Tag: Batata

  • Cesta básica sobe em todas as capitais

    Cesta básica sobe em todas as capitais

    A Análise Mensal da Cesta Básica, divulgada nesta semana, revela um cenário misto para o bolso dos brasileiros em maio. O levantamento, realizado pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o café em pó e o óleo de soja ficaram mais baratos em 23 capitais brasileiras. Além desses itens, o açúcar e a banana também apresentaram recuo de preços na maior parte do país, impulsionados pelo aumento da oferta no varejo.

    Boas perspectivas para a safra e o avanço da colheita explicam a queda de até 7,86% no café em pó em Campo Grande. Já o óleo de soja recuou até 7,87% em Macapá, favorecido pela maior oferta interna. A capital amapaense também registrou a maior redução no preço do açúcar, com uma queda expressiva de 20,41%. No caso da banana, o maior declínio ocorreu em Campo Grande, onde o fruto ficou 10,84% mais barato.

    Alimentos que pesaram no orçamento

    Por outro lado, o encerramento da safra das águas e o início da temporada das secas reduziram a oferta de diversos produtos, elevando os custos para o consumidor.

    Entre os destaques negativos estão:

    Batata: o preço subiu em todas as 11 cidades das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. São Paulo registrou a menor variação, ainda assim com alta de 40,03%.

    Tomate e carne bovina: ambos encareceram em 26 capitais. O tomate saltou 44,8% em Porto Alegre, enquanto a carne subiu 7,35% em Porto Velho.

    Feijão e arroz: o feijão-carioca valorizou entre 1,13% (Cuiabá) e 31,36% (Macapá). O arroz teve alta em 18 capitais, com destaque para Palmas (14,23%), embora tenha caído 9,04% em Aracaju.

    Leite integral: o produto apresentou oscilações distintas, ficando 9,75% mais caro em Macapá e 3,28% mais barato no Rio de Janeiro.

    Custo total da cesta e o cenário nas capitais

    Apesar das quedas pontuais, o valor total da cesta básica subiu em todos os municípios monitorados no mês de maio. As variações ficaram entre 1,73% em Campo Grande e 8,05% em Recife.

    São Luís consolidou-se como a capital com o preço mais acessível (R$ 651,15),seguida por Aracaju(R$ 652,73) e Rio Branco (R$ 689,11). A capital maranhense também obteve um resultado positivo na comparação anual, com os alimentos custando 2,52% menos do que no mesmo período de 2025.

    Acumulado do ano (Dezembro/2025 a Maio/2026)

    No balanço dos primeiros cinco meses do ano, a cesta básica encareceu em todas as capitais, com uma média de 14,89% de aumento.

    São Luís registrou o menor crescimento acumulado (3,45%), enquanto outras 23 capitais ficaram abaixo da média nacional, incluindo Campo Grande (8,41%), Brasília (12,3%) e São Paulo (12,56%).

  • Alimentos pressionam inflação e preocupam agronegócio

    Alimentos pressionam inflação e preocupam agronegócio

    Os alimentos voltaram a liderar a inflação brasileira em maio. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33%, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (12). O resultado ficou praticamente estável em relação a abril. O índice recuou apenas 0,01 ponto percentual no período.

    A alimentação no domicílio avançou 1,65%. Os maiores aumentos ocorreram na batata-inglesa, que subiu 44,69%, no tomate, com alta de 20,62%, e na cebola, que avançou 16,80%. As carnes também ficaram mais caras e registraram elevação de 1,39%. Esses produtos repetiram o movimento observado em abril e acumulam altas desde janeiro.

    Por outro lado, alguns itens apresentaram queda de preços. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas registraram baixa de 0,70%.

    A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara. O segmento avançou 0,49% em maio. Os preços dos lanches subiram 0,49%, após alta de 0,71% em abril. Já as refeições passaram de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

    No acumulado do mês, a inflação oficial do país ficou em 0,58%. O resultado desacelerou frente aos 0,67% registrados em abril. Apesar do alívio no índice geral, os alimentos continuaram como principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias. O grupo Alimentação e Bebidas respondeu pela maior contribuição ao resultado do IPCA.

    Itens básicos e produtos in natura exerceram forte influência sobre a inflação. Fatores climáticos, custos de produção e oscilações na oferta explicam parte desse movimento.

