Tag: biotecnologia

  • Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Os resultados alcançados por produtores no Concurso Nacional de Produtividade de Milho 2026, promovido pelo Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap), colocaram em evidência o desempenho de híbridos de milho da Bayer em diferentes regiões e sistemas de cultivo. Entre os destaques, produtores alcançaram produtividades superiores a 340 sacas por hectare, enquanto a companhia ampliou para nove o número de lançamentos de híbridos apresentados neste ano.

    A estratégia combina a renovação do portfólio com a oferta de materiais adaptados a diferentes ambientes produtivos. Atualmente, a Bayer reúne mais de 50 híbridos de milho distribuídos no Brasil pelas marcas Agroeste, Dekalb e Sementes Agroceres.

    No concurso, os híbridos da empresa conquistaram o pódio completo na categoria centro irrigado, além de posições de destaque em outras disputas nacionais e estaduais. Os resultados foram registrados em regiões de cultivo irrigado e de sequeiro, incluindo áreas de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Produtividade supera 340 sacas por hectare

    Um dos principais resultados foi registrado na categoria verão sul sequeiro. O Grupo Reinhofer, de Guarapuava (PR), alcançou produtividade de 343,1 sacas por hectare com o híbrido DKB235PRO3, garantindo a sétima colocação no ranking nacional.

    Ainda na mesma categoria, Ralf Karly, de Candói (PR), ficou em nono lugar ao utilizar o DKB242PRO4. A produtividade registrada foi de 339,2 sacas por hectare. Em Santa Catarina, a Agro Mallon, de Canoinhas, garantiu a terceira colocação estadual com o AS1955PRO4, ao atingir 330 sacas por hectare.

    Já na categoria verão sul irrigado, o melhor resultado nacional da Bayer foi obtido por Hugo Mariane Filho, de Chapada (RS). Com o DKB242PRO4, o produtor registrou 308,8 sacas por hectare e alcançou a sétima posição. Ao todo, seis inscrições com híbridos da companhia ficaram entre as 20 primeiras colocações nacionais.

    No Rio Grande do Sul, Carlos Eduardo Sperotto, de Santo Augusto, teve duas participações entre os 20 melhores resultados. O produtor ficou em 11º lugar, com 299,5 sacas por hectare e o AS1955PRO4, além da 15ª posição, com 293,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Também aparecem entre os destaques Paulo Dilly, de Ibirubá, com 294,8 sacas por hectare e a 14ª colocação; Décio Ladir Neuls, de Santa Bárbara do Sul, que ficou em 19º lugar com 286,4 sacas por hectare; e Maurício De Bortoli, de Cruz Alta, com 284,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Minas Gerais concentra resultados de destaque

    Na categoria centro irrigado, Minas Gerais teve o pódio completo formado por produtores que utilizaram o híbrido AS1955PRO4, da Agroeste. O primeiro lugar ficou com a Fazenda Nacional AgroFarm, de São Gonçalo do Sapucaí, que alcançou 289,6 sacas por hectare.

    Olindo César Corso, de Bambuí, registrou 287,6 sacas por hectare e terminou na segunda posição. Alexandre Avelar, de Três Corações, completou o pódio, com produtividade de 280,9 sacas por hectare.

    O desempenho também apareceu na categoria centro sequeiro. Em Goiás, Francisco Godoy Netto, de Catalão, conquistou o título estadual com o AS1868PRO4, ao atingir 251,2 sacas por hectare. Paulo Roberto Shwengber, de Leopoldo de Bulhões, ficou com o vice-campeonato estadual, com 247,3 sacas por hectare e o AG8701PRO4. Eldo Marconi Pereira, de Gameleira de Goiás, completou o pódio com o AG8909PRO4 e 240,9 sacas por hectare.

    Em Minas Gerais, cinco híbridos da companhia apareceram entre as dez primeiras posições do ranking da categoria. Diego Vettori, de Campanha, ficou em segundo lugar, com 299,1 sacas por hectare e o AS1955PRO4. Marcus Veiga, de São João del-Rei, foi o terceiro colocado, com 282,7 sacas por hectare e o mesmo híbrido.

    Carlos Fábio Nogueira Rivelli, também de São João del-Rei, ficou em quarto lugar com o DKB242PRO4, ao alcançar 281,8 sacas por hectare. O produtor ainda apareceu na nona posição com o AS1955PRO4, com 267,1 sacas por hectare. Vander de Sousa Andrade, de Luminárias, foi o sexto colocado, com 278,8 sacas por hectare utilizando o AS1955PRO4.

    Nove lançamentos ampliam opções para produtores

    Os resultados apresentados no Getap ocorrem em um momento de expansão do portfólio de sementes de milho da Bayer. Em 2026, a companhia destacou nove lançamentos de híbridos, volume três vezes maior que o registrado em anos anteriores.

