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  • Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.

    A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.

    Análises judiciais motivaram a denúncia

    O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.

    O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.

    Entidade defende separação entre categorias

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.

    Olivas. Foto: Divulgação

    Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.

    Diferença tributária ganha peso na discussão

    Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.

    A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.

    Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”

    Ibraoliva pede apuração à Receita Federal

    Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.

    Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.

    O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”

    Entidade propõe mudanças na tributação

    Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.

    Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.

  • Laudo do Mapa expõe fraude em azeites importados vendidos no Brasil

    Laudo do Mapa expõe fraude em azeites importados vendidos no Brasil

    Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo levou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a analisar uma série de azeites vendidos como extravirgem nos supermercados brasileiros.

    Os laudos, produzidos pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), reclassificaram marcas populares como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour, entre outras. O exame identificou esses produtos como azeites virgens, categoria inferior ao extravirgem. Rótulos de Costa D’Oro e Terras de Camões receberam classificação ainda mais grave: o laboratório oficial os enquadrou como lampantes, impróprios para consumo humano.

    MPF aponta fraude e risco à saúde pública

    O MPF moveu a ação civil pública contra o Ministério da Agricultura e a Anvisa para investigar fraudes no mercado de azeites extravirgens comercializados no país. A ação também busca medidas judiciais que reforcem o controle sobre a importação de azeite a granel e já envasado.

    A procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn afirma que a divulgação dos laudos abre uma nova etapa no processo. Segundo ela, o MPF fará requerimentos ao juízo com base nos resultados obtidos. “Vamos fazer alguns requerimentos ao juízo em torno do que já foi pedido na ação inicial, porque, de fato, e mesmo havendo ainda algumas análises pendentes, as nossas suspeitas se confirmaram”, declarou a procuradora.

    As análises oficiais identificaram fraudes em azeites a granel, desconformidades em produtos importados e indícios de fraude em parte dos azeites comercializados no Brasil. Para Karen, o problema ultrapassa a rotulagem e atinge diretamente a saúde pública. “Há produtos altamente comercializados no Brasil, inclusive por plataformas digitais, que estão sendo oferecidos à população como azeite, quando, na realidade, são azeite lampante, ou seja, óleos não refinados impróprios para o consumo humano”, alertou. A procuradora classifica a comercialização desses produtos como um “risco sério e concreto à saúde pública” e informa que o MPF ainda avalia quais providências adicionais vai requerer à Justiça ao longo da ação.

    Ibraoliva cobra mais controle sobre produtos importados

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) considera que os resultados reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização sobre os azeites importados vendidos como extravirgem. A entidade defende que a classificação informada no rótulo precisa corresponder às características reais do produto.

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, afirma que os laudos confirmam denúncias feitas repetidamente pela instituição, que representa os produtores nacionais. “Os laudos técnicos confirmam denúncias feitas reiteradamente pela instituição. São azeites velhos, com defeito, descartados pelos europeus, que chegam às prateleiras dos supermercados como extravirgem e são, na verdade, virgens, azeites de baixa qualidade que não podem ser comparados com o azeite extravirgem superpremium produzido no Brasil”, diz Obino.

    Para o dirigente, os resultados também explicam a diferença de preço em relação ao produto nacional. “São azeites normalmente com ranço, mofo, sem frutado, que provavelmente ficam armazenados por anos e depois são despejados no mercado brasileiro”, afirma. Ele completa que esse tipo de azeite “tem que ser mais barato que o azeite extravirgem de verdade produzido no Brasil”.

    Nutricionista explica o que se perde sem o extravirgem

    A nutricionista Isabel Kasper explica que a classificação do azeite vai além de uma diferença comercial e afeta diretamente as propriedades nutricionais do alimento. Todo azeite de oliva contém predominância de ácido oleico, gordura monoinsaturada associada à proteção cardiovascular. O extravirgem, porém, reúne um diferencial que os demais não oferecem.

    Produção brasileira de azeite de oliva deve crescer mais de 55% em 2026 — Foto: MAPA

    Segundo Isabel, “além da composição lipídica favorável à saúde, apenas o azeite extravirgem possui uma pequena, mas importantíssima, fração de compostos bioativos, entre eles os polifenóis e outros antioxidantes”. Ela destaca que essas substâncias protegem a saúde cerebral e intestinal, auxiliam no controle de processos inflamatórios e, conforme alguns estudos, podem reduzir o risco de determinadas doenças.

