPA Nirvana e Pale Ale.

    • Ashby American Pale Ale: com corpo encorpado e equilíbrio refinado, é feita com lúpulos cítricos e florais que proporcionam um amargor médio e refrescante. Eleita a melhor American Pale Ale do Brasil no World Beer Awards 2022.
    • Ashby IPA Nirvana: uma India Pale Ale com quatro tipos de lúpulos e processo de dry hopping, destacando-se pelo aroma intenso e amargor equilibrado.
    • Ashby Pale Ale: primeira do estilo produzida no Brasil, combina malte especial e lúpulo selecionado para criar uma cerveja versátil com amargor leve.

    Além das medalhas Ouro Duplo, a Ashby Weiss conquistou uma medalha de ouro. Essa cerveja de trigo é conhecida por sua coloração opaca e espuma cremosa. Já o bronze foi para a British Strong Ale, uma cerveja com tradição britânica que combina quatro tipos de malte e lúpulos aromáticos.

    Outros rótulos premiados incluem:
    • Pilsen Puro Malte (Prata): Leve e refrescante, feita com malte de cevada e lúpulos alemães e americanos.
    • Porter (Prata): Cerveja escura com maltes torrados que proporcionam dulçor suave e traços de chocolate.
    Scott Ashby e seus produtos: Foto: divulgação

    Scott Ashby celebrou o feito: “Repetir o sucesso como única marca brasileira premiada neste concurso tão importante e quase dobrar o número de medalhas conquistadas nos motiva a continuar acreditando no potencial das cervejarias brasileiras.”

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    Ervilhas revolucionam produção de cerveja

    Cientistas da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida desenvolveram uma técnica inovadora para simplificar e acelerar a produção de cerveja azeda, estilo apreciado por seu sabor frutado e acidez marcante. O segredo?

    Açúcares extraídos de ervilhas, feijões e lentilhas, que promovem o crescimento de bactérias essenciais ao processo, dispensando etapas demoradas. O estudo, publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, promete revolucionar o mercado de cervejas artesanais.

    A ciência por trás da inovação

    A pesquisa focou em oligossacáridos da família da rafinose (RFOs), açúcares presentes em leguminosas como ervilhas. A levedura comum não metaboliza esses compostos, mas eles alimentam as bactérias lácticas (BAL), que produzem o ácido lático responsável pelo perfil ácido da bebida. “Ao usar esses açúcares, eliminamos a dependência de fermentações longas e imprevisíveis”, explica Bjørge Westereng, coautor do estudo.

    Em testes, quatro cervejas experimentais foram produzidas em apenas 19 dias. Um avanço frente aos meses ou anos exigidos no método tradicional. Um painel de provadores treinados avaliou as amostras: as versões com RFOs de ervilha apresentaram maior acidez, notas frutadas e níveis de etanol comparáveis a cervejas azedas belgas comerciais. Surpreendentemente, nenhum sabor residual de ‘feijão’ foi detectado, problema comum em tentativas anteriores com leguminosas.

    Vantagens para o mercado da cerveja

    O processo tradicional de cervejas azedas envolve múltiplas etapas de fermentação, uso de barris de madeira e controle complexo de micróbios. Com os RFOs, os produtores podem reduzir custos e tempo, mantendo a qualidade sensorial. “É uma alternativa viável para escalonar a produção sem perder o caráter artesanal”, destaca Westereng.

    Cervejas azedas, populares desde a Idade Média, ganharam força na era craft beer, mas a fabricação lentas sempre foi um obstáculo. Estudos anteriores, como os da Universidade de Redlands (EUA), já mapeavam compostos-chave do sabor, como ácido acético e succínico. Agora, a descoberta norueguesa abre caminho para ingredientes sustentáveis – leguminosas são ricas em proteínas e de cultivo ecoeficiente.

    A equipe planeja testar outras fontes de RFOs e otimizar a técnica para produção em larga escala. Enquanto isso, cervejeiros artesanais já veem a novidade como uma oportunidade para inovar sem abrir mão do perfil ácido que conquista paladares exigentes.

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  • Oportunidade: curso gratuito ensina a produzir lúpulo

    Oportunidade: curso gratuito ensina a produzir lúpulo

    A Embrapa lançou um curso online gratuito voltado para aqueles que desejam aprender sobre a produção de lúpulo, uma planta essencial na fabricação de cerveja. O curso abrange desde as características do lúpulo até o plantio, manejo fitossanitário e pós-colheita, totalizando quatro módulos com uma carga horária de oito horas.

    O objetivo do curso é fornecer noções básicas sobre a cultura do lúpulo, atraindo tanto iniciantes quanto aqueles que pretendem investir nessa promissora atividade agrícola. Os participantes terão a oportunidade de entender melhor a fisiologia do lúpulo (Humulus lupulus L.) e seu manejo, incluindo práticas de colheita que preservam as partes subterrâneas da planta, como raiz e rizoma, fundamentais para o seu desenvolvimento.

    Curso gratuito é iniciativa para fortalecer cadeia produtora

    Além disso, o curso aborda a importância de um manejo integrado, considerando as características climáticas e agronômicas que influenciam a saúde das plantas e sua interação com patógenos. Os conceitos de pós-colheita também são discutidos, ressaltando sua relevância no processo produtivo.

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    Para mais informações sobre o curso ou para se inscrever, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo site da Embrapa. Aqueles que já estão inscritos podem acessar o curso através da plataforma da Embrapa.

    Essa iniciativa da Embrapa não apenas capacita novos produtores, mas também contribui para o fortalecimento da cadeia produtiva da cerveja artesanal no Brasil, um mercado em expansão que busca cada vez mais ingredientes de qualidade.