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  • Banana: os benefícios surpreendentes da fruta mais consumida do mundo

    Banana: os benefícios surpreendentes da fruta mais consumida do mundo

    Todo mundo já comeu banana. Provavelmente você até tem algumas na fruteira agora. Mas aposto que não imagina o tanto que essa fruta amarela pode fazer pela sua saúde. E a ciência está aí pra provar.

    A Musa paradisiaca (o nome científico chique da banana) não é só aquela fruta prática que você joga na mochila antes do treino. Pesquisadores do mundo inteiro estudam essa maravilha tropical e descobrem propriedades que vão muito além de “ah, tem potássio e dá energia”. Vamos desvendar juntos o que torna a banana uma das frutas mais inteligentes que existem.

    Seu coração vai agradecer cada mordida

    Sabe aquela história de pressão alta que assusta meio mundo? A banana entra em cena como uma heroína discreta. O potássio dela trabalha nos bastidores do seu corpo, equilibrando o sódio (sim, aquele do sal que a gente adora) e fazendo os vasos sanguíneos relaxarem.

    O cardiologista Paulo Andrade não economiza elogios quando fala da fruta. Segundo ele, quem come banana regularmente reduz tanto a pressão sistólica quanto a diastólica, aqueles dois números que o médico mede no consultório. E tem mais: o risco de doenças cardiovasculares também cai.

    “A pressão arterial diminui de forma mensurável quando incluímos bananas na dieta”, explica Andrade em seu estudo de 2019. Nada mal pra uma fruta que custa menos que um café, né?

    Intestino feliz, vida feliz

    Agora vamos falar de um assunto que ninguém gosta mas todo mundo precisa: o funcionamento intestinal. A banana é tipo aquela amiga que resolve seus problemas sem fazer alarde.

    Dentro dela tem dois tipos de fibras, solúveis e insolúveis, além de uma substância chamada inulina (não, não é insulina). Essas fibras agem como uma equipe de limpeza e organização no seu sistema digestivo.

    A nutricionista Fabiana Souza vive recomendando banana pros pacientes dela. “As pectinas formam o bolo fecal e alimentam as bactérias boas do intestino”, conta ela. Traduzindo: seu intestino funciona melhor e você ainda fortalece aquela tal da microbiota que virou moda falar.

    Constipação? A banana ajuda. Flora intestinal desregulada? Banana também. É quase mágico como uma fruta tão comum faz tanta diferença.

    Banana contra ansiedade

    Aqui vem uma parte que surpreende muita gente. Você sabia que banana pode melhorar seu humor? Parece propaganda enganosa, mas tem ciência por trás.

    A fruta carrega triptofano, um aminoácido com nome complicado mas função simples: ele vira serotonina no cérebro. E serotonina é aquele neurotransmissor que faz você se sentir bem, relaxado, menos ansioso.

    Renato Lima, biomédico especializado em nutrição funcional, confirma: “Alimentos ricos em triptofano melhoram sintomas de depressão leve e ansiedade”. Óbvio que banana não substitui terapia ou medicamento quando necessário, mas como aliada? Funciona sim.

    Então da próxima vez que bater aquela angústia, antes de abrir o pacote de biscoitos, que tal uma banana? Seu cérebro agradece, literalmente.

    A banana que envelhece você mais devagar

    Antioxidantes viraram palavra da moda nos últimos anos. Todo mundo quer combater os radicais livres (aquelas moléculas malvadas que envelhecem nossas células). E adivinhe? Banana tem antioxidantes de sobra.

    Compostos fenólicos, vitamina C, vitamina B6… a banana vem equipada com um arsenal contra o envelhecimento celular. Maria Fernanda Torres, bióloga que pesquisa alimentos funcionais, não tem dúvidas: “Os antioxidantes da banana neutralizam radicais livres e fortalecem a imunidade”.

    É como se cada banana fosse um pequeno escudo protetor pro seu corpo. Não vai te deixar imortal (seria bom demais), mas retarda o relógio biológico e ainda deixa seu sistema imunológico mais forte pra enfrentar vírus e bactérias.

