Tag: bioeconomia

  • ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    A quarta edição da ExpoCannabis Brasil será realizada entre os dias 20 e 22 de novembro, em São Paulo, reunindo representantes do agronegócio, da ciência, da indústria, da pesquisa e da inovação para discutir o crescimento da cadeia produtiva da cannabis e do cânhamo industrial no país.

    O evento ocorre em um momento de expansão do setor, impulsionado pelos avanços regulatórios envolvendo o cultivo de cânhamo industrial para fins medicinais e industriais no Brasil.

    Segundo a CEO da feira, Larissa Uchida, a regulamentação abriu espaço para novas oportunidades de negócios e fortaleceu o interesse de diferentes segmentos econômicos.

    “O mercado amadureceu e a feira acompanhou essa transformação. Hoje a ExpoCannabis é um ambiente onde ciência, indústria, inovação e negócios se encontram”, afirma.

    Mercado da cannabis cresce no Brasil

    Dados da consultoria Kaya Mind mostram que o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 971 milhões em 2025, atendendo cerca de 873 mil pacientes.

    Quando somados os segmentos de growshops, headshops e marcas especializadas, o mercado legal alcançou aproximadamente R$ 1,94 bilhão.

    Em um cenário de regulamentação mais ampla, a consultoria estima que essa cadeia produtiva poderá movimentar até R$ 51 bilhões por ano.

    Agronegócio amplia interesse pelo cânhamo industrial

    A edição deste ano da ExpoCannabis Brasil deve reunir entre 45 mil e 50 mil visitantes.

    A organização prevê um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.

    Além da indústria farmacêutica, o evento contará com representantes do agronegócio, biotecnologia, universidades, construção civil, medicina veterinária, tecnologia, cosméticos, alimentos, comunicação, moda e serviços especializados.

    Embrapa reforça participação na cadeia produtiva

    Entre as instituições confirmadas está a Embrapa, que trabalha em estudos para ampliar a competitividade do Brasil na produção de cânhamo industrial.

    Segundo Larissa Uchida, a participação da empresa pública fortalece a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva segura, sustentável e baseada em evidências.

    A presença da Embrapa também reforça o interesse crescente do agronegócio por culturas alternativas voltadas à bioeconomia e à inovação agrícola.

    Evento discutirá experiências internacionais

    A programação também incluirá debates sobre os diferentes modelos regulatórios adotados em diversos países.

    Especialistas apresentarão experiências relacionadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis, incluindo políticas públicas, pesquisa científica, produção agrícola e regulamentação.

    Entre os destaques está o modelo adotado pelo Uruguai, considerado uma das principais referências internacionais na regulamentação da cannabis.

    Setor atrai novos investimentos

    Segundo Larissa Uchida, a cannabis deixou de ser vista exclusivamente como um tema ligado à saúde e passou a despertar interesse de diferentes setores da economia.

    “A cannabis deixou de ser vista apenas como uma pauta medicinal. Hoje ela desperta interesse da indústria, do agro, da pesquisa, da tecnologia e dos investidores”, conclui.

    Essa expansão acompanha o avanço das discussões sobre inovação, bioeconomia e novas cadeias produtivas que podem ganhar espaço no agronegócio brasileiro, especialmente com o desenvolvimento do mercado de cânhamo industrial.

  • Mulheres lideram 75% dos projetos apoiados na Amazônia

    Mulheres lideram 75% dos projetos apoiados na Amazônia

    O agro é delas! As mulheres ocupam cargos de coordenação ou direção em 75% das associações apoiadas pelo Fundo Legado Integrado da Região Amazônica (LIRA), iniciativa que fortalece comunidades amazônicas por meio da produção de fitoterápicos, biocosméticos e produtos da sociobiodiversidade.

    Desde 2020, o programa investe na ampliação da infraestrutura, na capacitação de organizações comunitárias e na geração de renda baseada em conhecimentos tradicionais. No ciclo 2025-2026, projetos liderados por mulheres passaram a receber prioridade na seleção.

    Fundo apoia mais de 50 projetos na Amazônia

    O Fundo LIRA apoia atualmente 53 projetos distribuídos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal, com investimentos de cerca de R$ 7 milhões.

    As iniciativas beneficiam mais de 1,2 mil pessoas em comunidades indígenas, extrativistas, rurais e quilombolas de sete estados da região.

    Além dos recursos financeiros, o programa oferece apoio técnico para fortalecer a gestão das organizações e ampliar o acesso a novos financiamentos.

    Produção une tradição e geração de renda

    Os projetos apoiados envolvem a fabricação de fitoterápicos, óleos vegetais, pomadas, sabonetes e biocosméticos produzidos a partir de matérias-primas da floresta.

    Também recebem apoio para processos de regularização, parcerias técnicas e melhorias na infraestrutura de produção.

    Projeto fortalece medicina tradicional indígena

    Um dos exemplos é o Instituto Juma, na Terra Indígena Xipaya, no Pará.

    A organização estruturou um espaço dedicado à produção de fitoterápicos tradicionais, reunindo mulheres indígenas para preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.

    O projeto também promove capacitação de jovens, incentiva o cultivo de plantas medicinais e trabalha na regularização dos produtos junto à Anvisa.