    A nutricionista observa que esses compostos só aparecem em quantidade relevante quando a matéria-prima tem qualidade elevada e o processamento segue padrões técnicos rigorosos. Com o tempo, eles se degradam naturalmente, o que reduz parte dos benefícios funcionais do alimento.

    Já o azeite virgem preserva a composição de gorduras saudáveis, mas contém quantidade bem menor desses compostos bioativos. O lampante, porém, permanece impróprio para consumo em seu estado original, segundo a nutricionista.

    Nota: a imagem que acompanhava inicialmente essa matéria era apenas ilustrativa, de um gôndola de azeite em um supermercado. Ela foi alterada pois identificava o estabelecimento, que não tem relação com o tema da matéria. Alias, sou cliente lá e é a melhor rede do interior. E tem os melhores azeites. 

  • Melhor azeite do mundo lança safra 2026 com produção recorde

    Melhor azeite do mundo lança safra 2026 com produção recorde

    A Vinícola Essenza lança no mercado nacional, em maio, a safra 2026 dos azeites Mantikir. E chega a ela com um feito inédito: o blend Summit Premium tornou-se o primeiro azeite brasileiro a ocupar o topo do ranking mundial da Escuela Superior del Aceite de Oliva (ESAO), sendo eleito simultaneamente o melhor do mundo e o melhor do Brasil.

    A safra reúne quatro rótulos; o blend Summit Premium e os monovarietais Coratina, Grappolo e Arbequina. E projeta produção de até 6 mil litros. Isso é o dobro do volume registrado em 2025, quando a vinícola extraiu cerca de 3 mil litros de azeite premium.

    Serra da Mantiqueira: o olival mais alto do mundo

    A produção acontece na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde 3.500 oliveiras em plena produção, de um total de 6.000 plantas distribuídas em cerca de 51 hectares, crescem entre 1.700 m e 1.910 m de altitude. Essa faixa posiciona a área como o olival mais alto do mundo.

    O portfólio de variedades inclui Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé, com Frantoio e Oleana previstas para entrar em produção em 2027. As plantas têm, em média, cinco anos de idade, e o avanço fisiológico delas explica boa parte do salto produtivo desta safra.

    O proprietário e produtor de azeite, Herbert Sales, no olival mais alto do mundo, em Maria da Fé, Minas. Foto: Régis Silva/Divulgação

    “O ganho de volume acompanha a entrada das plantas em um estágio mais produtivo e a capacidade de ajustar o manejo ao comportamento do ambiente”, afirma Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza. “A produção de azeite depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo. E o refinamento técnico permite reduzir variações e melhorar a previsibilidade da safra.”

    Temporada internacional de prêmios começa antes da comercialização

    Antes de chegar às prateleiras, o Mantikir 2026 já acumulou conquistas expressivas no circuito internacional de concursos de azeites extravirgens.

    No CINVE Group, o Summit Premium e o Coratina receberam medalhas de Ouro, tornando a Vinícola Essenza a única representante do Sudeste brasileiro entre os premiados da edição. No Evooleum Awards 2026, o maior guia espanhol de azeites do mundo, dois rótulos da vinícola entraram para o Top 100 global. O Summit Premium conquistou o título de “Best of Brazil” e o 11º lugar na categoria de larga escala, com 93 pontos e acidez de 0,12%. E o Grappolo Epamig estreou no Top 20 da categoria de produção limitada até 2.500 litros, com 92 pontos e acidez de 0,07%.

    O ponto alto da temporada veio com a vitória na ESAO. O Mantikir Summit Premium sagrou-se o melhor azeite do mundo, a primeira vez que um produto brasileiro alcança essa posição no guia.

    “Abrir a safra com dois rótulos premiados em um concurso internacional como o CINVE insere o produto no mercado já validado sob critérios técnicos reconhecidos, o que amplia a leitura sobre consistência de qualidade e precisão no processo produtivo”, comemora Herbert Sales.

    Colheita em duas etapas: concursos e mercado têm perfis distintos

    Para participar dos primeiros concursos do ano, a Vinícola Essenza antecipou parte da colheita ainda em janeiro, com volume reduzido destinado exclusivamente às avaliações. Nessa fase, azeitonas em estágio mais precoce de maturação resultam em azeites com perfil mais herbáceo, maior concentração de clorofila e menor desenvolvimento de notas frutadas.

    A colheita comercial da safra 2026 teve início em março, após um verão mais frio e chuvoso que retardou o desenvolvimento da fruta. Cerca de 50 dias de colheita manual, com manejo diário ajustado ao clima e ao estágio de maturação das azeitonas, marcaram o ciclo.

