Tag: cafés especiais

  • Cafés especiais podem gerar US$ 252 milhões na Europa

    Cafés especiais podem gerar US$ 252 milhões na Europa

    O setor brasileiro de cafés especiais poderá movimentar até US$ 252 milhões em negócios na Europa. O resultado decorre das missões comerciais promovidas pelo projeto Brazil. The Coffee Nation. A iniciativa é realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    Ao todo, 77 empresários brasileiros participaram das ações na Inglaterra e na Bélgica. O grupo também marcou presença na feira World of Coffee Brussels. As atividades geraram 1.145 contatos comerciais. Desse total, 649 envolveram novos clientes.

    Os encontros fecharam US$ 33,1 milhões em negócios presenciais. Além disso, a expectativa é movimentar mais US$ 218,9 milhões nos próximos 12 meses. Caso todas as negociações sejam concluídas, o volume total alcançará US$ 252 milhões.

    Missões comerciais ampliam oportunidades na Europa

    As missões comerciais reuniram 25 empresários brasileiros. Entre eles, participaram nove produtoras do projeto Produzido por Elas. O programa é desenvolvido pela BSCA em parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA), com apoio da ApexBrasil.

    Em Londres, os empresários visitaram empresas do setor cafeeiro. As agendas incluíram reuniões estratégicas, intercâmbio de experiências e discussões sobre o mercado britânico.

    Na Bélgica, o grupo manteve encontros com empresas locais. As visitas fortaleceram o networking e abriram novas oportunidades de negócios.

    Os empresários também participaram de um tour técnico em Antuérpia. A atividade foi conduzida pelo mestre de torra Tom Jansen, referência no segmento de cafés especiais.

    Brasil fortalece presença na World of Coffee Brussels

    Entre os dias 26 e 28 de junho, os empresários participaram da World of Coffee Brussels. A feira é uma das principais vitrines mundiais dos cafés especiais. O evento reúne produtores, torrefadores, baristas e empresas da cadeia produtiva. Além disso, promove inovação, capacitação e conexões comerciais.

    O Brasil contou com um estande estratégico durante a feira. O espaço recebeu reuniões de negócios, degustações e sessões de cupping. Os visitantes conheceram cafés especiais de diferentes regiões brasileiras. O projeto Produzido por Elas também apresentou seus produtos.

    Segundo o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a Europa continua como principal parceiro comercial dos cafés especiais brasileiros. Ele afirma que as ações fortalecem a presença nacional em um mercado estratégico. Além disso, ampliam as oportunidades para produtores brasileiros.

    BSCA firma acordo inédito com o Coffee Quality Institute

    A agenda internacional também resultou em um avanço para a qualificação do setor. A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI). O acordo torna a entidade brasileira representante exclusiva da instituição no país. Com isso, produtores e profissionais terão acesso ampliado aos programas internacionais de capacitação.

    O CEO do CQI, Michael Sheridan, destacou que a parceria ampliará o acesso aos treinamentos no Brasil. Segundo ele, a iniciativa permitirá oferecer cursos em português. Além disso, o instituto pretende formar mais instrutores brasileiros. Sheridan acredita que essa estratégia facilitará o acesso à educação especializada, considerada referência mundial na cadeia dos cafés especiais.

    O presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, classificou o acordo como um marco para a cafeicultura nacional. Segundo ele, a parceria permitirá levar conhecimento técnico para diferentes regiões produtoras. O objetivo é beneficiar produtores de todos os portes. Saldanha afirmou que a iniciativa fortalecerá a qualidade, a competitividade e a escalabilidade dos cafés especiais brasileiros.

    Brasileiros se destacam em campeonatos mundiais

    A participação brasileira também ganhou destaque nas competições da World of Coffee Brussels. A gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza no Campeonato Mundial de Brewers Cup. Ela participou das etapas eliminatórias como juíza sensorial. Depois, foi convidada para integrar a equipe responsável pela final da competição.

    A campeã brasileira Juliana Morgado representou o país na disputa. Durante sua apresentação, valorizou a cadeia produtiva nacional e destacou o protagonismo das mulheres no setor.

    No Campeonato Mundial de Torra de Café, o Brasil foi representado por Fábio Milan. Aos 21 anos, ele se tornou o mais jovem campeão brasileiro da modalidade.

    Já no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), Léo Oliva apresentou bebidas inspiradas em sabores típicos brasileiros.

