Tag: Cacau brasileiro

  • Oscar do Chocolate: Brasil conquista 32 medalhas na competição

    Oscar do Chocolate: Brasil conquista 32 medalhas na competição

    Dez marcas brasileiras foram premiadas na etapa das Américas do International Chocolate Awards, competição internacional dedicada a chocolates artesanais e produtos feitos no modelo bean-to-bar e craft chocolatier.

    Na relação apresentada para a edição, os chocolates brasileiros aparecem com medalhas de ouro, prata e bronze em diferentes categorias, incluindo produtos com ingredientes como cupuaçu, coco, café, queijo Canastra, doce de leite, açaí, castanha-do-pará e castanha de baru.

    A competição reúne produtores da América Latina e do Caribe. Os vencedores das categorias regionais seguem para a etapa mundial do prêmio.

    https://www.instagram.com/p/Db_s2AAJgsK/?igsh=NWVtbzZ3bjB5dWph

    Cacau Dourado conquista os dois ouros

    Entre os produtos brasileiros premiados, a Cacau Dourado, de Minas Gerais, conquistou os dois ouros relacionados ao Brasil na lista apresentada.

    Os vencedores foram o Chocolate 70% Cacau com Cupuaçu, na categoria de barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços, e o Chocolate Branco Caramelo com Coco, na categoria de barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços.

    Segundo Marcilia Vitória Martins Araújo, proprietária da marca mineira, a criação do chocolate branco foi inspirada em uma memória familiar.

    A empresária contou que o produto foi desenvolvido para lembrar o sabor do doce de leite preparado pela mãe durante sua infância.

    Chocolate brasileiro valoriza ingredientes nacionais

    A relação de premiados mostra a presença de ingredientes associados à biodiversidade e à produção brasileira.

    Entre os produtos reconhecidos aparecem combinações com cupuaçu, açaí, castanha-do-pará, castanha de baru, milho, banana, maracujá e café.

    A presença desses ingredientes também aproxima a premiação do setor de agronegócio, já que o chocolate depende de uma cadeia que começa na produção do cacau e envolve processamento, indústria e agregação de valor.

    Além disso, o movimento também reforça o espaço ocupado pelo chocolate artesanal e pelo modelo bean-to-bar, no qual o produtor controla diferentes etapas da transformação do cacau até a fabricação do chocolate.

    Veja os sabores premiados

    Medalhas de ouro

    Chocolate 70% Cacau com Cupuaçu
    Marca: Chocolates Cacau Dourado
    Categoria: Barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços

    Chocolate Branco Caramelo com Coco
    Marca: Chocolates Cacau Dourado
    Categoria: Barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços

    Medalhas de prata

    Variedade Catongo 80% Chocolate Amargo
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barra de chocolate amargo simples/de origem

    Chocolate Branco ao Leite Caramelizado
    Marca: DoSemente Cacau
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Chocolate Branco 35% Cacau Doce de Leite
    Marca: Chocolates Mendoá
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Chocolate amargo intenso com especiarias suaves
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Hojicha Razuberi
    Marca: Velmont
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Chocolate ao Leite com Café Blum’s
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com infusão ou aromatizante

    Chocolate com Queijo Canastra e Doce de Leite
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Mel & Baru 50% ao Leite
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate 33% Milho
    Marca: Jucolatte
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Banana de Ouro
    Marca: Velmont
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Chocolate Branco com Maracujá Liofilizado
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate branco com inclusões ou pedaços

    Dragée Coffee Beans
    Marca: Nugali
    Categoria: Drageias de chocolate amargo, nozes inteiras cobertas

    Bombom de Cupuaçu com Cumaru
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Pastas de frutas cobertas com chocolate branco, geleias/gelées

    Medalhas de bronze

    Chocolate Amargo 70% Cacau – Cacau em Flor
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate amargo simples/de origem

    Catongo Varietal Intenso 67%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate amargo simples/de origem

