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  • Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    A fruticultura brasileira alcançou um novo marco no comércio internacional no primeiro semestre de 2026. Mesmo diante de um cenário global mais desafiador, o setor registrou avanço simultâneo em receita e em volume embarcado de frutas, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde da maçã.

    Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas. O resultado representa um salto de 20,64% em valor e de 13,32% em volume na comparação com o mesmo período de 2025, quando o país faturou US$ 586,8 milhões com o embarque de 546,3 mil toneladas.

    Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os embarques de manga, maçã, abacate e melancia impulsionaram o desempenho do setor. Já as vendas de uva, banana e melão enfrentaram desafios pontuais na temporada, sem comprometer o resultado geral.

    Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas, atribui o avanço à diversificação de mercados e ao investimento contínuo em tecnologia. “O primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade e abertura de mercados. A diversificação dos destinos, o investimento constante em tecnologia e as ações de promoção comercial das frutas brasileiras, desenvolvidas por meio do projeto Frutas do Brasil, em parceria com a ApexBrasil, têm fortalecido a presença dos nossos produtos no mercado internacional e ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros”, destacou o dirigente.

    Maçã registra a maior alta da história e lidera exportações

    A maçã protagonizou o resultado do semestre com expansão histórica de 223,55% em faturamento e 225,11% em volume. Moises Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), explica que o salto decorre da maior safra já registrada no país, que sucede dois anos de retração provocada por fatores climáticos. A Índia manteve a liderança entre os compradores, seguida por Arábia Saudita e Rússia.

    mangas
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A manga segue entre os principais produtos da pauta exportadora e cresceu 42,41% em valor e 37,96% em volume, resultado da alta qualidade do produto e da consolidação em mercados estratégicos.

    O abacate apresentou expansão de 72,52% em valor e 92,68% em volume. A melhor safra dos últimos cinco anos em São Paulo ampliou a oferta destinada ao exterior.

    A melancia avançou 30,59% em receita e 6,27% em volume, beneficiada pela constância de oferta e pela qualidade da produção do Nordeste.

    O levantamento também identificou avanços nas exportações de limões, limas e mamão, o que reforça a diversificação da pauta brasileira de frutas.

    Uva e banana enfrentam retração no mercado externo

    Algumas culturas sentiram o impacto de gargalos comerciais e climáticos no período. A uva registrou queda de 27,92% em valor e 27,86% em volume. Uma retração conjuntural motivada por incertezas no mercado norte-americano após o anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos, o que desacelerou os embarques.

    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A banana teve redução de 15,63% em valor e 27,19% em volume. A concorrência no Mercosul pressionou o produto brasileiro, já que frutas vindas do Equador, Bolívia e Paraguai chegaram ao mercado a preços mais competitivos.

    Já o melão sofreu leve queda de 2% no volume embarcado, em razão de impactos climáticos pontuais. Ainda assim, a receita subiu 8,18%, sustentada por preços melhores e pela demanda firme no exterior.

    A Abrafrutas espera manter o ritmo de crescimento na segunda metade do ano. A entidade avalia que a ampliação de novos mercados e a competitividade das frutas brasileiras serão estratégicas para mitigar riscos globais e consolidar um novo recorde anual de exportações do setor.

  • Banana lidera consumo mundial; veja o ranking das frutas

    Banana lidera consumo mundial; veja o ranking das frutas

    A banana ocupa a liderança entre as frutas mais consumidas do mundo. O alimento está presente na dieta diária de bilhões de pessoas e desempenha papel estratégico na segurança alimentar global.

    A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) informa que a banana está entre as frutas mais produzidas, comercializadas e consumidas do planeta. Além disso, a cultura gera renda para milhões de agricultores e abastece mercados em todos os continentes.