    Foto: Divulgação/Instituto Juma

    Estrutura amplia produção de biocosméticos

    Outro destaque é a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra, conhecida como Amélias da Amazônia.

    Com apoio do Fundo LIRA, a associação ampliou sua estrutura para produzir sabonetes, óleos, pomadas, velas aromáticas, repelentes e outros produtos derivados de espécies da floresta, como a andiroba.

    Os investimentos permitiram reformar espaços de trabalho, instalar novos equipamentos e iniciar a implantação de energia solar, aumentando a capacidade de produção e fortalecendo a geração de renda para as famílias da comunidade.

    Bioeconomia fortalece comunidades amazônicas

    Ao incentivar organizações lideradas por mulheres, o Fundo LIRA contribui para ampliar oportunidades econômicas, preservar conhecimentos tradicionais e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia.

    Além da geração de renda, as iniciativas valorizam a biodiversidade da região e estimulam o protagonismo feminino no desenvolvimento das comunidades.

  • Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Como transformar o potencial da Amazônia em oportunidades econômicas e sustentáveis? Essa foi a principal discussão durante o lançamento da Agenda Zona Franca de Manaus (ZFM) 2050, realizado na última terça-feira (10), em Brasília (DF).

    Desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o documento reúne diagnósticos e propostas para os próximos 25 anos, visando ampliar a competitividade regional, diversificar a economia e transformar a combinação entre biodiversidade, ciência, tecnologia e indústria em um vetor permanente de crescimento.

    Coração do Brasil

    A iniciativa parte do entendimento de que a Amazônia concentra ativos estratégicos para o Brasil e para o mundo. No entanto, a região ainda enfrenta gargalos históricos relacionados à infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento social.

    Ao apresentar a importância econômica da Zona Franca de Manaus, Antônio Silva, presidente da Fieam, ressaltou números expressivos registrados pelo modelo em 2025.

    “Em 2025, tivemos um faturamento superior a US$ 41 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos. Além de 600 mil postos de trabalhos indiretos induzidos em toda a Zona Franca de Manaus.”

    Estratégia a longo prazo

    Pensar o desenvolvimento amazônico exige planejamento de longo prazo. O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Rocha, afirmou que o documento representa um compromisso estratégico com o futuro da região e do país.

    Além disso, Rocha destacou que a manutenção das garantias constitucionais da Zona Franca durante a tramitação da Reforma Tributária permitiu ampliar o debate para temas como inovação, competitividade e diversificação produtiva.

    “A Zona Franca de Manaus é uma política de Estado. O documento nos convida a olhar além das urgências e além dos ciclos eleitorais. Construir uma visão de longo prazo é uma estratégia sólida e ambiciosa.”

    Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam, e Antônio Silva, presidente da Fieam — Foto: Divulgação

    Desindustrialização preocupa especialistas

    O diagnóstico econômico que sustenta a proposta foi apresentado por Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

    Durante sua análise, o economista alertou para os impactos da desaceleração econômica e para a perda de participação da indústria na economia nacional.

    “O Brasil desacelera e faz uma desindustrialização de forma prematura, antes mesmo de atingir uma renda per capita alta. Corremos o risco de nos tornar um país envelhecido e pobre.”

    Segundo Holland, iniciativas como a Agenda ZFM 2050 tornam-se ainda mais relevantes ao oferecer caminhos para ampliar a competitividade e estimular novos investimentos produtivos.

    Bioeconomia surge como oportunidade estratégica

    De acordo com a empresária Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes e ex-deputada federal , muitos debates sobre a Amazônia ignoram as particularidades territoriais, sociais e logísticas da região.

    “Há um grande equívoco em querer comparar a Amazônia com o resto do país. Nós vivemos em uma região que tem desafios permanentes.”

    Ao abordar as perspectivas da bioeconomia, a empresária ressaltou que a Amazônia abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam seu aproveitamento econômico.

    Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes — Foto: Divulgação

    Além disso, ela defendeu maior integração entre setor produtivo e governo para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao desenvolvimento regional.

    “O que a gente precisa é de planejamento. É uma contribuição da indústria, e ao lado da indústria precisa do acompanhamento do governo. Precisa ser compartilhada essa governança.”

    Infraestrutura e logística

    A necessidade de investimentos em infraestrutura também esteve no centro das discussões.

    O deputado federal Capitão Alberto Neto ressaltou que o Amazonas preserva cerca de 97% da cobertura florestal e argumentou que as particularidades amazônicas precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.

    Segundo o parlamentar, a ausência de investimentos contínuos em hidrovias e dragagem compromete tanto o abastecimento quanto o transporte de pessoas durante os períodos de seca.

    Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, destacou os impactos econômicos e sociais gerados pela Zona Franca ao longo das últimas décadas.

    “É o maior experimento de desenvolvimento do mundo. Produzimos bens de ponta e geramos retorno econômico, industrial e social.”

    Ao mesmo tempo, o representante do governo reforçou que a preservação ambiental deve permanecer como eixo central da estratégia regional.

    ‘Sem floresta em pé não há economia’, garante Dorival da Costa dos Santos — Foto: GOV

    Desenvolvimento e preservação

    O futuro da Amazônia dependerá da capacidade de transformar sua biodiversidade e estrutura produtiva em oportunidades concretas.

