O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária na última sexta-feira, 27 de março. A saída, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, acontece em um momento sensível para o setor produtivo e, portanto, coloca o agronegócio diante de um período de incerteza institucional.
A exoneração de Fávaro tem motivação política direta. O ex-ministro retorna ao Senado Federal para participar da votação do relatório final da CPMI do INSS, comissão que recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
Com a volta de Fávaro ao Senado, sua suplente, Margareth Buzetti, alinhada à oposição, perde a vaga na comissão. Em seguida, o primeiro suplente, Beto Faro, do PT, assume o lugar. Dessa forma, o movimento busca garantir ao governo votos suficientes para rejeitar o relatório, que precisava ser votado até ontem, sábado, 28 de março, prazo limite de funcionamento da CPMI após o STF negar a prorrogação dos trabalhos.
Além disso, Fávaro ainda tem agenda no Ministério na próxima terça-feira, 31 de março, quando deve se despedir formalmente da pasta.
O impacto direto no agronegócio
A troca no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento delicado. O setor enfrenta juros ainda elevados, pressão sobre custos de produção e necessidade de previsibilidade em políticas estratégicas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização.
Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando do Mapa fora do ciclo tradicional de transição de governo tendem a gerar cautela. Afinal, decisões sobre financiamento de safra, programas de seguro e abertura de mercados dependem de continuidade técnica e orçamentária. Mudanças abruptas, portanto, podem atrasar decisões e aumentar o risco no campo.
Paralelamente, a Conab também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A estatal é peça estratégica para o agronegócio, pois é responsável por levantamentos de safra, controle de estoques e execução de políticas de abastecimento que influenciam diretamente a formação de preços.
Quem assume o Ministério da Agricultura?
Nos bastidores, o PSD, partido de Fávaro liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da pasta. Por ora, o nome mais cotado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para garantir a continuidade da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.
A eventual troca, contudo, acontece em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Ao longo da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que cobrou maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados.
Um momento de transição que o agro acompanha de perto
A saída de Fávaro inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo. À medida que outros ministros deixam seus cargos para disputar as eleições, a “dança das cadeiras” na Esplanada tende a se intensificar nos próximos meses.
Para o agronegócio, esse movimento ocorre em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas. Sendo assim, mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um momento de maior risco. E isso, o produtor rural acompanha com atenção redobrada.
Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio começaram a se traduzir em alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo, com reflexos diretos no Brasil,país que importa cerca de 85% dos insumos agrícolas que consome. Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% em uma semana, enquanto o nitrato de amônio avançou cerca de 28%, com valorização de mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período, segundo dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros.
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu nota oficial pedindo cautela ao mercado e orientando produtores rurais a evitar compras precipitadas. O ministro Carlos Fávaro foi direto: “É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado.”
Por que os preços subiram tão rápido
A volatilidade tem raízes tanto nas incertezas geopolíticas quanto em impactos concretos já verificados na cadeia global de fertilizantes. Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que, nos dias seguintes ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram ofertas do mercado à espera de maior clareza sobre a formação de preços. Ao mesmo tempo, ataques no Catar resultaram em redução da produção de nitrogenados no país, diminuindo a disponibilidade global de mercadorias.
Outro fator de pressão é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, foi prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. A região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, segundo Pernías. “Qualquer interrupção prolongada pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, alerta o analista.
A situação é agravada ainda pela interrupção temporária das exportações russas de nitrato de amônio, outro fator citado pelo próprio Mapa como elemento de instabilidade no mercado internacional.
Brasil dependente e vulnerável
A dependência brasileira de fertilizantes importados torna o país especialmente exposto a esse tipo de choque externo. Dados da Embrapa indicam que 85% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior. E no caso específico da ureia, utilizada em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, essa dependência chega a 90% do consumo nacional. Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas do insumo, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Parte relevante dessas compras tem origem justamente em países do Oriente Médio.
Para o advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, o cenário pode pressionar ainda mais os custos de produção agrícola. “O impacto esperado é o aumento do preço dos fertilizantes, podendo gerar uma elevação de 15% a 20% no valor desses insumos”, afirma.
