Tag: cerveja

  • Potosina: conheça a cervejaria mais alta do mundo

    Potosina: conheça a cervejaria mais alta do mundo

    Na cidade de Potosí, na Bolívia, uma fábrica centenária carrega um título que nenhuma outra cervejaria no mundo disputa: o de mais alta do planeta. A Cervecería Nacional Potosí (CNP) opera a 4.070 metros acima do nível do mar e produz a cerveja Potosina, símbolo local que estampa o Cerro Rico, a montanha que definiu a história colonial da América do Sul, em seu rótulo verde.

    Cerveja Potosina, produzina na cervejaria mais alta do mundo
    Foto: Luis Felipe Granado/iG

    A empresa nasceu em 1901, quando os imigrantes alemães Fernando Neumeyer e Valentín Vollmer fundaram a Vollmer y Compañía e começaram a fabricar cerveja na região. A sociedade se desfez em 1907, e Vollmer seguiu sozinho até consolidar a marca que hoje é sinônimo de Potosí. Desde 1934, a família Wille dirige o negócio, já na sua quarta geração, hoje sob o comando de Carlos Wille Bernardis.

    Como a altitude extrema muda a produção da cerveja

    Produzir cerveja a mais de 4 mil metros de altitude impõe desafios que nenhuma cervejaria ao nível do mar enfrenta. A pressão atmosférica reduzida altera o ponto de ebulição da água, que passa a ferver por volta dos 85°C em vez dos tradicionais 100°C. Uma diferença que exige ajustes finos no processo de fervura do mosto e no controle da fermentação.

    A CNP usa água de degelo e nascentes andinas para produzir a Potosina, uma lager pilsen de fermentação baixa e corpo leve. Portanto, a marca se define pela pureza da água de montanha, colhida a mais de 4 mil metros de altitude, como parte central da identidade do produto.

    Cerveja Potosina, produzina na cervejaria mais alta do mundo
    Foto: Luis Felipe Granado/iG

    O rótulo verde da Potosina não é aleatório. A cerveja usa o Cerro Rico de Potosí, a montanha de prata que sustentou o Império Espanhol durante séculos e deu à cidade o título de uma das mais ricas do mundo colonial, como símbolo de identidade e origem. Para os moradores de Potosí, a fábrica funciona como parte do patrimônio da cidade, e não apenas como uma empresa local.

    Uma marca familiar que já ultrapassa 117 anos de história

    A Cervecería Nacional Potosí soma hoje mais de 117 anos de trajetória, gera 145 empregos diretos e mais de 500 indiretos. Além disso, mantém presença em seis departamentos bolivianos. Em dezembro de 2024, a empresa recebeu a certificação Great Place to Work, com aprovação de 90% entre os próprios funcionários, um reconhecimento raro para uma companhia de médio porte no setor de bebidas.

    Cerveja Potosina, produzina na cervejaria mais alta do mundo
    Foto: Luis Felipe Granado/iG

    Além da Potosina tradicional, a cervejaria também produz a linha extra-premium “4000”, batizada em referência direta à altitude da fábrica. Além disso, nos últimos anos, a empresa ampliou sua atuação para fora da Bolívia. Ela iniciou a exportação da Potosina e da Potosina Light para os Estados Unidos, com desembarque previsto para a Flórida antes de seguir para Califórnia, Virgínia e Pensilvânia.

    Viajantes que passam por Potosí, geralmente a caminho do Salar de Uyuni, costumam experimentar a Potosina como parte do ritual de aclimatação à altitude extrema. As avaliações variam. Parte dos apreciadores descreve uma pilsen simples, de aroma com notas de pão e leve amargor. Outros destacam o fator emocional de beber “a cerveja mais alta do mundo” logo depois de descer do Cerro Rico ou às margens do Salar. O consenso, no entanto, é que a Potosina se tornou parte da experiência de visitar a cidade,  tanto quanto o próprio Cerro Rico.

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  • Por que a cerveja de Bariloche tem sabor único? A resposta está nas montanhas

    Por que a cerveja de Bariloche tem sabor único? A resposta está nas montanhas

    Quando a neve cobre as montanhas da Patagônia Argentina, ela não apenas muda a paisagem de Bariloche. Meses depois, o degelo da Cordilheira dos Andes alimenta rios, lagos e nascentes que fornecem a matéria-prima responsável pela fama cervejeira da cidade: a água.

    A cidade celebra o Dia Internacional da Cerveja, data que cai na primeira sexta-feira de agosto, como uma oportunidade para apresentar um dos sabores mais característicos de Bariloche. Ao longo das últimas décadas, o destino consolidou-se como um dos principais polos de cerveja artesanal da Argentina.

