Tag: café solúvel

  • EUA isentam cafés do Brasil de tarifa adicional de 25%

    EUA isentam cafés do Brasil de tarifa adicional de 25%

    As exportações de cafés do Brasil para os Estados Unidos ficaram livres da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo americano. A decisão contempla o café verde, os produtos industrializados, o café solúvel e seus subprodutos.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) comemoraram a medida. As entidades também destacaram o trabalho de defesa realizado desde o anúncio do primeiro tarifaço, em 2025.

    Negociações e apoio de importadores americanos

    Além disso, representantes das três instituições participaram, nos dias 6 e 7 de julho, das audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Os encontros discutiram a proposta de aplicar sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

    Segundo comunicado conjunto, a atuação coordenada com a National Coffee Association (NCA) e o apoio dos importadores americanos garantiram dois resultados importantes.

    Primeiramente, o USTR manteve os cafés anteriormente incluídos na lista de exceções. Em seguida, ampliou essa relação ao incluir o café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos da tarifa.

    Com isso, o café verde, o café torrado, o café solúvel e os demais produtos industrializados brasileiros poderão continuar entrando no mercado americano sem a cobrança da taxa adicional de 25%.

    Na avaliação das entidades, a decisão preserva exportações anuais entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões para os Estados Unidos. O país é o maior consumidor e importador mundial de café.

    As instituições também afirmam que a medida reforça a posição do Brasil como maior produtor e exportador global de café. Segundo elas, o mercado americano considera o produto brasileiro um parceiro estratégico e insubstituível.

    Apesar da vitória, Abic, Abics e Cecafé alertam que uma segunda investigação conduzida pelo USTR continua em andamento. Esse processo poderá resultar na aplicação de uma nova tarifa de até 12,5% sobre o café brasileiro.

    Diante desse cenário, as entidades afirmam que manterão o trabalho de representação do setor. O objetivo é defender a sustentabilidade, a qualidade e a competitividade dos cafés do Brasil, além de preservar os interesses de toda a cadeia produtiva.

  • Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Brasil defende café solúvel contra tarifas de 25% em audiência nos EUA

    Representantes do setor cafeeiro brasileiro e norte-americano uniram forças em Washington, nos dias 6 e 7 de julho, para contestar a proposta de sobretaxar o café solúvel brasileiro em 25%.

    Durante audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Cecafé e a National Coffee Association (NCA) defenderam a importância estratégica do produto para a economia dos EUA.

    Risco de inflação e impacto no consumo

    A Abics alertou que a aplicação da tarifa elevaria os preços e sobrecarregaria as famílias americanas, especialmente as que buscam opções acessíveis. Atualmente, 11% da população dos EUA consome café solúvel diariamente. Fábio Sato, diretor de Relações Institucionais da Abics, explicou que o produto brasileiro não possui substitutos fáceis, uma vez que o Brasil e o México suprem quase 60% do mercado americano, mas o café mexicano custa cerca de 1,5 vez mais.

    Representantes de Cecafé (Marcos Matos), Abics, NCA (Bill Murray) e BMJ defenderam o setor na audiência. Foto: P1 Comunicação

    Além disso, a entidade reforçou que a maior parte do valor econômico desse comércio permanece nos Estados Unidos. Como o café brasileiro entra no país majoritariamente a granel, processos como mistura, empacotamento, marketing e distribuição ocorrem em solo americano, gerando empregos locais.

    Dependência da indústria e logística

    O Brasil responde hoje por 22% das importações norte-americanas de café solúvel. O insumo é essencial para setores de panificação, confeitaria, laticínios e o mercado de bebidas prontas para consumo (ready to drink), que prevê um crescimento anual de 5,6% até 2030.

    Infografico sobre exportação de café soluvel

    A logística também sofreria impactos severos com a taxação. Mais de 81% das importações de café solúvel dos EUA entram por estados como Texas, Nova York e Louisiana. Uma queda na oferta brasileira desregularia centros logísticos importantes na Costa do Golfo e no Nordeste, colocando operações industriais em risco.

