Tag: bovinos

  • Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Elas têm pelos longos, chifres e aparência de bicho de pelúcia. As chamadas mini vacas ganharam espaço como pets nos Estados Unidos e agora começam a mudar até a rotina de clínicas veterinárias.

    O movimento aparece principalmente em pequenas propriedades. Nesses locais, alguns bovinos deixaram de ter finalidade exclusivamente produtiva e passaram a receber cuidados semelhantes aos destinados aos animais de companhia.

    Com isso, clínicas acostumadas a cães e gatos começam a enxergar uma nova demanda. A tendência foi relatada pela Today’s Veterinary Business, publicação especializada em gestão e medicina veterinária.

    Além do potencial comercial, porém, o fenômeno exige cuidados. Especialistas alertam que tamanho reduzido não elimina as necessidades de um bovino. A seleção genética também merece atenção.

    Mini vacas começam a chegar aos consultórios

    Um dos casos relatados ocorreu no estado do Missouri. Uma bezerra Highland em miniatura apresentava uma lesão na coluna e precisava de atendimento.

    Os proprietários procuraram a Orchard Hills Veterinary Clinic em busca de uma segunda opinião. No entanto, havia uma diferença importante em relação ao manejo tradicional de bovinos destinados à produção.

    Para aquela família, a bezerra era um animal de companhia. “Este é o nosso animal de estimação. Não vamos abater o nosso pet”, disseram os proprietários durante o atendimento.

    Mini vaca em atendimento veterinário
    Foto: Todays Veterinary Business

     

    Diante da decisão, a médica-veterinária Hannah Gawf, proprietária da clínica, avaliou alternativas para tratar o animal.

    Uma das possibilidades envolvia um medicamento manipulado. Além disso, o produto poderia receber um sabor mais atrativo para facilitar sua administração.

    “Com certeza. Podemos mandar manipular um medicamento e dar a ele sabor de melaço”, afirmou Gawf à Today’s Veterinary Business.

    O caso ajuda a explicar por que algumas clínicas começam a olhar para esses bovinos de outra maneira.

    De animal de produção a pet

    Segundo Gawf, a procura por um atendimento individualizado para animais de grande porte vem crescendo. Dessa forma, os veterinários encontram proprietários dispostos a buscar alternativas que antes poderiam não fazer sentido econômico em sistemas produtivos.

    “Muitos tutores modernos estão buscando um atendimento mais compassivo e personalizado para seus animais de grande porte, em vez de uma abordagem tradicional voltada à produção”, explicou a veterinária.

    Essa mudança não envolve apenas as mini vacas. Cabras, ovelhas, aves e outros animais mantidos em pequenas propriedades também aparecem entre os novos pacientes.

    Ao mesmo tempo, nem todas as regiões possuem profissionais preparados para atender diferentes espécies. Portanto, a distância até um veterinário pode se tornar um problema para os proprietários.

    Médica veterinária com cavalos
    Foto: Todays Veterinary Business

    Nesse cenário, clínicas que ampliam os serviços conseguem atender uma demanda ainda pouco explorada.

    Highland chama atenção pela aparência

    Entre os bovinos que ganharam popularidade estão os Highlands e animais selecionados para apresentar menor porte.

    A raça Highland tem origem na Escócia. Segundo a Highland Cattle Society, entidade responsável pelo registro genealógico da raça no Reino Unido, esses bovinos se desenvolveram em condições ambientais difíceis e ficaram conhecidos pela rusticidade.

    A pelagem longa é uma de suas características mais marcantes. Além disso, os chifres ajudam a criar a aparência facilmente reconhecida nas redes sociais.

    Nos animais menores, essas características ganharam ainda mais apelo.

    Vídeos mostram bezerros sendo escovados, recebendo carinho e acompanhando seus proprietários. Consequentemente, o interesse ultrapassou o universo tradicional da pecuária.

    O crescimento já havia chamado atenção fora dos Estados Unidos. Em 2024, a emissora pública australiana ABC mostrou um criatório que registrou aumento de 30% nas vendas de Highlands em miniatura em um ano.

