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  •  “Piorou para o Brasil”, afirmam exportadores  de café

     “Piorou para o Brasil”, afirmam exportadores de café

    A recente redução das tarifas de importação pelos Estados Unidos gerou reações contrastantes entre exportadores brasileiros. Embora o governo americano tenha eliminado a taxa global de 10% para cerca de 200 produtos, manteve a sobretaxa de 40% aplicada especificamente ao Brasil, o que afetou diretamente os embarques de café, carnes e frutas.

    “Melhorou para os nossos concorrentes e piorou para o Brasil”, afirmou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. Segundo ele, o café brasileiro, antes taxado em 50%, passou a ter tarifa de 40%, enquanto países concorrentes, como Colômbia e Vietnã, agora exportam para os EUA com taxa zero.

    Os Estados Unidos são o principal destino do café nacional e respondem por cerca de 16% das exportações brasileiras do produto, de acordo com o Ministério da Agricultura. No entanto, a manutenção da tarifa elevada já provocou forte queda nas vendas. Entre agosto e outubro, as importações americanas de café brasileiro recuaram 51,5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Cecafé.

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) emitiu uma nota agora a pouco:

    Comunicado BSCA – Tarifaço dos EUA

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) lamenta o fato de a nova ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta-feira, 14 de novembro, que trata da “Modificação do âmbito de aplicação da tarifa recíproca em relação a certos produtos agrícolas”, não conter a exclusão integral das tarifas de 50% impostas sobre os cafés do Brasil, principalmente os cafés especiais, a serem importados pelos norte-americanos.

    A nova orientação da Casa Branca retira a taxa recíproca de 10% sobre a importação dos cafés do Brasil, mas mantém os 40% adicionais, que estão em vigência desde agosto deste ano.

    Tal situação, de manutenção de elevada posição tarifária imposta ao Brasil, amplia as distorções no comércio e tende a intensificar, no curto prazo, a queda nas exportações de cafés especiais aos Estados Unidos.

    Como exemplo, de agosto a outubro — os três meses de vigência do tarifaço —, os embarques de cafés especiais do Brasil aos EUA, o principal mercado importador desse produto nacional, caíram cerca de 55%, saindo de 412 mil sacas de 60 kg no mesmo período de 2024 para as atuais 190 mil sacas.

    Diante disso, a BSCA anseia pela aceleração das negociações entre Brasil e EUA, de modo a corrigir as distorções no comércio cafeeiro entre os países, o qual desejamos que tenha seu fluxo normal restabelecido o mais rápido possível, já nas próximas semanas, dada a urgência que o tema demanda.

    Carnes e frutas

    No setor de carnes e frutas, a avaliação é de que houve algum avanço, mas ainda insuficiente para garantir competitividade frente a outros países contemplados com isenções totais. O temor é de que o Brasil perca participação em mercados estratégicos caso as negociações comerciais não avancem em direção a maior igualdade tarifária.

     

  • Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Donald Trump assinou uma canetada que pode mudar o rumo do comércio agrícola entre Estados Unidos e Brasil. Nesta sexta (14), o presidente americano anunciou a redução das tarifas sobre carne bovina, café, tomate e banana. O gesto mira a inflação que corrói o bolso do consumidor americano, e abre espaço para os exportadores brasileiros respirarem aliviados.

    A medida vem após semanas de pressão sobre o governo, especialmente depois do tarifaço que elevou os preços dos alimentos nos EUA. O texto da Casa Branca, publicado de madrugada, tem efeito retroativo: vale desde as 2h01 desta quinta (13), horário de Brasília. Um raro recuo de Trump em meio à sua cruzada por “déficits comerciais justos”.

    O Brasil surge entre os maiores beneficiados. Maior produtor global de café e segundo maior exportador de carne bovina, o país vinha sofrendo com sobretaxas de até 50%. Desde agosto, as vendas de café para o mercado americano desabaram, com uma queda de 54,4% em outubro, segundo o Cecafé. E o consumidor americano sentiu o golpe: o produto acumula alta de 20% no preço médio, conforme dados oficiais de inflação (CPI).

    Ainda pairam dúvidas sobre o alcance do decreto. A nova ordem de Trump não cita diretamente a sobretaxa de 40% contra o Brasil. Especialistas avaliam que o alívio pode se aplicar apenas às tarifas de 10% impostas em abril. “Seguimos estudando o texto”, disseram analistas ouvidos pela reportagem.