    A estratégia busca ampliar as alternativas disponíveis aos agricultores de acordo com características como região, janela de plantio, ambiente produtivo e sistema de cultivo. Segundo a empresa, entre os materiais de destaque no concurso estão híbridos com a biotecnologia VTPRO4®, voltada à proteção contra as principais pragas da cultura do milho.

    “Os desempenhos alcançados pelos produtores no Getap evidenciam o potencial da combinação entre genética, biotecnologia e manejo adaptado à realidade de cada região. Nosso compromisso é oferecer aos agricultores um portfólio amplo e diversificado, desenvolvido para responder às demandas do campo em diferentes ambientes de produção do País”, afirma Diogo Monteiro, diretor de estratégia para o negócio de milho.

    Além das sementes, a Bayer também registrou presença entre as soluções de proteção de cultivos utilizadas pelos participantes do concurso. Em herbicidas, Roundup® e Soberan® aparecem entre os produtos mais utilizados, enquanto o pré-emergente Adengo® foi apresentado como alternativa para o manejo de plantas daninhas.

    No segmento de fungicidas, Nativo® e Fox Xpro® também ficaram entre os principais produtos utilizados pelos agricultores participantes do Getap.

    Tecnologia apoia escolha de híbridos

    A empresa relaciona os resultados alcançados no concurso aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, melhoramento genético e tecnologias voltadas ao suporte à tomada de decisão no campo.

    Entre essas iniciativas está o Bayer VAlora Milho, programa de agricultura digital que reúne mais de 1.900 produtores participantes no Brasil. Segundo a companhia, a iniciativa é resultado de mais de dez anos de pesquisa e contribui para orientar a escolha de híbridos e estratégias de manejo conforme as características de cada região.

    Para Diogo Monteiro, os resultados obtidos em áreas de sequeiro e irrigadas reforçam a necessidade de selecionar materiais adequados às condições de cada propriedade.

    “Do sequeiro ao irrigado, os resultados obtidos no Getap reforçam a importância de o agricultor contar com híbridos adequados a cada ambiente produtivo. É com essa visão que seguimos investindo para apoiar os produtores na busca por produtividade e rentabilidade”, conclui.

     

  • Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    A bio e a nanotecnologia estão ampliando as alternativas para recuperar áreas degradadas na Amazônia. Nesse contexto, o projeto NanoRad’s reúne empresas e instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento de plantios florestais. A iniciativa é liderada pela Krilltech em parceria com a Shell Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a Bioflore e outros parceiros estratégicos. Além disso, o projeto conquistou a medalha de prata no Energy Summit Awards, durante evento realizado em junho, no Rio de Janeiro.

    O reconhecimento reforça o potencial da tecnologia brasileira para apoiar a restauração ambiental. Ao mesmo tempo, evidencia a importância da cooperação entre ciência e iniciativa privada. Com isso, o projeto ganha visibilidade como uma solução voltada à recuperação de ecossistemas amazônicos.

    Tecnologia busca acelerar a recuperação florestal

    O NanoRad’s utiliza soluções de biotecnologia e nanotecnologia para estimular o crescimento das plantas. Dessa forma, o projeto pretende tornar mais eficiente o processo de restauração florestal. Além disso, a tecnologia contribui para a regeneração de áreas degradadas na Amazônia.

    Segundo os responsáveis pela iniciativa, a proposta amplia o desempenho dos plantios florestais. Ao mesmo tempo, fortalece ações voltadas à conservação ambiental. Por isso, o projeto integra um conjunto de soluções baseadas na natureza para recuperar ecossistemas.

    O NanoRad’s também faz parte do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). O centro foi lançado em abril de 2026 com investimento da Shell Brasil. Os recursos são provenientes da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Centro reúne pesquisadores e empresas

    O Cibrad reúne pesquisadores, empresas, startups e instituições científicas. Assim, cria uma rede colaborativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para a recuperação ambiental. O trabalho contempla os nove estados da Amazônia Legal.

    Além disso, o centro conecta pesquisa científica, inovação tecnológica e soluções baseadas na natureza. Com isso, busca ampliar iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, fortalece projetos com potencial de gerar impactos ambientais positivos.

    A conquista no Energy Summit Awards reforça esse trabalho conjunto. Segundo a Krilltech, o reconhecimento demonstra o potencial da inovação brasileira para enfrentar desafios ambientais. Além disso, destaca a importância da colaboração entre empresas e instituições de pesquisa.

    Para Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech, a premiação reconhece o esforço coletivo para desenvolver novas tecnologias voltadas à restauração ambiental.

    “O reconhecimento do NanoRad’s evidencia a força da colaboração entre diferentes atores do ecossistema de inovação. Acreditamos que tecnologias sustentáveis, aliadas ao conhecimento científico, são fundamentais para acelerar a restauração da Amazônia e construir novos caminhos para uma economia de baixo carbono”, destaca.