    Apesar da aparência, entretanto, especialistas alertam que esses animais continuam sendo bovinos.

    Mini vaca exige estrutura adequada

    O tamanho reduzido não significa que uma mini vaca possa ser criada nas mesmas condições de um cachorro.

    O animal precisa de espaço, água limpa, alimentação adequada e cercas capazes de garantir segurança. Além disso, a propriedade deve oferecer estrutura para o manejo veterinário.

    Outro ponto importante é o tamanho adulto.

    Um bezerro pequeno não necessariamente permanecerá com aquelas dimensões. Por isso, avaliar somente a aparência nos primeiros meses pode levar compradores a conclusões erradas.

    Nesse sentido, conhecer os pais e o histórico do animal ajuda a estimar seu desenvolvimento.

    Da mesma forma, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário continuam necessários. O manejo também deve considerar idade, condição corporal, alimentação e ambiente.

    Genética das mini vacas preocupa especialistas

    Além dos cuidados de rotina, a popularidade dos bovinos menores trouxe uma discussão sobre genética.

    A professora Imke Tammen, da Sydney School of Veterinary Science, da Universidade de Sydney, alertou para variantes genéticas associadas à condrodisplasia em alguns bovinos comercializados como miniatura.

    A condrodisplasia afeta o desenvolvimento de cartilagens e ossos. Portanto, dependendo da variante genética e do cruzamento realizado, podem surgir problemas importantes para a saúde dos animais.

    “Se um animal herdar duas cópias do gene, isso resulta em uma manifestação muito mais grave, e eles frequentemente nascem mortos”, explicou Tammen à ABC.

    Por isso, a procedência ganha importância no momento da compra.

    Criadores responsáveis precisam acompanhar características genéticas e evitar cruzamentos que aumentem o risco de problemas hereditários. Além disso, selecionar animais apenas pelo menor tamanho pode comprometer o bem-estar.

  • Embrapa descobre nova bactéria ligada a doença em bovinos

    Embrapa descobre nova bactéria ligada a doença em bovinos

    Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico (IB), identificaram uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB).

    Conhecida entre produtores como mal do olho, doença do olho gordo ou pinkeye, a enfermidade afeta principalmente bovinos jovens e pode comprometer a visão dos animais.

    A nova espécie foi denominada Moraxella tarda e foi isolada da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais iniciais da doença.

    Nova espécie de bactéria foi identificada em bovinos

    A pesquisa envolveu equipes da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Gado de Leite e Embrapa Gado de Corte.

    As coletas foram realizadas em campo, na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. Depois, as amostras foram encaminhadas para análises em laboratórios das unidades de Gado de Leite, em Minas Gerais, e Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

    Segundo os pesquisadores, o trabalho começou em 2018, com as primeiras coletas realizadas em campo.

    “Essa conquista reflete uma jornada que começou em 2018 com as coletas em campo. O depósito nessas coleções valida definitivamente Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos”, afirma a pesquisadora Marta Martins, autora correspondente da publicação.

    Ainda de acordo com a pesquisadora, a descoberta foi resultado da cooperação entre as equipes e instituições envolvidas no estudo.

    Bactéria tem características genéticas próprias

    As amostras passaram por análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas para determinar as características do microrganismo.

    O processo permitiu diferenciar a nova espécie de outras bactérias do gênero Moraxella já associadas à enfermidade, como M. bovis e M. bovoculi.

    O sequenciamento completo do genoma indicou que a bactéria possui identidade genética própria, característica utilizada pelos pesquisadores para sua classificação.

    Para que a descoberta fosse reconhecida internacionalmente, também foram seguidos os critérios taxonômicos necessários para a descrição de uma nova espécie bacteriana.

    Amostras foram depositadas em coleções microbiológicas

    Parte das amostras de Moraxella tarda foi depositada em coleções microbiológicas da Bélgica, de Portugal e do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

    Esse depósito faz parte do processo necessário para a validação científica de uma nova espécie bacteriana.

    O procedimento também permite que o microrganismo fique disponível para futuras pesquisas e análises científicas.

