Tag: BNDES

  • Fazenda libera juros do Plano Safra 2026/27; veja bancos

    Fazenda libera juros do Plano Safra 2026/27; veja bancos

    O Ministério da Fazenda publicou nesta quinta-feira (23) a portaria que autoriza o pagamento de equalização de taxa de juros nos financiamentos do Plano Safra 2026/27, iniciado em 1º de julho. Na prática, a medida libera o início das operações com subvenção direta do Tesouro Nacional — 23 dias após o anúncio das linhas de crédito rural da temporada.

    Recursos somam R$ 141,9 bilhões

    Neste ciclo, 26 instituições financeiras vão operacionalizar as linhas subsidiadas do crédito rural, que somam R$ 141,9 bilhões, uma retração de quase 10% (R$ 15,2 bilhões a menos) frente aos R$ 157,1 bilhões oferecidos no início da safra 2025/26.

    Apesar da queda no valor total, o número de agentes financeiros é recorde.

    Estreantes nesta temporada:

    Banco ABC Brasil

    Banco BMG

    Banco BV

    Lar Credi

    Santander

    Bancos que saíram da lista:

    Badesul

    BRB

    Credialiança

    Stara

    Do total disponível, R$ 97,5 bilhões são destinados a médios e grandes produtores (operados por 25 instituições), enquanto R$ 44,3 bilhões vão para a agricultura familiar (operados por 18 agentes).

    BNDES e Banco do Brasil concentram os maiores volumes

    O BNDES terá R$ 40,4 bilhões em saldos equalizáveis, principalmente em programas de investimento, valor pouco acima dos R$ 39,7 bilhões do início da safra anterior. O banco já publicou as circulares que regulamentam as linhas, e agora os protocolos serão abertos para pedidos de financiamento pelas instituições credenciadas.

    Já o Banco do Brasil teve seus recursos reduzidos: de R$ 58 bilhões no início da safra 2025/26 para R$ 41,8 bilhões agora. Ainda assim, segue como o maior operador do plano, com 29% de participação nos recursos equalizáveis. A instituição também reduziu a oferta total de crédito para a safra, de R$ 230 bilhões para R$ 210 bilhões.

    Cooperativas de crédito

    Sicoob: saldo ampliado de R$ 14,4 bilhões para R$ 19,4 bilhões

    Sicredi: saldo reduzido de R$ 25 bilhões para R$ 18,7 bilhões

    Liberação dividida em dois semestres

    O governo manteve a divisão dos limites equalizáveis em dois semestres — estratégia adotada desde 2025 para encaixar o Plano Safra no orçamento disponível sem necessidade de suplementação.

    Para o período de julho a dezembro de 2026, a autorização permite a liberação de até R$ 94,7 bilhões do saldo total, distribuídos assim:

    Custeio e comercialização: cerca de 80% do limite já liberado (R$ 61,3 bi de um total de R$ 78,2 bi)

    Investimentos: 50% do limite já liberado (R$ 33,4 bi de um total de R$ 63,6 bi)

    O restante poderá ser emprestado entre janeiro e junho de 2027, com impacto no orçamento do próximo ano.

    Custo do programa sobe 34%

    O custo total do Plano Safra 2026/27 será de R$ 18,2 bilhões ao longo de vários anos — alta de 34% em relação aos R$ 13,5 bilhões da temporada 2025/26. Segundo o Ministério da Fazenda, nos seis meses de 2026 o custo já soma R$ 1,7 bilhão.