    Expectativas positivas para o setor

    A defesa conjunta do setor durou 15 minutos e não enfrentou questionamentos ou contestações por parte dos investigadores americanos. Para José Pimenta, diretor do BMJ Consultores Associados, a ausência de oposição gera otimismo.

    “Pudemos reforçar todo o impacto econômico e social que a tarifa gerará na economia americana e nos bolsos de seus consumidores”, concluiu Pimenta. O setor agora aguarda que o café solúvel brasileiro entre na lista de isenção, seguindo o modelo de outros tipos de café exportados para os EUA.

  • Sobretaxa dos EUA pode atingir US$ 4,2 bilhões das exportações do agronegócio brasileiro

    Sobretaxa dos EUA pode atingir US$ 4,2 bilhões das exportações do agronegócio brasileiro

    Um estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras pode afetar diretamente cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do agronegócio para os Estados Unidos.

    Segundo a entidade, embora alguns produtos importantes tenham ficado fora da lista inicial de tarifas, uma parcela significativa das vendas do setor ao mercado americano continua exposta às novas medidas.

    De acordo com o levantamento, aproximadamente 36,8% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos Estados Unidos poderão sofrer impacto caso a sobretaxa seja mantida.

    Produtos mais expostos às tarifas

    Entre os segmentos mais vulneráveis estão os produtos florestais, que representam cerca de US$ 1,64 bilhão em exportações para o mercado americano.

    Também aparecem entre os itens mais afetados:

    • Sebo bovino: US$ 416 milhões;
    • Complexo sucroalcooleiro: US$ 401 milhões;
    • Café solúvel: aproximadamente US$ 1 bilhão em exportações projetadas para 2025.

    Esses setores possuem forte presença nas vendas brasileiras aos Estados Unidos e podem enfrentar perda de competitividade caso as tarifas sejam implementadas.

    Produtos que ficaram fora da lista

    Além disso, o estudo também destaca que alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram de fora da relação inicial de itens sujeitos à sobretaxa.

    Entre eles estão a carne bovina, o café verde, o suco de laranja e as aeronaves, que, até o momento, seguem preservados das novas tarifas e mantêm as atuais condições de acesso ao mercado americano.

    Farsul vê aumento da insegurança para exportadores

    Na avaliação da Farsul, a proposta amplia a insegurança para empresas exportadoras e pode reduzir a competitividade de diversos segmentos do agronegócio brasileiro.

    A entidade ressalta que os Estados Unidos permanecem entre os principais destinos das exportações do setor, tornando qualquer alteração nas regras comerciais um fator relevante para produtores, indústrias e empresas ligadas ao comércio exterior.

    Caso a medida avance, os impactos poderão ser sentidos principalmente pelas cadeias produtivas com maior dependência do mercado americano, especialmente nos segmentos florestal, sucroalcooleiro e de café solúvel.

  • Acordo Mercosul-UE: café brasileiro terá tarifa zero na Europa em até cinco anos

    Acordo Mercosul-UE: café brasileiro terá tarifa zero na Europa em até cinco anos

    A implementação do braço comercial do tratado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), iniciada em 1º de maio, marca um momento histórico para o agronegócio brasileiro. Após décadas de negociações, o acordo abre as portas para que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima. E passe a ocupar uma fatia maior no mercado de produtos de alto valor agregado, como o café torrado e solúvel. No entanto, o sucesso dessa nova fase depende de uma “arquitetura de conformidade” que comprove a sustentabilidade da produção nacional.

    Atualmente, o café verde (em grão) brasileiro já entra na Europa com tarifa zero. Contudo, os produtos industrializados enfrentam taxas que limitam a competitividade: 7,5% para o café torrado e 9% para o solúvel. Com o novo acordo, essas alíquotas serão eliminadas gradualmente ao longo de quatro a cinco anos.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que essa desoneração permitirá que os cafés industrializados brasileiros adentrem o bloco europeu com tarifa zero após esse período de transição. O impacto esperado é um aumento de 33% nas exportações do setor beneficiado, gerando novos empregos e renda no país. Essa mudança é estratégica para o Brasil. O país detém 40% da produção global de café, mas fica com apenas 2,7% da receita mundial por exportar predominantemente café cru.