    A escolha do nome

    O nome Moraxella tarda está relacionado ao comportamento da bactéria durante o crescimento em laboratório.

    Segundo os pesquisadores, outras espécies do gênero costumam formar colônias em aproximadamente 24 horas. Já o novo microrganismo leva cerca de 48 horas para apresentar crescimento visível.

    A característica chamou a atenção da equipe durante as análises e levou à realização de investigações adicionais, que confirmaram tratar-se de uma espécie inédita.

    Descoberta pode ajudar no controle da doença

    A identificação da bactéria amplia o conhecimento científico sobre a ceratoconjuntivite infecciosa bovina e pode contribuir para novas pesquisas relacionadas ao diagnóstico, à prevenção e ao controle da enfermidade.

    O pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso, um dos autores do trabalho, destaca que a descoberta pode contribuir para estudos envolvendo diferentes estratégias de controle.

    Segundo ele, o conhecimento sobre o microrganismo pode ser importante para o desenvolvimento de vacinas polivalentes, além de estratégias como seleção de animais mais resistentes e medidas de manejo.

    A descoberta, portanto, não significa que exista atualmente uma vacina específica disponível contra a nova espécie. Ela representa uma nova informação científica que pode subsidiar pesquisas futuras.

    O que é a ceratoconjuntivite infecciosa bovina?

    A ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB) é uma enfermidade ocular que afeta bovinos, principalmente bezerros e animais de raças europeias, também chamadas de taurinas.

    Entre os principais sinais estão:

    • inflamação nos olhos;
    • dor;
    • lacrimejamento;
    • lesões e úlceras na córnea;
    • comprometimento da visão.

    Em casos mais graves, a enfermidade pode provocar perda parcial ou total da visão.

    Além dos impactos sobre o bem-estar dos animais, a doença também pode trazer consequências para a produtividade do rebanho. A dor contínua tende a reduzir o apetite e o ganho de peso.

    O tratamento também exige manejo frequente dos animais, aumentando o trabalho necessário dentro da propriedade rural.

  • Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Um novo caso de raiva bovina foi confirmado em Santa Catarina. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), o animal que morreu e teve diagnóstico positivo para a doença estava na mesma propriedade rural de Itapiranga, na região Oeste do Estado, onde um foco já havia sido registrado em julho.

    Com a nova ocorrência, o número de mortes de animais provocadas pela enfermidade em Santa Catarina em 2026 subiu para 27. O caso reforçou o alerta das autoridades sanitárias para que os pecuaristas vacinem os rebanhos e monitorem a presença de morcegos hematófagos, principais transmissores do vírus.

    Onde os casos foram registrados

    Os municípios catarinenses com ocorrências confirmadas de raiva bovina em 2026 são Pescaria Brava, com seis casos, e Chapecó, com quatro. Orleans registrou três ocorrências, enquanto Angelina, Gravatal e Itapiranga somam dois casos cada.

    Já Apiúna, Bocaína do Sul, Caçador, Criciúma, Indaial, Major Gercino, São Francisco do Sul e São José do Cedro tiveram um caso confirmado cada um.

    Doença sem cura também atinge humanos

    A raiva bovina, também chamada de raiva dos herbívoros, é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central e não tem cura.

    Os bovinos não são os únicos animais de produção envolvidos no ciclo da doença: equinos, ovinos, caprinos e suínos, além de animais silvestres e seres humanos, também podem ser acometidos pela enfermidade.

    Como o vírus é transmitido?

    O transmissor da raiva bovina é o Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro. O animal transmite o vírus por meio da saliva durante a mordida, quando tenta se alimentar do sangue do hospedeiro. Depois da infecção, o período de incubação costuma variar entre 30 e 90 dias.

    Portanto, a principal medida de prevenção continua sendo a vacinação dos rebanhos. A Cidasc também orienta os produtores a observarem possíveis abrigos de morcegos hematófagos, como troncos ocos de árvores, cavernas, telhados e casas abandonada.

