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  • Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    Cooperativa de Tomé-Açu impulsiona agrofloresta sustentável

    O cooperativismo na Amazônia assume múltiplas faces e mostra que há caminhos possíveis para conciliar produção agrícola, inclusão social e preservação ambiental. Enquanto na comunidade de Anã, em Santarém, o turismo ecológico fortalece famílias ribeirinhas e protege o ecossistema; em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, agricultores encontraram na agrofloresta a resposta para frear a degradação causada pela expansão da pecuária e da soja. Neste município, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) se tornou símbolo de inovação, tradição e desenvolvimento sustentável — um modelo replicável para toda a Amazônia.

    Quase um século de cooperação

    Fundada em 1929 por imigrantes japoneses, a cooperativa nasceu em meio ao desafio de adaptar cultivos tropicais ao clima e ao solo amazônicos. Com o tempo, consolidou-se como protagonista na difusão de técnicas agrícolas e na criação de alternativas sustentáveis para crises enfrentadas pela região. Hoje, reúne mais de 600 famílias cooperadas e alcança um faturamento anual superior a R$ 124 milhões.

    Alberto Oppata, Presidente da CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Seu parque agroindustrial permite beneficiamento e exportação de cacau, açaí, pimenta-do-reino, cupuaçu, maracujá e outras frutas tropicais. Os produtos chegam a mercados como da Europa, Ásia e América do Norte. Cada um leva consigo não apenas qualidade e rastreabilidade, mas também a marca de uma agricultura que respeita o meio ambiente e valoriza a diversidade cultural local.

    “Estamos celebrando também os 96 anos da imigração japonesa, que trouxe conhecimento agrícola e visão de comunidade para esta região”, recorda o presidente da cooperativa, Alberto Oppata. Para ele, o segredo da longevidade está na resiliência: depois da praga que dizimou a pimenta-do-reino nos anos 1960, os produtores aprenderam que diversificação e inovação eram o único caminho.

    Agrofloresta como alternativa de futuro

    O grande diferencial da cooperativa está na difusão dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), em que culturas agrícolas se misturam com espécies nativas da floresta. Essa integração recupera áreas degradadas, melhora o microclima, protege a biodiversidade e garante renda contínua ao agricultor.

    Ernesto Suzuki, Cooperado CAMTA/ CEO Casa Suzuki – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Um exemplo emblemático é o SAF dendê, conduzido pelo cooperado Ernesto Suzuki. Desde 2008, em parceria com a Natura, a Embrapa e instituições de pesquisa, ele testa técnicas de cultivo sustentável da palmeira, combinada a espécies como cacau, açaí e andiroba. O resultado é produção sem queimadas, com adubação orgânica e baixo custo de manutenção. “Hoje, conseguimos produzir dendê, cacau, açaí e andiroba juntos, mantendo equilíbrio ecológico e garantindo receita desde o primeiro ano”, explica Suzuki.

    Além da produção agrícola, Suzuki criou a Casa Suzuki em 2023, espaço dedicado à valorização da biodiversidade. Lá, cacau é transformado em chocolates finos, pesquisas com cogumelos avançam em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e turistas vivenciam experiências únicas, como o banho de floresta.

    Histórias que preservam a memória e a floresta

    A diversidade também marca a trajetória da família Mineshita, que há mais de três décadas aposta no sistema consorciado como forma de enfrentar pragas e garantir renda estável. Em 20 hectares, sendo 15 cultivados, o engenheiro agrônomo Armando Tamotsu Mineshita produz cacau, açaí, cupuaçu, banana, pitaya, rambutan e mangostão.

    Armando Mineshita, agricultor e cooperado CAMTA – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O modelo adotado cria um microclima que mantém a umidade, reduz o uso de adubos químicos e proporciona conforto até na hora da colheita. “Trabalhar no sol é difícil, mas aqui, pela manhã ou à tarde, a temperatura é sempre agradável”, comenta o agricultor. A produção atual chega a 10 toneladas de cacau, 7 de açaí e 7 de cupuaçu por ano.