    Projeto busca ampliar exportações brasileiras

    O projeto **Brazil. The Coffee Nation** promove os cafés especiais brasileiros no mercado internacional. A iniciativa fortalece a imagem do Brasil como fornecedor de cafés de qualidade, sustentáveis e rastreáveis. O projeto seguirá em execução até agosto de 2027.

    Entre as prioridades estão a expansão das exportações, a valorização dos cafés produzidos por mulheres, o incentivo às certificações e a promoção da diversidade da produção nacional.

    Os mercados-alvo incluem Estados Unidos, Japão, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, França, Austrália, Canadá e Chile, entre outros países.

     

     

  • O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    Se você cresceu no Brasil, provavelmente ouviu isso em casa: o café bom vai todo para exportação e o refugo fica para o brasileiro. Durante décadas, essa afirmação tinha fundamento. Nos anos 80, a ABIC revelou que cerca de 30% do café vendido no mercado interno era fraudado com milho torrado, cevada e cascas. O consumidor brasileiro tomava uma bebida amarga achando que era café puro. Na maioria das vezes, não era.

    O Brasil produz café desde o século XIX. Contudo, a lógica comercial era simples: os melhores grãos iam para exportação, e o mercado interno ficava com grãos defeituosos, quebrados e misturados com matérias estranhas. Não havia fiscalização efetiva nem selo de qualidade. Muitos brasileiros cresceram convictos de que café era naturalmente amargo e ruim. Afinal, nunca tinham provado o verdadeiro.

    O programa que virou o jogo

    A virada começou nos anos 90, quando a ABIC criou o Programa de Qualidade do Café. O objetivo era combater fraudes, estabelecer padrões mínimos de pureza e oferecer um selo que identificasse produtos genuínos. Torrefadoras que vendiam café adulterado foram obrigadas a se adaptar ou perder espaço no mercado. O índice de fraude caiu drasticamente, e o café que chegava à mesa do brasileiro começou a ser, de fato, café.

    Enquanto a qualidade básica melhorava, os cafés especiais brasileiros ganhavam força. Regiões como Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Sul de Minas passaram a produzir grãos avaliados acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association. Cafeterias de terceira onda se espalharam pelas capitais e o consumidor brasileiro passou a valorizar origem, altitude e perfil sensorial. O mesmo país que misturava milho no café do próprio povo agora disputa, em igualdade, com cafés da Etiópia, Colômbia e Guatemala.

    A frase que ficou presa no tempo

    A crença de que o melhor café vai todo para fora tem raízes reais, mas ficou presa nos anos 80 enquanto o mercado evoluiu. Hoje, o Brasil é simultaneamente o maior produtor e o segundo maior consumidor da bebida do mundo. Cafés especiais que antes eram exclusivos para exportação estão disponíveis em torrefadoras locais, supermercados e cafeterias em todo o país. A narrativa ainda circula, mas os dados não a sustentam mais.

    Nos anos 80, até 30% do café vendido tinha adulteração. Em 2026, o consumidor brasileiro acessa cafés especiais premiados internacionalmente, com rastreabilidade de origem e perfil sensorial definido. Essa transformação foi resultado de fiscalização, programas de qualidade e um consumidor que passou a exigir mais. O maior produtor de café do mundo aprendeu a beber de verdade, e a história continua sendo escrita a cada nova safra.

  • Força feminina transforma a produção rural em Divino, Minas Gerais

    Força feminina transforma a produção rural em Divino, Minas Gerais

    No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a força feminina no campo mineiro se revela nas histórias das produtoras de Carangolinha de Cima, comunidade rural de Divino, na Zona da Mata de Minas Gerais. Lá, as mulheres transformam a terra e o sustento das famílias por meio da agricultura familiar.

    Cerca de 60% dos 200 moradores da comunidade são mulheres, responsáveis por todas as etapas da produção agrícola, do plantio à comercialização. Elas cultivam cafés especiais, hortaliças, frutas, farinhas, quitandas e doces, abastecendo feiras locais, mercados e programas de alimentação escolar.

    “Aprendi com minha mãe, que já se foi, a respeitar a natureza e trabalhar com amor”, conta Renata de Souza Gomes, de 40 anos. Agricultora e formada em Educação do Campo pela UFV, ela se dedica à produção de cafés especiais e mantém vivas as tradições da família em Carangolinha de Cima.

