Tag: Ceará

  • Operação apreende 3 toneladas de carne clandestina

    Operação apreende 3 toneladas de carne clandestina

    Uma operação de fiscalização realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resultou na apreensão de mais de três toneladas de carne produzida de forma clandestina no Ceará. A Operação Tô Fraco, deflagrada na terça-feira (2), descobriu um abatedouro ilegal de galinha-d’angola no município de Apuiarés que distribuía produtos para estabelecimentos comerciais em Fortaleza e até em outros estados brasileiros.

    Foto: Mapa

    A ação, que integra a Ronda Agro CXVIII, contou com o apoio da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), da Secretaria da Saúde do Ceará (SESA) e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS-CE). Durante a fiscalização, os agentes constataram graves irregularidades nas condições de produção.

    Práticas irregulares colocam saúde do consumidor em risco

    As investigações revelaram que as aves eram abatidas em condições que desrespeitavam completamente as normas de bem-estar animal estabelecidas pela legislação brasileira. O ambiente apresentava condições higiênico-sanitárias inadequadas, criando um cenário propício para a contaminação da carne e a proliferação de agentes causadores de toxinfecções alimentares e outras doenças transmissíveis.

    Um dos aspectos mais alarmantes da operação foi a descoberta do uso de corante artificial nos cortes de carne. A prática tinha como objetivo alterar a coloração natural do produto. Além de simular maior concentração de carotenoides, induzindo o consumidor a acreditar que estava adquirindo um produto de melhor qualidade. Toda a carne apreendida foi inutilizada para evitar riscos à população.

    Estabelecimentos comerciais em Fortaleza comercializavam produtos irregulares

    Além do abatedouro clandestino, a operação também fiscalizou três estabelecimentos comerciais na capital cearense. Todos os locais vistoriados comercializavam produtos provenientes do abatedouro ilegal de Apuiarés, demonstrando a amplitude da rede de distribuição irregular.

    A fiscalização de produtos de origem animal é fundamental para garantir a segurança alimentar da população. No Brasil, essa inspeção pode ser realizada em diferentes níveis, dependendo da abrangência da comercialização: pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), pelos Serviços de Inspeção Estaduais (SIE), pelos Serviços de Inspeção Municipais (SIM) ou pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).

    Entenda os perigos da carne clandestina

    O Ministério da Agricultura reforça que carnes produzidas sem fiscalização oficial representam grave ameaça à saúde pública. Produtos clandestinos facilitam a transmissão de patógenos e podem causar desde toxinfecções alimentares até doenças graves e potencialmente fatais, incluindo zoonoses transmissíveis ao ser humano.

    Foto: Mapa

    A ausência de inspeção sanitária adequada impede o controle de qualidade em todas as etapas de produção, desde o abate até o armazenamento e distribuição. Isso aumenta exponencialmente os riscos de contaminação bacteriana, viral e parasitária.

    Fiscalização intensificada

    O Mapa informou que dará continuidade às ações de fiscalização em todo o território nacional para coibir práticas irregulares no setor de produtos de origem animal. O objetivo é proteger a população e garantir que apenas alimentos seguros e adequados para consumo cheguem à mesa dos brasileiros.

    Consumidores devem sempre verificar se os produtos de origem animal adquiridos possuem o selo de inspeção oficial (SIF, SIE ou SIM). E desconfiar de preços muito abaixo do mercado, que podem indicar irregularidades na produção.

  • Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Um estudo apresentado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, projeta que até o final do século o Nordeste brasileiro poderá ter até 99% de seu território sob condições áridas e semiáridas. O levantamento, divulgado no Boletim CEPAS na COP30, indica que o fenômeno da desertificação tende a se intensificar nas próximas décadas, especialmente no interior cearense, caso as emissões de gases de efeito estufa sigam em alta.

    Projeções alarmantes

    Com base em 19 modelos climáticos globais (CMIP6), o estudo avaliou a evolução das classes climáticas de Thornthwaite — que medem o equilíbrio entre temperatura e umidade — sob dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o de altas emissões (SSP5-8.5).

