Tag: bebidas

  • Brasil está entre os países que mais bebem cerveja no mundo

    Brasil está entre os países que mais bebem cerveja no mundo

    O consumo de cerveja continua elevado no mundo e mantém a bebida entre as mais populares do planeta.

    Dados recentes apontam que o volume global ultrapassa 194 bilhões de litros por ano, o que reforça a força do setor e sua presença em diferentes culturas.

    Brasil segue entre os maiores consumidores

    O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário.

    O país aparece como o terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos. Ao todo, o mercado brasileiro consome cerca de 15,3 bilhões de litros por ano, o que representa aproximadamente 7,9% do volume global.

    Esse desempenho confirma a relevância do país dentro de um mercado já consolidado.

    Ranking global tem liderança asiática

    No cenário internacional, a China lidera o consumo com ampla vantagem, impulsionada pelo tamanho da população e pela expansão do mercado interno.

    Na sequência, os Estados Unidos mantêm a segunda posição. Além disso, países como México, Rússia e Alemanha também figuram entre os maiores consumidores.

    Ao mesmo tempo, mercados emergentes ganham espaço, puxados pelo aumento da renda e pela mudança nos hábitos de consumo.

    Consumo por pessoa muda o ranking

    Quando o recorte considera o consumo per capita, o cenário muda. Países europeus passam a liderar, com destaque para a República Tcheca, onde o consumo ultrapassa 150 litros por pessoa ao ano.

    Esse dado mostra que tradição cultural e hábitos locais influenciam diretamente o consumo.

    Perfil do consumidor começa a mudar

    Apesar dos números elevados, o comportamento do consumidor vem mudando de forma consistente.

    No Brasil, o mercado já mostra sinais de desaceleração em alguns períodos. Ao mesmo tempo, cresce rapidamente a busca por alternativas mais leves, como as cervejas sem álcool. Esse movimento ganhou força nos últimos anos, com avanço expressivo na produção e no consumo desse tipo de bebida.

    Além disso, a categoria deixou de ser vista como algo restrito e passou a fazer parte do consumo cotidiano. Hoje, muitos consumidores alternam versões com e sem álcool, mantendo a socialização sem abrir mão de escolhas mais equilibradas.

    Esse comportamento se intensifica principalmente entre os mais jovens, que priorizam saúde, bem-estar e menor ingestão calórica. Como reflexo, o mercado também começa a expandir esse conceito para outras bebidas.

    Nesse contexto, a chegada do whisky zero álcool ao Brasil reforça essa tendência. A novidade amplia o portfólio de opções sem álcool e mostra que a mudança no consumo não se limita à cerveja. Com isso, o setor de bebidas acompanha a nova demanda e passa a investir cada vez mais em alternativas que combinem sabor, experiência e moderação.

    Harmonização ganha espaço, inclusive na Páscoa

    Além da mudança no perfil, o consumo também se diversifica.

    A cerveja tem sido cada vez mais associada à gastronomia, com combinações que vão além do tradicional. Durante a Páscoa, por exemplo, cresce a recomendação de harmonizar cervejas escuras com chocolates e sobremesas, valorizando sabores mais intensos.

    Essa tendência reforça o posicionamento da bebida como parte de experiências gastronômicas mais completas.

    Especialistas reforçam consumo consciente

    Ao mesmo tempo, especialistas destacam a importância do consumo equilibrado. Profissionais do setor orientam sobre hidratação, alimentação adequada e moderação, especialmente para evitar efeitos como a ressaca.

    Assim, o consumo de cerveja segue forte, mas evolui com novos hábitos, produtos e formas de consumo no Brasil e no mundo.

  • Mercado de bebidas ready-to-drink cresce no Brasil

    Mercado de bebidas ready-to-drink cresce no Brasil

    O mercado brasileiro de bebidas alcoólicas prontas para beber, conhecidas como ready-to-drink (RTD), vem crescendo em ritmo acelerado e reflete uma transformação no comportamento do consumidor. A Weber Haus, tradicional destilaria gaúcha, é um dos exemplos dessa mudança ao ampliar seu portfólio além da cachaça e investir em novas experiências sensoriais.

