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  • Senado adia votação de projeto que libera exportação de subprodutos bovinos e bubalinos

    Senado adia votação de projeto que libera exportação de subprodutos bovinos e bubalinos

    A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado adiou a votação do PL 6.682/2025, proposta que autoriza a exportação de subprodutos do abate de bovinos e bubalinos quando não houver demanda alimentar no mercado brasileiro. Na última quarta-feira (20), o colegiado realizou a leitura do relatório favorável ao texto e, em seguida, concedeu vista coletiva aos senadores, o que postergou a análise da matéria.

    O projeto, originado na Câmara dos Deputados, altera a Lei nº 1.283/1950, responsável pelas regras de inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. A proposta recebeu parecer favorável do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), relator da matéria na CRA.

    Segundo o relatório apresentado, o texto permite que estabelecimentos fiscalizados por órgãos estaduais ou municipais e integrados ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) exportem subprodutos bovinos e bubalinos por meio de unidades com inspeção federal.

    Atualmente, muitos frigoríficos e abatedouros vinculados aos serviços estaduais e municipais não possuem autorização direta para exportar, já que o reconhecimento sanitário internacional é atribuição da União.

    Projeto busca ampliar aproveitamento econômico do abate

    O relator destacou que alguns itens do abate, como vísceras, medula, aorta e rabo, possuem baixo consumo no Brasil e, por isso, acabam subutilizados no mercado interno. Em contrapartida, esses produtos apresentam forte demanda em países asiáticos, o que pode abrir novas oportunidades comerciais para o agronegócio brasileiro.

    De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), as cadeias produtivas bovina e bubalina responderam por praticamente metade do Valor Bruto da Produção (VBP) pecuária nacional, que alcançou R$ 475,3 bilhões em 2025.

    No parecer, Veneziano argumentou que o projeto fortalece a eficiência produtiva e reduz desperdícios. Além disso, o senador ressaltou que a exportação continuará subordinada à inspeção federal, preservando o controle sanitário exigido pelo comércio internacional.

    O texto também prevê alterações no artigo 14 da legislação atual para permitir atualizações regulatórias conforme avanços tecnológicos e exigências do mercado interno e externo.

    Senadores pedem debate técnico antes da votação

    Apesar do parecer favorável, a tramitação sofreu resistência dentro da comissão. Inicialmente, o projeto chegou a ser retirado da pauta após solicitação da senadora Margareth Buzetti (PP-MT), que defendeu a realização de uma audiência pública para aprofundar a discussão técnica.

    No requerimento apresentado, a parlamentar afirmou:

    “Causa preocupação o fato de a proposição avançar sem que tenha havido, até o momento, participação técnica mais efetiva da pasta responsável, especialmente considerando os possíveis reflexos regulatórios, operacionais, orçamentários e comerciais decorrentes de eventual alteração legislativa.”

    Projeto segue para novas etapas no Senado

    Durante a reunião extraordinária da CRA, o parecer favorável foi oficialmente lido, mas a Presidência concedeu vista coletiva aos parlamentares conforme previsão regimental. Com isso, a votação foi adiada para uma próxima sessão.

    Caso seja aprovado na comissão e posteriormente no Plenário do Senado, o projeto poderá ampliar a participação de frigoríficos integrados ao SISBI-POA no comércio internacional de subprodutos bovinos e bubalinos.

    O relatório também cita o Decreto nº 9.013/2017, que regulamenta a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. A norma determina que mercadorias destinadas à exportação devem seguir as exigências do país importador e ser registradas no sistema informatizado do MAPA, atualmente o SIPEAGRO.

    Além do debate sobre exportações, a CRA aprovou outro requerimento relevante na mesma reunião. O presidente da comissão, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma auditoria nas atividades do Ibama relacionadas ao marco regulatório dos pesticidas e produtos de controle ambiental.

    Segundo o parlamentar, entidades do setor agropecuário têm apresentado reclamações sobre possíveis descumprimentos da legislação por parte do órgão ambiental.

    Com dados de Agência Senado

  • Aditivo alimentar reduz emissões de metano em 50% em gado Nelore

    Aditivo alimentar reduz emissões de metano em 50% em gado Nelore

    A Minerva Foods e a startup australiana Rumin8 divulgaram os resultados de um estudo inédito que comprova redução de 50,4% nas emissões de metano entérico em gado Nelore confinado. Conduzida em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), a pesquisa de 120 dias também registrou melhora estatisticamente significativa de 5% na eficiência de conversão alimentar dos animais que consumiram o aditivo desenvolvido pela Rumin8.

    O experimento avaliou o impacto do aditivo em condições que simulam operações comerciais de confinamento brasileiras. Animais que receberam o produto misturado à ração total (TMR) emitiram 39,6 g de metano por quilo de ganho de peso , contra 77,2 g/kg no grupo controle, que consumiu a mesma dieta sem o suplemento.

    No total, o teste gerou uma redução estimada de 29,8 toneladas de CO₂ equivalente em emissões de gases de efeito estufa, além de proporcionar ganhos de produtividade e menor consumo de ração. Empresas especializadas em certificação de carbono agrícola, entre elas a Athian e a FoodChain ID, realizam a verificação independente desses resultados.