    Reações

    Nos bastidores, o clima é de observação. A Abiec classificou a decisão como “muito positiva”, destacando que ela reforça a confiança no diálogo técnico entre os países. “A carne brasileira é reconhecida pela qualidade e regularidade. Essa medida é um passo na direção certa”, afirmou a entidade em nota.

    Enquanto isso, Washington costura acordos pela América Latina. Na quinta (13), Trump anunciou negociações avançadas com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala — todos sem citar o Brasil. As conversas incluem promessas de abrir mercados e travar impostos sobre serviços digitais.

    A Casa Branca, contudo, deixou claro: as tarifas gerais de 10% e 15% para esses países continuarão, mas alguns produtos terão exceções. Fica claro que Trump tenta calibrar a balança e conter a inflação doméstica sem perder a retórica protecionista que mobiliza sua base.

    Em Brasília, o Itamaraty se move. O chanceler Mauro Vieira se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em busca de uma trégua. O Brasil propôs suspender temporariamente as sobretaxas de 40% e negociar caso a caso. Nenhuma resposta oficial até o fim da noite.

    O jogo comercial segue em aberto. Trump ensaia um recuo tático. O Brasil observa e espera.

  • Exportações de café brasileiro caem 20% em outubro

    Exportações de café brasileiro caem 20% em outubro

    Exportações brasileiras de café registraram queda significativa de 20% em outubro de 2025, totalizando 4,141 milhões de sacas de 60 kg, em comparação com as 5,176 milhões de sacas embarcadas no mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em seu relatório estatístico mensal.

    Apesar da redução no volume exportado, a receita cambial cresceu 12,6%, alcançando US$ 1,654 bilhão no mês. O desempenho financeiro positivo reflete as cotações mais elevadas do café no mercado internacional, compensando parcialmente a queda nos embarques.

    Acumulado de 2025 mantém tendência de queda nos volumes

    No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o Brasil exportou 33,279 milhões de sacas de café, volume 20,3% inferior aos 41,769 milhões registrados nos primeiros 10 meses de 2024. Em contrapartida, a receita cambial avançou 27,6%, saltando de US$ 9,968 bilhões para US$ 12,715 bilhões.

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores explicam o desempenho: “O recuo das exportações era aguardado, principalmente por virmos de remessas recordes em 2024 e de uma safra com menor potencial produtivo”, afirmou.

    Tarifaço americano reduz embarques para os EUA em 51,5%

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre cafés brasileiros tornou-se um dos principais obstáculos para o setor. Entre agosto e outubro de 2025, período de vigência do tarifaço, os norte-americanos importaram apenas 983.970 sacas, queda drástica de 51,5% em relação aos 2,030 milhões do mesmo período de 2024.

    “O Brasil sempre foi o produtor mais competitivo e é o principal provedor ao mercado de café dos EUA, mas a taxação de 50% torna inviável o envio do produto para lá”, explicou Ferreira. “Esses embarques que temos observado são de contratos antigos.”

    Risco de perda permanente de mercado

    O presidente do Cecafé alertou para um problema estratégico de longo prazo: a mudança no paladar do consumidor americano. “Já é possível observar cafés com blends sem o café brasileiro no mercado americano. Se as tarifas demorarem mais a cair, pode ser difícil o Brasil recuperar sua fatia tradicional no mercado cafeeiro dos EUA, que é de aproximadamente um terço”, analisou.

    Negociações para isenção tarifária em andamento

    O Cecafé tem intermediado conversas entre torrefadores americanos e a embaixada brasileira em Washington para transferir o café da seção 3 para a seção 2 da ordem executiva do presidente Donald Trump, possibilitando importação com tarifa zero.

    Ferreira revelou que a indústria cafeeira norte-americana recebeu sinais positivos da Casa Branca: “Nossos pares informaram que o governo Trump deseja isentar o café do tarifaço e que isso pode ser negociado de forma isolada, sem considerar outros produtos. A bola está com o governo brasileiro.”

    Infraestrutura portuária defasada agrava cenário

    Além do tarifaço, a infraestrutura defasada nos portos brasileiros continua impossibilitando o embarque de centenas de milhares de sacas, segundo o Cecafé. O Porto de Santos mantém a liderança, responsável por 79% das exportações (26,297 milhões de sacas). Ele é seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (17,4%) e Porto de Paranaguá (1%).