    Gerações

    A história de Renata reflete a força feminina de várias gerações. Ela vive com a avó, Geisha Neto de Souza, a dona Zica, de 90 anos, e com as tias Neli, Ana, Vanilda e Romilda. A jovem Valentina, de 12 anos, filha de Romilda, já demonstra vontade de seguir no mesmo caminho. “Aqui plantamos banana, feijão, abóbora, mandioca, abacate, manga, amora, pitanga… A lista é grande”, celebra Renata.

    A tradição começou com dona Zica, que, ainda no século passado, plantou as primeiras lavouras ao lado do marido. Para Renata, as mulheres sempre sustentaram o campo, mesmo quando o reconhecimento era raro. “Antes, cuidávamos dos quintais e da família, garantindo alimento e afeto. Hoje, temos orgulho de dizer que somos produtoras rurais”, afirma.

    Essa mudança trouxe independência financeira e visibilidade. “Muitos homens ainda perguntam por meu pai ou marido, e eu respondo com orgulho: pode falar comigo. Nada nos impede”, diz Renata, que estampa em suas embalagens a frase “Produzido por mulheres”.

    Apoio e protagonismo feminino

    O trabalho das produtoras de Carangolinha de Cima recebe apoio técnico da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). As ações incluem assistência no cultivo, capacitação e acesso a tecnologias agrícolas. “Participo de cursos e dias de campo que ampliam nosso conhecimento e fortalecem a produção”, conta Renata.

    Em 2025, a comunidade foi beneficiada pelo Programa Irriga Minas, que distribuiu kits de irrigação a 49 agricultores familiares de Divino. 27 deles destinados a mulheres da comunidade. Com o sistema de irrigação, as produtoras aumentaram a oferta de alimentos e o fornecimento ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), gerando mais renda para as famílias.

    “Ampliar a produção e fortalecer o protagonismo feminino no campo é essencial para o desenvolvimento rural sustentável”, destaca Emanuella Costa Torres, extensionista da Emater em Divino.

  • Cafés especiais: empresas brasileiras chegam à final do Sustainability Awards da SCA

    Cafés especiais: empresas brasileiras chegam à final do Sustainability Awards da SCA

    Duas empresas brasileiras do setor de cafés especiais chegaram à fase final do Sustainability Awards 2026. O prêmio é promovido pela Specialty Coffee Association (SCA). E busca reconhecer organizações inovadoras com impacto positivo em toda a cadeia produtiva do café. A Fazenda Califórnia, de Jacarezinho (PR), e a SMC Specialty Coffees, divisão de cafés especiais da Cooxupé, de Guaxupé (MG), ambas associadas à Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), concorrem na categoria “For-Profit”.

    A SCA destaca que os finalistas não apenas enfrentam os grandes desafios da indústria, mas também colaboram além de fronteiras geográficas, culturas e funções dentro da cadeia do café, compartilhando aprendizados em benefício de todo o setor.

    Quem mais disputa o prêmio

    Na categoria “For-Profit”, as brasileiras concorrem com outras cinco organizações: Amavida Coffee & Trading Company, Coffee Circle, Paramount Coffee, Collab Coffee – Co-Roasting® e Mai Shayi Coffee Roasters Ltd.

    Na categoria “Non-Profit”, os finalistas são: Smithsonian Bird Friendly, TechnoServe, Slow Food Coffee Coalition, The Coffee Coalition for Racial Equity, Bean Voyage e Jamaican F&B Training Center – USAID.

    Como funciona a avaliação

    O processo ocorre em duas etapas. Na primeira, já concluída, uma equipe da SCA analisa todas as inscrições que atendem aos critérios do prêmio e seleciona os finalistas. Agora, um corpo de jurados formado por vencedores anteriores do Sustainability Awards avalia os finalistas e define os campeões.

    O anúncio dos vencedores acontece nas próximas semanas. A cerimônia de premiação ocorre em abril, durante a World of Coffee San Diego, nos Estados Unidos.

  • Cafés especiais do Brasil conquistam Dubai

    Cafés especiais do Brasil conquistam Dubai

    O projeto “Brazil. The Coffee Nation” levou 24 empresários para a World of Coffee 2026 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos em janeiro. Os participantes realizaram 702 contatos comerciais no período. Os negócios fecharam US$ 58 milhões de forma presencial. O setor projeta mais US$ 196 milhões nos próximos meses.

