Tag: certificação

  • Porto Grande conquista Indicação Geográfica para abacaxi

    Porto Grande conquista Indicação Geográfica para abacaxi

    O município de Porto Grande, no Amapá, recebeu o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) como produtor de abacaxi. A certificação que já foi publicada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) é a primeira do estado. O título foi concedido na categoria Indicação de Procedência (IP) e destaca a relevância do abacaxi para a economia e cultura locais.

    Portanto, Porto Grande agora integra o seleto grupo de 133 Indicações Geográficas reconhecidas no Brasil, das quais 94 são de Indicação de Procedência e 39 de Denominação de Origem.

    Produção agrícola movimenta economia de Porto Grande

    Com cerca de 20 mil habitantes, Porto Grande é o maior produtor de abacaxi do Amapá. Ou seja, a cidade se tornou um centro agrícola expressivo após se desmembrar de Macapá, em 1992. A relevância do fruto é tamanha que uma praça da cidade exibe a escultura de um abacaxi, símbolo da importância econômica e cultural da produção local.

    Na capital do estado, Macapá, o abacaxi de Porto Grande ganha espaço em restaurantes e praças, sendo vendido como “abacaxi temperado”. O produto atrai a atenção de turistas e ganha destaque na praça do Coco, onde quiosques o comercializam amplamente. Segundo o Inpi, a alta demanda reflete o sucesso do produto no mercado regional.

    De acordo com dados de 2020, a produção agrícola de Porto Grande alcançou um valor estimado de R$ 15 milhões. Esse desempenho colocou a cidade como uma referência na agricultura do Amapá, especialmente no cultivo de banana e abacaxi, que representam 32% da produção agrícola do estado.

    Festival celebra tradição e incentiva agricultores

    Desde os anos 1990, o Festival do Abacaxi de Porto Grande é um dos eventos mais importantes do calendário cultural do Amapá. Realizado no pico da safra, em setembro, o festival promove a agricultura familiar e movimenta a economia local, reunindo moradores e turistas em uma celebração que valoriza os produtores rurais.

    Além disso, desde janeiro o cultivo de abacaxi é Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial. Estimativas indicam que o município possui 12 milhões de pés de abacaxi, sendo a variedade pérola a mais cultivada. Em resumo, a espécie tem sabor adocicado, perfume marcante e coloração amarela clara.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Be8 compra Biopar e amplia capacidade de produção de biodiesel
    + Agro em Campo: Fiscais apreendem 18 toneladas de arroz irregular

    Indicação Geográfica fortalece tradição agrícola

    A Indicação Geográfica de Porto Grande ressalta a ligação entre o fruto e o território. Além disso, a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural afirmou, no Instrumento Oficial de Delimitação, que o cultivo do abacaxi reforça a rica tradição agrícola da região e impulsiona a economia local.

    As IGs, como a de Porto Grande, certificam produtos cuja qualidade e características estão diretamente ligadas à sua origem geográfica. Na categoria IP, o reconhecimento se dá pelo fato de um local ser tradicionalmente conhecido pela produção de um produto específico.

    Já as Denominações de Origem (DO) destacam produtos ou serviços cujas qualidades dependem do ambiente geográfico, incluindo fatores naturais e humanos.

    Em resumo, o reconhecimento do abacaxi de Porto Grande como IG fortalece o setor agrícola, valoriza os produtores e promove a economia da cidade no cenário nacional.

     

  • Embrapa define diretrizes para produção de soja de baixo carbono

    Embrapa define diretrizes para produção de soja de baixo carbono

    A Embrapa estabeleceu diretrizes técnicas para a certificação da soja de baixo carbono, prometendo uma redução de 30% na pegada ambiental das produções que seguirem as orientações. Este avanço, além de promover a sustentabilidade, visa diversificar as exportações brasileiras, atualmente direcionadas majoritariamente para a China.

    A primeira versão do documento “Diretrizes Técnicas para Certificação Soja Baixo Carbono” foi publicada, delineando as premissas para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em sistemas agrícolas. Essas premissas estão sendo testadas em mais de 60 áreas agrícolas, distribuídas por cinco macrorregiões produtoras de soja, durante as safras de 2023/24 e 2024/25.

    Henrique Debiasi, coordenador do Comitê Gestor do Programa Soja Baixo Carbono (PSBC) e pesquisador da Embrapa Soja, enfatiza a importância da publicação das diretrizes. “É fundamental para validarmos cientificamente a metodologia de quantificação desenvolvida pela Embrapa”, explica Debiasi.

    Objetivos e benefícios

    O PSBC compara sistemas de produção típicos com aqueles que adotam soluções mitigadoras, buscando reduzir a intensidade das emissões de GEE. Debiasi destaca que a adoção das tecnologias descritas nas diretrizes pode reduzir as emissões em aproximadamente 30%.

    O selo Soja Baixo Carbono (SBC) será concedido a produtores que adotarem práticas agrícolas sustentáveis, resultando em menor emissão de GEE. Todas as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação necessárias para validar o protocolo de certificação SBC estão sendo coordenadas dentro do PSBC.

    Estruturação para a produção de soja de baixo carbono

    O programa se baseia em duas diretrizes técnicas: adequação do imóvel rural e adequação do sistema de produção. Para a adequação do imóvel rural, os critérios incluem a ausência de autuações ambientais, cumprimento de normas trabalhistas e eliminação de queimadas deliberadas.