    Como o estudo foi conduzido

    O experimento envolveu dois grupos de bovinos Nelore machos. O primeiro reuniu 80 animais em baias individuais, o que permitiu medir com precisão o consumo de ração e as emissões de metano, metade no grupo controle, metade recebendo o aditivo. O segundo grupo incluiu 200 bovinos em baias coletivas, para simular condições de escala comercial.

    A dieta adotada seguiu o padrão típico de terminação em confinamento no Brasil: 12% de volumoso e 88% de concentrado, com milho moído como ingrediente principal. Pesquisadores monitoraram o consumo de ração diariamente e avaliaram o desempenho produtivo por meio de pesagens periódicas.

    O que dizem os envolvidos

    Para o CEO da Rumin8, David Messina, os resultados abrem caminho para escalar a tecnologia no maior mercado de gado do mundo. “A Minerva e a Rumin8 estão comprometidas em reduzir as emissões de metano do setor. E foi excelente ter este trabalho validado por uma das instituições acadêmicas mais respeitadas do Brasil”, afirmou. Segundo ele, os dados farão parte do pacote regulatório para a comercialização do produto no país.

    Marta Giannichi, Diretora Global de Sustentabilidade da Minerva Foods, destacou o caráter estratégico da iniciativa. “A redução das emissões de metano é uma prioridade para o avanço de uma cadeia mais sustentável. Iniciativas como esta ajudam a acelerar soluções que combinam produtividade e responsabilidade ambiental”, disse.

    Pesquisadores da ESALQ/USP classificaram o aditivo testado entre as estratégias mais promissoras de mitigação de metano já avaliadas pela instituição. Com potencial para reduzir a pegada ambiental da produção de carne bovina sem comprometer a eficiência produtiva.

  • Embrapa usa tecnologia para identificar bovinos Brangus mais dóceis

    Embrapa usa tecnologia para identificar bovinos Brangus mais dóceis

    Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), estão avaliando o temperamento de bovinos da raça Brangus como parte de um projeto de melhoramento genético. A iniciativa busca identificar animais mais dóceis e adaptados aos sistemas de produção do Sul do Brasil, favorecendo o bem-estar e a eficiência produtiva.

    O método avalia a chamada velocidade de fuga, indicador que mede o nível de reatividade do animal durante o manejo. O sistema utiliza um trajeto curto de 2,7 metros, equipado com sensores que registram o tempo em que o bovino percorre o trecho. A partir desses dados, os pesquisadores calculam a velocidade e o tempo de fuga, que revelam se o animal tem comportamento mais calmo ou mais agitado.

    Segundo o médico-veterinário Álvaro Fonseca, da Embrapa Pecuária Sul, animais mais tranquilos percorrem o trajeto com menor velocidade, demonstrando docilidade. “Esses resultados permitem classificar o temperamento dos bovinos e selecionar os mais adequados para o programa de melhoramento genético”, explica o pesquisador. Cada animal passa por duas medições, e a média define o índice de temperamento usado para seleção.

    A docilidade é considerada uma característica estratégica para a pecuária moderna. Bovinos mais calmos facilitam o manejo, reduzem riscos de acidentes e contribuem para a produtividade e o bem-estar animal. Além disso, o temperamento pode influenciar diretamente o desempenho e a eficiência dos sistemas de produção de carne.

    O estudo integra o projeto de melhoramento genético da raça Brangus da Embrapa, que combina informações comportamentais e genômicas para aprimorar características produtivas. As avaliações, realizadas em março, envolveram machos e fêmeas entre um e dois anos de idade nos campos experimentais da unidade em Bagé.

    Origem da raça Brangus

    A raça Brangus surgiu nos Estados Unidos, no início do século XX, a partir do cruzamento entre Aberdeen Angus e Brahman. No Brasil, os trabalhos começaram em 1945, na Fazenda Experimental Cinco Cruzes, em Bagé, hoje sede da Embrapa Pecuária Sul.

    Foto: Divulgação ABB

    Os primeiros animais com composição genética 3/8 Nelore e 5/8 Angus nasceram em 1955. Batizada inicialmente de Ibagé, a raça consolidou-se mais tarde como Brangus, visando adaptar-se às pastagens naturais do Rio Grande do Sul e às condições das regiões tropicais.

  • Maria-mole: conheça a planta invasora que mata bovinos

    Maria-mole: conheça a planta invasora que mata bovinos

    A maria-mole (Senecio spp.) é uma planta invasora que representa uma das maiores ameaças à pecuária brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul. Apesar do nome inofensivo, esta erva daninha causa a seneciose, uma doença hepática fatal que não possui tratamento e mata praticamente 100% dos bovinos intoxicados.

    A planta se prolifera rapidamente em pastagens degradadas e áreas com baixa cobertura vegetal, tornando-se um problema crônico para produtores rurais. Durante o outono e inverno, quando há escassez de forragem, os bovinos acabam ingerindo acidentalmente a maria-mole junto com o pasto. Nesse período, a planta concentra níveis elevados de alcaloides tóxicos que destroem irreversivelmente o fígado dos animais.