    Sintomas que merecem atenção

    Entre os principais sinais da raiva bovina em animais infectados estão a mudança de comportamento e a perda de apetite, seguidas de salivação excessiva e falta de coordenação motora. Em estágios mais avançados, o animal costuma apresentar fraqueza generalizada e dificuldade para se levantar.

    Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é isolar o animal suspeito e acionar imediatamente a Cidasc ou o serviço veterinário local.

  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Wagyu: carne de luxo ficou famosa por receber massagem e até cerveja

    Wagyu: carne de luxo ficou famosa por receber massagem e até cerveja

    A carne wagyu é considerada uma das mais valorizadas do mundo e pode ultrapassar R$ 1.000 por quilo em cortes especiais vendidos no Brasil. Originária do Japão, a raça bovina ficou famosa pelo alto grau de marmoreio, característica que garante maciez, suculência e sabor diferenciados.

    Ao longo dos anos, diversas curiosidades passaram a cercar esses animais, incluindo a ideia de que recebiam massagens e até cerveja durante a criação. Mas será que isso realmente acontece?

    Wagyu recebe massagens e cerveja

    A fama de que os bois wagyu recebem tratamentos especiais surgiu no Japão há décadas.

    Na época, alguns criadores utilizavam massagens para estimular o bem-estar dos animais e ofereciam pequenas quantidades de cerveja durante períodos de calor intenso, acreditando que isso poderia estimular o apetite.

    No entanto, essas práticas não fazem parte da criação moderna da maioria das fazendas.

    Segundo Daniel Steinbruch, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu), não há comprovação científica de que massagens ou cerveja sejam responsáveis pela qualidade da carne.

    O principal diferencial do wagyu está na genética da raça e no manejo nutricional.

    O segredo da carne está no marmoreio

    A principal característica do wagyu é o intenso marmoreio, nome dado à gordura distribuída entre as fibras musculares.

    Esse padrão proporciona uma carne extremamente macia, suculenta e saborosa, considerada referência no mercado de carnes premium.

    A alimentação dos animais inclui grãos ricos em amido, como milho, sorgo, trigo, arroz e cevada — Foto: ABS Global

    Quanto maior o grau de marmoreio, maior costuma ser o valor comercial dos cortes.

    No Brasil, é possível encontrar cortes como picanha, ancho, chorizo, fraldinha e contrafilé.

    Os preços variam conforme a classificação da carne e o nível de marmoreio.

    Como a raça surgiu

    O nome wagyu significa literalmente “gado do Japão”, resultado da união das palavras japonesas wa (Japão) e gyu (gado).

    Os ancestrais da raça chegaram ao arquipélago japonês por volta do século II, vindos da Península Coreana.

    Durante séculos, esses animais permaneceram isolados no Japão.

    A partir de 1868, cruzamentos com raças europeias deram origem ao wagyu moderno. Já na década de 1970, os primeiros exemplares foram exportados para os Estados Unidos e, nos anos 1990, a raça começou a se expandir para diversos países.

    Criação no Brasil

    A criação da raça vem crescendo no país.

    Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu), o rebanho nacional conta atualmente com cerca de 5 mil animais puros e 30 mil bovinos oriundos de cruzamentos com wagyu.

    O aumento da produção acompanha o crescimento da demanda por carnes premium no mercado brasileiro.

  • Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    O diagnóstico molecular da brucelose ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira. A tecnologia acelera a identificação da doença e fortalece as ações de vigilância sanitária. Dados do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em outubro de 2025, mostram que a enfermidade ainda apresenta diferentes níveis de ocorrência entre os estados. Por isso, especialistas defendem métodos mais rápidos e precisos para ampliar o controle da doença.

    A classificação do PNCEBT considera o risco epidemiológico em cada estado. Para isso, o programa analisa a prevalência de focos e a efetividade das ações de defesa sanitária. Santa Catarina é o principal destaque. O estado registrou prevalência de apenas 0,9% dos focos e tornou-se o único do País enquadrado na categoria de menor risco para brucelose bovina e bubalina.

    Além dos prejuízos econômicos, a enfermidade preocupa por seu impacto na saúde pública. Isso ocorre porque a brucelose é uma zoonose e também pode atingir seres humanos.