    Por que você deveria comer banana hoje mesmo

    Depois de tudo isso, fica difícil ignorar a banana na feira, não é? Vamos recapitular rapidinho o que essa fruta faz por você:

    Protege seu coração controlando a pressão arterial naturalmente. Regula o intestino sem precisar daqueles remédios caros da farmácia. Melhora o humor e reduz ansiedade pelo poder do triptofano. Fortalece sua imunidade com antioxidantes potentes. Tudo isso numa fruta barata, fácil de encontrar e que não precisa nem descascar com faca.

    A banana não é só a fruta mais consumida do mundo por acaso. Gerações e gerações descobriram que ela sustenta, nutre e protege. Agora a ciência finalmente explica o porquê.

    Então da próxima vez que você passar na seção de frutas, pega um cacho generoso. Seu corpo todo, do coração ao intestino, do cérebro às células, vai trabalhar melhor. E você nem precisa fazer esforço, só mastigar e aproveitar.

  • Cabeleireira transforma fibra de bananeira em cabelo

    Cabeleireira transforma fibra de bananeira em cabelo

    Tem dias que a gente tropeça no futuro sem querer. Foi mais ou menos assim que aconteceu com Marilza Eleotério de Barcelos Silva em 2018. Cabeleireira há mais de 20 anos, ela cortava um pé de banana no quintal com uma faca que já tinha visto dias melhores. A lâmina sem ponta fez um estrago “feio” na planta, mas aquele corte irregular revelou algo que mudaria completamente sua vida: fios resistentes, maleáveis, que pareciam cabelo.

    https://www.instagram.com/p/DQcqkxRkvZ6

    Na época, Marilza procurava uma solução para uma amiga que enfrentava câncer e precisava de uma alternativa de cabelo que não pesasse no bolso nem na consciência. Mas se ela for honesta, a motivação também era pessoal. “Eu queria algo melhor pro meu próprio cabelo”, conta. O que começou como uma necessidade individual logo se transformou em algo muito maior.

    A saga da colher de cozinha

    Quem acha que inovação precisa de laboratório nunca viu Marilza trabalhando. No início, o processo todo era manual e exaustivo. Pra extrair míseros 100g de fibra, ela passava o dia inteiro raspando a casca do tronco da bananeira com uma colher de cozinha comum. Os calos nos dedos doíam, mas ela insistia.

    Morando numa casa de madeira e lona no bairro Lagoa Park, em Campo Grande, Marilza não tinha recursos pra comprar equipamentos sofisticados. Então ela inventou. Primeiro montou uma máquina de madeira, depois outra de ferro. A versão atual? Uma “gambiarra” que ela mesma criou: um facão acoplado, um tijolo e uma peça de carro pra dar peso. Funciona. E como funciona – hoje ela consegue produzir cerca de 2 kg de fibra por dia.

    Depois da extração, passa um escovão pra tirar o excesso. Aí vem a hidratação. O material vira três tipos diferentes de fio – o 1, o 2 e o 3. As mechas de aplique e perucas ela tece num tear improvisado, porque máquina de costura ainda não cabe no orçamento.

    O produto que virou tendência

    O que Marilza criou não é só mais um aplique qualquer. A fibra de bananeira dura até 3 anos – enquanto os sintéticos convencionais aguentam apenas 3 meses. Dá pra tirar, reutilizar, colorir, descolorir. É natural, saudável, e tem uma vantagem ambiental que impressiona: se decompõe em apenas 8 dias na natureza.

    A textura é maleável, a resistência surpreende, e a aparência? Muito semelhante ao cabelo natural. Não por acaso, as mulheres negras abraçaram o produto. Quem lida com os desafios de tempo e custo na manutenção do cabelo afro encontrou nos fios de bananeira uma alternativa real.

    O preço é R$ 150 a cada 100g, vendido natural ou colorido. Uma cabeça gasta em média 150g – ou 200g se você quiser volume de diva. Pode parecer caro numa primeira olhada, mas quando você coloca na ponta do lápis a durabilidade, a conta fecha diferente.

    A virada de jogo

    Marilza quase desistiu. Várias vezes, na verdade. Trabalhar sozinha, com recursos limitados, tentando convencer as pessoas de que aquilo ali não era loucura… pesava. Mas aí entrou o programa Inova Cerrado na história dela.