    Para o agronegócio, os números reforçam a influência das safras e do abastecimento sobre o custo de vida dos brasileiros.

    Safra de cana reduz preços do etanol

    O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil favoreceu a queda do etanol em maio. O biocombustível registrou recuo de 6,20%. Em abril, o produto havia apresentado alta de 0,62%.

    Mesmo com a demanda aquecida, a maior oferta ajudou a reduzir os preços. O etanol também contribuiu para aliviar a inflação do grupo Transportes. Com o aumento da moagem, as usinas ampliaram a disponibilidade de matéria-prima. Como resultado, a oferta de etanol cresceu no mercado.

    O cenário reforça a importância do agronegócio para o comportamento da inflação. Afinal, a produção agrícola influencia diretamente os preços dos combustíveis renováveis.

    Além do etanol, o óleo diesel caiu 2,34% em maio. O combustível tem papel estratégico no campo por abastecer máquinas agrícolas e transportar a produção. A redução dos combustíveis pode diminuir custos logísticos em toda a cadeia agropecuária. Dessa forma, o movimento pode ajudar a reduzir pressões sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.

  • Entenda o que está por trás da alta do preço da batata

    Entenda o que está por trás da alta do preço da batata

    A alta no preço da batata em 2026 tem origem em uma combinação de fatores climáticos, produtivos e econômicos que afetaram diretamente a oferta do tubérculo no Brasil. O alimento, presente na mesa da maioria dos brasileiros, registrou aumento de 21,53% no IPCA no primeiro quadrimestre do ano, figurando entre os principais vilões da inflação alimentar no período.

    Minas Gerais lidera a produção nacional de batata-inglesa, com cerca de 1,28 milhão de toneladas anuais, seguido pelo Paraná, com 778 mil toneladas, e São Paulo, com 688 mil toneladas. Regiões como o Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Cerrado Mineiro concentram grande parte da produção, abastecendo centrais estratégicas como a Ceagesp (SP) e a CeasaMinas (MG).

    Entressafra e clima pressionam oferta

    A batata é cultivada em três safras ao longo do ano, águas, secas e inverno. Isso é o que garante abastecimento contínuo, mas também cria períodos de maior vulnerabilidade. A transição entre a safra das águas e a das secas, ocorrida no início de 2026, já trouxe uma redução esperada na oferta.

    No entanto, a situação foi agravada por condições climáticas adversas. A estiagem registrada entre março e abril, combinada com temperaturas elevadas nas regiões produtoras, comprometeu o desenvolvimento das lavouras. Como resultado, houve redução no calibre dos tubérculos e menor produtividade por hectare, impactando diretamente o volume disponível no mercado.

    Além disso, o estresse hídrico e térmico favoreceu o aumento da incidência de pragas e doenças, prejudicando ainda mais a qualidade da produção. Fungos, nematoides e insetos encontram ambiente propício em condições de calor e umidade instável, especialmente em culturas subterrâneas como a batata.

    Manejo e tecnologia ganham importância

    Diante de cenários climáticos mais instáveis, o manejo adequado das lavouras se torna essencial para garantir produtividade. Segundo o especialista em nutrição vegetal Douglas Vaz-Tostes, do Grupo GIROAgro, o uso correto de fertilizantes e insumos é decisivo para reduzir perdas e manter o potencial produtivo.

    “O investimento em nutrientes adequados, na dose e no momento certos, aumenta a eficiência do sistema e protege a lavoura. Em condições adversas, isso deixa de ser diferencial e passa a ser essencial”, afirma.

    O uso de bioinsumos também tem avançado como estratégia complementar. Produtos à base de organismos biológicos, como o Heterorhabditis bacteriophora, já são utilizados no controle de pragas como a larva-alfinete. Integrados ao manejo convencional, esses insumos contribuem para maior resiliência das lavouras e redução de perdas.

    Efeito rebote da safra recorde

    Outro fator determinante para a alta dos preços em 2026 está no desempenho do setor no ano anterior. Em 2025, a produção de batata foi marcada por alta produtividade, impulsionada por clima favorável e avanços tecnológicos, o que gerou excesso de oferta e queda acentuada nos preços ao produtor.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário expôs a fragilidade da cadeia produtiva, especialmente pela ausência de canais alternativos de escoamento, como a indústria. Com margens reduzidas, muitos produtores diminuíram investimentos em insumos e manejo para a safra seguinte.