    Os resultados mostram que, mesmo com ações moderadas de mitigação, a área classificada como árida deve saltar de 3% para 26% do Nordeste até 2100, enquanto o semiárido avançará de 43% para quase 60%. Em um cenário extremo, de altas emissões, o quadro é ainda mais grave: o território árido pode alcançar 56,7% da região, e o semiárido, 42,4% — o que representa 99% da área total.

    “O futuro está sob disputa e a COP30 é uma arena importantíssima desta batalha”, afirma o relatório. “O planeta e o semiárido nordestino podem ser diferentes, com menos estresse hídrico, dependendo das decisões tomadas pelos Estados e coletivos humanos.”

    Impactos no Ceará e no semiárido

    O Ceará deve sentir os efeitos antes do restante da região. O estudo aponta que áreas hoje subúmidas — como os sertões dos Inhamuns, o Cariri e o médio Jaguaribe — tendem a se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas. “O Ceará apresenta antecipação e intensificação da aridização em relação ao conjunto do Nordeste”, destaca o documento. “Os refúgios altimétricos e litorâneos resistem por mais tempo, mas encolhem e se fragmentam até 2100.”

    Entre as consequências diretas estão a redução da recarga subterrânea, o aumento da intermitência dos rios, a pressão sobre reservatórios. Por fim, a queda na produtividade agrícola. O avanço do clima seco também ameaça a biodiversidade e amplia a vulnerabilidade de comunidades rurais.

    Voz dos cientistas

    Para o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o quadro exige urgência. “Identificar as possibilidades e limites de adaptação dos sistemas humanos e naturais em nosso semiárido é uma tarefa urgente”, afirma.

    Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

    O engenheiro José Kerlly Soares de Araújo, pesquisador do grupo de risco climático da Universidade Federal do Ceará, reforça a gravidade das projeções: “O avanço da aridez, mesmo sob cenários moderados, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas antecipatórias e inovar em tecnologias de uso eficiente da água.”

    Chamado à ação

    Além disso, na avaliação do diretor do CEPAS, Francisco de Assis de Souza Filho, o Nordeste é hoje “a fronteira climática do Brasil”. Ele defende que a gestão hídrica precisa se tornar adaptativa, integrando ciência, políticas públicas e comunidades locais.

    O boletim encerra, portanto, com três recomendações principais para os debates da COP30, que será realizada em Belém:

    1. Reconhecer que o processo de aridização é antecipado e amplamente corroborado por evidências científicas;

    2. Basear as respostas em ciência e gestão integrada dos recursos hídricos;

    3. Planejar a adaptação de forma territorial, com foco especial no semiárido nordestino.

    “Os sistemas de recursos hídricos devem se preparar para maior pressão de escassez”, conclui o estudo. Ou seja, “A adaptação precisa ser rápida, integrada e territorialmente focalizada.”

  • Brasil é 4º maior produtor mundial de tilápia

    Brasil é 4º maior produtor mundial de tilápia

    O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção de tilápia, segundo a Associação Brasileira de Piscicultura. A espécie representa 63,5% de toda a produção nacional de peixes cultivados e conquista cada vez mais espaço no mercado brasileiro.

    O cultivo comercial de tilápias ganhou força no Nordeste durante a década de 90. O Ceará lidera o consumo da espécie na região, beneficiado pela produção natural nos reservatórios públicos estaduais. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) realiza o povoamento desses reservatórios.

    “A primeira tilápia que trouxemos para nossa região veio do Sudeste do país, mas ela não crescia muito e nem era produtiva”, conta Pedro Eymard, chefe do Centro de Pesquisas em Aquicultura Rodolpho von Ihering. Em 2002, Eymard e o engenheiro de pesca José Ilton Moura viajaram até a Tailândia, onde passaram 18 dias em treinamento com técnicos japoneses e tailandeses. “Trouxemos de lá a tilápia nilótica com um material genético mais preservado e que cresce bem mais que as outras”, explica.

    O Centro de Pesquisas mantém uma unidade de reversão de sexo de tilápia e outra para preservação da linhagem tailandesa.