    Chocolate ao Leite 40% Cacau Do Céu
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate ao Leite 45% Cacau
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate 41% Cacau ao Leite
    Marca: Cacau Dourado Chocolates
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate ao Leite 55% Cacau
    Marca: DoSemente Cacau
    Categoria: Micro-lotes – Barras de chocolate ao leite simples/de origem

    Chocolate Branco 35%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Barras de chocolate branco simples/de origem

    Café con Ron
    Marca: Mission Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante

    Chocolate Amargo 70% com Açaí Frágil
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate amargo com inclusões ou pedaços

    45% ao Leite, Banana e Castanha de Caju
    Marca: Miroh! Fabricantes de Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocorock
    Marca: Cacau Dourado Chocolates
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate ao leite 45% cacau com castanha-do-pará
    Marca: Nugali
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Chocolate 50% Cacau ao Leite com Cupuaçu
    Marca: Chocolates Mendoá
    Categoria: Barras de chocolate ao leite com inclusões ou pedaços

    Coquito
    Marca: Mission Chocolate
    Categoria: Barras de chocolate branco com infusão ou aromatizante

    Chocolate Branco e ao Leite com Queijo Azul
    Marca: Chocolates Cacau do Céu
    Categoria: Barras de chocolate combinadas com inclusões ou pedaços

    Dragée Cocoa Nibs
    Marca: Nugali
    Categoria: Drageias de chocolate amargo, nozes inteiras cobertas

    Drageado Cupuaçu 65%
    Marca: Chocolates Mestiço
    Categoria: Fruta inteira coberta com chocolate amargo

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  • Projeto de lei propõe preço mínimo para o cacau brasileiro

    Projeto de lei propõe preço mínimo para o cacau brasileiro

    Produtores de cacau podem ganhar uma rede de proteção contra as oscilações do mercado internacional. O Projeto de Lei 954/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, institui um preço mínimo para o cacau produzido no Brasil, a ser calculado pelo governo federal com base nos custos reais de produção.

    O texto determina que o governo leve em conta despesas como mão de obra, insumos, colheita, infraestrutura e uso da terra ao definir o valor mínimo. A proposta também garante aos produtores uma margem de lucro de, no mínimo, 15%.

    O deputado Félix Mendonça Junior (PDT-BA), autor do projeto, aponta que os produtores de cacau convivem com forte instabilidade nos preços internacionais. E não contam, diferentemente do que ocorre com o café, com uma política permanente de garantia de preços.

    Deputado Félix Mendonça Junior (PDT-BA), autor do projeto de lei. Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

    Segundo o parlamentar, a proposta preenche uma lacuna histórica ao criar um sistema de preço mínimo baseado no custo real de produção, com margem de viabilidade econômica garantida e um fundo de intervenção financiado, em parte, por contribuição sobre as importações.

    Conab define parâmetros e pode intervir no mercado

    Um levantamento anual da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre os custos de produção do cacau servirá de base para o cálculo do governo. O valor mínimo, pela proposta, nunca poderá ficar abaixo do custo total de produção.

    Produtores que possuírem o Selo Verde Cacau,concedido a empresas com práticas sustentáveis, receberão um adicional de 10% sobre o preço mínimo estabelecido.

    Sempre que o preço de mercado permanecer abaixo do mínimo por mais de 30 dias consecutivos, a Conab deverá adotar uma de duas medidas para atender os produtores familiares. Primeiro, comprar a produção pelo preço mínimo, via Aquisição do Governo Federal (AGF). Ou conceder empréstimos com juros de 1% ao ano, com prazo de até 12 meses, usando as amêndoas de cacau como garantia.

    Fundo de estabilização reunirá recursos públicos e privados

    A proposta também cria o Fundo de Estabilização da Cacauicultura (FEC), destinado a financiar essas intervenções e a apoiar programas de melhoria da produção e da comercialização do cacau.

    O fundo reunirá recursos de quatro origens:

    • dotações do Orçamento da União
    • contribuição de 0,5% sobre as importações de amêndoas e produtos semielaborados de cacau
    • repasses de estados produtores aderentes ao programa
    • e doações e acordos internacionais.

    O projeto ainda prevê que o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia ofereçam instrumentos de proteção cambial a produtores e cooperativas exportadoras, com custo máximo de 1% ao ano.

