Tag: BNDES

  • Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir R$ 100 milhões em estudos que fundamentarão um plano nacional para enfrentar desastres naturais no Brasil. A instituição financeira formalizou na sexta-feira (7) um protocolo de intenções com a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para desenvolver essa cooperação estratégica.

    A solenidade aconteceu em Belém, no interior do navio Atlântico, atracado no porto da capital paraense. O evento também prestou homenagem ao militar português Pedro Teixeira, figura histórica do período colonial que liderou a primeira expedição fluvial subindo o rio Amazonas e contribuiu decisivamente para estabelecer as fronteiras atuais no norte do país.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a diretora do Cemaden, Regina Célia Alvalá, e a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participaram da cerimônia.

    Brasil enfrenta aumento de desastres climáticos

    O navio Atlântico, conhecido informalmente como Gigante da Marinha, servirá como base de operações das Forças Armadas durante a COP30. A embarcação executa tarefas de controle de áreas marítimas e missões humanitárias, incluindo o auxílio a vítimas de desastres naturais.

    O protocolo responde ao crescimento na frequência e intensidade de desastres no país nos últimos anos, especialmente aqueles associados às mudanças climáticas. Esses eventos ameaçam vidas e causam perdas significativas ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro. As instituições unem esforços técnicos, científicos e institucionais para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, monitoramento e resposta.

    “Desastres extremos ocorrem com cada vez mais frequência e intensidade. Desenvolvemos esforços de prevenção, com programa de descarbonização e outras iniciativas. Mas também precisamos nos preparar para a resposta: salvar vidas em primeiro lugar e recuperar as estruturas, as comunicações, a economia”, afirma Mercadante.

    Experiência do Rio Grande do Sul inspira plano nacional

    O presidente do BNDES destacou a atuação da instituição após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio de 2024. “Recuperamos a economia gaúcha. O Rio Grande do Sul cresceu 4,9% em 2024, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. O estado cresceu mais porque o acesso ao crédito que liberamos impediu que empresas quebrassem e que ocorresse desemprego em massa. Precisamos estudar essas experiências e criar um plano nacional para enfrentar desastres naturais”, declarou.

    Foto: Rafael Silva / BNDES

    Mercadante projeta que os estudos subsidiarão a conclusão do plano nacional até outubro de 2025. O documento indicará caminhos para adaptação e reconstrução em situações extremas. “O Estado precisa chegar com ciência e pesquisa. Como responder à urgência e emergência? Quais providências tomar? Como chegar nas regiões afetadas? Além de salvar vidas, o que reconstruir? Comunicação, infraestrutura? Como recuperar melhor? Qual o tamanho do investimento necessário? Precisamos estudar isso para as áreas mais críticas”, explicou.

    Cada instituição contribui com sua expertise

    O protocolo valoriza as vocações específicas de cada instituição. A Marinha do Brasil oferece seu conhecimento e experiência como braço operacional do Estado, por meio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil. O Cemaden, vinculado ao MCTI, contribui com sua experiência no monitoramento de desastres e na modelagem de dados preditivos. O BNDES aporta sua capacidade técnica e financeira para construir soluções emergenciais e viabilizar ações conjuntas.

    As três instituições iniciarão a formação de uma rede que poderá expandir futuramente e agregar institutos de pesquisas, especialistas em proteção civil e representantes do setor produtivo.

    O Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, considera que o protocolo reforça o compromisso brasileiro com o fortalecimento da resiliência nacional diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”, destacou.

    Mudanças climáticas exigem resposta coordenada

    A ministra Luciana Santos considera a atuação coordenada fundamental para o sucesso na execução de políticas públicas. Segundo ela, as mudanças climáticas já intensificam as chuvas, tornam as enchentes mais frequentes e agravam as ondas de calor, atingindo sobretudo as comunidades vulneráveis. “Só com pesquisa, ferramentas adequadas e conhecimento aplicado teremos respostas realmente efetivas diante desse cenário”, completou.