    Propriedades nutricionais atraem consumidores conscientes

    A tilápia apresenta sabor suave, cor branca, ausência de odor forte e baixo teor de gordura. O peixe contém alta quantidade de proteínas e mínima presença de carboidratos, características que o tornam aliado de quem busca ganhar massa magra e perder peso.

    A espécie também fornece vitaminas A, B e D, além de minerais como cálcio, ferro e zinco. Esses nutrientes melhoram a saúde de dentes e ossos, ajudam a prevenir doenças cardiovasculares, oferecem ação antioxidante e regeneram músculos e tecidos.

    O peixe possui ainda ácido DHA, um ácido graxo tipo ômega-3 que beneficia a saúde cerebral e protege contra a ação degenerativa de radicais livres. A tilápia também facilita a digestão, previne inflamações e combate a prisão de ventre.

    Pele de tilápia revoluciona tratamento de queimaduras

    Em 2015, médicos e pesquisadores cearenses descobriram que a pele da tilápia funciona como curativo para queimaduras de 2º e 3º graus. O tratamento acelera o processo de cicatrização e diminui a dor dos pacientes.

    “A grande vantagem da pele da tilápia, em relação ao tratamento convencional da rede pública brasileira, é que essa pele adere ao leito da ferida, evitando contaminação do meio externo para a lesão”, explica o médico Edmar Maciel Lima Júnior, coordenador geral da pesquisa. “Isso impede que o paciente perca líquido e fique desidratado. Com a pele, os profissionais também evitam as trocas diárias de curativo que são extremamente dolorosas pro paciente.”

    O material passa por um processo de preparo e esterilização com enzimas. “A pele é desidratada, embalada a vácuo e radiada em São Paulo, em um aparelho gama cobalto”, detalha Edmar. Após os testes, o produto fica pronto para uso na pesquisa e possui validade de dois anos e meio.

    Paciente relata recuperação completa sem cicatrizes

    O caseiro Pedro Silva vivenciou os benefícios do tratamento há cerca de sete anos. Ele sofreu uma queimadura grave na perna esquerda durante um acidente doméstico. “Eu estava preparando a janta, escutei um barulho de gás saindo no botijão e fui olhar, daí começou a sair fogo”, relembra.

    Pedro recebeu atendimento hospitalar e conheceu o médico Edmar, que aplicou as peles de tilápia na região afetada. “Fui pra casa e me recuperei totalmente. Hoje não tenho nenhuma sequela e nem cicatriz”, comemora.

    O coordenador da pesquisa revela que a pele de tilápia liofilizada apresenta sucesso em diversos tratamentos. “Funciona em queimaduras e feridas em animais, já usamos na odontologia para lesões de cavidade oral e obtivemos sucesso total na ginecologia, na reconstrução de pacientes que nascem sem vagina, além de várias outras áreas que já estudamos”, enumera Edmar.

    A tilápia comprova que seus benefícios vão muito além do valor nutricional, estabelecendo-se como uma solução inovadora na medicina brasileira.

  • Sistema transforma toneladas de lixo orgânico em energia limpa no Ceará

    Sistema transforma toneladas de lixo orgânico em energia limpa no Ceará

    Uma inovação tecnológica desenvolvida no Ceará promete revolucionar o aproveitamento de resíduos orgânicos no Brasil. O Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios, criado pela Embrapa e pela Universidade Federal do Ceará (UFC), consegue transformar até 25 toneladas mensais de frutas e verduras descartadas em energia renovável de alta qualidade.

    A tecnologia surge como solução para um problema que custa caro: mensalmente, a Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa-CE) gasta aproximadamente R$ 230 mil apenas para enviar seus resíduos orgânicos ao aterro sanitário. Com o novo sistema, esse passivo se transforma em oportunidade de negócio sustentável.

    Segundo o pesquisador Renato Leitão, da Embrapa Agroindústria Tropical, coordenador do projeto, a quantidade de biogás gerada pode suprir 100% da demanda energética da Ceasa-CE nos horários de ponta e ainda gerar um excedente de 20% nos demais períodos.

    “Caso não seja utilizado na própria Ceasa, esse biogás pode ser comercializado como biometano após tratamento adequado”, explica Leitão. A alternativa representa redução significativa no impacto ambiental e nos custos de transporte e tratamento de resíduos.