    Segundo a FAO, existem mais de mil variedades de banana cultivadas no mundo. No entanto, a variedade Cavendish domina o comércio internacional. Ela responde por quase metade da produção mundial, com cerca de 50 milhões de toneladas por ano. A maior parte da produção abastece o consumo interno dos países produtores. Índia e China lideram esse mercado, enquanto a América Latina, a Ásia e a África concentram grande parte da produção mundial.

    Fruta popular

    Além da ampla oferta, a banana reúne características que explicam sua popularidade. A fruta possui preço acessível, alto valor nutricional e facilidade de transporte. Por isso, tornou-se um alimento básico em diversos países.

    A FAO destaca que a banana contribui diretamente para a segurança alimentar, principalmente em países de baixa renda. Nesses locais, a fruta garante calorias, nutrientes e também gera emprego e renda para milhões de famílias rurais.

    O comércio internacional também mantém forte ritmo. Nos últimos anos, o mercado global movimentou aproximadamente 20 milhões de toneladas anuais. Entretanto, eventos climáticos extremos, doenças, pragas e o aumento dos custos de produção desafiam o setor.

    Entre as principais ameaças está o fungo Fusarium Tropical Race 4 (TR4). A doença já foi confirmada em diversos países produtores e representa um dos maiores riscos para a bananicultura mundial.

    Ranking das frutas mais consumidas

    Com base em dados compilados pela FAO, a banana lidera o consumo entre as frutas de mesa no mundo. Na sequência aparecem maçã, laranja, uva, melancia e manga, todas com forte presença na alimentação global.

    Os especialistas ressaltam que o crescimento da população, a busca por alimentação saudável e a praticidade do consumo devem manter a banana entre os alimentos mais importantes do agronegócio mundial nas próximas décadas.

  • Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.

    Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.

    Frutas são aliadas da saúde

    Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.

    Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.

    As frutas mais consumidas no Brasil

    A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.

    O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.

    Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.

    Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.

    Por que essas frutas lideram o consumo?

    Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.

    Banana

    • Rica em potássio e carboidratos;
    • Fonte rápida de energia;
    • Cultivada em mais de 130 países;
    • Disponível durante praticamente todo o ano.

    Laranja e limão

    • Fontes importantes de vitamina C;
    • Muito utilizados na produção de sucos;
    • Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.

    Maçãs e uvas

    • Possuem excelente vida útil pós-colheita;
    • São consumidas frescas e também processadas;
    • Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.

    Brasil tem papel de destaque na fruticultura

    Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.

    A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.

    O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.

  • Por que a banana pode desaparecer da merenda escolar

    Por que a banana pode desaparecer da merenda escolar

    A banana é uma das frutas mais consumidas do planeta, custa pouco e as crianças adoram. Mas uma proposta no Congresso americano pode tirá-la do cardápio de milhões de estudantes nos Estados Unidos.

    A Farm, Food, and National Security Act of 2026, a nova Farm Bill americana, aprovada pela Câmara dos Representantes em 30 de abril de 2026, traz uma mudança silenciosa com impacto barulhento: o projeto propõe codificar um teto de 5% para compras de alimentos não domésticos nos programas federais de merenda escolar, como o National School Lunch Program e o School Breakfast Program.

    O problema é simples: os Estados Unidos não produzem bananas em escala comercial. A fruta vem quase inteiramente da América Latina e do Caribe. Se o limite entrar em vigor, escolas públicas que dependem de verbas federais precisarão repensar o cardápio.

    O que diz a lei

    Entre as chamadas cláusulas “Buy American”, o projeto proíbe a compra de determinados alimentos importados em programas de alimentação apoiados pelo governo federal. A lógica por trás da medida é clara: estimular o agronegócio americano e reduzir a dependência de cadeias de suprimento estrangeiras. Um argumento que ganhou força no contexto das disputas comerciais e das preocupações com segurança alimentar.

    O 119º Congresso já iniciou os trabalhos na nova Farm Bill, que reautorizaria os programas de nutrição até 30 de setembro de 2031. O texto ainda precisa passar pelo Senado, onde o caminho está longe de ser tranquilo. A proposta enfrenta um trajeto incerto na câmara alta.

