Tag: Cecafé

  • Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    O Brasil iniciou o ano-safra de café 2026/27 com sinais mistos no comércio exterior. Em julho, as exportações brasileiras de café avançaram 9,9%, totalizando o envio de 3,030 milhões de sacas de 60 kg ao exterior. No entanto, a queda nos preços globais reduziu a receita cambial do mês em 13,2%, que fechou em US$ 903,9 milhões contra o US$ 1,042 bilhão registrado no mesmo período do ciclo anterior.

    Apesar da reação mensal em julho, o balanço acumulado de janeiro a julho de 2026 ainda amarga uma retração. O país movimentou 20,897 milhões de sacas nos primeiros sete meses do ano, o que representa quedas de 5,9% em volume e de 13,1% em receita (faturando US$ 7,449 bilhões) quando comparado ao mesmo intervalo de 2025.

    O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, aponta o clima e os problemas de infraestrutura como os principais vilões desse ritmo lento. Chuvas atípicas em importantes regiões produtoras de café arábica atrasaram os trabalhos de colheita. Além disso, a falta de estrutura nos principais portos nacionais impede o embarque rápido das cargas, gerando prejuízos milionários para os exportadores devido a custos extras com armazenagem e taxas adicionais.

    A expectativa do setor é que os embarques ganhem força a partir da segunda quinzena de agosto, acompanhando o avanço da colheita do arábica. Como os produtores estão capitalizados pelas safras recentes, eles devem cadenciar as vendas, aproveitando os momentos de alta do mercado.

    Acordo histórico nos EUA deve reaquecer exportações

    Uma das grandes apostas para reverter a queda de receita é a recente vitória comercial nos Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro. Até julho de 2026, os americanos reduziram as importações do grão brasileiro em 30,5%, adquirindo 2,590 milhões de sacas.

    Para reverter esse cenário, uma articulação conjunta entre o Cecafé, a Abic, a Abics e a National Coffee Association (NCA) eliminou as tarifas que os EUA cobravam sobre o café brasileiro. A ausência desse imposto a partir deste mês deve reaquecer as vendas para o mercado americano.

    Conilon dispara e vira o destaque do ano

    O café arábica continua na liderança absoluta das exportações, somando 14,987 milhões de sacas (71,7% do total do setimestre). Isso mesmo enfrentando um recuo de 16,6% comparado ao ano anterior.

    O grande destaque do período, contudo, é o café canéfora (conilon e robusta). A variedade registrou um crescimento impressionante de 73,5% nas exportações de janeiro a julho, alcançando 3,387 milhões de sacas enviadas ao exterior (16,2% do mercado). O segmento do café solúvel respondeu por 11,9% do volume (2,486 milhões de sacas) e o café torrado por 0,2% (36.456 sacas).

    Os cafés diferenciados,que possuem qualidade superior ou certificados de sustentabilidade, representaram 16,7% do total exportado, rendendo US$ 1,468 bilhão. Os EUA também lideram as compras dessa categoria especial.

    Santos lidera o escoamento

    No ranking dos portos, o Porto de Santos mantém o favoritismo e concentra 70,9% de todo o café escoado pelo Brasil no período, somando 14,821 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro aparece na vice-liderança, respondendo por 24,7% das exportações (5,153 milhões de sacas), seguido pelo Porto de Paranaguá, com 1,1%.

    O Cecafé disponibiliza o relatório estatístico completo com os dados atualizados em seu site oficial.

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  • China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    O café especial produzido por mulheres brasileiras vai ganhar espaço no mercado premium da China. A cooperativa Expocacer firmou um acordo com a empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”, fundadora da marca Lady Coffees, para exportar lotes exclusivos de cafés cultivados por produtoras associadas.

    A iniciativa busca fortalecer a presença do café brasileiro no mercado asiático e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho feminino na cafeicultura nacional. Cada embalagem comercializada na China levará o nome da produtora responsável pelo lote, aproximando os consumidores da origem do produto.

    Cafés especiais terão identidade das produtoras

    Segundo a empresária Jian Xueya, a proposta é destacar a história de cada mulher que participa da produção dos cafés especiais brasileiros.

    Além da venda ao consumidor final, parte dos lotes será distribuída para cafeterias chinesas por meio de um parceiro local especializado em torrefação, ampliando a presença dos cafés brasileiros no segmento de alto valor agregado.