    Os prejuízos econômicos são devastadores: além da perda total dos animais intoxicados, não existem soluções terapêuticas disponíveis. Uma vez que o bovino consome quantidade suficiente da planta, a morte é inevitável, impactando severamente a cadeia produtiva da bovinocultura.

    Estudo identifica soluções eficazes de controle

    Uma boa cobertura vegetal e o pastoreio ovino são as formas de controle mais eficazes contra a infestação de maria-mole, conforme apontou estudo recente da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi).

    A pesquisa “Emergência e quantificação da infestação de maria-mole (Senecio spp.) em área de abrangência do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor – IPVDF” foi conduzida pelo pesquisador Fernando Karam, do Laboratório de Histopatologia, durante 2023 e 2024, em parceria com a Emater/RS-Ascar.

    O trabalho resultou no Comunicado Técnico 11, intitulado “Infestação de maria-mole (Senecio spp.) e o risco da intoxicação: resultados de pesquisa”, lançado recentemente pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Seapi.

    Infestação muito alta na maioria das propriedades

    Durante os dois anos de investigação, foram visitadas propriedades rurais nos municípios de Guaíba, Eldorado do Sul, Viamão e Charqueadas. Os resultados foram alarmantes.

    Pesquisador Karam. Foto: Divulgação/Seapi

    “Os resultados confirmaram o predomínio da infestação muito alta de maria-mole na maioria dos locais investigados e comprovaram que, nas poucas áreas de baixa infestação, esse fato deveu-se à boa cobertura vegetal e ao pastoreio ovino”, esclarece Karam.

    O pesquisador enfatiza a importância dessas medidas preventivas devido à inexistência de tratamento para animais intoxicados. “Essas medidas são as mais eficazes, entre outras, já que para a intoxicação nos animais não há soluções terapêuticas, e esse prejuízo na cadeia produtiva da bovinocultura é muito expressivo”, alerta.

    Outono e inverno: período crítico de maior risco

    A época mais perigosa para os rebanhos concentra-se no outono e inverno, quando os bovinos têm maior probabilidade de ingerir acidentalmente a planta tóxica.

    “E nessa época ela possui alto teor de alcaloides tóxicos, exigindo controle por roçadas estratégicas, uso de ovinos e manejo do pasto para evitar mortes e grandes prejuízos econômicos”, explica Karam.

    Estratégias de controle recomendadas

    Com base nos resultados da pesquisa, o comunicado técnico apresenta as seguintes estratégias de manejo:

    • Cobertura vegetal adequada: manter pastagens com boa densidade de forragem dificulta o estabelecimento da maria-mole. E também reduz a necessidade dos bovinos buscarem alimento em áreas infestadas.
    • Pastoreio ovino: os ovinos são naturalmente resistentes aos alcaloides da maria-mole e podem consumir a planta sem sofrer intoxicação, controlando sua proliferação de forma natural e eficiente.
    • Roçadas estratégicas: realizar cortes programados antes da floração e produção de sementes impede a disseminação da planta, especialmente nos períodos críticos de outono e inverno.
    • Manejo integrado do pasto: combinar diferentes técnicas de controle e manter o monitoramento constante das áreas de pastagem garante maior eficácia no combate à infestação.

    Impacto econômico na pecuária gaúcha

    A seneciose causada pela maria-mole representa um dos principais problemas sanitários da bovinocultura sul-rio-grandense. Com letalidade próxima a 100% e sem possibilidade de tratamento, cada animal intoxicado significa perda total do investimento do produtor.

    Os prejuízos vão além da morte direta dos animais, incluindo custos com diagnóstico, tentativas frustradas de tratamento e a necessidade de investimentos em medidas preventivas de longo prazo.

    O estudo da Seapi reforça que a prevenção é a única arma eficaz contra a intoxicação por maria-mole. A adoção de práticas de manejo adequadas, especialmente a manutenção de boa cobertura vegetal e o uso estratégico de pastoreio ovino, pode salvar rebanhos. Além de evitar prejuízos significativos para a economia pecuária do Rio Grande do Sul.

    Produtores rurais devem intensificar a vigilância durante outono e inverno. Além de implementar roçadas estratégicas e considerar a integração de ovinos ao sistema produtivo como medida preventiva de longo prazo contra esta ameaça silenciosa mas letal.

  • Acrobacia: vaca fica em pé nas patas traseiras atrás de petisco

    Acrobacia: vaca fica em pé nas patas traseiras atrás de petisco

    A cena chama atenção de qualquer pessoa: uma vaca se ergue completamente nas patas traseiras, esticando o pescoço ao máximo pra alcançar uma manga suculenta pendurada nos galhos da árvore. O vídeo é daqueles que a gente assiste duas, três vezes, e compartilha nos grupos da família com aquelas risadas de “olha que louco!”. Mas por trás dessa imagem curiosa e quase cômica, existe uma história bem mais complexa sobre comportamento animal, instintos de sobrevivência e riscos reais à saúde dos bovinos.

    https://www.instagram.com/reel/DRcEKb_gBwS/?igsh=YnRsaXBkbGNsdnho

    Quem tem criação sabe: bovino é um bicho curioso, e quando a coisa tá difícil no pasto, eles não pensam duas vezes antes de improvisar. Mas será que esse comportamento é normal? E mais importante: será que deixar o gado ter acesso livre às mangueiras pode trazer problemas sérios?