    Para os defensores da Agenda ZFM 2050, esse processo exigirá planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e políticas capazes de conciliar crescimento econômico, inovação, bioeconomia e preservação ambiental.

     

  • Bioeconomia amazônica chega ao mercado

    Bioeconomia amazônica chega ao mercado

    A Amazônia tem mais de 11 mil empresas ligadas à bioeconomia. Elas geram 200 mil empregos diretos e quase 1 milhão de empregos indiretos nos nove estados da região. Os dados estão no livro Bioindústrias na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal, lançado durante o Bioeconomy Amazon Summit (BAS), em Belém, na noite de quarta-feira.

    A publicação é resultado de parceria entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e também funciona como plataforma de inteligência de negócios.

    “Não é só um livro. É a reunião de trabalhos e também uma plataforma de BI, disponível para consulta e pesquisas”, disse Ricardo Araújo, analista de produtividade e inovação da ABDI.

    Para Gabriela Savian, diretora de políticas públicas do IPAM, o levantamento revela uma lógica produtiva diferente da industrial tradicional. “A publicação traz um diagnóstico aprofundado de um processo de indústria que não é necessariamente como a gente imagina, de uma fábrica com uma chaminezinha. É o processo de pensar como amazonizar a indústria, ao invés de industrializar a Amazônia”, afirmou.

    130 startups, da bebida de jambu ao aditivo de motor

    A terceira edição do BAS, realizada entre os dias 12 e 14 de maio em Belém, reuniu 130 startups do universo de 11 mil empresas. O portfólio inclui fabricantes de bebidas, cosméticos, alimentos, biofertilizantes, biojóias, bioaditivos para motores à combustão e serviços de regeneração de áreas degradadas.

    Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    Entre os casos mais emblemáticos, a Apoema, sediada em Coroatá (MA), aposta no aproveitamento total do coco de babaçu. Além de atuar em alimentos e bebidas, a startup desenvolveu um aditivo para redução do consumo de combustível, testado em parceria com uma grande cervejaria brasileira.

    Outro destaque foi a Sinimbu. Fundada com foco na produção de um concentrado de jambu para drinks. A planta é conhecida pela dormência que provoca nos lábios, a empresa descobriu potencial em outros segmentos. A fundadora Tatiana Sinimbu criou o spray “tremidão”, voltado a prolongar o prazer durante a atividade sexual, e posicionou o produto como “estimulante sensorial”. As duas empresas participaram da primeira edição do evento, em 2023, e estão em fase de captação de recursos.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O açaí também ganhou novos contornos no evento. A Maçaix atua na valorização do açaí de origem, conceito similar ao terroir do café e do vinho. A empresa desenvolveu processos para processar a fruta em até 12 horas após a colheita, preservando sabor e nutrientes e reduzindo o uso de açúcar. Em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia do Brasil, também criou tecnologia para extrair antioxidantes do caroço do açaí, subproduto ainda pouco aproveitado comercialmente.

    Hub de convergência

    Criado em 2023 pela KPTL e pela Kyvo, o BAS se consolidou como principal ponto de encontro da bioeconomia amazônica. O objetivo é facilitar o compartilhamento de soluções, acelerar negócios e conectar tecnologia, ciência e saberes tradicionais.

    Nas duas edições anteriores, o evento projetou soluções de mais de 300 empreendedores amazônicos para o mercado internacional. Nesta edição, participaram também 60 instituições, 30 representantes de comunidades tradicionais e iniciativas nas áreas de financiamento sustentável, inovação territorial, reflorestamento e cultura.

    O potencial econômico do bioma amazônico é estimado em aproximadamente US$ 140 bilhões.

  • Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

    Chocolate indígena do Pará recebe reconhecimento internacional de sustentabilidade

    A empreendedora indígena Katyana Xipaya conquistou reconhecimento internacional com sua marca de chocolates artesanais do Pará. O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) selecionou a Sidjä Wahiü, que significa “Mulher Forte” na língua Xipaya, para integrar sua vitrine global de soluções sustentáveis.

    A coalizão mundial reúne empresas e iniciativas que aceleram a transição para um mundo sustentável. O conselho busca soluções para desafios como mudanças climáticas, conservação da natureza e equidade social.

    Cacau nativo vira modelo de negócio sustentável

    Katyana mora na comunidade ribeirinha de Jericoá 2, em Vitória do Xingu (PA). A líder indígena transformou o cacau nativo amazônico em produto de alto valor agregado desde 2023. O projeto conta com apoio da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte.

    “Saber que o Sidjä Wahiü recebeu essa seleção me gratifica muito, porque ele não representa apenas meu trabalho. O chocolate mostra a força do empreendedorismo indígena, nossa cultura e o protagonismo das mulheres. Ocupamos nossos espaços e mostramos que não caminhamos sozinhos. Construímos essa história sementinha por sementinha”, afirma a empreendedora.

    Tradição familiar preserva floresta amazônica

    A produção dos chocolates mantém técnicas tradicionais que o avô de Katyana já utilizava às margens do Rio Xingu. “O Sidjä Wahiü carrega mais que sabor – ele carrega nossa raiz e a perseverança de manter o modo como meu avô trabalhava. Hoje produzimos chocolate fino com 72% de cacau e frutas como abacaxi e pitaia da nossa própria terra. Geramos renda para parentes ribeirinhos e para a agricultura familiar”, explica.