    Projeções da consultoria Market Research Future indicam que o segmento de bebidas RTD movimentou cerca de US$ 2,2 bilhões em 2025. Isso equivale a aproximadamente R$ 11,8 bilhões, um avanço de 4,5% em relação a 2024. O estudo destaca que o consumo cresce de forma consistente há alguns anos, impulsionado por tendências como conveniência, variedade de sabores e novas formas de socialização.

    “Esperamos que o crescimento real seja ainda maior do que o projetado. A categoria mantém expansão constante na preferência do consumidor e nas vendas”, afirma Evandro Weber, CEO da Weber Haus.

    Categoria ganha força após crise e amplia portfólio

    A projeção da Market Research Future foi divulgada antes da crise de adulteração de destilados, fato que levou consumidores a buscar opções mais seguras e práticas. O cenário reforçou o apelo das bebidas ready-to-drink, disponíveis em formatos como latas e garrafas.

    A Weber Haus elaborou um portfólio diversificado que inclui licores e bebidas mistas engarrafadas. Weber destaca que esses produtos também pertencem ao universo RTD e têm papel importante na diversificação do consumo. “Os licores estão conquistando novos espaços e ocasiões em que antes não eram considerados”, comenta o executivo.

    Tendências até 2035: conveniência e experiência

    De acordo com o estudo, o mercado ready-to-drink pode alcançar US$ 3,4 bilhões no Brasil até 2035, impulsionado por mudanças de comportamento e avanços na indústria. As tendências apontadas incluem consumo mais consciente, busca por sabores diferenciados, embalagens inovadoras, crescimento do e-commerce e influência das redes sociais.

    Eventos de grande apelo popular, como Copa do Mundo e festivais musicais, também alimentam esse movimento, estimulando ocasiões de consumo coletivo e reforçando a procura por praticidade e novas experiências de sabor.

    O avanço das bebidas ready-to-drink indica uma categoria cada vez mais alinhada ao ritmo de vida moderno. As opções prontas para servir ganham espaço tanto no consumo doméstico quanto em bares e eventos. Portanto, atendendo a um consumidor que valoriza praticidade, diversidade e novas experiências sensoriais.

  • Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    O sonho de uma vida tranquila em meio à natureza levou uma família de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a criar uma bebida inédita no país: o Gin Puhuk, primeiro destilado brasileiro elaborado com mel de abelhas nativas sem ferrão.

    Tudo começou quando Maria de Fátima Godinho e Ivan Correia de Souza compraram uma propriedade nas montanhas de Nova Lima para desfrutar a aposentadoria. A rotina pacata ganhou novo rumo após o filho, Lucas, convidá-los para um curso de produção de cerveja. O que era um passatempo acabou virando negócio: a família abriu uma microcervejaria e, depois, uma destilaria artesanal.

    Durante a pandemia de Covid-19, o projeto ganhou uma nova líder: Fernanda Godinho de Souza, filha do casal, que se formou como Master Distiller e decidiu criar um gin com identidade brasileira. “O gin me encanta pela relação com os botânicos e com a natureza. O mel trouxe uma doçura natural e uma assinatura única para a bebida”, conta Fernanda.

    Identidade e sabor brasileiro

    O gin é uma bebida destilada de base neutra aromatizada com botânicos como ervas, frutas e raízes. No Gin Puhuk, o zimbro mantém o toque tradicional, mas o diferencial está no mel produzido no próprio meliponário da família.

    Na linha Old Tom, Fernanda utiliza mel da abelha Jataí, apreciada pelas propriedades medicinais, e da Uruçu-Amarela, uma das maiores produtoras entre as espécies nativas. “Hoje temos 11 espécies em nosso meliponário. Elas garantem sabor, autenticidade e sustentabilidade ao produto”, explica.

    O nome “Puhuk” também reforça essa conexão com a natureza: significa “abelha” na língua indígena Machacali, de Minas Gerais.