    Quatro produtoras participam da primeira exportação

    Os primeiros embarques incluem cafés produzidos por quatro cooperadas da Expocacer:

    • Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio;
    • Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal;
    • Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara;
    • Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

    Os lotes foram selecionados para atender a um pedido específico da importadora chinesa, que buscava cafés delicados e com diferentes perfis sensoriais para atender públicos distintos no país.

    De acordo com Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da Expocacer, a diversidade de sabores e aromas foi um dos fatores decisivos para a escolha dos produtos.

    Consumo de café cresce na China

    Embora o consumo per capita ainda seja inferior ao registrado em mercados tradicionais, a demanda por cafés especiais cresce rapidamente na China, impulsionada principalmente pelos consumidores mais jovens e pela busca por bebidas de maior qualidade.

    Para Sandra Moraes, esse movimento representa uma oportunidade importante para ampliar a presença do café brasileiro no país asiático.

    Segundo ela, a valorização de produtos premium abre espaço para que os cafés especiais brasileiros conquistem novos consumidores e fortaleçam sua participação em um dos mercados mais promissores do mundo.

    Estratégia aposta no segmento premium

    Jian Xueya afirma que a estratégia da Lady Coffees é posicionar o café brasileiro em um nicho premium, acompanhando a mudança no perfil de consumo dos chineses.

    Historicamente, o mercado local esteve concentrado em bebidas com leite e preparações adoçadas. No entanto, cidades como Xangai vêm registrando aumento do interesse por cafés puros e de maior qualidade.

    Segundo a empresária, o objetivo é oferecer um produto diferenciado, focado em excelência, mesmo com preço mais elevado.

    Programa fortalece protagonismo feminino

    O interesse pelos cafés produzidos por mulheres surgiu em 2022, durante uma visita da empresária à Expocacer, quando conheceu o programa Elas no Café.

    A iniciativa reúne atualmente 140 produtoras, que representam cerca de 20% do quadro de associados da cooperativa. Juntas, elas produzem aproximadamente 534 mil sacas de café em uma área de 13,4 mil hectares.

    O programa busca ampliar a participação feminina na cafeicultura, incentivar a produção de cafés especiais e agregar valor à origem dos grãos.

    China ganha importância para o café brasileiro

    A China vem ampliando sua participação entre os principais compradores do café brasileiro.

    Segundo dados do Cecafé, o país importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos em 2025, volume equivalente a 2,8% das exportações brasileiras do produto. Com esse desempenho, o mercado chinês passou a ocupar a décima posição entre os principais destinos do café nacional.

    O novo acordo firmado pela Expocacer reforça essa tendência e evidencia o potencial dos cafés especiais produzidos por mulheres brasileiras para conquistar espaço em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

  • Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Representantes do setor cafeeiro brasileiro e norte-americano uniram forças em Washington, nos dias 6 e 7 de julho, para contestar a proposta de sobretaxar o café solúvel brasileiro em 25%.

    Durante audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Cecafé e a National Coffee Association (NCA) defenderam a importância estratégica do produto para a economia dos EUA.

    Risco de inflação e impacto no consumo

    A Abics alertou que a aplicação da tarifa elevaria os preços e sobrecarregaria as famílias americanas, especialmente as que buscam opções acessíveis. Atualmente, 11% da população dos EUA consome café solúvel diariamente. Fábio Sato, diretor de Relações Institucionais da Abics, explicou que o produto brasileiro não possui substitutos fáceis, uma vez que o Brasil e o México suprem quase 60% do mercado americano, mas o café mexicano custa cerca de 1,5 vez mais.

    Representantes de Cecafé (Marcos Matos), Abics, NCA (Bill Murray) e BMJ defenderam o setor na audiência. Foto: P1 Comunicação

    Além disso, a entidade reforçou que a maior parte do valor econômico desse comércio permanece nos Estados Unidos. Como o café brasileiro entra no país majoritariamente a granel, processos como mistura, empacotamento, marketing e distribuição ocorrem em solo americano, gerando empregos locais.

    Dependência da indústria e logística

    O Brasil responde hoje por 22% das importações norte-americanas de café solúvel. O insumo é essencial para setores de panificação, confeitaria, laticínios e o mercado de bebidas prontas para consumo (ready to drink), que prevê um crescimento anual de 5,6% até 2030.