    Água do degelo garante equilíbrio às receitas

    A água proveniente do degelo se destaca pela baixa concentração de minerais, uma característica que mestres cervejeiros valorizam bastante. Essa composição oferece uma base mais neutra e permite que maltes, lúpulos e leveduras expressem seus aromas e sabores com maior equilíbrio.

    Esse ingrediente representa cerca de 90% da composição da cerveja. Portanto, explica sua importância central no processo produtivo. A água do degelo andino favorece a produção de diferentes estilos, preserva aromas e cria harmonia entre malte, lúpulo e leveduras.

    Imigração europeia molda a tradição cervejeira local

    O patrimônio natural da região, somado ao clima frio da Patagônia e à forte influência de imigrantes alemães, suíços e austríacos, impulsionou o desenvolvimento de uma tradição cervejeira que hoje integra a identidade gastronômica de Bariloche.

    Foto: Emprotur

    Assim, a cidade reúne dezenas de cervejarias artesanais, que produzem estilos clássicos como Pilsen, IPA, APA, Porter e Stout. Muitos mestres cervejeiros também criam receitas exclusivas com ingredientes típicos da região. Frutas vermelhas patagônicas, mel e variedades locais de lúpulo aparecem em rótulos que traduzem a biodiversidade da Patagônia em novas experiências sensoriais.

    Brewpubs conectam produção artesanal e turismo gastronômico

    Experimentar a produção local já faz parte do roteiro turístico de Bariloche. Brewpubs espalhados pela cidade permitem que os visitantes acompanhem o processo de fabricação enquanto degustam cervejas harmonizadas com pratos típicos da Patagônia, como cordeiro, truta, embutidos artesanais e tábuas de queijos.

    A cerveja artesanal vai além de uma atração gastronômica: ela integra a experiência completa de visitar Bariloche. Depois de um dia de esqui no Cerro Catedral, uma caminhada pelos bosques ou um passeio pelos lagos da região, muitos visitantes fazem das cervejarias uma parada obrigatória para descobrir os sabores da Patagônia. Essa combinação entre natureza, aventura e gastronomia forma um dos grandes diferenciais que tornam Bariloche um destino completo em qualquer época do ano.

    Inverno reforça o clima acolhedor das cervejarias

    No inverno, a experiência ganha um charme especial. Depois de um dia nas pistas de esqui ou explorando as paisagens nevadas, bares e cervejarias se transformam em pontos de encontro para moradores e turistas em busca de um ambiente acolhedor para apreciar os sabores da região.

    Segundo o Emprotur Bariloche, o turismo gastronômico tem conquistado cada vez mais espaço entre os visitantes brasileiros, que buscam experiências capazes de conectar natureza, cultura e gastronomia. Nesse cenário, a cerveja artesanal deixou de ser apenas uma bebida para se tornar uma expressão da identidade patagônica.

    Produzida com a água do degelo da Cordilheira dos Andes e fruto de uma tradição construída ao longo de décadas, a cerveja artesanal representa um dos sabores mais autênticos de Bariloche. Ao unir paisagens naturais, esportes de montanha e uma rica cultura gastronômica, o destino oferece aos visitantes uma forma única de conhecer a Patagônia. Portanto, um brinde que começa na neve e continua muito além dela.

  • Seminário internacional debate futuro da cerveja artesanal

    Seminário internacional debate futuro da cerveja artesanal

    Juiz de Fora recebe, no dia 26 de agosto, o 1º Seminário Internacional das Cervejarias Mineiras, evento que vai discutir tendências, desafios e oportunidades do mercado cervejeiro no Brasil. A iniciativa, organizada pelo Sebrae Minas e pela Associação das Cervejarias da Zona da Mata Mineira (Unicerva ZM), reúne produtores, especialistas e representantes da cadeia produtiva para analisar o cenário atual do setor.

    O seminário integra a programação da Semana da Cerveja Mineira 2026, que acontece entre os dias 24 e 30 de agosto na cidade. A agenda inclui o Concurso Mineiro de Cervejas, a Feira Tecnológica, com fornecedores de equipamentos, insumos e soluções, e o Festival da Cerveja Mineira, que reúne cervejarias, gastronomia e atrações musicais.

    A programação do seminário inclui palestras e mesas-redondas sobre temas estratégicos, como comportamento do consumidor, inovação, avanços técnicos e posicionamento de mercado. O evento prioriza a troca de conhecimento, o networking e a qualificação dos participantes.