    Afinal, é normal vaca ficar em pé nas patas traseiras?

    Aqui a resposta precisa de um pouco de contexto. Diferente dos cavalos, que possuem mecanismos anatômicos específicos para descansar em pé por longos períodos, as vacas não compartilham essa habilidade. A anatomia bovina foi desenvolvida pra períodos prolongados de descanso deitada, e isso não é à toa.

    Porém, quando se trata de alcançar alimento, bovinos demonstram uma flexibilidade comportamental surpreendente. Como animais sociais que vivem em grupo e pastam de 9 a 11 horas por dia, os bovinos são constantemente motivados pela busca de alimentação. Se a comida tá no alto, eles arranjam um jeito.

    O comportamento de se erguer nas patas traseiras não é completamente estranho pra espécie. Especialmente quando estão em situações de competição por recursos ou quando existe um alimento muito atrativo fora do alcance normal. Acontece que vacas tem instintos adaptativos fortes. Num ambiente natural ou em pastagens extensivas, elas se esticam pra pegar folhas mais altas de arbustos, por exemplo.

    Mas aqui vai o ponto crítico: esse comportamento se torna preocupante quando o alimento em questão apresenta riscos. E manga entra nessa categoria com louvor.

    Manga no cardápio bovino: delícia ou cilada?

    Vamos ser sinceros: manga é irresistível. Doce, suculenta, aromática. E os bovinos pensam exatamente a mesma coisa. A manga é muito palatável para o gado, principalmente porque ela é muito rica em açúcares.

    Foto: divulgação – Embrapa

    A manga tem bom valor nutritivo e é bastante palatável para bovinos. Normalmente a fruta é mastigada, a casca e a polpa são ingeridas e o caroço cuspido. Até aí, tudo bem. O problema começa quando o bicho resolve engolir a fruta inteira. Com caroço e tudo.

    Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo da Costa Gomes, dois problemas sérios podem derivar do consumo de manga por bovinos.

    Timpanismo: o perigo mortal do caroço

    O problema mais grave é o timpanismo, que ocorre pela obstrução do esôfago do animal. Dependendo do tamanho da manga, isso impede o bovino de conseguir se alimentar normalmente e expelir os gases que ele produz durante a digestão.

    O caroço pode obstruir o esôfago, provocando timpanismo por impedir a eructação (saída dos gazes produzidos no estômago), ou pode obstruir a passagem do estômago para o intestino.

    Quando o gado não consegue expelir os gases naturais da digestão, o rúmen incha de forma perigosa. O timpanismo é uma doença que impossibilita a eructação, causando acúmulo de gases e podendo levar o animal à morte. Isso impede que o bovino respire direito e, em casos extremos, leva o animal à morte rapidamente.

    Um relato científico mostra a gravidade da situação: num caso registrado em Sergipe, uma vaca leiteira em final de gestação apresentou timpanismo recidivante após ingerir manga. Durante cirurgia, foram retirados 174 caroços de manga do rúmen, mas o animal veio a óbito seis horas depois do procedimento.

    Acidose ruminal: o açúcar que desequilibra

    O segundo problema é metabólico. O açúcar da manga fermenta muito rapidamente no rúmen do animal e causa acidose ruminal, uma acidificação do rúmen. Esse problema metabólico pode levar à morte ou causar redução significativa no desempenho do animal.

    A acidose ruminal compromete todo o sistema digestivo do bovino e afeta diretamente a saúde e a produtividade do rebanho.

    Outros alimentos que oferecem riscos semelhantes

    Todo alimento que possa estar em um tamanho que cause obstrução, principalmente no esôfago, representa risco. São comuns relatos de obstrução com laranja, abacate e até tubérculos como pedaços de mandioca ou batata.

    Especialmente o pequeno produtor, que às vezes quer alimentar o gado no período seco sem atentar-se ao tamanho do alimento servido, pode acabar causando obstruções fatais sem perceber.

    É comum vacas comerem manga da árvore?

    Sim, é mais comum do que a maioria imagina. Especialmente em pequenas propriedades rurais onde as árvores frutíferas dividem espaço com as pastagens. Casos de animais que tem algum problema por excesso de ingestão de frutas como manga, abacate ou laranja são recorrentes no Brasil.

    Durante a época de safra, quando as mangas maduras começam a cair, os bovinos são naturalmente atraídos pelo cheiro e sabor adocicado. E quando as frutas no chão acabam, alguns animais mais “espertos” descobrem que podem alcançar as frutas ainda nos galhos – daí surgem as cenas de vacas “acrobatas”.

    O que fazer: orientações para pecuaristas

    A recomendação dos especialistas é clara: prevenir o acesso.

    O acesso às mangas deve ser evitado com cercas ou derrubando-se e recolhendo as frutas. Cortar a fruta ao meio já reduz o caroço a um tamanho seguro.