    Essa retração contribuiu para a queda na produtividade em 2026, intensificando os efeitos das adversidades climáticas e reduzindo ainda mais a oferta no mercado. Cenário que culminou na atual disparada dos preços ao consumidor.

  • Vendas de Páscoa devem crescer 2,7% em 2026, aponta APAS

    Vendas de Páscoa devem crescer 2,7% em 2026, aponta APAS

    As vendas de produtos de Páscoa nos supermercados paulistas devem crescer 2,7% em 2026, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O aumento reflete a melhora do mercado de trabalho e o avanço da renda real da população.

    O cenário econômico mais favorável impulsiona o consumo, mesmo com o impacto da alta do chocolate. Segundo o estudo, o preço médio da cesta de Páscoa deve subir 4,7% neste ano, a segunda menor variação registrada nos últimos cinco anos.

    Queda de preços em itens tradicionais

    Vários produtos típicos da Páscoa registram queda de preço e ajudam a equilibrar os custos da cesta em 2026. Entre eles estão azeite de oliva (-22%), frutas da estação (-11,38%), batata (-13,62%), ovos (-12,24%) e queijo muçarela (-8,05%).

    Essas reduções compensam parcialmente a alta de 20% no preço do chocolate, pressionada pela escalada do cacau no mercado internacional, que enfrenta quebras de safra e efeitos das mudanças climáticas.

    Impactos do setor e da economia

    Para o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, os diferentes comportamentos de preços refletem as particularidades de cada cadeia produtiva.

    “Quando analisamos itens essenciais, como o chocolate, percebemos o impacto direto das oscilações do cacau, afetadas por alterações climáticas e pela oferta limitada no mercado global”, explica.

    Mesmo com o aumento moderado da cesta e projeção positiva para o faturamento, o setor ainda enfrenta obstáculos como juros elevados e endividamento das famílias, fatores que limitam uma expansão mais acelerada das vendas.

    Pescados sobem com a Quaresma

    O levantamento também destaca o comportamento dos produtos consumidos durante a Quaresma, que registram alta de preços típica do período devido ao aumento da demanda. O estudo aponta elevação média de 9,13% nos pescados, com destaque para sardinha (5,85%), cação (11,16%), merluza (4,46%), bacalhau (8,58%) e atum em lata (4,27%).

    Segundo Queiroz, o movimento é esperado. “Durante a Quaresma, a maior procura por pescados eleva temporariamente os preços. Esse padrão cíclico se repete praticamente todos os anos”, afirma.

  • Tomate fica mais barato: preços caem mais de 26% no atacado em novembro, aponta Conab

    Tomate fica mais barato: preços caem mais de 26% no atacado em novembro, aponta Conab

    O preço do tomate despencou mais de 26% nos mercados atacadistas em novembro, impulsionado pela boa oferta do produto nas Centrais de Abastecimento (Ceasas). O levantamento faz parte do 12º Boletim Hortigranjeiro do Programa Prohort, divulgado nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Segundo o relatório, as temperaturas mais altas aceleraram o amadurecimento dos frutos, ampliando a disponibilidade nos centros de distribuição. A forte oferta também reduziu o preço do alimento no varejo, conforme mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pela Conab em parceria com o Dieese.

    Cenoura e batata também caem de preço

    A cenoura registrou queda média de 9,68% nos preços atacadistas em relação a outubro. Na Ceagesp (SP), a redução chegou a 21,15%, a maior entre as centrais analisadas, mesmo com volume menor da raiz no mercado.

    A batata também ficou mais barata, com retração média de 2,37% entre outubro e novembro. Apesar da variação modesta, o preço está 51,3% inferior ao observado no mesmo mês do ano passado. O movimento marca o fim da safra de inverno e a entrada da safra das águas, o que influencia o equilíbrio de oferta.

    Alface e cebola ficam mais caras

    A alface voltou a subir em novembro, após um período de baixa, por causa da menor oferta nos entrepostos. A valorização ficou em 3,36%. Já a cebola aumentou 8,79% na média ponderada — alta típica para o período, em função da mudança nas regiões fornecedoras do bulbo.