    Especialistas internacionais

    O evento contará com a presença de dois especialistas europeus: Luc de Raedemaeker, da Bélgica, e Henri Reuchlin, da Holanda. Eles vão apresentar experiências de mercados cervejeiros mais maduros e contribuir com referências sobre qualidade, cultura cervejeira e inserção internacional.

    Luc de Raedemaeker dirige o Brussels Beer Challenge e preside a Associação de Lambic da Bélgica. Ele abordará temas como produção cervejeira e cervejas monásticas. Já Henri Reuchlin, fundador da BIERburo, da plataforma StiBON e do Dutch Beer Challenge, falará sobre concursos internacionais, cultura cervejeira e o cenário europeu.

    Segundo o analista do Sebrae Minas, Gustavo Magalhães, o seminário deve gerar insights sobre mudanças no consumo, novos formatos de venda e estratégias de posicionamento. A proposta, segundo ele, é fortalecer a identidade e a competitividade das cervejarias artesanais brasileiras.

    O coordenador-geral da Semana da Cerveja, João Cleber Gonçalves, destaca que o evento também vai estimular conexões e parcerias no setor. A expectativa é ampliar a relevância da região no mercado cervejeiro nacional.

    Rota turística cervejeira

    Durante o seminário, os organizadores vão apresentar o pré-lançamento da Rota Turística Caminhos e Cervejas. O projeto reúne cervejarias artesanais, atrativos turísticos, gastronomia e hospedagem em um roteiro integrado de turismo de experiência.

    A rota conecta 24 estabelecimentos em três polos cervejeiros: Juiz de Fora (12), Petrópolis (9) e Três Rios (3). A iniciativa busca impulsionar o turismo qualificado, valorizar a cultura local e ampliar a competitividade regional.

    Polo cervejeiro em crescimento

    Juiz de Fora se consolidou como um dos principais polos de cerveja artesanal em Minas Gerais. Entre 2018 e 2022, o número de cervejarias registradas no Ministério da Agricultura dobrou, passando de 15 para 30 unidades.

    Atualmente, o município ocupa a segunda posição no estado e a sétima no país em número de cervejarias. Desde 2017, Juiz de Fora possui o статус de Arranjo Produtivo Local (APL), reconhecimento que reforça sua relevância na cadeia cervejeira.

    O setor movimenta cerca de R$ 48 milhões por ano na cidade, com geração de aproximadamente 120 empregos diretos e 600 indiretos. A produção mensal chega a 400 mil litros de cervejas especiais, segundo maior volume de Minas Gerais.

    Histórico do evento

    Realizada anualmente, a Semana da Cerveja Mineira atrai público crescente. Em 2025, o evento reuniu cerca de 20 mil pessoas e registrou o consumo de 20 mil litros de chope.

    O concurso contou com 60 cervejarias de 22 cidades mineiras. Já a Feira Tecnológica reuniu 17 expositores e 42 cervejarias de Minas Gerais e da região serrana do Rio de Janeiro.

    Serviço
    • Data: 26 de agosto
    • Horário: 12h às 18h
    • Local: Cultural Pub (Av. Eugênio do Nascimento, 815 – Aeroporto, Juiz de Fora)
    • Informações: (32) 99911-9991 (Unicerva) | (32) 99986-0262 (Sebrae Minas)
    • Site: www.cervejamineira.com.br
  • Cervejaria do interior conquista prêmio internacional com cerveja de trigo

    Cervejaria do interior conquista prêmio internacional com cerveja de trigo

    A cervejaria Ashby, de Amparo, no interior de São Paulo, conquistou medalha de prata com a Ashby Weiss na Copa Cervecera Mitad del Mundo, considerada a principal competição de cervejas artesanais do Equador. O resultado integra a lista de vencedores da décima edição do evento, divulgada recentemente.

    Fundada em 1993, a Ashby atua como uma das pioneiras na produção de cervejas especiais no Brasil. Com mais de três décadas de mercado, a marca acumula premiações nacionais e internacionais, consolidando sua presença no setor.

    A Copa Cervecera Mitad del Mundo reúne cervejarias de diversos países da América Latina e conta com avaliação de jurados especializados, incluindo profissionais internacionais do segmento cervejeiro. A premiação ocorre tradicionalmente durante o verão equatoriano.

    Clássica

    Inspirada nas receitas clássicas da Baviera, na Alemanha, a Ashby Weiss utiliza maltes de trigo e cevada em sua composição. A cerveja não passa por filtragem, característica típica do estilo Weissbier, o que garante aparência turva e presença de leveduras no fundo da garrafa.