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) organizou a participação e contou com parceria da ApexBrasil.
    Em geral, os resultados podem somar US$ 254,4 milhões ao Brasil. O desempenho supera os números registrados em 2025. Na edição anterior, 23 empresários geraram US$ 191 milhões. Se confirmado, o crescimento chegará a 33%.

    Avaliação de mercado

    O diretor executivo da BSCA avaliou o mercado local. Vinicius Estrela destacou o potencial do Oriente Médio.
    Ele afirmou que Dubai se consolida como mercado estratégico. Os Emirados Árabes são foco do projeto brasileiro. A presença direta aproxima compradores e produtores nacionais. Como resultado, a estratégia amplia oportunidades para o café especial.

    A BSCA atua como ponte entre empresas e importadores. O trabalho facilita negócios no Golfo Pérsico.
    A ação também alcança mercados do Leste Europeu. Marrocos e Egito mostram crescimento relevante no setor.

    O Brasil montou estande como hub de oportunidades. O espaço contou com salas de degustação e reuniões.
    A estrutura incluiu brew bar e bancadas comerciais. Além disso, o evento promoveu sessões de cupping de cafés especiais.

    Cafés certificados

    Os cafés certificados pela BSCA tiveram destaque na programação. As amostras apresentaram pontuação acima de 86 pontos. Outros lotes certificados exibiram nota mínima de 84. O público conheceu a diversidade dos cafés brasileiros. Ou seja, a feira reforçou a qualidade sensorial da produção nacional. Os visitantes valorizaram rastreabilidade e transparência do setor.

    As missões comerciais incluíram visitas técnicas locais. Os empresários conheceram torrefações e cafeterias da região. As agendas aprofundaram o entendimento do mercado árabe.

    O estande brasileiro recebeu autoridades importantes. O governante de Dubai visitou o espaço oficial.
    Representantes da embaixada brasileira também prestigiaram a ação.

    Saiba mais

    O projeto “Brazil. The Coffee Nation” promove cafés especiais. A iniciativa busca ampliar a presença internacional do Brasil. O programa valoriza qualidade, diversidade e sustentabilidade. O plano atual segue vigente até agosto de 2027.

    O projeto incentiva participação de mulheres na cafeicultura. A proposta fortalece certificações e qualificação técnica. A estratégia foca em vários mercados internacionais. Estados Unidos, Japão e China são destinos prioritários. Emirados Árabes e França também integram a lista. Canadá e Chile recebem atenção para produtos industrializados.

    O Brasil reforça sua posição como referência global e as ações ampliam exportações de cafés especiais brasileiros. O setor consolida imagem de origem confiável e sustentável.

  • Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    O Brasil exportou 2,78 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, registrando queda de 30,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram embarcadas 4,016 milhões de sacas. Apesar da redução no volume, a receita cambial teve declínio menor, de 11,7%, totalizando US$ 1,175 bilhão, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores contribuíram para a redução nos embarques. A queda de preços iniciada em janeiro e intensificada em fevereiro, aliada à valorização do real frente ao dólar, desaqueceu o mercado internacional de café.

    “Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno”, explica Ferreira.

    A expectativa de boa recuperação na produção brasileira de café arábica na safra 2026/27 também influenciou o movimento de baixa nos preços internacionais.

    Café arábica lidera exportações mesmo com queda

    O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras, com 2,347 milhões de sacas embarcadas em janeiro, representando 84,4% do total. No entanto, o volume registra queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025.

    O café solúvel ficou em segundo lugar, com 249.148 sacas exportadas (9% do total), apesar da redução de 32 pontos percentuais na comparação anual. Os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, com participação de 6,5% e queda de 45,6%.

    Principais mercados compradores de café brasileiro

    A Alemanha se manteve como principal destino das exportações brasileiras de café, importando 391.704 sacas (14,1% do total), apesar da queda de 16,1% em relação a janeiro de 2025.

    Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 385.841 sacas importadas (13,9%), mas registrando significativa redução de 46,7%. Completam o top 5: Itália (285.580 sacas), Bélgica (180.812 sacas) e Japão (169.357 sacas).

    Cafés especiais representam 21% das exportações

    Os cafés diferenciados, que incluem grãos especiais e produtos certificados com práticas sustentáveis, responderam por 21,2% das exportações totais, com 588.259 sacas embarcadas. O volume representa queda de 41,9% em relação a janeiro de 2025.