    Entre as frutas, o mês de novembro mostrou estabilidade nos preços. Banana, maçã e laranja tiveram pequenas quedas de 0,13%, 0,82% e 1,10%, respectivamente.

    A oferta da banana diminuiu, com destaque para a queda de produção da variedade nanica no Vale do Ribeira (SP) e da prata no norte de Minas Gerais. A maçã gala teve leve recuperação de preços no fim do mês, acompanhada de estoques menores e demanda estável. No caso da laranja, o setor industrial se manteve cauteloso na compra de novos lotes, refletindo a demanda externa enfraquecida.

    Em sentido contrário, mamão e melancia encareceram. As cotações médias subiram 6,55% e 4,45%, respectivamente. A menor produção de mamão, afetada por chuvas e temperaturas mais baixas, e a queda na qualidade das melancias vindas do sul da Bahia e do centro paulista ajudaram a elevar os preços.

    Exportações crescem mais de 23%

    Entre janeiro e novembro de 2024, as exportações de frutas e hortaliças somaram 1,176 milhão de toneladas, alta de 23,22% frente ao mesmo período do ano anterior. O faturamento chegou a US$ 1,4 bilhão (FOB), um avanço de 9,23%. A Europa e a Ásia continuam sendo os principais destinos das vendas brasileiras.

  • Embrapa lança batata para chips e batata-palha

    Embrapa lança batata para chips e batata-palha

    A Embrapa lançou a cultivar de batata BRS F21, voltada ao processamento industrial de chips e batata-palha.
    Desenvolvida após mais de dez anos de pesquisa, a nova batata combina alta produtividade, resistência a doenças e excelente aptidão para fritura.

    A cultivar recebeu o apelido de Braschips devido ao elevado rendimento industrial e à qualidade superior dos chips produzidos. Segundo a Embrapa, a BRS F21 apresenta alta matéria seca e baixo teor de açúcares, fatores essenciais para fritura de qualidade. Essas características garantem chips mais secos, crocantes e com coloração clara e uniforme, preferida pelos consumidores.

    O pesquisador Giovani Olegário, da Embrapa Hortaliças, explica que a combinação desses atributos evita a caramelização durante a fritura. Além disso, a batata apresenta textura firme, sabor característico, polpa amarelo-clara e formato ovalado dos tubérculos.

    Esses fatores contribuem diretamente para o desempenho industrial e a padronização do produto final.
    A cultivar também registra baixa incidência de desordens fisiológicas, como manchas internas e rachaduras nos tubérculos. Com isso, a indústria reduz perdas no processamento e amplia o aproveitamento da matéria-prima.
    Testes preliminares, realizados em parceria com a indústria, aprovaram o uso da BRS F21 para chips e batata-palha. Na fase atual, avaliações em maior escala analisam a aceitação entre produtores fornecedores da indústria.

    Alta produtividade e estabilidade

    Foto: divulgação – Embrapa

    A BRS F21 chega ao mercado com potencial para superar cultivares concorrentes em produtividade e estabilidade produtiva. A batata apresenta ampla adaptação às principais regiões produtoras do País, incluindo o Triângulo Mineiro. Essa região concentra o maior volume de fornecimento de batata para as agroindústrias brasileiras.

    O vigor vegetativo e o alto potencial produtivo reduzem o custo da matéria-prima destinada ao processamento.
    Segundo Olegário, o ciclo produtivo é ligeiramente mais longo, porém favorece maior acúmulo de amido nos tubérculos. Esse fator atende às exigências da indústria por níveis adequados de matéria seca.

    No momento da colheita, a dessecação seguida de cerca de dez dias é considerada etapa essencial.
    Nesse período, ocorre a conversão de açúcares em amido, favorecendo chips de coloração clara.
    O pesquisador destaca que o monitoramento da lavoura ajuda a definir o ponto ideal de colheita.

    Resistência ao vírus PVY

    A resistência ao vírus PVY representa uma das principais vantagens competitivas da cultivar BRS F21.
    O PVY é a virose de maior impacto socioeconômico na cultura da batata no Brasil. A doença provoca amarelecimento, enfraquecimento das plantas e queda significativa da produtividade.