    Cerveja Ashby Weiss
    Foto: Divulgação Ashby

    No perfil sensorial, a bebida apresenta sabor levemente adocicado, com baixo amargor e presença marcante de especiarias. No aroma, destacam-se notas de cravo e banana, características tradicionais do estilo. A recomendação de consumo inclui o uso do copo Weizen, com capacidade mínima de 500 ml, ideal para servir toda a garrafa e preservar a experiência sensorial.

    O estilo Weissbier surgiu na Alemanha, no século XV, associado a uma família nobre da Baviera. O nome deriva do alemão, em que “Weiss” significa branco e “bier”, cerveja. E é uma referência à coloração mais clara em comparação a outros estilos da época. Com a imigração alemã para o Brasil, especialmente para a região Sul, o estilo se popularizou e ganhou versões nacionais.

    Além da recente medalha de prata, a Ashby Weiss já acumula mais de dez premiações internacionais, incluindo medalha de ouro na edição de 2024 da mesma competição. A cerveja harmoniza com pratos condimentados, já que a alta carbonatação contribui para limpar o paladar entre as degustações.

    Segundo Scott Ashby, fundador da cervejaria, a inspiração para a receita veio das tradicionais cervejarias do sul da Alemanha. “Buscamos referência nas grandes cervejarias da Baviera e desenvolvemos uma receita autêntica. Mesmo competindo com rótulos renomados de diversos países, conquistamos essa medalha e mostramos que o Brasil tem qualidade no setor cervejeiro”, afirma.

  • Cerveja garantida: Brasil vai produzir quase 680 mil toneladas de cevada

    Cerveja garantida: Brasil vai produzir quase 680 mil toneladas de cevada

    A cerveja brasileira tem garantia de matéria-prima. O Paraná caminha para uma safra histórica de cevada em 2026, com projeção de 550 mil toneladas. Um volume que impulsiona diretamente a produção de malte e, consequentemente, de cerveja no país.

    Foto:Jaelson Lucas / AEN

    O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), divulgou nessa semana que o plantio já cobre 44% da área estimada para este ano. O avanço ocorre graças ao clima seco e à umidade adequada do solo nas últimas semanas.

    A área total de plantio deve alcançar 126 mil hectares. Ou seja, 21% superior aos 104 mil hectares cultivados em 2025. Trata-se da maior extensão já registrada no estado para a cultura da cevada.

    O Paraná concentra a maior produção nacional do grão, enquanto o Rio Grande do Sul ocupa o segundo lugar, com cerca de 100,4 mil toneladas estimadas. Juntos, os dois estados sustentam a base da cadeia cervejeira brasileira. O Brasil deve fechar 2026 com 678,7 mil toneladas de cevada, conforme estimativas do IBGE. Um crescimento de 7,2% sobre o volume de 2025.

    “O plantio evoluiu bem nessa semana porque tivemos um tempo mais seco, diferente de maio, quando as chuvas foram intensas. Mas essas chuvas de maio também foram importantes, porque disponibilizaram umidade no solo para que os trabalhos acontecessem de forma plena”, afirma Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral.

    Por que a cevada importa para a cerveja brasileira

    A cevada é a principal matéria-prima do malte, ingrediente essencial em qualquer cerveja. O Brasil historicamente dependeu de importações do grão, especialmente da Argentina e do Uruguai, para abastecer as cervejarias nacionais. O crescimento da produção paranaense representa um passo relevante na redução dessa dependência e na consolidação de uma cadeia produtiva nacional mais robusta.

    O cenário positivo traz um alerta: o fenômeno El Niño pode provocar chuvas excessivas na primavera, período crítico para a qualidade dos grãos durante a colheita. O excesso de umidade nessa fase compromete a qualidade do grão para a produção de malte cervejeiro. Portanto, um risco que produtores e técnicos monitoram de perto.

  • Maior feira cervejeira da América Latina acontece em São Paulo

    Maior feira cervejeira da América Latina acontece em São Paulo

    A cidade de São Paulo recebe, entre os dias 9 e 11 de junho, a Brasil Brau 2026, maior evento profissional da indústria cervejeira da América Latina. Realizada no São Paulo Expo, a feira ocorre em um momento de transformação do setor no Brasil, marcado por crescimento mais moderado, busca por eficiência e maior diversificação de produtos.

    Foto: Divulgação / Brasil Brau

    A edição deste ano reúne 160 marcas de 14 países em uma área de 5 mil m², consolidando o evento como uma das principais plataformas de negócios, tecnologia e atualização profissional da cadeia cervejeira.