    Por que a banana importa tanto

    A banana ocupa um papel central nos programas de nutrição escolar porque atende a múltiplos critérios que os administradores escolares precisam: alto valor nutricional, boa aceitação pelas crianças e baixo desperdício alimentar, um desafio persistente nas cantinas.

    Especialistas em nutrição infantil alertam que restrições ao cardápio podem ter consequências práticas imediatas. Quando crianças recusam substitutos menos conhecidos ou menos atrativos, frequentemente acabam sem comer nada. Ou optam por alternativas menos saudáveis.

    Dados mostram que crianças de baixa renda dependem das refeições escolares para a maior parte da alimentação que consomem durante a semana. Para essas famílias, a merenda não é complemento, é a principal refeição do dia.

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    O campo de batalha político

    A disputa vai além da fruta. A mudança reflete um movimento mais amplo de priorizar produtos agrícolas domésticos em programas financiados pelo governo federal. Defensores da medida argumentam que o dinheiro público americano deve fortalecer o agricultor americano.

    Do outro lado, nutricionistas e grupos de defesa da infância contestam que a geografia não pode se sobrepor à saúde das crianças. Cortes superiores a US$ 600 milhões no programa de merenda escolar já geraram preocupações sobre o valor nutricional das refeições oferecidas nas escolas públicas.

    O contexto econômico complica ainda mais o quadro: os preços dos alimentos subiram mais rápido do que a inflação geral entre maio de 2024 e maio de 2025, com alta de quase 3%. Substituir a banana por frutas produzidas domesticamente, como maçãs, peras, pêssegos, em geral sai mais caro e enfrenta menor aceitação entre os estudantes.

    O que vem por aí

    A proposta ainda depende do Senado para virar lei. Historicamente, a Farm Bill sofre alterações significativas entre as duas câmaras, e a versão final costuma ser resultado de negociações longas. Grupos de nutrição escolar já organizam resistência e devem pressionar por exceções para frutas tropicais que simplesmente não têm equivalente doméstico.

    Por enquanto, a banana permanece nas cantinas. Mas a discussão que se abriu em Washington expõe uma contradição difícil de resolver: em um país que gasta bilhões para alimentar crianças nas escolas, uma lei pensada para proteger o produtor rural pode acabar prejudicando justamente quem mais depende dessa refeição.

  • Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    A união entre o saber popular e a pesquisa científica deu origem a uma ferramenta que promete revolucionar o manejo da banana na região amazônica: o “Rabo de Jaraqui”. O nome curioso é uma homenagem ao peixe típico da bacia amazônica (Semaprochilodus taeniurus e Semaprochilodus insignis), cuja cauda se assemelha ao formato do equipamento.

    agricultor Raimundo Miguel Barbosa de Lima, mais conhecido como Barbosa Batiferro. Foto: Embrapa

    Idealizado pelo produtor rural Raimundo Miguel Barbosa de Lima, conhecido como “Barbosa Batiferro”, em Itacoatiara (AM), o removedor artesanal de folhas foi desenvolvido a partir de materiais reciclados encontrados na própria propriedade. A inovação ganhou escala após a parceria com o pesquisador Luadir Gasparotto, da Embrapa Amazônia Ocidental, que realizou a validação científica e sistematizou o conhecimento no Comunicado Técnico 181.

    Eficiência no controle de pragas

    O “Rabo de Jaraqui” resolve um dos principais gargalos da bananicultura: a desfolha. Segundo especialistas, uma bananeira produz entre 40 e 50 folhas em seu ciclo. E a remoção de folhas velhas ou doentes é vital para o controle fitossanitário. O processo facilita a entrada de luz solar e a circulação de ar, reduzindo a umidade e, consequentemente, os focos de pragas como o moleque-da-bananeira e doenças fúngicas.