    O projeto tramita em caráter conclusivo. E passará pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, a proposta ainda precisa da aprovação da Câmara e do Senado.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, homenageia um dos alimentos mais consumidos do planeta. A data faz referência à chegada do chocolate à Europa, em 1550. Desde então, o produto conquistou espaço em diferentes culturas e, ao longo dos séculos, tornou-se um dos doces mais apreciados do mundo.

    No entanto, muito antes disso, o cacau já fazia parte da rotina das civilizações maias e astecas. Esses povos consumiam a bebida conhecida como xocoatl, utilizada em rituais sagrados e considerada um símbolo de grande valor cultural. Posteriormente, com a colonização europeia, a semente atravessou o oceano e ganhou novos usos. Mais tarde, durante a Revolução Industrial, surgiram processos que popularizaram o tradicional chocolate em barra.

    Brasil se tornou referência na produção de cacau

    No Brasil, o cacau encontrou condições ideais para o cultivo, principalmente na Bahia, que se consolidou como uma das principais regiões produtoras ao longo do século XX. Apesar da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, o setor se reinventou ao investir em chocolates premium e na valorização do cacau de origem.

    Como resultado, o chocolate brasileiro conquistou reconhecimento no mercado internacional. Um dos nomes ligados a esse movimento é o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e da Origem Week, iniciativas voltadas à promoção do cacau nacional em diversos países.

    Cacau representa uma atividade sustentável, rentável e com grande potencial de crescimento — Foto: Reprodução/MAPA

    Esse avanço também foi reconhecido internacionalmente. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) passou a classificar o Brasil como exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Além disso, entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados superaram US$ 1 bilhão.

    Reconhecimento internacional fortalece o futuro do setor

    Outro passo importante foi a sanção da Lei 15.404/2026, que estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates comercializados no país. Dessa forma, a legislação amplia a transparência para o consumidor e valoriza ainda mais a matéria-prima brasileira.

    Além disso, em dezembro de 2026, Salvador receberá a primeira edição completa do Salon du Chocolat no Brasil, considerado o maior evento mundial do setor. A expectativa é fortalecer a imagem do país como produtor de cacau de excelência e ampliar sua presença no mercado internacional.

    Assim, o Dia Mundial do Chocolate vai muito além de celebrar um doce. A data também evidencia a importância do cacau para a economia, a cultura e a sustentabilidade, reforçando o protagonismo do Brasil em uma cadeia produtiva que une tradição, inovação e desenvolvimento sustentável.

  • Amazônia conquista protagonismo em concurso nacional de cacau premium

    Amazônia conquista protagonismo em concurso nacional de cacau premium

    A Amazônia consolidou sua liderança na produção de cacau de alto valor agregado neste sábado (6), durante a sétima edição do Concurso Nacional de Cacau Especial do Brasil, realizada em Cacoal (RO). Pequenos e médios produtores da região conquistaram os principais prêmios nas categorias Varietal e Mistura, demonstrando o avanço da qualidade na cacauicultura amazônica.

    O produtor paraense Robson Brogni, de Medicilândia, levou o primeiro lugar na categoria Mistura, dedicada a blends de variedades. Brogni acumula vitórias em edições anteriores do concurso e alcançou o segundo lugar no Cacao of Excellence Award em 2024, a principal competição global do segmento.

    Mauro Celso Tauffer, agricultor familiar de Buritis (RO), venceu a categoria Varietal pelo terceiro ano consecutivo. O produtor representa a consolidação do modelo amazônico de produção, baseado em sistemas agroflorestais (SAFs) que integram o cacau com espécies nativas.

    A produção amazônica cresce a partir de modelos agrícolas integrados ao ecossistema. Os sistemas agroflorestais aproveitam a característica natural do cacaueiro, planta de sub-bosque que se desenvolve à sombra. Essa técnica reduz danos ambientais e recupera áreas degradadas, combinando produtividade com preservação florestal.

    Evento reúne 500 participantes e autoridades do setor

    O Cacoal Selva Park sediou o evento, que reuniu cerca de 500 pessoas, incluindo o governador de Rondônia, Marcos Rocha, representantes do setor produtivo e da indústria do chocolate.