    Já a adequação do sistema de produção envolve práticas obrigatórias, como o Sistema Plantio Direto (SPD), e práticas recomendáveis, que compõem o Índice de Adoção de Práticas Agrícolas Sustentáveis (Iapas). Para receber o selo SBC, o Iapas deve atingir um valor mínimo de 7.

    Práticas agrícolas sustentáveis

    Entre as práticas obrigatórias estão a adoção do SPD, a coinoculação e o manejo integrado de pragas. As práticas recomendáveis incluem o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e o uso de sementes certificadas. Essas práticas visam melhorar o balanço de carbono nas áreas de produção.

    A melhoria do Balanço das Emissões será medida pela intensidade das emissões de GEE do sistema candidato em comparação ao sistema típico da região. Além disso, a área candidata deve apresentar estoques de carbono orgânico total do solo superiores.

    O que vem por aí …

    O próximo passo do PSBC é validar o protocolo de certificação em mais de 60 áreas agrícolas durante as safras de 2023/24 e 2024/25. Ou seja, esta fase visa escalar a iniciativa, identificando sistemas de produção aptos à certificação, com previsão de lançamento do protocolo para o mercado em 2026.

    O setor produtivo, organismos internacionais e representantes do mercado discutirão o protocolo para garantir que a metodologia reflita a realidade do produtor brasileiro e seja aceita internacionalmente.

    Adequação às condições do nosso país

    Marcelo Hirakuri, pesquisador da Embrapa, ressalta que o PSBC está fundamentado nas condições edafoclimáticas das diversas regiões produtoras de soja do Brasil. A metodologia MRV (mensurável, reportável e verificável) adotada pelo selo Soja Baixo Carbono é voluntária, permitindo que produtores colaborem com iniciativas verdes.

    O PSBC visa reconhecer a soja produzida de forma sustentável, agregando valor ao produto e oferecendo vantagens como juros mais baixos e prêmios em seguros agrícolas. Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, afirma que o Brasil se posicionará fortemente no agronegócio mundial com esta iniciativa, demonstrando sua contribuição para uma agricultura mais sustentável.

    Com estas diretrizes, a Embrapa e seus parceiros esperam estabelecer um novo padrão de produção agrícola, focado na redução de emissões de GEE e na sustentabilidade ambiental, fortalecendo a posição do Brasil no mercado global.

     

  • Baixo Custo: tecnologia de irrigação com potes da Embrapa é certificada pela Fundação Banco do Brasil

    Baixo Custo: tecnologia de irrigação com potes da Embrapa é certificada pela Fundação Banco do Brasil

    A tecnologia Irrigapote, desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental, acaba de receber a certificação de tecnologia social na 12ª Edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social e Desafio para Reaplicação de Tecnologia Social.

    O sistema, que oferece irrigação de baixo custo para a agricultura familiar a partir do aproveitamento de águas das chuvas, concorreu com mais de 1.012 iniciativas de todo o território nacional e se destacou entre as 87 tecnologias sociais certificadas.

    Irrigapote: uma solução sustentável para a agricultura familiar

    Proposto pela pesquisadora Lucieta Martorano, agrometeorologista da Embrapa Amazônia Oriental, o Irrigapote utiliza um artefato milenar e referência na cultura indígena amazônica, o pote de barro, como armazenador de águas pluviais.

    O pote propicia irrigação durante períodos de escassez hídrica a diversos tipos de culturas agrícolas, como fruteiras e hortaliças.”O foco do projeto é a agricultura de base familiar em pequenas e médias propriedades, possibilitando continuidade de produção de alimentos, mesmo em período de grande restrição hídrica, garantindo renda e segurança alimentar”, explica Lucieta Martorano.

    Impacto positivo na produtividade e renda dos agricultores

    A família Rocha, produtora de fruteiras e hortaliças na comunidade de Lavras, em Santarém (PA), é um exemplo de sucesso da adoção do Irrigapote. Desde 2016, quando foram contemplados com uma Unidade de Referência Tecnológica do sistema, as perdas com as secas diminuíram drasticamente na propriedade.

    “Na propriedade, os potes são enterrados próximos às fruteiras e ainda servem para fornecer água às hortaliças e oleaginosas, como o gergelim, em forma de mandalas, aumentando a diversidade de produtos e renda”, destaca Martorano.

    Reconhecimento e expansão da tecnologia

    A certificação da Fundação Banco do Brasil é um importante reconhecimento para a tecnologia Irrigapote, evidenciando seu impacto social e potencial de expansão.

    Segundo Lucieta Martorano, a expectativa é ver o sistema se tornar uma política pública, auxiliando no combate à fome e à pobreza, além de gerar riqueza e autonomia para os produtores rurais.”

    A certificação reconhece as tecnologias que realmente geram impacto e benefícios sociais. Ela traz um novo ânimo ao projeto, vislumbrando possibilidades de frentes amplas de adoção e novos canais de financiamento”, comemora a pesquisadora.

    https://youtu.be/xlxkUm8vSb4

    O Irrigapote já é utilizado com sucesso no oeste do Pará e ganha expansão por meio de parcerias com universidades e entidades de assistência técnica, como a Emater. A tecnologia pode ser aplicada em todas as regiões do país, contribuindo para a sustentabilidade e o desenvolvimento da agricultura familiar.