    Pesquisador Luadir Gasparotto. Foto: Embrapa

    Além do ganho agronômico, a ferramenta destaca-se pelo baixo custo e pelo viés ambiental. Entre os principais benefícios citados nas fontes, destacam-se:

    • Reciclagem: pode ser confeccionada com sucatas de serralheria, lâminas de foices, enxadas ou discos de arado.
    • Adubação natural: as folhas cortadas se decompõem no solo, aumentando a matéria orgânica e melhorando a retenção de água.
    • Segurança: reduz o abrigo para animais peçonhentos e melhora a ergonomia do trabalhador.

    Dicas de manejo e higiene

    Para garantir a eficácia, Barbosa Batiferro ressalta que a lâmina deve estar sempre amolada para um corte limpo, feito de baixo para cima para não danificar o pseudocaule da planta. Outro ponto crucial é a esterilização. O inventor recomenda mergulhar a ferramenta em uma mistura de água e água sanitária ao trocar de lote ou variedade de banana, evitando a transmissão de doenças entre as plantas.

    Com a divulgação oficial pela Embrapa, a expectativa é que o “Rabo de Jaraqui” se torne um padrão em outras propriedades da região. Assim, consolidando-se como um exemplo de como a inovação sustentável pode nascer da observação prática no campo.

  • Agropecuária de Rondônia deve movimentar R$ 30 bilhões em 2026

    Agropecuária de Rondônia deve movimentar R$ 30 bilhões em 2026

    A agropecuária de Rondônia deve gerar R$ 30,2 bilhões em 2026, queda de 1% frente ao resultado de 2025. Os dados são de projeção da área de socioeconomia da Embrapa Rondônia, com base nos preços médios dos 17 principais produtos do estado.

    Cinco culturas concentram 90,4% desse valor: bovinos, soja, café, milho e leite. Os bovinos lideram com folga. Sozinhos, respondem por 51,3% do Valor Bruto da Produção (VBP) estadual, com projeção de R$ 15,5 bilhões, alta de 5,1% sobre 2025.

    O VBP leva em conta os preços recebidos pelos produtores rurais, os dados de produção da Conab e do IBGE, e as pesquisas de preços da Conab e da Emater-RO, todos deflacionados pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.

    Em alta

    Os maiores avanços projetados para 2026 estão na banana e na mandioca. A banana deve registrar crescimento de 19% no VBP, impulsionado pela combinação de produção 5,7% maior e preços 19,1% mais altos nos dois primeiros meses do ano. Já a mandioca avança 18,3%, apesar de uma safra 2% menor. O empurrão vem do aumento de 21,7% nos preços da mandioca de mesa, que representa 60% da produção estadual do produto.

    O preço da carne bovina sobe por dois fatores simultâneos: oferta reduzida de animais para abate e mercado externo aquecido. A tendência é que esse patamar se mantenha ao longo de 2026, sustentando o VBP do setor em R$ 15,5 bilhões. São R$ 747,7 milhões a mais do que em 2025.

    Arroz, cacau, leite e café recuam

    O cenário não é favorável para todos. O arroz sofre duplo golpe: preços em queda e volume de produção estimado em 94,2 mil toneladas na safra 2025/2026, metade do que se colheu na safra anterior. O resultado é uma queda abrupta no VBP do cereal, de R$ 334 milhões em 2025 para R$ 114,8 milhões em 2026.

    O cacau, que bateu recordes de preço em 2024/2025, vive o efeito contrário: a recuperação das lavouras africanas, principais produtoras mundiais da amêndoa, e a retração da demanda das indústrias chocolateiras derrubam o VBP de R$ 324,2 milhões para R$ 170,9 milhões.

    O café também recua 19,3%, pressionado pela maior oferta global do produto. O leite, por sua vez, enfrenta queda de 22,1% no VBP, reflexo de oferta elevada, demanda fraca e concorrência das importações de lácteos, especialmente de países do Mercosul.

