Tag: biotecnologia

  • Exposição “Tesouros da Terra” é aberta hoje

    Exposição “Tesouros da Terra” é aberta hoje

    A exposição “Tesouros da Terra – Sementes da Inovação” será inaugurada hoje, 20 de fevereiro na Biblioteca de São Paulo, trazendo uma abordagem inédita sobre a evolução do agronegócio no Brasil e os avanços da biotecnologia. A iniciativa visa surpreender os visitantes ao mostrar como o setor agrícola se tornou responsável por 26% das ocupações no país, conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

    Com uma trajetória que remonta a séculos, a agricultura brasileira evoluiu de práticas manuais para processos modernos, focando em inovação e sustentabilidade. A exposição busca educar o público sobre a importância desse segmento, que representa 23,8% do PIB nacional e 46% do valor das exportações brasileiras. Em um contexto global desafiador, onde a ONU projeta que será necessário aumentar a produção de alimentos em 60% até 2050 para alimentar uma população de 9,7 bilhões de habitantes, conscientizar a sociedade sobre esses desafios é fundamental.

    Da enxada à biotecnologia

    O evento é voltado para educadores, estudantes, pesquisadores, jornalistas, ativistas e o público em geral, oferecendo uma perspectiva única sobre o mundo agro. Com dinâmicas interativas e experiências táteis, os visitantes poderão explorar temas como a realidade atual do campo e as histórias de agricultores dedicados ao cultivo de produtos como soja, milho e trigo.

    A exposição começará com a chegada dos imigrantes ao Brasil, apresentando informações de forma sensível e inovadora. Além disso, haverá uma seção dedicada aos avanços da biotecnologia, onde os visitantes poderão acompanhar todo o processo que envolve pesquisa e desenvolvimento em laboratório até a análise no campo.

    “Tesouros da Terra” é uma iniciativa cultural idealizada pela YABÁ Consultoria, especializada em ESG (Environmental, Social and Governance), com patrocínio da GDM Genética, empresa focada em melhoramento genético de plantas. Andrea Moreira, CEO da YABÁ, explica que o projeto integra estratégias corporativas à cultura para engajar diferentes públicos. “Queremos abordar o tema do melhoramento genético de plantas de forma lúdica e acessível”, afirma.

    Viabilização e impacto social

    O projeto é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e gera trabalho e renda para aproximadamente 150 profissionais envolvidos na produção técnica. A exposição ficará em São Paulo por dois meses antes de seguir para Brasília.

    “Um dos principais desafios do agronegócio é conectar a realidade do campo moderno às grandes cidades. Acreditamos que experiências culturais podem fortalecer essa conexão”, conclui Andrea.

    Serviço

    • Exposição: Tesouros da Terra – Sementes da Inovação
    • Data: De 20 de fevereiro a 20 de abril
    • Horário: Das 9h30 às 18h30
    • Local: Biblioteca de São Paulo (Avenida Cruzeiro do Sul, 2630 – Santana); dentro do Parque da Juventude
    • Obs: A Biblioteca não abre às segundas-feiras.

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  • Pesquisa da Embrapa desenvolve feijão mais saudável

    Pesquisa da Embrapa desenvolve feijão mais saudável

    Pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão desenvolveram, pela primeira vez, uma variedade de feijão editada geneticamente para reduzir fatores antinutricionais. Utilizando a técnica CRISPR, os cientistas desativaram dois genes responsáveis pela produção de rafinose e estaquiose, carboidratos que, embora presentes em alimentos nutritivos como o feijão, estão associados a desconfortos digestivos e flatulências.

    A pesquisa, liderada pelos cientistas Rosana Vianello e Josias Correa, utiliza o conhecimento acumulado do genoma do feijão, sequenciado há quase uma década. A técnica CRISPR, que funciona como uma “tesoura molecular”, permitiu bloquear os genes que ativam a rota de produção desses compostos.

    Equipe da pesquisa: pesquisadores Josias Correa e Rosana Vianello e o bolsista Dener Lucas dos Santos. – Foto: Rodrigo Peixoto

    “A edição gênica representa uma revolução, especialmente para aprimorar a qualidade nutricional e tecnológica dos grãos, tornando as variedades mais atraentes para produtores e consumidores”, explica Vianello.

    Impacto nos próximos anos

    Atualmente, a pesquisa avança para estabilizar a nova característica em gerações futuras de plantas. As sementes editadas estão sendo cultivadas em ambientes controlados. Além disso, os cientistas esperam que, ao longo de cinco a oito anos, seja possível lançar uma variedade estável e comercialmente viável de feijão editado geneticamente.

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    Esse avanço integra o projeto “Desenvolvimento e aplicação de novas soluções biotecnológicas no melhoramento genético do feijão-comum”, financiado pelo CNPq e coordenado por Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

    Por que editar o feijão?