    Veja o limite equalizável de cada instituição financeira

    Instituição Agricultura Empresarial Agricultura Familiar Total
    Banco do Brasil R$ 27,2 bi R$ 16,4 bi R$ 41,8 bi
    BNDES R$ 21,5 bi R$ 18,9 bi R$ 40,4 bi
    Sicoob R$ 15,1 bi R$ 4,2 bi R$ 19,4 bi
    Sicredi R$ 14,4 bi R$ 4,2 bi R$ 18,7 bi
    Caixa R$ 6,8 bi R$ 86 milhões R$ 6,9 bi
    Itaú R$ 3,2 bi R$ 0 R$ 3,2 bi
    Banrisul R$ 3,0 bi R$ 234,1 milhões R$ 3,2 bi
    Cresol R$ 938,5 milhões R$ 1,2 bi R$ 2,1 bi
    Credicoamo R$ 1,7 bi R$ 198,6 milhões R$ 1,9 bi
    Bradesco R$ 870 milhões R$ 0 R$ 870 milhões
    BDMG R$ 549,0 milhões R$ 37 milhões R$ 586 milhões
    Banco DLL R$ 251,1 milhões R$ 197,4 milhões
    R$ 448,5 milhões
    Banco BV R$ 436,4 milhões R$ 0
    R$ 436,4 milhões
    Basa R$ 350,7 milhões R$ 74,1 milhões
    R$ 424,9 milhões
    BRDE R$ 395,8 milhões R$ 0
    R$ 395,8 milhões
    Banco John Deere R$ 99,1 milhões R$ 126,6 milhões
    R$ 225,8 milhões
    CNH Industrial R$ 26,5 milhões R$ 169,2 milhões
    R$ 195,8 milhões
    Santander R$ 50 milhões R$ 0 R$ 50 milhões
    Banco ABC Brasil R$ 126 milhões R$ 0 R$ 126 milhões
    Desenbahia R$ 30,3 milhões R$ 0 R$ 30,3 milhões
    Credicoopavel R$ 22 milhões R$ 4 milhões R$ 26 milhões
    CrediSeara R$ 0 R$ 20 milhões R$ 20 milhões
    Credisis R$ 10,4 milhões R$ 6,9 milhões R$ 17,3 milhões
    Banpará R$ 576 mil R$ 13,5 milhões R$ 14 milhões
    Banco BMG R$ 6 milhões R$ 0 R$ 6 milhões
    Lar Credi R$ 17 milhões R$ 4,2 milhões R$ 21,2 milhões
    Total geral R$ 97,5 bi R$ 44,3 bi R$ 141,9 bi
  • BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    O Brasil acaba de abrir mais uma frente na recuperação de suas florestas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco operações de crédito do Fundo Clima Florestas. Ao todo, os financiamentos somam R$ 834 milhões e devem destravar R$ 2,7 bilhões em investimentos.

    Os projetos abrangem Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Juntos, eles preveem a recuperação de mais de 65,6 mil hectares de áreas degradadas. Além disso, incluem o plantio de mais de 108 milhões de árvores nativas e a criação de mais de 27 mil empregos verdes.

    Fundo Clima mobiliza R$ 2,7 bilhões para recuperar áreas degradadas

    A imagem mostra a sede do BNDES e com árvores na frente
    Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

    Com as novas operações, o BNDES alcança R$ 8,2 bilhões em recursos mobilizados para reflorestamento desde a criação do Fundo Clima.

    O anúncio ocorreu durante a Semana do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o banco assinou contrato com a BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG). Além disso, entregou cartas de aprovação aos grupos Systemica, Biomas, Courageous e RRG Soluções Baseadas na Natureza.

    Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a restauração florestal deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, também representa uma oportunidade econômica.

    “Não estamos falando de plantar uma única espécie. Estamos falando de reconstruir florestas nativas, gerar emprego, produzir alimentos e capturar carbono”, afirmou.

    Projetos vão plantar 108 milhões de árvores e criar 27 mil empregos verdes

    Os projetos também devem gerar receitas com créditos de carbono, produtos florestais e bioeconomia. Ao mesmo tempo, os investimentos transformam áreas degradadas em ativos produtivos.

    Plantação de árvores e Cupuaçu
    Foto: Embrapa/Vinicius Braga Soares

    No Mato Grosso do Sul, a Camapuã Agropecuária, controlada pela BTG Pactual TIG, receberá R$ 200 milhões. O objetivo é restaurar e conservar 49,4 mil hectares de Cerrado. Desse total, 24,8 mil hectares serão recuperados. Outros 24,6 mil hectares permanecerão preservados. Além disso, a iniciativa poderá gerar cerca de 36 milhões de créditos de carbono.

    Como resultado dessa estratéfia, a Systemica contará com R$ 180 milhões para recuperar a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no Pará. O projeto prevê o plantio de 1,5 milhão de mudas e o uso de 100 toneladas de sementes nativas.

    Crédito de carbono, cacau e sistemas agroflorestais ganham impulso

    Ministro do Ambiente, João Paulo Capobianco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ao fundo, com chefe do Departamento Jurídico da RRG Soluções, Stefano Gianini, o diretor financeiro da Courageous, Frederico Oliveira, a diretora da Carbon2Nature, Flávia Antunes, o presidente da Biomas, Fábio Sakamoto, e o diretor de desenvolvimento da Systêmica, Cyril Perrin, após a assinatura das cartas de aprovação no valor total de R$ 633,5 milhões para projetos de SAF e restauro florestal
    Foto: Divulgação BNDES

    Na Bahia, o Projeto Muçununga receberá R$ 87,2 milhões. A iniciativa é desenvolvida pelos grupos Biomas e Carbon2Nature Brasil em áreas da Veracel Celulose. Mais de 100 espécies nativas serão plantadas. Assim, a proposta pretende recriar corredores ecológicos e favorecer espécies ameaçadas de extinção.

    Em Roraima, a Courageous Land implantará sistemas agroflorestais em 2 mil hectares degradados em Rorainópolis. O projeto combinará a produção de café, açaí e espécies madeireiras. Além disso, a iniciativa prevê capturar cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono em 42 anos.