    Regina Célia Alvalá destacou que o Cemaden acumula quase 15 anos de experiência e emite alertas de desastres com bastante antecedência. Para ela, a soma de esforços resultará em ampliação do conhecimento e inovações tecnológicas. “Fazemos parte dessa parceria com muita alegria. Esperamos avançar ainda mais, sempre com o objetivo de salvaguardar vidas e contribuir para que o meio ambiente sofra menos impactos”, disse a diretora do Cemaden.

    O protocolo também busca contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, estabelecidos na Agenda 2030, e reforçar as ações brasileiras como signatário do Marco de Sendai, criado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR).

    Homenagem a Pedro Teixeira Resgata história da soberania amazônica

    A cerimônia homenageou Pedro Teixeira, militar português do período colonial que participou da fundação de Belém, onde viveu e morreu. Suas expedições fluviais contribuíram para a incorporação da Amazônia ao território nacional. O BNDES entregou ao Comando da Marinha uma placa de metal em reconhecimento ao legado do militar.

    O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, participou da homenagem e anunciou a criação de uma comissão de estudos sobre a história de Pedro Teixeira. “É uma honra muito grande colocar a universidade à disposição do Brasil para desenvolver pesquisas e reflexões sobre esse país”, declarou.

    Pedro Teixeira atuou contra incursões de franceses, ingleses e holandeses na região. Com apoio de índios tupinambás, construiu uma estrada ligando Belém ao Maranhão e abriu caminhos que fortaleceram a ocupação e defesa do território. Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei do senador Beto Faro (PT-PA) que propõe reconhecer o legado de Pedro Teixeira e incluir seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

    A expedição mais memorável conduzida por Teixeira durou mais de dois anos e começou em 1637. Com cerca de 50 grandes canoas, 70 soldados e mais de 1,2 mil indígenas, subiu o Rio Amazonas e o Rio Negro em uma façanha sem precedentes para sua época.

    “No início do século 20, defendiam que a Amazônia é patrimônio da humanidade e que os brasileiros não têm condição de administrá-la. Defendiam a internacionalização da gestão da Amazônia. E nós respondemos: a Amazônia é reconhecidamente brasileira. Muito do fato de ela ser brasileira se deve a Pedro Teixeira”, afirmou Mercadante.

  • BNDES libera R$ 300 milhões para ampliar usina de milho em Goiás

    BNDES libera R$ 300 milhões para ampliar usina de milho em Goiás

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 300 milhões para ampliar a usina de milho da Neomille S.A. localizada em Chapadão do Céu (GO). O aporte permitirá aumentar a capacidade de produção de etanol de milho para até 527 mil metros cúbicos por safra.

    Além disso, a unidade ampliará a fabricação de DDGS (grãos secos com solúveis), usado na nutrição animal, para até 265 mil toneladas por safra. E de óleo de milho para 21 mil toneladas.

    A Neomille estima que o projeto evitará a emissão anual de 101 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). E assim, contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa. Com a expansão, a empresa prevê gerar 91 empregos permanentes, entre diretos e indiretos. Durante a fase de obras, poderão ser criados até 277 postos temporários indiretos.

    O BNDES destinará R$ 240 milhões do Fundo Clima e R$ 60 milhões da linha BNDES Finem Incentivada para o financiamento. Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, “o projeto reforça a Nova Indústria Brasil, política industrial do governo do presidente Lula. E apoia a transição para combustíveis mais limpos, fortalecendo as cadeias de biocombustíveis do país.”

    Aumentar a capacidade produtiva

    Renato Pretti, CEO do Grupo CerradinhoBio, controlador da Neomille, afirma que a ampliação é estratégica para aumentar a capacidade produtiva com eficiência e menor emissão de gases, alinhada à agenda energética nacional. “O apoio do BNDES torna possível avançarmos em um projeto que promove desenvolvimento regional e sustentabilidade.”