    Três famílias indígenas ribeirinhas da comunidade Jericoá 2 cultivam o cacau e as frutas desidratadas. Após a colheita e processamento inicial, a Cacauway, fábrica localizada em Medicilândia (PA), recebe a matéria-prima. A parceira técnica finaliza e refina os chocolates, garantindo o padrão de qualidade artesanal com acabamento para o mercado de chocolates finos.

    Pará lidera produção nacional de cacau

    A trajetória de Katyana inspira produtores de cacau no Pará, estado que concentra mais de 50% da produção nacional do fruto. A Embrapa aponta que a indústria cacaueira movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões ao ano no Brasil.

    chocolate artesanal e indígena
    Foto: Divulgação

    Em 2024, as comunidades indígenas apoiadas pela Norte Energia colheram 23 toneladas de cacau. A safra representa avanço crucial para a autonomia financeira das famílias envolvidas.

    Programa empresarial impulsiona bioeconomia regional

    O programa Belo Monte Empreende, da Norte Energia, impulsionou o sucesso da Sidjä Wahiü. A iniciativa fomenta atividades produtivas e fortalece aspectos socioambientais nas comunidades do Médio Xingu.

    Outras marcas de empreendedores indígenas também receberam apoio da empresa: Yudjá, Karaum Paru, Iawá e Ita’Aka Akauwa. Os negócios consolidam o Médio Xingu como polo produtor de chocolate sustentável.

    “O reconhecimento da marca Sidjä Wahiü pelo WBCSD prova que o desenvolvimento sustentável na Amazônia, quando respeita saberes tradicionais, alcança escala e relevância global. Para a Norte Energia, apoiar lideranças como Katyana Xipaya integra nossa estratégia de deixar um legado de autonomia e prosperidade para as comunidades do Médio Xingu”, destaca Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

    A companhia investe em capacitação e infraestrutura por meio de projetos socioambientais. As iniciativas ajudam comunidades a alcançarem autonomia financeira enquanto mantêm a floresta preservada. O case demonstra que a união entre conhecimento tradicional e suporte institucional impulsiona o futuro da economia verde no Brasil.

  • Brasil mapeia DNA do pirarucu para fortalecer bioeconomia amazônica

    Brasil mapeia DNA do pirarucu para fortalecer bioeconomia amazônica

    O consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) coloca o pirarucu entre as 80 espécies que terão genomas de referência publicados no Banco de Referências Genômicas de Espécies Brasileiras (GenRefBR). A plataforma, lançada durante a COP30, disponibiliza gratuitamente dados essenciais para conservação e desenvolvimento econômico sustentável.

    O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Tecnológico Vale (ITV) lideram a parceria. O projeto prevê produzir mil genomas populacionais e 1,6 mil códigos de barras de DNA até 2027, com investimento de R$ 110 milhões.

    “O mundo não está preparado para ter um país do sul global produzindo pesquisa sobre genômica na escala que estamos fazendo”, avalia Alexandre Aleixo, coordenador do consórcio GBB pelo ITV.

    Pirarucu movimenta milhões e ganha reforço científico

    O maior peixe de água doce da Amazônia, o pirarucu (Arapaima gigas), já enfrentou risco de extinção. Hoje, o manejo comunitário recuperou as populações e transformou a espécie em símbolo da bioeconomia ribeirinha. Em 2023, 42 comunidades do Médio Juruá (AM) movimentaram R$ 4,3 milhões com o manejo sustentável do peixe.

    O sequenciamento genômico promete adicionar novos capítulos a essa história de sucesso. Os pesquisadores desenvolvem ferramentas de rastreabilidade para criar certificados de origem e proteger populações estratégicas.

    “Embora vários trabalhos já tenham tentado fazer isso, nenhum deles levou tão a fundo a questão da genômica quanto o GBB está fazendo”, afirma Valdenor Magalhães, mestre em Biologia de Água Doce pelo Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA) e consultor do GBB desde 2024.

    Certificação genética diferencia produto e aumenta valor

    Magalhães, que manejou pirarucu por anos, explica como o sequenciamento genômico beneficia as comunidades ribeirinhas. “A partir do momento que você tem um sistema de rastreabilidade, você consegue diferenciar qual peixe que é de manejo, qual é pescado ilegalmente, qual peixe que é advindo da piscicultura e consequentemente estabelecer categorias de valoração para esse produto”.

    pirarucu
    Foto: Luciano Candisani

    O Fórum Mundial da Bioeconomia projeta que o setor movimente US$ 30 trilhões até 2050, representando um terço da economia global. Atualmente, a bioeconomia gera US$ 4 trilhões mundialmente.

    Brasil lidera protagonismo científico em genômica da biodiversidade

    O GBB reúne mais de 300 pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, incluindo Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    “É a primeira vez que um órgão ambiental ligado ao governo federal participa como cogestor de um consórcio de genômica”, destaca Amely Martins, analista ambiental e coordenadora do GBB pelo ICMBio. Ela ressalta a inovação não apenas na magnitude das metas, mas principalmente na aplicação direta das tecnologias para conservação da biodiversidade.

    O consórcio supera barreiras históricas que forçavam pesquisadores brasileiros a realizar estudos no exterior. Custos elevados, dificuldades logísticas no transporte de amostras e falta de equipamentos avançados impediam o país de estudar sua própria biodiversidade.