    Produção local e apoio técnico

    O Gin Puhuk faz parte de um arranjo produtivo local com apoio da Emater-MG. A destilaria compra a maior parte dos botânicos de agricultores familiares da região, fortalecendo a economia local. Apenas o zimbro é importado.

    A extensionista da Emater-MG Adriene Patrícia Lemos destaca o papel da instituição no apoio às agroindústrias artesanais. “Acompanha-se desde a capacitação até a regularização dos empreendimentos. Nosso foco é garantir boas práticas e qualidade no processo produtivo”, afirma.

    Atualmente, o Gin Puhuk é vendido em feiras organizadas pela Emater-MG, em bares de Nova Lima e Belo Horizonte, e também pela internet. A cada garrafa, a família mineira reforça o compromisso com a inovação, o território e a biodiversidade.

  • Operação apreende bebidas irregulares com risco de metanol

    Operação apreende bebidas irregulares com risco de metanol

    As autoridades sanitárias do Ceará retiraram mais de 21 mil litros de bebidas alcoólicas irregulares do mercado durante a segunda etapa da Operação Dose Limpa, realizada em dezembro. A ação reforça o alerta sobre os perigos da produção clandestina e da adulteração de bebidas, especialmente com a proximidade das festas de fim de ano, quando o consumo aumenta significativamente.

    As equipes de fiscalização concentraram as ações em Fortaleza e na Serra da Ibiapaba. A operação combateu a falsificação e a comercialização de bebidas sem registro, práticas que representam riscos graves à saúde pública. O metanol, álcool altamente tóxico, figura entre os principais perigos. A substância causa cegueira, danos neurológicos irreversíveis e morte, e esteve associada a casos fatais registrados nos últimos meses no país.

    A operação utilizou inteligência fiscal e análise de risco para planejar as ações. Os técnicos do VigiFronteiras apoiaram o levantamento prévio de informações, identificaram fluxos suspeitos e ofereceram suporte logístico. O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), coordenou tecnicamente a fiscalização e executou as ações com equipes especializadas no combate a esquemas de fraude e clandestinidade.

    Fiscalização identifica bebidas falsificadas em Fortaleza

    Em Fortaleza, os fiscais identificaram estabelecimentos comerciais com bebidas importadas que apresentavam fortes indícios de falsificação. A operação encontrou produtos como gin, vodka e whisky com problemas de rotulagem, conforme análise da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Os comerciantes vendiam bebidas sem registro no MAPA, sem documentação de procedência e com informações enganosas ao consumidor.

    Na região de Viçosa do Ceará, a fiscalização constatou a produção clandestina de licores e cachaça. Os estabelecimentos não atendiam aos requisitos mínimos de boas práticas de fabricação e não comprovavam a origem do álcool nem dos demais ingredientes utilizados. As equipes apreenderam grandes volumes desses produtos em pontos comerciais, inclusive em recipientes reutilizados. As embalagens não continham informações básicas obrigatórias, como responsável técnico, lista de ingredientes, advertências e graduação alcoólica.

    Risco químico ameaça consumidores

    A produção clandestina representa um risco químico iminente sob a perspectiva da fiscalização agropecuária. Sem controle oficial, ninguém garante a origem do álcool utilizado. Os consumidores ficam expostos à possibilidade de ingestão de metanol, além de excesso de cobre (metal pesado associado a efeitos tóxicos) e contaminantes microbiológicos decorrentes da falta de higiene e controle sanitário.

    Foto: MAPA

    “As autoridades retiram essas bebidas do mercado como medida de prevenção essencial, especialmente em períodos de maior consumo, porque produtos clandestinos provocam intoxicações graves, danos irreversíveis à saúde e até mortes”, afirma Janus Pablo Macedo, presidente do Anffa Sindical.

    Legislação estabelece critérios para apreensão

    As apreensões e a destruição dos produtos irregulares seguiram critérios técnicos que a legislação vigente define. O Decreto nº 12.709/2025 estabelece que os produtores de bebidas devem cumprir requisitos como boas práticas de fabricação e rastreabilidade. A lei considera produtos sem origem comprovada impróprios para o consumo humano, e ninguém pode regularizá-los após a produção. A apreensão imediata representa a única medida possível para cessar o risco.