    Por fim, a RRG Soluções Baseadas na Natureza receberá R$ 250 milhões para desenvolver 2,5 mil hectares de produção sustentável de cacau na Bahia. Parte da área ficará em Teixeira de Freitas e outra parte em Casa Nova. Dessa forma, o projeto reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: produzir, conservar e restaurar podem avançar juntos.

  • Governo estima custo de R$ 139 bilhões em renegociação de dívidas rurais

    Governo estima custo de R$ 139 bilhões em renegociação de dívidas rurais

    O Ministério da Fazenda divulgou uma nota detalhando os impactos fiscais do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe a criação de uma linha especial para a renegociação de dívidas rurais. Segundo os cálculos, o custo total da medida poderá atingir R$ 139,8 bilhões ao longo de 13 anos.

    De acordo com o documento, o volume de dívidas que poderiam se enquadrar na proposta supera R$ 300 bilhões. No entanto, a linha de crédito prevista para renegociação foi limitada a R$ 200 bilhões, uma vez que nem todos os produtores atendem aos critérios estabelecidos pelo projeto.

    Para ter acesso ao benefício, os produtores deverão comprovar ao menos duas perdas de safra entre 2019 e 2025, com prejuízos equivalentes a, no mínimo, 30% da renda esperada da atividade financiada.

    Cálculo de gastos

    Para estimar o impacto da proposta, o Ministério da Fazenda considerou que as renegociações seriam realizadas com recursos livres das instituições financeiras, cujo custo de captação estaria vinculado à Taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Os financiamentos também contariam com equalização de juros custeada pelo Tesouro Nacional e com recursos provenientes do Fundo Social.

    Segundo a Pasta, embora o uso do Fundo Social não afete diretamente o resultado do superávit primário, ele gera despesas para a União devido à incidência da própria Selic sobre esses recursos.

    Por outro lado, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) argumenta que o mecanismo não representa gasto orçamentário permanente, uma vez que os recursos seriam reembolsáveis.

    No cálculo da equalização, a Fazenda adotou taxas de juros finais de 3,5% para pequenos produtores, 5,5% para médios produtores e 7,5% para grandes produtores. Além disso, a distribuição estimada dos recursos prevê 15% para a agricultura familiar, 30% para médios produtores e 50% para os demais produtores rurais.

    Debate sobre spread bancário

    Outro ponto considerado pela equipe econômica foi a aplicação de um spread bancário de 4% ao ano, percentual que ainda deverá ser negociado com as instituições operadoras da linha.

    Entretanto, a FPA defende que essa cobrança não deveria existir, já que os recursos teriam origem pública e não apresentariam risco para os agentes financeiros. O projeto prevê ainda remuneração de 1% para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pela operacionalização dos recursos.

    Projeções da Selic influenciam

    A estimativa de custos também levou em consideração o comportamento da Taxa Selic durante os 13 anos de vigência da linha de crédito, incluindo um período inicial de três anos de carência para pagamento dos juros.

    Segundo as projeções utilizadas pela Fazenda, a taxa básica deverá ficar em:

    • 13,5% em 2027;
    • 11% em 2028;
    • 10% em 2029 e 2030;
    • 9,5% em 2031 e 2032;
    • 9% entre 2033 e 2039.

    Em nota, o Ministério destacou:

    “Com base no volume de recursos para a nova linha de crédito de R$ 200 bilhões e as premissas acima, o custo total para a União, com impacto no superávit primário pela equalização de juros e pelos encargos, pode chegar a R$ 139,8 bilhões nos 13 anos, sendo R$ 22,4 bilhões em 2027”.

    Dívidas elegíveis superam R$ 247 bilhões

    Ao analisar os passivos que poderiam ser contemplados pela proposta, a Fazenda identificou:

    • R$ 120 bilhões em operações de crédito rural consideradas estressadas, inadimplentes ou prorrogadas;
    • R$ 47 bilhões em operações contratadas com base na Medida Provisória 1.314/2025, com taxas livres e controladas;
    • R$ 80 bilhões referentes a parcelas de investimentos com vencimento entre 1º de julho de 2026 e 31 de dezembro de 2027.

    Além disso, o Ministério informou que não conseguiu mensurar o montante relacionado às Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas junto a instituições financeiras, cooperativas, fornecedores de insumos ou compradores da produção.

    Da mesma forma, também não foi possível calcular os valores referentes a operações de fiança honrada ligadas ao crédito rural contratado com recursos do BNDES e dos Fundos Constitucionais, bem como financiamentos bancários destinados ao produtor rural por cooperativas, cerealistas e fornecedores de insumos.