    Para Mineshita, a grande lição é que a diversificação gera riqueza. “Aqui, aprendemos que é possível produzir em grande escala e, ao mesmo tempo, cuidar da floresta. A diversidade protege e fortalece a produção.”

    Inovação, inclusão e bioeconomia

    A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu não é apenas uma associação de produtores. É também espaço de pesquisa, formação técnica e valorização social. A organização promove cursos de capacitação, mantém parcerias com universidades e empresas privadas e incentiva a participação feminina na gestão, com um comitê voltado para mulheres cooperadas.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com esse trabalho, a cooperativa se tornou exemplo da bioeconomia amazônica, em que biodiversidade e conhecimento científico se transformam em geração de renda e oportunidades. Reconhecida nacional e internacionalmente, a experiência de Tomé-Açu é estudada por universidades e organismos multilaterais como modelo de agricultura tropical sustentável.

    Símbolo da Amazônia que dá certo

    As histórias de Oppata, Suzuki e Mineshita mostram que o futuro da Amazônia pode ser construído com base em tradição, ciência e cooperação. Mais que produzir alimentos, a cooperativa e seus associados criam uma narrativa de resistência e esperança: a de que é possível conciliar floresta em pé, qualidade de vida no campo e desenvolvimento econômico.

    Com quase um século de história, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu permanece como símbolo vivo de que a agricultura amazônica não precisa repetir o modelo predatório. Ao contrário: pode ser inspiração para o Brasil e para o mundo.

  • Economia sustentável – baru do Cerrado chega à Europa

    Economia sustentável – baru do Cerrado chega à Europa

    Pela primeira vez, um produto originário do Cerrado brasileiro está oficialmente liberado para comercialização em todos os países da União Europeia. A castanha de baru, fruto típico da região, conquistou o mercado internacional após mais de 25 anos de trabalho da CoopCerrado, com assessoria do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) e apoio estratégico da Fundação Banco do Brasil (FBB).

    A autorização abre portas para um superalimento rico em proteínas e antioxidantes, enquanto fortalece a bioeconomia brasileira, gerando renda para agricultores familiares e extrativistas.

    Fundação BB foi crucial para o salto internacional

    A FBB atua como parceira do projeto desde 2005, financiando cerca de 15 iniciativas voltadas à inovação, sustentabilidade e geração de renda no Cerrado. Um dos marcos foi a instalação da primeira plataforma industrial de processamento do baru, viabilizada com recursos da fundação e do BNDES, permitindo escalar a produção e alcançar mercados globais.

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    “A entrada no mercado europeu é histórica. Além de valorizar um produto brasileiro, fortalece a inclusão produtiva e a conservação do Cerrado”, afirma Kleytton Morais, presidente da Fundação BB.

    Baru já era exportado, mas Europa é um marco

    Antes da Europa, o baru já era vendido para Estados Unidos e Oriente Médio. Agora, a certificação europeia consolida o potencial da sociobiodiversidade brasileira como alternativa sustentável.

    “A Fundação BB trouxe uma visão estratégica que permitiu ao baru ganhar escala e chegar ao mundo”, destaca Alessandra Karla da Silva, coordenadora do Cedac.

    Adalberto Gomes dos Santos, agricultor familiar de Lassance (MG), cresceu vendo o baru como alimento cotidiano. Hoje, o fruto é fonte de renda e símbolo de coletividade.

    “O baru despertou nas famílias o interesse em preservar e plantar. Agora que ganhou o mundo, vai trazer ainda mais benefícios”, celebra Adalberto.

    Com a abertura do mercado europeu, a expectativa é que a demanda pelo produto aumente, fortalecendo ainda mais a economia sustentável do Cerrado e a vida de quem depende dele.