    “Existe uma diferença clara entre o azeite produzido para envio aos concursos e aquele destinado ao mercado, tanto no ponto de colheita quanto no perfil sensorial. Antecipar essa produção permite atender as exigências dos concursos sem comprometer o restante da safra, que segue outro ritmo de maturação. E resulta em azeites mais completos do ponto de vista estrutural”, explica Sales.

    Extração em baixa escala preserva qualidade extravirgem

    A extração acontece no lagar de Quelemém (MG), com capacidade de processamento de 100 kg por hora, uma escala intencional que garante maior controle sobre as etapas de batimento e separação. Esse ritmo preserva compostos voláteis e antioxidantes naturais, determinantes para a classificação como azeite extravirgem.

    O rendimento entre azeitona colhida e azeite extraído varia conforme o estágio de maturação da fruta. No início da colheita, com menor concentração de óleo na polpa, cada 100 kg de azeitona gera entre 10 e 12 litros de azeite. No meio e no final do ciclo, com maior acúmulo lipídico, esse rendimento sobe para 14% a 15%. Ou seja, até 15 litros por 100 kg processados.

    Terroir de altitude: decisões que não seguem calendário

    Na Serra da Mantiqueira, altitude, amplitude térmica, relevo e manejo se combinam para definir o ritmo de maturação, o teor de óleo e o ponto ideal de colheita de cada lote. Pequenas variações de temperatura, insolação e umidade alteram tanto a concentração de óleo quanto o perfil sensorial do azeite.

    “O terroir aqui impõe uma leitura contínua do ambiente. A decisão de colheita não segue um calendário fixo. ela depende do comportamento da fruta em diferentes áreas do olival e define simultaneamente rendimento, estabilidade e características aromáticas do produto”, conclui Herbert Sales.

  • Plataforma quer movimentar R$ 100 milhões em vinícolas e olivais da Serra da Mantiqueira

    Plataforma quer movimentar R$ 100 milhões em vinícolas e olivais da Serra da Mantiqueira

    O FCJ Group está lançando o Únikko Winery Ventures, uma plataforma inédita no Brasil que aplica lógica de investimento, governança e escala a vinícolas, olivais e enoturismo de altitude. A meta inicial é estruturar mais de R$ 100 milhões em investimentos no setor nos próximos dois anos.

    A iniciativa nasceu em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira paulista. E opera com base no conceito de Venture Scaling, modelo que combina estruturação financeira, governança, tecnologia e aceleração operacional para transformar ativos isolados em projetos escaláveis. Em vez de atuar diretamente na produção agrícola, a plataforma organiza e valoriza vinícolas, olivais e experiências territoriais para prepará-los para acesso a capital, expansão de mercado e internacionalização.

    “O mundo já entendeu o valor do terroir. O que ainda está sendo construído é o valor econômico do território”, afirma Geraldo Santos, fundador e CEO do Únikko Winery Ventures. “O Brasil já produz vinhos e azeites de altitude com qualidade reconhecida. O que faltava era uma estrutura capaz de organizar esse mercado, conectando capital, governança e inteligência para transformar ativos isolados em projetos escaláveis e valorizados.”

    Enoturismo como motor econômico

    Além dos investimentos em produção, o Únikko mira o enoturismo. Em regiões consolidadas como Napa Valley (EUA) e Toscana (Itália), o segmento já funciona como um dos principais propulsores econômicos locais, aquecendo hotelaria, gastronomia, mercado imobiliário e geração de empregos. A proposta é replicar esse ciclo nas regiões de altitude do Brasil, a partir da Serra da Mantiqueira, avançando progressivamente para outros polos produtores.

    O setor tem espaço para crescer: o mercado global de vinhos movimenta mais de US$ 400 bilhões por ano, enquanto o enoturismo já supera US$ 60 bilhões globalmente. No Brasil, o país conta com mais de 1.200 vinícolas, muitas em regiões emergentes de altitude que começam a conquistar reconhecimento internacional.

    A força do ecossistema FCJ

    O projeto conta com a estrutura do FCJ Group, que ao longo dos últimos anos consolidou uma das maiores plataformas de inovação e investimento da América Latina. São mais de 300 startups no portfólio, mais de 1.500 investidores e atuação no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

    trio de empresários à frente Únikko Winery Ventures, que nasceu em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira paulista. Foto: Divulgação

    Para Justino, fundador e CEO do FCJ Group e sócio estratégico da iniciativa, o setor reúne condições ideais para atrair capital qualificado. “Nosso trabalho sempre foi estruturar novos mercados com método, governança e acesso a capital. O setor de vinhos, azeites e experiências de altitude reúne exatamente essas condições: ativos reais, forte identidade territorial e crescente interesse do consumidor premium.”