    Como identificar bebidas seguras

    A fiscalização reforça que o registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária é gratuito e representa uma garantia mínima de segurança ao consumidor. As bebidas artesanais também estão sujeitas às mesmas exigências sanitárias. Comerciantes e consumidores devem desconfiar de preços muito abaixo do mercado, embalagens reaproveitadas e da ausência do registro no rótulo, especialmente em um período em que o consumo de bebidas alcoólicas aumenta significativamente.

  • Brasil perde R$ 28 bilhões por ano com bebidas falsificadas

    Brasil perde R$ 28 bilhões por ano com bebidas falsificadas

    A falsificação de bebidas no Brasil representa uma sangria bilionária aos cofres públicos e uma ameaça crescente à saúde dos consumidores. Dados da Euromonitor International revelam que o país deixou de arrecadar aproximadamente R$ 28 bilhões em impostos no último ano devido à comercialização de produtos adulterados.

    O problema atinge proporções alarmantes no segmento de destilados, onde produtos falsificados correspondem a cerca de 28% do mercado nacional, incluindo vodca, uísque, cachaça, tequila, rum, gin e conhaque. No setor de fermentados, a situação também preocupa: 9,7% do mercado é composto por produtos ilícitos, representando 81,5 milhões de litros anuais de vinhos e espumantes fraudulentos.

    Saúde em risco e prejuízos bilionários

    Além do impacto fiscal, as bebidas adulteradas representam sérios riscos à saúde pública. Substâncias inadequadas são frequentemente utilizadas pelos falsificadores na tentativa de replicar as características dos produtos originais, colocando consumidores em perigo.

    “A falsificação atinge principalmente as bebidas de maior valor agregado. Na maioria das vezes, os falsificadores reproduzem seus rótulos de forma idêntica para confundir os consumidores, por serem os itens mais fáceis de burlar”, explica Ramon Grasselli, gerente da Soma Solution, empresa fornecedora de equipamentos de codificação industrial.

    Tecnologia a laser revoluciona combate à pirataria

    Para enfrentar o problema, fabricantes têm investido em tecnologias avançadas que vão além dos rótulos tradicionais. Técnicas de marcação direta em embalagens e rolhas estão transformando o cenário de proteção no setor.

    A codificação a laser permite gravar informações diretamente no vidro das garrafas e até nas rolhas, criando identificações únicas e praticamente impossíveis de falsificar. Equipamentos como o SmartLase 350, da Markem-Imaje, já possibilitam codificar mais de cem mil produtos por hora em linhas de produção industrial.

    “Produtores têm adotado técnicas que vão além dos rótulos, tornando cada item único. No caso dos vinhos e espumantes, por exemplo, já é possível gravar nomes e códigos de rastreabilidade diretamente no vidro e até mesmo nas rolhas”, destaca Grasselli.

    A tecnologia atende não apenas ao setor de bebidas alcoólicas, mas também produtos com ou sem gás, sucos, águas minerais, leite e cerveja. Além do vidro, materiais de alta densidade como metais, plásticos e embalagens metalizadas podem receber codificação direta.

    Rastreabilidade garante transparência

    Sistemas de serialização e rastreabilidade representam aliados estratégicos no combate à falsificação. Ao integrar tecnologia de identificação única em cada garrafa, por meio de códigos, QR Codes ou etiquetas inteligentes. Esses sistemas permitem monitorar toda a cadeia produtiva, da fabricação ao ponto de venda.

    “Isso garante transparência e autenticidade ao produto, dificultando a ação de falsificadores e facilitando a detecção de fraudes. Além de proteger o consumidor, a rastreabilidade fortalece a reputação das marcas e assegura o cumprimento das normas de segurança e qualidade impostas pelos órgãos reguladores”, afirma o executivo.