    Como a batata se propaga por tubérculos, o vírus compromete diretamente a qualidade das sementes.
    Com baixa suscetibilidade ao PVY, a nova cultivar mantém o vigor das plantas ao longo dos ciclos produtivos.
    Esse avanço fortalece a produção e amplia a segurança fitossanitária da cadeia.

    A BRS F21 também demonstrou boa resistência à requeima e à pinta-preta. Essas doenças foliares afetam especialmente regiões produtoras do Sul do País.

    Portfólio diversificado de cultivares

    O Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa desenvolve cultivares para diferentes segmentos de mercado. As variedades atendem às condições tropicais e subtropicais do Brasil.
    Segundo a pesquisadora Caroline Castro, o programa considera consumidor, produtor e indústria no desenvolvimento das cultivares. A oferta contempla tanto o consumo fresco quanto o uso industrial. Cada cultivar recebe indicação específica para assar, fritar ou utilizar em saladas.

    A Embrapa também avalia a adaptação a sistemas de produção diferenciados, como o cultivo orgânico.
    Nos últimos dez anos, a pesquisa lançou quatro cultivares além da BRS F21. Entre elas estão a BRS F63 Camila, a BRS F183 Potira, a BRS F50 Cecília e a BRS Gaia. Essas variedades atendem desde o mercado gourmet até a indústria de pré-fritos congelados.

    Segundo a pesquisadora, a limitação de cultivares adaptadas ao calor reduz janelas de cultivo no Brasil.
    Nesse cenário, a Embrapa atua no desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas nacionais.
    O trabalho envolve parceria entre a Embrapa Clima Temperado e a Embrapa Hortaliças.

    As avaliações ocorrem em estações experimentais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
    Produtores parceiros e indústrias de diferentes regiões também participam das validações.

    Onde encontrar

    Os primeiros licenciados da cultivar BRS F21 foram selecionados por edital público no início do ano.
    Esses produtores serão responsáveis pela multiplicação de batata-semente da nova cultivar.
    Todos possuem cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas, junto ao Ministério da Agricultura.

  • Movido a batatas: conheça a história que a indústria automobilística esqueceu

    Movido a batatas: conheça a história que a indústria automobilística esqueceu

    Quando você enche o tanque com etanol hoje em dia, provavelmente não imagina que Henry Ford já tava nessa vibe há mais de 100 anos. O cara não era só obcecado por carros, ele queria literalmente transformar batatas em combustível.

    Foto: Divulgação Ford Motors

    Documentos da década de 1910 revelam que o fundador da Ford conduziu experimentos extensos com biocombustíveis, testando desde açúcar e madeira até batatas alemãs. O objetivo? Encontrar um substituto viável para a gasolina antes que ela ficasse cara demais ou simplesmente acabasse.

    O Modelo T que rodava com qualquer coisa

    Lançado em 1908, o icônico Ford Modelo T tinha uma característica interessante que muita gente não conhece: ele conseguia rodar com gasolina, álcool e até querosene. Não era exatamente um carro flex como conhecemos hoje, mas a flexibilidade do motor de quatro cilindros impressionava.

    “Todo mundo está esperando por um substituto para a gasolina”, declarou Henry Ford em 1916 ao jornal Western Brewer, uma publicação voltada pra produtores de cerveja. A escolha do veículo de comunicação não foi aleatória – Ford tinha um plano audacioso envolvendo cervejarias.

    O magnata, que era conhecido por não beber uma gota de álcool, viu uma oportunidade quando cerca de 60 cervejarias fecharam as portas em Michigan devido à proibição da bebida. Sua ideia era simples e genial: converter essas instalações em destilarias de álcool combustível.

    Testes surpreendentes nos laboratórios da Ford

    Durante 18 meses, a equipe de engenheiros da Ford testou diversos tipos de álcool combustível. Os resultados foram surpreendentes, e até melhores que a gasolina em alguns aspectos.

    Foto: Divulgação Ford Motors

    Um Modelo T abastecido com álcool apresentou potência 15% superior comparado ao mesmo carro rodando com gasolina. O motor de 20 cavalos ficava mais forte, embora a autonomia fosse um pouco menor. Qualquer dono de carro flex brasileiro reconhece esse trade-off na hora.

    Ford testou álcool produzido de várias fontes vegetais: resíduos de fábricas de enlatados, sobras de usinas de açúcar, talos de milho e aquela tal batata alemã especial que poderia ser cultivada localmente. Até materiais que normalmente iriam pro lixo viraram combustível nos experimentos.