    Mesmo com a queda de 28,1%, os Estados Unidos permanecem como principal importador, com 4,711 milhões de sacas (14,2% do total). O ranking dos cinco maiores destinos no acumulado de 2025 inclui:

    • Estados Unidos: 4,711 milhões de sacas (-28,1%)
    • Alemanha: 4,339 milhões de sacas (-35,4%)
    • Itália: 2,684 milhões de sacas (-19,7%)
    • Japão: 2,182 milhões de sacas (+18,5%)
    • Bélgica: 1,912 milhão de sacas (-47,5%)

    Café arábica domina exportações

    O café arábica representa 79,9% das exportações brasileiras, com 26,602 milhões de sacas embarcadas entre janeiro e outubro, apesar da queda de 12,5% em relação a 2024. A espécie canéfora (conilon + robusta) responde por 10,6% do total, seguida pelo café solúvel (9,4%).

    Os cafés certificados, especiais e de qualidade superior totalizaram 6,580 milhões de sacas (19,8% das exportações). Gerando receita de US$ 2,803 bilhões a um preço médio de US$ 426,04 por saca. Esse segmento registrou crescimento de 44,1% na receita cambial em comparação com 2024.

  • Governo apresenta planos para isentar café das tarifas americanas

    Governo apresenta planos para isentar café das tarifas americanas

    O governo brasileiro trabalha com duas estratégias para proteger o café das tarifas que os Estados Unidos impõem aos produtos brasileiros. A informação veio à tona durante reunião entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), realizada nesta quarta-feira, 22 de outubro, em Brasília.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, e o diretor técnico Eduardo Heron apresentaram ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) um panorama atualizado da cafeicultura nacional e mundial. Incluindo dados sobre produção, exportação e consumo nos principais mercados.

    Duas frentes de ação em andamento

    Alckmin detalhou as negociações em curso com autoridades americanas e revelou as duas alternativas que o Brasil propõe para o café. A primeira prevê a suspensão de todas as tarifas sobre produtos brasileiros enquanto os dois países negociam um acordo comercial bilateral. A segunda mantém o café na lista de isenção produto a produto. Conforme estabelece a ordem executiva que o presidente Donald Trump assinou em 5 de setembro.

    “O governo brasileiro já formalizou a primeira proposta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. E também aos demais secretários americanos do Comércio e ao USTR, representante de Comércio dos Estados Unidos. A administração Trump agora avalia a solicitação”, explica Matos.

    O vice-presidente garantiu que, caso a suspensão geral não aconteça, o café encabeça a lista de produtos que Brasil e Estados Unidos querem incluir no anexo 2 da ordem executiva, com isenção total de tarifas. Outros produtos, como celulose e algumas madeiras, já conquistaram esse benefício e não pagam nem os 10% da tarifa-base estabelecida em abril.

    Reunião entre presidentes acontece no domingo

    Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária, da Fazenda e o próprio MDIC, através da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), trabalham intensamente nos preparativos para o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado para domingo, 26 de outubro, na Malásia.

    “Alckmin nos informou que solicitou diretamente ao presidente Lula para abordar a possibilidade de suspensão das tarifas até a conclusão do acordo bilateral nessa conversa”, revela o diretor-geral do Cecafé.

    O vice-presidente enfatizou que a reunião entre os mandatários priorizará temas econômicos, com senso de urgência. Alckmin também manifestou interesse em manter contato permanente com o Cecafé para avaliar cenários e resolver outros desafios que as exportações de café enfrentam nos Estados Unidos e em outros mercados internacionais.

    Foto: Divulgação Cecafé

    Participaram do encontro, além de Matos e Heron, a secretária de Comércio Exterior Tatiana Prazeres, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços Uallace Lima e o secretário-executivo da CAMEX Rodrigo Loureiro.

  • Missão do Brasil à Itália celebra o protagonismo do café brasileiro

    Missão do Brasil à Itália celebra o protagonismo do café brasileiro

    Entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) marcou presença em uma série de eventos estratégicos realizados na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma. A missão brasileira foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, acompanhado de representantes técnicos do governo e da pesquisa agropecuária nacional.