    As soluções de marcação a laser apresentam vantagens operacionais significativas: dispensam o uso de tintas, reduzem paradas de linha para manutenção e não necessitam de sistemas de resfriamento, tornando o processo mais eficiente e sustentável.

    Mercado em expansão exige proteção reforçada

    Com a consolidação do Brasil como um dos mercados mais promissores no segmento de vinhos e espumantes, o combate à falsificação torna-se ainda mais urgente. O crescimento do setor atrai não apenas consumidores legítimos, mas também a atenção de criminosos.

    “A união entre autoridades, consumidores, fabricantes e empresas que oferecem soluções tecnológicas é essencial para a preservação e credibilidade do setor”, conclui Grasselli.

  • Hidromel: bebida milenar dos vikings também é feita no Brasil

    Hidromel: bebida milenar dos vikings também é feita no Brasil

    O hidromel é uma bebida alcoólica milenar obtida através da fermentação do mel diluído em água. Considerada mais antiga que o vinho e a cerveja, esta bebida conquistou civilizações ao longo da história, desde os vikings escandinavos até os gregos antigos, que a chamavam de “néctar dos deuses”.

    A produção do hidromel envolve um processo de fermentação natural, onde leveduras convertem os açúcares do mel em álcool, resultando em uma bebida que pode variar de 8% a 18% de teor alcoólico.

    A história do hidromel remonta a mais de 4.000 anos. Registros arqueológicos indicam que povos da antiga Mesopotâmia, Egito e China já produziam e consumiam esta bebida. Na cultura nórdica, o hidromel ocupava lugar de destaque nos banquetes vikings, sendo considerado a bebida dos guerreiros e símbolo de celebração. Na mitologia grega, acreditava-se que o hidromel conferia imortalidade e sabedoria, razão pela qual era associado aos deuses do Olimpo.

    Durante a Idade Média, o hidromel manteve sua popularidade na Europa, especialmente em regiões onde a produção de vinho era limitada. Mosteiros medieval produziam a bebida tanto para consumo quanto para fins medicinais, aproveitando as propriedades benéficas do mel.

    Características e sabor

    O sabor do hidromel varia consideravelmente de acordo com o tipo de mel utilizado, o tempo de fermentação e os ingredientes adicionais. Em sua versão tradicional, a bebida apresenta notas doces e complexas, com toques florais e frutados que refletem a origem botânica do mel. A textura pode ser seca, semi-seca ou doce, dependendo da quantidade de açúcar residual após a fermentação.

    Compostos voláteis do mel definem o perfil aromático do hidromel e dão à bebida fragrâncias que remetem a flores, frutas, especiarias ou notas herbáceas. A acidez equilibrada é fundamental para a qualidade da bebida, influenciando tanto o processo de fermentação quanto o sabor final.

    Pesquisa baiana avança na definição de padrões de qualidade para o hidromel brasileiro

    Um estudo conduzido pelo Centro Tecnológico Agropecuário da Bahia (Cetab), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), acaba de ser publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências e investiga as propriedades físico-químicas e aromáticas do hidromel produzido em diferentes regiões brasileiras.

    Foto: Cetab Seagri

    A pesquisa nacional analisou amostras da bebida milenar obtida pela fermentação do mel e busca estabelecer parâmetros de qualidade que possam impulsionar tanto a produção quanto o comércio do hidromel no Brasil.

    Análise aprofundada de amostras regionais

    Os pesquisadores Paulo Mesquita e Manuela Barreto coordenaram o estudo que examinou hidroméis produzidos na Bahia – especificamente nas regiões da Chapada Diamantina e do Recôncavo – e em São Paulo. A equipe considerou diferentes tempos de produção e analisou características cruciais como nível de acidez (pH), resíduos minerais e compostos responsáveis pelo aroma da bebida.

    “Os resultados indicaram que fatores como o tempo de conservação e o tipo de armazenamento interferem diretamente na acidez e na presença de compostos voláteis do hidromel. A partir das características encontradas, foram estabelecidos parâmetros para que o hidromel possa ser melhor produzido e utilizado”, explica Mesquita.