    Descontos de até 95%

    O texto ainda prevê descontos de até 95% sobre o saldo devedor para liquidação ou renegociação de operações adimplentes e inadimplentes vinculadas aos Fundos Constitucionais do Norte (FNO) e do Nordeste (FNE), desde que contratadas até 2018.

    No entanto, a Fazenda informou que também não possui um levantamento atualizado sobre o saldo dessas operações.

    Ao justificar a estimativa de enquadramento, o Ministério explicou:

    “Apesar de o valor total das dívidas enquadráveis poder superar R$ 300 bilhões, como nem todos os produtores rurais detentores destas dívidas vão se enquadrar no critério de perdas acima de 30% da renda da atividade financiada em duas ou mais safras entre 2019 a 2025, foi considerado até R$ 200 bilhões como dívidas passíveis de enquadramento na nova linha de crédito”.

  • BNDES e Conab firmam cooperação para reduzir preço de alimentos

    BNDES e Conab firmam cooperação para reduzir preço de alimentos

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram nesta segunda-feira (18) um acordo de cooperação técnica para fortalecer o setor de abastecimento alimentar no país. A parceria prevê a realização de estudos, avaliação de dados e proposição de ações para modernizar as políticas públicas existentes, com foco direto na redução do preço dos alimentos e na melhoria da logística nacional.

    A cerimônia de assinatura ocorreu na sede do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com a presença da ministra Fernanda Machiaveli. O BNDES teve representação do diretor de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa, e do superintendente da Área de Soluções de Infraestrutura, Ian Ramalho Guerriero. A Conab contou com a participação do diretor-presidente Sílvio Isoppo Porto e do diretor de Operações e Abastecimento, Arnoldo Anacleto de Campos.

    O que o acordo prevê

    O BNDES conduzirá os estudos com recursos próprios, no âmbito do Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). O trabalho inclui análise do sistema de abastecimento brasileiro e comparação com experiências internacionais.

    “Vamos avaliar como melhorá-lo, usando não só as referências que a gente tem aqui no Brasil, mas também experiências internacionais. Vamos analisar o que os outros países fazem e se isso pode ou não ser feito no Brasil”, explicou Nelson Barbosa.

    O banco também vai apoiar a Conab na organização de sua base de dados sobre abastecimento e armazenagem, além de mapear oportunidades de investimento público e privado. Para Barbosa, a iniciativa beneficia tanto o planejamento do próprio BNDES quanto a resiliência da política alimentar brasileira. “Isso ajuda o Brasil a ter uma política de abastecimento resiliente a choques, garantindo alimento no preço justo para toda a população”, disse.

    A ministra Fernanda Machiaveli destacou que a cooperação vai gerar ganhos concretos para a população, com atenção especial às periferias urbanas. “Teremos um olhar para os pequenos mercados nas periferias, para a nossa política de abastecimento, com o objetivo de modernizar a Conab pra que a gente tenha acesso a alimentos saudáveis em todo o país”, afirmou.

    Conab: papel estratégico no sistema alimentar brasileiro

    Criada em 1990, a Conab tem a missão de contribuir para o abastecimento, a segurança alimentar e nutricional e a geração de renda em todas as regiões do Brasil. A estatal fornece ao governo federal dados técnicos sobre produção agropecuária, previsão de safras, custos de armazenagem e indicadores de mercado. Informações que embasam a elaboração de políticas agrícolas.

    Para o diretor-presidente Sílvio Isoppo Porto, os estudos que o BNDES vai gerar serão decisivos para a construção de uma política alimentar mais robusta. “Vamos conseguir planejar uma intervenção muito concreta no sentido de reduzir o preço dos alimentos, criar uma logística mais eficiente e fazer uma mudança fundamental nos sistemas alimentares do Brasil, garantindo comida de verdade para o povo brasileiro”, declarou.

    Patrimônio imobiliário e Fundo Amazônia: outras frentes da parceria

    BNDES e Conab também mantêm um contrato separado para a requalificação de nove ativos imobiliários da estatal, localizados no Centro-Oeste. A maioria dos imóveis são armazéns em áreas que se tornaram urbanas, o que dificulta seu uso para armazenagem. O banco avaliará a vocação de cada um deles.

    Outra frente de atuação conjunta envolve o projeto Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, da Conab, custeado integralmente pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. O projeto conta com R$ 96,6 milhões, dos quais R$ 80 milhões destinam-se a apoiar a produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na Amazônia Legal. Na semana passada, a Conab divulgou a lista de inscritos habilitados para participar do programa.

  • Câmara avança com projeto que suspende crédito rural por impactos do El Niño

    Câmara avança com projeto que suspende crédito rural por impactos do El Niño

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que suspende por 36 meses o pagamento de financiamentos e empréstimos rurais em regiões afetadas pelo fenômeno El Niño.