    A Neomille, que integra o Grupo CerradinhoBio e tem capital 100% nacional e aberto, produz etanol, açúcar, coprodutos do milho (DDGS e óleo) e energia elétrica. A empresa utiliza milho e cana-de-açúcar em suas operações nos municípios de Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS), e processa atualmente 1,5 milhão de toneladas de milho e 6,1 milhões de toneladas de cana.

  • Empresas atingidas por tarifaço dos EUA ganham linha de crédito de R$ 1,6 bi

    Empresas atingidas por tarifaço dos EUA ganham linha de crédito de R$ 1,6 bi

    O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$ 1,6 bilhão em crédito para ajudar empresas brasileiras afetadas pelas altas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. O objetivo principal é financiar a busca por novos mercados internacionais.

    A medida é uma resposta ágil à tarifa de 50% que o governo americano, sob o então presidente Donald Trump, aplicou a cerca de 3,8 mil produtos brasileiros a partir de 6 de agosto. Apesar de uma lista de isenções para quase 700 itens, setores importantes da pauta de exportação permaneceram sob a sobretaxa.

    Aceleração nos processos

    O banco encerrou a análise e aprovou os projetos em um tempo recorde. Enquanto o processo habitual no BNDES leva até 60 dias, as operações do “Plano Brasil Soberano” obtiveram aval em uma média de apenas 18 dias.

    Os R$ 1,6 bilhão financiaram 47 operações na linha Giro Diversificação. Os setores que mais receberam recursos foram:

    • Açúcar: R$ 220 milhões
    • Outros alimentos: R$ 249,7 milhões
    • Equipamentos elétricos: R$ 191,1 milhões
    • Café: R$ 108,9 milhões
    • Utensílios: R$ 79,5 milhões

    As exportações financiadas terão como destino países como Suíça, Reino Unido, Canadá, França, Argentina, Chile, Bolívia e Uruguai, entre outros.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a agilidade reflete o empenho da equipe em atender à determinação do presidente Lula de não deixar nenhuma empresa para trás. Mercadante também informou que o banco analisa outras 66 operações na mesma linha, que somam mais R$ 2 bilhões em projetos.

  • Cooperativas de agricultura familiar recebem R$ 60 milhões para produzir bioinsumos

    Cooperativas de agricultura familiar recebem R$ 60 milhões para produzir bioinsumos

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta terça-feira (26), durante o Semiárido Show em Petrolina (PE), o programa BNDES Bioinsumos. O projeto vai destinar até R$ 60 milhões em recursos não reembolsáveis para cooperativas da agricultura familiar. O objetivo é apoiar a produção e multiplicação de bioinsumos acessíveis e replicáveis.

    A iniciativa conta com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e apoio técnico da Embrapa. A chefe do Departamento de Inclusão Produtiva e Educação do banco, Celina Tura, apresentou o programa. O foco da chamada pública é nacional, com prioridade para as regiões Norte e Nordeste.

    O BNDES Bioinsumos vai fomentar a produção em unidades industriais ou semi-industriais. Isso facilita a transição para o uso de bioprodutos integrados a agroecossistemas, favorecendo a produção de alimentos saudáveis.

    Com este projeto, o BNDES promove a autonomia da agricultura familiar no acesso a bioinsumos. O programa considera as diferentes realidades produtivas das regiões brasileiras e busca aumentar a produção sustentável de alimentos.

    Aumentar a produção de alimentos saudáveis,

    Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, destaca que o programa reforça compromissos do governo Lula. “O BNDES Bioinsumos ajuda a aumentar a produção de alimentos saudáveis, garantindo segurança e soberania alimentar. Além disso, fortalece a geração de renda das cooperativas ao ampliar seu acesso a bioinsumos, reduzindo custos e aumentando a produtividade,” afirma.

    Bioinsumos são produtos de origem biológica, como microrganismos, predadores naturais de pragas, extratos vegetais e enzimas. Eles promovem o crescimento e a saúde de sistemas agrícolas, animais, aquícolas e florestais.