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  • AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    A Embrapa Meio Ambiente lançou o AgroTagMFE, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite mapear, registrar e monitorar em tempo real práticas sustentáveis de manejo florestal, com foco na castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade amazônica. A tecnologia integra o sistema AgroTag e oferece transparência para mercados nacionais e internacionais. Além de agregar valor à cadeia produtiva da castanha, um dos principais pilares da bioeconomia na região.

    Desenvolvido a partir do módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo), o AgroTagMFE atende projetos como “Manejo Florestal Extrativismo: criando referências para o desenvolvimento territorial na Amazônia” e “NewCast – Novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia”. O aplicativo conta com formulários específicos para espécies como açaí, andiroba, babaçu, bacuri, pau-mulato, pracaxi e, especialmente, a castanha-da-amazônia. Assim, possibilitando a coleta detalhada de dados espaciais e temporais das áreas manejadas.

    Segundo a pesquisadora Luciana Spinelli, o sistema registra informações com fotos, desenhos, coordenadas geográficas e dados sobre as etapas de pré-coleta, coleta e pós-coleta. Esses dados são sincronizados em uma plataforma online com mapas interativos (WebGIS). Isso permite gerar relatórios, cruzar informações com imagens de satélite e realizar análises robustas sobre a sustentabilidade das áreas extrativistas e as boas práticas adotadas.

    A rastreabilidade da castanha-da-amazônia é fundamental para garantir acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Especialmente após o Brasil perder espaço para a Bolívia na exportação do produto, devido a normas da União Europeia sobre aflatoxinas. Enquanto a Bolívia se adaptou rapidamente, o Brasil viu sua produção com casca ser exportada e processada no país vizinho.

    Cadeia produtiva

    Patricia Costa, também da Embrapa, destaca que cerca de 60 mil famílias amazônicas, entre indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, dependem da castanha para sua subsistência. A cadeia produtiva envolve mais de 100 organizações comunitárias e 60 empresas. Sendo, portanto, uma importante alternativa de renda e um vetor de conservação ambiental, ao valorizar a floresta em pé, evitar o desmatamento e contribuir para a regulação climática e o sequestro de carbono.

    Além de organizar dados, o AgroTagMFE oferece provas consistentes sobre a origem e qualidade do produto, promovendo ética, sustentabilidade e comércio justo. O sistema digital evita perdas de informações durante a coleta, enviando os dados diretamente a um servidor online. Outra inovação é a incorporação da espectroscopia de reflectância para análise físico-química das amostras de castanha. Essa técnica reduz custos e resíduos laboratoriais e fortalece a comprovação da origem e sanidade do produto, essencial para recuperar mercados externos.

    O sistema está em constante aprimoramento, com previsão de novas funcionalidades, como áreas de trabalho independentes para grupos parceiros e ampliação da rede de usuários, fortalecendo a colaboração entre instituições, comunidades locais e pesquisadores. A rastreabilidade é um caminho irreversível para os produtos da sociobiodiversidade. E gera confiança no mercado e mais renda para as comunidades extrativistas.

    O AgroTagMFE insere-se no contexto do fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, modelo de desenvolvimento que aposta no uso sustentável da biodiversidade como motor econômico e social. Com a castanha-da-amazônia como símbolo desse movimento, o Brasil busca recuperar seu protagonismo e transformar a floresta em uma aliada do progresso sustentável.

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  • Projeto transforma babaçu em hambúrguer sustentável

    Projeto transforma babaçu em hambúrguer sustentável

    Uma parceria entre pesquisadores e quebradeiras de coco babaçu no Maranhão resultou na criação de um hambúrguer vegetal inovador, rico em proteínas e sem conservantes, capaz de durar até seis meses congelado. O produto, desenvolvido a partir do bagaço da amêndoa do babaçu – antes descartado como resíduo –, alia sustentabilidade, inclusão social e tecnologia, e já conquistou reconhecimento internacional.