O efeito tende a chegar primeiro às regiões mais dependentes do transporte rodoviário. Municípios com grande produção de grãos como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde (MT), Cascavel, Toledo e Londrina (PR), além de Dourados e Maracaju (MS), podem sentir mais rapidamente o impacto no custo de colheita e transporte da safra.
Governo orienta: aguardar antes de comprar
Com a safra de inverno já plantada ou em fase final de implantação, o Mapa avalia que não há necessidade imediata de aquisição de fertilizantes. A próxima grande demanda ocorrerá apenas com o início do plantio da safra de verão, tradicionalmente a partir de setembro. O que, na avaliação do ministério, abre uma janela para que o mercado se estabilize.
“Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, afirmou o ministro Fávaro.
O ministério também destacou que existem alternativas tecnológicas e estratégias de manejo capazes de otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo a exposição dos produtores às oscilações do mercado internacional.
Incerteza permanece
No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir os efeitos da redução da oferta com mais rapidez, pois atravessam o período de preparação para a safra de primavera. Momento em que a demanda por fertilizantes costuma crescer de forma expressiva. Caso os preços internacionais mais elevados sejam repassados ao comprador norte-americano, existe risco de pressão sobre as margens dos agricultores em um momento sensível de planejamento.
No Brasil, o impacto deve ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, em antecipação ao plantio da safrinha de milho. Diante disso, muitos importadores podem adotar postura mais cautelosa no curto prazo.
Ainda assim, Pernías alerta que o nível de incerteza é alto. “A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista. O Mapa informou que seguirá monitorando permanentemente a cadeia de suprimentos e dialogando com atores do setor para avaliar alternativas de logística, importação e abastecimento.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apresentou as oportunidades do agronegócio brasileiro no India–Brazil Business Forum, em Nova Délhi, neste sábado (21). Em um painel com empresários e autoridades dos dois países, Fávaro destacou a retomada das relações bilaterais. E defendeu uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica.
O fórum integra a agenda oficial da comitiva brasileira na Índia, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. A missão reúne ministros, parlamentares e uma grande delegação de empresários brasileiros.
Fávaro ressaltou que Brasil e Índia compartilham o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade global. Ele atribuiu a transformação da agropecuária brasileira nas últimas décadas à ciência, tecnologia e governança, com papel central da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na adaptação de soluções aos trópicos e no aumento da produtividade.
O ministro citou exemplos práticos desse avanço, como a eficiência da produção de carne de frango no Brasil, estruturada em modelo de integração com pequenas propriedades e padrões sustentáveis. Ele mencionou ainda o melhoramento genético do girolando, tecnologia já negociada com o mercado indiano. E os ganhos de qualidade em feijões e pulses, segmento com potencial de cooperação bilateral.
Na área de sustentabilidade, Fávaro destacou a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono, a liderança brasileira no uso de bioinsumos, a recuperação de áreas degradadas no âmbito do programa Caminho Verde Brasil e o desenvolvimento de moléculas biodegradáveis e seletivas.
Comércio e cooperação:
Ao tratar das perspectivas comerciais, Fávaro defendeu a ampliação do intercâmbio com base na reciprocidade. Ele lembrou que o agro brasileiro abriu 538 mercados internacionais nos últimos anos e reforçou a importância do equilíbrio nas relações: “Quem deseja vender precisa comprar.”
O ministro apontou áreas para cooperação em inovação, como o desenvolvimento conjunto de produtos biológicos, parcerias em agricultura regenerativa e atração de investimentos. Ele também mencionou o interesse de empresas brasileiras em ampliar a presença na Índia, especialmente no processamento de alimentos. E o interesse de companhias indianas em investir no Brasil em tecnologia, inteligência artificial e bioinsumos.
Em 2025, a Índia figurou como o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões. Ao encerrar a participação no fórum, Fávaro reforçou o compromisso brasileiro com previsibilidade regulatória e ambiente seguro para investimentos como base para parcerias de longo prazo.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e a ministra da Agricultura da Rússia, Oksana Lut, conduziram uma reunião bilateral estratégica nesta quarta-feira (4). O diálogo reforçou a parceria entre os dois países no setor agropecuário e preparou o terreno para a próxima reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível.