    O programa apoia várias categorias de bioinsumos, entre elas:

    • Inoculantes derivados de microrganismos isolados (fungos e bactérias)
    • Bioestimulantes à base de microrganismos (fungos e bactérias)
    • Microrganismos para controle biológico de pragas
    • Biofertilizantes feitos a partir de biomassa vegetal
    • Biofertilizantes fermentados a partir de compostos farelados
    • Insetos para controle biológico
    • Biofertilizantes produzidos por compostagem de resíduos orgânicos, desde que combinados a outro item apoiado

    Produtores interessados devem acompanhar a chamada pública para acessar os recursos e o suporte técnico.

  • BNDES tem ganho de quase R$ 1 bilhão com JBS

    BNDES tem ganho de quase R$ 1 bilhão com JBS

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quinta-feira (21) que obteve R$ 901 milhões com operações envolvendo ações da JBS no segundo trimestre de 2025. Do total, R$ 267 milhões vieram da venda de papéis, enquanto R$ 634 milhões resultaram da dupla listagem da companhia no Brasil e nos Estados Unidos.

    Lucro líquido estável no semestre

    O BNDES registrou lucro líquido de R$ 13,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, número praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a instituição destacou como efeitos não recorrentes os dividendos e juros sobre capital próprio de Petrobras e JBS, que somaram R$ 3,4 bilhões. As alienações de ações e a listagem da empresa de alimentos impulsionaram o resultado em mais R$ 900 milhões, reforçando a estratégia do banco de fomento.

    Estratégia de participação na JBS

    A subsidiária BNDESPar reduziu a participação na JBS de 20,81% para 18,18%, após a venda de 58,3 milhões de ações entre abril e maio. A operação representou a primeira grande movimentação de alienação da atual gestão e marcou o início de uma política de retomada das operações em equity. Nesse sentido, a estratégia do banco foca em aportes com critérios específicos de inovação e descarbonização, reforçando diretrizes de sustentabilidade e transparência corporativa.

    • SNA e gigante chinesa de alimentos firmam acordo
    • Preço do café atinge maior nível em três meses

    O banco também reforçou investimentos em áreas consideradas estratégicas, ampliando a presença em segmentos de bioinsumos e mobilidade aérea. Em julho, aprovou aporte de R$ 114 milhões ao Grupo Santa Clara, de Ribeirão Preto, por meio da subscrição primária de ações. Na semana passada, a BNDESPar anunciou investimento de R$ 403,5 milhões na Eve Air Mobility, passando a deter aproximadamente 4% do capital da companhia. Esses aportes sinalizam uma mudança relevante no perfil da carteira de participações.

    Carteira de participações em queda

    A carteira de participações societárias do BNDES encerrou o semestre em R$ 80,3 bilhões. Ou seja, queda de 2,1% em relação ao volume registrado em dezembro de 2024. Segundo a instituição, a redução decorreu da desvalorização de empresas não coligadas e também das alienações realizadas no período. Apesar disso, Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel permanecem como os ativos mais relevantes da carteira, representando pilares essenciais na composição do portfólio do banco de fomento.

  • BNDES dará crédito a exportadores com perdas acima de 5%

    BNDES dará crédito a exportadores com perdas acima de 5%

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou prioridade para empresas que perderam mais de 5% do faturamento bruto. O impacto decorre das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apresentou nesta sexta-feira (22) os detalhes das linhas de crédito do Plano Brasil Soberano. O programa contará com R$ 40 bilhões em financiamentos para exportadores prejudicados.

    Origem do recurso

    Do montante total, R$ 30 bilhões virão do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões dos recursos do banco. O crédito financiará capital de giro, aquisição de máquinas, adaptação produtiva e prospecção de novos mercados. Segundo Mercadante, muitas empresas perderam até 80% do faturamento de forma repentina. Ele comparou o impacto à pandemia de covid-19 e às enchentes no Rio Grande do Sul.