    Diagnóstico molecular da brucelose amplia a precisão

    Segundo Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, o Brasil avançou nos programas de controle. No entanto, ainda existem diferenças importantes entre as regiões.

    “Embora o Brasil tenha avançado nos programas de controle da brucelose, os dados mostram que a doença ainda apresenta comportamentos distintos entre os estados. Por isso, é cada vez mais importante investir em diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de apoiar decisões sanitárias em tempo oportuno e reduzir a circulação do agente nos rebanhos”, afirma.

    A rapidez na identificação dos animais infectados faz diferença no combate à enfermidade. Quanto menor o tempo entre a coleta da amostra e o resultado do exame, mais rapidamente as equipes sanitárias conseguem agir. Dessa forma, elas isolam os animais positivos, realizam a investigação epidemiológica e evitam novos focos nas propriedades.

    Os laboratórios ainda utilizam amplamente os métodos sorológicos tradicionais. Entretanto, em algumas situações, esses exames exigem análises complementares. Como consequência, o diagnóstico pode demorar mais. Nesse cenário, o diagnóstico molecular da brucelose permite identificar diretamente o material genético da bactéria. Assim, os profissionais obtêm resultados com mais rapidez e precisão.

    Tecnologia fortalece a vigilância sanitária

    A bactéria do gênero Brucella provoca a doença e afeta principalmente bovinos e bubalinos. Entre os principais prejuízos estão abortamentos, nascimento de animais debilitados, redução das taxas de prenhez, descarte precoce de matrizes e queda da produtividade nas propriedades rurais.

    Apesar dos avanços nos programas sanitários, o MAPA aponta desafios importantes. Entre eles estão o tamanho dos rebanhos, a cobertura vacinal, os diferentes sistemas de produção e a estrutura dos serviços veterinários. Esses fatores influenciam o controle da doença em todo o País.

    Ao mesmo tempo, cresce a demanda por exames laboratoriais. Por isso, a modernização dos laboratórios tornou-se estratégica. A automação e o diagnóstico molecular da brucelose ampliam a capacidade de processamento das análises. Além disso, padronizam procedimentos e reduzem o tempo necessário para a emissão dos resultados.

    “As ferramentas moleculares e os sistemas automatizados estão transformando a rotina laboratorial ao permitir maior produtividade, padronização dos processos e rapidez na obtenção dos resultados. Isso fortalece os programas de vigilância sanitária e amplia a capacidade de resposta diante de doenças que impactam tanto a produção animal quanto a saúde pública”, destaca Tatiani.

    Por fim, especialistas avaliam que a combinação entre vacinação, monitoramento epidemiológico, fiscalização e diagnóstico molecular da brucelose fortalece o controle da enfermidade. Com isso, o setor reduz a circulação do agente infeccioso, protege os rebanhos e amplia a competitividade da pecuária brasileira.

  • Cinco vacas abandonadas viraram rebanho selvagem de 2 mil animais

    Cinco vacas abandonadas viraram rebanho selvagem de 2 mil animais

    Cinco vacas abandonadas em uma ilha remota no sul do Oceano Índico deram origem a uma das histórias mais curiosas da evolução animal. Sozinhos, cercados pelo mar e expostos a ventos incessantes, os bovinos se multiplicaram até formar uma população de quase 2 mil cabeças e retomaram comportamentos típicos de animais selvagens.

    O caso ocorreu na Ilha Amsterdã, território francês localizado a cerca de 4,4 mil quilômetros de Madagascar. Sem rios permanentes, castigada por chuvas frequentes e rajadas de vento que varrem a paisagem, a ilha parecia um lugar improvável para a sobrevivência de um rebanho. Ainda assim, os animais prosperaram.

    Agora, um estudo baseado no material genético de 18 bovinos ajuda a explicar esse fenômeno e lança luz sobre os mecanismos que permitiram a adaptação de um grupo tão pequeno de animais a um ambiente tão hostil.