    Setor combina recordes e desaceleração

    Dados do Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram um cenário de expansão estrutural, mas com sinais claros de maturidade. O Brasil fechou 2025 com 1.954 cervejarias registradas, crescimento de apenas 0,3%, o menor da série histórica.

    Ao mesmo tempo, a produção nacional somou 15,688 bilhões de litros, queda de 8,85% em relação a 2024. Apesar da retração, o setor ampliou sua diversidade, com 44.212 produtos e 56.170 marcas registradas, além de exportações recordes de US$ 218,3 milhões.

    Segundo o Sindicato da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o segmento representa 2,02% do PIB brasileiro, gera cerca de 2,5 milhões de empregos e movimenta mais de R$ 50 bilhões em impostos por ano. Ainda assim, a concentração produtiva segue elevada: 5% das cervejarias respondem por 98,62% da produção nacional.

    Feira destaca eficiência e tecnologia

    Diante desse cenário, a Brasil Brau 2026 direciona sua programação para temas estratégicos, como produtividade, automação, controle de processos, redução de perdas e digitalização.

    • Empresas expositoras apresentam soluções em:
    • Automação industrial e controle de produção
    • Filtração e envase
    • Novos formatos de embalagem
    • Produtos low e no alcohol
    • Tecnologias para diversificação de portfólio

    A proposta do evento é apoiar cervejarias, especialmente pequenas e médias, na busca por maior competitividade e eficiência operacional.

    Diversificação impulsiona novo ciclo

    A diversificação de produtos aparece como um dos principais vetores de crescimento do setor. O Anuário da Cerveja 2026 aponta:

    • Alta de 417,68% na produção de cervejas sem glúten
    • Crescimento de 15,48% nas versões sem álcool ou com baixo teor alcoólico
    • Avanço de 21,3% nas cervejas puro malte

    Esses números refletem mudanças no comportamento do consumidor, com maior atenção à qualidade, saudabilidade e novas ocasiões de consumo. Tendências que ganham espaço tanto na feira quanto na programação técnica.

    Congresso internacional amplia debates

    Paralelamente à feira, o evento sedia a 19ª edição do CBCTEC (Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira). O encontro reúne especialistas do Brasil, América do Norte, Europa e África para discutir temas como tecnologia de produção, gestão, posicionamento de mercado e inovação.

    A programação busca conectar conhecimento técnico com estratégias de mercado, fortalecendo a competitividade das cervejarias brasileiras.

    Histórico e relevância do evento

    Realizada desde a década de 1980, a Brasil Brau se consolidou como o principal ponto de encontro da cadeia produtiva cervejeira na América Latina. O evento ocorre a cada dois anos e reúne fornecedores, fabricantes, distribuidores, mestres-cervejeiros e investidores.

    Na edição de 2024, a feira movimentou cerca de R$ 470 milhões em negócios durante e após o evento, reforçando seu impacto econômico no setor.

    Serviço

    • Brasil Brau 2026
    • 19º Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC)
    • Data: 9 a 11 de junho de 2026
    • Local: São Paulo Expo
    • Endereço: Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda – São Paulo/SP

    Horários:

  • Brasil registra maior número de cervejarias da história

    Brasil registra maior número de cervejarias da história

    O setor cervejeiro brasileiro encerrou 2025 com três marcas históricas simultâneas: maior número de cervejarias já registrado, recorde de valor exportado e superávit comercial inédito. Os dados constam no Anuário da Cerveja 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e pintam o retrato de uma indústria que se reinventa mesmo sob pressão econômica e climática.

    cerveja

    O país chegou a 1.954 cervejarias ativas, distribuídas em 794 municípios. São quase 800 cidades onde a bebida gera emprego, renda e identidade local. No total, o setor emprega mais de 2,5 milhões de pessoas ao longo da cadeia produtiva e responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Exportações e balança comercial em alta

    Pela primeira vez na série histórica, o valor exportado ultrapassou US$ 218 milhões. Um resultado que reflete não apenas volume, mas também o aumento do prestígio da cerveja brasileira no exterior. O setor registrou superávit recorde de US$ 195 milhões na balança comercial e exportou para 77 países.

    Para o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, o resultado confirma a capacidade de adaptação da indústria. “Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão”, afirma.

    Portfólio em expansão

    O Anuário também registrou retomada no número de produtos registrados, que chegou a 44.212, e crescimento de 2,1% nas marcas de cerveja, totalizando 56.170 rótulos no mercado brasileiro. O dado sinaliza que, apesar da concentração em grandes grupos, o ecossistema de inovação segue ativo.