    Por fim, a premiação amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Dessa maneira, projetos como o NanoRad’s reforçam o papel da inovação na recuperação de áreas degradadas e na conservação da Amazônia.

  • Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    A inovação no agro ocupa papel cada vez mais estratégico para garantir a competitividade da agricultura brasileira. Essa foi a principal conclusão dos debates realizados durante evento promovido pela Bayer, em 15 de junho, em São Paulo. Especialistas, representantes da indústria, juristas e produtores rurais discutiram os fatores que sustentam o desenvolvimento tecnológico no campo e os desafios para atender às novas demandas do mercado.

    Ao longo de três painéis, os participantes defenderam que o avanço do agronegócio depende da combinação entre pesquisa científica, segurança jurídica, proteção da propriedade intelectual e adoção de novas tecnologias. Além disso, destacaram a necessidade de preparar o setor para um cenário marcado pela transição energética, pela busca por sustentabilidade e pelo aumento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis.

    Da pesquisa ao campo

    O painel “Do laboratório à lavoura: como a inovação chega ao campo” contou com a mediação de Francila Calica, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas da Bayer para a América Latina. Participaram da discussão Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer; Tages Martinelli, CEO da Sementes Jotabasso; e o produtor rural Pompílio Rocha Silva, engenheiro agrônomo e agricultor de Chapadão do Sul (MS).

    Durante o debate, os especialistas explicaram que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia exige tempo, investimento e planejamento. Em muitos casos, uma tecnologia leva entre 12 e 15 anos para chegar ao mercado. Nesse período, pesquisadores realizam estudos em laboratório, testes em campo e avaliações regulatórias antes da liberação comercial.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Os debatedores também destacaram o papel das sementes na transferência de tecnologia. Segundo eles, a genética carrega boa parte das inovações que chegam às propriedades rurais, permitindo ganhos de produtividade, resistência a pragas e maior adaptação às condições climáticas.

    Ao mesmo tempo, os participantes lembraram que a tecnologia não gera resultados sozinha. O produtor precisa combinar genética, manejo e conhecimento técnico para extrair o máximo potencial das ferramentas disponíveis.

    Nesse contexto, as mudanças climáticas ampliam a importância da inovação. Eventos extremos, como estiagens prolongadas e irregularidade das chuvas, exigem cultivares mais resilientes e sistemas produtivos mais eficientes.

    Segurança jurídica impulsiona investimentos

    O segundo painel, “Segurança jurídica e os pilares da inovação”, teve mediação de Andrea Garcia, vice-presidente Jurídica, de Patentes e Compliance da Bayer no Brasil. Participaram da discussão Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, e Luiz Henrique do Amaral, sócio sênior do escritório Dannemann e membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).

    Os especialistas defenderam que a inovação depende de um ambiente regulatório estável e previsível. Segundo eles, empresas e instituições de pesquisa investem bilhões de reais em projetos que levam anos para apresentar resultados. Por isso, a proteção da propriedade intelectual se torna fundamental para estimular novos investimentos.

    Durante o debate, os participantes explicaram que muitas tecnologias estudadas nunca chegam ao mercado. Dessa forma, mecanismos como patentes e proteção de cultivares ajudam a garantir retorno aos investimentos realizados ao longo do processo de pesquisa.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Catharina Pires ressaltou que o crescimento do agro brasileiro resulta da combinação entre condições produtivas favoráveis, produtores dispostos a adotar tecnologia e um ambiente jurídico capaz de oferecer segurança para quem investe em inovação.

    Além disso, os debatedores abordaram o impacto da pirataria de sementes. Dados apresentados durante o painel indicam que cerca de 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil têm origem ilegal. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, esse percentual ultrapassa 28%.

    Segundo os especialistas, a prática provoca prejuízos econômicos para toda a cadeia produtiva. Além disso, aumenta os riscos relacionados à qualidade das sementes, à produtividade das lavouras e à segurança fitossanitária.

    Biocombustíveis ampliam oportunidades

    O terceiro painel, “Sementes, inovação e novas demandas de mercado”, foi mediado por Rafael Mendes, diretor do negócio de soja da Bayer. Participaram da discussão Fábio Meneghin, fundador da Veeries, e Catarina Correa, gerente de Relações Institucionais da Bayer.

    Os participantes analisaram as transformações que devem influenciar o futuro da agricultura brasileira. Segundo eles, a demanda por proteína animal continuará importante para a soja. No entanto, novos mercados começam a ganhar espaço e podem impulsionar a próxima fase de crescimento do setor.

    Entre essas oportunidades estão os biocombustíveis. Os especialistas destacaram que programas voltados ao biodiesel e ao combustível sustentável de aviação (SAF) devem ampliar a demanda por óleo vegetal nos próximos anos.