    Se possível, cerque a área de fruteiras para que os animais não tenham acesso à manga que cai no chão. Mesmo se não for possível cercar, no momento que as frutas estiverem caindo maduras, recolha-as para que o animal não tenha acesso.

    Algumas soluções práticas incluem:

    • Cercar as mangueiras durante a época de produção
    • Recolher diariamente as frutas caídas no chão
    • Picar as mangas antes de oferecer aos animais (se for o caso de usar como suplemento controlado)
    • Monitorar o comportamento do rebanho próximo às árvores frutíferas
    • Consultar um veterinário ao primeiro sinal de timpanismo ou desconforto abdominal

    Sinais de alerta: quando buscar ajuda veterinária

    Pecuaristas devem ficar atentos a sinais de timpanismo:

    • Aumento visível na região do abdômen (especialmente flanco esquerdo)
    • Animal para de se alimentar repentinamente
    • Demonstra dor abdominal (escoiceando a região ventral)
    • Dificuldade respiratória
    • Inquietação e desconforto

    Nesses casos, é necessário intervenção imediata para evitar a morte do animal.

    A lição por trás do vídeo viral

    Aquela vaca se equilibrando nas patas traseiras pra pegar manga pode parecer engraçada, mas conta uma história importante sobre instintos, adaptação e os riscos silenciosos da convivência entre criação animal e árvores frutíferas.

    O comportamento em si, de se erguer nas patas traseiras, não é necessariamente problemático. É parte da capacidade adaptativa dos bovinos. O problema real está no que eles estão tentando alcançar e nos riscos associados.

    Como sempre na pecuária, conhecimento é poder. Entender os comportamentos naturais dos animais e os perigos potenciais permite ao produtor tomar decisões informadas que protegem tanto o bem-estar do rebanho quanto a rentabilidade da atividade.

    Então da próxima vez que você ver um vídeo desses, pode até sorrir. Mas lembre-se de compartilhar também a informação: mangueira no pasto precisa de atenção. Afinal, prevenir sempre foi melhor que remediar.

  • Abate de bovinos cresce 7% no Brasil e impulsiona produção pecuária

    Abate de bovinos cresce 7% no Brasil e impulsiona produção pecuária

    O setor pecuário brasileiro encerrou o terceiro trimestre de 2025 com resultados robustos em todas as categorias. Os frigoríficos abateram 11,23 milhões de cabeças de bovinos entre julho e setembro, número que representa crescimento de 7% comparado ao mesmo período de 2024. Na comparação trimestral, o avanço chegou a 6,7% em relação ao segundo trimestre deste ano.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (12) os primeiros resultados das Estatísticas da Produção Pecuária, que também mostram desempenho positivo nos abates de suínos e frangos. A indústria processou 15,80 milhões de cabeças de suínos no período, alta de 5,3% na comparação anual e de 4,7% no cotejo trimestral.

    A indústria frigorífica produziu 2,95 milhões de toneladas de carcaças bovinas no terceiro trimestre, volume 6,1% superior ao registrado no mesmo período de 2024. O destaque fica para a comparação trimestral, que aponta crescimento de 10,9% em relação aos três meses anteriores.

    Os dados incluem apenas animais abatidos sob algum tipo de inspeção sanitária, garantindo os padrões de qualidade exigidos para comercialização.

    Setor de aves mantém trajetória de crescimento

    O segmento avícola confirmou o bom momento do setor. Os abatedouros processaram 1,69 bilhão de cabeças de frangos no trimestre, resultado 2,8% superior ao do terceiro trimestre de 2024 e 3% acima do segundo trimestre deste ano.

    A produção de carcaças de frango alcançou 3,59 milhões de toneladas, com incrementos de 3% na comparação anual e de 1% no confronto trimestral.

    Suinocultura apresenta avanço de 5,3% no ano

    O abate de suínos totalizou 15,80 milhões de cabeças, consolidando alta de 5,3% em doze meses. A produção de carcaças atingiu 1,49 milhão de toneladas, crescimento de 6,1% na comparação anual e de 4,7% em relação ao trimestre anterior.

    Captação de leite cru bate recorde com alta de 10,3%

    Os laticínios sob inspeção sanitária adquiriram 7,01 bilhões de litros de leite cru no terceiro trimestre, volume 10,3% maior que o registrado no mesmo período de 2024. O crescimento trimestral também impressiona: 7,5% acima do segundo trimestre.

    Este resultado marca um dos melhores desempenhos do setor leiteiro nos últimos anos, refletindo tanto o aumento da produção quanto a recuperação da atividade industrial.

    Os curtumes monitorados pela Pesquisa Trimestral do Couro, estabelecimentos que processam pelo menos 5 mil unidades de couro cru bovino por ano, receberam 11,44 milhões de peças inteiras no terceiro trimestre. O volume representa crescimento de 8,4% em relação a 2024 e de 6,5% na comparação com o trimestre anterior.

    Produção de ovos registra leve queda trimestral

    A produção de ovos de galinha alcançou 1,23 bilhão de dúzias no período, avanço de 2,3% em doze meses. Entretanto, o setor registrou recuo de 0,8% em relação ao segundo trimestre de 2025, única categoria com resultado negativo na comparação sequencial.