    Além do pirarucu, o GBB destaca o mapeamento de 136 abelhas sem ferrão da Amazônia e a finalização do genoma do açaí. O consórcio seleciona espécies com potencial bioeconômico, espécies ameaçadas de extinção e espécies invasoras que ameaçam a biodiversidade nativa.

    DNA ambiental revoluciona monitoramento da biodiversidade

    O GBB utiliza DNA Metabarcoding (eDNA), técnica que identifica múltiplas espécies com uma única amostra de fragmentos de DNA coletados da água, solo ou ar. Células de pele, muco, fezes, saliva e organismos mortos revelam todos os vertebrados, invertebrados e microrganismos que passaram por uma área.

    A técnica oferece uma “fotografia” do ambiente sem capturar indivíduos vivos. Pesquisadores detectam espécies invasoras, avaliam mudanças na biodiversidade após incêndios e analisam a dieta das espécies. Os resultados saem em semanas, enquanto métodos tradicionais levam meses ou anos.

    O eDNA funciona como códigos de barras de supermercado, mas reconhece espécies com precisão no lugar de identificar preços. O Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora) do ICMBio já realiza testes com a tecnologia como protocolo avançado de monitoramento.

    “Os dados podem orientar políticas públicas, garantir cadeias produtivas mais seguras e proteger espécies que correm risco real de desaparecer”, afirma Guilherme Oliveira, Diretor Científico do ITV Desenvolvimento Sustentável.

    Genômica salva espécies brasileiras da extinção

    O consórcio GBB seleciona espécies brasileiras sob risco de extinção para análises genômicas prioritárias. As informações orientam decisões estratégicas como criação de corredores ecológicos e proteção de habitats críticos.

    A saíra-apunhalada exemplifica a urgência do trabalho. Esta ave rara, encontrada apenas na Mata Atlântica do Espírito Santo, conta com cerca de 20 indivíduos restantes. A destruição e fragmentação do habitat ameaçam a espécie.

    O sequenciamento genômico apoia os Planos de Ação Nacionais de Conservação (PANs) do ICMBio, ações contra tráfico de fauna, decisões sobre criação de reservas e estratégias de manejo.

    Genômica e taxonomia trabalham juntas

    No Brasil, espécies correm risco de desaparecer sem terem sido descritas. O GBB combina genômica e taxonomia para definir espécies, mapear populações e reconhecer ameaças reais de extinção.

    A iniciativa envolve 14 centros de pesquisa e abrange desde organismos subterrâneos vulneráveis, como o Iuiuniscus iuiuensis e outros troglóbios – pequenos animais despigmentados que vivem exclusivamente em cavernas – até gigantes como o peixe-boi.

    “A genômica virou uma ferramenta como o microscópio. Ela é poderosa, mas é só mais uma ferramenta. Não substitui o trabalho de descrever, coletar e comparar espécie por espécie”, explica Santelmo Vasconcelos, biólogo e pesquisador do ITV.

    GenRefBR democratiza acesso a dados genômicos no Brasil

    O GBB criou o GenRefBR para facilitar o acesso a informações genômicas de vertebrados brasileiros. A plataforma pública reúne dados essenciais para pesquisas em conservação, bioeconomia e evolução. O sistema incluirá plantas e invertebrados futuramente.

    A criação do banco responde às dificuldades de acessar informações em bancos estrangeiros. Uma estrutura técnica e financeira robusta sustenta a missão, envolvendo logística, sequenciamento avançado de DNA, supercomputação e equipes especializadas em bioinformática.

    O futuro do GenRefBR depende da continuidade do financiamento e da possível transformação em iniciativa nacional permanente. O objetivo é garantir que o Brasil ocupe lugar de protagonismo na conservação baseada em dados genômicos.

  • O fenômeno do açaí e a revolução sustentável da Amazônia

    O fenômeno do açaí e a revolução sustentável da Amazônia

    Pense numa revolução silenciosa que começou nos palmeirais da Amazônia e hoje conquista o mundo. De uns anos pra cá, o açaí deixou de ser apenas um alimento tradicional das comunidades ribeirinhas e virou fenômeno global. Mas essa história vai muito além das tigelas de café da manhã – ela revela como o Brasil está construindo uma bioeconomia que valoriza a floresta em pé.

    Enquanto o mundo todo discute sustentabilidade, comunidades no Pará já mostram na prática como extrair valor da floresta sem derrubá-la. O açaí se transformou num caso de sucesso que ninguém previa. De repente, aquela frutinha que sempre alimentou populações locais virou commodity internacional – mas com uma diferença essencial: ela precisa da floresta em pé para existir.

    “O açaí representa um daqueles raros momentos onde todo mundo ganha”, analisa uma especialista do setor. “As comunidades aumentam sua renda, o mundo recebe um alimento nutritivo e a floresta se mantém de pé.”

    O sucesso do açaí abriu caminho para outros produtos da floresta. Cupuaçu, camu-camu e castanhas começam a seguir o mesmo caminho – e isso é crucial para diversificar a economia da região. A grande sacada está em mostrar que a Amazônia vale mais em pé do que derrubada.