    Uma aposta fracassada que mudou a história da ilha

    Os registros históricos indicam que, em 1871, um fazendeiro chamado Heurtin e sua família deixaram a Ilha da Reunião e tentaram se estabelecer na Ilha Amsterdã para criar gado. A empreitada durou apenas alguns meses.

    O isolamento, o clima adverso e as dificuldades de adaptação fizeram a família desistir do projeto e retornar. As vacas ficaram para trás. O que parecia o fim de uma experiência malsucedida acabou se tornando o início de um experimento involuntário da natureza.

    DNA revela mistura de europeus e zebus

    As análises genéticas mostraram que o rebanho era formado por descendentes de duas linhagens distintas. Cerca de 75% de sua herança genética veio de bovinos taurinos europeus, próximos ao atual gado Jersey. Os outros 25% vieram de zebus originários do Oceano Índico.

    Essa combinação ajudou a explicar o sucesso dos animais. Os ancestrais europeus já estavam adaptados a condições climáticas semelhantes às encontradas na Ilha Amsterdã. Em outras palavras, parte do caminho já estava pavimentada antes mesmo de os bovinos desembarcarem no local.

    De animais domésticos a uma sociedade selvagem

    Ao longo de poucas gerações, o gado passou por um processo conhecido como feralização, quando animais domesticados recuperam comportamentos típicos da vida selvagem.

    Os pesquisadores identificaram sinais de seleção natural em genes ligados ao sistema nervoso, indicando mudanças comportamentais profundas. Além disso, observadores descreveram grupos organizados de forma semelhante aos de grandes herbívoros selvagens, com estruturas sociais complexas, separação entre machos e fêmeas e formação de grupos reprodutivos durante determinadas épocas do ano.

    As vacas, que um dia dependeram da ação humana, reaprenderam a viver sozinhas. O mugido do curral deu lugar ao silêncio de uma população totalmente adaptada à natureza.

    Infográfico vertical mostrando a evolução das vacas abandonadas

    Nem gigantes, nem miniaturas

    Alguns cientistas, no entanto, acreditavam que os animais haviam diminuído de tamanho para sobreviver aos recursos limitados da ilha, fenômeno conhecido como nanismo insular.

    A genética, porém, contou outra história. Os animais fundadores já eram naturalmente pequenos, semelhantes ao gado Jersey e ao zebu de Madagascar. A pesquisa não encontrou evidências de redução adicional no porte dos bovinos ao longo das gerações.

    O fim de uma população única

    O fim das vacas na ilha de Amsterdã
    Foto: François Cola

    Apesar de sua relevância científica, a população foi completamente abatida em 2010.

    Ambientalistas consideravam o gado uma ameaça ao ecossistema local por causa do pisoteio da vegetação e do potencial impacto sobre espécies endêmicas, como o albatroz-de-Amsterdã e a árvore Phylica arborea.

    Os autores do estudo, porém, observam que a decisão continua cercada de controvérsias. O rebanho prestava serviços ambientais, como a redução da vegetação rasteira e a manutenção de áreas que funcionavam como barreiras naturais contra incêndios. Além disso, medidas de controle de espécies invasoras, como roedores e gatos, só começaram anos depois da eliminação das vacas.

    Uma lição para a conservação

    Para os pesquisadores, o caso da Ilha Amsterdã deixa um alerta. Antes de erradicar populações de animais introduzidos que se tornaram selvagens, é preciso compreender sua história genética e seu potencial científico.

    O destino dessas vacas mostra que a biodiversidade nem sempre cabe em definições simples de “nativa” ou “invasora”. Às vezes, ela surge de forma inesperada, cresce em silêncio e deixa perguntas que continuam ecoando muito depois de o último animal desaparecer.

  • Abate de bovinos e suínos bate recorde em 2026

    Abate de bovinos e suínos bate recorde em 2026

    O Brasil registrou recordes nos abates de bovinos e suínos no primeiro trimestre de 2026. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O país abateu 10,29 milhões de bovinos entre janeiro e março. O volume representa alta de 3,3% frente ao mesmo período de 2025. O resultado é o maior para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. Em comparação ao último trimestre de 2025, o abate recuou 6,9%.