    Desde 2022, essa iniciativa do Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado acompanha o projeto “Meus Cabelos, Meus Fios”. E não foi só acompanhar de longe não. As mentoras do programa literalmente não deixaram ela desistir. Deram suporte técnico, emocional, estratégico.

    O reconhecimento veio: segundo lugar na categoria do programa, com uma premiação de R$ 10 mil pra investir no negócio. Mas mais importante que o dinheiro foi o que veio junto – conhecimento, direcionamento, rede de contatos.

    Foi durante o programa que Marilza desenvolveu uma linha completa de produtos. Ela criou 17 itens inovadores baseados numa fruta do Cerrado que ela não revela qual é (segredo comercial, né?). Tem manteiga pra hidratação dos fios, shampoo pra limpar quando fica oleoso, condicionador, até repelente.

    O marido que comprou o sonho

    Tem um detalhe bonito nessa história que não dá pra deixar de fora. O marido de Marilza acreditou nela desde o começo. Quando ela ainda estava lá, esfregando colher no tronco de bananeira até os dedos calejarem, ele tava do lado ajudando. Continua até hoje. Esse tipo de parceria faz diferença quando o caminho é difícil.

    A empresa “Meus Cabelos, Meus Fios” existe oficialmente desde maio de 2019, com CNPJ e endereço na Rua Barão do Rio Branco, 465, no bairro Amambai. Mas o alcance já ultrapassou muito as fronteiras de Mato Grosso do Sul.

    Marilza recebeu demonstrações de interesse de empresários de sete países diferentes. Sete. Ela trabalha agora pra aprimorar a produção e estruturar o negócio pensando no mercado internacional. Participa do Módulo Tração, segunda etapa do Inova Cerrado, focado em acelerar o crescimento através de ações estratégicas.

    Quando perguntam se ela imaginava chegar até aqui, Marilza é direta: “O programa mudou minha vida completamente”. E mudou mesmo. Do quintal de casa pro mundo, de uma colher de cozinha pro interesse internacional, de quase desistir pra virar referência em inovação sustentável.

    Por que essa história importa

    Num país onde tantas pessoas empreendem por necessidade e não por oportunidade, onde a falta de recursos mata ideias antes delas virarem negócio, a trajetória de Marilza mostra que inovação não precisa de laboratório high-tech. Precisa de olhar atento, persistência e, claro, uma rede de apoio que acredite junto.

    Ela pegou um resíduo que ia pro lixo – o tronco da bananeira depois da colheita – e transformou num produto que resolve problemas reais de pessoas reais. Criou uma alternativa sustentável, biodegradável, durável e acessível num mercado dominado por produtos sintéticos importados.

    E fez isso morando numa casa de madeira e lona, com gambiarras criativas e a ajuda do marido. Se isso não é empreendedorismo brasileiro na veia, eu não sei o que é.

    A cabeleireira da comunidade Lagoa Park que inventou cabelo de bananeira tá provando que às vezes as melhores soluções crescem literalmente no nosso quintal. Só precisamos ter coragem de olhar diferente pro que todo mundo acha que é resto.

  • Suco de banana: o inusitado sabor 100% brasileiro

    Suco de banana: o inusitado sabor 100% brasileiro

    O suco de banana, antes visto como improvável, agora é realidade comprovada nas prateleiras dos supermercados brasileiros. E começa a chamar cada vez mais atenção dos consumidores preocupados com saúde, inovação e sustentabilidade alimentar.

    Entre as marcas pioneiras está a Mitto, que apostou em produzir um suco integral de banana, sem conservantes ou açúcares adicionados, com distribuição nacional crescente.​

    Historicamente, sempre se dizia que “não existe suco de banana”, uma expressão popular na cultura brasileira. Mas a verdade é que a fruta, por sua textura densa, demandava tecnologia específica para se transformar em bebida natural e fluida sem perder sabor ou valor nutricional.