    O desafio da Lei Antidesmatamento (EUDR)

    Se por um lado o acordo reduz impostos, por outro, a União Europeia impõe critérios ambientais rigorosos. Isso através do Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A lei, que deve entrar em vigor para grandes operadores em 30 de dezembro de 2025, proíbe a importação de commodities originadas em áreas desmatadas (legal ou ilegalmente) após 31 de dezembro de 2020.

    Para o café brasileiro, isso significa que cada lote exportado precisará ser acompanhado de coordenadas geográficas e evidências de rastreabilidade integral. Estimativas apontam que até US$ 17,5 bilhões em exportações do agro brasileiro podem ser afetados caso os produtores não consigam atender a essas exigências.

    Tecnologia e monitoramento como aliados

    Para garantir o acesso ao mercado europeu, que representa cerca de 44% das exportações de café do Brasil, o setor e o governo têm investido em tecnologia. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou uma plataforma, em parceria com a UFMG, que utiliza monitoramento por satélite para detectar se as plantações estão em áreas desmatadas.

    Da mesma forma, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) gerencia uma plataforma socioambiental que abrange exportadores responsáveis por 99% dos embarques para a UE. O objetivo é utilizar as bases de dados públicas oficiais do Brasil para facilitar o processo de devida diligência exigido pelos europeus.

    O acordo também traz o reconhecimento de Indicações Geográficas (IGs) brasileiras, como os cafés do Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Portanto, conferindo maior proteção e valor às denominações de origem nacionais. Especialistas apontam que, embora o custo de conformidade seja alto, a regulação europeia pode funcionar como um vetor de modernização para a cadeia produtiva. E assim, premiando produtores que investem em geolocalização e boas práticas ambientais.

  • Exportações de café solúvel do Brasil têm melhor fevereiro em cinco anos

    Exportações de café solúvel do Brasil têm melhor fevereiro em cinco anos

    As exportações brasileiras de café solúvel atingiram 7,4 mil toneladas em fevereiro de 2026, registrando avanço de 13,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O volume corresponde a 321,1 mil sacas de 60 kg, com receita cambial de US$ 90,3 milhões, alta de 10,8% frente a fevereiro de 2025.

    De acordo com o diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima, esse foi o melhor resultado para o mês de fevereiro nos últimos cinco anos. “O desempenho surpreende diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que ainda impactam parte dos embarques. Mesmo assim, observamos aumento das aquisições norte-americanas, o que reforça a demanda pelo café brasileiro”, afirmou.

    Desempenho no ano ainda é negativo

    Apesar da recuperação mensal, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 somou 13,2 mil toneladas (573,7 mil sacas), queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também recuou, totalizando US$ 161,1 milhões no comparativo anual.

    Lima avalia, porém, que a redução das tarifas de 50% para 10% sobre o produto brasileiro, válida a partir de março, pode estimular a retomada dos embarques nos próximos meses. “Essa mudança tende a amenizar as perdas e fortalecer o ritmo de exportações para os EUA ao longo do ano”, destacou.

    União Europeia e mercados prioritários

    A Abics também espera avanços com a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, que deve reduzir gradualmente a tarifa de 9% incidente sobre o café solúvel exportado ao bloco europeu. “A Europa é nosso segundo principal destino. O acordo trará novos espaços para crescimento”, comentou Lima.

    No ranking dos principais importadores, os Estados Unidos permanecem líderes, com 1,8 mil toneladas (76,8 mil sacas) compradas no primeiro bimestre. Uma queda de 2,5% ante 2025. Rússia e Argentina completam as primeiras posições, com 1,16 mil toneladas (+18,5%) e 1,09 mil toneladas (−2,6%), respectivamente.