    PH: fator determinante para a qualidade

    O controle da acidez emerge como uma das medidas essenciais para garantir a qualidade do produto final. A pesquisadora Manuela Barreto destaca que o monitoramento do pH exige atenção especial dos produtores. “Uma bebida mais ácida afeta o processo de fermentação, além de prejudicar o sabor”, ressalta a especialista.

    Os cientistas estabeleceram parâmetros que permitem aos produtores monitorar e controlar adequadamente o pH durante todo o processo de fabricação, garantindo um produto final de maior qualidade e sabor mais equilibrado.

    Mercado promissor e pouco explorado

    Apesar de ser uma bebida mais antiga que o vinho e a cerveja, o hidromel ainda ocupa pouco espaço no mercado brasileiro. A maior parte da produção nacional ocorre de forma artesanal, o que evidencia um potencial de crescimento significativo para o setor.

    Os números globais reforçam o otimismo. Segundo a empresa Fortune Business Insights, o mercado mundial de hidromel deve se expandir a uma taxa de crescimento anual de 18,71%, saltando de US$ 432,4 milhões em 2020 para US$ 1,6 bilhão em 2028. Este cenário apresenta oportunidades concretas para produtores brasileiros que investirem na bebida.

    Benefícios para a saúde ampliam o potencial

    A indústria cervejeira artesanal já utiliza o hidromel como ingrediente especial em suas criações. Porém, estudos científicos apontam que os benefícios da bebida vão além do sabor diferenciado.

    Pesquisas demonstram que o consumo moderado de hidromel pode ajudar a prevenir diversos problemas de saúde, incluindo diabetes, câncer, inflamação, infecções respiratórias e distúrbios gastrointestinais. Estes benefícios derivam da presença de ácidos orgânicos, compostos fenólicos e peptídeos presentes no mel, que se mantêm na bebida fermentada.

    O artigo científico completo está disponível para consulta no site da SciELO (Scientific Electronic Library Online), plataforma que reúne publicações científicas de prestígio na América Latina.

  • Crise do metanol impulsiona vendas de vinhos, cervejas e bebidas enlatadas

    Crise do metanol impulsiona vendas de vinhos, cervejas e bebidas enlatadas

    A contaminação por metanol em bebidas artesanais e destiladas no Sudeste transforma o comportamento dos consumidores brasileiros. Nas últimas semanas, vinhos, cervejas e bebidas enlatadas registram crescimento expressivo nas vendas, enquanto os destilados enfrentam queda acentuada.

    As vendas de destilados caíram, em média, 70% na cidade de São Paulo, enquanto as de cerveja cresceram 7% Vendas de cerveja aumentam depois da crise do metanol. A procura por vinhos aumentou 36%, com destaque para os espumantes, cujas vendas em bares e restaurantes da capital paulista subiram quase 60% Vendas de cerveja aumentam depois da crise do metanol.

    As marcas de drinks prontos (RTDs – Ready to Drink) protagonizam os maiores saltos. A Vanfall registrou crescimento de 280% nas vendas do e-commerce em seis dias, faturando 76% da média mensal nesse período. A Lambe Lambe, fabricante de drinks prontos, teve alta de 20% nas vendas em São Paulo e 10% em Belo Horizonte logo na primeira semana após a confirmação dos casos de intoxicação.

    O movimento reflete a busca dos consumidores por produtos seguros, rastreáveis e de qualidade comprovada, características que marcam as bebidas produzidas por empresas regulamentadas e fiscalizadas.

    Vinícola mineira registra crescimento de 15%

    A vinícola mineira Bárbara Eliodora também surfou a onda de procura por segurança. A empresa registrou crescimento de 15% nas vendas para consumidores pessoa física nas últimas duas semanas, em comparação com o mês anterior.

    Foto: Divulgação

    O e-commerce oficial da vinícola e os empórios especializados que revendem seus rótulos puxaram o aumento. “Nossos vinhos passam por intensos padrões internacionais de segurança desde o início da fermentação até o engarrafamento. O vinho tem álcool por meio natural, o açúcar da uva é consumido e se transforma em etanol etílico, o único em que nós humanos podemos beber”, explica Guilherme Bernardes, proprietário da vinícola.