    Hoje, graças a inovações na agroindústria, aproximadamente três bananas frescas resultam em um litro do suco, mantendo o paladar doce, a cremosidade e os benefícios da polpa pura da fruta.​

    Curiosidades

    Curiosidades não faltam: pesquisas científicas citam o suco de banana como fonte rica em fibras, potássio e energia. Sendo rápido para repor nutrientes de atletas e auxiliar funções digestivas. O Brasil, maior produtor de bananas da América Latina, agora também lidera o avanço da industrialização desse suco peculiar, ampliando o portfólio de produtos derivados da fruta, antes restrito a doces, farinhas e a tradicional “batida” caseira.​

    O crescimento na produção reflete a busca por bebidas naturais e menos processadas. O suco de banana atende a dietas veganas, vegetarianas e intolerantes à lactose ou glúten, apostando em transparência: apenas banana in natura, sem aditivos artificiais. O produto combina sabor adocicado, textura cremosa e versatilidade; consumidores o utilizam puro, em vitaminas ou em diversas preparações gastronômicas.

    Como curiosidade extra, não apenas existe o suco de banana, como o produto já inspira debates nas redes sociais, receitas inovadoras e testagens em estabelecimentos gourmet que valorizam ingredientes brasileiros.​

    O suco de banana simboliza a capacidade da inovação nacional de romper barreiras culturais, criando experiências e novos hábitos alimentares dentro e fora do Brasil.​

  • Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    O Norte de Minas transformou suas características climáticas adversas em oportunidade de negócio. A região, conhecida pelo clima seco, altas temperaturas e baixo índice pluviométrico, agora abriga um dos polos emergentes de cultivo de cacau no país.

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Minas Gerais (Unimontes) desenvolveram um método que viabiliza a produção do fruto em áreas não tradicionais. O projeto recebe apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e já projeta resultados expressivos.

    Área plantada cresce 525% em dois anos

    O engenheiro agrônomo Victor Martins Maia, especialista em fitotecnia da Unimontes, lidera as pesquisas. Os dados atuais registram 480 hectares ocupados com plantações de cacau em Minas Gerais. Para 2026, as projeções apontam crescimento para três mil hectares plantados.

    “A indústria mundial busca locais que ofereçam estabilidade e capacidade de fornecimento de cacau. O Brasil tem a possibilidade de crescer com produtividade e tecnologia para atender a demanda mundial”, afirma Maia.

    O pesquisador coordena o Centro Tecnológico para Cacauicultura em Regiões Não Tradicionais (CTCRNT). A Fapemig destinou aproximadamente R$ 3,5 milhões ao centro, que desenvolve estudos sobre consumo de água irrigada, tipos de mudas e adubação nas plantações.

    Técnica a pleno sol substitui modelo da cabruca

    O método desenvolvido pela Unimontes permite o plantio de cacau a pleno sol, em consórcio com lavouras tradicionais de banana que já possuem sistema de irrigação. A técnica contrasta com o cultivo “na cabruca”, modelo tradicional que produz o fruto em meio à Mata Atlântica raleada.

    Foto: Letícia Fagundes/Agência MG

    No sistema inovador, os produtores cultivam clones de cacau mais resistentes à sombra das bananeiras. As mudas crescem durante dois anos, passam por podas sucessivas e se preparam para suportar a produção em condições climáticas desafiadoras.

    Consórcio garante renda ao produtor

    A associação entre cacau e banana traz vantagens econômicas imediatas aos produtores. “Do ponto de vista econômico, o modelo garante renda constante ao produtor. Enquanto aguarda o cacau começar a produzir, ele mantém a comercialização de banana”, explica Victor Maia.

    O centro também aplica visão computacional na predição da produção e estuda sistemas agroflorestais que consorciam o cacau com macadâmia ou abacaxi.

    Trajetória de pesquisa supera desafios climáticos

    A pesquisa começou em 2011, quando a equipe analisou o cultivo de clones adaptados em Janaúba. Anos seguidos de seca severa comprometeram os primeiros experimentos. Os clones plantados na fazenda experimental, sem irrigação, não resistiram ao período de estiagem.

    A equipe reformulou a estratégia e identificou clones trazidos da Bahia mais adaptados à região. Em 2017, o projeto recebeu novo apoio da Fapemig para experimentos em campo. Naquele ano, os pesquisadores promoveram os primeiros eventos técnicos de extensão, que levaram os resultados aos produtores locais. Desde então, a Unimontes realiza eventos específicos sobre cultivo de cacau no semiárido mineiro a cada dois anos.