    Infografico sobre exportação de café soluvel

    A logística também sofreria impactos severos com a taxação. Mais de 81% das importações de café solúvel dos EUA entram por estados como Texas, Nova York e Louisiana. Uma queda na oferta brasileira desregularia centros logísticos importantes na Costa do Golfo e no Nordeste, colocando operações industriais em risco.

    Expectativas positivas para o setor

    A defesa conjunta do setor durou 15 minutos e não enfrentou questionamentos ou contestações por parte dos investigadores americanos. Para José Pimenta, diretor do BMJ Consultores Associados, a ausência de oposição gera otimismo.

    “Pudemos reforçar todo o impacto econômico e social que a tarifa gerará na economia americana e nos bolsos de seus consumidores”, concluiu Pimenta. O setor agora aguarda que o café solúvel brasileiro entre na lista de isenção, seguindo o modelo de outros tipos de café exportados para os EUA.

  • Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) criticou a manifestação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre o modelo de leilão do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos. Segundo a entidade, as restrições propostas podem atrasar investimentos, aumentar a insegurança jurídica e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Antaq encaminhou sua manifestação à Casa Civil em 2 de julho. No entanto, o posicionamento diverge da orientação apresentada pelo governo federal. A Casa Civil defendeu um modelo com ampla participação no certame, desde que o vencedor assumisse compromisso de desinvestimento caso já possuísse ativos portuários na região. Além disso, o governo sugeriu elevar o valor mínimo de outorga para R$ 1,044 bilhão.

    Cecafé questiona falta de embasamento técnico

    Na avaliação do Cecafé, a Antaq manteve a proposta de realizar o leilão em duas fases e restringiu, na etapa inicial, a participação de armadores que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos. Para a entidade, a agência não apresentou estudos técnicos, indicadores ou análises econômicas que comprovem a necessidade dessa medida.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que a decisão não traz evidências suficientes para justificar as restrições. Segundo ele, estudos produzidos pela própria Antaq e pela unidade técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam conclusões diferentes das adotadas pela agência reguladora. Dessa forma, o Cecafé considera que a medida carece de fundamentação técnica consistente.

    Entidade alerta para impactos no agronegócio

    O Cecafé afirma que as restrições podem agravar problemas já enfrentados pelas cargas conteinerizadas no Porto de Santos. Atualmente, exportadores e importadores convivem com limitações de capacidade, congestionamentos operacionais e altos custos logísticos. Como consequência, a competitividade das exportações brasileiras pode diminuir.

    Além disso, a entidade acredita que o modelo escolhido pela Antaq aumenta o risco de judicialização. Caso isso aconteça, novos processos judiciais podem atrasar um projeto considerado estratégico para ampliar a infraestrutura portuária do país.

    Segundo Eduardo Heron, esses atrasos afetam diretamente os usuários do porto e toda a cadeia produtiva. Por isso, ele afirma que o aumento dos custos logísticos tende a refletir tanto na competitividade das exportações quanto no preço final dos produtos consumidos pela população.

    Agência deve atuar com critérios técnicos, diz Cecafé

    Na avaliação do diretor técnico do Cecafé, a Antaq deve exercer seu papel regulador com base em critérios objetivos, evidências concretas e análises técnicas. Além disso, a agência precisa garantir segurança regulatória, previsibilidade e eficiência para o setor portuário.

    Heron defende que a Antaq não deve restringir previamente a participação de empresas sem apresentar justificativas robustas. Segundo ele, esse tipo de decisão amplia a insegurança jurídica e reduz a confiança dos investidores.

    O diretor também lembra que a missão institucional da Antaq consiste em regular, supervisionar e fiscalizar os serviços e a infraestrutura aquaviária. Portanto, ao adotar restrições sem demonstrar claramente seus fundamentos técnicos, a agência acaba entrando em um debate concorrencial que já conta com órgãos específicos para esse tipo de análise.

    Casa Civil adotou entendimento diferente

    O Cecafé destaca que a própria Casa Civil recomendou retirar as restrições à participação na primeira fase do leilão. Ao mesmo tempo, o governo sugeriu manter mecanismos de desinvestimento para tratar eventuais questões concorrenciais.

    Apesar dessa orientação, a Antaq decidiu preservar seu entendimento original após meses de análise. Assim, manteve o modelo de licitação dividido em duas etapas.

    Comparação com o terminal de Itajaí

    O Cecafé também compara o caso do Tecon Santos 10 com o processo de arrendamento definitivo do terminal ITJ01, em Itajaí (SC). Na avaliação da entidade, o modelo adotado naquele certame permitiu ampla participação dos interessados e limitou apenas determinadas composições societárias.