    A agenda incluiu participação em três eventos centrais da FAO: o lançamento das novas diretrizes da Parceria para Avaliação Ambiental e Desempenho da Pecuária (LEAP), o seminário “Celebrating Coffee: Sustainability, Culture and Development” e a conferência ministerial “FAO Global Conference on Sustainable Livestock Transformation”.

    Durante a abertura da conferência sobre pecuária sustentável, Luís Rua apresentou as políticas públicas brasileiras voltadas à redução do desmatamento e recuperação de pastagens degradadas. O secretário destacou os sistemas integrados de produção (lavoura-pecuária-floresta), que já ocupam cerca de 17 milhões de hectares no país.

    “O modelo brasileiro alia produtividade e conservação. É um sistema que produz, preserva e contribui para a segurança alimentar global”, afirmou Rua, ressaltando ainda o papel da Embrapa na disseminação de tecnologias agrícolas sustentáveis em diversos continentes.

    Café brasileiro em destaque: qualidade, tradição e parceria com a Itália

    O protagonismo do café brasileiro foi celebrado em dois momentos especiais. No Dia Internacional do Café, promovido pela Embaixada do Brasil em Roma em parceria com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). E também no evento da FAO dedicado à sustentabilidade na cafeicultura.

    Foto: MAPA

    A Itália, que figura entre os quatro maiores compradores de café brasileiro, tem no expresso um de seus símbolos culturais mais fortes. “Quatro em cada dez xícaras de café consumidas na Itália têm origem no Brasil”, destacou Rua, enfatizando a importância estratégica dessa parceria comercial e cultural.

    Os debates trouxeram à tona a capacidade do café de unir tradição, inovação e compromisso ambiental, consolidando o Brasil como referência mundial em produção sustentável e de alta qualidade.

    Cooperação técnica e diálogo bilateral ampliam parcerias

    Além da participação nos eventos oficiais, a delegação brasileira realizou reuniões bilaterais com representantes de países africanos e centro-americanos, como Quênia, Guatemala e Burkina Faso. Os encontros abordaram temas como restauração de áreas degradadas, questões sanitárias e cooperação técnica no setor agropecuário.

    “Seguimos as diretrizes do ministro Carlos Fávaro na busca por oportunidades que melhorem a vida dos nossos produtore. E ampliem o acesso dos alimentos brasileiros no mundo”, concluiu o secretário Luís Rua, reafirmando o compromisso do Brasil com a segurança alimentar global e o diálogo multilateral.

    A missão consolidou o papel do Brasil como ator protagonista na promoção da agropecuária sustentável e no fortalecimento das relações internacionais no setor agroalimentar.

  • Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Os exportadores brasileiros de café enfrentam uma crise logística que resultou em prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas no mês de agosto. A defasagem da infraestrutura portuária impediu o embarque de 624.766 sacas do produto. Isso é equivalente a 1.893 contêineres, gerando custos extras com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions.

    Os dados foram levantados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto aos seus associados. E revelam um cenário alarmante para o setor cafeeiro nacional, que vê seu potencial de crescimento limitado por gargalos estruturais.

    Impacto cambial chega a R$ 1,2 bilhão

    Além dos prejuízos diretos com custos logísticos, o não embarque desse volume impediu que o Brasil recebesse US$ 221,28 milhões em receitas cambiais. Isso representa R$ 1,205 bilhão considerando a cotação média do dólar em agosto (R$ 5,4463) e o preço médio FOB de exportação de US$ 354,18 por saca de café verde.

    O problema se intensifica justamente no momento em que as exportações aumentam com a entrada do café arábica da nova safra no mercado. Evidenciando a incapacidade da infraestrutura atual de absorver a demanda crescente do agronegócio brasileiro.

    “Cenário tende a piorar”, alerta Cecafé

    Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, manifesta preocupação com a tendência de agravamento da situação nos próximos meses e anos. “É um cenário que se repete e, infelizmente, tende a piorar se não houver investimentos rápidos nos portos do Brasil para aumentar a oferta de capacidade de pátio e berço”, lamenta o executivo.

    Segundo Heron, o agronegócio brasileiro cresce a taxas expressivas, mas a infraestrutura portuária não acompanha essa evolução. Portanto, gerando prejuízos constantes especialmente aos exportadores que dependem de contêineres. “Sem investimentos, veremos cada vez mais portos lotados e atrasos constantes nas embarcações. A estrutura atual está esgotada”, alerta.