    Terroir do sertão: próximo passo da cacauicultura mineira

    O CTCRNT desenvolve atualmente um projeto em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) sobre fermentação do cacau para produção de chocolate. A iniciativa pode resultar no nascimento de um “terroir do sertão”, com cacau que apresenta características únicas da região.

    “Esse é apenas o começo da cacauicultura em Minas”, conclui o pesquisador Victor Maia.

  • Cientistas criam banana resistente ao fungo da doença do Panamá

    Cientistas criam banana resistente ao fungo da doença do Panamá

    Uma variedade inédita de banana Cavendish, geneticamente modificada para resistir ao fungo Fusarium oxysporum TR4, cresce há mais de sete anos em solo contaminado no Território do Norte, Austrália. Chamada de QCAV-4, ela é a primeira banana transgênica aprovada para cultivo comercial no mundo, segundo a Australian Broadcasting Corporation (25/10/2025).

    Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Queensland (QUT) inseriram um gene de resistência do bananal silvestre Musa acuminata ssp. malaccensis, que ativa mecanismos de defesa semelhantes ao sistema imunológico dos mamíferos. Essa inovação impede a propagação do fungo, mantendo a planta saudável em solos onde as bananas convencionais sucumbem em poucos meses.

    O cultivo experimental, realizado na Darwin Fruit Farms, em Humpty Doo, comprovou que a QCAV-4 mantém o sabor e aparência das bananas Cavendish tradicionais. No entanto, a novidade enfrenta resistência. Pesquisas da Food Standards Australia e Nova Zelândia (FSANZ) mostram que quase metade dos australianos ainda desconfia dos alimentos transgênicos.

    Ensaios na região norte de Queensland e nas Filipinas, um dos maiores polos produtores globais, já testam a banana resistente em escala maior. Se os resultados forem positivos, a QCAV-4 promete garantir a segurança da produção mundial de bananas — além de inaugurar uma nova fase na biotecnologia agrícola.

  • Demanda menor derruba preço da banana no Vale do Ribeira

    Demanda menor derruba preço da banana no Vale do Ribeira

    Os preços da banana caíram no Vale do Ribeira (SP) na última semana, segundo o Hortifrúti/Cepea. A redução reflete a menor demanda típica do fim de mês, quando o poder de compra da população diminui.

    Os colaboradores explicam que a concorrência com a banana de Minas Gerais também pressionou o mercado. A fruta mineira apresentou qualidade superior e atraiu compradores, o que dificultou as vendas da produção paulista.

    Pesquisadores do Hortifrúti/Cepea destacam ainda um leve aumento na oferta de banana prata na região. O avanço vem sendo registrado desde o início de outubro e já era esperado pelos produtores, conforme o calendário de colheita.

    Na última semana, a banana prata de primeira qualidade foi vendida, em média, a R$ 2,49 por quilo, queda de 8% em relação ao período anterior. Já a banana nanica de mesma categoria recuou 3%, com preço médio de R$ 2,63 por quilo.

    Com menor demanda e maior concorrência, produtores seguem atentos ao ritmo das vendas e à possível recuperação dos preços nas próximas semanas.

  • CNA e entidades alertam para riscos da banana do Equador

    CNA e entidades alertam para riscos da banana do Equador

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e entidades do setor alertaram para riscos da importação da banana equatoriana. Os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, participaram do debate sobre o tema.

    O encontro reuniu associações como Conaban, Abanorte, Abavar e Febanana. O setor demonstrou preocupação com a praga Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça tropical 4 (TR4), ainda ausente no Brasil. A TR4 ameaça especialmente as variedades Cavendish, como nanica e prata, que lideram a produção e o consumo nacional. Pesquisadores já comprovaram que frutos, embalagens e pallets podem disseminar o fungo. Os representantes reforçaram a necessidade de participação ativa do setor produtivo e das instituições de pesquisa nas análises de risco de pragas. Eles defenderam ações rigorosas para proteger a produção nacional.