    Imagem gerada por IA

    Apesar das quedas pontuais, o setor agropecuário rondoniense mantém trajetória positiva no longo prazo: nos últimos dez anos, o VBP cresceu em média 7,6% ao ano.

    Vale lembrar que o indicador é calculado mensalmente e pode variar ao longo do ano, conforme oscilações de preços e revisões nas estimativas de produção.

  • Nova variedade de banana descoberta promete mais renda ao produtor

    Nova variedade de banana descoberta promete mais renda ao produtor

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou uma nova variedade de banana originária de Santa Catarina: a Clarinha (SCS455). A descoberta aconteceu de forma espontânea no município de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, uma das principais regiões produtoras da fruta no país.

    A banana Clarinha surgiu de uma mutação natural da banana caturra, pertencente ao subgrupo Cavendish. Sua principal característica é a casca mais clara e brilhante, resultado de uma redução de aproximadamente 43% no teor de clorofila. Na prática, isso significa que a fruta demora mais para escurecer após a colheita. Um diferencial importante para a comercialização, especialmente no inverno, quando o escurecimento nas prateleiras se acelera.

    A Epagri conduziu os estudos de identificação e validação da cultivar a partir de 2018. Os ensaios confirmaram que a Clarinha mantém produtividade equivalente à variedade tradicional, somando ao desempenho agrícola já conhecido um apelo estético capaz de aumentar a rentabilidade dos produtores catarinenses.

    Com a inscrição no Registro Nacional de Cultivares (RNC-Mapa) sob o número 58.447, a Clarinha está apta para uso comercial. Produtores interessados podem adquirir mudas junto a empresas registradas no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

    Um bananal de descobertas

    O registro eleva para seis o número de variedades de banana identificadas em Santa Catarina, com destaque para municípios como Luiz Alves e Corupá. Para o superintendente do Mapa em Santa Catarina, Ivanor Boing, o avanço reflete a capacidade de inovação do setor no estado.

    “O registro de novas cultivares demonstra a capacidade de inovação da agropecuária catarinense e o papel do Ministério da Agricultura em garantir segurança, rastreabilidade e competitividade para o setor. Santa Catarina tem se destacado nacionalmente pela organização e qualidade da sua produção”, afirmou Boing.

    A Superintendência de Agricultura e Pecuária de Santa Catarina acompanha iniciativas como essa com o objetivo de fortalecer a diversificação e a agregação de valor à produção agrícola do estado.

  • Minas Gerais aposta em polo de cacau para multiplicar produção

    Minas Gerais aposta em polo de cacau para multiplicar produção

    Minas Gerais está se movimentando para transformar o estado em um novo polo nacional de produção de cacau. Com apenas 480 hectares plantados e ocupando o décimo lugar no ranking dos maiores produtores do país, o governo mineiro aposta em novas regiões de cultivo, parcerias científicas e inovações tecnológicas para mudar esse cenário. E e a data não poderia ser mais simbólica: as iniciativas ganham força justamente na semana em que se celebra o Dia Mundial do Cacau.

    O secretário de Agricultura, Thales Fernandes, é um dos maiores entusiastas da expansão do cacau em Minas e aponta o Norte do estado como área prioritária. Para ele, as condições climáticas da região, altas temperaturas e baixa umidade, aliadas a tecnologias de irrigação criam um ambiente promissor para a cultura.

    “Outra estratégia tem sido o plantio consorciado com as plantações de banana. Um sistema agroflorestal que utiliza a bananeira como proteção para o cacau, garantindo sombreamento e umidade”, explica o secretário.

    O município de Jaíba lidera a produção estadual com 256 hectares plantados, o equivalente a 53,3% de toda a área cultivada em Minas. Na sequência aparecem Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares).

    Epamig testa cultivo a pleno sol no semiárido

    Uma das apostas mais inovadoras vem da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Um novo projeto de pesquisa com novas cultivares de cacau está em fase de preparação. E deve ser implantado em abril de 2026 nos Campos Experimentais de Mocambinho e Gorutuba.