Foto: Mapa
A reunião contou com a presença de autoridades-chave de ambos os lados, incluindo o chefe do Serviço Veterinário e Fitossanitário russo, Sergey Dankvert, e secretários do Ministério da Agricultura brasileiro (Mapa).
Carlos Fávaro destacou o papel da Rússia como um parceiro estratégico e principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil. “Manter este diálogo contínuo e técnico é crucial para gerar previsibilidade e estabilidade no nosso comércio bilateral”, afirmou o ministro.
Oksana Lut ressaltou a importância de aprofundar os laços de amizade e confiança mútua para uma cooperação de longo prazo.
Agenda concreta: barreiras sanitárias e modernização
Os ministros trataram de temas práticos que impactam diretamente o fluxo comercial:
Carnes aviárias: as partes concordaram sobre a necessidade de reconhecer sistemas de regionalização sanitária. Este procedimento evita que um foco localizado de doença interrompa todo o comércio, seguindo padrões internacionais.
Pescado: a Rússia manifestou interesse em habilitar mais plantas brasileiras para exportar pescado ao seu mrcado.
Certificação eletrônica: Fávaro reafirmou o compromisso do Brasil com a certificação veterinária eletrônica, um sistema que moderniza processos, reduz riscos e aumenta a eficiência para ambos os países.
Intercâmbio
Outro ponto da pauta foi o estímulo ao intercâmbio de estudantes brasileiros e russos. A iniciativa busca promover a troca de experiências e conhecimentos sobre os diferentes modelos de produção agropecuária dos dois países.
O encontro reforça a relação bilateral em um momento geopoliticamente sensível, com ambos os lados sinalizando interesse em normalizar e expandir a cooperação técnica e comercial no setor.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se com o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, para discutir a retomada das exportações de pescado brasileiro para a União Europeia. O governo federal intensifica esforços para reabrir o mercado europeu, suspenso desde 2017.
Foto: Mapa
A União Europeia deve realizar auditoria nas plantas frigoríficas de pescado brasileiras durante o primeiro semestre de 2026. A inspeção representa etapa essencial para a reabertura do mercado europeu ao produto brasileiro.
“Essa reabertura é uma prioridade para nós. Aguardamos com expectativa a auditoria nas plantas frigoríficas de pescado brasileiras, prevista para o primeiro semestre de 2026, etapa essencial para a retomada desse mercado”, destacou o ministro Carlos Fávaro.
Os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciaram a criação de um grupo de trabalho interministerial. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Setorial da Produção e Indústria dos Pescados.
“Decidimos pela criação de um grupo de trabalho interministerial, com o apoio da Câmara Setorial da Produção e Indústria dos Pescados. Vamos juntos planejar e organizar essa missão, num esforço coletivo com o setor produtivo para garantirmos o protagonismo que merecemos no mercado externo, com foco na valorização do nosso pescado lá fora”, afirmou o ministro André de Paula.
Diálogo permanente com autoridades europeias
O Mapa e o MPA mantêm diálogo permanente com a autoridade sanitária da União Europeia desde 2023. Neste período, os ministérios implementaram medidas para adequar as embarcações pesqueiras brasileiras aos critérios higiênico-sanitários exigidos pela União Europeia e pelo Reino Unido.
As ações visam preparar o setor pesqueiro nacional para atender todos os requisitos necessários à retomada das exportações para o bloco europeu.
A União Europeia suspendeu as importações de pescado brasileiro em 2017. Desde então, o país trabalha para restabelecer o acesso ao mercado europeu, considerado estratégico para o setor pesqueiro nacional.
A criação do grupo de trabalho interministerial reforça o compromisso do governo brasileiro em recuperar esse importante canal de exportação e valorizar o pescado nacional no mercado internacional.
O agronegócio brasileiro consolida sua posição como motor da economia nacional. O setor registrou crescimento de 11,6% no acumulado até o terceiro trimestre de 2025, segundo dados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (4). O desempenho supera amplamente outros setores da economia.
A economia brasileira expandiu 2,4% no acumulado do ano até setembro, comparado ao mesmo período de 2024. O resultado demonstra como a agropecuária lidera o crescimento nacional. A indústria avançou 1,7%, enquanto o setor de serviços registrou alta de 1,8% no período.