    No mercado doméstico, o consumo de café solúvel no Brasil continua em expansão. Entre janeiro e fevereiro, o volume cresceu 15,1%, alcançando 4,1 mil toneladas (179,7 mil sacas). Segundo Lima, o avanço reflete investimentos da indústria em qualidade e inovação. “As empresas vêm apostando em novos produtos e embalagens, o que tem fortalecido a preferência do consumidor brasileiro”, disse.

  • Brasil registra forte queda nas exportações de café em fevereiro de 2026

    Brasil registra forte queda nas exportações de café em fevereiro de 2026

    O Brasil exportou 2,6 milhões de sacas de café em fevereiro de 2026, volume 23,5% menor que o registrado no mesmo mês do ano anterior. A receita cambial somou US$ 1,062 bilhão, queda de 14,7% na comparação com fevereiro de 2025, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    No acumulado dos oito primeiros meses da safra 2025/26, as exportações atingiram 26,04 milhões de sacas, retração de 22,6% ante igual período anterior. Apesar disso, a receita cresceu 5,3%, alcançando US$ 10,3 bilhões entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.

    Exportações de café no ano civil

    Entre janeiro e fevereiro de 2026, o Brasil embarcou 5,41 milhões de sacas, retração de 27,3% frente ao primeiro bimestre de 2025. A receita cambial recuou 13%, de US$ 2,57 bilhões para US$ 2,24 bilhões.

    Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a redução das exportações está ligada, principalmente, à desvalorização dos preços do café arábica na Bolsa de Nova York. Ele explica que os fundos vêm liquidando posições compradas diante da expectativa de uma safra maior, movimento que pressiona as cotações.

    Ferreira ressalta ainda que o dólar mais fraco frente ao real e a capitalização dos produtores têm limitado a oferta de novos negócios, reduzindo a competitividade do café brasileiro em relação a outras origens. “Essa tendência deve continuar até a chegada da nova safra, o que pode gerar perda de market share para o Brasil”, afirma.

    O dirigente alerta também que tensões geopolíticas e gargalos logísticos podem agravar o cenário. Para ele, a recuperação das exportações deve ocorrer a partir da próxima safra, especialmente com o avanço do conilon a partir de maio e do arábica em junho.

    Principais destinos do café brasileiro

    A Alemanha permaneceu como o principal comprador do café do Brasil no primeiro bimestre de 2026, com 786,6 mil sacas, 14,5% do total, embora o volume tenha caído 20,1% frente ao mesmo período de 2025.

    Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 656 mil sacas (-45,8%), seguidos por Itália (568,6 mil sacas, +5,9%), Bélgica (331,7 mil, -6,8%) e Japão (315,8 mil, -34,5%).

    Tipos de café exportados

    O café arábica manteve a liderança nas exportações, com 4,42 milhões de sacas enviadas entre janeiro e fevereiro, 81,8% do total, mas 28,9% abaixo do volume de 2025.

    O café solúvel respondeu por 10,6% das exportações, com 573,3 mil sacas (-11,5%), enquanto os cafés canéforas (conilon + robusta) somaram 408,4 mil sacas (-27,7%). E o café torrado ou moído atingiu 5,5 mil sacas (-38,7%).

    Exportação de cafés diferenciados

    Os cafés diferenciados, de qualidade superior, sustentáveis ou certificados, representaram 19,8% das exportações no primeiro bimestre, com 1,07 milhão de sacas. Uma queda de 40,7% na base anual. A receita cambial totalizou US$ 493,5 milhões, redução de 31,2%.

    A Alemanha foi novamente o principal destino desse segmento, com 137,7 mil sacas (12,9%). Seguida por EUA (132,1 mil), Bélgica (130,5 mil), Itália (124,2 mil) e Holanda (86,3 mil).

    Principais portos exportadores

    O Porto de Santos concentrou 77,9% dos embarques brasileiros de café no primeiro bimestre, com 4,22 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 18,2%, com 983,9 mil sacas, enquanto Paranaguá (PR) somou 66,9 mil sacas (1,2%).

    O relatório completo do Cecafé, com os dados atualizados de fevereiro de 2026, pode ser consultado em www.cecafe.com.br.

  • Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) avalia com otimismo e cautela a nova tarifa dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos anunciou taxa de 10% sobre importações globais. A medida também vale para o café solúvel brasileiro. Antes, os EUA aplicavam tarifa de 50% desde agosto de 2025. Como resultado, o volume exportado caiu cerca de 50% nos últimos seis meses.

    De volta ao jogo

    Agora, a nova alíquota restaura parte da competitividade do produto nacional. Os Estados Unidos mantêm parceria histórica com o Brasil há mais de 60 anos. Atualmente, o país responde por 20% das exportações brasileiras de café solúvel. Além disso, as compras anuais superam US$ 220 milhões.

    Com a nova tarifa, o Brasil volta a competir em condições semelhantes a outros fornecedores globais. O México permanece como exceção, pois mantém tarifa zero. Assim, o setor considera a mudança um passo relevante para reequilibrar o comércio.

    Cautela

    Apesar do avanço, a entidade mantém cautela diante das incertezas da Seção 301. O Brasil está entre os países sob investigação nesse mecanismo. Por isso, novas medidas tarifárias podem atingir produtos brasileiros. A associação defende diálogo e harmonia entre os dois governos. Segundo a entidade, previsibilidade e estabilidade garantem segurança nas relações comerciais.

    Expectativa para reunião entre Lula e Donald Trump

    A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Donald Trump está prevista para março. O setor considera o encontro uma oportunidade estratégica para incluir o café solúvel nas pautas bilaterais.

    Atualmente, café verde e café torrado entram no mercado norte-americano com tarifa zero. Por isso, a entidade busca tratamento semelhante para o café solúvel brasileiro. O setor vive momento de apreensão, atenção e esperança.

    A indústria quer retomar protagonismo nos Estados Unidos, seu principal e mais tradicional cliente. Além disso, o segmento busca preservar o papel estratégico desse mercado na cadeia de valor.

  • Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    O tarifaço dos Estados Unidos interrompeu o ciclo de recordes das exportações brasileiras de café solúvel em 2025. O Brasil exportou 85,082 mil toneladas do produto no ano, segundo a ABICS. Esse volume equivale a 3,688 milhões de sacas de 60 quilos. Em resumo, o resultado representa queda de 10,6% frente a 2024. Apesar disso, a receita cambial cresceu e atingiu nível histórico.

    As exportações geraram US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% em relação ao ano anterior. Segundo a ABICS, a valorização do café sustentou os preços do solúvel.

    Preços compensam menor volume exportado

    A alta das cotações do arábica e do canéfora elevou o valor do café solúvel. Assim, mesmo com menos embarques, o faturamento externo avançou. O diretor da ABICS, Aguinaldo Lima, atribui o ganho à matéria-prima mais cara.

    Tarifa de 50% derruba vendas aos Estados Unidos

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impactou fortemente os embarques brasileiros. As exportações ao mercado norte-americano caíram 28,2% em 2025. Entre agosto e dezembro, a retração chegou a 40%.

    Segundo Lima, a medida reduziu a competitividade do produto brasileiro. Além disso, importadores buscaram fornecedores com tarifas menores. Como resultado, o Brasil perdeu participação em um mercado estratégico.

    EUA seguem líderes, apesar da queda

    Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos lideraram as importações do café solúvel brasileiro. O país comprou 558.740 sacas em 2025. Na sequência, a Argentina importou 291.919 sacas, com crescimento de 40,2%. A Rússia ocupou o terceiro lugar, com 278.050 sacas, alta de 9,8%. Outros destinos relevantes foram Indonésia, México e Vietnã. A Colômbia ampliou as compras em 178,2%, alcançando 130.029 sacas. Segundo a ABICS, esses países também produzem café solúvel em larga escala. Redirecionamento enfrenta obstáculos comerciais

    A queda nas vendas aos EUA exige redirecionamento das exportações brasileiras. Entretanto, o cenário global impõe desafios ao setor. O Brasil possui poucos acordos comerciais amplos, segundo a ABICS. Além disso, outras tarifas reduzem a competitividade do café solúvel nacional. Lima afirma que redirecionar grandes volumes demanda tempo e investimentos. O processo exige marketing, adaptação regulatória e negociações comerciais.