    A assessora técnica da CNA, Letícia Barony, destacou o trabalho do Mapa em emergências fitossanitárias, mas alertou para maior vigilância. “Sem materiais resistentes e sem tratamento eficaz, a TR4 inviabiliza áreas inteiras de cultivo”, afirmou. Ela lembrou que a CNA enviou ofício ao ministério semanas atrás. Barony destacou que o problema pode atingir mais de 200 mil produtores brasileiros, em sua maioria, da agricultura familiar. “O ingresso da praga geraria insegurança e enorme desafio ao ministério”, completou.

    Os ministros reafirmaram o compromisso do Brasil com a defesa sanitária. Garantiram análises de risco com apoio da Embrapa e participação do setor produtivo. Eles asseguraram que o mercado não será aberto caso haja risco de entrada da TR4.
    Também participaram da reunião o senador Jaime Bagatoli, os deputados Jorge Goetten e Nilto Tatto, além de prefeitos e vereadores.

  • Descoberta brasileira pode salvar produção de bananas no mundo de doença

    Descoberta brasileira pode salvar produção de bananas no mundo de doença

    O Brasil se tornou o único país das Américas preparado para enfrentar a murcha de Fusarium raça 4 tropical (R4T), considerada a mais grave doença mundial das bananeiras. A descoberta revolucionária veio de uma pesquisa da Embrapa realizada na Colômbia, que comprovou a resistência excepcional das cultivares BRS Princesa e BRS Platina a esse patógeno devastador.

    A murcha de Fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc), representa um dos maiores desafios fitossanitários da atualidade. Presente em 17 países da Ásia, África e Oceania, a doença provoca prejuízos bilionários ao contaminar colheitas e impor severas restrições às exportações.

    Anteriormente conhecida como “mal-do-Panamá”, a raça 4 tropical ainda não chegou ao território brasileiro, mas sua presença nos países vizinhos – Colômbia (2019), Peru (2020) e Venezuela (2023) – mantém a bananicultura nacional em permanente estado de alerta.

    “O fungo se dissemina através de solo contaminado, ferramentas, mudas infectadas e até plantas ornamentais”, explica o fitopatologista da Embrapa, Fernando Haddad, que lidera as pesquisas com Fusarium. A facilidade de propagação torna a ameaça ainda mais preocupante para produtores de todo o mundo.

    Testes inovadores comprovam eficácia das variedades brasileiras

    Os experimentos conduzidos pela Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia) representaram um marco na luta contra o Fusarium. As variedades brasileiras foram testadas lado a lado com bananeiras Williams, cultivares do grupo Cavendish altamente suscetíveis à doença e que representam a variedade mais consumida globalmente.

    Planta infectada com a mancha de Fusarium R4T. Foto: Fernando Haddad/Embrapa

    Os pesquisadores escolheram para os testes um local altamente representativo: a primeira fazenda da Colômbia onde identificaram a raça 4 tropical. Mónica Betancourt, pesquisadora sênior da AgroSavia e responsável pelo convênio, detalha o rigoroso processo: “Quando estavam maiores, a BRS Princesa e a BRS Platina foram para o campo, em área que já tinha a doença estabelecida.”

    Resultados surpreendem comunidade científica

    Após quatro ciclos de produção estabelecidos na Colômbia, os resultados foram impressionantes. Menos de 1% da BRS Princesa e da BRS Platina foi afetado pela doença. Para efeitos de comparação, índices entre 5% e 8% já significariam alto risco de contaminação.

    “Por isso, consideramos que são resistentes”, destaca Betancourt. Os números representam uma eficácia de 99% na proteção contra a murcha de Fusarium.

    Edson Perito Amorim, líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa, celebra o resultado: “Enviamos três híbridos comerciais desenvolvidos pelo programa. E eles foram 100% eficientes, sendo que um vai ser lançado em 2026.”

    Vigilância reforçada protege território nacional

    O Ministério da Agricultura intensificou as ações preventivas através do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes. Ricardo Hilman, gestor da Coordenação de Controle de Pragas, explica a estratégia: “Esse trabalho é realizado para dar tempo para a pesquisa produzir resultados. E eles chegaram.”