    Ranking por estado

    Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 17,5% de participação. Na sequência aparecem São Paulo, Goiás e Pará. A produção de carcaças bovinas alcançou 2,63 milhões de toneladas. O volume cresceu 5,1% na comparação anual. Por outro lado, a produção caiu 10,3% em relação ao trimestre anterior.

    Suínos também registram recorde

    O abate de suínos atingiu 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026. O número representa crescimento de 5,5% sobre igual período do ano passado.

    O desempenho também estabeleceu um recorde para primeiros trimestres da série histórica do IBGE. Na comparação com os três meses finais de 2025, o volume apresentou leve queda de 0,1%.

    Santa Catarina manteve a liderança nacional no setor. O estado respondeu por 28,1% do total abatido. Paraná e Rio Grande do Sul aparecem na sequência, com participações de 20,9% e 17,8%, respectivamente.

    O peso acumulado das carcaças suínas chegou a 1,43 milhão de toneladas. O resultado avançou 6,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Além disso, houve aumento de 1% frente ao trimestre imediatamente anterior.

    Frangos têm segundo melhor resultado da história

    O abate de frangos somou 1,71 bilhão de aves no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou 3,6% acima do registrado no mesmo período de 2025. Na comparação trimestral, porém, ocorreu recuo de 0,5%.

    Segundo o IBGE, esse foi o segundo melhor resultado da série histórica iniciada em 1997. O recorde permanece com o quarto trimestre de 2025.

    O Paraná continuou como principal produtor nacional. O estado respondeu por 35% de todo o abate de frangos do país. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo completam a lista dos maiores participantes.

    O peso acumulado das carcaças de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas. O resultado cresceu 6,9% na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, o avanço foi de 2,2%.

     

  • Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    A pecuária brasileira pode enfrentar um novo desafio nos próximos meses. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Segundo a entidade, a possível escassez pode comprometer a oferta de sal mineral, insumo indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário dos rebanhos. O alerta é especialmente relevante para Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do país e é um dos principais polos de produção de carne do mundo.

    Insumo é fundamental para a produtividade

    A suplementação mineral desempenha papel estratégico na pecuária brasileira. Isso porque grande parte das pastagens apresenta deficiência natural de nutrientes como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    A falta desses minerais pode provocar:

    • Redução do ganho de peso;
    • Queda nas taxas de prenhez;
    • Menor desenvolvimento dos bezerros;
    • Redução da produção de leite;
    • Perda de eficiência alimentar;
    • Maior vulnerabilidade a doenças.

    Por isso, especialistas consideram a suplementação um investimento essencial para a produtividade dos rebanhos.

    Dependência externa preocupa o setor

    De acordo com a Famato, o risco de escassez resulta da combinação de fatores como a produção nacional insuficiente, a dependência de importações, restrições na oferta internacional e impactos de conflitos geopolíticos sobre as cadeias de suprimento.

    A suplementação mineral é um dos pilares da pecuária moderna

    Além disso, alguns países fornecedores têm priorizado seus mercados internos, reduzindo a disponibilidade de insumos para exportação.

    O cenário reacende uma preocupação antiga do agronegócio brasileiro: a forte dependência externa para matérias-primas consideradas estratégicas para a agricultura e a pecuária.

    Alta dos preços já afeta produtores

    Mesmo antes de um eventual desabastecimento, pecuaristas já enfrentam aumento nos custos dos suplementos minerais e concentrados utilizados na alimentação animal.

    A expectativa do mercado é de novos reajustes caso a oferta continue pressionada. O impacto tende a ser maior em sistemas intensivos e semi-intensivos, além de propriedades leiteiras que dependem de suplementação constante para manter os índices produtivos.

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a situação exige atenção imediata.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Já o vice-presidente da entidade e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte, Amarildo Merotti, destaca que a preocupação ocorre em um momento de múltiplas pressões sobre o setor.

    “O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria. Essa combinação preocupa muito”, ressaltou.

    Bezerros também podem consumir sal mineral – Foto: Nelore Kaka

    Medidas defendidas pelo setor

    Diante do cenário, a Famato defende ações emergenciais para ampliar a disponibilidade dos insumos e reduzir custos ao produtor.