    Captação regulada e expansão global

    Os projetos selecionados pela plataforma passarão por aceleração e preparação para atração de capital, organizado por meio de plataformas reguladas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), já integrantes do Grupo FCJ. A ambição vai além do Brasil. O Únikko planeja levar o modelo para mercados internacionais com características semelhantes. Portanto, posicionando o país como referência global em ativos premium ligados à vitivinicultura e ao enoturismo.

    “Se a primeira fase dos vinhos de altitude no Brasil foi marcada pela evolução técnica e pelo reconhecimento da qualidade, a próxima será definida por capital, governança e escala”, conclui Geraldo Santos. “É exatamente nesse ponto que o Únikko Winery Ventures pretende atuar.”

  • Festival do Azeite Olivas de Gramado celebra safra 2026 com experiências sensoriais e imersivas

    Festival do Azeite Olivas de Gramado celebra safra 2026 com experiências sensoriais e imersivas

    O Olivas de Gramado, parque pioneiro em olivoturismo no Brasil, abriu a temporada de colheita de azeitonas com o 2º Festival do Azeite Nostra Oliva. O evento acontece em oito datas: 28 de fevereiro; 1º, 7 e 8; 14 e 15; 21 e 22 de março. E reúne experiências sensoriais, gastronômicas e educacionais voltadas ao universo do azeite de oliva extravirgem.

    Foto: Divulgação

    Durante o festival, os visitantes acompanham de perto o processo de produção do azeite — da colheita manual nos olivais à extração do azeite recém-prensado. Cada participante leva para casa um frasco de 100 ml de azeite novello, não filtrado e rico em polifenóis e antioxidantes naturais. Esse tipo de azeite é conhecido por seus benefícios à saúde e por preservar o sabor original das azeitonas.

    Entre as atrações mais procuradas está a Degustação Sensorial Harmonizada, conduzida por um sommelier especialista. A atividade aborda a história das oliveiras, os perfis das variedades, as combinações com doces e salgados e as notas olfativas e gustativas de cada blend.

    A Imersão 360° também promete encantar o público, com projeções que contam a trajetória das oliveiras desde a mitologia grega até o panorama atual da olivicultura brasileira. O passeio a bordo do Expresso Olivas completa o roteiro, levando os visitantes pelos cânions Pedra Branca, entre os 29 hectares de plantações do parque.

    Mistura gastrônomica

    A gastronomia ítalo-germânica ganha espaço com o Piquenique Toscano, servido ao ar livre. A mesa inclui queijos, pães artesanais, cucas, frutas e espumantes, além da linha de azeites e infusões aromáticas da casa. O cardápio apresenta ainda o primeiro chopp de oliva da América Latina.

    O encerramento ocorre no Olivas Sunset, evento com DJs e saxofonista ao vivo, que embalam o pôr do sol nos cânions, um dos pontos altos da experiência. Quem participar recebe uma ecobag exclusiva, com uma garrafa da nova Olivas Bier (cerveja de oliva), um frasco de azeite novello e brindes preparados pelos patrocinadores.

    Segundo o azeitólogo e mestre lagareiro André Bertolucci, o festival reforça a conexão entre a marca, o território e as origens da imigração italiana na Serra Gaúcha. “Queremos que o público participe da colheita e entenda de perto o valor do azeite feito em solo brasileiro, com qualidade reconhecida internacionalmente”, afirma.

    O Olivas de Gramado, inaugurado em 2018, ocupa 150 hectares. Sendo 29 dedicados ao cultivo de seis variedades de azeitonas; Arbequina, Manzanilla, Picual, Frantoio, Ascolana e Koroneiki. Seus azeites já receberam prêmios em concursos como Flos Olei, NY IOOC, EVOO IOOC Itália, Athenas IOOC e Terra Olivo Israel, consolidando a marca entre as melhores do mundo.

    Os ingressos antecipados estão disponíveis por R$ 269 (primeiro lote) no site olivasdegramado.com.br/nostraoliva ou na Central de Agendamentos do parque. O ticket inclui 11 experiências, como degustações, colheita manual, passeio no Expresso Olivas, acesso VIP ao Olivas Sunset e souvenirs exclusivos.