    Nesse cenário, a Lei do Combustível do Futuro aparece como um instrumento capaz de oferecer previsibilidade para investimentos e estimular o crescimento da cadeia produtiva.

    Além disso, os debatedores destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para aproveitar essa oportunidade. O País possui escala de produção, capacidade tecnológica e experiência na utilização de fontes renováveis de energia.

    Sustentabilidade entra na agenda do mercado

    A sustentabilidade também ganhou espaço nas discussões. Segundo Catarina Correa, os mercados internacionais exigem cada vez mais informações sobre a origem dos produtos e sobre as emissões associadas à produção agrícola.

    Por isso, produtores e empresas precisam avançar na adoção de ferramentas capazes de medir e comprovar práticas sustentáveis. Entre elas estão sistemas de agricultura digital, monitoramento de indicadores ambientais e programas de mensuração de carbono.

    Ao mesmo tempo, os participantes ressaltaram que o aumento da produtividade continua sendo o principal caminho para ampliar a produção de forma sustentável. Dessa forma, a inovação seguirá desempenhando papel central na agricultura brasileira.

    As novas tecnologias também devem contribuir para o desenvolvimento de cultivares mais eficientes, mais adaptadas às mudanças climáticas e capazes de atender às exigências de consumidores e mercados globais.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O papel da inovação no futuro do agro

    Embora tenham abordado temas distintos, os três painéis convergiram para uma mesma conclusão. O futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de transformar conhecimento científico em soluções práticas para o campo.

    Pesquisa, genética, biotecnologia, segurança jurídica e sustentabilidade formam uma base essencial para sustentar a competitividade do setor. Além disso, a integração entre ciência, indústria e produtores continuará determinando a velocidade com que novas tecnologias chegarão às propriedades rurais.

    Diante das mudanças climáticas, da transição energética e do crescimento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis, os participantes defenderam que a inovação continuará sendo uma das principais ferramentas para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira nas próximas décadas.

  • Sem abate: Embrapa produz carne em laboratório

    Sem abate: Embrapa produz carne em laboratório

    A Embrapa desenvolve carne cultivada em laboratório como alternativa à produção animal tradicional. A tecnologia dispensa o abate e busca reduzir impactos ambientais. A pesquisa reúne equipes da Embrapa Suínos e Aves, em Santa Catarina, e do Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.

    Os pesquisadores já produziram protótipos de filé de peito de frango cultivado. Além disso, o laboratório desenvolveu alimentos vegetais impressos em 3D, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

    Como funciona a produção de carne cultivada

    A técnica utiliza células retiradas de animais vivos por meio de uma pequena biópsia. Em seguida, os cientistas cultivam essas células em ambiente controlado. O meio de cultivo contém oxigênio, glicose, aminoácidos e sais minerais. Esses nutrientes permitem a multiplicação celular.

    A produção combina técnicas de engenharia de tecidos e biotecnologia celular. Os métodos também são utilizados na medicina regenerativa.

    Segundo a analista da Embrapa, Naiara Milagres Augusto da Silva, os pesquisadores isolam diferentes tipos celulares presentes no tecido muscular. Depois, a equipe seleciona as células desejadas e amplia sua multiplicação em larga escala.

    Estruturas garantem crescimento do tecido

    O tecido muscular cultivado precisa de uma superfície para crescer e se organizar. Essas estruturas imitam a matriz extracelular presente nos organismos vivos. Os pesquisadores utilizam suportes fibrosos, conhecidos como scaffolds, e microcarreadores esféricos.

    Os scaffolds orientam as células e ajudam na formação muscular tridimensional. Já os microcarreadores ampliam a área de crescimento celular. Segundo nota técnica da Embrapa, essas estruturas favorecem a produção em larga escala do tecido muscular.

    Além disso, elas influenciam características importantes da carne cultivada. Entre elas estão textura, firmeza, retenção de água e mastigação.

    Proteínas vegetais ganham destaque na pesquisa

    Foto: divulgação – Agência Brasil/Valter Campanato

    O Laboratório de Nanobiotecnologia também desenvolve biomateriais produzidos a partir de proteínas vegetais. Esses materiais servem como suporte para adesão e multiplicação das células da carne cultivada.

    Entre as soluções estão malhas compostas por fibras nanométricas. Embora pareçam folhas de papel, elas apresentam estrutura porosa ao microscópio. Essa superfície reproduz condições semelhantes às encontradas nos tecidos naturais dos animais.

    Segundo Naiara da Silva, o objetivo é ampliar o uso de insumos vegetais e reduzir a dependência de componentes de origem animal.

    Película comestível deve chegar em 2027

    Foto: divulgação – Agência Brasil / Valter Campanato

    Os pesquisadores também criaram uma película comestível para embutidos produzidos com carne cultivada. O material funciona como revestimento para produtos semelhantes à linguiça.