    • Compras públicas vão apoiar setores afetados por tarifaço dos EUA
    • Preço do café atinge maior nível em três meses

    O BNDES deve receber até 8 de setembro a lista das empresas atingidas, elaborada pelo MDIC, Receita e Serpro. Com esse calendário, as primeiras aprovações estão previstas a partir de 15 de setembro.

    Quatro linhas de crédito disponíveis

    O banco anunciou quatro modalidades de crédito:

    Capital de Giro: financiamento de gastos operacionais, com juros de 1,15% ao mês e prazo de até cinco anos.

    Giro Diversificação: busca de novos mercados, com taxa de 0,29% ao mês, acrescida de variação cambial.

    Bens de Capital: aquisição de máquinas e equipamentos, com juros de até 0,58% ao mês e carência de um ano.

    Investimento: inovação tecnológica e adaptação produtiva, com taxa igual à anterior e prazo de até dez anos.

    Nas duas últimas modalidades, cada empresa poderá contratar até R$ 150 milhões.

    Critérios para acesso ao crédito

    O cálculo das perdas considerará o período entre julho de 2024 e junho de 2025. Empresas de todos os portes que perderam mais de 5% poderão acessar a linha Giro Diversificação.

    Micro, pequenas e médias empresas terão garantia adicional pelo Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (PEAC), via Fundo Garantidor para Investimentos (FGI). Empresas que registrarem perdas superiores a 20% terão acesso às quatro linhas de crédito. Micro e pequenas companhias nesse grupo também contarão com garantias do PEAC, FGI e Fundo de Garantia de Operações (FGO).

    Em todos os casos, as empresas deverão manter o número de empregados para receber os recursos. Os critérios foram definidos pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Mercadante destacou o esforço conjunto do governo. “É um esforço fiscal, de crédito e de operação. Vamos acelerar as aprovações”, disse.

    Contexto do tarifaço

    As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros estão entre as mais elevadas da atual guerra comercial. A medida, adotada pelo governo de Donald Trump, afeta diretamente setores estratégicos da economia nacional.

  • BNDES libera R$ 40 bilhões para empresas atingidas por tarifas americanas

    BNDES libera R$ 40 bilhões para empresas atingidas por tarifas americanas

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a liberação de R$ 40 bilhões em crédito para apoiar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O Plano Brasil Soberano destinará R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos próprios do banco.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, detalhou o programa durante coletiva na sede do banco, no Rio de Janeiro. Participaram também o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, e o secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Uallace Moreira.

    As empresas que perderam mais de 5% do faturamento devido às tarifas americanas receberão prioridade no acesso ao crédito subsidiado. Mercadante explicou que o governo oferecerá linhas incentivadas de R$ 30 bilhões para essas companhias.

    “A prioridade é crédito incentivado para todas as empresas que tiveram perda abrupta da capacidade de exportação”, declarou o presidente do BNDES. As empresas beneficiadas não poderão negociar alternativas para compensar as perdas comerciais.

    Micro e pequenas empresas ganham garantias especiais

    O programa inclui apoio específico para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) através do Crédito Solidário do PEAC-FGI. O orçamento de R$ 2 bilhões poderá alavancar até R$ 20 bilhões em acesso ao crédito para esse segmento.

    Guilherme Mello destacou que o programa inclui cláusula de manutenção de empregos. “MPMEs têm dificuldade de apresentar garantias, mas garantir o acesso delas ao crédito é fundamental”, afirmou o secretário.

    Quatro linhas de crédito do FGE

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou quatro modalidades de financiamento com recursos do FGE:

    • Capital de Giro: financiamento de gastos operacionais
    • Giro Diversificação: busca de novos mercados
    • Bens de Capital: aquisição de máquinas e equipamentos
    • Investimento: inovação tecnológica e adaptação produtiva

    Critérios de elegibilidade

    Empresas de todos os portes que sofreram impacto da tarifa de 50% poderão acessar os recursos. O faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos deve representar pelo menos 5% do total entre julho de 2024 e junho de 2025.