    O hambúrguer de babaçu, com 13,17% de proteína por 100g, é fruto de uma colaboração entre cientistas da Embrapa, UFMA, UFC e comunidades tradicionais, como a Cooperativa Coomavi e associações quilombolas. Financiado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), o projeto visa transformar o babaçu em um “elemento âncora” da bioeconomia maranhense, gerando renda para mais de 300 mil famílias de quebradeiras de coco.

    O babaçu tem potencial para ser o elemento âncora de um sistema agroalimentar característico do Maranhão. Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    “Valorizamos a identidade sociocultural dessas comunidades, usando resíduos para criar alimentos que atendem a mercados como o vegano e o sem glúten”, explica Guilhermina Cayres, líder do projeto na Embrapa. Além do hambúrguer, a farinha da amêndoa do babaçu já está em biscoitos, pães e até sorvetes.

    Da Amazônia para o mundo

    O hambúrguer foi finalista no Con X Tech Prize: Amazônia, competição global que premia inovações sustentáveis na região. O critério? Soluções que protegem ecossistemas, respeitam povos tradicionais e distribuem benefícios de forma justa.

    “O produto é uma revolução. Usa casca de banana como agente estruturante, aproveita 100% do babaçu e tem aceitação sensorial excelente”, destaca Harvey Villa, professor da UFMA. Testes com alunos do IEMA Gastronomia comprovaram o sucesso: o hambúrguer agradou até consumidores não veganos.

    Além da alta taxa proteica, o hambúrguer incorpora casca de banana, rica em fibras e pectina, que ajuda a absorver metais pesados. “É uma alternativa nutritiva e funcional”, afirma Yuko Ono, nutricionista da UFMA. Já a farinha da amêndoa, antes usada como ração, ganhou novo destino: substitui o coco ralado em receitas, agregando crocância e reduzindo desperdícios.

    Impacto social: renda e empoderamento

    Para as quebradeiras de coco, a inovação significa mais do que tecnologia. “Antes, o bagaço era ração. Agora, virou farinha e hambúrguer, que vendemos em feiras com orgulho”, celebra Rosângela Lica, da Coomavi. A comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães também celebra a mudança: “O babaçu gera renda, cidadania e reconhecimento”, diz Maria Domingas.

    Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    Com treinamentos em boas práticas de fabricação e segurança alimentar, as quebradeiras agora dominam a produção em escala. “Queremos posicionar o Maranhão como referência em bioeconomia”, reforça Samara Bontempo, bolsista do projeto.

    Para Westphalen Nunes, da GIZ, a iniciativa prova que é possível aliar desenvolvimento e preservação: “O babaçu traz riqueza, qualidade de vida e sustentabilidade”. E o mercado concorda: nas feiras de São Luís, os produtos à base de babaçu já são campeões de vendas.

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  • Borracha Nativa da Amazônia: sustentabilidade e inovação na preservação da floresta

    Borracha Nativa da Amazônia: sustentabilidade e inovação na preservação da floresta

    A Mercur, empresa brasileira com mais de um século de história, aposta para o mercado de materiais escolares com a Borracha Nativa da Amazônia – um produto que combina responsabilidade socioambiental, tecnologia e valorização da cultura tradicional. Desenvolvida em parceria com a rede Origens Brasil®, a borracha é composta por 78% de matérias-primas renováveis, tem cor natural e textura suave, além de um QR Code que conecta o consumidor às comunidades extrativistas da floresta.

    O projeto Borracha Nativa nasceu em 2010, quando a Mercur decidiu resgatar a cadeia produtiva do látex amazônico, historicamente marginalizada pela concorrência de seringais de cultivo na Ásia. A iniciativa envolve seringueiros de Reservas Extrativistas e Terras Indígenas no Pará e Rondônia, como a Reserva Rio Xingu e a Terra Indígena Xipaya, garantindo que o látex seja extraído de forma sustentável, sem danos às seringueiras nativas.