    Bananeira Williams, infectada com a murcha de Fusarium R4T, ao lado da brasileira BRS Princesa saudável, à direita. Foto: Fernando Haddad/Embrapa

    As ações incluem:

    • Vigilância em portos, aeroportos e fronteiras
    • Sistema de levantamento fitossanitário em possíveis áreas de ingresso
    • Treinamentos especializados para equipes técnicas
    • Análise de dados e inteligência sobre rotas de trânsito

    Produtores celebram descoberta

    Para Augusto Aranha, presidente da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), a notícia representa esperança para o maior polo nacional de cultivo da fruta. “Ter variedades resistentes nos dá tranquilidade de saber que, plantando a BRS Princesa e a BRS Platina, nós poderemos produzir”, afirma.

    A preocupação é justificada: a banana representa mais de 70% da economia local do Vale do Ribeira, com 30 mil hectares plantados. “A R4T é uma doença que poderia dizimar a bananicultura e causar um impacto enorme”, alerta Aranha.

    Testes de mercado realizados em setembro de 2020 mostraram excelente aceitação da BRS Princesa pelos consumidores. “Poucos perceberam diferença entre ela e a original”, relata Aranha, da TropSabor, que hoje mantém 25 hectares de BRS Princesa e 20 de BRS Platina.

    Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a maior rede de entrepostos do país, a variedade já conquistou espaço. “Ela aparece como banana Maçã, mas praticamente é tudo BRS Princesa”, confirma Gabriel Bitencourt, chefe da seção do Centro de Qualidade Hortigranjeira.

    Parcerias internacionais ampliam pesquisas

    Além da Colômbia, a Embrapa mantém colaboração com a Corporação Bananeira Nacional (Corbana), da Costa Rica, focando no desenvolvimento de variedades Cavendish resistentes. A parceria resultou em 25 novos híbridos, todos em avaliação quanto à qualidade e resistência.

    “É possível que alguns desses híbridos desenvolvidos de Cavendish também possuam resistência a essa terrível doença”, projeta Amorim.

    Com o lançamento programado de uma nova variedade para 2026 e os resultados promissores das pesquisas internacionais, o Brasil se posiciona como líder mundial no desenvolvimento de soluções contra a murcha de Fusarium. A descoberta não apenas protege a bananicultura nacional, mas oferece esperança para produtores de todo o mundo que enfrentam essa ameaça devastadora.

    A pesquisa representa 40 anos de trabalho científico da Embrapa, combinando melhoramento genético tradicional, biotecnologia e estudos moleculares para desenvolver variedades que aliam resistência, produtividade e qualidade.

  • Santa Catarina lidera exportações e projeta safra recorde de banana

    Santa Catarina lidera exportações e projeta safra recorde de banana

    Santa Catarina é o maior exportador de bananas do Brasil em 2025, respondendo por 50% do volume nacional nos primeiros seis meses do ano. O estado exportou 21,8 mil toneladas, gerando US$ 7,2 milhões em receita, com destaque para os mercados da Argentina e Uruguai. A produção catarinense deve atingir uma safra recorde de 768 mil toneladas nesta temporada, um aumento de 17,5% em relação ao ciclo anterior.

    A banana-caturra tem previsão de crescimento maior, de 18%, enquanto a banana-prata deve subir 15,2%, em função da ampliação da área cultivada para 28,4 mil hectares. Após queda nos preços em maio e junho, o mercado prevê recuperação para a banana-caturra em julho, com estabilidade para a prata, graças a um equilíbrio na demanda e à redução da oferta.

    Os desafios climáticos, como geada e chuvas frequentes que afetaram a qualidade dos frutos, levaram muitos produtores a colher antes do ponto ideal. Mesmo assim, os analistas esperam valorização dos preços no segundo semestre devido às baixas temperaturas que limitam a oferta.

    Maior exportador do Brasil

    De acordo com o painel temático de Comércio Exterior do Observatório Agro Catarinense, Santa Catarina se mantém como o maior exportador de bananas do Brasil em 2025. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, com receita de US$ 15,7 milhões. Santa Catarina foi responsável por praticamente 50% do volume exportado, com 21,8 mil toneladas, o que representa um crescimento de 103% em relação ao mesmo período de 2024. O estado gerou US$ 7,2 milhões, equivalente a 45,9% da receita nacional com exportações de banana no primeiro semestre de 2025.