    A medida beneficia produtores rurais que contrataram crédito por meio de programas oficiais. Entre eles estão Moderinfra, Inovagro, Prodecoop, Pronaf, Pronamp, BNDES Procap-Agro, BNDES Agro, BB Investe Agro e financiamentos de custeio pecuário.

    O texto determina que os produtores retomem os pagamentos 12 meses após o fim da suspensão, com quitação dividida em três parcelas anuais.

    O relator da proposta, deputado Coronel Meira (PL-PE), ampliou o alcance do projeto original (PL 2062/24), de autoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Inicialmente, o texto previa o benefício apenas para produtores da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Com a alteração, a suspensão passa a valer para todos os estados afetados por estiagem ou chuvas intensas associadas ao El Niño.

    Segundo Meira, a proposta busca reduzir impactos econômicos no campo e preservar a produção de alimentos no país. Ele afirma que a medida tem caráter emergencial e proporcional aos danos causados pelos eventos climáticos extremos.

    Dados da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgados em 13 de março, indicam 62% de probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto deste ano. A partir de agosto, essa chance supera 80% e pode se manter elevada até o fim de 2026.

    O projeto ainda passará pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, o texto precisa da aprovação da Câmara e do Senado.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • BNDES libera R$ 7,5 bi a produtores afetados pelo clima

    BNDES libera R$ 7,5 bi a produtores afetados pelo clima

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 7,5 bilhões em créditos a produtores afetados por crises climáticas. O banco destinou os recursos ao programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais. O governo federal reservou R$ 12 bilhões para a iniciativa.

    O programa encerrou as operações no dia 10 de fevereiro. O BNDES criou a linha para financiar agricultores com perdas significativas de safra. Além disso, os produtores enfrentaram dificuldades para honrar compromissos financeiros após os prejuízos nas lavouras. O financiamento oferece prazo de até nove anos e também inclui até um ano de carência.

    Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o programa permitiu reorganizar contas e quitar débitos. Ele afirmou que pequenos e grandes produtores voltaram a produzir. Além disso, Mercadante destacou impactos na economia. De acordo com ele, a retomada da produção ajudou a reduzir o valor da cesta básica.

    Assim, o país registrou queda nos preços no segundo semestre de 2025. Consequentemente, houve impactos positivos na inflação e no orçamento das famílias.

    Balanço do programa

    O programa começou em 16 de outubro de 2025. Durante a vigência, o BNDES contratou 27.796 operações. Os contratos envolveram produtores de 754 municípios. Além disso, as operações alcançaram 22 Estados. O tíquete médio ficou em R$ 270 mil.

    Do total liberado, R$ 4,8 bilhões atenderam beneficiários do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Os recursos também contemplaram produtores do Programa Nacional de Apoio aos Médio Produtores (Pronamp). Esses segmentos somaram 25.041 operações.

    Por outro lado, o banco destinou R$ 2,7 bilhões a outras linhas de crédito agrícola. Essas operações totalizaram 2.755 contratos. Os produtores puderam usar os recursos para liquidar ou amortizar crédito rural de custeio. Também utilizaram os valores para investimentos e para quitar Cédulas de Produto Rural. Inclusive, o programa aceitou contratos mais recentes.

    No entanto, o produtor precisou comprovar impacto de eventos climáticos. Além disso, o interessado teve de atender aos critérios estabelecidos. O acesso ocorreu por meio de instituições financeiras credenciadas ao BNDES.

    A medida contemplou produtores rurais, associações, condomínios e cooperativas agrícolas. Por fim, o banco seguiu listas de elegibilidade do Ministério da Agricultura. As listas indicaram regiões com maior recorrência de problemas climáticos.

  • Crescimento das cooperativas de crédito desafia grandes bancos

    Crescimento das cooperativas de crédito desafia grandes bancos

    A Cresol iniciou 2026 reforçando sua atuação junto ao produtor rural durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, realizada em Cascavel, no Oeste do Paraná. Presente no evento há mais de dez anos, a cooperativa participa do primeiro grande compromisso do calendário do agronegócio brasileiro celebrando seus 30 anos de história, apresentando resultados expressivos de 2025 e detalhando um portfólio completo de soluções financeiras voltadas ao campo.

    O Show Rural Coopavel chega à sua 38ª edição consolidado como um dos principais ambientes para discussão de inovação tecnológica, sustentabilidade, financiamento e desenvolvimento regional. Nesse contexto, os temas dialogam diretamente com a atuação da Cresol, que mantém foco na proximidade com o produtor, no fortalecimento das comunidades rurais e no acesso ao crédito em diferentes realidades produtivas.