    “O objetivo é determinar a melhor forma de cultivar o cacau aqui na nossa região. Como estamos em uma área de semiárido, e o cultivo tradicional do cacau é feito à sombra, a proposta é justamente testar algo diferente: o cultivo a pleno sol e a aplicação de proteção solar parcial”, afirma Wlly Dias, pesquisadora da Epamig e coordenadora do projeto.

    Os resultados serão comparados com plantas cultivadas em consórcio com banana. “Com isso, queremos entender se é viável produzir cacau aqui sem sombra ou se o sombreamento ainda é essencial”, acrescenta a pesquisadora.

    A Epamig recebeu um convite para integrar o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, em parceria com as Universidades Federais de Viçosa (UFV) e de Lavras (UFLA). Reforço científico que, segundo Wlly, “favorece muito o trabalho em função da geração de conhecimento que a parceria proporcionará”.

    Empregos e exportações em alta

    Além do potencial produtivo, o cacau já se consolida como fonte relevante de renda no campo mineiro. Segundo Deny Sanábio, coordenador técnico estadual de fruticultura da Emater-MG, cada hectare plantado gera dois empregos diretos e quatro indiretos.

    O crescimento foi tão expressivo nos últimos anos que a cultura passou a integrar oficialmente o levantamento de safra da Emater-MG, que monitora mais de 40 frutas no território mineiro. “A inclusão deste produto nos levantamentos ajuda na formulação de políticas públicas”, destaca Sanábio.

    No campo das exportações, os números confirmam o potencial. Segundo a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Manoela Teixeira, Minas registra um volume total de 7 mil toneladas exportadas de cacau e seus derivados, entre chocolates, preparações alimentícias, cacau em pó, manteiga, gordura e óleo, movimentando US$ 64,9 milhões.

    O desafio agora é transformar esse potencial em escala. Com Pará e Bahia liderando o ranking nacional, Minas Gerais quer mostrar que o semiárido e o cerrado também têm espaço, e condições, para produzir um cacau de qualidade.

  • A doença que pode devastar a banana mundial chegou perto do Brasil

    A doença que pode devastar a banana mundial chegou perto do Brasil

    Uma doença capaz de dizimar plantações inteiras de banana está se aproximando silenciosamente das fronteiras brasileiras. E o Brasil acaba de dar um passo estratégico para se proteger. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Ministério da Agricultura do Equador e a Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) assinaram, em Brasília, uma carta de intenções para desenvolver variedades geneticamente resistentes ao Fusarium Raça 4 Tropical (Foc R4T), considerada a doença mais destrutiva da bananicultura mundial.

    O Foc R4T é um fungo que causa a chamada murcha de Fusarium, doença sem cura e sem controle eficiente. Uma vez presente no solo, ele pode inviabilizar o cultivo por décadas. Já está ativo em 17 países da Ásia, África e Oceania. E avança pelo continente americano. Colômbia (2019), Peru (2020), Venezuela (2023) e, mais recentemente, Equador (2025) já registraram a praga. O Brasil, por ora, está livre, mas o cerco se fecha.

    “O desenvolvimento de variedades resistentes e seu plantio em países onde a praga ocorre é uma questão de segurança nacional para o Brasil”, afirma Edson Perito Amorim, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura e líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano. “Só há duas organizações no mundo pesquisando melhoramento de Cavendish, e a Embrapa é uma delas.”

    Uma parceria com peso estratégico

    O Equador é o maior exportador de bananas do mundo. Foram quase 4 milhões de toneladas destinadas à exportação em 2023, segundo a FAO. O Brasil, por sua vez, produziu 7 milhões de toneladas em 2024, destinadas exclusivamente ao consumo interno. Os dois países compartilham o mesmo grupo de banana mais vulnerável: o Cavendish, popularmente conhecida como Nanica.