    Consumo interno bate novo recorde

    Enquanto as exportações recuaram, o mercado interno apresentou forte crescimento. O consumo doméstico atingiu 27,008 mil toneladas em 2025. O volume equivale a 1,170 milhão de sacas. O resultado representa alta de 9,5% frente a 2024. Segundo Lima, o consumidor brasileiro aderiu mais ao café solúvel. A menor inflação do produto também estimulou a demanda interna.

    Reforma Tributária eleva custos do setor

    A Reforma Tributária trará impactos relevantes à indústria de café solúvel. A partir de 2027, o setor perderá o crédito presumido de 7,4%. A medida elevará o custo implícito das exportações durante a transição tributária.

    Segundo a ABICS, a indústria pode perder R$ 430 milhões por ano. O valor representa 7,4% das exportações de 2025. Por saca, o custo adicional equivale a US$ 19,89.

    Perspectivas exigem estratégia para 2026

    O setor enfrenta contraste entre mercado interno forte e comércio externo desafiador. A possível perda do mercado norte-americano exige resposta estratégica. A diversificação de destinos e novos acordos comerciais tornam-se prioritários.

    A União Europeia surge como alternativa promissora no médio prazo. Além disso, o setor busca diálogo para mitigar efeitos da Reforma Tributária. Segundo Lima, investimentos de R$ 2,5 bilhões reforçam a resiliência da indústria.

     

  • Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Mais de um terço das mercadorias brasileiras continua sob tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos, mesmo após a retirada de taxas sobre café, carne bovina e frutas há um mês. Produtores de mel, pescados, máquinas e calçados enfrentam riscos crescentes aos negócios e alertam para perdas de competitividade no mercado americano.

    O setor de pescados enfrenta um cenário de encolhimento, segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescado). A entidade estima que o Brasil perdeu cerca de US$ 250 milhões em exportações de pescados aos Estados Unidos em 2025, após perder competitividade para países não tarifados.

    A situação é especialmente crítica para a tilápia. No início de 2025, até 99% da tilápia brasileira tinha como destino os Estados Unidos. Com as tarifas, a PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura) projeta que esse percentual pode cair praticamente a zero.

    As mercadorias redirecionadas para o mercado interno e outros países encontram preços mais baixos, o que compromete a rentabilidade do setor.

    Calçados e máquinas projetam milhares de demissões

    A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) alerta que a permanência das tarifas pode gerar até 8 mil demissões em 2026. O setor já registrou 1.650 demissões em outubro devido à taxação. Nos últimos quatro meses, o volume de exportações de calçados brasileiros aos EUA caiu 23,4%.

    O setor de máquinas também sofre impacto significativo. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) destaca que as tarifas geraram demissões em diversas empresas. A participação do Brasil no mercado americano despencou de 27% para 13%.

    A associação adverte que novos mercados não conseguem absorver o volume de vendas e as mesmas condições comerciais dos EUA no curto prazo. A demora no corte de impostos pode gerar substituição permanente dos produtos brasileiros por concorrentes estrangeiros.

    Pequenos produtores de mel enfrentam ameaça ao sustento

    A guerra comercial compromete principalmente pequenos produtores e agricultores familiares, que representam a maioria dos produtores de mel no Brasil. A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) ressalta que 53% do mel produzido no país tem como destino os Estados Unidos.

    A entidade pede que o governo solucione a taxação por meio de diplomacia estratégica, alertando para os riscos à cadeia produtiva.

    Café solúvel perde liderança no mercado americano

    A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) aponta “risco de perda permanente de mercado”. Os EUA são o principal destino do café solúvel brasileiro, mas as vendas ao país caíram 52% em volume desde agosto, quando começou a taxação.

    Em outubro, a Rússia assumiu o lugar dos EUA como principal destino do café solúvel brasileiro. No entanto, o mercado russo não absorve a mesma demanda americana.