Commodities agrícolas garantem expansão no terceiro trimestre
O terceiro trimestre trouxe números expressivos para o agronegócio. O setor cresceu 10,1% na comparação com o mesmo período de 2024. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), que o IBGE publicou em novembro, revela os principais responsáveis pelo desempenho:
Milho lidera com alta de 23,5% na produção
Laranja registra crescimento de 13,5%
Algodão avança 10,6%
Trigo apresenta expansão de 4,5%
A pecuária também contribuiu positivamente para os resultados. Apenas a cana-de-açúcar registrou retração, com queda de 1,0% no período.
Política agrícola fortalece competitividade do produtor
Carlos Fávaro, ministro da Agricultura e Pecuária, atribui os resultados ao fortalecimento das políticas públicas para o setor. “O desempenho do agro mostra a força do produtor brasileiro, que segue inovando e ampliando a produção com sustentabilidade. Esse crescimento é resultado direto do acesso ao crédito e da abertura de mercados, que garantem mais competitividade ao nosso país”, destacou o ministro.
Carlos Fávaro, Ministro da Agricultura. Foto: Divulgação – Mapa
O crescimento do agronegócio gera efeitos positivos em cadeia. Claudia Dionísio, analista das Contas Trimestrais do IBGE, explica que “o grande escoamento de produção de commodities, decorrente do bom desempenho da Extrativa Mineral e da Agropecuária, contribuiu positivamente para a atividade de Transporte, armazenagem e correio”.
No acumulado dos quatro trimestres encerrados em setembro de 2025, a agropecuária cresceu 9,6%. A economia brasileira como um todo avançou 2,7% no período, impulsionada pelo Valor Adicionado a preços básicos (2,7%) e pelos impostos sobre produtos líquidos de subsídios (2,9%).
A União Europeia confirmou oficialmente ao governo brasileiro o retorno do sistema de pré-listing para estabelecimentos exportadores de carne de aves e ovos, encerrando um hiato de sete anos que limitava o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. A notícia foi anunciada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que classificou o acordo como uma “grande vitória” para o setor avícola nacional.
Com a retomada do pré-listing, as agroindústrias brasileiras que atenderem aos requisitos sanitários da União Europeia poderão ser habilitadas de forma mais ágil. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) será responsável por atestar e encaminhar a lista de plantas que cumprem as normas europeias, eliminando a necessidade de avaliação caso a caso pelas autoridades do bloco.
“Trabalhamos três anos na reabertura e, finalmente, oficialmente, o mercado está reaberto. Todas as agroindústrias brasileiras que produzem ovos e frangos e que cumprirem os pré-requisitos sanitários podem vender para a Comunidade Europeia”, declarou Fávaro.
O mercado europeu é considerado um dos mais rentáveis para a proteína animal brasileira. Desde 2018, o Brasil estava impedido de utilizar o mecanismo de pré-listing, o que dificultava a habilitação de novas plantas e limitava as exportações do setor avícola e de ovos para os 27 países do bloco.
A confirmação do sistema representa maior previsibilidade e competitividade para os produtores nacionais, que poderão ampliar sua participação em um mercado exigente e remunerador.
Negociações intensas em 2024
O retorno do pré-listing é resultado de uma agenda diplomática intensiva ao longo de 2024. Em outubro, uma missão do Mapa a Bruxelas, liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, apresentou demandas prioritárias à Comissão Europeia, incluindo o restabelecimento do mecanismo para proteína animal e o reconhecimento da regionalização de enfermidades.
Dias depois, em reunião de alto nível em São Paulo com o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, os entendimentos foram consolidados. Além da confirmação do pré-listing para carne de aves, as partes avançaram nas tratativas para ovos e agendaram auditoria europeia do sistema brasileiro de pescados.
Diálogo permanente com a UE
Brasil e União Europeia acordaram ainda a criação de um mecanismo permanente de diálogo de alto nível para tratar questões sanitárias e regulatórias. Uma nova reunião está prevista para o primeiro trimestre de 2026, com o objetivo de garantir transparência, previsibilidade e redução de barreiras técnicas ao comércio bilateral.