    Migração clara para bebidas seguras

    Eric Momo, presidente da Associação Nacional de Restaurantes, confirma migração clara dos consumidores para outros tipos de bebidas, com clientes deixando de tomar destilados e passando a consumir vinho, cerveja, chope ou até mesmo evitando bebidas alcoólicas.

    Os vinhos de mesa e vinhos finos não apresentam metanol em sua composição. Nenhum registro de intoxicação por metanol relaciona a substância ao consumo de vinhos ou cervejas, diferentemente das bebidas destiladas de origem duvidosa.

    Crise do metanol mata seis pessoas em São Paulo

    As últimas semanas marcam uma grave crise de saúde pública relacionada à contaminação por metanol em bebidas alcoólicas no Brasil. O Ministério da Saúde confirma seis mortes apenas em São Paulo, todas causadas por intoxicação com a substância tóxica.

    Os casos concentram-se principalmente no Sudeste do país e envolvem bebidas artesanais e destiladas de procedência duvidosa. O metanol, também conhecido como álcool metílico, causa intoxicação grave e pode levar à morte mesmo em pequenas quantidades. Os criminosos adulteram bebidas alcoólicas adicionando metanol no lugar do etanol para reduzir custos de produção.

    O governo de São Paulo intensifica operações de fiscalização para identificar e fechar estabelecimentos que fabricam bebidas adulteradas. As autoridades sanitárias recomendam que consumidores comprem bebidas apenas de estabelecimentos regulamentados e evitem produtos sem procedência clara ou com preços muito abaixo do mercado.

    Nenhum caso de contaminação por metanol está relacionado ao consumo de vinhos, já que estes produzem álcool naturalmente através da fermentação das uvas. Os especialistas alertam que o principal risco está em cachaças, vodkas e outras bebidas destiladas comercializadas de forma irregular ou clandestina.

  • Mapa apreende 1,3 mil litros de bebidas irregulares no PR

    Mapa apreende 1,3 mil litros de bebidas irregulares no PR

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 1.368 litros de bebidas alcoólicas irregulares em Morretes (PR). A fiscalização ocorreu entre 22 e 24 de julho.

    A operação, conduzida pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SIPOV/PR), contou com apoio da Prefeitura Municipal. O foco foram produtores e pontos de venda no município turístico.

    As equipes encontraram cachaças, licores e coquetéis artesanais sem origem comprovada. Muitos produtos estavam sem nota fiscal e rotulagem adequada. Em feiras livres, havia garrafas reutilizadas, sem controle de higiene, expostas à venda.

    Multas

    Foto: divulgação – Mapa

    As equipes multaram dois estabelecimentos. Um atuava de forma clandestina, sem registro no Mapa e em condições precárias. Os fiscais interditaram o outro, que embora registrado, apresentava falhas sanitárias e uso de embalagens irregulares. Ambos responderão às medidas cabíveis.

    Os produtos foram apreendidos cautelarmente. A Secretaria de Meio Ambiente de Morretes será responsável pelo descarte ambientalmente correto, com supervisão do Mapa.

    Segundo Fernando Mendes, chefe do SIPOV/PR, a ação busca proteger consumidores e valorizar quem cumpre a lei. “Queremos garantir alimentos seguros e reforçar a reputação da cachaça artesanal local”, disse.

    A fiscalização integra as ações da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) e do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), que asseguram qualidade e conformidade dos produtos vegetais no Brasil.

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  • Belo Horizonte recebe a maior Expocachaça da história

    Belo Horizonte recebe a maior Expocachaça da história

    Belo Horizonte se prepara para sediar a 34ª edição da Expocachaça, maior evento dedicado à cachaça de alambique no mundo, entre os dias 7 e 9 de agosto. O encontro, que acontece no CenterMinas Expo, ocupará três pavilhões e 12.170 m², confirmando-se como a maior edição já realizada. A organização espera movimentar R$ 30 milhões na economia e impulsionar toda a cadeia produtiva do setor.