    Segundo Eduardo Heron, decisões diferentes para situações semelhantes aumentam a insegurança jurídica quando não apresentam justificativas técnicas claras. Além disso, esse cenário fortalece a percepção de tratamento desigual entre os agentes econômicos.

    Porto de Santos precisa ampliar sua capacidade

    Para o Cecafé, o Porto de Santos precisa avançar rapidamente em uma agenda de expansão logística. A entidade afirma que o Tecon Santos 10 representa apenas uma das iniciativas necessárias. Também considera fundamentais o aprofundamento do canal de navegação, a construção de novos acessos rodoviários e a ampliação das melhorias ferroviárias.

    Na avaliação do conselho, esses investimentos aumentarão a capacidade operacional do principal porto brasileiro. Consequentemente, o país poderá reduzir gargalos logísticos e fortalecer a competitividade do comércio exterior.

    Projeto acumula mais de 13 anos de espera

    O Cecafé lembra que o leilão do Tecon Santos 10 aguarda realização há mais de 13 anos e sofreu diversos adiamentos ao longo desse período.

    Para a entidade, insistir em um modelo que restringe participantes sem comprovação técnica favorece novas disputas judiciais. Como resultado, o cronograma de investimentos pode sofrer novos atrasos. Dessa maneira, exportadores, importadores e toda a cadeia produtiva continuarão enfrentando limitações provocadas pela atual infraestrutura portuária. Enquanto isso, o agronegócio brasileiro seguirá convivendo com custos elevados e perda de competitividade no mercado internacional.

  • Exportações de café caem 18% na safra 2025/26

    Exportações de café caem 18% na safra 2025/26

    As exportações brasileiras de café somaram 35,4 milhões de sacas na parcial da safra 2025/26. O período considera julho de 2025 a maio de 2026. A receita acumulada alcançou US$ 13,6 bilhões, segundo dados do Cecafé.

    O volume exportado ficou 18% abaixo da safra anterior. No mesmo intervalo de 2024/25, o Brasil embarcou 43 milhões de sacas.

    Preços elevados sustentam receita

    Apesar da queda nos embarques, a receita permaneceu praticamente estável. Na safra anterior, o faturamento atingiu US$ 13,7 bilhões. Segundo o Cepea, os preços elevados do café compensaram grande parte da redução no volume exportado. Dessa forma, o setor manteve um desempenho financeiro próximo ao registrado na temporada passada.

    Menor oferta reduz embarques

    O Cepea atribui a retração das exportações à menor produção da safra 2025/26. Além disso, os estoques nacionais permaneceram em níveis historicamente baixos. Ao longo da temporada, o mercado comercializou gradualmente o café disponível. Como resultado, restou pouco produto para novas negociações. Os pesquisadores destacam ainda que os produtores estavam capitalizados. Por isso, não demonstraram urgência para vender os volumes remanescentes.

    Nova safra avança no campo

    A colheita da safra 2026/27 ganhou força em maio. Com isso, as negociações da nova temporada avançaram de forma significativa. No entanto, o café recém-colhido ainda precisa passar por preparo e beneficiamento. Por essa razão, os negócios fechados não resultam em embarques imediatos. Segundo o Cepea, parte desse movimento pode aparecer nas exportações de junho. Mesmo assim, o impacto inicial deve ocorrer de forma limitada.

  • Exportação de café do Brasil cresce em maio, mas receita cai 16%

    Exportação de café do Brasil cresce em maio, mas receita cai 16%

    O Brasil exportou 3,089 milhões de sacas de café em maio de 2026, alta de 3,6% na comparação anual, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Apesar do avanço no volume, a receita cambial caiu 16% no período, somando US$ 1,050 bilhão.

    O leve crescimento nos embarques reflete a entrada da nova safra, principalmente de cafés canéforas (conilon e robusta). A expectativa é que o mesmo movimento ocorra com os arábicas a partir do segundo semestre.

    No acumulado dos 11 primeiros meses da safra 2025/2026, o país exportou 35,373 milhões de sacas, com receita de US$ 13,612 bilhões. Os resultados representam queda de 17,7% em volume e de 0,7% em valor na comparação com o ciclo anterior.

    Exportações em 2026 recuam no acumulado

    Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil embarcou 14,745 milhões de sacas de café, recuo de 12,4% frente ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 5,552 bilhões, queda de 14,6%.

    Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho segue dentro do esperado, considerando a transição entre a entressafra e a chegada da nova colheita.

    A redução no acumulado do ano reflete uma safra menor e o forte volume exportado em 2025. Por outro lado, a tendência é de recuperação ao longo do segundo semestre, impulsionada pela colheita atual.

    Safra favorece embarques, mas riscos persistem

    Ferreira projeta aumento das exportações nos próximos meses, sustentado por uma safra com boa produtividade e qualidade, favorecida por condições climáticas positivas no cinturão cafeeiro.

    No entanto, fatores externos e estruturais ainda pressionam o setor. Entre os principais desafios estão:

    • Tensões geopolíticas, que elevam os custos do frete marítimo.
    • Gargalos logísticos nos portos brasileiros, que atrasam embarques e geram prejuízos.
    • Incertezas na política comercial dos Estados Unidos, que afetam o ritmo das negociações.

    Alemanha lidera destinos do café brasileiro

    A Alemanha liderou as importações de café do Brasil entre janeiro e maio de 2026, com 1,911 milhão de sacas (13% do total), apesar de queda de 10%.

    Na sequência aparecem:

    • Estados Unidos: 1,771 milhão de sacas (-38,4%)
    • Itália: 1,420 milhão de sacas (+3,2%)
    • Bélgica: 917.385 sacas (+13%)
    • Japão: 734.591 sacas (-32,6%)

    Arábica domina, mas canéfora avança

    O café arábica manteve a liderança nas exportações, com 11,126 milhões de sacas (75,5% do total), mesmo com queda de 21,3%.

    Já o café canéfora registrou forte crescimento de 86,5%, com 1,891 milhão de sacas (12,8%), impulsionado pela maior oferta.

    O café solúvel respondeu por 1,707 milhão de sacas (11,6%), enquanto o torrado e moído teve participação residual.

    Cafés diferenciados perdem espaço

    Os cafés diferenciados representaram 17,6% das exportações no período, com 2,590 milhões de sacas, queda de 30,1% na comparação anual.

    A receita somou US$ 1,124 bilhão, equivalente a 20,2% do total, com preço médio de US$ 434,01 por saca.

    A Alemanha também lidera esse segmento, seguida por Estados Unidos, Itália, Bélgica e Holanda.

    Porto de Santos concentra embarques

    O Porto de Santos respondeu por 72,8% das exportações de café no período, com 10,728 milhões de sacas.

    Na sequência:

    • Complexo portuário do Rio de Janeiro: 3,419 milhões de sacas (23,2%)
    • Porto de Paranaguá: 166.524 sacas (1,1%)
  • Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Os embarques do setor cafeeiro somaram 3,122 milhões de sacas de 60 kg em abril de 2026. Um volume que implica leve crescimento de 0,6% em relação aos 3,105 milhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em receita cambial, contudo, houve decréscimo de 17,7% no mesmo período comparativo. Com os valores recuando de US$ 1,347 bilhão para os atuais US$ 1,109 bilhão. Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, a elevação no volume embarcado reflete a chegada de alguns cafés da nova safra, principalmente os canéforas. Ao passo que o menor ingresso de dólares resulta do cenário internacional de preços.

    “Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”, relata.

    Com o desempenho no mês passado, as exportações no acumulado dos 10 meses do ano safra 2025/26 somam 32,247 milhões de sacas, volume que implica queda de 19,4% na comparação com os embarques aferidos entre julho de 2024 e abril de 2025. A receita cambial, por sua vez, subiu 0,8% nesse intervalo, saltando para US$ 12,551 bilhões.

    Ano civil

    De janeiro ao fim de abril deste ano, as exportações de café do Brasil totalizam 11,619 milhões de sacas, situando-se 16,1% abaixo dos 13,843 milhões registrados no primeiro quadrimestre de 2025. A entrada de recursos com essas remessas soma US$ 4,490 bilhões, montante 14,4% inferior aos US$ 5,247 bilhões obtidos nos primeiros quatro meses do ano passado.

    “O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume, quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado, que teve oferta menor, registrou um bom volume de exportações. Assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, comenta Ferreira.

    Por outro lado, ele aponta que a exportação de robusta e conilon, em abril de 2026, representa uma alta de 374% quando comparada ao mesmo mês do ano passado. “Tendo em vista que a variedade canéfora representa valor absoluto por saca bem inferior ao arábica, o impacto na receita total nas exportações de café verde não vai na mesma direção do aumento substancial do volume dos canéforas”, explica.