    Entre as propostas estão:

    • Redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre;
    • Diminuição da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal;
    • Agilização dos processos alfandegários;
    • Ampliação das relações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia.

    Impactos podem chegar ao consumidor

    Caso o abastecimento seja comprometido, os reflexos podem atingir toda a cadeia pecuária.

    Entre os principais efeitos esperados estão o aumento dos custos de produção, menor eficiência dos sistemas pecuários, redução do ganho de peso dos animais e pressão sobre a rentabilidade dos produtores.

    Além disso, o setor avalia que a escassez pode gerar impactos nos preços da carne bovina e do leite ao consumidor.

    Para a Famato, o episódio reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos estratégicos e acelerar iniciativas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, que busca reduzir a dependência externa e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

  • Frente fria provoca morte de 83 bovinos em Mato Grosso do Sul

    Frente fria provoca morte de 83 bovinos em Mato Grosso do Sul

    A primeira frente fria de 2026 já trouxe prejuízos para produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), cinco propriedades registraram mortes de bovinos por hipotermia, totalizando 83 animais mortos neste mês.

    De acordo com o diretor-presidente da instituição, Daniel Ingold, o problema ocorre quando há uma queda brusca de temperatura acompanhada de chuva, garoa e ventos fortes em poucas horas.

    “Em poucas horas, a temperatura pode cair de 32 °C para 5 °C. Nessas condições, os animais mais vulneráveis são aqueles que já estão debilitados, magros ou estressados, como bois que passaram por transporte recentemente”, explica.

    Segundo Ingold, esses animais ficam mais suscetíveis à hipotermia, principalmente em regiões abertas do Pantanal, onde há pouca vegetação para servir de abrigo contra o vento gelado.

    “Nessa região existem grandes áreas abertas, sem mata ou vegetação para servir de abrigo. Com isso, o animal fica totalmente exposto ao vento gelado, e a sensação térmica acaba sendo muito menor do que a temperatura registrada”, afirma.

    Mortes já ocorreram em outros anos

    O diretor-presidente da Iagro destaca que episódios semelhantes já foram registrados anteriormente no Estado. Em 2010, cerca de 5 mil bovinos morreram em decorrência do frio. Já em 2023, o número chegou a aproximadamente 3 mil animais.

    Neste ano, porém, as notificações somam 83 mortes até o momento.

    “Não dá para dizer que isso é normal, mas também não é algo inédito. O cenário de 2023, por exemplo, foi muito mais grave e chegou a configurar uma emergência sanitária”, diz Ingold.

    Segundo ele, um único produtor da região de Corumbá perdeu 386 cabeças de gado em 2023.

    Manejo adequado pode reduzir prejuízos

    Para minimizar as perdas, a Iagro recomenda reforçar o manejo do rebanho durante períodos de frio intenso. A orientação é manter os animais mais frágeis em áreas protegidas e evitar locais abertos ou próximos de rios e córregos, onde a sensação térmica costuma ser menor.

    Além disso, a suplementação alimentar também ajuda a fortalecer o gado, especialmente porque o frio reduz a qualidade das pastagens e aumenta o déficit nutricional dos animais.

    “Muitas vezes o animal simplesmente deita e morre”, alerta Ingold ao explicar que a hipotermia pode agir rapidamente e sem sinais clínicos evidentes.

    O diretor também afirma que a tecnologia permite prever a chegada das massas de ar frio, o que ajuda os produtores a se prepararem com antecedência.

    Iagro monitora casos para descartar doenças

    Sempre que ocorre uma mortalidade elevada, equipes da Iagro visitam as propriedades para confirmar se a causa das mortes foi realmente hipotermia ou alguma enfermidade.

    Segundo Ingold, o monitoramento é essencial porque Mato Grosso do Sul possui status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação, condição importante para o mercado internacional.

    Ele reforça ainda que os produtores devem comunicar imediatamente os casos à agência para facilitar o acompanhamento e a orientação técnica.