  • Vinho, chocolate e azeite devem ficar mais baratos no Brasil

    Vinho, chocolate e azeite devem ficar mais baratos no Brasil

    O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado nesta sexta-feira (9), promete revolucionar o acesso dos brasileiros a produtos importados europeus. Vinhos, chocolates finos, queijos especiais e azeites de oliva poderão chegar às prateleiras com preços significativamente menores nos próximos anos, beneficiando principalmente consumidores das classes A e B.

    A diminuição nos valores não acontecerá imediatamente. O tratado estabelece um cronograma escalonado para eliminar as alíquotas de importação, com prazos que variam entre 4 e 15 anos, dependendo do setor.

    Produtos da gastronomia europeia terão o maior prazo de adaptação. Vinhos, queijos premium, azeites extravirgem e chocolates artesanais levarão até 15 anos para atingir tarifa zero de importação.

    Atualmente, essas categorias enfrentam impostos que encarecem drasticamente os produtos. O vinho, por exemplo, paga 20% de tarifa e terá redução de 11,1% já no primeiro ano, zerando completamente em 8 anos. Chocolates, também taxados em 20%, verão a alíquota cair gradualmente ao longo de 15 anos, com redução inicial de 6,3%.

    Quem mais se beneficia

    Apesar da redução tarifária, a cotação do euro (R$ 6,24) ainda representa um obstáculo para produtos muito caros. Especialistas avaliam que marcas europeias de preço médio, populares na Europa mas caras no Brasil devido aos impostos, devem liderar o desembarque por aqui.

    chocolate amargo
    Foto: Sigmund/Unsplash

    Chocolates belgas, suíços e franceses de categorias premium podem chegar em volume reduzido, focando lojas especializadas e consumidores de alto poder aquisitivo. No entanto, marcas mais acessíveis teriam dificuldade de competir com produtores nacionais, especialmente considerando que o Brasil é o maior produtor de cacau do mundo.

    Outros produtos do cotidiano impactados

    Medicamentos: Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios levarão até 10 anos para zerar tarifas que hoje variam entre 8% e 14%. O setor farmacêutico brasileiro, representado pelo Grupo FarmaBrasil e Abifina, defende que o governo mantenha compras públicas de medicamentos nacionais para o SUS.

    Automóveis: A tarifa de 35% sobre carros europeus cairá a zero em 15 anos. Marcas de luxo e fabricantes populares com produção na Europa (Volkswagen, Fiat, Renault) serão diretamente impactados. Peças automotivas, com alíquotas entre 14% e 18%, terão redução completa em 7 a 10 anos.

    Bebidas: Cervejas artesanais europeias, taxadas em 20%, terão redução de 9,1% no primeiro ano para zerar em 10 anos. Bebidas não alcoólicas seguem o mesmo cronograma.

    Oportunidades para exportadores brasileiros

    O acordo não beneficia apenas importações. João Dornellas, presidente da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), vê o tratado como oportunidade para produtores nacionais. “É a chave para dar o salto de exportador de matéria-prima para exportador de valor agregado. A Europa é um mercado de 450 milhões de consumidores que queremos acessar com produtos processados nas nossas fábricas”, afirmou durante o Global Agribusiness Fórum.

    A Anfavea, que representa montadoras, também avalia o acordo como “ganha-ganha”, destacando que o mercado de reposição de peças pode se expandir significativamente.

    Dimensões do acordo

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tratado reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões.

    Foto: Divulgação ExpoQueijo

    O presidente Lula destacou em redes sociais que o texto “amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados”.

    Cronograma completo de redução tarifária

    • Panettone: 18% de taxa, redução entre 4 e 7 anos
    • Perfume: 18% de taxa, redução em 4 anos
    • Pêssego em calda: 55% de tarifa, redução de 12,5% no primeiro ano, zerando em 7 anos
    • Queijo mozzarella: 28% de taxa, limitada em cota de 30 mil toneladas
    • Queijo azul: 16% de tarifa, zerada ao atingir 30 mil toneladas importadas
    • Azeite de oliva virgem: 10% de taxa, redução de 6,3% no primeiro ano, zerando em 15 anos
  • Azeite: preços caem pelo décimo mês seguido no Brasil

    Azeite: preços caem pelo décimo mês seguido no Brasil

    Os brasileiros que planejam preparar suas ceias de Natal e Réveillon podem comemorar: o azeite ficou significativamente mais barato em 2025. O produto acumula dez meses consecutivos de redução de preços, com deflação de 23,32% nos últimos 12 meses.