    A parceria com a Origens Brasil® (rede administrada pelo Imaflora e ISA) assegura relações comerciais éticas, pagando até quatro vezes mais pelo látex amazônico em comparação com o de cultivo. Esse modelo não só valoriza o trabalho dos povos tradicionais. Mas também financia melhorias em infraestrutura local e neutraliza emissões de CO₂ ao evitar o desmatamento.

    Impacto social: renda e autonomia para as comunidades

    Desde 2010, a Mercur adquiriu 63 toneladas de borracha natural das comunidades, gerando mais de R$ 165 mil em renda local apenas em 2023. A expectativa é atingir 30 toneladas anuais até 2026, ampliando o apoio a oito territórios, incluindo áreas indígenas como Uru-Eu-Wau-Wau (RO).

    Para Jorge Hoelzel Neto, Facilitador de Direção da Mercur, o projeto “resgata um passivo histórico com os extrativistas e transforma-os em guardiões da floresta”. Em 2024, a empresa já investiu R$ 140 mil em serviços socioambientais, com planos de ampliar os recursos.

    O Projeto Borracha Nativa visa a (re)construção da cadeia sustentável da borracha e a promoção de condições sustentáveis de produção florestal. Reprodução Mercur

    A borracha traz um QR Code no verso, que direciona os consumidores ao site da Origens Brasil®. Lá, é possível conhecer a trajetória do produto, desde a extração do látex até as histórias das famílias envolvidas. “Corrigir com consciência para preservar o futuro” não é apenas um slogan, mas um compromisso com rastreabilidade e educação ambiental.

    Preservação da Amazônia em números

    Cada quilo de borracha nativa produzido preserva 1 hectare de floresta – equivalente a um campo de futebol. Isso porque os seringueiros, ao manterem a atividade extrativista, protegem a área de invasões e desmatamento. Estima-se que 300 kg de borracha/ano conservem 300 hectares, um impacto direto na mitigação das mudanças climáticas.

    Apesar dos avanços, a produção ainda enfrenta gargalos como a escala limitada e a logística complexa na Amazônia. Para superá-los, a Mercur planeja expandir parcerias com instituições como o WWF-Brasil e o Laboratório de Tecnologia Química da UnB. Eles desenvolvem técnicas para melhorar a qualidade do látex e incluir mulheres no processo produtivo.

    A Borracha Nativa da Amazônia simboliza um novo ciclo econômico, onde floresta em pé vale mais que derrubada. Ao escolher produtos como esse, consumidores contribuem para uma cadeia que une preservação ambiental, justiça social e inovação. Como afirma a hashtag da campanha: #AmazôniaViva é um convite para que todos façam parte dessa transformaçã.

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  • Cupuaçu: fruto de alto potencial lucrativo

    Cupuaçu: fruto de alto potencial lucrativo

    O cupuaçu, uma fruta nativa da Amazônia, continua a se destacar como um ativo valioso na bioeconomia brasileira, especialmente no estado do Pará. Com uma área plantada de 8.900 hectares e uma produção anual de 29 mil toneladas em 2024, o cultivo do cupuaçu envolve cerca de 1.400 propriedades, predominantemente de agricultores familiares, segundo dados do IBGE.

    Pesquisadores da Embrapa, como Alfredo Homma, apontam que a cadeia do cupuaçu tende a expandir cada vez mauis. Isso devido à crescente demanda pela polpa da fruta, utilizada na fabricação de doces, sucos e outros produtos de confeitaria. Além disso, as amêndoas do cupuaçu são cada vez mais valorizadas pela indústria cosmética, onde são transformadas em manteiga apreciada por suas propriedades em produtos de beleza.