    O presidente do Cecafé conclui que, com menor volume de exportação de arábica no mês e no quadrimestre, “automaticamente tivemos menos ingresso de dólares, a ressaltar, ainda, a atual queda substancial nas cotações internacionais para as duas variedades”.

    Principais destinos

    Alemanha segue como o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, com a aquisição de 1,563 milhão de sacas. Esse volume representa 13,4% dos embarques totais do país no período, apesar de implicar queda de 12,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
    Os EUA aparecem na sequência, com 1,390 milhão de sacas importadas, o que significa um recuo de 41,5% ante os quatro primeiros meses de 2025 e representa 12% do total. Fechando o top 5, vêm Itália, com 1,182 milhão de sacas e alta de 3,2%; Bélgica, com 713.790 sacas e avanço de 15,4%; e Japão, com 612.720 sacas e queda de 29,7%.

    Tipos de café

    O café arábica, com 8,984 milhões de sacas, permanece como o mais exportado pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026. Esse montante equivale a 77,3% do total embarcado, mesmo representando queda de 23,4% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado.
    Na sequência, com o equivalente a 1,338 milhão de sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, que subiu 4,1% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Esse tipo de produto responde por 11,5% das exportações totais no período atual.
    Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 1,284 milhão de sacas – alta de 58,8% e 11% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 14.259 sacas (-23,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Cafés diferenciados

    Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 17,9% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de abril deste ano, com a remessa de 2,076 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 36,3% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

    A um preço médio de US$ 443,03 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 919,888 milhões, o que correspondeu a 20,5% do obtido com todos os embarques de café no primeiro quadrimestre de 2026. No comparativo anual, o valor é 34,9% menor do que o registrado nos quatro primeiros meses do ano passado.

    A Alemanha também lidera o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 268.243 sacas. Isso é equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

    Fechando o top 5, aparecem Itália, com 250.545 sacas e representatividade de 12,1%; EUA, com 240.825 sacas (11,6%). Depois Bélgica, com 220.979 sacas (10,6%). E Holanda (Países Baixos), com 145.189 sacas (7%).

    Foto: Divulgação – Ministério de Portos e Aeroportos / José Fernando Ogura / ANPr

    Portos

    O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre, com 8,678 milhões de sacas. E representatividade de 74,7% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 21,3% dos embarques ao remeter 2,476 milhões de sacas ao exterior. E o Porto de Paranaguá (PR), que embarcou 132.487 sacas e teve representatividade de 1,1%.

    O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a abril de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

  • XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    O XXV Seminário Internacional do Café, que ocorrerá em Santos entre os dias 19 e 21 de maio, promete ser um marco para o setor ao reunir especialistas de 15 países. O evento, organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS), projeta receber mais de mil participantes para debater o futuro da cafeicultura em um mundo marcado por rupturas tecnológicas e novas demandas de mercado.

    Com uma agenda ampliada em relação aos anos anteriores, o encontro será sediado no Santos Convention Center. A solenidade de abertura está marcada para a noite do dia 19, às 19h, reunindo lideranças da cadeia produtiva e autoridades. Durante os dias 20 e 21, o foco recai sobre painéis técnicos que exploram temas cruciais como geopolítica, infraestrutura, sustentabilidade e inovação digital.

    Disrupção e tecnologia no agronegócio

    Um dos momentos mais aguardados é a palestra de Pablo Spyer, no dia 20, que abordará os desafios disruptivos enfrentados pelo Brasil. No mesmo dia, Walter Longo discutirá os impactos da inteligência artificial nos modelos de negócios. Essa abordagem tecnológica visa preparar o produtor e o exportador para uma realidade onde a análise de dados e a automação se tornam diferenciais competitivos.

    O painel sobre infraestrutura e logística também ganha relevância no primeiro dia de debates. Executivos e especialistas do setor portuário discutirão os gargalos que afetam o escoamento da produção. O debate é essencial para otimizar o transporte do grão até os portos, garantindo eficiência no comércio exterior.

    Sustentabilidade e o novo cenário regulatório

    No encerramento, dia 21, as discussões se voltam para o ambiente regulatório internacional. Marcos Matos, do Cecafé, e Bill Murray, da National Coffee Association dos Estados Unidos, trazem as perspectivas das normas globais e as exigências do mercado americano. A sustentabilidade, pilar central do evento, será detalhada por Kevin Lardner, da Rainforest Alliance, focando em práticas de certificação.