    Os estilos preferidos do brasileiro continuam sendo as Lager Leve Clara, responsável por 58,3% da produção, seguida da Pilsener, com 32,4%, e de Outras Lagers, com 8,5%. Mas é nos nichos que o crescimento mais chama atenção.

    Cerveja sem glúten cresce 418% em um ano

    O dado mais surpreendente do levantamento é o crescimento de 417,6% na produção de cerveja sem glúten. O volume saltou de 71 milhões para 367,9 milhões de litros entre 2024 e 2025. Isso é o equivalente a 2,35% de tudo que o Brasil produziu na bebida no período. O avanço reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais alternativas adequadas a restrições alimentares ou a um estilo de vida mais consciente.

    Imagem: Divulgação

    Esse crescimento integra uma transformação mais ampla no perfil do consumidor brasileiro, que busca mais diversidade, qualidade e alternativas com menor teor alcoólico. Cervejas sem álcool também registraram alta expressiva. A produção sem álcool cresceu 536,9% no ano anterior, chegando a representar 4,9% do volume nacional, segundo o Anuário de 2025.

    Interiorização como vantagem competitiva

    A presença em quase 800 municípios não é coincidência. A lógica da cerveja favorece a produção próxima ao consumo: quanto mais fresco o produto, maior a qualidade percebida. Isso impulsiona a interiorização, o desenvolvimento regional e a criação de ecossistemas produtivos distribuídos pelo país. Um diferencial que poucos segmentos da indústria de alimentos conseguem replicar.

    Dados de consumo fora do lar mostram que 63% dos brasileiros ainda consomem cerveja em bares e restaurantes, com São Paulo e Rio de Janeiro liderando com índices acima de 70%. Mesmo com uma leve retração no número de consumidores, as ocasiões de consumo fora de casa cresceram 20%, totalizando mais de 41,4 milhões de eventos. Ou seja, quem bebe, bebe mais vezes.

    Um setor sob pressão, mas em movimento

    O cenário não é apenas de euforia. A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil caiu 5% em 2025, pressionado pela ascensão dos drinks prontos para beber (Ready to Drink) e pela mudança de hábitos, especialmente entre consumidores mais jovens.

    Ainda assim, os números do Anuário mostram que o setor respondeu com diversificação, inovação e internacionalização. E que a cerveja brasileira nunca esteve tão presente, nem tão variada.

  • Terra da cerveja? Brasil tem mais de 44 mil marcas registradas

    Terra da cerveja? Brasil tem mais de 44 mil marcas registradas

    O setor cervejeiro brasileiro alcançou recordes em 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Anuário da Cerveja 2026 contabilizou 1.954 cervejarias registradas no país. Os estabelecimentos estão distribuídos em 794 municípios brasileiros. Além disso, o Brasil registrou 44.212 cervejas em 2025. O volume representa crescimento de 2,4% frente ao ano anterior.

    O setor também alcançou 56.170 marcas de cerveja cadastradas. O resultado reforça a diversidade da cadeia cervejeira nacional.

    Exportação histórica

    As exportações do segmento somaram US$ 218,4 milhões. O valor representa o maior resultado da série histórica. Por outro lado, o volume exportado caiu 5,1% em comparação com 2024. Ainda assim, o país embarcou 315,5 milhões de litros.

    Segundo o Mapa, a valorização do produto impulsionou o faturamento externo do setor. O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Hugo Caruso, destacou o avanço internacional da cerveja brasileira. Segundo ele, o setor consolidou presença no mercado externo, mesmo com crescimento interno mais moderado.

    Já o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, afirmou que o segmento mostrou capacidade de adaptação em 2025. Ele também ressaltou a importância da cerveja nos momentos de celebração dos brasileiros.

    São Paulo lidera número de cervejarias

    São Paulo segue na liderança nacional em quantidade de cervejarias registradas. O estado possui 452 estabelecimentos. A região Sudeste concentra 47,2% das cervejarias brasileiras. Ao todo, a região reúne 923 unidades. A cidade de São Paulo mantém a liderança entre os municípios. A capital possui 61 cervejarias registradas.

    Além disso, o número de cidades com dez ou mais cervejarias cresceu em 2025. O país contabilizou 25 municípios nessa condição.

    O levantamento também mostrou avanço da densidade cervejeira nacional. Atualmente, o Brasil possui uma cervejaria para cada 108.794 habitantes. Santa Catarina lidera esse indicador. O estado registra uma cervejaria para cada 32.625 habitantes.