    Tecnologia inovadora otimiza produção

    O diferencial do sistema está na metodologia aplicada. Enquanto o método tradicional utiliza Reatores de Mistura Completa (CSTR) com limitações operacionais e necessidade de grandes volumes, a nova tecnologia emprega um pré-tratamento inteligente.

    Todos os meses, de 17 a 25 toneladas de frutas e hortaliças – impróprias para o consumo humano – são enviadas ao aterro sanitário do estado, a um custo superior a R$ 200 mil. Foto: Embrapa

    O processo separa os resíduos através de trituração e prensagem em duas frações:

    • Fração líquida: tratada em reatores UASB (manta de lodo de fluxo ascendente), altamente eficazes para cargas orgânicas elevadas
    • Fração sólida: direcionada para compostagem, gerando fertilizante de alta qualidade, ou para reatores de metanização seca (ainda em estudos)

    Potencial de expansão nacional

    A inovação, inicialmente projetada para a Ceasa cearense, tem potencial para ser replicada nas outras 57 centrais de abastecimento distribuídas pelo território brasileiro. O impacto seria considerável, considerando que o Brasil desperdiça aproximadamente 42% dos alimentos produzidos ao longo da cadeia produtiva.

    Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que cerca de 30% das frutas e vegetais comercializados nas Ceasas são perdidos – totalizando 10,9 milhões de toneladas anuais no país.

    Paralelamente ao desenvolvimento do biogás, os pesquisadores investigam a produção de biohidrogênio a partir dos mesmos resíduos. Utilizando fermentação escura em reatores AnStBR, a técnica, embora ainda não competitiva em volume, abre perspectivas para uma nova rota de energia limpa no futuro.

    Destaque em evento científico internacional

    A tecnologia será apresentada durante o XV Workshop e Simpósio Latino-Americano de Digestão Anaeróbia (XV DAAL), que acontece entre 14 e 17 de outubro de 2025, em Fortaleza. O evento, considerado o principal fórum científico sobre digestão anaeróbia na América Latina, reunirá especialistas de centros de pesquisa mundiais.

    “O impacto pode ser enorme: energia limpa, menos resíduos, mais empregos e economia circular na prática”, destaca André dos Santos, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC.

    Para ampliar a escala de produção, os pesquisadores planejam a construção de uma unidade-piloto maior para calibrar os equipamentos. O sistema representa uma solução promissora para transformar grandes volumes de resíduos orgânicos em energia renovável, reduzindo simultaneamente custos de descarte e emissões de gases do efeito estufa.

    A iniciativa coloca o Ceará na vanguarda da economia circular aplicada ao setor alimentício, oferecendo um modelo sustentável que pode ser expandido nacionalmente.

    A produção de biogás ocorre através da digestão anaeróbia – processo de transformação microbiana da matéria orgânica em bioprodutos energéticos na ausência de oxigênio. Além da geração de energia renovável, o processo permite recuperar nutrientes do lodo gerado e mitigar emissões de gases do efeito estufa.

  • Urubu albino raro é avistado em Quixeramobim

    Urubu albino raro é avistado em Quixeramobim

    Um fenômeno extremamente raro da natureza tem chamado a atenção dos moradores do distrito de Damião Carneiro, em Quixeramobim, no interior do Ceará. Um urubu completamente branco, diagnosticado como albino, foi flagrado circulando pela região, causando surpresa e despertando a curiosidade da população local.

    O primeiro registro da ave incomum aconteceu no Riacho dos Bois, onde populares se depararam com o urubu de coloração totalmente diferente do padrão da espécie. A informação foi inicialmente divulgada pelo site O Sertão é Notícia.

    Minutos após o primeiro flagrante, um segundo avistamento foi documentado na localidade de Gangorra, confirmando que o animal continuava ativo na região. Os vídeos que registraram o fenômeno foram captados por Rodrigo Carmo e Carla Sousa. Eles relataram nunca terem presenciado um urubu nessas condições antes.