    O economista Eduardo Giannetti também integra a programação, oferecendo uma análise profunda sobre o cenário geopolítico e seus reflexos diretos no comércio internacional. Complementando o viés técnico, especialistas como Claudio Delposte e Oscar Schaps debaterão o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de commodities, fornecendo subsídios para estratégias financeiras de curto e longo prazo.

    Networking e protagonismo nacional no Porto de Santos

    Além das palestras, o seminário oferece experiências práticas, como a visita guiada ao Porto de Santos, principal porta de saída do café brasileiro para o mundo. O evento encerra-se com uma festa no Mercado Municipal de Santos, reforçando o networking entre os participantes.

    O Brasil detém cerca de 38% da produção mundial de café. Em 2025, as exportações superaram 40 milhões de sacas, gerando US$ 15,5 bilhões. O Porto de Santos é peça-chave nessa engrenagem, operando 78% desse volume. O tema “O setor de café do Brasil está pronto para um mundo disruptivo?”, escolhido para esta 25ª edição, resume a necessidade de evolução constante da cadeia produtiva frente às mudanças globais.

  • El Niño avança e ameaça produção global de café

    El Niño avança e ameaça produção global de café

    O mercado global de café entra no radar climático de 2026 com a crescente probabilidade de formação de um El Niño nos próximos meses. A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), agência americana de monitoramento climático, aponta cerca de 60% de chance de o fenômeno ocorrer entre maio e julho. Modelos do IRI (International Research Institute for Climate and Society), ligado à Universidade de Columbia, confirmam probabilidade semelhante no curto prazo e apontam para a continuidade do evento até o final de 2026 e início de 2027.

    Os modelos não projetam aumento da temperatura global, mas indicam temperaturas acima da média no Oceano Pacífico. Um padrão que sugere um evento de maior intensidade. Esse comportamento pode elevar as temperaturas em diferentes regiões produtoras e ampliar os riscos para a agricultura. “As commodities agrícolas poderão enfrentar riscos climáticos mais elevados”, afirma Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.

    Temperaturas podem ultrapassar 1,5°C acima da média

    As previsões de anomalias da temperatura da superfície do mar (SST) para a região Niño 3.4 mostram um aumento acentuado no final do ano. As médias dos modelos apontam valores acima de 1,5°C entre outubro e novembro de 2026. Um indicativo de um evento mais forte do que o inicialmente previsto. Para a confirmação oficial do fenômeno, as temperaturas precisam permanecer acima de +0,5°C por períodos consecutivos.

    Projeções recentes apontam probabilidades semelhantes para cenários de El Niño moderado, forte e muito forte a partir do final de 2026.

    O que muda para o café

    Um El Niño ativo que persista até o início de 2027 pode trazer temperaturas recordes, secas e inundações em diversas regiões, aumentando os riscos para a produção agrícola global. Para o café, o fenômeno representa um desafio direto ao desenvolvimento da safra 26/27 em áreas produtoras estratégicas na América Central e do Sul, no Sudeste Asiático e na África Oriental. “Períodos prolongados de calor também podem prejudicar o desenvolvimento da planta”, completa Moda.

    Na América Central, o El Niño tende a elevar as temperaturas médias e reduzir as precipitações, especialmente entre julho e agosto. Um período crítico para o desenvolvimento dos frutos da safra 26/27. Guatemala, Honduras e El Salvador concentram o maior risco regional.

    Na Colômbia, temperaturas mais altas e irregularidades nas chuvas durante o segundo semestre podem afetar a safra principal 26/27. Um evento mais forte ou prolongado até 2027 também ameaça a safra intermediária, conhecida como mitaca.

    Na África Oriental, os efeitos variam por país. Na Etiópia, o fenômeno pode reduzir as chuvas entre junho e setembro e provocar excesso de precipitação na sequência, prejudicando a colheita. Em Uganda, o padrão associado ao El Niño costuma aumentar as chuvas acima da média, elevando o risco de inundações e deslizamentos.

    No Sudeste Asiático e na Índia, o fenômeno tende a provocar condições mais secas e quentes. A Índia pode enfrentar uma estação de monções mais fraca, enquanto Indonésia e Vietnã devem sentir impactos principalmente no desenvolvimento das safras futuras. E especialmente se o evento se estender até 2027.