    O IBGE realiza trimestralmente quatro pesquisas oficiais sobre a conjuntura agropecuária: Abate de Animais, Leite, Couro e Produção de Ovos de Galinha. Desde 2018, o instituto disponibiliza resultados preliminares cerca de um mês antes da divulgação completa.

    Os dados detalhados estarão disponíveis no periódico Indicadores IBGE: Estatística da Produção Pecuária em 10 de dezembro. As informações podem ser consultadas no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).

  • Ministério pede suspensão de vacina após mais de 100 mortes

    Ministério pede suspensão de vacina após mais de 100 mortes

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou a suspensão imediata do uso da vacina Excell 10, dos lotes 016/2024 e 018/2024, após mais de 100 mortes repentinas de bovinos, caprinos e ovinos nos municípios de Simões e Curral Novo do Piauí, além de registros em outras cidades do estado e em outros estados do Nordeste, como Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão. A medida vale também para os casos em que o imunizante já havia sido adquirido antes da suspensão.

    A Dechra Brasil fabrica a vacina para prevenir a clostridiose, um conjunto de doenças provocadas por bactérias do gênero Clostridium, comuns no ambiente e no trato intestinal dos animais, que podem causar morte súbita nos rebanhos. Os sintomas relatados pelos produtores incluem edema no local da aplicação, febre transitória e apatia. E os casos de morte começaram a ser notificados cerca de dez dias após a vacinação.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O caso está sendo investigado em conjunto pelo Ministério da Agricultura, a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) e a Universidade Federal do Piauí (UFPI). Também com apoio da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e de laboratórios em São Paulo. As equipes coletaram amostras dos animais mortos para analisar se a vacina está diretamente relacionada às mortes e verificar possíveis falhas no processo de fabricação, armazenagem ou aplicação do produto. Os responsáveis pelas investigações devem divulgar os resultados em até 30 dias.

    A Dechra Brasil divulgou nota informando que está colaborando com as investigações e, de forma preventiva, suspendeu a distribuição dos lotes identificados. A empresa reafirmou seu compromisso com a qualidade, eficácia e segurança dos seus produtos, garantindo que as análises detalhadas continuarão até a conclusão do caso.

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    Além do Piauí, foram confirmados relatos de mortes de animais imunizados com os mesmos lotes da vacina em outros estados nordestinos. Incluindo Sergipe, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará, totalizando mais de 500 animais mortos, segundo informações recentes. A maioria dos produtores afetados são agricultores familiares que dependem economicamente dos rebanhos, o que agrava o impacto socioeconômico da situação.

    O Ministério da Agricultura orienta os produtores e revendedores a interromperem o uso e comercialização das vacinas dos lotes 016/2024 e 018/2024. E também comunicarem quaisquer novos casos suspeitos pelo canal FalaBR. Até o momento, não foram registrados problemas em outros lotes da vacina.

    “Neste momento o Mapa está dedicado e atuando de forma coordenada e integrada com os órgãos estaduais de defesa sanitária para confirmar a causa dos óbitos dos animais e adotar todas as medidas necessárias para proteção da produção pecuária”, destacou o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

    Nota oficial

    Em nota oficial publicada na noite desta quinta-feira, o MAPA fez um histórico com a ordem cronológica das ações do Ministério da Agricultura e Pecuária:

    • Após avaliação do caso, o Mapa, em 13 de agosto de 2025, iniciou o processo de fiscalização, solicitando à empresa relatórios de farmacovigilância do produto suspeito.
    • Em 14 de agosto de 2025, foi realizada fiscalização no laboratório fabricante, em Londrina (PR), com levantamento das notificações do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), além da verificação do processo de fabricação e do controle de qualidade da vacina.
    • No dia seguinte foi emitida ordem de apreensão cautelar das frações dos lotes 016/2024 e 018/2024 da vacina EXCELL 10 na distribuidora que comercializou unidades da vacina associadas à notificação da ADAPI. De forma complementar, o Mapa solicitou à fabricante o painel de distribuição da vacina em todo o país. Na mesma data, 15 de agosto, a empresa encaminhou comunicado aos distribuidores e lojistas para que fossem interrompidas as vendas dos lotes 016/2024 e 018/2024 da vacina EXCELL 10.
    • Três dias depois, em 18 de agosto, o Mapa iniciou a apreensão dos lotes na distribuidora localizada em Teresina (PI), coletando amostras para análise fiscal em laboratório da rede oficial. Após avaliação dos dados de distribuição, a ordem de apreensão foi estendida a todos os estados em 19 de agosto.
    • Na sequência, em 20 de agosto, a empresa emitiu comunicado oficial de recolhimento dos lotes 016/2024 e 018/2024, direcionado a distribuidores, médicos-veterinários e lojistas.

    Mortes notificadas

    Até o momento, foram notificados ao Mapa os óbitos de 194 ovinos, 4 caprinos e 1 bovino. As ações de fiscalização e investigação seguem em andamento, por meio de inspeções no estabelecimento fabricante/proprietário, e realização de testes em amostras dos lotes da vacina e dos animais que vieram a óbito. A estimativa inicial de conclusão do processo de investigação é de 60 dias.