    Polêmica no leilão do Tecon Santos 10

    O diretor técnico do Cecafé critica especialmente o imbróglio no processo do leilão do Tecon Santos 10, causado pelas restrições propostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que limitam a participação de empresas no processo licitatório.

    “A morosidade e a restrição de empresas ao certame, deliberadas pelo colegiado da ANTAQ, incorrerão na judicialização do processo e atrasarão ainda mais a oferta de capacidade aos usuários do Porto de Santos, ampliando os prejuízos ao comércio exterior brasileiro”, afirma Heron.

    O executivo destaca que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já se manifestou favorável à remoção de restrições no leilão durante painel promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sugerindo “remédios” mais adequados para coibir eventuais concentrações de mercado.

    Mobilização por novo marco regulatório

    O Cecafé vem intensificando ações junto ao governo, parlamentares e entidades representativas para buscar melhorias na infraestrutura portuária. Em setembro, a entidade se reuniu com o deputado federal Arthur Maia, relator do Projeto de Lei 733/2025, que propõe um novo marco regulatório para o Sistema Portuário Brasileiro.

    Na ocasião, a entidade defendeu a manutenção da garantia de modicidade e publicidade das tarifas portuárias, previstas na Lei nº 12.815/2013. E ressaltou a importância de uma legislação moderna que aumente a competitividade do comércio exterior sem elevar custos aos usuários de carga.

    O Cecafé também propôs melhorias na governança e composição do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), incluindo participação dos usuários de carga para debater temas como poligonais, dragagem e integração entre diferentes modais de transporte.

    Audiência pública deve debater crise portuária

    Em contato com o deputado federal Evair de Melo, o Cecafé apresentou requerimento para realização de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. O objetivo é debater os impactos do esgotamento da infraestrutura portuária e os entraves impostos pela ANTAQ, além da urgência do leilão do Tecon Santos 10.

    “O deputado Evair compreendeu a importância do tema e demonstrou interesse em apoiar os exportadores. Colocando-se à disposição para protocolar nosso pedido de audiência pública, que deverá ser agendada em breve”, relata Heron.

    O Cecafé também tem promovido reuniões com outras entidades vinculadas à exportação, apresentando dados do Boletim Detention Zero (DTZ) para buscar sinergia na apresentação de demandas às autoridades portuárias. A mais recente foi com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde se propôs união de esforços para agilizar o leilão do Tecon Santos 10.

    Números revelam caos nos principais portos

    O Boletim DTZ foi elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. E revela que em agosto de 2025, metade dos navios (168 de 335 embarcações) tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos brasileiros.

    No Porto de Santos, responsável por 80,2% dos embarques de café de janeiro a agosto, o índice de atrasos ou alterações chegou a 67%, afetando 122 dos 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera registrado foi de 47 dias.

    Apenas 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto no porto santista. Enquanto 59% ficaram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

    O complexo portuário do Rio de Janeiro é o segundo maior exportador de café brasileiro com 15,8% de participação. E registrou índice de atrasos de 38%, com o maior intervalo chegando a 36 dias. Neste porto, 44% dos procedimentos tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto, 37% entre três e quatro dias, e 19% menos de dois dias.

    Setor pede indicadores e planejamento

    O diretor técnico do Cecafé enfatiza a importância de a nova lei de portos contemplar a criação de indicadores logísticos para avaliar o desempenho portuário de forma transparente. “É necessário que os investimentos e a ampliação da capacidade em infraestrutura portuária antecipem a demanda, deixando de ser pautados apenas por narrativas”, defende.

    Segundo Heron, as autoridades públicas têm dificuldade para enxergar gargalos logísticos diante das consecutivas quebras de recordes do comércio exterior brasileiro. “O Cecafé e outras entidades entendem a necessidade de ampliar a infraestrutura portuária. E devido à complexidade da matéria, estamos unindo esforços para buscar medidas que possam mitigar os riscos dos desafios logísticos e portuários do país”, conclui.

  • Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Uma parceria estratégica entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) promete transformar a cafeicultura brasileira com foco em sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (1º), durante as celebrações do Dia Internacional do Café.

    A iniciativa integra o Programa Construindo Solos Saudáveis e está alinhada ao tema proposto pela Organização Internacional do Café (OIC) para 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O mote reforça a importância da cooperação em toda a cadeia produtiva para garantir sustentabilidade ambiental e prosperidade econômica.