    Paraguai lidera compra de cerveja brasileira

    A cerveja brasileira chegou a 77 países em 2025. O mercado sul-americano concentrou 98,5% do volume exportado.

    O Paraguai permaneceu como principal destino das exportações brasileiras. O país respondeu por 62,3% dos embarques. Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile aparecem na sequência entre os maiores compradores.

    Enquanto isso, as importações cresceram 251,4% em volume no ano passado. O Brasil importou 26,3 milhões de litros. Mesmo assim, o valor importado avançou apenas 1,7%. O total movimentado chegou a US$ 9,4 milhões.

    Os Estados Unidos lideraram as vendas para o mercado brasileiro. O país respondeu por 74,2% do volume importado.

    Alemanha, Argentina, Uruguai e Espanha também aparecem entre os principais fornecedores.

    Setor cervejeiro amplia empregos e produção

    O setor de bebidas superou 143 mil empregos diretos em 2025. Desse total, 41.976 vagas pertencem à fabricação de malte, cerveja e chope.

    Além disso, o Brasil produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja no ano passado. As cervejas puro malte responderam por 29,2% do volume.

    O anuário também destacou o crescimento das cervejas sem glúten. A produção avançou mais de 400% no período. Segundo o levantamento, a alta reflete mudanças no perfil de consumo e maior diversificação do mercado.

    O Mapa ainda firmou parceria com a Embrapa Territorial para mapear a distribuição das cervejarias no país. A iniciativa permite visualizar melhor a concentração produtiva e a presença regional do setor cervejeiro brasileiro.

  • Cerveja brasileira maturada em castanheira vence Copa do Mundo da Cerveja nos EUA

    Cerveja brasileira maturada em castanheira vence Copa do Mundo da Cerveja nos EUA

    A Daoravida Brewpub, cervejaria de Campinas (SP), conquistou medalha de ouro no World Beer Cup 2026, realizado nos Estados Unidos, com a cerveja Terminus 2026. A premiação ocorreu na categoria Wood-and-Barrel-Aged Strong Beer, uma das mais disputadas da competição. Conhecida como a Copa do Mundo da Cerveja, o evento reuniu 8.166 amostras de 1.644 cervejarias de 50 países.

    Wagner Falci e Michele Gimenez, sócios da Daoravida Brewpub na cerimôina de premiação. Foto: Divulgação Daoravida

    A Terminus 2026 tem como diferencial a maturação em barris de castanheira, madeira nativa do Brasil. No copo, a cerveja entrega notas de caramelo, toffee, rapadura, frutas secas e chocolate amargo, complementadas por nuances da castanheira ( castanhas, amêndoas torradas e um leve caráter resinoso). O corpo alto e a textura aveludada dão espaço a um final longo, com equilíbrio entre a doçura inicial, o calor alcoólico e o toque seco da madeira.

    “Vencer em uma das categorias mais disputadas do mundo usando uma madeira do Brasil reafirma a nossa identidade e mostra que o país já tem uma assinatura sensorial potente e respeitada lá fora”, diz Wagner Falci, co-fundador e cervejeiro da Daoravida.

    O Grand Slam da cerveja

    O ouro nos Estados Unidos completa uma trajetória que o projeto Terminus iniciou em 2021. As duas últimas safras acumularam medalhas nos quatro “Grand Slam” da cerveja,as competições mais relevantes do mundo. São elas: World Beer Cup, World Beer Awards, European Beer Star e Brussels Beer Challenge. Desde 2022, a Terminus recebe prêmios em praticamente todos os concursos dos quais participa, incluindo a Copa Guarani de Cervezas e o Concurso Brasileiro de Cervejas.

    No Concurso Brasileiro de Cervejas mais recente, a Terminus 2025 conquistou bronze e prata. E a Terminus 2026 levou o ouro na mesma categoria, superando a edição anterior do próprio projeto.

    Michele Gimenez, co-fundadora da Daoravida. Foto: Divulgação Daoravida

    “Nossa cerveja mais premiada até então foi superada pela nova safra. Isso mostra que o projeto continua evoluindo”, comemora Michele Gimenez, co-fundadora da Daoravida.

    A conquista reforça que a excelência técnica independe do tamanho da fábrica. Operando no modelo de brewpub, um bar que produz a própria cerveja, a Daoravida superou estruturas industriais de diferentes nações e traz visibilidade internacional para as cervejarias independentes brasileiras.

    Sobre o World Beer Cup

    A Brewers Association fundou o World Beer Cup em 1996. Hoje o evento representa a maior competição cervejeira do planeta e avalia as amostras às cegas. Em 2026, ao completar 30 anos, o concurso recebeu 8.166 inscrições, com 255 jurados, 128 internacionais, de 37 países, ao longo de 14 sessões em sete dias.