    Companhias com faturamento americano superior a 20% do total terão acesso às quatro linhas de crédito. As demais poderão utilizar apenas a linha Giro Diversificação.

    O banco criará duas modalidades adicionais com recursos próprios: Giro Emergencial (com recursos da LCD) e Giro Diversificação Complementar (com recursos do FAT Cambial). Essas linhas atenderão empresas impactadas por qualquer percentual de tarifa.

    Nelson Barbosa, diretor de Planejamento do BNDES, enfatizou a importância da diversificação das exportações. “Temos de fortalecer nossa competitividade e buscar novos mercados”, pontuou.

    Os empresários poderão procurar os bancos parceiros a partir do dia 4 de setembro. O MDIC, junto com a Receita Federal e o Serpro, entregará ao BNDES a lista das empresas elegíveis até 8 de setembro.

    O processo de aprovação de crédito iniciará em 15 de setembro, segundo cronograma apresentado por Mercadante. A lista oficial de empresas beneficiadas será definida pelos ministérios da Fazenda e do MDIC.

  • Como conseguir crédito rural? BNDES bate recorde de recursos

    Como conseguir crédito rural? BNDES bate recorde de recursos

    O BNDES anunciou a maior liberação de recursos de sua história para o agronegócio: são R$ 70 bilhões destinados ao Plano Safra 2025/2026, válidos de julho de 2025 a junho de 2026. O montante inclui linhas específicas para investimento, custeio, modernização tecnológica, irrigação, armazenagem e exportação, com juros competitivos e prazos flexíveis. E mais: parte desses recursos está disponível em dólar, oferecendo uma alternativa estratégica para produtores voltados ao mercado externo.

    Além disso, em apenas oito dias úteis, o banco já aprovou R$ 5,3 bilhões em crédito rural, distribuídos em mais de 13 mil operações. As cooperativas de crédito intermediaram mais de 90% dos financiamentos, segundo o BNDES — um dado que, além de evidenciar a ampla capilaridade do sistema, reforça sua relevância para pequenos e médios produtores.

    Como funciona o crédito rural do BNDES

    O crédito pode ser solicitado por meio de mais de 80 agentes financeiros credenciados, entre bancos e cooperativas. As principais linhas disponíveis incluem:

    • Pronaf (para agricultura familiar, com juros de 0,5% a 8% ao ano);

    • Pronamp, Moderfrota, Inovagro, Proirriga e PCA;

    • Crédito em dólar (TFBD), voltado a exportadores, com teto de R$ 14,4 bilhões.

    O produtor pode escolher entre taxas atreladas à Selic, à TLP, à taxa fixa do BNDES ou à TFBD, que protege contra a volatilidade dos juros nacionais e garante juro fixo em moeda estrangeira.

    Juros mais baixos e crédito em dólar

    Um dos grandes destaques deste ciclo é a linha com taxa fixa em dólar (TFBD), que passou de R$ 4 bilhões para R$ 14,4 bilhões em orçamento. A modalidade é ideal para produtores que possuem receita em moeda estrangeira, pois oferece menor risco cambial e custo financeiro mais competitivo. Ou seja, uma alternativa cada vez mais buscada, principalmente diante da pressão dos juros domésticos.

    A medida atende à demanda de exportadores que, diante de margens mais apertadas, precisam de previsibilidade para financiar novas tecnologias, ampliar a produção ou investir em sustentabilidade.

    O que dizem os executivos do BNDES

    O presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que:

    “Este volume expressivo de recursos aprovados em poucos dias demonstra o papel estratégico do BNDES no apoio ao agro brasileiro. O destaque vai para as cooperativas, responsáveis por mais de 90% das operações.”