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    Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Mista de Cupuaçu (C.A.M.T.A), localizada em Tomé-Açu — o maior polo produtor do fruto —, destacou que a cooperativa produziu 530 mil quilos de polpa e cerca de 45 mil quilos de manteiga em 2024. No entanto, ele observou que a demanda por manteiga de cupuaçu frequentemente supera a capacidade de entrega. “Nossa demanda está acima de nossa capacidade de entrega pela ausência do fruto”, afirmou Oppata.

    Inovações tecnológicas e potencial lucrativo

    Um estudo intitulado “Bioeconomia da Sociobiodiversidade no Estado do Pará”, publicado em 2021, estima que a produção e comercialização do cupuaçu podem gerar mais de R$ 170 bilhões em renda até 2040. O cupuaçu-amêndoa foi classificado entre os dez produtos com maior potencial econômico para o estado nas próximas duas décadas.

    Recentemente, o lançamento do kit clonal Cupuaçu 5.0 pela Embrapa promete aumentar a produtividade e resistência das plantações. Com essa tecnologia, é possível produzir até 14 toneladas por hectare, um aumento significativo em relação à média anterior de apenas 2,5 toneladas por hectare. Essa inovação não só melhora o rendimento das colheitas, mas também expande o período de safra de quatro para seis meses.

    As exportações de produtos derivados do fruto também estão em ascensão. Em 2024, as vendas externas da polpa e manteiga do cupuaçu aumentaram consideravelmente, refletindo a valorização crescente deste fruto no mercado internacional. A versatilidade dele permite sua utilização em uma variedade de produtos como sorvetes, geleias e cosméticos.

    O cupuaçu se estabelece como um fruto com alto potencial para impulsionar a bioeconomia na Amazônia. Com o apoio contínuo da pesquisa e inovação tecnológica, espera-se que o cultivo e a comercialização do cupuaçu contribuam significativamente para o desenvolvimento econômico sustentável do Pará. E também para a valorização dos produtos da sociobiodiversidade brasileira. O futuro é promissor para este fruto icônico da Amazônia!

  • Glocal Amazônia coloca Manaus no centro do debate ambiental

    Glocal Amazônia coloca Manaus no centro do debate ambiental

    O festival Glocal Amazônia começa hoje (22) e segue até 24 de agosto em Manaus. O evento, que terá entrada gratuita, discutirá temas cruciais como a Amazônia e o G20, queimadas, estiagem e bioeconomia. O festival também abordará a inovação sistêmica e negócios de impacto, além de explorar o futuro do estado com o tema “Amazonas 2030”. Entre as atrações, está Isabelle Nogueira, dançarina do Boi Garantido e ex-BBB, uma voz importante da Amazônia no Brasil.

    Glocal Amazônia

    A programação será diversificada, com debates, arte, música e oficinas espalhados por três locais no centro de Manaus. O Palco Glocal, no Contemporâneo Eventos, sediará os principais painéis e debates. Já o Palácio da Justiça será o espaço das oficinas e workshops do Glocal Lab e da TecnoGlocal. Além disso, no Largo de São Sebastião, o Palco Glow receberá shows e intervenções artísticas. Em resumo, o objetivo é colocar a Amazônia no centro das discussões ambientais, trazendo vozes locais e internacionais para dialogar sobre as principais questões da região.

    O evento seguirá os princípios de sustentabilidade e inclusão, sendo gratuito, gerando pouco resíduo e usando materiais sustentáveis. A curadoria priorizará temas da Amazônia, com 70% dos palestrantes locais e 80% da equipe formada por profissionais da região. “A Glocal é uma plataforma de ideias e conexões criada pela Dream Factory, com a meta de acelerar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esperamos impactar positivamente as pessoas durante os três dias de evento, trazendo informações relevantes e entretenimento”, afirmou Malu Sevieri, Head de Glocal na Dream Factory.