    A visão futurista de Henry Ford

    O empresário não pensava pequeno. Em entrevista ao Western Brewer, ele revelou que já tinha 30 tratores Fordson funcionando com álcool em Dearborn. Mas a visão dele ia muito além dos veículos.

    Henry Ford. Foto: Divulgação Ford Motors

    Ford imaginava um futuro em que tubulações subterrâneas distribuiriam álcool combustível para abastecer carros, tratores, sistemas de iluminação e cozinhas domésticas, de forma semelhante ao uso atual do gás natural.

    “Quando isso acabar não haverá mais gasolina e, muito antes disso, o preço da gasolina terá subido a um ponto em que será muito caro para ser queimado como combustível automotivo”, previu Ford com uma precisão impressionante.

    Como a lei seca matou o sonho verde

    Apesar dos resultados promissores e do potencial comercial demonstrado, o projeto dos biocombustíveis de Ford enfrentou um obstáculo insuperável: a Lei Seca.

    A proibição do álcool começou em Michigan antes mesmo da lei federal entrar em vigor em 1920. Operar destilarias legalmente se tornou praticamente impossível, mesmo que o álcool fosse destinado exclusivamente para fins combustíveis.

    Quando a Lei Seca finalmente terminou em 1933, a Ford já tinha seguido em frente. O Modelo T havia sido substituído pelo Modelo A e depois pelos motores V8 de cabeçote plano. A janela de oportunidade tinha fechado.

    O legado esquecido

    Hoje, quando você abastece seu carro com etanol no Brasil, prática comum desde os anos 70, você tá usando uma tecnologia que Henry Ford ajudou a desenvolver um século atrás. A diferença é que levou décadas pra ideia finalmente decolar.

    Os experimentos de Ford com biocombustíveis mostram um lado menos conhecido do inventor: ele não era só um gênio da produção em massa, mas também um visionário ambiental à frente do seu tempo.

    Portanto, se a Lei Seca não tivesse atrapalhado, quem sabe os Estados Unidos não teriam se tornado pioneiros em combustíveis renováveis já nos anos 1920? A história dos carros e do meio ambiente poderia ter sido bem diferente.

  • Produtividade recorde reduz perdas na batata em 2025

    Produtividade recorde reduz perdas na batata em 2025

    A safra de batata de 2025 registra preços historicamente baixos. O excesso de oferta pressiona o mercado desde o início do ano. Mesmo assim, a produtividade recorde no campo reduz o custo unitário de produção e ameniza os prejuízos dos produtores.

    O “Especial Batata” da revista Hortifruti Brasil, do Cepea da Esalq/USP, detalha esse contraste. De um lado, os preços desabam. De outro, os produtores mostram capacidade técnica e gestão eficiente. Essa combinação amortece perdas que poderiam ser maiores.

    A média de preços entre janeiro e outubro de 2025 é a quarta menor da série histórica do Cepea. Os dados são deflacionados pelo IGP-DI e mostram valores superiores apenas aos registrados em 2011, 2017 e 2018.

    Em sentido oposto, a produtividade mantém tendência de alta desde 2010. Esse avanço reflete melhorias tecnológicas e de manejo. Apesar da quebra registrada em 2024, a safra de 2025 supera patamares anteriores, impulsionada pelo clima favorável e pela maior oferta de sementes.

    Risco

    Pesquisadores do Hortifruti Cepea alertam para um risco crescente. Quando todos produzem com alta eficiência, o setor enfrenta desafios coletivos. A ausência da indústria como canal adicional de escoamento agrava o problema. O mercado evidencia limitações de coordenação e diversificação comercial.

    A lição de 2025 é nítida. A produtividade funciona como escudo inicial contra crises. No entanto, ela não resolve todos os desequilíbrios. O setor precisará equilibrar eficiência produtiva, gestão de risco e inteligência de mercado. Apenas assim a alta produtividade garantirá sustentabilidade e não estimulará novos excessos.

  • Batata tem forte alta nos principais atacados do país

    Batata tem forte alta nos principais atacados do país

    Os preços da batata registraram alta expressiva na última semana, segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea. Entre 6 e 10 de outubro, a batata especial tipo ágata foi vendida a R$ 46 por saca de 25 kg no atacado de São Paulo, o que representa aumento de 22,2% em relação ao período anterior.