    Brasil: menos geadas, mais riscos no final do ano

    No Brasil, o El Niño pode reduzir o risco de geadas durante o inverno de 2026, o que, à primeira vista, representa uma notícia positiva para os cafeicultores. No entanto, o fenômeno pode atrasar o início das chuvas de primavera e trazer temperaturas mais elevadas durante a floração e o enchimento dos grãos da safra 27/28.

    Mesmo com expectativa de safra recorde em 2026/27, o que tende a pressionar os preços no curto prazo , o cenário climático limita movimentos mais acentuados de queda. “Os possíveis impactos do El Niño poderiam limitar correções mais profundas do mercado no final do ano”, afirma Moda.

  • Exportações de café do Brasil despencam 21% no 1º trimestre de 2026

    Exportações de café do Brasil despencam 21% no 1º trimestre de 2026

    As exportações brasileiras de café recuaram expressivamente no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os embarques somaram 8,465 milhões de sacas de 60 kg entre janeiro e março, uma queda de 21,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 10,739 milhões de sacas. A receita cambial gerada foi de US$ 3,371 bilhões, 13,6% abaixo dos US$ 3,901 bilhões obtidos no primeiro trimestre de 2025.

    Somente em março, os embarques totalizaram 3,040 milhões de sacas, com receita de US$ 1,125 bilhão. Uma queda de 7,8% em volume e de 15,1% em valor frente a março do ano anterior.

    Entressafra e produtores capitalizados seguram a oferta

    Para o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o resultado negativo é consequência direta do período de entressafra e do comportamento estratégico dos produtores. Segundo ele, os cafeicultores estão capitalizados e aguardando o melhor momento para negociar seus estoques remanescentes, o que reduz a disponibilidade do produto no mercado.

    A retomada da oferta deve começar a partir de abril, com a chegada dos cafés canéforas (robusta e conilon), e se intensificar no final de maio, quando entra em cena a colheita dos arábicas.

    Portos defasados e geopolítica global agravam a situação

    Além da entressafra, a infraestrutura portuária brasileira segue como um entrave estrutural. De acordo com Ferreira, centenas de contêineres estão retidos nos portos aguardando embarque, gerando prejuízos milionários aos exportadores em razão da defasagem da infraestrutura frente à expansão do agronegócio.

    O cenário internacional também contribuiu para frear os embarques. As negociações comerciais com os Estados Unidos seguem sendo retomadas de forma gradual após a imposição de tarifas, em meio a incertezas sobre a política comercial americana. Paralelamente, os conflitos no Oriente Médio complicaram rotas pelo Estreito de Ormuz, elevando fretes e seguros marítimos e desestimulando importadores.

    Alemanha lidera destinos; EUA recuam quase 50%

    A Alemanha manteve a liderança entre os destinos das exportações brasileiras de café no primeiro trimestre, com a compra de 1,192 milhão de sacas. 14,1% do total, embora 15,6% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 936.617 sacas, mas sofreram queda acentuada de 48,3%, refletindo o impacto direto das tensões tarifárias.

    Itália (885.162 sacas, +10,2%), Bélgica (527.456 sacas, +4,5%) e Japão (440.085 sacas, -35%) completam os cinco principais compradores.

    Arábica domina, mas perde participação

    O café arábica seguiu como o tipo mais exportado, com 6,712 milhões de sacas, 79,3% do total, apesar da retração de 25,8% na comparação anual. O café solúvel, com 963.168 sacas e leve queda de 1,5%, respondeu por 11,4% dos embarques. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) registraram alta de 11%, totalizando 780.911 sacas e representando 9,2% do volume exportado.

    Os cafés diferenciados, com qualidade superior, certificações sustentáveis ou denominação de especiais, responderam por 19,1% das exportações totais no primeiro trimestre, com 1,618 milhão de sacas. O volume, porém, foi 42,7% menor do que o do mesmo período de 2025. A receita gerada por esse segmento foi de US$ 730,751 milhões, a um preço médio de US$ 451,56 por saca, valor 37,7% inferior ao registrado no primeiro trimestre do ano anterior.

    O Porto de Santos foi responsável por 75,7% de todo o café exportado pelo Brasil no trimestre, com 6,409 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 20,3% dos embarques (1,716 milhão de sacas), enquanto o Porto de Paranaguá, no Paraná, participou com 108.293 sacas, equivalente a 1,3% do total.