    Já a diretora de Crédito Digital, Maria Fernanda Coelho, destacou que:

    “Os R$ 70 bilhões representam o maior valor já direcionado ao agro em toda a história do BNDES. Isso mostra nosso compromisso com a inovação, o crédito inclusivo e o crescimento sustentável.”

    Agricultura familiar em foco

    Do total de R$ 70 bilhões previstos, o BNDES vai destinar R$ 13,4 bilhões à agricultura familiar, por meio do Pronaf, e direcionar os R$ 26,3 bilhões restantes à agricultura empresarial. Os juros variam conforme o perfil do produtor e a linha de crédito, indo de 0,5% a 14% ao ano.

    A prioridade é fomentar práticas sustentáveis, modernizar o parque tecnológico das propriedades e ampliar a produtividade — especialmente em regiões onde o crédito bancário tradicional tem menor penetração.

    Passo a passo para acessar o crédito

    1. Identifique sua necessidade: custeio, maquinário, irrigação, infraestrutura ou exportação.

    2. Procure um agente credenciado: bancos ou cooperativas parceiras do BNDES.

    3. Apresente os documentos: CPF ou CNPJ, dados da propriedade e da atividade rural.

    4. Espere a análise de crédito: a instituição avalia o perfil e submete o pedido ao BNDES.

    5. Receba o crédito aprovado: os recursos são liberados de acordo com a linha escolhida.

    Cooperativas lideram operações no campo

    Um dado que chama atenção neste Plano Safra, por exemplo, é o avanço das cooperativas de crédito, que foram responsáveis por intermediar mais de 90% das operações aprovadas nos primeiros dias. Graças à sua presença local, ao relacionamento direto com os produtores e à agilidade no processo, essas instituições se consolidaram como o canal mais eficiente para fazer o recurso chegar onde ele realmente é necessário.

    Além disso, esse modelo de descentralização favorece a inclusão financeira, ao mesmo tempo que impulsiona a economia em pequenas cidades e garante um retorno social elevado.

    Sustentabilidade como critério de concessão

    Por outro lado, o BNDES também adotou uma medida relevante no campo da sustentabilidade: o bloqueio de crédito para propriedades com indícios de desmatamento ilegal. Desde 2023, em parceria com a plataforma MapBiomas, o banco passou a monitorar de forma sistemática a regularidade ambiental dos imóveis rurais que pleiteiam financiamento.

    De acordo com Aloizio Mercadante, o uso de tecnologia é essencial para garantir que o crédito beneficie quem está alinhado com boas práticas ambientais:

    “Não podemos ter complacência com quem destrói o meio ambiente. O BNDES vai premiar quem preserva e investe de forma responsável.”

    Por que isso importa para o agro

    Num momento em que o agronegócio responde por mais de 25% do PIB brasileiro, o acesso ao crédito é decisivo. A cada safra, produtores enfrentam desafios que vão desde o custo dos insumos até a instabilidade climática. Portanto, contar com linhas de financiamento competitivas, seguras e bem distribuídas pode fazer toda a diferença no resultado da colheita.

    Com foco em inovação, sustentabilidade e inclusão produtiva, o BNDES se posiciona como um dos principais motores do agro nacional. E, ao que tudo indica, o Plano Safra 2025/2026 veio para consolidar esse papel.

  • BNDES destina R$ 299 milhões à agricultura familiar

    BNDES destina R$ 299 milhões à agricultura familiar

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o governo da Bahia firmaram um contrato de R$ 299 milhões. O acordo vai beneficiar diretamente 75 mil famílias da agricultura familiar em 49 municípios do semiárido baiano.

    O contrato integra o programa Sertão Vivo, uma iniciativa que promove práticas agrícolas sustentáveis e adaptadas às mudanças climáticas. Ao todo, os recursos devem impactar cerca de 300 mil pessoas na região.