    Albinismo: condição genética rara que afeta a sobrevivência

    O albinismo é uma mutação genética extremamente rara que impede completamente a produção de melanina e carotenoides no organismo do animal. Essa condição resulta em penas, bico e patas totalmente brancos, além de olhos característicamente avermelhados.

    Diferentemente do leucismo – uma condição similar, mas menos severa – o albinismo também compromete mucosas e pode afetar significativamente a visão do animal. Segundo explicações de biólogos, essa alteração genética pode representar um desafio considerável para a sobrevivência do urubu-de-cabeça-preta, espécie que depende fundamentalmente da acuidade visual para localizar alimento.

    Repercussão e simbolismo no sertão cearense

    O registro do urubu albino rapidamente se tornou tema de conversas entre os moradores da região e ganhou ampla repercussão nas redes sociais. O interesse vai além da simples raridade do fenômeno, representando também um simbolismo especial: a manifestação única da natureza no sertão cearense.

    A descoberta reforça a importância da preservação ambiental e da observação da fauna regional, demonstrando como a natureza continua a surpreender com suas manifestações extraordinárias, mesmo em condições adversas do semiárido nordestino.

  • Unha-do-diabo ameaça carnaúba no Nordeste brasileiro

    Unha-do-diabo ameaça carnaúba no Nordeste brasileiro

    A “unha-do-diabo” (Cryptostegia madagascariensis) representa, hoje, uma das maiores ameaças às áreas de carnaúba no Nordeste brasileiro. Especialmente no Ceará, onde a palmeira é símbolo estadual e pivô de uma expressiva cadeia socioeconômica. Importada de Madagascar cerca de 40 anos atrás como planta ornamental, a unha-do-diabo tornou-se uma trepadeira invasora de difícil controle. E cujas consequências ambientais e econômicas são vastas e preocupantes.

    Como a unha-do-diabo prejudica a carnaúba?

    • Sufocamento e morte das palmeiras: a trepadeira envolve o tronco da carnaúba, cobre sua copa e impede a entrada de luz, além de sufocar a planta, levando à morte por asfixia e falta de fotossíntese. Massas impenetráveis da planta já inviabilizaram a extração da palha em diversas regiões, especialmente em municípios do Ceará como Granja e Jaguaruana, com registros de invasões que ultrapassam 70% das áreas de carnaubais.
    • Liberação de látex tóxico: a Cryptostegia libera um látex que dificulta o corte manual, pode causar intoxicação e contamina solos, afetando novas mudas.
    • Barreiras físicas: forma massas vegetais densas que dificultam o deslocamento de pessoas e animais, atrapalham a pecuária e comprometem rotas tradicionais de coleta da palha.
    • Competição por recursos: como espécie voraz, consome recursos hídricos escassos do semiárido, competindo de forma desigual com a carnaúba e outras espécies nativas da Caatinga.

    Ameaça à biodiversidade da Caatinga

    A proliferação da unha-do-diabo nos carnaubais e em outras áreas do semiárido ameaça a biodiversidade da Caatinga ao dominar rapidamente o espaço ocupado por espécies nativas. Portanto, promovendo a morte de árvores e modificando profundamente o equilíbrio ecológico da região. Isso reduz a disponibilidade de alimento e abrigo para aves e outros animais dependentes dos carnaubais e de outras plantas típicas, podendo afetar cascatas ecológicas e a propagação da própria carnaúba.

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    A carnaúba (Copernicia prunifera) é uma das plantas mais valorizadas da flora nordestina, base da produção da cera utilizada em indústrias globais — de farmacêuticos a cosméticos e eletrônicos. O Ceará lidera as exportações e produção, movimentando cerca de 16 mil toneladas de cera. Além disso, gera aproximadamente 90 mil empregos diretos no estado apenas durante a safra. Com números que sobem para mais de 96 mil quando se considera toda a cadeia produtiva.

    Com a infestação das áreas de carnaúba, dezenas de milhares de pequenos produtores, extrativistas e trabalhadores rurais — muitos com baixo nível de escolaridade e residência em áreas de vulnerabilidade social — veem sua principal fonte de renda ameaçada. Municípios inteiros encontram-se sob risco econômico e social, agravado pela natureza precária e manual do combate à invasora. Que em geral feito por corte e queima, métodos pouco eficazes e perigosos ao ambiente.