    A receita com cafés especiais totalizou US$ 272,7 milhões, com preço médio de US$ 463,53 por saca, correspondendo a 23,2% da receita cambial total com café.

    Quando as exportações devem se recuperar?

    Márcio Ferreira projeta recuperação gradual dos embarques. Para o café conilon e robusta, a expectativa é de retomada a partir de maio, com a chegada da nova safra. Já para o café arábica, a recuperação está prevista para julho, com o início da safra 2026/27.

    “Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes”, afirma o presidente do Cecafé.

    Balanço da safra 2025/26

    No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, o Brasil exportou 23,406 milhões de sacas de café, gerando receita de US$ 9,235 bilhões. Comparado ao mesmo período da safra anterior, o volume apresenta queda de 22,5%, mas a receita cambial cresceu 8,1%, reflexo dos preços mais elevados praticados no período.

    O Porto de Santos continua como principal porta de saída, responsável por 81% dos embarques (2,252 milhões de sacas). Seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (15,7%) e Porto de Paranaguá (1,1%).

  • BSCA elege nova presidência de Conselho para o biênio 2026/27

    BSCA elege nova presidência de Conselho para o biênio 2026/27

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) tem nova presidência para o biênio 2026/2027. Em eleição realizada pelo conselho em dezembro, com registro oficial concluído em 30 de janeiro, Luiz Roberto Saldanha foi confirmado no cargo. Ele será acompanhado pelo vice-presidente Wellington Carlos Pereira, da Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), e pelo diretor executivo Vinicius Estrela.

    Vice-presidente Wellington Carlos Pereira. Foto: DIvulgação BSCA

    A missão declarada da nova gestão é dar continuidade ao trabalho de transformar o Brasil em uma referência global sustentável no setor. O foco permanecerá nos pilares de educação, qualidade, rastreabilidade, inovação e sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.

    Continuidade e fortalecimento estratégico

    Em seu primeiro discurso como presidente, Saldanha, que tem a BSCA como sua “escola” desde o início da carreira, destacou a honra em comandar a entidade em seus 35 anos de história. Ele afirmou que a gestão será de continuidade, mas com intensificação de esforços estratégicos.

    “Pretendemos auxiliar no desenvolvimento contínuo da Associação como gestora da comunidade brasileira de cafés especiais”, explicou Saldanha. “A BSCA seguirá construindo parcerias, fomentando a comunidade e contribuindo com a formação de uma nova geração de profissionais.”

    BSCA Academy e parcerias no centro da gestão

    Um dos eixos principais do planejamento é a BSCA Academy, plataforma de formação profissional da associação. O objetivo é intensificar sua atuação e buscar parcerias estratégicas para oferecer capacitação de classe mundial em diferentes regiões do país.

    Diretor executivo Vinicius Estrela. Foto: DIvulgação BSCA

    “A Academy buscará ampliar as fronteiras do conhecimento em café especial brasileiro”, destacou o presidente. Além disso, a entidade manterá a realização dos tradicionais concursos de qualidade e campeonatos de barismo, reforçando a promoção dos produtos nacionais nos mercados interno e externo.

    Perfil

    Luiz Saldanha traz um currículo robusto para a presidência da BSCA. Engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP, com pós-graduações em gestão e cafeicultura, ele é proprietário da Fazenda Califórnia (PR), fundador da exportadora Capricornio Coffees e da Synapses Coffee Education.

    Luiz Roberto Saldanha é o novo presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais. Foto: Divulgação BSCA

    Com mais de 20 anos de atuação no setor, Saldanha é juiz do Cup of Excellence, instrutor certificado pela Specialty Coffee Association (SCA) e pelo Coffee Quality Institute, e já ministrou cursos em nove países. Sua experiência abrange desde a produção sustentável e pós-colheita até a comercialização e educação.

    Além da presidência da BSCA, ele também atua como diretor no conselho da SCA Global, contribuindo para o desenvolvimento de padrões internacionais do setor. Nacionalmente, teve papel fundamental no reconhecimento da Indicação Geográfica do café do Norte Pioneiro do Paraná.

    A nova diretoria assume com o desafio de consolidar a posição de excelência do café especial brasileiro, conectando todos os elos da cadeia, do produtor ao consumidor final, e distribuindo valor por meio da qualidade e da singularidade dos atributos dos cafés nacionais.