    Os principais compradores da banana catarinense são Argentina, responsável por 62% das exportações com um faturamento de US$ 4,5 milhões, e em segundo lugar é o Uruguai, com 37,8% gerando uma receita de US$ 2,7 milhões. Conforme o analista da Epagri/Cepa, Rogério Goulart Júnior, as perspectivas do setor para o mercado internacional são positivas. “Santa Catarina teve um crescimento expressivo no primeiro semestre de 2025 nas exportações brasileiras de banana. Para o segundo semestre, a expectativa é de uma queda sazonal na oferta, mas com perspectiva de melhores valores nas exportações, em comparação com anos anteriores”, conclui o analista.

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  • Rota da Banana fortalece produção e sustentabilidade em MT

    Rota da Banana fortalece produção e sustentabilidade em MT

    A banana-da-terra, símbolo da culinária mato-grossense, ganhou uma rota exclusiva para estimular sua produção no estado de Mato Grosso. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou, nesta sexta-feira (13), o projeto “Rota da Banana: Sustentabilidade na Bananicultura em Mato Grosso”.

    A iniciativa recebeu investimento de R$ 1,3 milhão e será executada pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Lírios. O lançamento ocorreu no cinturão verde Facão, no município de Cáceres, região Oeste do estado.

    Rota da Banana

    A Rota da Banana vai integrar 24 municípios, conectando produtores à agroindústria, ao mercado consumidor e ao varejo regional. O objetivo é fortalecer a cadeia produtiva da fruta com capacitação técnica, inclusão produtiva e soluções logísticas. “Estamos ligando quem produz a quem consome, superando gargalos logísticos e ampliando a renda no campo”, afirmou o ministro Carlos Fávaro. Segundo o ministro, um hectare plantado com banana pode gerar até R$ 120 mil de renda bruta por ano.

    Agricultura familiar

    Com a nova rota, o projeto busca ampliar esse potencial e multiplicar os ganhos para os agricultores familiares. A coordenadora do projeto, Maria Fernanda Figueiredo, destacou o apoio direto à produção de alimentos saudáveis no campo. “O governo demonstra sensibilidade com o agricultor familiar, garantindo benefícios para quem colhe e para quem consome”, afirmou.

    Durante o evento, a prefeita de Cáceres, Eliene Liberato, lembrou a trajetória do produtor Ciro Cercino dos Santos. Ciro pensou em desistir da produção, mas encontrou no projeto o apoio necessário para continuar produzindo no município. Reconhecido pelo trabalho como pesquisador, ele validou a variedade BRS Terra Anã e foi homenageado durante a cerimônia. Hoje, Ciro cultiva cerca de 6 mil bananeiras em uma área de três hectares, em Cáceres. A produção de banana chips abastece mercados locais e fortalece a agroindústria regional.

    Municípios envolvidos

    A Rota da Banana poderá beneficiar diretamente mais de 600 mil pessoas na região Oeste de Mato Grosso. Os municípios envolvidos são: Campos de Júlio, Comodoro, Nova Lacerda, Conquista do Oeste, Pontes e Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Também integram a rota: Vale do São Domingos, Jauru, Figueirópolis do Oeste, Indiavaí, Araputanga, Reserva do Cabaçal e Porto Esperidião. Completam a lista: Glória do Oeste, São José dos Quatro Marcos, Mirassol D’Oeste, Curvelândia, Lambari do Oeste, Rio Branco e Salto do Céu. Cáceres, Poconé, Nossa Senhora do Livramento e Várzea Grande também fazem parte da iniciativa.

    Dia de Campo leva conhecimento técnico ao produtor

    Durante o lançamento, cerca de 500 participantes acompanharam o Dia de Campo da Rota da Banana. Produtores, técnicos e estudantes visitaram cinco estações técnicas com foco em produção sustentável da banana. Em geral, as atividades abordaram mecanização, irrigação, cultivo racional e cuidados fitossanitários. Ou seja, a ação reforçou a proposta do projeto: promover eficiência produtiva e sustentabilidade na bananicultura regional.

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