    O Mapa esclarece que a clostridiose é uma doença fatal causada por toxinas de bactérias do gênero Clostridium spp., apresentando sintomas como inchaço muscular, manqueira, incoordenação motora e, em casos graves, rigidez muscular, tremores, trismo, opistótono (arqueamento do corpo com cabeça para trás) e convulsões.

    A vacinação continua sendo considerada uma estratégia eficaz no combate à clostridiose. O Ministério ressalta, ainda, que o consumo de produtos de origem caprina, ovina e bovina provenientes de animais saudáveis e inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial é seguro.

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  • Bahia acelera implantação de sistema de rastreabilidade bovina

    Bahia acelera implantação de sistema de rastreabilidade bovina

    A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) reuniu-se nesta segunda-feira (7) com representantes da Associação Baiana de Pecuária (Acrioeste). O objetivo foi discutir o fortalecimento do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos no estado.

    Durante o encontro, os participantes propuseram a criação de uma comissão técnica multidisciplinar. A comissão acompanhará o projeto piloto que a Seagri desenvolve em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).

    A iniciativa modernizará a cadeia produtiva bovina e bubalinocultura baiana. O projeto também promoverá mais tecnologia, segurança e sustentabilidade ao setor agropecuário.

    Alinhamento com plano federal

    O projeto baiano está alinhado ao Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A implementação será gradual e ocorrerá ao longo dos próximos sete anos. Entre 2024 e 2026, será construída a base de dados nacional. Entre 2027 e 2029, terá início a identificação individual dos animais, com a previsão de atingir todo o rebanho até 2032.

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, lançou em dezembro de 2024 o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, que prevê a brincagem obrigatória de bovinos e bubalinos em todo o território nacional.

    Estado busca referência nacional

    O secretário da Agricultura, Pablo Barrozo, destacou o avanço estratégico da iniciativa. “Já somos reconhecidos como Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação. Agora, damos mais um passo rumo à excelência sanitária e produtiva”, afirmou.

    Barrozo complementou: “Queremos colocar a Bahia entre os estados referência em identificação individual animal no país”.

    O presidente da Acrioeste, Gill Machado, considera essencial o diálogo com o governo. “A aproximação com a Seagri é um passo importante para impulsionar projetos que contribuam com o desenvolvimento da pecuária baiana”, declarou.

    Machado enfatizou a conscientização do setor. “A pecuária está cada vez mais consciente da importância da identificação individual para alcançar a rastreabilidade no futuro. O apoio técnico é fundamental para avançarmos”, disse.

    Participantes do encontro

    O encontro contou com a presença de representantes técnicos de diversas instituições. Participaram o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Adriano Bouzas, e o diretor de Defesa Sanitária Animal da Adab, Carlos Augusto.

    Também estiveram presentes o vice-presidente da Acrioeste, Stefan Zembrod, e o gerente de Sustentabilidade da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Eneas Porto. Técnicos e especialistas das instituições envolvidas completaram o grupo.

    A agropecuária baiana exerce papel essencial no crescimento econômico, representando cerca de 25% do PIB do estado, empregando 1/3 da população ativa e sendo responsável por aproximadamente 50% das exportações baianas.

    O sistema de rastreabilidade permitirá maior controle sanitário do rebanho. A medida também atenderá às demandas por segurança alimentar e facilitará o acesso a novos mercados internacionais.

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  • Pecuaristas do Sul de Minas investem em  fertilização in vitro

    Pecuaristas do Sul de Minas investem em fertilização in vitro

    Pecuaristas de leite dos municípios de Santa Rita de Caldas, Caldas, Ipuiúna e Senador José Bento, no Sul de Minas Gerais, estão investindo em fertilização in vitro (FIV) para aprimorar geneticamente seus rebanhos. A iniciativa já beneficia mais de 30 produtores da região. E é resultado de uma parceria entre Emater-MG, Sebrae Minas e prefeituras locais, e tem impulsionado o aumento do rebanho e da produtividade leiteira.

    A fertilização in vitro é uma biotecnologia de reprodução que coleta óvulos de vacas selecionadas e os fecunda em laboratório com sêmen de touros de alta qualidade genética. Em seguida, técnicos transferem os embriões resultantes para vacas receptoras, o que acelera o melhoramento genético do rebanho.

    Segundo Rodrigo Beck Júnior, coordenador técnico regional de Pecuária da Emater-MG, a técnica é eficiente, mas exige alto investimento. Para facilitar o acesso dos pequenos produtores, o programa Sebraetec FIV, do Sebrae Minas, subsidia 70% do custo da transferência de embriões, enquanto o restante é pago pelo produtor. A Emater-MG atua na mobilização, orientação técnica e acompanhamento dos processos, desde a gestação até o nascimento dos bezerros.

    Resultados práticos: mais produtividade e sustentabilidade

    O produtor Eliton Ferreira Silva é um dos beneficiados pelo programa. Ele realizou o sonho de criar um rebanho girolando, predominantemente de animais meio-sangue, graças ao acesso facilitado à FIV. “O resultado foi excelente, aumentei muito a minha produção. Os animais são mais resistentes a doenças e mais férteis”, comemora. Atualmente, Eliton possui mais de 100 cabeças, sendo 57 provenientes da fertilização in vitro, e pretende continuar investindo na tecnologia para expandir sua produção de leite.