  • Leilão de cafés especiais fatura R$ 1,8 milhão

    Leilão de cafés especiais fatura R$ 1,8 milhão

    O leilão do Cup of Excellence Brazil 2025 movimentou o mercado de cafés especiais. O pregão destacou qualidade, sustentabilidade e diversidade da produção nacional. O evento arrecadou R$ 1,792 milhão, após quase nove horas de disputa (confira o resultado aqui).

    O pregão registrou 2.507 lances enviados por empresas de cerca de 30 países da Europa, Ásia, Oriente Médio e Américas. O valor arrecadado somou US$ 329.694,59, resultado que garantiu o segundo maior preço médio da história do concurso.

    Preço da elite do café

    O preço médio alcançou US$ 20,51 por libra-peso. O valor corresponde a US$ 2.713 por saca de 60 quilos, aproximadamente R$ 15 mil. A Associação Brasileira de Cafés Especiais organizou o concurso em parceria com ApexBrasil e Alliance for Coffee Excellence.

    O diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, celebrou o desempenho do leilão. Ele afirmou que o resultado reforça a essência do Cup of Excellence. Estrela destacou a valorização dos cafés nacionais, disputados por compradores de vários continentes. Ele ressaltou que os produtores investem em sustentabilidade, inovação e tecnologia para atender mercados exigentes.

    Compradores de vários países

    O leilão reuniu 23 empresas de países como Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Malásia, Noruega e Brasil. Esses compradores levarão os cafés da safra 2025 para consumidores de todos os continentes. Estrela afirmou que o desempenho reforça a diversidade e a origem rastreável da produção brasileira.

    O diretor destacou também o reconhecimento internacional das variedades brasileiras. Ele comemorou a valorização das características sensoriais e dos processos sustentáveis aplicados pelos produtores.

    Maior lance para variedade Arara

    O maior lance foi para o lote campeão da categoria Via Seca, variedade Arara. O café foi produzido na Fazenda Aracaçu, em Três Pontas, Sul de Minas. Um consórcio japonês formado por Snow Beans Coffee, Assist Coffee Roastery e Kurihara Coffee Roasters pagou US$ 65,10 por libra-peso pela primeira fração. O valor equivale a US$ 8.611,43 por saca, ou R$ 46.803,11. A Angelino’s Coffee, dos Estados Unidos, arrematou a segunda parte por US$ 65 por libra-peso. A saca custou US$ 8.598,20, ou R$ 46.731,22.

    Categoria Experimental

    Na categoria Experimental, o lote campeão foi a variedade Geisha, da Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde, na Mantiqueira de Minas. O Grupo Cafeza, do Brasil, arrematou a primeira parte por US$ 61,40 por libra-peso. O valor corresponde a US$ 8.121,99, ou R$ 44.143,03 por saca. A empresa chinesa DECAMERON咖啡 十日谈 pagou US$ 61,30 por libra-peso pela segunda fração. A saca custou US$ 8.108,76, ou R$ 44.071,13.

    Categoria Via Úmida

    O campeão da categoria Via Úmida foi a variedade Arara, produzida na Fazenda Água Limpa, em Campos Altos, no Cerrado Mineiro. A primeira parte do lote alcançou US$ 55,10 por libra-peso. Snow Coffee Beans, do Japão, e YN Coffee, da China, pagaram US$ 7.288,63, ou R$ 39.613,69 por saca. A segunda fração foi arrematada pela japonesa HoneyCoffee por US$ 40,60 por libra-peso. A saca custou US$ 5.370,57, ou R$ 29.189,04.

    O dólar foi cotado a R$ 5,435 no fechamento de 9 de dezembro de 2025.

    Cup of Excellence

    O Cup of Excellence integra o projeto “Brazil. The Coffee Nation”, promovido pela BSCA e ApexBrasil. A iniciativa fortalece a presença dos cafés especiais brasileiros no mercado internacional. O projeto busca reforçar os pilares de qualidade, diversidade e sustentabilidade da cafeicultura nacional.

    A ação apresenta o Brasil como referência global em produção sustentável. O projeto investe em qualificação e diversificação, com apoio aos produtores de café canéfora. Ele também incentiva certificações e valoriza cafés produzidos por mulheres, promovendo equidade de gênero no setor.

    Os mercados-alvo incluem África do Sul, Austrália, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Malásia, Polônia, Rússia e Taiwan para cafés crus especiais. Para produtos industrializados, o foco inclui Canadá, Chile, China e Estados Unidos.