    O BNDES vai repassar R$ 252 milhões em forma de empréstimo ao governo estadual. Outros R$ 47 milhões serão transferidos como apoio não reembolsável. Para os agricultores familiares, os recursos serão totalmente gratuitos.

    A assinatura ocorreu neste sábado (28), em Itiúba (BA), com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Também participaram Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, e Alessandra di Giacomo, representante do FIDA.

    Durante a cerimônia, moradores da região destacaram a importância do programa. O monitor da Escola Família Agrícola de Monte Santo, Lucas da Silva Santos, relatou conquistas pessoais. “Realizei o sonho de estudar e ter minha terra. Mostro que o semiárido é vivo, verde e cheio de abundância”, afirmou.

    A estudante Anita Andrade da Silva, do curso técnico em agropecuária da EFA de Itiúba, também discursou. “Queremos transformar, sonhar e construir um futuro melhor”, declarou.

    Programa Sertão Vivo atua em seis estados

    O Sertão Vivo é fruto de uma parceria entre BNDES e Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da ONU. O programa também conta com recursos do Green Climate Fund.

    A iniciativa prevê o investimento de mais de R$ 1,3 bilhão em projetos sustentáveis no semiárido de seis estados: Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Piauí e Sergipe.

    De acordo com o BNDES, parte dos recursos será reembolsável, e parte será doada para ações de combate à pobreza rural. O presidente do banco, Aloizio Mercadante, destacou a importância do programa. “O Sertão Vivo vai melhorar a vida das famílias e fortalecer a resiliência climática no semiárido”, afirmou. Segundo ele, o programa incentiva a produção de alimentos com tecnologias sustentáveis, recupera áreas degradadas e gera renda no campo.

    Ao final, o BNDES estima que a ação vai beneficiar 326 mil famílias, o equivalente a 1,3 milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Reforma tributária exige rigor na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e)

    + Agro em Campo: Sobrevivente do fogo, onça-pintada vira mãe no Pantanal

     

  • 260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    A Fundação CERTI concluiu a primeira fase do projeto “Mais Floresta com Araucária”, restaurando 262 hectares de Mata Atlântica nas regiões da Serra e Meio Oeste de Santa Catarina. A iniciativa foifinanciada pelo BNDES por meio do edital Restauração Ecológica. E recuperou uma área equivalente a mais de 260 campos de futebol, com o plantio de cerca de 40 mil mudas de espécies nativas, incluindo a emblemática araucária (Araucaria angustifolia).

    O projeto  contou com a participação de mais de 100 agricultores locais e apoio técnico das universidades UDESC, UFSC e IFSC. E visa fortalecer a biodiversidade e promover a sustentabilidade econômica por meio da valorização de espécies como a erva-mate, goiabeira-serrana, imbuia e casca d’anta. As araucárias, além de símbolo do ecossistema local, contribuem para a produção do pinhão, importante fonte de alimento e renda para comunidades da região.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    Segundo Victor Augusto Moreira, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, a restauração da Mata Atlântica traz benefícios ambientais como regulação climática, preservação de recursos hídricos e provisão de alimentos, além de impulsionar a economia local. “Nossa intenção foi contribuir para esse ecossistema tão importante, hoje reduzido a menos de 3% da cobertura original”, afirma Moreira.

    Além do reflorestamento, o projeto implantou módulos de sistemas agroflorestais em assentamentos da reforma agrária. E também promoveu capacitações em práticas agrícolas sustentáveis, ampliando as oportunidades para agricultores familiares. A rede de parceiros também viabilizou a criação de viveiros florestais, garantindo infraestrutura para futuras ações de restauração e conservação.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    A restauração abrangeu Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPN) e áreas de Reserva Legal, consolidando um modelo viável de recuperação ambiental que alia conservação da biodiversidade, geração de renda e bem-estar para as comunidades rurais catarinenses.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Tecnologia a laser da NASA medirá carbono no solo do Xingu

    + Agro em Campo: Espírito Santo impulsiona cafeicultura com inovação e sustentabilidade