“Com o pré-listing restabelecido, o Brasil reforça a credibilidade de seus serviços oficiais de inspeção. E avança em uma agenda de facilitação comercial baseada em cooperação técnica e regulatória”, destacou o Mapa em nota oficial.
A decisão beneficia diretamente produtores, agroindústrias e exportadores brasileiros, consolidando o país como referência global em segurança alimentar e qualidade de produtos de origem animal.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniu na terça-feira (11), em Brasília, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar da modernização do Programa de Seguro Rural. O objetivo principal da reunião foi apresentar um novo modelo que torne o seguro mais acessível e eficaz para os produtores rurais brasileiros.
Fávaro afirmou que o atual seguro rural não atende mais às necessidades do setor. “O seguro rural é uma ferramenta fundamental, mas as apólices estão cada vez mais caras e as mudanças climáticas são uma realidade incontestável. Após um ano de estudos, apresentamos uma proposta para reconstruir o seguro rural no país”, declarou.
Os ministros discutiram a implementação do seguro paramétrico, que promete reduzir os impactos financeiros das perdas climáticas, e a universalização do acesso ao seguro rural, permitindo que mais produtores possam contar com essa proteção. Segundo Fávaro, essas medidas podem diminuir a necessidade de renegociação de dívidas rurais.
“O que trouxemos é algo viável, que ainda será aperfeiçoado e debatido em outras instâncias do governo. Queremos deixar como legado um novo modelo de seguro agrícola para o Brasil”, destacou.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se nesta terça-feira (11), em Brasília, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Mapa
Também participaram da reunião os assessores especiais Carlos Augustin e Pedro Machado, o secretário de Política Agrícola Guilherme Campos, o secretário adjunto Wilson Vaz, e o diretor de Gestão de Riscos Diego Melo.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, entregou nesta quarta-feira (5) a Medalha de Mérito Apolônio Salles à pesquisadora da Embrapa Soja Mariangela Hungria. A cerimônia aconteceu no auditório Olacyr de Moraes, no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, e reconheceu mais de 40 anos de dedicação da cientista à agricultura sustentável.
A honraria destaca a relevância científica e o impacto social da trajetória de Hungria, que revolucionou o uso de insumos biológicos na agricultura brasileira. Suas pesquisas consolidaram o Brasil como referência mundial em tecnologias sustentáveis de produção de alimentos.
Durante a solenidade, Fávaro enfatizou que a homenagem simboliza um reconhecimento à própria Embrapa e à excelência da ciência pública brasileira. “A Embrapa é orgulho do Brasil e referência mundial. Em todas as agendas internacionais, todos querem parceria com a Embrapa. Esta medalha entregue à Mariangela representa também 52 anos de história da instituição”, afirmou o ministro.
Fávaro anunciou ainda que esta será a única entrega da medalha durante seu mandato. “É uma homenagem verdadeira, de grandeza equivalente à grandeza da homenageada. O Brasil lidera hoje o avanço dos bioinsumos no mundo, e isso tem o dedo da Mariangela”, declarou.
Reconhecimento tem valor especial para cientista
Ao agradecer a homenagem, Hungria destacou o significado especial de receber o reconhecimento da própria instituição. “Eu sempre digo que considero a Embrapa o braço de ciência e tecnologia do Mapa, então sempre me senti muito à vontade aqui. Ser reconhecida dentro da nossa própria casa tem um valor imenso”, afirmou.
Foto: Percio Campos/Mapa
A pesquisadora dedicou o prêmio aos colegas, estudantes e pesquisadores que acreditaram no potencial dos biológicos para transformar a agricultura. “Esse prêmio não é meu, é de todos que trabalharam comigo. Dedico esta medalha às mulheres da ciência e da agricultura, muitas vezes invisíveis, mas essenciais para a segurança alimentar do país”, disse.
Primeira brasileira a vencer o “Nobel da Agricultura”
O Mapa entregou a medalha poucos dias após Hungria receber, em Des Moines, nos Estados Unidos, o World Food Prize 2025, considerado o “Nobel da Agricultura”. A cientista brasileira tornou-se a primeira mulher do país e a décima mulher no mundo a conquistar o prêmio desde sua criação. A premiação reconhece personalidades que contribuem de forma decisiva para a segurança alimentar global.