    A cooperação permitirá que variedades desenvolvidas pela Embrapa sejam testadas em solo equatoriano, sob pressão real da doença, o ambiente ideal para validar a resistência genética. O Equador oferece o campo de batalha; o Brasil, a ciência.

    Foto: Edson Amorim/Embrapa

    “Esta é a primeira de várias oportunidades de parceria com o Equador. A cooperação internacional é fundamental para acelerar o desenvolvimento de tecnologias capazes de proteger a bananicultura mundial”, destacou Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.

    Brasil já tem variedades resistentes e quer ir além

    O acordo não parte do zero. Graças a uma parceria anterior com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia), a Embrapa já comprovou que duas de suas variedades, a BRS Princesa (tipo Maçã) e a BRS Platina (tipo Prata), são naturalmente resistentes ao Foc R4T. O Brasil é, hoje, o único país das Américas preparado para enfrentar a doença nessas variedades. A nova parceria com o Equador amplia o foco para o grupo Cavendish, o mais consumido no mundo e o mais exposto à praga.

    “Ao unir esforços com o Equador e com o setor produtivo representado pela Aebe, ampliamos nossa capacidade de gerar e validar variedades mais resistentes, contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a segurança alimentar global”, disse Massruhá.

    Outra ameaça no radar: o moko da bananeira

    Além do Fusarium, o acordo também prevê pesquisas sobre o moko da bananeira, doença causada pela bactéria Ralstonia solanacearum. Altamente destrutivo, o moko não tem controle eficiente conhecido e já causou perdas de 3 mil hectares no Equador. No Brasil, está restrito à região Norte, mas especialistas temem sua expansão.

    O moko é uma das doenças mais destrutivas das bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica cujas inundações disseminam a bactéria. Foto: Luadir Gasparotto/Embrapa

    “O projeto pretende desenvolver tecnologias que possam auxiliar os produtores brasileiros numa eventual migração dessa doença para outras regiões produtoras”, explica Amorim.

    Um escudo científico para 250 mil famílias

    Do lado equatoriano, o interesse é imediato: são mais de 250 mil famílias envolvidas diretamente na produção de banana no país. “Esperamos que esse problema se converta em uma grande oportunidade para o governo do Equador e para a Embrapa”, disse Juan Carlos Vega Melo, ministro de Agricultura do Equador, durante a assinatura da carta de intenções.

    Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, resume bem o que está em jogo: “A Embrapa pretende resolver um problema real dos plantios do Equador, o que deve proporcionar que frutos de cultivares resistentes sejam utilizados em mais de 75 mercados no mundo. E ainda diminuam a chance de que os problemas do R4T e do moko cheguem ao Brasil.”

  • Satélite identifica cultivos de banana e pupunha com 93% de precisão

    Satélite identifica cultivos de banana e pupunha com 93% de precisão

    Imagens de satélite estão revolucionando o mapeamento agrícola em uma das regiões mais desafiadoras do Brasil. Um estudo conduzido por pesquisadores da Unicamp e Embrapa no Distrito Agrotecnológico (DAT) de Jacupiranga, no Vale do Ribeira (SP), demonstrou que a tecnologia pode alcançar mais de 93% de precisão na identificação de áreas agrícolas e vegetação nativa, mesmo em ambientes tropicais complexos.

    A pesquisa, publicada na revista internacional Agriculture, utilizou imagens do satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, combinadas com técnicas de inteligência artificial para mapear cultivos de banana e pupunha – as principais produções da agricultura familiar local.

    Desafios tropicais superados com tecnologia acessível

    O Vale do Ribeira apresenta condições particularmente difíceis para análise por satélite: cobertura persistente de nuvens, relevo acidentado, alta umidade e mosaicos complexos de pequenas propriedades intercaladas com fragmentos de Mata Atlântica. Apesar disso, os resultados mostraram-se compatíveis com estatísticas oficiais e métodos mais caros, como levantamentos por drones.