    Mas a estrada não é sem obstáculos. O desafio maior é garantir que os benefícios cheguem de verdade para quem vive na floresta. Tem muito empresário de fora querendo ficar com a maior parte do bolo, enquanto as comunidades tradicionais ficam com as migalhas.

    O desafio que ainda persiste

    Apesar dos avanços, o desmatamento continua sendo a ameaça que ronda esse sucesso todo. Enquanto algumas áreas investem no açaí sustentável, outras ainda veem a floresta como obstáculo ao progresso. O grande teste da bioeconomia será provar que ela pode gerar mais riqueza que a destruição.

    Tem também a questão da regulamentação – falta uma estrutura que proteja melhor os pequenos produtores e garanta preços justos. Sem isso, o risco é do negócio se concentrar nas mãos de poucos.

    O futuro que já começou

    O caso do açaí prova que o Brasil tem todas as cartas na manga para liderar a nova economia verde. A pergunta que fica é: vamos saber jogar esse jogo? Enquanto isso, nas feiras de Belém, nos mercados de São Paulo e nas prateleiras da Europa, o açaí conta sua história de sucesso – uma história que ainda está só no começo.

    O que vem por aí? Muito mais que frutas. A próxima fronteira são os bioativos, cosméticos naturais e medicamentos derivados da biodiversidade. A Amazônia tem milhares de espécies esperando sua vez. E o açaí mostrou o caminho.

  • Como o chocolate fino está salvando a Amazônia

    Como o chocolate fino está salvando a Amazônia

    Imaginem uma clareira no coração da Amazônia. O ar, úmido e quente, carrega um aroma inconfundível: chocolate. Dentro de um domo geodésico que mais parece uma nave espacial pousada na floresta, Jhanne Franco observa um grupo de alunos. Eles não estão colhendo cacau para vender como commodity a preços baixos. Eles estão dominando, da amêndoa à barra, a arte de fazer chocolate fino.

    Essa cena, na comunidade Surucuá, às margens do Rio Tapajós, é a face mais tangible de uma revolução silenciosa. Uma nova geração de fabricantes de chocolate no Brasil está reescrevendo as regras do jogo. Eles não produzem apenas doces; eles criam barras com “identidade”, capazes de contar a história da floresta e, ao mesmo tempo, protegê-la.

    Da semente à oportunidade

    O projeto é um braço do Instituto Amazônia 4.0. A ideia, germinada pelos cientistas Carlos e Ismael Nobre, é simples na teoria e ousada na prática: construir uma bioeconomia que valorize a floresta em pé. Em vez de ver a Amazônia apenas como fornecedora de matéria-prima bruta, a iniciativa ensina as comunidades a transformarem seu tesouro biológico em produtos de alto valor.

    “Costumávamos jogar fora as sementes de cupuaçu. Agora, fazemos cupulate com elas”, conta Mariane Souza Chaves, uma agricultora local, em um depoimento que sintetiza a mudança de mentalidade. O cupulate, primo frutado do chocolate, é uma das inovações que surgem dos Laboratórios Criativos da Amazônia, as biofábricas móveis e sustentáveis do projeto.

    A lógica econômica é irrefutável. Enquanto um quilo de cacau no mercado convencional pode valer cerca de R$ 10, um quilo de chocolate artesanal de qualidade alcança facilmente R$ 300. É um valor agregado de mais de 2.000% que, se ficar nas mãos das comunidades, se transforma em um poderoso antídoto contra o desmatamento.

    A fábrica portátil do futuro

    A biofábrica em Surucuá é um espetáculo de inovação. Alimentada por 60 painéis solares, a estrutura chega de barco, é montada em dias e começa a operar. Dentro, máquinas de pequena escala, todas automatizadas, torram as amêndoas de cacau e refinam a massa. Os alunos programam receitas em um sistema, que guia todo o processo.

    Cacau sustentável

    “Você configura sua receita passo a passo, e o sistema envia informações para o equipamento. Ele avisa quando você precisa adicionar um ingrediente”, explica Jhanne Franco, enfatizando que o objetivo não é dar uma receita pronta, mas ensinar a ciência por trás do chocolate. O resultado são criações únicas, misturadas com frutas e especiarias da própria floresta, como uma barra com um toque picante que lembra canela – o segredo bem guardado de uma aluna.

    Um novo modo de vida

    Francisco Maia, que ajudou a trazer a biofábrica para Surucuá após cinco dias de estrada e seis horas de barco, vê a iniciativa como um “novo modo de vida”. Gera renda, melhora a qualidade de vida e, o mais importante, dá aos jovens uma razão para ficar.

    “Essa renda alternativa é um incentivo para os jovens permanecerem aqui e preservarem nosso conhecimento cultural”, reforça Mariane.

    Após o treinamento, a biofábrica móvel seguirá para a próxima comunidade ribeirinha ou quilombola, deixando para trás parte do equipamento e, principalmente, o conhecimento. O projeto é itinerante, mas seu legado é permanente: a prova concreta de que é possível criar uma economia próspera que não explora a Amazônia, mas que celebra e sustenta a sua imensa riqueza.