Formada em Engenharia Agronômica pela Esalq/USP, com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas e doutorado em Ciência do Solo pela UFRRJ, Mariangela Hungria ingressou na Embrapa em 1982. Desde então, dedicou sua carreira à pesquisa em microbiologia do solo.
Descobertas geram impacto econômico e ambiental
As descobertas de Hungria impulsionaram o uso de microrganismos capazes de fixar nitrogênio e substituir fertilizantes químicos. As tecnologias desenvolvidas pela pesquisadora estão presentes em aproximadamente 85% da área de soja cultivada no Brasil, além de lavouras de feijão, milho, trigo e pastagens.
Os resultados geram ganhos econômicos, ambientais e tecnológicos significativos. Somente em 2024, a economia estimada ao dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados chegou a US$ 25 bilhões. O uso dessas bactérias também mitigou a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera no mesmo ano.
Ciência pública transforma milhões de hectares
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou o simbolismo da conquista para a ciência brasileira. “Esta medalha repousa sobre os ombros da Mariangela, mas suas raízes estão fincadas em quatro décadas de pesquisa e milhões de hectares transformados. Ela mostrou ao Brasil e ao mundo que o solo não é só chão, é vida”, afirmou.
Massruhá, primeira mulher a presidir a Embrapa, celebrou o feito da primeira pesquisadora brasileira a integrar a lista do “Nobel da Agricultura”. “Com ciência pública e compromisso social, a Embrapa seguirá formando muitas outras Mariangelas”, declarou.
Há mais de 40 anos, Mariangela Hungria desenvolve inovações na área de microbiologia do solo, o que resultou no lançamento de mais de 30 tecnologias. Suas pesquisas focam no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição, total ou parcial, de fertilizantes químicos por microrganismos.
A inoculação anual da soja com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8% a produção de grãos, mesmo em áreas que já receberam inoculantes antes. Altos rendimentos são alcançados sem nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado. Os produtores adotam a tecnologia em 85% da área cultivada com soja no Brasil.
Coinoculação expande benefícios
Outra tecnologia lançada pela pesquisadora, a coinoculação da soja, agrega bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e bactérias promotoras de crescimento de plantas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais de 10 anos, os agricultores já adotam a coinoculação em aproximadamente 35% da área total cultivada de soja.
A pesquisadora também coordena trabalhos que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização e recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasilense para as culturas do milho, trigo e pastagens com braquiárias.
Foto: Percio Campos/Mapa
Em 2021, sua equipe lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com Azospirillum brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.
Trajetória marcada por coerência e persistência
Nascida em 1958, em São Paulo, e criada em Itapetininga (SP), Mariangela desenvolveu desde a infância curiosidade pelos aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Sua busca por conhecimento a levou a cursar Engenharia Agronômica (Esalq/USP), mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP) e doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ).
A pesquisadora cursou o doutorado na UFRRJ a convite de Johanna Döbereiner, cientista que revolucionou a agricultura tropical ao descobrir e aplicar a fixação biológica de nitrogênio em culturas agrícolas. Mariangela realizou a tese na Embrapa durante o período.
Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, atua na Embrapa Soja (Londrina, PR). A cientista acumula três pós-doutorados em universidades nos Estados Unidos e Espanha (Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla).
Mariangela possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. A pesquisadora já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.
“Sempre acreditei na vida no solo, nos microrganismos restaurando a fertilidade, em uma agricultura altamente produtiva que não prejudica o meio ambiente. Nunca me desviei nem um milímetro do que eu acreditava. Essa coerência — tanto na pesquisa quanto na minha postura — trouxe credibilidade científica e fortes conexões com o setor agrícola”, ressalta a pesquisadora.
Acúmulo de premiações e reconhecimentos
Mariangela integra a Ordem Nacional do Mérito Científico como comendadora e atua como membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. A cientista leciona e orienta na pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Também participa da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e da Sociedade Brasileira de Microbiologia.
Desde 2020, Mariangela figura entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia e em Microbiologia, segundo lista publicada pelo Research.com.