    A feira reúne aproximadamente 250 expositores e mais de 2.000 marcas de cachaça provenientes de 18 estados brasileiros. “Queremos promover o produto nacional, fomentar negócios e continuar agregando valor à cachaça. Em todas as edições, a Expocachaça movimentou cerca de R$ 500 milhões”, diz José Lúcio Mendes, diretor do evento.

    Minas + Doce

    Além da cachaça, a Expocachaça traz o projeto Minas + Doce, com curadoria de Rosilene Campolina, para valorizar a doçaria artesanal mineira, e ainda a 18ª edição da BrasilBier, dando visibilidade às cervejas especiais nacionais.

    O evento conta com patrocínio do Governo de Minas Gerais, Cemig (via Lei de Incentivo à Cultura), Sicoob Divicred e apoio da Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo dados setoriais, a produção nacional de cachaça em 2024 chegou a 292,46 milhões de litros, crescendo 29,6% em relação ao ano anterior. O Sudeste responde por 59% desse total.

    Apesar da retração das exportações, concentradas em US$ 14,54 milhões este ano, o mercado interno se mantém aquecido, gerando mais de 6.300 empregos diretos mensais (CAGED/MTE). Por isso, a Expocachaça se consolida como principal palco para negócios, renda e promoção da cultura da cachaça.

    Cachaça: tradição e economia

    A cachaça, muito além de símbolo cultural, movimenta um mercado robusto, gera milhares de empregos e mantém uma tradição secular no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça, o país produz 1,4 bilhão de litros por ano, predominando o consumo interno.

    Com mais de 40 mil produtores ativos, 98% pequenos negócios familiares, a cachaça resulta em 600 mil empregos diretos e indiretos. Minas Gerais lidera a produção registrada nacionalmente, respondendo por quase 40% das cachaçarias e 34% dos rótulos disponíveis.

    Segundo o Anuário da Cachaça 2025, Minas conta com 501 cachaçarias registradas e 2.492 rótulos, refletindo o valor histórico e a excelência dos alambiques mineiros, muitos com produção artesanal e tradição de séculos.

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  • Fiscalização apreende mais de 6 mil litros de vinhos irregulares

    Fiscalização apreende mais de 6 mil litros de vinhos irregulares

    A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) realizou duas operações em abril contra a venda de vinhos clandestinos, apreendendo 6.645 litros (4.430 garrafas) em estabelecimentos de Porto Alegre e Gravataí. As ações, lideradas pela Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), visam coibir a comercialização de bebidas sem controle sanitário.

    Uso indevido do termo “Vinho Colonial” e irregularidades em importados

    Entre os produtos apreendidos estavam garrafas rotuladas como “Vinho Colonial”, denominação permitida apenas para produtos artesanais conforme a Lei Federal 12.959/2014. “Essa categoria exige venda direta ao consumidor final em propriedades rurais, cooperativas ou feiras da agricultura familiar”, explica Andresa Lucho, da DIPOV.

    Fiscais também identificaram vinhos importados sem registro no Ministério da Agricultura (Mapa). Pela legislação, importadores devem constar no rótulo com CNPJ, endereço e número de registro válido. É proibido e constitui infração a importação de vinhos e derivados da uva e do vinho sem o prévio registro do estabelecimento importador no Mapa e importar, manter em depósito ou comercializar vinhos e derivados da uva e do vinho importados em desconformidade com o disposto na legislação.

    Riscos à saúde e como identificar produtos regulares

    O consumo de vinhos sem procedência traz perigos como adulterações e falta de inspeção sanitária. Para evitar riscos, verifique no rótulo:

    • CNPJ e endereço do fabricante
    • Registro no Mapa
    • Tradução do rótulo (no caso de importados)

    Os comerciantes responsáveis podem receber multas administrativas, ações civis e penais. Os produtos apreendidos permanecem no local sob custódia dos proprietários até a conclusão dos processos.

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