    De acordo com o pesquisador Luciano Paulino da Silva, o protótipo deverá ser concluído em 2027. Ele afirma que a tecnologia poderá integrar o portfólio de ativos tecnológicos da Embrapa já no próximo ano. Após essa etapa, empresas parceiras poderão adaptar os produtos para aplicações industriais e comerciais.

    Carne cultivada já possui regulamentação no Brasil

    O setor também avança na área regulatória. Em 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a Resolução RDC nº 839. Em geral, a norma estabelece diretrizes para a produção de carne cultivada no país.

    Além do Brasil, países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem a tecnologia. Esses mercados já possuem aprovação regulatória e comercial para produtos derivados de carne cultivada.

    Os resultados das pesquisas realizadas pela Embrapa foram publicados na revista científica Foods, especializada em ciência e tecnologia de acesso aberto.

  • Porcos doam órgãos? Entenda o transplante inédito realizado na China

    Porcos doam órgãos? Entenda o transplante inédito realizado na China

    Um avanço científico realizado na China chamou a atenção e reforçou o potencial da suinocultura na área da saúde. Pesquisadores da Universidade Médica de Guangxi, localizada no sul do país, realizaram o primeiro transplante simultâneo de fígado e rins de porco em um ser humano.

    Os órgãos foram retirados de um porco geneticamente modificado e transplantados para um homem de 53 anos que havia sido diagnosticado com morte cerebral.

    Nova etapa dos xenotransplantes

    A cirurgia é considerada um marco para os chamados xenotransplantes, nome dado aos transplantes realizados entre espécies diferentes.

    Segundo informações publicadas pela revista científica Nature, os estudos mais avançados até então haviam demonstrado o funcionamento de apenas um órgão animal por vez em seres humanos. Agora, pela primeira vez, cientistas comprovaram que múltiplos órgãos provenientes do mesmo animal podem operar simultaneamente dentro de um corpo humano.

    Técnica é vista como esperança para reduzir filas de transplante no mundo inteiro — Foto: Wildpixel/Getty Images

    Além disso, os resultados iniciais foram considerados bastante positivos. Menos de 24 horas após o procedimento, o fígado suíno já produzia bile normalmente, enquanto os rins transplantados passaram a filtrar o sangue e reduzir os níveis de creatinina, um dos principais indicadores utilizados para avaliar a função renal.

    Modificações genéticas foram essenciais

    Para tornar o transplante viável, os pesquisadores precisaram realizar uma série de alterações genéticas no animal doador.

    De acordo com o estudo, foram feitas seis modificações no genoma do porco. Três genes associados à rejeição imunológica foram removidos. Em contrapartida, outros três genes humanos foram inseridos para aumentar a compatibilidade entre os tecidos e reduzir os riscos de coagulação após o transplante.

    Por que os porcos são candidatos ideais?

    Os porcos vêm sendo apontados há anos como uma das alternativas mais promissoras para ampliar a oferta de órgãos destinados a transplantes.

    Além da facilidade de criação em larga escala, os animais possuem órgãos com tamanho, anatomia e características fisiológicas semelhantes às encontradas nos seres humanos.

    Suínos se destacam em pesquisas voltadas à medicina regenerativa — Foto: AEN Paraná

    Nos últimos anos, diversos estudos envolvendo órgãos suínos geneticamente modificados ganharam espaço em centros de pesquisa ao redor do mundo. O objetivo é reduzir a dependência de doadores humanos e ajudar a diminuir as longas filas de espera por rins, fígados, corações e outros órgãos vitais.

    Oferta global de órgãos

    Embora a técnica ainda seja considerada experimental, os pesquisadores da Universidade Médica de Guangxi avaliam que o resultado obtido fortalece a viabilidade dos xenotransplantes como solução para a crescente escassez de órgãos no mundo.

    Além disso, os cientistas acreditam que, caso os desafios relacionados à rejeição imunológica sejam superados nos próximos anos, os porcos geneticamente modificados poderão desempenhar papel estratégico no fornecimento de órgãos para transplantes.

  • Conheça as estratégias do produtor contra o El Niño em 2026

    Conheça as estratégias do produtor contra o El Niño em 2026

    O setor produtivo brasileiro já monitora com atenção as projeções para o próximo ciclo. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica uma probabilidade de 80% de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano. Com intensidade prevista de moderada a forte, o fenômeno deve elevar a temperatura dos oceanos em cerca de 1,5 °C, o que impacta diretamente o desenvolvimento da safra 2026/27.

    O aquecimento da superfície do Oceano Pacífico na região Niño 3.4 define a força do fenômeno. Embora a confirmação exata da intensidade deva ocorrer entre agosto e setembro, especialistas recomendam atenção imediata.