    A coletiva de imprensa contou com a participação de Marcio Falcão, diretor-executivo da Cresol Confederação; Alzimiro Thomé, presidente da Central Cresol Baser; e Adriano Michelon, vice-presidente da Cresol Confederação. Segundo os dirigentes, a presença na feira simboliza o primeiro grande compromisso institucional do ano e reforça a parceria histórica com a Coopavel e com o agro paranaense.

    Além disso, o Paraná foi apontado como estratégico para o agronegócio nacional, ao criar um ambiente favorável para investimentos, expansão dos negócios e fortalecimento da cadeia agroindustrial. Por isso, a Cresol intensifica sua atuação no Estado, apoiando produtores e empreendedores em diferentes estágios de desenvolvimento.

    Portfólio completo e soluções financeiras no campo

    A Cresol apresentou todo o seu portfólio de soluções financeiras na feira. Para o produtor rural, estão disponíveis linhas de crédito pré-aprovado, custeio, crédito rotativo e investimentos. Já para pessoas jurídicas, a cooperativa oferece crédito sustentável, financiamento de veículos e investimentos, além de consórcios sustentáveis e de veículos.

    Ao longo da exposição, o estande da Cresol recebeu produtores de diversas regiões. Com isso, a cooperativa reforçou o atendimento técnico, a orientação financeira e o planejamento de crédito adequado a cada perfil produtivo.

    Crédito sustentável e desempenho histórico

    Outro destaque da participação da Cresol foi o crédito sustentável. A cooperativa mantém uma carteira baseada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, alinhada à taxonomia da Febraban, que identifica, monitora e mensura atividades econômicas sustentáveis, além de riscos socioambientais e climáticos nas carteiras de crédito.

    Em 2025, essa carteira sustentável somou R$ 12 bilhões. No mesmo ano em que completou 30 anos de fundação, a Cresol atingiu a marca de 1 milhão de cooperados, com a entrada de mais de 130 mil novos associados, crescimento de 13,4%. Ainda assim, a expectativa para 2026 segue positiva, com previsão de mais de 120 mil novos cooperados.

    A rede física também avançou de forma consistente. O sistema alcançou 1.000 agências após a abertura de 90 novos pontos de atendimento em 2025. Atualmente, a Cresol está presente em 20 estados brasileiros, com expansão principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além da chegada ao Tocantins.

    Mais de 75% das unidades estão localizadas em municípios com até 50 mil habitantes. Dessa forma, a cooperativa reforça a estratégia de interiorização do crédito. Para 2026, das 180 novas agências previstas, 135 devem ser abertas em pequenos municípios.

    Por que as cooperativas de crédito crescem no Brasil

    Durante a coletiva de imprensa, o vice-presidente da Cresol Confederação, Adriano Michelon, explicou os fatores que impulsionam o crescimento das cooperativas de crédito no país, mesmo com a forte concentração do sistema financeiro.

    Nesse contexto, ele destacou que o movimento começa com a mudança de estratégia dos bancos tradicionais. “Os bancos estão digitalizando tudo e se deslocando dos municípios e de outras regiões do agro. As cooperativas entram nesse espaço, e isso está muito pujante”, afirmou.

    Cooperado no centro e crédito que fica na comunidade

    Além disso, Michelon ressaltou que as cooperativas colocam o cooperado no centro das decisões. “As cooperativas elegem o cooperado como o centro das atenções. Todas as ações são focadas nele. Em um mundo cada vez mais digitalizado, o relacionamento é fundamental. Fazer serviços bancários é possível on-line, mas uma consultoria para um bom negócio exige conversar com pessoas”, disse.

    Ao mesmo tempo, ele chamou atenção para a qualificação das equipes. “Os gerentes e as estruturas das cooperativas estão cada vez mais especializadas, atuando quase como uma consultoria para o cooperado. Isso faz a diferença”, completou.

    Adriano, Alzimiro e Marcio durante coletiva na Feira Rural Coopavel – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Por outro lado, a governança também contribui para esse avanço. “Estamos com uma governança muito forte e especializada, com licenças administrativas. Todo o segmento vem se fortalecendo e, com isso, surgem custos menores, que são repassados ao quadro social”, explicou.

    Por fim, Michelon destacou o diferencial do cooperativismo na distribuição dos resultados. “O cooperado é dono do banco. Enquanto nos grandes bancos o resultado vai para os acionistas, no cooperativismo o resultado volta para o dono, que é o associado. As sobras ficam na comunidade”, afirmou.

    Como exemplo, ele citou Cascavel e a região Sudoeste do Paraná. “Aqui, o resultado financeiro das cooperativas permanece na cidade, para as pessoas que moram aqui. No Sudoeste, hoje praticamente todos os ativos giram dentro do contexto das cooperativas. Há dez anos isso representava cerca de 10%”, observou.