A cientista já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como os prêmios Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária e da Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.
Presença na lista TIME100 Climate 2025
Mariangela Hungria integra a lista TIME100 Climate 2025, que reconhece as 100 personalidades inovadoras e mais influentes do mundo na agenda climática. A cientista figura na categoria Defenders (Defensores – Impulsionando ações em prol das comunidades). A revista TIME publicou a lista completa na edição de 10 de novembro de 2025.
“Trabalhar com a produção de alimentos almejando a segurança alimentar usando práticas sustentáveis que permitem ‘defender’ o planeta é um privilégio. Passei a vida pesquisando sobre a substituição de químicos por biológicos na agricultura, sempre que possível. Esse reconhecimento tem um valor enorme, pois valoriza a adoção de práticas sustentáveis na agricultura”, comemora a cientista.
Participação na COP30
Mariangela participará das ações da Embrapa na Agrizone, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 – COP30, que será realizada em Belém (PA), em novembro. “Espero transmitir a mensagem sobre a viabilidade do uso de produtos biológicos para substituir agroquímicos. Com isso, mitigamos a emissão de gases de efeito estufa e também aumentamos o acesso a alimentos de qualidade”, declara.
O governo instituiu a Medalha de Mérito Apolônio Salles em 1987 para destacar cidadãos que prestam serviços relevantes à agricultura brasileira. A solenidade contou com a presença do secretário-executivo adjunto do Mapa, Cleber Soares, e de representantes do setor produtivo, da academia e de instituições públicas.
O Brasil abriu, nesta segunda-feira (3), a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas 2025, com um chamado forte pela união continental. No Palácio do Itamaraty, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, defendeu a integração e o diálogo entre os países como pilares para fortalecer o setor agropecuário globalmente.
O evento, que o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) promove com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), reúne líderes de 34 países. O objetivo central é traçar caminhos comuns para o futuro da agricultura e da segurança alimentar no continente.
“Trata-se de uma oportunidade ímpar para que os Ministros das Américas se encontrem, compartilhem experiências e construam, juntos, caminhos para o futuro da agropecuária em nossos países”, destacou Fávaro durante a cerimônia de abertura.
Inovação e sustentabilidade no centro do debate
A conferência coloca a ciência, a tecnologia e a inovação como motores essenciais para uma transformação produtiva sustentável. Os debates também abordam o controle de pragas e doenças que cruzam fronteiras, um desafio comum para a sustentabilidade do setor.
O diretor-geral do IICA, Manuel Otero, agradeceu ao governo brasileiro pela parceria. “Agradeço ao ministro Carlos Fávaro e ao ministro Mauro Vieira por fortalecerem esse trabalho conjunto, abrindo as portas para dois dias de deliberações que nos permitirão avançar ainda mais”, afirmou.
Foto: Mapa
O chanceler Mauro Vieira, que também participou da abertura, reforçou a importância estratégica do agro. “A agricultura é um dos pilares do crescimento econômico e do desenvolvimento social do Brasil. É também uma das prioridades da nossa política externa”, declarou. Vieira expressou confiança de que o evento fortalecerá os laços continentais e gerará mais cooperação, emprego e renda no campo.
Eleição da liderança do IICA
Paralelamente à conferência, ocorre a reunião da Junta Interamericana de Agricultura (JIA). Durante os trabalhos, os países membros elegerão o novo diretor-geral do IICA para o mandato de 2026 a 2030.
Fávaro enalteceu o papel do Instituto. “Tenho certeza de que todos aqui compartilham da convicção de que o IICA é um dos pilares fundamentais para a modernização e o fortalecimento do setor agropecuário nas Américas”, pontuou.
A conferência segue até esta terça-feira (5) no Hotel Royal Tulip, em Brasília. A programação inclui fóruns com especialistas e palestras de nomes de destaque, como:
Silvia Massruhá, presidente da Embrapa;
Rattan Lal, cientista renomado e uma das maiores autoridades em ciências do solo do mundo;
Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e Enviado Especial para a Agricultura na COP30.
A eleição do novo diretor-geral do IICA acontecerá durante o evento, e o escolhido assumirá o cargo em janeiro de 2026.