    Os dados são do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento realizado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que monitora a variação de preços no setor ao longo do ano.

    Somente em novembro, o azeite apresentou redução de 0,37% nos preços. Quando analisado o acumulado de 2025, a queda chega a 22,69%, representando um alívio considerável para o orçamento das famílias brasileiras.

    “Esse comportamento vem sendo observado há dez meses consecutivos, principalmente em função da retomada da produção europeia e da isenção da alíquota de 9% sobre a importação do produto, adotada pelo governo federal”, explica Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS.

    O que explica a redução dos preços?

    Dois fatores principais contribuíram para a deflação do azeite no mercado brasileiro:

    Recuperação da produção europeia: após períodos de escassez causados por condições climáticas adversas, os principais países produtores da Europa voltaram a ter safras mais robustas, aumentando a oferta global do produto.

    Isenção de impostos: a medida do governo federal que zerou a alíquota de importação de 9% tornou o produto mais acessível no mercado interno. Permitindo que os supermercados repassassem parte dessa economia aos consumidores.

    Impacto positivo no setor de óleos

    Segundo o economista da APAS, a queda nos preços do azeite tem ajudado a conter a inflação no grupo de óleos vegetais. Embora o segmento tenha registrado alta de 2,63% em novembro, o acumulado anual apresenta deflação de 4,23%, com redução de 1,01% em 12 meses.

    A tendência de preços mais baixos para o azeite beneficia diretamente milhões de brasileiros que utilizam o produto tanto em receitas tradicionais das festas de fim de ano quanto no dia a dia. Consolidando 2025 como um ano de alívio para esse item essencial da cesta básica.

  • Enoturismo na Serra da Mantiqueira cresce 27% 

    Enoturismo na Serra da Mantiqueira cresce 27% 

    A Serra da Mantiqueira transforma o enoturismo em motor econômico regional. A região combina natureza, gastronomia e agricultura de altitude para atrair visitantes que buscam experiências autênticas relacionadas à produção local de vinhos e azeites.

    As vinícolas paulistas expandem operações e consolidam a Mantiqueira como polo estratégico do turismo de experiência no estado de São Paulo. A diversidade de rótulos, circuitos gastronômicos e azeites artesanais converte a Serra em destino preferencial para quem valoriza cultura e produtos regionais.

    Dados oficiais confirmam expansão do setor

    A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) e o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET) divulgaram em setembro dados que comprovam o crescimento do enoturismo. O levantamento aponta que 82% das vinícolas aumentaram o número de visitantes desde o lançamento das Rotas do Vinho de São Paulo.

    O fluxo turístico cresceu 27% em média nas vinícolas participantes. Cada turista gasta, em média, R$ 204 por visita. A Setur-SP projeta crescimento adicional até o fim do ano.

    Vinícola Essenza une dois estados em experiência integrada

    A Vinícola Essenza, localizada a 14 quilômetros do centro de Santo Antônio do Pinhal, exemplifica o modelo de negócio que impulsiona o setor. O empreendimento integra as Rotas do Vinho de São Paulo — iniciativa que reúne 66 vinícolas no estado — e recebe visitantes em espaço enogastronômico estruturado.

    O fundador e produtor Herbert Sales desenvolveu um conceito que conecta produção e hospitalidade. “A Serra tem uma vocação agrícola consolidada. O enoturismo é a continuidade natural desse processo, porque mostra que cada garrafa representa um território inteiro”, explica Sales.

    Foto: Régis Silva/Divulgação

    A empresa mantém duas propriedades produtivas. A unidade de Maria da Fé (MG) abriga o olival mais alto do mundo e o vinhedo mais alto do Brasil, a 1.910 metros de altitude. A localização em Santo Antônio do Pinhal funciona como espaço de recepção e degustação.

    “Ambas as propriedades estão na Serra da Mantiqueira. Maria da Fé é o coração produtivo e Santo Antônio do Pinhal é o espaço de acolhimento. Essa combinação permite que o visitante tenha uma experiência com os dois terroir”, afirma Herbert Sales.

    Reconhecimento internacional marca produção

    A Vinícola Essenza conquistou quatro medalhas de Bronze no Decanter World Wine Awards (DWWA) 2025, considerado o maior concurso de vinhos do mundo. Os rótulos premiados incluem Espumante Rosé Extra Brut, Mantikir Merlot 2024, Mantikir Pinot Noir 2024 e Mantikir Alvarinho 2024.