     

  • Cafeicultoras de Rondônia vencem maior concurso de café do Brasil

    Cafeicultoras de Rondônia vencem maior concurso de café do Brasil

    As cafeicultoras rondonienses Ângela Maria Coutinho e Fabiana Souza Leal fizeram história na 8ª edição do Concurso Nacional Florada Premiada, conquistando o primeiro e segundo lugares da competição. O evento foi realizado durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG). E reuniu produtoras de todo o país, consolidando Rondônia como referência na produção de cafés especiais.

    Ângela Maria Coutinho, produtora do município de Seringueiras, levou o primeiro lugar, enquanto Fabiana Souza Leal, de Espigão do Oeste, garantiu a segunda posição. A terceira colocação ficou com uma cafeicultora do Espírito Santo, estado tradicional no setor cafeeiro brasileiro.

    Robusta Amazônico ganha destaque nacional

    A conquista das duas primeiras posições representa um marco histórico para a cafeicultura de Rondônia. O resultado comprova a qualidade superior do Robusta Amazônico e destaca o protagonismo feminino no agronegócio nacional.

    O governador de Rondônia, Marcos Rocha, atribuiu o sucesso aos investimentos em políticas públicas voltadas para o setor. “O que celebramos com este resultado não é sorte, mas sim a colheita do que plantamos, com políticas públicas sérias e investimentos contínuos”, afirmou o governador.

    Protagonismo feminino impulsiona a cafeicultura local

    O Concurso Florada Premiada é reconhecido nacionalmente por valorizar o trabalho das mulheres produtoras rurais e incentivar a qualidade na cafeicultura. A vitória das rondonienses serve como vitrine para o mercado global e abre portas para maior valorização comercial dos grãos produzidos em Seringueiras e Espigão do Oeste.

    Segundo o secretário de Agricultura de Rondônia, Luiz Paulo, a conquista de Ângela e Fabiana inspira toda a cadeia produtiva do estado. “Este feito motiva outras mulheres a investirem na qualidade, na sustentabilidade e no empreendedorismo rural. Reafirmando o potencial da cafeicultura de Rondônia como motor de desenvolvimento econômico e social”, declarou.

    Rondônia consolida posição no mercado de cafés especiais

    A premiação demonstra que a inovação e o cuidado técnico em cada etapa da produção resultam em cafés de sabor diferenciado, capazes de competir e vencer em âmbito nacional. Para o governador Marcos Rocha, as conquistas comprovam que o estado está no caminho certo.

    “Estamos garantindo que o Robusta Amazônico continue a ser o motor da nossa economia. Nossas conquistas são a prova de que estamos consolidando Rondônia como a nova fronteira global do café especial, gerando mais renda, emprego e orgulho para cada família rondoniense”, concluiu o governador.

  • Conheça os melhores cafés especiais do Brasil da safra 2025

    Conheça os melhores cafés especiais do Brasil da safra 2025

    O Brasil premiou os 30 melhores cafés especiais da safra 2025 durante o Cup of Excellence Brazil 2025, em São Paulo. O concurso, considerado o mais importante do mundo, é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a ApexBrasil e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), dentro do projeto “Brazil. The Coffee Nation”.

    A competição contou com três categorias — Experimental, Via Úmida e Via Seca —, com dez vencedores em cada uma. Minas Gerais se destacou com produtores de diversas regiões do estado.

    Categoria Experimental valoriza inovação e fermentação controlada

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Experimental, dedicada a cafés com fermentação induzida, o campeão foi o Geisha da Ipanema Agrícola, produzido na Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde (MG), com 91,68 pontos.
    O segundo lugar ficou com José Carlos dos Reis, da Fazenda Rancho Grande, em Três Pontas (MG), com o café Arara que atingiu 90,29 pontos. O produtor Sebastião Daniel da Silva, do Sítio São Sebastião, em Cristina (MG), também obteve 90,29 pontos.
    Os três cafés foram classificados como “presidenciais”, por alcançarem notas acima de 90 pontos, reconhecimento máximo do concurso.