    Culturas de cobertura são chave para regeneração do solo

    O projeto prevê a implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades cafeeiras do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro. Nessas áreas, será testada e difundida a técnica de cultivo de plantas de cobertura nas entrelinhas do café, prática que melhora significativamente a saúde do solo.

    “Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, explica Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé.

    Estudo comprova potencial de sequestro de carbono na cafeicultura

    A técnica já foi validada cientificamente pelo estudo “Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais”, conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) em parceria com o professor Carlos Cerri, da Esalq/USP. A pesquisa integra a agenda de carbono do Cecafé.

    Os resultados impressionam: a manutenção do solo coberto, combinada com outras práticas conservacionistas, resulta em um balanço negativo (sequestro) de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica cultivado ao ano. Os dados demonstram o potencial concreto da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos do aquecimento global.

    “Os resultados desse trabalho são uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, afirma Silvia Pizzol.

    Da teoria à prática: ações no campo começam agora

    A parceria entre Cecafé e Emater-MG viabilizará a transição dos conhecimentos científicos para aplicação prática nas lavouras. A Emater-MG contribui com sua expertise técnica e capilaridade estadual, enquanto os exportadores associados ao Cecafé apoiam a mobilização dos produtores.

    Entre as ações previstas estão dias de campo focados em manejo sustentável, assistência técnica especializada aos cafeicultores, análises detalhadas de solo e biomassa, mobilização de produtores e elaboração de relatórios técnicos baseados nos resultados das Unidades Demonstrativas.

    Mercado e produtores se beneficiam da agricultura regenerativa

    Bernardino Cangussú Guimarães, coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, destaca que a iniciativa responde às demandas crescentes do mercado internacional por produtos sustentáveis.

    “Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa. Que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, comemora o coordenador.

    A colaboração marca um momento importante para o setor cafeeiro brasileiro, unindo esforços para construir uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e ambientalmente responsável. E garantindo a sustentabilidade da atividade para as próximas gerações.

  • Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    As exportações de café do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma queda abrupta de 46% em agosto de 2020. Impactadas diretamente pela tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre o produto. Os dados, divulgados pelo Café (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), revelam uma significativa reconfiguração no fluxo comercial do grão.

    Enquanto as vendas para o maior consumidor mundial despencaram para 301 mil sacas de 60 kg (ante 562 mil em 2019), os países da América Latina emergiram como destinos em crescimento explosivo. As exportações para a Colômbia tiveram um aumento extraordinário de 578%, e para o México, a alta foi de 90%.

    A Alemanha manteve sua posição de liderança, se consolidando como o maior importador individual de café brasileiro no período, com a compra de 414.109 sacas, mesmo com uma ligeira contração no volume.

    Em nota, o presidente da Cecafe, Márcio Ferreira, atribuiu a turbulência diretamente às medidas tarifárias. “As tarifas perturbaram o mercado e abriram a porta para movimentos especulativos”, afirmou. Ferreira também descartou a possibilidade de o setor usar rotas de terceiros países, como México ou Colômbia, para burlar a tarifa e acessar o mercado americano, classificando a prática como de fácil detecção pelas autoridades dos EUA.

    Café solúvel e inflação em alerta

    O segmento de café solúvel foi um dos mais atingidos. De acordo com a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), as exportações para os EUA desse produto caíram 59,9% em agosto.

    A escalada da tensão comercial preocupa entidades globais e nacionais. Tanto a Organização Internacional do Café (OIC) quanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já alertaram que as tarifas podem elevar os preços globais da commodity. Para o Brasil, que é o segundo maior consumidor do mundo, o aumento dos custos internacionais pode se refletir na inflação doméstica. Como destacou Celirio Inácio, da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). “O café está ficando mais caro… e isso contribuirá diretamente para a inflação aqui no Brasil”, projetou.

  • Exportações de café do Brasil caem 17,5% em agosto

    Exportações de café do Brasil caem 17,5% em agosto

    As exportações brasileiras de café registraram queda significativa em agosto de 2025, com o país enviando ao exterior 3,144 milhões de sacas de 60 kg, representando uma redução de 17,5% em comparação ao mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em seu relatório estatístico mensal.