    Na primeira edição, a Glocal Amazônia mobilizou 22 mil pessoas, contou com 137 palestrantes e 55 horas de oficinas, gerou mais de 160 empregos e foi um evento carbono neutro e lixo zero. Para 2024, a meta é ampliar o impacto e a abrangência do festival. “Queremos conectar diferentes ativistas, regiões e povos da Amazônia para debater os ODS a partir do ponto de vista de quem vive na região, subsidiando políticas públicas bem embasadas”, afirmou Rodrigo Baggio, diretor de conteúdo e relações institucionais da Glocal.

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    Temas dos debates

    Os debates no Palco Glocal abordarão desde educação, saúde e segurança até temas específicos, como “Amazônia e G20”, “Queimadas e estiagem”, “Amazonas 2030” e “Bioeconomia”. Um dos painéis mais urgentes será “Amazônia em Chamas: Combatendo Queimadas e Estiagem”. Além disso, oficinas sobre reaproveitamento, moda, saúde e tecnologia estarão disponíveis, incluindo o workshop “Ecofeminismo Negro”, promovido pelo Movimento Dandara.

    Ao mesmo tempo, a TecnoGlocal, no Palácio da Justiça, oferecerá experiências imersivas em games e filmes de realidade virtual e aumentada. “Trazer o Glocal Amazônia para Manaus pelo segundo ano é essencial para destacar a importância da região no cenário global”, destacou Wilson Lima, governador do Amazonas. Ele reafirmou o papel do evento na preservação ambiental de um dos ecossistemas mais importantes do mundo.

    Entre os destaques do evento, um painel discutirá “A Importância da Comunicação de Massa na Promoção da Sustentabilidade”, com personalidades da Rede Amazônica e da TV Globo. O debate sobre o papel das mídias de massa na preservação da Amazônia contará com a presença de Isabelle Nogueira, que tem se destacado como uma importante voz da região no Brasil.

    Sobre a Glocal

    A Glocal é uma plataforma que conecta ideias, ações e pessoas para promover um mundo mais sustentável. Seu lema, “Pensar global, agir local”, reflete o compromisso de democratizar discussões sobre sustentabilidade e inovação. Ou seja, a Glocal busca transformar globalmente através da conscientização individual e de políticas públicas eficazes, traduzindo os ODS para o dia a dia da população.

     

  • Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    Embrapa e CGIAR fortalecem pesquisa climática com novo acordo

    A Embrapa e o Grupo Consultivo de Pesquisa Internacional (CGIAR) assinaram um memorando de entendimento para intensificar a pesquisa em sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e a diretora executiva do CGIAR, Ismahane Elouafi, oficializaram a parceria durante a 20ª Reunião do Conselho do Sistema CGIAR na sede da Embrapa, com a presença de representantes de financiadores e países em desenvolvimento.

    Foco na resiliência e sustentabilidade

    A colaboração entre Embrapa e CGIAR abrange áreas como recursos naturais, biotecnologia, bioeconomia e agricultura digital. A iniciativa visa enfrentar desafios como mudanças climáticas, transição energética e inclusão digital nas áreas rurais.

    Além disso, Massruhá destacou a importância da pesquisa para aumentar a resiliência agrícola e reduzir riscos. A Embrapa já contribuiu significativamente com programas de controle de acidez do solo, manejo integrado de pragas e zoneamento de risco climático. O desenvolvimento da Renovacalc, calculadora oficial de pegada de carbono para a Política Nacional de Biocombustíveis, foi mencionado como um avanço crucial.

    Eventos e compromissos futuros

    A presidente da Embrapa enfatizou o compromisso da instituição com a COP 30 e o potencial da inteligência artificial na agricultura. A recente reunião de cientistas-chefes agrícolas do G-20, coordenada pela Embrapa, reforça esse compromisso com soluções sustentáveis e inovação no campo. A colaboração com o CGIAR promete desenvolver variedades de culturas melhoradas, práticas agrícolas sustentáveis e tecnologias inovadoras para o futuro do planeta.