    Foto: Divulgação Daoravida

    O Brasil chegou à quinta posição entre os países com mais amostras inscritas, com 164 cervejas de 37 cervejarias.

  • Sorgo vira matéria-prima de cerveja artesanal sem glúten

    Sorgo vira matéria-prima de cerveja artesanal sem glúten

    O brasileiro bebe, em média, 69 litros de cerveja por ano. Com o aumento da conscientização sobre a doença celíaca, cresce também a demanda por cervejas artesanais sem glúten. E cervejarias buscam substituir trigo e cevada por ingredientes alternativos como arroz, milho, milheto e, mais recentemente, o sorgo. Nutritivos, sustentáveis e capazes de gerar novos sabores, esses grãos impulsionam o potencial de crescimento desse nicho de mercado.

    Para explorar esse cenário, a Advanta Seeds Brasil firmou parceria técnica com a cervejaria paulista X Craft Beer e desenvolveu um lote experimental de cerveja à base de sorgo. Com receita exclusiva, o projeto comprova, na prática, a versatilidade do cereal como ingrediente estratégico para a indústria de bebidas.

    Mudar a percepção do sorgo

    O principal objetivo da iniciativa foi demonstrar o potencial técnico e sensorial do grão ancestral, ampliando sua percepção além dos usos tradicionais. Aline Silva, responsável pela área de inteligência de mercado da Advanta, explica a motivação: “O sorgo ainda é muito associado a uma cultura secundária, utilizada em safrinha, com destinação a ração ou biocombustíveis. Com essa iniciativa, buscamos provocar uma mudança de percepção, mostrando que ele também pode ser protagonista em produtos inovadores, conectando agricultura, indústria e consumidor final.”

    A cerveja experimental não está disponível comercialmente, mas cumpre seu papel como demonstração técnica das possibilidades do cereal.

    Parceria nasceu em evento do agronegócio

    Presente na história da humanidade há milênios, o sorgo já serve de base para bebidas fermentadas em regiões da África e da Ásia. No Brasil, a ideia de produzir uma cerveja com o grão era um projeto antigo da Advanta, inspirado em uma iniciativa realizada pela empresa na Argentina. E encontrou o momento ideal para tomar forma após a conexão com a X Craft Beer em um evento do agronegócio em São Paulo.

    A X Craft Beer atua há 12 anos no mercado, possui fábrica própria há cinco e conta com um portfólio de mais de 30 rótulos registrados. Alexandre Lewis Xerxenevsky, cervejeiro com 16 anos de experiência e formação no Canadá e nos Estados Unidos, lidera a empresa e assumiu o desafio técnico do projeto.

    Desafio técnico exigiu processo específico

    A parceria resultou em uma cerveja experimental com mais de 50% de sorgo não maltado. A meta é chegar a um produto final com 100% do cereal. “Esse projeto vai além do produto: trata de inovação e sustentabilidade. Ao explorar o sorgo em uma bebida artesanal moderna, unimos tradição e tecnologia, valorizando um grão com herança cultural e grande potencial para cadeias produtivas sustentáveis”, destaca Aline.

    O processo utilizou condução enzimática e técnicas modernas de brassagem. Xerxenevsky explica o desafio: “O sorgo não maltado não possui naturalmente as enzimas necessárias para converter o amido em açúcares fermentáveis. Foi preciso desenvolver um processo específico, com controle rigoroso de temperatura, pH e uso de enzimas, garantindo eficiência na conversão e qualidade final da cerveja.”

    Para o estilo, o cervejeiro optou por uma Pale Ale com lúpulos americanos e adição mínima de cevada. “O resultado foi surpreendente. Chegamos a uma cerveja leve, refrescante, com baixo teor alcoólico e características únicas de aroma e sabor”, afirma.

    Receptividade positiva abre caminho para novos lotes

    Os primeiros lotes chegaram a colaboradores, parceiros e fornecedores durante eventos da Advanta e geraram receptividade positiva, incluindo pedidos por novas produções.

    Foto: Divulgação

    Aline ressalta que a intenção da empresa não é entrar no mercado de bebidas em escala, mas sim movimentar a cadeia produtiva. “Demonstramos que, quando a indústria identifica oportunidades, é possível desenvolver produtos inovadores e diferenciados. Além disso, o sorgo representa uma alternativa interessante para o público que busca opções sem glúten mais acessíveis e de qualidade”, conclui.