    Entre as vantagens do melhoramento genético via FIV estão o rápido avanço do padrão racial e a valorização financeira do rebanho. Além da maior eficiência produtiva e menor impacto ambiental. “É possível aumentar a produção com menos animais, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, a necessidade de áreas para pastagem, o volume de dejetos e o consumo de água”, explica Rodrigo Beck.

    Expansão do programa e impacto regional

    De acordo com Ivan Figueiredo, analista técnico do Sebrae Minas, o programa Sebraetec FIV, iniciado em 2019, já atende tanto pecuaristas de leite quanto de corte. A expectativa é ampliar a iniciativa para outros municípios, como Jacutinga, São Pedro da União e Guaranésia. E assim, promover uma pecuária mais sustentável, competitiva e rentável em toda a região.

    Para participar do programa, o produtor precisa apresentar documentos pessoais, inscrição de produtor rural e ter ao menos 10 animais aptos ao protocolo reprodutivo. E cadastrar-se no escritório local da Emater-MG.

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  • Árvores ajudam a neutralizar metano de bovinos

    Árvores ajudam a neutralizar metano de bovinos

    Um sistema silvipastoril com eucaliptos neutralizou o metano emitido por mais de dois bovinos por hectare. A pesquisa foi conduzida pela Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), e publicada na revista internacional Agricultural Systems.

    Os pesquisadores avaliaram a emissão de metano entérico de bovinos de corte e o sequestro de carbono feito pelas árvores. O estudo considerou o carbono armazenado apenas nos troncos destinados à produção de móveis e materiais de maior valor agregado.

    Esse modelo superou a média brasileira, que permite apenas um bovino adulto por hectare. Com árvores integradas à pastagem, o sistema suportou mais que o dobro da lotação padrão no país.

    Integração silvipastoril dobra a lotação por hectare

    O experimento comparou uma área com capim-piatã e eucaliptos à sombra com outra exposta ao sol. A medição de metano seguiu o padrão do IPCC. Já o carbono fixado pelas árvores foi calculado com base na altura e no diâmetro dos troncos.

    O metano, liberado durante a digestão dos bovinos, é um dos principais gases de efeito estufa (GEE). Ele responde por 65% das emissões agropecuárias, em CO₂ equivalente. Embora tenha vida mais curta na atmosfera que o CO₂, o metano aquece 27 vezes mais.

    Eucaliptos sequestram carbono e aliviam o calor

    As árvores realizam fotossíntese e capturam CO₂ da atmosfera, armazenando-o na biomassa. No estudo, os cientistas consideraram apenas o carbono dos troncos, mais estável e com uso industrial prolongado. A metodologia seguiu o protocolo Neutral Carbon Brazilian Beef (NCBB).

    Mesmo com lotação 256% maior que a média nacional, o sistema apresentou saldo positivo. Segundo o pesquisador José Ricardo Pezzopane, o balanço líquido foi de -14,28 Mg CO₂ eq. por hectare ao ano.

    “O sistema não só neutralizou o metano emitido pelos bovinos, como sequestrou carbono em grande volume”, afirmou Pezzopane.

    Além disso, os animais criados no sistema sombreado demonstraram maior conforto térmico. A sombra das árvores reduziu o calor, elevando o bem-estar e potencialmente a produtividade.

    “Os SSPs mitigam os efeitos climáticos ao sequestrar carbono e ajudam na adaptação ao calor, proporcionando sombra ao rebanho”, destacou Pezzopane.

    Produção sustentável com menor pegada de carbono

    Foto: Divulgação – Embrapa /Juliana Sussai

    A adoção do sistema silvipastoril pode contribuir com as metas de descarbonização da agropecuária brasileira. Também responde às exigências dos consumidores por alimentos com menor impacto ambiental.

    Mesmo com menor produção de forragem em algumas estações, o desempenho animal foi mantido. Isso se deu graças ao uso de suplementação alimentar.

    Os pesquisadores implantaram o sistema em 2011 com eucaliptos plantados a cada 2 metros em linhas com 15 metros de espaçamento. Em 2016, o desbaste aumentou o espaçamento entre árvores para 4 metros, reduzindo a densidade de 333 para 167 árvores por hectare.

    Com essa configuração, os pesquisadores estimaram que o sistema compensou 77% da emissão de metano. Isso equivale às emissões de 2,3 bovinos adultos por hectare. A lotação real registrada foi de 3,01 bovinos adultos por hectare.

    Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

    A pesquisa atende diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 13, de combate às mudanças climáticas. Também contribui para o ODS 12, ao incentivar práticas de consumo e produção responsáveis. Além disso, reforça o ODS 2, ao propor uma pecuária mais sustentável.

    Diante do aumento das temperaturas globais, garantir o conforto térmico dos animais será essencial. A presença de árvores nos pastos pode ser a solução ideal, principalmente nas horas mais quentes do dia, em regiões tropicais.

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