    Embora o feijão seja uma fonte rica em aminoácidos, fibras e minerais, a presença de fatores antinutricionais, como os carboidratos do grupo rafinose, limita sua digestibilidade. O corpo humano não produz enzimas para digerir essas moléculas, e sua fermentação por microrganismos intestinais gera gases como metano e dióxido de carbono.

    Tradicionalmente, práticas como deixar o feijão de molho antes do cozimento ajudam a reduzir esses compostos. No entanto, a edição genética permite uma solução mais duradoura e eficiente, eliminando a necessidade de procedimentos adicionais no preparo.

    Uma nova era da biotecnologia

    A técnica CRISPR, desenvolvida pelas cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna — vencedoras do Nobel de Química de 2020 —, tem revolucionado a engenharia genética. Essa ferramenta possibilita cortes precisos no DNA, permitindo o controle da produção de moléculas específicas em plantas e outros organismos.

    Além de criar alimentos mais nutritivos, a tecnologia CRISPR abre caminho para o desenvolvimento de variedades resistentes a pragas, tolerantes a condições climáticas adversas e até mais produtivas, contribuindo significativamente para a agricultura sustentável.

    Feijão com menos , mais saúde

    Se bem-sucedida, a nova variedade de feijão promete atender tanto às necessidades dos consumidores quanto às exigências do mercado. Reduzir os fatores antinutricionais sem comprometer o sabor ou a qualidade do grão coloca o Brasil na vanguarda das inovações agrícolas globais. Além disso, a iniciativa demonstra como avanços científicos podem melhorar diretamente a experiência e a saúde do consumidor final.

  • Tecnologia impulsiona produtividade de pequenos produtores de algodão em Catuti (MG)

    Tecnologia impulsiona produtividade de pequenos produtores de algodão em Catuti (MG)

    Pequenos produtores de Catuti, no norte de Minas Gerais, estão experimentando um salto significativo na produtividade do algodão. Isso graças à combinação de sementes biotecnológicas avançadas e o uso de drones para pulverização. A adoção dessas tecnologias resultou em um aumento médio de 27% na produção de algodão em 2024, em comparação à safra anterior.

    A região, que na década de 1980 cultivava até 130 mil hectares de algodão, viu a produção cair drasticamente devido à infestação do bicudo-do-algodoeiro. Essa é uma das pragas mais devastadoras da cultura. No entanto, um esforço coordenado entre a Bayer, a Coopercat (Cooperativa dos Produtores. Rurais de Catuti) e outras instituições locais marcou o início da retomada do plantio.

    Neste ano, a Bayer doou 100 sacos de sementes certificadas de algodão das variedades DP 1866 B3RF e DP 1857 B3RF, ambas da marca Deltapine, para 85 pequenos produtores associados à Coopercat. As sementes equipam-se com a biotecnologia Bollgard 3, que oferece proteção ampliada contra as principais lagartas que atacam o algodão e aumenta a resistência a doenças como a bacteriose e a doença azul.

    “O uso dessas sementes certificadas foi fundamental para aumentar a produtividade e permitir um manejo mais eficaz das pragas”, afirma José Tibúrcio de Carvalho Filho. Ele é assessor técnico da Coopercat e um dos responsáveis pelo projeto de retomada do algodão na região.

    Drones

    Além das sementes, o uso de drones para pulverização também trouxe resultados expressivos, com uma redução de 96% na quantidade de calda usada nas aplicações de inseticida. O controle do bicudo, que devastou as plantações no passado, foi restabelecido. Assim, permitindo aos produtores manterem a quantidade de aplicações de inseticidas, mas com maior precisão e eficiência. Com o treinamento de quatro operadores, os drones foram utilizados em 352 hectares, uma área composta por propriedades variando entre 1 e 35 hectares.

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    Geraldo Berger, líder de Assuntos Científicos e Regulatórios da Bayer Latam, reforçou que o projeto está alinhado com o compromisso global da empresa de apoiar pequenos produtores. “Estamos felizes em fazer parte dessa retomada do algodão no norte de Minas. Promovendo o desenvolvimento da agricultura familiar com o uso de tecnologia de ponta”, declarou.

    A Coopercat está também estabelecendo parcerias com instituições como a Universidade Fed. De Lavras (UFLA) e a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (AMIPA), com o objetivo de aprimorar a produção de algodão na região. O uso de biotecnologia e drones tem o potencial de transformar a cotonicultura local, que agora planeja expandir a área cultivada para 800 hectares nos próximos anos.

    Com esses avanços, os produtores de Catuti já estudam a possibilidade de rotação de culturas, integrando o sorgo e o milho ao algodão. A expectativa é que, com a continuidade dos investimentos em tecnologia, a região possa se tornar novamente um polo importante de produção de algodão no Brasil.

  • Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    A Embrapa e o Grupo Consultivo de Pesquisa Internacional (CGIAR) assinaram um memorando de entendimento para intensificar a pesquisa em sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e a diretora executiva do CGIAR, Ismahane Elouafi, oficializaram a parceria durante a 20ª Reunião do Conselho do Sistema CGIAR na sede da Embrapa, com a presença de representantes de financiadores e países em desenvolvimento.

    Foco na resiliência e sustentabilidade

    A colaboração entre Embrapa e CGIAR abrange áreas como recursos naturais, biotecnologia, bioeconomia e agricultura digital. A iniciativa visa enfrentar desafios como mudanças climáticas, transição energética e inclusão digital nas áreas rurais.

    Além disso, Massruhá destacou a importância da pesquisa para aumentar a resiliência agrícola e reduzir riscos. A Embrapa já contribuiu significativamente com programas de controle de acidez do solo, manejo integrado de pragas e zoneamento de risco climático. O desenvolvimento da Renovacalc, calculadora oficial de pegada de carbono para a Política Nacional de Biocombustíveis, foi mencionado como um avanço crucial.

    Eventos e compromissos futuros

    A presidente da Embrapa enfatizou o compromisso da instituição com a COP 30 e o potencial da inteligência artificial na agricultura. A recente reunião de cientistas-chefes agrícolas do G-20, coordenada pela Embrapa, reforça esse compromisso com soluções sustentáveis e inovação no campo. A colaboração com o CGIAR promete desenvolver variedades de culturas melhoradas, práticas agrícolas sustentáveis e tecnologias inovadoras para o futuro do planeta.

  • O poder da nutrição: desvendando os segredos da biofortificação

    O poder da nutrição: desvendando os segredos da biofortificação

    A biofortificação é uma estratégia inovadora e promissora no combate à desnutrição e deficiências nutricionais em populações vulneráveis. Diferente da fortificação tradicional, que adiciona nutrientes aos alimentos durante o processamento, a biofortificação enriquece os alimentos na fase de cultivo, através de técnicas de melhoramento genético e biotecnologia. Este processo visa aumentar o teor de vitaminas e minerais essenciais em culturas alimentares básicas, como arroz, feijão, milho, trigo, mandioca e batata-doce.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de dois bilhões de pessoas no mundo sofrem de deficiências de micronutrientes, frequentemente chamadas de “fome oculta”. A falta de nutrientes como ferro, zinco e vitamina A pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo anemia, cegueira e menor resistência a doenças. A biofortificação surge como uma solução sustentável para esse desafio global, especialmente em regiões onde o acesso a uma alimentação diversificada e suplementação é limitado.

    Principais métodos de biofortificação:

    • Melhoramento Genético: Seleção e cruzamento de variedades de plantas da mesma espécie que naturalmente possuem maior teor de nutrientes e boas qualidades agronômicas.
    • Biotecnologia: Uso de técnicas de engenharia genética para introduzir genes que aumentam a concentração de micronutrientes nos alimentos.
    • Agronomia: Aplicação de fertilizantes e outras práticas agrícolas que aumentam a absorção de nutrientes pelas plantas.

    Cada método possui suas vantagens e desafios, mas todos contribuem para a produção de alimentos mais nutritivos sem alterar significativamente suas características sensoriais ou custo de produção.

    Exemplos de Sucesso

    Diversos programas de biofortificação têm mostrado resultados positivos ao redor do mundo. A iniciativa HarvestPlus, um consórcio internacional de pesquisas, tem sido pioneira na promoção da biofortificação. Ela apoia a pesquisa e distribuição de culturas biofortificadas em países da África, Ásia e América Latina, alcançando milhões de pessoas com alimentos mais nutritivos.

    No Brasil, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) coordena a Rede BioFORT que busca diminuir a desnutrição e a fome oculta garantindo maior segurança alimentar através do aumento do teor de nutrientes essenciais como ferro, zinco e vitamina A nos alimentos básicos de nossa alimentação como arroz, feijão, mandioca, batata doce, milho, abobora e trigo.

    tabela comparativa entre alimento convencional e biofortificado
    Reprodução Embrapa – Rede BioFORT

    Desafios e Perspectivas Futuras

    Apesar dos avanços, a biofortificação enfrenta desafios como a aceitação por parte dos agricultores e consumidores, a necessidade de políticas públicas favoráveis e a integração com outras estratégias de segurança alimentar. No entanto, o potencial de impacto positivo é enorme. Com o apoio adequado, a biofortificação pode contribuir significativamente para a erradicação da fome e a melhoria da saúde global.

    A continuação da pesquisa e desenvolvimento, juntamente com programas de educação nutricional e distribuição de sementes biofortificadas e cultivares, são cruciais para o sucesso desta abordagem. A colaboração entre governos, instituições de pesquisa, organizações internacionais e comunidades locais será essencial. Tanto para maximizar os benefícios da biofortificação como alcançar uma nutrição melhor para todos.