    A vinícola também produz azeites premiados a partir das variedades Koroneiki, Grappolo, Arbequina e Coratina. As condições de montanha e o manejo técnico especializado geram produtos de caráter singular.

    Herbert Sales atribui os resultados ao estudo contínuo do microclima regional. “As altitudes da Mantiqueira exigem técnicas específicas. Nosso foco é interpretar o solo, o clima e as variedades para alcançar equilíbrio e identidade em cada rótulo”, explica o produtor.

    Menu franco-brasileiro harmoniza experiência gastronômica

    A Vinícola Essenza lançou em dezembro o novo menu enogastronômico Estação Franco Mantikir. A proposta combina técnicas da culinária francesa com ingredientes regionais da Serra da Mantiqueira.

    O menu apresenta quatro etapas harmonizadas com vinhos premiados da vinícola. A experiência começa com welcome drink de espumante Essenza acompanhado de presunto cru produzido localmente. A sequência inclui peixe branco com beurre blanc e caviar de azedinha, corte suíno nobre com demiglacê de mirtilo, filé mignon com molho dijon e mil-folhas de batata, e entremet de café como sobremesa.

    Os visitantes também participam de tour pelo espaço produtivo e têm acesso à loja de produtos regionais.

    “Nosso propósito é que o visitante entenda o ciclo completo. Do cultivo ao prato, do azeite ao vinho. Tudo o que produzimos aqui na Essenza reflete o mesmo solo e o mesmo clima”, destaca Herbert Sales.

    Terroir da Mantiqueira valoriza conceito slow food

    O modelo de enoturismo desenvolvido na Serra da Mantiqueira conecta visitantes à origem dos produtos e valoriza o conceito slow food. A proposta enfatiza a relação entre território, produtores e sabores locais.

    Herbert Sales durante colheita da safra de uvas 2025. Foto: Régis Silva/Divulgação

    “Queremos que o cliente se sinta parte da Mantiqueira e perceba que por trás de cada garrafa há um território vivo, com produtores, histórias e sabores locais. Nosso propósito é mostrar que a Mantiqueira é um território produtivo, inovador e em expansão. A Essenza é um reflexo desse movimento que une sustentabilidade, turismo e qualidade”, conclui Herbert Sales.

  • Azeite brasileiro conquista ouro em premiação na Argentina

    Azeite brasileiro conquista ouro em premiação na Argentina

    O Brasil acaba de conquistar o topo do pódio no mercado mundial de azeites de oliva. O azeite extravirgem Potenza Intenso, produzido pela Fazenda Serra dos Tapes, no Rio Grande do Sul, levou o primeiro lugar na categoria “frutado verde médio” da segunda edição do Prêmio Mario Solinas de Qualidade – Hemisfério Sul, realizada em 5 de novembro na cidade argentina de San Juan.

    A cerimônia de premiação, que reuniu autoridades locais e representantes do Conselho Oleícola Internacional (COI), celebrou a excelência de 30 azeites extravirgens de cinco países sul-americanos e africanos. O Potenza Intenso superou 29 concorrentes de Argentina, Peru, África do Sul e Uruguai, além de outros produtores brasileiros.

    Bicampeão brasileiro no Mario Solinas

    Com essa vitória, o Potenza Intenso entra para a história como o único azeite brasileiro bicampeão do prêmio considerado o “Oscar” mundial do setor. A façanha se repete após 2023, quando outro rótulo da mesma linha, o Potenza Frutado, conquistou o título de melhor azeite do Hemisfério Sul.

    “Essa conquista consolida ainda mais a qualidade dos azeites brasileiros no mercado internacional. Ganhar duas vezes em três anos o reconhecimento máximo da olivicultura mundial mostra que estamos no caminho certo”, celebra Cláudia Santos, sommelier de azeites, mestra de lagar e proprietária da Fazenda Serra dos Tapes.

    O que torna o Potenza Intenso especial

    O blend vencedor apresenta acidez máxima de apenas 0,14% e combina três variedades de olivas: Koroneiki, Picual e Frantoio. A extração segue rigorosos padrões de qualidade, com envasamento em pequenos lotes para preservar o frescor e a identidade sensorial do produto.