    “Receber o Concurso Nacional em Rondônia reforça a importância do nosso estado no cenário agrícola nacional. Temos investido no fortalecimento da produção, na valorização do produtor rural e no incentivo às boas práticas”, destacou o governador.

    O concurso recebeu 108 amostras de cacau de todo o país. Os organizadores selecionaram 20 amostras para a etapa final, quando especialistas degustaram às cegas líquor (massa de cacau sem açúcar) e chocolates 70% produzidos pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC).

    Júri técnico e especialistas externos definem vencedores

    A comissão julgadora padronizou todo o processo de fabricação, embalagem e codificação para eliminar interferências. Especialistas do setor avaliaram o líquor, enquanto um júri externo — composto por nomes como a jornalista e cacauicultora Ticiana Villas Boas e a crítica gastronômica da Folha de S.Paulo, Priscila Pastre — definiu os três melhores de cada categoria.

    Adriana Reis, especialista em análise sensorial de cacau e chocolate e gerente de qualidade do CIC, explica que os resultados refletem características únicas da Amazônia.

    “O cacau amazônico é complexo, com notas suaves e frutadas, baixo amargor e nuances florais e de especiarias. É um cacau que celebra a nossa diversidade e nos coloca de forma competitiva no cenário de qualidade”, afirma a especialista.

    Premiação de R$ 100 mil reconhece excelência dos produtores

    Os vencedores dividiram R$ 100 mil em prêmios, valor que reconhece o trabalho de qualidade desenvolvido nas propriedades amazônicas.

    O concurso incorporou critérios socioambientais baseados no Currículo de Sustentabilidade do Cacau, ferramenta que mede a aderência dos produtores a boas práticas de manejo, uso racional de insumos e condições de trabalho. A avaliação incluiu questionários e visitas técnicas às propriedades.

    “O mercado já diferencia quem entrega qualidade com responsabilidade. A responsabilidade ambiental deixou de ser custo e se tornou diferencial competitivo”, afirma Cristiano Villela, diretor do CIC.

    O crescimento do segmento bean-to-bar, focado em rastreabilidade e narrativa de origem, tem impulsionado o interesse no cacau especial. Embora ainda represente um nicho, o setor oferece margens mais altas e eleva o padrão de produção no campo.

    O CIC organiza o concurso desde 2018 em parceria com entidades da indústria, como AIPC e Abicab. Nesta edição, o evento contou com apoio do Governo de Rondônia, Mars, Netafim, Cacau Show, Lacta, Dengo e Instituto Arapyaú, entre outras empresas e instituições públicas e privadas.

    VENCEDORES – VII CONCURSO NACIONAL DE CACAU ESPECIAL

    Categoria Mistura

    • 1º lugar: Robson Brogni (Medicilândia – PA)
    • 2º lugar: Gilmar Batista de Souza (Uruará – PA)
    • 3º lugar: Miriam Aparecida Federicci Vieira (Medicilândia – PA)

    Categoria Varietal

    • 1º lugar: Mauro Celso Tauffer (Buritis – RO) — Variedade BN34
    • 2º lugar: José Batista de Souza (Uruará – PA) — Variedade Casca Fina
    • 3º lugar: Luíz Anastácio da Silva (Cacoal – RO) — Variedade CEPEC 2022

  • Brasil aproveita crise mundial do cacau para retomar liderança

    Brasil aproveita crise mundial do cacau para retomar liderança

    A crise mundial na produção de cacau está criando uma oportunidade histórica para o Brasil retomar sua posição de destaque no mercado internacional. Enquanto os principais produtores mundiais enfrentam problemas estruturais, estados como o Ceará apostam em tecnologias inovadoras para revolucionar o cultivo da cultura no país.

    A Páscoa de 2025 registrou os preços mais altos do chocolate dos últimos anos. Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), os valores aumentaram 66% em Londres entre outubro e dezembro de 2024, saltando de US$ 6.896 para US$ 11.441 por tonelada. Em Nova York, o crescimento foi similar, atingindo 64% no mesmo período.