    Nesse cenário, o dirigente resumiu: “O sistema financeiro está centralizado em cinco grandes bancos, que concentram a maior fatia. As cooperativas, que eram 3%, 4%, 5%, já estão chegando a 10% e têm um caminhar muito forte pela frente”.

    Cresol no agro, Plano Safra e parceria com o BNDES

    No Plano Safra 2025/26, até 10 de fevereiro, a Cresol já havia liberado R$ 10,2 bilhões em crédito rural, em mais de 87 mil propostas para cooperados de todo o Brasil. As operações de custeio somaram R$ 6,6 bilhões, enquanto os investimentos alcançaram R$ 3,2 bilhões.

    As linhas mais acessadas foram o Pronaf, com R$ 4,2 bilhões; o Pronamp, com R$ 2,7 bilhões; e outras linhas, que somaram R$ 2,9 bilhões. Assim, a cooperativa mantém foco no pequeno e médio produtor rural.

    Ao longo de 30 anos, a Cresol já liberou mais de R$ 56,5 bilhões em crédito agro, em mais de 1,2 milhão de contratos. Além disso, destaca-se na parceria com o BNDES, sendo o agente com maior número de operações em 2025.

    Cooperativismo como motor do desenvolvimento rural

    Para a Cresol, o cooperativismo financeiro vai além da concessão de crédito. O modelo busca capacitar o produtor, melhorar a gestão da propriedade, identificar oportunidades de inovação e gerar renda no campo.

    Com presença consolidada no Show Rural Coopavel, a cooperativa inicia 2026 reforçando seu compromisso com o produtor rural, com o desenvolvimento regional e com um sistema financeiro mais próximo, sustentável e conectado à realidade do agronegócio brasileiro.

  • Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    A produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares da Amazônia Legal ganha um reforço de R$ 80 milhões do Fundo Amazônia. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançaram, nesta terça-feira (3), um edital público para selecionar os projetos que receberão os investimentos.

    A iniciativa integra o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva” e tem como objetivo principal superar os principais obstáculos que historicamente limitam a geração de renda na região. Os recursos financiarão soluções para gargalos em logística, beneficiamento, armazenamento, adequação sanitária e, principalmente, no acesso a mercados para produtos da sociobiodiversidade.

    Como funciona o edital e quem pode participar

    Cooperativas, associações e organizações da sociedade civil da Amazônia Legal já podem apresentar suas propostas. O edital priorizará projetos com maior número de beneficiários, protagonismo feminino, participação de jovens e atuação em cadeias produtivas como açaí, castanha-do-Brasil, babaçu, mel e pesca artesanal.

    Os valores dos apoios variam entre R$ 500 mil e R$ 2,5 milhões por projeto, com previsão de selecionar pelo menos 32 propostas. Os recursos podem custear desde assistência técnica e obras civis até a aquisição de máquinas, equipamentos e a realização de consultorias especializadas.

    Foco na infraestrutura e geração de renda

    Líderes das instituições envolvidas destacam que o investimento vai direto para a ponta da cadeia produtiva. “Esse apoio do Fundo Amazônia chega à ponta, fortalecendo quem produz de forma sustentável. Ao ampliar o acesso a infraestrutura e mercados, criamos condições reais para geração de renda, redução das desigualdades e manutenção da floresta em pé”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

    A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a conexão entre economia e conservação. “Fortalecer as atividades produtivas dessas populações significa valorizar os saberes locais e proteger a floresta”.

    Conexão com políticas públicas

    Além do mercado privado, os projetos deverão fortalecer a participação das comunidades em programas públicos de abastecimento, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

    O lançamento do edital ocorreu em um webinar transmitido pelas instituições. A íntegra do documento e todas as regras para participação já estão disponíveis para consulta pública.

  • Tarifaço custou R$ 10 bi em crédito do BNDES para empresas afetadas

    Tarifaço custou R$ 10 bi em crédito do BNDES para empresas afetadas

    A tensão comercial acirrada com os Estados Unidos, marcada pela imposição de tarifas extras sobre produtos brasileiros, encontrou uma trincheira de resistência no crédito. E os números mostram a escala da batalha: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou impressionantes R$ 9,72 bilhões em financiamentos para empresas no front do “tarifaço”. A linha de frente do Plano Brasil Soberano, criado como resposta direta às medidas do governo Trump, já mobilizou 717 operações de crédito.

    A cena é de uma corrida contra o tempo e os impactos econômicos. De um lado, 171 grandes empresas receberam o sinal verde para recursos. Do outro, um contingente significativo de 546 micro, pequenas e médias empresas também conseguiram aprovação, mostrando que o alcance da medida busca proteger desde os grandes players até a base da cadeia produtiva.

    “O Plano foi uma determinação importante diante de um ataque unilateral e ajudou a proteger empregos e a ampliar a resiliência da nossa indústria”, defende o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Para ele, os quase R$ 10 bilhões aprovados reforçam o papel do banco na execução de uma “política pública exitosa”.