    E no final, tudo se resume a isso: o gosto complexo e profundo de um chocolate que carrega, em cada pedaço, o sabor da inovação, o aroma da resistência e a doce promessa de um futuro para a floresta

  • Jambu: planta amazônica se transforma em produto de alto valor comercial

    Jambu: planta amazônica se transforma em produto de alto valor comercial

    O jambu desperta sensações únicas em quem o experimenta, seja em pratos típicos como o tacacá ou em novos produtos que exploram suas propriedades. A planta herbácea, cientificamente conhecida como Acmella oleracea, pertence à família Asteraceae e alcança até 40 centímetros de altura. Suas folhas apresentam formato oval com textura levemente áspera, enquanto as flores amarelas formam inflorescências pequenas, popularmente chamadas de “botões de jambu”.

    Foto: Embrapa

    A arquiteta Tatiana Sinimbu decidiu mudar de carreira aos 40 anos para se dedicar ao estudo científico do jambu. A empresa Jambu Sinimbu atua no desenvolvimento de produtos derivados do extrato etanólico da planta e apresenta um portfólio que inclui cachaça de flor de jambu, conserva, molho de pimenta e um estimulante sexual feito com o concentrado da planta. Tatiana aproveitou o momento de aprovação no mestrado em engenharia industrial na Universidade Federal do Pará para desenvolver pesquisas e novos produtos relacionados ao jambu.

    Do prato à pesquisa científica

    Tatiana decidiu envolver a planta amazônica no sexo e, após longas pesquisas, criou o spray “Tremidão da Sinimbu”. Mais de 10 quilos de flores de jambu foram usados em três meses de testes para chegar à fórmula perfeita desse concentrado. Tão concentrada que apenas uma gota é suficiente para fazer efeito. Além do sucesso de vendas, esse produto também rendeu à Tatiana prêmios no Brasil e na Alemanha.

    Segundo a criadora do Tremidão, o extrato, ao ser borrifado nas “partes íntimas”, causa uma série de sensações estimulantes, retarda a ejaculação e promove maior lubrificação natural. A ginecologista e sexóloga Érika Mendonça das Neves, doutoranda na Universidade de São Paulo, explica que o poderoso líquido e seus “choquinhos” são frutos do efeito do espilantol, presente na erva.

    Espilantol: o segredo por trás do formigamento

    A característica de formigamento e leve anestesia se deve à presença de espilantol, um composto bioativo encontrado nas folhas e flores do jambu. A analgesia atrai maior atenção, tanto nos apreciadores das iguarias, que sentem a dormência na boca durante a refeição, como nos pesquisadores. Já se sabe, desde os anos 1950, que os efeitos anestésicos e analgésicos são provocados pela substância espilantol.

    Estudos desenvolvidos nos laboratórios do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, ligado à UFPA e com sede em Belém, confirmam cientificamente os efeitos transmitidos por meio da cultura popular. Investigações mostraram que o espilantol interage com os receptores nervosos para proporcionar alívio temporário da dor, melhorar a circulação e reduzir a inflamação. Análises laboratoriais também descobriram que o composto pode causar efeitos benéficos ao sistema cardiovascular, ajudando a prevenir sintomas de arritmia.

    Cultivo e produção no Pará

    Produtores periurbanos cultivam jambu em pequenas áreas, junto com outras hortaliças, para abastecer a cidade de Belém e os principais centros urbanos da mesorregião do Nordeste Paraense. A produção dessa hortaliça acontece em baixa escala, concentrada no Estado do Pará, onde ocorre também a maior demanda, principalmente durante o Círio de Nazaré.

    A planta prefere climas quentes e úmidos, típicos da região Amazônica, e pode ser cultivada em solos ricos e bem drenados. A produção de jambu durante o ano sofre flutuações. No Norte do país, a demanda por jambu aumenta em períodos de datas comemorativas, elevando o preço para valores entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por maço. Feirantes da região metropolitana de Belém informaram um consumo médio de 15 quilos por dia.

    Para atender o consumo do Círio seriam necessários 5 hectares de canteiros de jambu para ser consumida em apenas um dia. Isso significa geração de renda e emprego para pequenos produtores localizados na zona Bragantina e, principalmente, nos municípios de Santo Antônio do Tauá e Santa Izabel do Pará, com destaque na produção de jambu.

    Múltiplas aplicações e diversificação de produtos

    As culinárias amazonense, amapaense, rondoniense, acriana e paraense utilizam amplamente o jambu, presente em iguarias tradicionais como o tacacá e o pato no tucupi. No Pará, a planta é um ingrediente indispensável na preparação de pratos típicos, como o famoso tacacá, feito tradicionalmente com tucupi, goma de tapioca dissolvida, folhas cozidas de jambu e camarão.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Empresas de cosméticos têm explorado as propriedades únicas do Jambu, como seu efeito anestésico natural, para criar produtos inovadores. O mercado de cosméticos à base de Jambu está em expansão. Com produtos que prometem benefícios como a redução de linhas de expressão e um efeito lifting natural. O extrato de jambu tem chamado a atenção da classe média com promessa de efeito anti-idade.

    Propriedades medicinais e nutricionais

    A planta apresenta propriedades anestésicas, diuréticas, digestivas, sialagogas, antiasmáticas e antiescorbúticas. Os seus capítulos possuem propriedades odontálgicas e antiescorbúticas. O jambu apresenta teor proteico de 3,08% e se destaca como uma hortaliça hipocalórica e hipolipídica.