    Costa do Marfim e Gana, responsáveis pela maior parte da oferta mundial, enfrentam uma combinação de fatores críticos:

    • Eventos climáticos extremos
    • Aumento das infestações do vírus CSSV (Cacao Swollen Shoot Virus)
    • Lavouras envelhecidas com baixa produtividade

    Oportunidade histórica para o Brasil

    “Com essa quebra de produção no mundo, o Brasil tem a chance de suprir essa demanda”, explica Adolfo Moura, engenheiro agrônomo especialista em pesquisas de cacau há mais de 10 anos. Para ele, o cultivo nacional precisa expandir áreas plantadas para primeiro atender a demanda interna e depois pensar em exportação.

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    O país tem experiência no setor. Entre as décadas de 1930 e 1980, o cacau brasileiro foi símbolo de riqueza, especialmente na Bahia. Porém, a chegada da doença Vassoura-de-bruxa em 1989 devastou a produção, reduzindo-a de 400 mil para 123 mil toneladas anuais em menos de uma década.

    Irrigação por gotejamento: a revolução tecnológica

    A irrigação localizada emerge como protagonista da retomada cacaueira brasileira. A técnica permite aplicação precisa de água e nutrientes, com eficiência superior a 90% e aumento de produtividade de até 150% comparado a sistemas não irrigados.

    Carlos Barh, engenheiro agrônomo da Rivulis com mais de 50 anos de experiência, destaca: “O cacau nasceu para ser irrigado por gotejamento, pois a técnica não aumenta umidade, evitando o desenvolvimento de fungos.”

    Em áreas irrigadas com manejo intensivo, é possível atingir produtividades acima de 2.000 kg/ha/ano – quase quatro vezes a média de países africanos.

    Ceará: o novo eldorado do cacau

    O cacau cearense já é realidade. Desde 2010, um projeto de cooperação entre Associação Univale, Frutacor, CEPLAC e Embrapa, liderado pelo engenheiro Diógenes Henrique Abrantes Sarmento, revoluciona o cultivo no Vale do Jaguaribe.

    Foto: Divulgação Rivulis

    “Testamos várias culturas na região. Após anos de estudos, o cacau foi o que melhor se adaptou”, conta Sarmento. A primeira área de quatro hectares consolidada em 2010 utilizou 12 clones, com destaque para as variedades CCN51 e PS319, que atingem produção de 2,5 a 3 toneladas por hectare.

    Para resolver desafios logísticos, os produtores cearenses verticalizaram a produção. Em 2018, foi fundada a Cacau do Ceará, primeira indústria a usar matéria-prima exclusiva de produtores locais em Limoeiro do Norte.

    O projeto evoluiu para consórcio com outras culturas como coco e banana, maximizando a renda por área. Atualmente, mais de 300 hectares de produtores cearenses apostam no cultivo, com meta de atingir 400 hectares até janeiro.

    Potencial econômico e expansão

    O retorno financeiro do cacau é atrativo. Com bom manejo, produtores conseguem atingir 3 mil kg de amêndoa por hectare. Considerando o preço atual de R$ 50 por kg, a renda bruta chega a R$ 150 mil por hectare, com custeio de cerca de R$ 22 mil.

    A cultura apresenta vantagens competitivas:

    • Baixa demanda de mão de obra
    • Adaptação a épocas quentes
    • Facilidade de consórcio com outras culturas
    • Viabilidade para todos os portes de produtores

    Para expandir a produção cacaueira brasileira, o setor busca:

    • Parcerias público-privadas para pesquisas
    • Financiamentos e linhas de crédito específicas
    • Capacitação técnica especializada
    • Ampliação de viveiristas para produção de mudas

    Com qualidade comprovada dos clones atuais, o cultivo de cacau tem potencial para expansão por todo o Ceará, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, posicionando o Brasil novamente como protagonista mundial no setor.

    A crise mundial do cacau representa uma janela de oportunidade única para o agronegócio brasileiro. Com tecnologia, manejo adequado e investimentos estruturantes, o país pode reconquistar sua posição histórica no mercado internacional da cultura.

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