    Controle e perspectivas

    A resistência da unha-do-diabo e seus impactos levaram pesquisadores a buscarem medidas biológicas de combate,. Como o uso do fungo Maravalia cryptostegiae, nativo de Madagascar e já testado com sucesso em outros países para conter a planta invasora. O monitoramento e a aplicação de métodos biológicos prometem ser mais sustentáveis, embora ainda esteja em fase experimental em municípios mais afetados do Ceará.

    A expansão da Cryptostegia madagascariensis compromete a sobrevivência da carnaúba — símbolo nordestino e eixo de sustentação econômica para milhares de famílias. O enfrentamento dessa invasora exige medidas urgentes de manejo e pesquisa científica para controle biológico eficiente. Além de políticas públicas de apoio ao extrativismo sustentável e à recomposição dos carnaubais. Proteger a carnaúba é defender a economia, a cultura e a biodiversidade do Nordeste brasileiro.

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  • Brasil aproveita crise mundial do cacau para retomar liderança

    Brasil aproveita crise mundial do cacau para retomar liderança

    A crise mundial na produção de cacau está criando uma oportunidade histórica para o Brasil retomar sua posição de destaque no mercado internacional. Enquanto os principais produtores mundiais enfrentam problemas estruturais, estados como o Ceará apostam em tecnologias inovadoras para revolucionar o cultivo da cultura no país.

    A Páscoa de 2025 registrou os preços mais altos do chocolate dos últimos anos. Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), os valores aumentaram 66% em Londres entre outubro e dezembro de 2024, saltando de US$ 6.896 para US$ 11.441 por tonelada. Em Nova York, o crescimento foi similar, atingindo 64% no mesmo período.

    Costa do Marfim e Gana, responsáveis pela maior parte da oferta mundial, enfrentam uma combinação de fatores críticos:

    • Eventos climáticos extremos
    • Aumento das infestações do vírus CSSV (Cacao Swollen Shoot Virus)
    • Lavouras envelhecidas com baixa produtividade

    Oportunidade histórica para o Brasil

    “Com essa quebra de produção no mundo, o Brasil tem a chance de suprir essa demanda”, explica Adolfo Moura, engenheiro agrônomo especialista em pesquisas de cacau há mais de 10 anos. Para ele, o cultivo nacional precisa expandir áreas plantadas para primeiro atender a demanda interna e depois pensar em exportação.

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    O país tem experiência no setor. Entre as décadas de 1930 e 1980, o cacau brasileiro foi símbolo de riqueza, especialmente na Bahia. Porém, a chegada da doença Vassoura-de-bruxa em 1989 devastou a produção, reduzindo-a de 400 mil para 123 mil toneladas anuais em menos de uma década.

    Irrigação por gotejamento: a revolução tecnológica

    A irrigação localizada emerge como protagonista da retomada cacaueira brasileira. A técnica permite aplicação precisa de água e nutrientes, com eficiência superior a 90% e aumento de produtividade de até 150% comparado a sistemas não irrigados.

    Carlos Barh, engenheiro agrônomo da Rivulis com mais de 50 anos de experiência, destaca: “O cacau nasceu para ser irrigado por gotejamento, pois a técnica não aumenta umidade, evitando o desenvolvimento de fungos.”

    Em áreas irrigadas com manejo intensivo, é possível atingir produtividades acima de 2.000 kg/ha/ano – quase quatro vezes a média de países africanos.

    Ceará: o novo eldorado do cacau

    O cacau cearense já é realidade. Desde 2010, um projeto de cooperação entre Associação Univale, Frutacor, CEPLAC e Embrapa, liderado pelo engenheiro Diógenes Henrique Abrantes Sarmento, revoluciona o cultivo no Vale do Jaguaribe.

    Foto: Divulgação Rivulis

    “Testamos várias culturas na região. Após anos de estudos, o cacau foi o que melhor se adaptou”, conta Sarmento. A primeira área de quatro hectares consolidada em 2010 utilizou 12 clones, com destaque para as variedades CCN51 e PS319, que atingem produção de 2,5 a 3 toneladas por hectare.