    Nos atacados do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, as valorizações foram ainda maiores. O preço subiu 38,5%, para R$ 52 por saca, na capital fluminense, e 31,6%, para R$ 45 por saca, na capital mineira.

    Pesquisadores do Hortifrúti/Cepea explicam que o avanço das cotações não é surpresa. O movimento está ligado à desaceleração da safra de inverno, com a colheita em Vargem Grande do Sul (SP) se aproximando do fim.

    Atacadistas informam que o Cerrado Mineiro e o Sudeste Paulista são hoje as principais regiões fornecedoras do produto para as centrais.

    De acordo com o Hortifrúti/Cepea, a tendência é de novas altas nas próximas semanas, com o encerramento da colheita em Vargem Grande do Sul e a redução do ritmo de produção em outras praças.

  • Paraná inicia plantio de verão com milho e batata

    Paraná inicia plantio de verão com milho e batata

    As lavouras de verão começaram a ocupar os campos do Paraná. O Boletim Semanal de Conjuntura Agropecuária do Deral destacou milho e batata. O plantio de soja segue restrito. Apenas a Região 2, que abrange Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste, possui áreas emergentes. Nas demais regiões, o vazio sanitário ainda impede a semeadura.

    Milho

    Condições climáticas favoráveis aceleraram a primeira safra de milho 2025/26. Até agora, agricultores já semearam 29 mil hectares, 9% dos 314 mil previstos. A região de Ponta Grossa concentra 23% da área estadual de milho, com 72,2 mil hectares. Desse total, 21 mil já foram plantados. Guarapuava ocupa a segunda posição. Em geral, a área estimada chega a 47,6 mil hectares, 15% da produção estadual. O Deral projeta 3,2 milhões de toneladas na colheita.

    Batata

    A batata de primeira safra também avançou, mas em ritmo menor. Em resumo, os agricultores plantaram 3,5 mil hectares, 22% da área total prevista de 16,3 mil. No mesmo período do ano passado, o plantio atingia 35%. O solo mais duro, causado pelo tempo seco, dificultou a semeadura.
    Curitiba lidera a produção de batata, com 39% do total. Guarapuava responde por 23% e Ponta Grossa por 13%.
    A colheita deve alcançar 517,1 mil toneladas. Portanto, se confirmada, será queda de 11% em relação às 584,2 mil toneladas de 2024.

    Tabaco

    O boletim também destaca a expansão do tabaco. Os produtores estimam 85,3 mil hectares, maior área já cultivada no Paraná. O Deral projeta colheita de 217,5 mil toneladas. Ou seja, o volume deve superar o recorde anterior de 195,1 mil toneladas, registrado em 2024.
    O tabaco continua sendo alternativa de renda para pequenas propriedades, principalmente no Sudeste do Estado.

    Exportação de frango

    O documento também traz dados das exportações brasileiras de frango entre janeiro e julho. O faturamento cresceu 0,9%, somando US$ 5,472 bilhões. Por outro lado, o volume embarcado caiu 2,3%. O total passou de 2,975 milhões para 2,906 milhões de toneladas.
    No Paraná, as exportações recuaram 5,7%. O volume caiu de 1,262 milhão para 1,189 milhão de toneladas.
    Como resultado, a arrecadação também diminuiu. O valor passou de US$ 2,272 bilhões para US$ 2,181 bilhões, queda de 4% nos sete primeiros meses do ano. O recuo ocorreu principalmente pelos embargos aplicados após a confirmação de gripe aviária em granja comercial do Rio Grande do Sul.

    Carne bovina

    O boletim ainda registrou alta no preço da arroba bovina em agosto. A valorização foi de 5,49% em relação a julho. A arroba encerrou o mês a R$ 310,50, segundo dados do Cepea-Esalq/USP. A menor oferta de animais sustentou a alta.
    As exportações de carne bovina seguem firmes. Em julho, o Brasil exportou recorde de 310 mil toneladas.
    No mercado interno, consumidores enfrentaram preços mais altos em agosto. Apenas alcatra sem osso e contrafilé com osso recuaram levemente. Os demais cortes bovinos subiram entre 1,7% e 4,3%, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.