    Apesar da diminuição no volume exportado, a receita cambial apresentou crescimento expressivo de 12,7%, atingindo US$ 1,101 bilhão. O resultado reflete o cenário atual do mercado internacional de café, marcado por alta volatilidade nos preços.

    Tarifas americanas alteram ranking de importadores

    O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que a queda nas exportações já era esperada devido à menor disponibilidade do produto após os embarques recordes de 2024 e a uma safra que ficou abaixo do potencial máximo produtivo.

    “O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre os cafés brasileiros exportados para os Estados Unidos potencializou essa redução”, destaca Ferreira.

    Como consequência dessas medidas, os Estados Unidos perderam a posição de maior comprador mensal do café brasileiro, sendo superados pela Alemanha. Em agosto, os americanos importaram 301 mil sacas – uma queda de 46% em relação ao mesmo mês de 2024 e de 26% comparado a julho de 2025. Enquanto isso, a Alemanha importou 414 mil sacas no período.

    Impacto nas cotações internacionais

    As tarifas americanas também provocaram forte volatilidade no mercado internacional de café. Segundo Ferreira, entre 7 de agosto, quando a taxação entrou em vigor, e o final do mês, o café arábica subiu 29,7% na bolsa de Nova York, saltando de US$ 2,978 para US$ 3,861 por libra-peso.

    Foto: Agência Agro em Campo

    “Os fundamentos já são favoráveis para a alta há algumas safras, com oferta e demanda muito ajustadas, mas o tarifaço desordenou o mercado e deu abertura para movimentos especulativos”, analisa o presidente do Cecafé.

    Perspectivas para o mercado americano

    Ferreira projeta que, caso as tarifas persistam, as exportações brasileiras para os EUA continuarão inviáveis, criando um cenário inflacionário no país norte-americano. “Não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos”, alerta.

    Desempenho acumulado de 2025

    No acumulado entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 25,323 milhões de sacas, registrando queda de 20,9% em relação aos mesmos oito meses de 2024. Contudo, a receita cambial bateu recorde para o período, alcançando US$ 9,668 bilhões.

    Principais destinos mantêm posições no ano

    Apesar das mudanças mensais, no acumulado de 2025, os Estados Unidos permanecem como principal importador do café brasileiro, com 4,028 milhões de sacas (15,9% do total). O ranking dos cinco maiores compradores inclui:

    • Estados Unidos: 4,028 milhões de sacas (-20,8%)
    • Alemanha: 3,071 milhões de sacas (-32,9%)
    • Itália: 1,981 milhão de sacas (-23,6%)
    • Japão: 1,671 milhão de sacas (+15,6%)
    • Bélgica: 1,517 milhão de sacas (-48,3%)

    Arábica lidera exportações por tipo

    O café arábica continua sendo a espécie mais exportada, representando 79,8% do total com 20,209 milhões de sacas nos primeiros oito meses do ano. Na sequência aparecem:

    • Canéfora (conilon + robusta): 2,570 milhões de sacas (10,1%)
    • Café solúvel: 2,508 milhões de sacas (9,9%)
    • Café torrado e moído: 36.700 sacas (0,1%)

    Crescimento dos cafés diferenciados

    As exportações de cafés com certificados de sustentabilidade ou qualidade superior totalizaram 5,1 milhões de sacas (20,1% do total), gerando receita de US$ 2,178 bilhões – 54,2% superior ao mesmo período de 2024, com preço médio de US$ 427,05 por saca.

    Foto: Agência Agro em Campo

    O Porto de Santos permanece como principal porta de saída do café brasileiro, responsável por 80,2% dos embarques (20,310 milhões de sacas). O complexo portuário do Rio de Janeiro responde por 15,8% (4,010 milhões de sacas), seguido pelo Porto de Paranaguá com 1% (245.100 sacas).

    O relatório completo das exportações está disponível no site oficial do Cecafé.

  • Brasil perde R$ 1,1 bilhão com café parado nos portos por gargalos logísticos

    Brasil perde R$ 1,1 bilhão com café parado nos portos por gargalos logísticos

    A infraestrutura portuária brasileira novamente demonstrou suas limitações em julho de 2025, quando o país deixou de exportar 508.732 sacas de café. Isso é equivalente a 1.542 contêineres, resultando em uma perda de receita cambial de R$ 1,084 bilhão. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) após levantamento realizado junto aos associados.