    Cláudia Santos, mestra de lagar e sommelier de azeites da Fazenda Serra dos Tapes. Foto: Divulgação

    No perfil sensorial, o azeite revela aromas de grama cortada, ervas frescas, rúcula, tomate verde e figueira. No paladar, destaca-se pelo equilíbrio entre amargor e picância, com frescor herbáceo persistente — características ideais para harmonizar com carnes grelhadas, pizzas, saladas, massas com molho de tomate e queijos curados.

    Prêmio Mario Solinas: referência mundial desde 2000

    Promovido pelo Conselho Oleícola Internacional desde 2000, o Prêmio Mario Solinas de Qualidade é a mais importante competição do setor oleícola mundial. A categoria específica para o Hemisfério Sul foi criada para respeitar o calendário de colheita das olivas na região, que difere do Hemisfério Norte.

    Para participar da edição 2025, os azeites precisaram atender critérios técnicos rigorosos, incluindo lotes superiores a 1.000 litros e classificação baseada em análise sensorial, mediana de qualidade e perfil de frutado. As categorias contempladas foram: frutado verde intenso, médio e ligeiro, frutado maduro e envasadores.

    Brasil no mapa mundial dos azeites premium

    A vitória do Potenza Intenso reforça a ascensão do Brasil no competitivo mercado internacional de azeites de oliva extravirgem. Com apenas quatro azeites brasileiros inscritos contra 15 argentinos e oito uruguaios, a conquista demonstra que a olivicultura gaúcha alcançou padrão de excelência mundial.

    “Nosso time está comprometido na missão de buscar a perfeição na produção de azeite de oliva extravirgem”, finaliza Cláudia Santos, destacando o trabalho contínuo da Fazenda Serra dos Tapes pela qualidade.

  • Conheça os azeites brasileiros que estão entre os melhores do mundo

    Conheça os azeites brasileiros que estão entre os melhores do mundo

    Nove marcas brasileiras de azeite foram incluídas na edição 2026 do Flos Olei, considerado um dos mais importantes guias internacionais de azeite extravirgem. A seleção representa um marco para a olivicultura nacional, que tem crescido em qualidade e reconhecimento no mercado global.

    O guia italiano, editado anualmente pelos jornalistas e críticos especializados Marco Oreggia e Laura Marinelli, é uma referência essencial para importadores e consumidores que buscam os melhores azeites do mundo. A publicação funciona como termômetro da qualidade na produção oleícola internacional.

    Produção brasileira concentrada no Sul e Sudeste

    Das nove marcas brasileiras selecionadas para o Flos Olei 2026, sete são do Rio Grande do Sul e duas de Minas Gerais, consolidando essas regiões como principais polos de produção de azeite de qualidade premium no país.

    O anúncio oficial da seleção foi feito em setembro, mas o lançamento do guia completo, com informações detalhadas sobre cada produtor selecionado, está previsto para dezembro.

    A seleção do Flos Olei segue padrões internacionais de excelência. Aproximadamente 40 degustadores profissionais avaliam os azeites com notas que variam de 0 a 100 pontos, considerando aspectos como qualidade sensorial e perfil aromático.

    O guia também valoriza produtores que:

    • Cultivam oliveiras próprias em vez de comprar azeitonas de terceiros
    • Possuem equipamentos próprios para processar o azeite
    • Mantêm controle total sobre a cadeia produtiva

    Somente azeites que atingem nota superior a 80 pontos são incluídos na publicação, garantindo um padrão elevado de qualidade entre os selecionados.

    Edição 2026 reúne 500 marcas de 57 países

    A 14ª edição do Flos Olei apresenta 500 marcas de azeite de 57 países, refletindo a diversidade e a qualidade da produção oleícola mundial. Na edição anterior, divulgada em 2024, o Brasil havia conquistado 11 posições.

    Nove produtores europeus atingiram a nota máxima de 100 pontos no guia 2026, demonstrando a tradição e excelência da olivicultura no continente:

    Espanha:

    • Casas de Hualdo (Castela-La Mancha)
    • Castelo de Canena (Andaluzia)
    • Aceites Finca La Torre (Andaluzia)

    Itália:

    • Comincioli (Lombardia)
    • Frantoio Bonamini (Vêneto)
    • Frantoio Franci (Toscana)
    • Azienda Agrária Viola (Úmbria)
    • Américo Quattrociocchi (Lácio)

    Croácia:

    • Amigo (Istra)

    O reconhecimento das marcas brasileiras no Flos Olei 2026 confirma o amadurecimento da olivicultura nacional e abre portas para maior competitividade no mercado internacional de azeites premium.