    Para resolver desafios logísticos, os produtores cearenses verticalizaram a produção. Em 2018, foi fundada a Cacau do Ceará, primeira indústria a usar matéria-prima exclusiva de produtores locais em Limoeiro do Norte.

    O projeto evoluiu para consórcio com outras culturas como coco e banana, maximizando a renda por área. Atualmente, mais de 300 hectares de produtores cearenses apostam no cultivo, com meta de atingir 400 hectares até janeiro.

    Potencial econômico e expansão

    O retorno financeiro do cacau é atrativo. Com bom manejo, produtores conseguem atingir 3 mil kg de amêndoa por hectare. Considerando o preço atual de R$ 50 por kg, a renda bruta chega a R$ 150 mil por hectare, com custeio de cerca de R$ 22 mil.

    A cultura apresenta vantagens competitivas:

    • Baixa demanda de mão de obra
    • Adaptação a épocas quentes
    • Facilidade de consórcio com outras culturas
    • Viabilidade para todos os portes de produtores

    Para expandir a produção cacaueira brasileira, o setor busca:

    • Parcerias público-privadas para pesquisas
    • Financiamentos e linhas de crédito específicas
    • Capacitação técnica especializada
    • Ampliação de viveiristas para produção de mudas

    Com qualidade comprovada dos clones atuais, o cultivo de cacau tem potencial para expansão por todo o Ceará, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, posicionando o Brasil novamente como protagonista mundial no setor.

    A crise mundial do cacau representa uma janela de oportunidade única para o agronegócio brasileiro. Com tecnologia, manejo adequado e investimentos estruturantes, o país pode reconquistar sua posição histórica no mercado internacional da cultura.

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  • Impressionante – rapadura gigante bate recorde com 18 toneladas

    Impressionante – rapadura gigante bate recorde com 18 toneladas

    O município de Pindoretama, localizado a 46,7 quilômetros de Fortaleza, conquistou um novo recorde nacional ao produzir a maior rapadura do Brasil, com impressionantes 18,66 toneladas. O feito foi oficializado pelo RankBrasil – sistema oficial de homologação de recordes brasileiros – durante o 16º Festival Internacional da Cana-de-Açúcar, o “Pindorecana”, realizado entre os dias 24 e 27 de outubro.

    A rapadura gigante, produzida inteiramente de forma artesanal no tradicional Engenho Almeida, apresenta dimensões que chamam atenção: 6,80 metros de comprimento na base inferior, 2,23 metros de largura, 5,50 metros de comprimento na base superior e 80 centímetros de altura. O processo de fabricação da iguaria demandou 11 dias de trabalho intenso.

    Durante quatro dias, o doce ficou exposto na Praça da Cidadania e atraiu centenas de visitantes ao festival, que já se consolidou como tradição na Região Metropolitana de Fortaleza. Após o evento, os organizadores distribuíram a rapadura gratuitamente para a população local.

    Disputa acirrada entre Ceará e Pernambuco pelo título

    O recorde representa mais um capítulo da intensa rivalidade entre Ceará e Pernambuco pela produção da maior rapadura do país. Pindoretama havia conquistado o título inicialmente em 2023, mas perdeu a liderança para Santa Cruz da Baixa Verde (PE) ainda no mesmo ano.

    maior rapadura do mundo
    O doce foi quebrado com a ajuda de uma picareta e distribuído na festa. Foto: Divulgação Prefeitura

    Em seguida, o Ceará voltou ao topo com uma produção em Cascavel, porém perdeu novamente para os pernambucanos em dezembro de 2023. Agora, com este novo recorde de 18.660 quilos, Pindoretama reconquista definitivamente o posto de maior produtor de rapadura do Brasil.

    Festival fortalece tradição açucareira regional

    O Pindorecana, que chegou à sua 16ª edição, consolida-se como um dos principais eventos culturais e gastronômicos da região, celebrando a tradição centenária da produção de cana-de-açúcar e seus derivados. O festival não apenas preserva técnicas artesanais ancestrais, mas também movimenta a economia local e projeta o município nacionalmente.