    Via Úmida premia equilíbrio e excelência na xícara

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Via Úmida, que avalia cafés cerejas descascados, despolpados ou desmucilados, o campeão foi Marcelo Assis Nogueira, da Fazenda Água Limpa, em Campos Altos (MG). Seu café da variedade Arara obteve 91,37 pontos.
    Em segundo lugar ficou Marcelo Carvalho Ferraz, da Fazenda Boa Vista, em Dom Viçoso (MG), com o café Catucaí, que recebeu 90,82 pontos.
    O terceiro lugar foi para Osvaldina Alves Dutra, da Fazenda Água Limpa, em São João do Manhuaçu (MG), com café da variedade Kent, que atingiu 90,50 pontos.
    O quarto colocado, Ercilei José de Oliveira, também das Matas de Minas, recebeu 90,08 pontos com seu café Arara do Sítio Pedro Varinhas. Todos os quatro foram considerados “cafés presidenciais”.

    Via Seca destaca tradição e qualidade natural

    Foto: divulgação – BSCA

    Na categoria Via Seca, que inclui cafés colhidos e secos com casca, o vencedor foi Paulo Fernando Chaves de Brito, da Fazenda Aracaçu, em Três Pontas (MG), com o café Arara.
    O segundo lugar ficou com Danilo Barbosa, da Fazenda Sucuri, em Coromandel (MG), com café Geisha que recebeu 90,32 pontos. Gustavo Andrade Alvarenga, da Fazenda Chapadão, em Pratinha (MG), completou o pódio com 90,11 pontos e a variedade Paraíso.

    Júri internacional elege 40 amostras de excelência

    Além dos 30 premiados, outros 10 cafés receberam o título de “National Winners”. Todos obtiveram notas acima de 86 pontos de um júri internacional formado por 30 provadores de 12 países.
    O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, destacou que as amostras vencedoras representam 17 variedades, com quatro Geishas e 18 Araras.
    “As variedades brasileiras mostraram desempenho superior, o que reflete a essência da competição. Nosso objetivo é descobrir novos produtores, origens e tecnologias que revelam o melhor dos cafés especiais do Brasil”, afirmou.

    Inovação e diversidade encantam jurados internacionais

    O diretor-geral do Cup of Excellence da ACE, Gary Urrutia, elogiou o trabalho dos cafeicultores brasileiros.
    “É muita inovação e comprometimento com a qualidade. O Brasil dita tendências no mundo dos cafés especiais”, destacou.
    O head judge John Thompson, da Escócia, reforçou que o país é exemplo de diversidade e evolução.
    “O Brasil inovou ao criar três categorias e mostrar que cada café pode ser avaliado conforme seu processo. Os cafés são espetaculares”, afirmou.

    Produtores investem em tecnologia e sustentabilidade

    Segundo Vinicius Estrela, os cafés vencedores começaram a ser desenvolvidos há pelo menos quatro anos, com tecnologia e manejo sustentável.
    “O concurso não é sobre o valor da saca, mas sobre apresentar o café brasileiro sob uma nova perspectiva”, explicou.
    Ele ressaltou que os resultados refletem a maturidade dos produtores e o compromisso com a sustentabilidade.
    “Os cafés vencedores são diversos, cada um com doçura, acidez e aromas únicos. Isso mostra a força da coletividade e da qualidade nacional”, completou.

    Lendas da Excelência reconhecem trajetória inspiradora

    Foto: divulgação – BSCA

    A ACE homenageou os primeiros produtores com o título “Lendas da Excelência”, destinado a nomes que mantêm qualidade excepcional e inspiram suas comunidades.
    O brasileiro Luiz Paulo Dias Pereira Filho foi um dos seis homenageados e tornou-se hors-concours do Cup of Excellence. Ele soma 23 participações entre os vencedores e foi o presidente mais jovem da BSCA, aos 30 anos.
    Segundo a ACE, os homenageados se destacam por ações sociais e projetos de sustentabilidade que fortalecem suas comunidades e a cafeicultura global.

    Projeto “Brazil. The Coffee Nation” promove o café brasileiro

    O Cup of Excellence integra o projeto “Brazil. The Coffee Nation”, parceria entre BSCA e ApexBrasil para promover o café especial brasileiro no exterior.
    A iniciativa reforça os pilares de qualidade, diversidade e sustentabilidade, com foco em certificações, inclusão de mulheres e incentivo à produção de cafés robustas e conilon.
    Os principais mercados-alvo são África do Sul, China, Estados Unidos, Japão e Emirados Árabes Unidos, entre outros países consumidores de cafés crus e industrializados.