    Gilberto Coelho, engenheiro agrícola, professor e diretor de Meio Ambiente da UFLA. Foto: Divulgação

    Atualmente, o campo conta com aliados poderosos para antecipar esses cenários. O uso de Inteligência Artificial (IA), redes neurais e modelos físico-matemáticos elevou a precisão das previsões meteorológicas. Segundo o engenheiro agrícola Gilberto Coelho, a evolução das imagens de satélite e a expansão das estações meteorológicas garantem resultados muito mais assertivos do que no passado, permitindo um planejamento estratégico robusto.

    O desafio da irregularidade climática

    O El Niño desenha um mapa de contrastes para o Brasil: chuvas acima da média na região Sul e estiagens severas no Centro-Norte e Nordeste. Já o Sudeste e o Centro-Oeste devem enfrentar maior instabilidade e ondas de calor intensas.

    Felipe Schwerz, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Foto: Divulgação

    A principal preocupação dos especialistas não é apenas o volume total de chuva, mas a sua distribuição. Felipe Schwerz, professor da UFLA, alerta que a precipitação pode se concentrar em poucos períodos, gerando lacunas hídricas em fases sensíveis das culturas. Essa falta de água, somada ao calor excessivo, prejudica processos vitais das plantas, como a fotossíntese, o crescimento e o florescimento.

    Estratégias para proteger a produtividade

    Diante de um cenário de custos elevados e margens pressionadas, a gestão profissional da propriedade torna-se indispensável. Para mitigar os riscos, os produtores devem focar em:

    • Monitoramento constante de dados agrometeorológicos.
    • Escolha criteriosa de insumos e cultivares tolerantes ao déficit hídrico.

    Contratação de seguro agrícola

    Além da gestão, a biotecnologia oferece soluções diretas contra o estresse térmico. Renato Menezes, da Agroallianz, destaca que tecnologias como Osmobetan e Amino 75 ajudam a manter o equilíbrio metabólico das plantas mesmo sob condições extremas. Essas ferramentas preservam processos como o pegamento de flores e o desenvolvimento de grãos, garantindo maior estabilidade para o produtor em safras marcadas pela instabilidade climática.

    Imagem gerada por IA

    Com as mudanças no clima, o sucesso da agricultura brasileira depende, cada vez mais, da capacidade do produtor em aliar tecnologia e planejamento preventivo.

  • Brasil cria 1º porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS

    Brasil cria 1º porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS

    Criação de porco no Brasil sempre foi sinônimo de prato cheio e exportações recordes, mas agora o setor acaba de ganhar uma função nobre que vai muito além da gastronomia. O país acaba de anunciar o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina focado especificamente em fornecer órgãos para seres humanos via SUS. Essa técnica, chamada de xenotransplante, utiliza o animal como um doador compatível, resolvendo um dos maiores gargalos da saúde pública: a fila de espera por um rim ou coração. A partir daí, o que era ciência de filme de ficção vira realidade dentro dos nossos laboratórios de genética.

    A elite da genética suína a serviço da vida

    Não se trata de um animal comum criado em qualquer granja. Esse suíno passou por modificações genéticas complexas para que seu organismo não sofra rejeição ao ser transplantado para um humano. O processo de clonagem garante que essas características especiais sejam replicadas com perfeição, criando uma linhagem de doadores padronizada. Além disso, a escolha do porco não é por acaso; a anatomia e o tamanho dos órgãos suínos são incrivelmente semelhantes aos nossos. Assim, a pecuária de precisão brasileira mostra que sua expertise em melhoramento genético pode salvar vidas em escala industrial.

    O marco histórico da ciência brasileira em 2026

    O nascimento deste animal é um divisor de águas para a biotecnologia nacional. No entanto, o desafio foi imenso, exigindo anos de estudos para “desligar” os genes que causariam ataques do sistema imunológico humano. O sucesso desse projeto coloca o Brasil em um grupo seleto de nações que dominam o ciclo completo da edição genética animal, provando que o conhecimento gerado no campo tem aplicações infinitas na cidade.

    Do laboratório ao sistema público de saúde

    O impacto dessa inovação no SUS será monumental nos próximos anos. Atualmente, milhares de brasileiros aguardam anos por um doador compatível, e muitos não sobrevivem à espera. Com a possibilidade de “produzir” esses órgãos em ambientes controlados e biosseguros, o cenário muda completamente. Em contraste com o sistema atual de doação voluntária, que é imprevisível, a clonagem para xenotransplante oferece uma oferta constante e segura. Por outro lado, o rigor sanitário na criação desses animais é dez vezes superior ao de uma granja comercial, exigindo instalações de isolamento total.

    O futuro do agro passa pela biotecnologia

    A consequência natural desse avanço é a abertura de um novo mercado para o agronegócio de alta tecnologia. O produtor que investe em genética e biosseguridade já entende que o valor agregado está no conhecimento técnico. Assim, o porco clonado brasileiro não é apenas um feito médico, mas um certificado de competência da nossa ciência animal. Além disso, esse projeto abre portas para que outros animais sejam utilizados na produção de biofármacos, consolidando o Brasil como o verdadeiro hub de soluções biológicas do planeta.