    Foto: Divulgação Prefeitura

    A certificação pelo RankBrasil, sistema que atua no país desde 1999, garante o reconhecimento oficial do feito. E coloca Pindoretama definitivamente no mapa dos recordes brasileiros.

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  • Ceará registra primeiro foco de gripe aviária em ave doméstica

    Ceará registra primeiro foco de gripe aviária em ave doméstica

    O Ceará confirmou o primeiro foco de gripe aviária em ave de subsistência, no município de Quixeramobim, no Sertão Central. A Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri) identificou o caso após análise realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP). O exame confirmou a infecção na última quinta-feira (17). As amostras haviam sido enviadas no dia 8 de julho.

    Ações adotadas

    Após a confirmação, a Adagri iniciou ações emergenciais do Plano Nacional de Contingência de Influenza Aviária, do Ministério da Agricultura. Ou seja, equipes interditaram a propriedade, realizaram a eutanásia das aves e iniciaram o protocolo de saneamento da criação. Sete auditores fiscais e um agente da Adagri executaram os procedimentos sanitários no local. Além disso, a equipe também instalou uma barreira sanitária. Todos os veículos e pessoas passaram por desinfecção antes de sair da propriedade. Os técnicos enterraram as aves e os materiais contaminados em vala sanitária dentro da própria área rural.

    Segundo a Adagri, o contágio pode ter ocorrido por contato com aves silvestres. A propriedade foco fica próxima a um reservatório com pouca água, que atrai aves silvestres e pode ter favorecido a transmissão.

    A agência já iniciou investigação complementar em um raio de 10 quilômetros ao redor da ocorrência. Ou seja, o objetivo é identificar possíveis conexões com outras propriedades da região.

    Consumo seguro

    A Adagri reforçou que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro. Ou seja, a transmissão da gripe aviária não ocorre por meio da ingestão desses alimentos, segundo nota técnica da agência.

    De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil já confirmou 182 focos da doença. Desse total, 172 ocorreram em aves silvestres, oito em aves de subsistência e um em granja comercial.

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    Nordeste pode perder R$ 16 bilhões por ano com tarifa de 50% dos EUA

    O Nordeste brasileiro enfrenta uma ameaça econômica significativa após a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. De acordo com um estudo recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a medida pode custar à região cerca de R$ 16 bilhões anuais, valor equivalente ao total exportado para os EUA em 2024.

    Os estados mais afetados serão Ceará, Bahia e Maranhão, responsáveis por 84,2% das vendas nordestinas ao mercado americano. Somente no primeiro semestre deste ano, as exportações da região somaram US$ 1,58 bilhão (R$ 8,7 bilhões). O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, argumenta que a decisão norte-americana é prejudicial para ambos os lados. “Os EUA também são grandes importadores de produtos nordestinos. Em 2024, compraram o equivalente a R$ 33,5 bilhões em mercadorias da região. Essa medida pode sair mais cara para eles do que para nós”, afirmou.

    Queda na competitividade de produtos da região

    José Farias, coordenador de Estudos da Sudene, alerta que o aumento tarifário deve reduzir drasticamente a competitividade dos produtos nordestinos no mercado americano. “Os compradores buscarão fornecedores alternativos, o que afetará não apenas o PIB regional, mas também empregos e cadeias produtivas inteiras”, explicou. Entre os setores mais vulneráveis estão a indústria de aço no Ceará, a produção de cacau na Bahia e as pastas químicas no Maranhão.

    A medida já mobiliza reações políticas e empresariais. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressiona por uma resposta diplomática, enquanto governos estaduais estudam medidas para diversificar mercados e proteger produtores locais. Especialistas sugerem a busca por novos compradores na Ásia e América Latina, além de mecanismos de proteção cambial.

    Com a tarifa entrando em vigor em 1º de agosto, o impacto econômico deve ser sentido ainda em 2025. A Sudene estima que, sem uma solução negociada, as perdas podem se estender por anos, afetando especialmente pequenos agricultores e indústrias regionais.

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