    O montante perdido em julho representa apenas a ponta do iceberg de um problema estrutural que afeta o agronegócio brasileiro. Considerando o preço médio Free on Board (FOB) de US$ 385,36 por saca de café verde e a cotação média do dólar de R$ 5,5279 no período, a perda equivale a US$ 196,05 milhões em receitas de exportação.

    “Esse não ingresso de receitas com a exportação de café gera elevados prejuízos aos exportadores e representa o menor repasse das transações comerciais aos produtores brasileiros”, explica Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé. O executivo destaca que o Brasil transfere mais de 90% do preço FOB dos embarques diretamente aos cafeicultores, tornando os atrasos ainda mais prejudiciais para toda a cadeia produtiva.

    Custos operacionais disparam com atrasos

    Além da perda de receitas, os exportadores enfrentaram custos adicionais de R$ 4,14 milhões apenas em julho, decorrentes de armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates. Desde junho de 2024, quando o Cecafé iniciou o monitoramento sistemático, os prejuízos acumulados já ultrapassam R$ 83 milhões.

    A situação tende a se agravar no segundo semestre de 2025, período de safra de diversos produtos que dependem de contêineres para exportação. “No semestre passado, o período de entressafra de várias commodities ajudou a reduzir a pressão nos terminais, porém, como não houve melhorias, os desafios se intensificarão”, projeta Heron.

    Santos lidera índices de atrasos

    O Porto de Santos, responsável por 80,4% dos embarques de café entre janeiro e julho de 2025, registrou o maior índice de problemas: 65% dos navios sofreram atrasos ou alteração de escalas. Dos 182 porta-contêineres que operaram no terminal santista, 118 enfrentaram dificuldades, com o maior tempo de espera chegando a 35 dias.

    No Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café do país com 15,5% de participação, o índice de atrasos foi de 37%, afetando 26 das 70 embarcações destinadas ao produto. O maior intervalo entre deadlines chegou a 40 dias.

    Boletim Detention Zero monitora desempenho

    O Boletim Detention Zero (DTZ), desenvolvido pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, revelou que 51% de todos os navios registraram problemas em julho – 167 de um total de 327 embarcações nos principais portos brasileiros.

    O relatório também apontou deficiências nos prazos de gate aberto. Em Santos, apenas 4% dos procedimentos tiveram prazo superior a quatro dias, enquanto 59% operaram entre três e quatro dias e 38% com menos de dois dias. No Rio de Janeiro, 38% superaram quatro dias, 41% ficaram entre três e quatro dias, e 21% abaixo de dois dias.

    Iniciativas para solução do problema

    O Cecafé tem intensificado o diálogo com diferentes atores do comércio exterior para buscar soluções emergenciais. Em agosto, a entidade se reuniu com Bruno Pinheiro, gerente do Observatório do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), para discutir o aprimoramento de indicadores logísticos específicos para monitoramento das exportações de café.

    “Faremos um refinamento nas informações de nosso Boletim Detention Zero, com base em dados da ANTAQ e outras fontes públicas. O objetivo é estruturar um indicador que será disponibilizado pelo observatório do IBI para avaliar entraves nas exportações e buscar políticas públicas eficazes”, detalha Heron.

    Tecon Santos 10: esperança de alívio

    Uma perspectiva positiva surge com os avanços nas discussões sobre o leilão do Tecon Santos 10. Em painel promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) manifestou-se contra restrições na participação de interessados, indicando que existem alternativas mais adequadas para evitar concentração de mercado.

    Durante audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara Federal, liderada pelo deputado Julio Lopes, ficou evidenciada a importância de acelerar o leilão sem restrições de participação, para que ocorra ainda em 2025.

    Medidas urgentes necessárias

    Para o diretor técnico do Cecafé, o setor exportador brasileiro necessita urgentemente de medidas que incluam agilização dos leilões de terminais, ampliação da capacidade de pátio e berços nos portos, melhoria dos acessos portuários e diversificação dos modais de transporte com investimentos em ferrovias e hidrovias.

    “É fundamental que os portos evoluam na mesma proporção do crescimento das cargas, considerando o constante avanço do agronegócio nacional”, conclui Heron, alertando que sem ações imediatas, os prejuízos bilionários continuarão impactando negativamente toda a cadeia produtiva do café brasileiro.