    Povos indígenas e ribeirinhos utilizam a planta como analgésico e anestésico no tratamento de aftas, herpes, dores de dente e de garganta. Duas outras propriedades conhecidas dessa planta, a de fungicida e de combate a carrapatos, despertaram o interesse de alguns pesquisadores com o objetivo de desenvolver medicamentos.

    Potencial econômico e bioeconomia amazônica

    Em 2022, o governo estadual lançou o Plano Estadual para Bioeconomia (PlanBio), dando o “caminho das pedras” para transformar a biodiversidade da Amazônia em um sistema econômico sustentável. A iniciativa estabelece dezenas de ações focadas no fortalecimento de cadeias produtivas que valorizam produtos florestais como o jambu, o açaí e a copaíba.

    Para Alfredo Homma, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), usar a ciência para elevar o conhecimento tradicional e o cultivo sustentável é “a única maneira” de impulsionar o crescimento econômico sem abrir mão de metas de conservação.

    Variedades

    A variedade mais conhecida e cultivada é o Jambuaçú, ou Botão-de-ouro, que se diferencia pelas inflorescências pequenas, em formato cônico e de coloração amarela intensa. A Jamburana possui uma inflorescência significativamente maior que a do Jambuaçú. Os produtores cultivam a planta para obter flores secas, que servem como matéria-prima na elaboração da Cachaça de Jambu, além de geleias e conservas.

    Pesquisadores desenvolveram o Jambu Nazaré, conhecido como “Jambu Roxinho”, ao cruzar e selecionar espécimes de jambu com resistência às pragas mais comuns do cultivo, como o carvão e a ferrugem. Essa variedade assemelha-se à Jamburana na sua morfologia, porém possui um halo de cor arroxeada ou avermelhada no ápice da inflorescência.

    A urbanização e a especulação de terras nas áreas próximas de Belém, o surgimento de polos de produção em outros estados e países, o processo de patenteamento para novos produtos no exterior e uso na gastronomia nacional e internacional estão transformando o jambu em uma nova hortaliça dos trópicos.

    Pesquisadores da Embrapa avaliam o potencial de subsistemas hidropônicos para a produção de jambu integrados ao cultivo de tambaqui. Isso tendo em vista a demanda mundial por sistemas agropecuários mais produtivos e sustentáveis. Segundo a Flavor and Extracts Manufactures Association (FEMA), o jambu é um alimento classificado como GRAS (Generally Recognized as Safe), ou seja, seguro para consumo em produtos alimentícios.

    A história do jambu exemplifica como o conhecimento tradicional, aliado à pesquisa científica e ao empreendedorismo, pode transformar um ingrediente regional em um produto de alto valor agregado. E beneficiar produtores locais, valorizando a biodiversidade amazônica.

  • Mapa Conecta Brasil 2025 estreia em Brasília e impulsiona inovação no agronegócio

    Mapa Conecta Brasil 2025 estreia em Brasília e impulsiona inovação no agronegócio

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Serpro e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), lançou nesta quarta-feira (8) a primeira edição do evento “Mapa Conecta Brasil 2025” em Brasília (DF), dentro do Festival Curicaca. O encontro tem como objetivo debater os principais desafios e soluções para impulsionar a inovação no agronegócio brasileiro.

     Na abertura, o secretário-adjunto de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo, João Crescêncio, ressaltou que o evento pretende colocar a inovação agropecuária no centro da agenda nacional e internacional. “O Mapa Conecta Brasil é o início de uma jornada para transformar conhecimento em impacto, tecnologia em prosperidade e inovação em legado”, afirmou.

     Durante o evento, foi apresentado o Programa Nacional de Inovação Aberta na Agropecuária – Mapa Conecta. O programa busca ampliar e fortalecer a inovação no setor, promovendo o desenvolvimento estratégico e a competitividade dos ecossistemas estaduais de inovação. Logo depois, houve a assinatura simbólica da portaria que oficializa o programa.

     Participaram da abertura autoridades como Marcelo Fiadeiro, diretor do Departamento de Apoio à Inovação para a Agropecuária (Diagro); Alessandro Cruvinel, representante do Diagro; Sibelle Silva, assessora da Presidência da Embrapa; Márcio Muniz, vice-reitor da Universidade de Brasília (UnB); e Marcelo Gavião, diretor de Inovação do Festival Curicaca.

    Programação

     A programação do Mapa Conecta Brasil 2025 segue até sexta-feira (10). E inclui painéis e debates sobre temas ligados à inovação agropecuária, como ecossistemas de inovação, conectividade rural, agricultura digital, novos alimentos, bioinsumos, políticas de recursos genéticos e bioeconomia.

     No primeiro dia, foram realizados painéis estratégicos e apresentações institucionais focadas em inovação e agricultura digital. Amanhã, o evento terá discussões sobre tecnologias práticas e integração nacional, além do pré-lançamento da Plataforma de Inovação Agropecuária – Mapa Conecta, criada em parceria com o Serpro.

     No último dia, os debates se fecharão na 5ª edição do BioInova, evento dedicado a bioinsumos e agrobiodiversidade,. E contará com o lançamento da Rede Nacional de Ecossistemas Estaduais de Inovação Agropecuária e a chamada BioInova Ignite, para pré-aceleração de soluções inovadoras em bioinsumos.