    Tarifaço teve redução parcial há um mês

    Trump anunciou a retirada de tarifas sobre café, carne bovina, frutas, suco de laranja, cacau e madeira em novembro, após meses de negociações com o governo brasileiro. O tarifaço havia atingido mais de 200 produtos.

    Atualmente, 36,5% dos produtos brasileiros seguem taxados, segundo a Câmara de Comércio Brasil-EUA. Máquinas, calçados, roupas, pescados, mel e café solúvel estão entre os itens que mantêm a sobretaxa de 40%.

    Brasil diversifica mercados e registra crescimento nas exportações

    O total de exportações agrícolas do Brasil cresceu 1,7% entre janeiro e novembro de 2025, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). As vendas aos EUA caíram 38% entre agosto e novembro, em comparação ao mesmo período de 2024.

    Carla Beni, economista da FGV, avalia que o impacto negativo das tarifas foi muito menor do que o esperado. A situação obrigou o Brasil a diversificar mercados, o que pode aquecer a economia do país.

    “Quanto mais parceiros comerciais, melhor”, afirma Beni. A maior presença de produtos brasileiros em novos mercados, como a Europa, pode facilitar novos acordos comerciais, como o esperado entre União Europeia e Mercosul.

    Café prevê retomada de vendas em 2026

    O CNC (Conselho Nacional do Café) projeta que a queda de 30% nas exportações aos EUA deve ser retomada no ano que vem. O otimismo se baseia na queda dos impostos e nos baixos estoques no país norte-americano.

    Silas Brasileiro, presidente do CNC, explica que o café não tem validade curta, o que permitiu que produtores estocassem parte das sacas até a solução do problema. Ele destaca que a diversificação de destinos muda para sempre a dinâmica setorial e reduz a dependência futura dos Estados Unidos.

    Setor de carnes mostra resiliência e redireciona vendas

    A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) já registra retomada de vendas após a queda de tarifas. O setor tinha grande presença em muitos países antes das taxações.

    Para evitar 50% de impostos sobre mercadorias nos EUA, 60 mil toneladas foram rapidamente redirecionadas para mais de 160 destinos, incluindo Ásia, Europa, Chile e Rússia.

    A troca de compradores apertou o lucro, mas o setor mostrou resiliência. “De janeiro a novembro já exportamos 244,5 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão para os EUA, superando todo o resultado de 2024”, destaca Roberto Perosa, presidente da Abiec. O setor espera recuperação total do volume de vendas de 2024 durante 2026.

    Tarifas elevam preços nos EUA

    Ulisses Ruiz de Gamboa, professor de Economia do Insper, explica que a taxação de produtos estrangeiros aumentou preços de itens do cotidiano dos americanos, como café, hambúrguer e suco de laranja.

    O professor ressalta que a maioria dos exportadores brasileiros conseguiu encontrar alternativas. O maior impacto no Brasil ficou localizado em setores específicos que tinham exportação dependente dos EUA.

  • Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Os Estados Unidos retiraram o café da lista de produtos com sobretaxa de 40% no último dia 20. Antes disso, em 14 de novembro, o governo norte-americano já havia eliminado a tarifa de 10% aplicada em abril deste ano. A decisão animou o setor exportador brasileiro, segundo pesquisadores do Cepea.

    Além disso, o mercado aguardava a medida com expectativa devido à lentidão nos embarques da safra atual.Até então, o ritmo mais fraco gerava preocupação com a possível perda de mercado para países concorrentes.

    Agora, com a isenção, o setor projeta maior competitividade do café brasileiro no mercado norte-americano. Porém, a liberação não alcançou todos os produtos do setor. O café em grão ficou isento, mas o café solúvel manteve sobretaxa de 50%. Os Estados Unidos seguem entre os principais destinos do café solúvel brasileiro.Por isso, representantes dos dois países continuam negociando a inclusão do produto na lista de isenções.

    Enquanto isso, os preços do café seguem firmes nos mercados interno e externo. Segundo o Cepea, a baixa oferta e os estoques globais reduzidos sustentam as cotações.Ainda assim, analistas avaliam que a retirada da tarifa fortalece as exportações brasileiras nos próximos meses.