  • Soja e algodão em sucessão cortam custos com pragas e revitalizam o solo do Cerrado

    Soja e algodão em sucessão cortam custos com pragas e revitalizam o solo do Cerrado

    Com a colheita da soja 2025/26 em andamento, produtores de regiões como o Mato Grosso já direcionam a atenção para a cultura sucessora: o algodão. A rotação entre soja e algodão consolida uma estratégia eficiente para manter o solo produtivo durante quase todo o ano, mas exige planejamento detalhado para superar desafios como plantas daninhas, soqueiras e a pressão de pragas.

    Especialistas afirmam que o sucesso desse sistema depende, em grande parte, da escolha correta da biotecnologia aplicada à semente de soja. A rotação adequada promove uma redução significativa na incidência de doenças, pragas como o bicudo-do-algodoeiro e plantas invasoras, melhorando também a saúde e a estrutura do solo.

    Janela curta e escolha estratégica da semente

    A principal limitação para o produtor que adota a sucessão soja-algodão é a estreita janela de plantio. Para contornar esse obstáculo, a seleção de variedades de soja de ciclo precoce e com a biotecnologia correta torna-se uma decisão fundamental.

    Pedro Borges, gerente de Marketing de Licenciamento para a Região Norte na Corteva Agriscience, explica que a escolha errada da semente pode criar problemas na cultura seguinte. “O produtor deve evitar variedades de soja STS nessa rotação. O controle de plantas voluntárias de soja no algodoeiro fica comprometido, pois os herbicidas mais usados para esse manejo são do grupo ALS, os mesmos da tecnologia STS”, detalha Borges.

    Ele destaca que o Sistema Enlist® oferece uma solução, com um portfólio de variedades de soja não-STS desenvolvidas para esse cenário. A tecnologia auxilia no controle eficaz de plantas daninhas de difícil manejo e das soqueiras do algodão, preparando o terreno para a próxima safra.

    Controle de “ponte verde” e inimigos da produtividade

    Eliminar as soqueiras (restos de caule e raiz) e as plantas voluntárias que nascem após a colheita é uma etapa crucial. Essas plantas funcionam como uma “ponte verde”, hospedando pragas e doenças que atacam a cultura subsequente.

    “O controle da soqueira do algodão é vital para reduzir a pressão do bicudo e da ramulária. Da mesma forma, plantas daninhas como o capim pé-de-galinha e a vassourinha-de-botão, muito comuns no Centro-Oeste, causam grandes perdas produtivas se não forem manejadas na entressafra”, avalia o especialista da Corteva.

    A rotação de culturas com biotecnologias compatíveis, portanto, não só otimiza o uso da terra, mas também quebra o ciclo de pragas e patógenos, reduzindo a dependência de intervenções corretivas e gerando economia para o produtor.

  • Nova biotecnologia promete acabar com praga que devasta plantações no Brasil

    Nova biotecnologia promete acabar com praga que devasta plantações no Brasil

    Uma parceria estratégica entre três gigantes do agronegócio mundial promete revolucionar o cultivo de soja no Brasil. BASF, Corteva Agriscience e M.S. Technologies anunciaram um acordo para lançar, até o final desta década, a primeira combinação comercial de biotecnologias capaz de combater efetivamente os nematoides, pragas microscópicas responsáveis por bilhões em perdas na agricultura brasileira.

    A inovação consiste na combinação do trait NRS (resistência a nematoides) desenvolvido pela BASF com as tecnologias já consolidadas Enlist E3® e Conkesta E3®. Esta solução biotecnológica inédita no setor oferece proteção simultânea contra nematoides, plantas daninhas e insetos-praga.

    Eficácia comprovada em sete anos de testes

    O trait NRS demonstrou resultados impressionantes durante seu desenvolvimento. Em mais de 160 testes de campo realizados ao longo de sete anos, a tecnologia apresentou mais de 90% de controle dos nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e dos nematoides do cisto da soja (Heterodera glycines).

    “Este novo trait disruptivo representa uma mudança de paradigma no controle de nematoides”, explica Adolfo Vitorio Ulbrich, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Sementes da BASF Soluções para Agricultura na América Latina. “Pela primeira vez, os agricultores brasileiros terão uma ferramenta biotecnológica comercial para combater essas pragas microscópicas de difícil controle.”

    Foto: Divulgação Basf

     

    A parceria permite que a tecnologia NRS seja integrada aos sistemas já estabelecidos no mercado. A soja Enlist E3 oferece tolerância a três tipos de herbicidas (2,4-D sal colina, glifosato e glufosinato), proporcionando maior flexibilidade no manejo de plantas daninhas resistentes.