    O mapa do auxílio desenha claro o eixo industrial do país. São Paulo lidera, com R$ 2,96 bilhões aprovados, seguido pelos estados do Sul: Rio Grande do Sul (R$ 1,33 bi), Santa Catarina (R$ 1,26 bi) e Paraná (R$ 1,08 bi). No campo setorial, a indústria de transformação carrega o peso maior do conflito, absorvendo sozinha R$ 7,8 bilhões do total. Comércio e serviços vêm depois, com R$ 1,21 bilhão.

    A guerra não acabou, e a demanda por munição financeira segue alta

    Aqui que a história toma um novo fôlego. Mesmo com o anúncio de um recuo tático dos Estados Unidos em novembro – que retirou carnes, café e algumas frutas da lista de tarifas extras –, a pressão continua firme. “A maior parte da indústria brasileira ainda conta com 40% de sobretaxa adicional”, lembra Nelson Barbosa, diretor do BNDES.

    A prova está nos números. No final de novembro, o governo reabriu as consultas de elegibilidade, ajustando as regras para tornar o crédito mais acessível. O resultado? Uma enxurrada de novos pedidos. Em poucas semanas, 267 novos protocolos surgiram, somando uma demanda adicional de R$ 4,55 bilhões. O apetite por recursos, claramente, não diminuiu.

    A mudança nas regras foi crucial. No início, o crédito focava em empresas com faturamento de exportação para os EUA superior a 5% do total. Agora, esse limite caiu para apenas 1%, e a grande novidade: os fornecedores dessas empresas exportadoras também ganharam o direito de pleitear o apoio. É o BNDES tentando blindar não só quem exporta, mas toda a rede produtiva por trás das mercadorias.

    Enquanto acadêmicos e economistas debatem os rumos da economia em eventos como a Semana de Economia Brasileira – que conta com patrocínio do próprio BNDES –, nas agências de bancos por todo o país, a realidade é mais prática. Empresários buscam informações, preenchem formulários e tentam garantir que suas operações sobrevivam a uma guerra comercial que, pelos dados, está longe de ter um armistício. A linha de crédito virou, pelo menos por ora, o principal escudo disponível.

  • Agricultores recebem R$ 2,45 bi do BNDES após perdas climáticas

    Agricultores recebem R$ 2,45 bi do BNDES após perdas climáticas

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 2,45 bilhões em crédito para produtores rurais que perderam safras devido a eventos climáticos extremos. O banco liberou os recursos em apenas um mês de operação do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais, que começou a aceitar protocolos no dia 16 de outubro.

    Os agricultores familiares e médios produtores receberam R$ 1,5 bilhão do total, o que representa 61% dos recursos aprovados até agora. O programa já atendeu 485 municípios distribuidos em 16 estados brasileiros, com cerca de 8,3 mil operações aprovadas. O valor médio por operação chega a R$ 296 mil.

    Governo prioriza segurança alimentar e desenvolvimento econômico

    “O presidente Lula determinou o lançamento deste programa para assegurar um caminho responsável aos agricultores afetados por eventos climáticos extremos”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES. “Estamos garantindo fôlego financeiro e fortalecendo quem sustenta a produção de alimentos do país e um setor que é um dos principais motores do desenvolvimento econômico.”

    O governo federal destinou R$ 12 bilhões ao programa, que oferece prazo de até nove anos para pagamento, com um ano de carência. Os produtores podem usar os recursos para liquidar operações de crédito rural de custeio e investimento. Além de Cédulas de Produto Rural (CPR) contratadas até 30 de junho de 2024.

    Quem pode acessar o programa

    Produtores rurais, associações, condomínios rurais e cooperativas agrícolas podem contratar o programa por meio da rede de instituições financeiras parceiras credenciadas ao BNDES. No entanto, alguns critérios devem ser atendidos.

    Os interessados precisam estar localizados em municípios que tiveram declarações de estado de calamidade pública ou situação de emergência entre 2020 e 2024, reconhecidas pelo Governo Federal em decorrência de eventos climáticos adversos. Esses municípios também devem ter registrado perdas superiores a 20% em duas de suas principais atividades agrícolas no período.

    Além disso, os produtores devem comprovar perdas acima de 30% em duas ou mais safras entre 2020 e 2025.

    Prioridade para pequenos e médios produtores

    O programa reserva pelo menos 40% dos recursos para beneficiários do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores (Pronamp). Esses segmentos são considerados mais vulneráveis aos efeitos das perdas de safra.

    Os 60% restantes atendem a liquidação de dívidas rurais de outros programas agrícolas federais, como Moderfrota, Inovagro, Moderagro e Prodecoop, entre outros.