    “Justamente por isso, o Vale do Ribeira é um território estratégico para aperfeiçoarmos métodos de mapeamento capazes de lidar com toda essa diversidade e, ao mesmo tempo, respeitar o contexto socioambiental local”, explica Victória Beatriz Soares, mestranda em geografia da Unicamp e uma das autoras do estudo.

    Pupunha ganha destaque no mapeamento digital

    Um diferencial importante da pesquisa foi incluir a pupunha como categoria independente. Tradicionalmente, levantamentos em regiões tropicais priorizam a banana devido à sua relevância comercial. Porém, o palmito de pupunha tem consolidado sua importância como alternativa sustentável à extração de palmeiras nativas.

    Cultivo de pupunha em Jacupiranga. Foto: Katia Nechet/Embrapa

    Para diferenciar as culturas, os pesquisadores testaram diversos índices espectrais. O destaque foi o NDWI, que mede a presença de água nas folhas e superou o tradicional NDVI (focado em vegetação verde) na precisão de identificação em ambientes úmidos.

    “Essa integração de dados do vigor vegetativo, da umidade e do solo provou ser um método mais robusto para mapear paisagens agrícolas heterogêneas, inclusive para diferenciar o cultivo da banana e da pupunha”, destaca Soares.

    Agricultura digital democratiza acesso à tecnologia

    O método viabiliza o monitoramento de paisagens agrícolas diversificadas a baixo custo e em grande escala. Isso pode apoiar políticas públicas, ampliar a assistência técnica e fortalecer programas voltados a pequenos e médios produtores rurais, que muitas vezes não têm acesso a tecnologias digitais.

    Segundo levantamentos da Embrapa, mais de 84% dos produtores rurais brasileiros já utilizam alguma tecnologia digital no campo, e 95% têm interesse em ampliar esse uso. O estudo mostra que essas ferramentas podem gerar benefícios concretos também para agricultores familiares e comunidades tradicionais.

    “A adoção de tecnologias digitais na agricultura brasileira, além de impulsionar a eficiência produtiva, também democratiza o acesso a ferramentas de gestão rural e amplifica ações de sustentabilidade”, afirma Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e coautor do trabalho.

    Sustentabilidade e conservação da biodiversidade

    A pesquisa demonstrou que sistemas produtivos diversificados são mais resilientes às mudanças climáticas. Além de gerar renda e garantir segurança alimentar, eles preservam serviços ambientais essenciais como conservação do solo, proteção de nascentes e manutenção da biodiversidade.

    Cultivo de banana em Jacupiranga. Foto: Graziella Galinari

    “O monitoramento digital permite ainda a detecção precoce de problemas fitossanitários em uma área extensa e de difícil acesso. Assim, subsidiando a tomada de decisão pelo poder público”, complementa Kátia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

    O mapeamento digital pode ser usado para certificar práticas sustentáveis, valorizar a produção diversificada e abrir mercados para produtos diferenciados. Portanto, contribuindo para um futuro rural mais equilibrado entre produção e conservação.

    Projeto Semear Digital

    Os resultados integram as ações do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital). E é liderado pela Embrapa Agricultura Digital com financiamento da Fapesp. A iniciativa objetiva aumentar a participação de pequenos e médios produtores no processo de transformação digital no campo.

    Imagem do satélite Sentinel-2, município de Jacupiranga (SP), junho de 2025. Foto: Divulgação

    As pesquisas são desenvolvidas em 10 Distritos Agrotecnológicos em diferentes regiões do Brasil, funcionando como modelos de tecnologias e serviços digitais para solução de problemas reais. O projeto conta com instituições associadas como Esalq/USP, IAC, IEA, UFLA, Inatel e CPQD.

    O estudo completo “Mapping Banana and Peach Palm in Diversified Landscapes in the Brazilian Atlantic Forest with Sentinel-2” está disponível na revista Agriculture.