    Já a tecnologia Conkesta E3 incorpora duas proteínas Bt (Cry1F e Cry1Ac) específicas para o controle das principais lagartas que atacam a cultura da soja. Uma solução desenvolvida especialmente para as necessidades da América Latina.

    Impacto econômico significativo

    Os nematoides representam uma das principais ameaças à produtividade da soja brasileira, causando perdas substanciais que afetam diretamente a economia do agronegócio nacional. O Brasil é o maior produtor mundial de soja, e qualquer avanço tecnológico que melhore a produtividade tem impacto global.

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    “Combinar nossa genética Enlist E3 e Conkesta E3 com o trait NRS da BASF representa uma mudança radical na proteção de valor para os produtores de soja da América do Sul”, destaca Joe Merschman, presidente da M.S. Technologies.

    Cronograma e perspectivas futuras

    As empresas estimam que as variedades comerciais contendo a nova tecnologia estarão disponíveis para os agricultores brasileiros até o final desta década ou início da próxima, dependendo das aprovações regulatórias e conclusão dos testes de campo finais.

    Soja atacada por nematoide / Foto: divulgação – Embrapa

    Christian Pflug, diretor de Licenciamento da Corteva para o Brasil e Paraguai, demonstra otimismo com a parceria. “Esta colaboração oferece aos produtores brasileiros uma nova ferramenta essencial para a proteção contra duas das pragas mais desafiadoras da soja.”

    A expansão para outros países sul-americanos também está sendo considerada pelas empresas, sinalizando o potencial de transformação regional da agricultura através desta inovação biotecnológica.

    Os termos financeiros do acordo não foram divulgados pelas empresas envolvidas na parceria.

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  • Cientistas descobrem fungo que extrai ouro

    Cientistas descobrem fungo que extrai ouro

    Em uma descoberta que promete abalar os alicerces da mineração tradicional, pesquisadores da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) identificaram um fungo microscópico com capacidade única: extrair ouro do ambiente e incorporá-lo em sua estrutura biológica. Publicado na renomada Nature Communications, o estudo revela que cepas do Fusarium oxysporum não apenas interagem com partículas de ouro, mas crescem mais rápido na presença do metal.

    O fungo que “cultiva” ouro

    Encontrado próximo a Perth, na região de Boddington – área rica em jazidas auríferas –, o Fusarium oxysporum desafia a química convencional. O ouro é um metal quimicamente inerte, ou seja, dificilmente reage com outros elementos. Por isso, a descoberta de que um organismo vivo pode metabolizá-lo surpreendeu até os cientistas.

    “É a primeira evidência sólida de que fungos participam ativamente do ciclo biogeoquímico do ouro”, explica Tsing Bohu, líder do estudo.

    Como funciona a “mineração metabólica”?

    Batizada por pesquisadores como Eduardo Bazo, a técnica de usar organismos vivos para extrair metais ganha contornos revolucionários. O processo envolve:

    • Absorção: o fungo retira nanopartículas de ouro do solo ou de rochas.
    • Metabolização: o metal é integrado à estrutura do fungo, formando depósitos visíveis sob microscopia.
    • Crescimento acelerado: surpreendentemente, o fungo se desenvolve melhor em ambientes auríferos.

    Aplicações na terra… e no espaço

    A Austrália, 2º maior produtor global de ouro, já enxerga potencial econômico. Mas a ambição vai além:

    • Mineração sustentável: substituir escavações predatórias por bioextração reduziria poluição, desmatamento e consumo de energia.
    • Exploração espacial: a ESA (Agência Espacial Europeia) estuda usar fungos geneticamente modificados para processar minerais em asteroides ou na Lua.

    “Imagine colonizar Marte com ‘fazendas de fungos’ extraindo metais. É viável em algumas décadas”, especula um colaborador anônimo do projeto.

    Vantagens sobre a mineração tradicional

    Enquanto métodos convencionais geram:

    💀 Rios contaminados por mercúrio e cianeto.

    🌳 Destruição de ecossistemas inteiros.

    ⚡ Alto gasto energético (a mineração consome 10% da energia global),

    A biotecnologia fungal promete:

    ♻️ Extração sem escavação.

    🌍 Redução de 90% dos resíduos tóxicos.

    💡 Custo operacional até 5x menor.

    Mas, apesar do otimismo, cientistas alertam:

    • A eficiência do fungo em larga escala ainda não foi testada.
    • Modificações genéticas serão necessárias para adaptá-lo a diferentes minérios (como lítio e cobre).
    • Regulamentações ambientais e de biossegurança precisam ser criadas.

    Um futuro dourado?

    Se confirmada, a técnica colocará fungos no centro de uma nova era industrial – mais limpa e eficiente. Enquanto isso, a corrida por patentes de bioengenharia mineral já começou. Resta saber se a natureza, mais uma vez, nos dará a chave para progredir sem destruir.

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