Tag: apicultura

  • Impressionante: abelhas voam mais de 80 mil km para produzir mel

    Impressionante: abelhas voam mais de 80 mil km para produzir mel

    Para produzir uma única libra de mel, as abelhas de uma colmeia visitam cerca de dois milhões de flores e voam mais de 80 mil quilômetros. Essa é uma distância equivalente a mais de duas voltas ao redor do planeta. A conta transforma um item comum de supermercado em um verdadeiro recibo de trabalho coletivo.

    Foto: Cistina Gallo/Epagri SC

    Organizações de apicultura repetem amplamente esse número, mas ele funciona como aproximação, não como medida exata. O Canadian Honey Council calcula um valor mais próximo de 2,6 milhões de flores, a partir de estudos de campo mais antigos, e destaca que os valores usados nesse cálculo representam médias. A ordem de grandeza, porém, permanece a mesma.

    Cada abelha coletora visita entre 50 e 100 flores por viagem antes de retornar à colmeia para descarregar o néctar. Nesse ritmo, as operárias somam entre 20 mil e 40 mil viagens de coleta para completar os dois milhões de visitas.

    A escala individual revela a dimensão do esforço: ao longo de toda a vida, uma abelha operária produz apenas um doze avos de colher de chá de mel.

    Uma vida curta dedicada ao trabalho coletivo

    As abelhas nem dedicam toda a vida à coleta de néctar. Uma operária de primavera ou verão vive, em geral, entre seis e oito semanas. Ela passa as primeiras três semanas realizando tarefas dentro da colmeia e só começa a forragear mais tarde, embora esse tempo varie conforme as necessidades da colônia.

    Os dois milhões de flores, portanto, não resultam do esforço de uma única abelha incansável. Eles representam o trabalho de uma força coletiva, rotativa e de vida curta.

    As distâncias dividem opiniões entre pesquisadores

    A distância percorrida gera mais controvérsia entre as fontes. Um número frequentemente citado aponta que as abelhas de uma colmeia voam mais de 88 mil quilômetros para produzir uma libra de mel. Ou seja, o equivalente a pouco mais de duas voltas completas ao redor da Terra, cuja circunferência soma cerca de 40 mil quilômetros no equador.

    Foto: divulgação – Secretaria de Agricultura de SP

    Outras fontes citam números ainda maiores, próximos de 145 mil quilômetros. Essa diferença resulta de estimativas distintas, não de métodos de medição diferentes. Diversas publicações apresentam o valor maior como a distância que uma única abelha precisaria voar, mas nenhuma abelha produz uma grama de mel sozinha. Trata-se de outra estimativa do voo total agregado da colônia, baseada em médias arredondadas diferentes.

    Fatores como a quantidade de néctar transportada por viagem, o teor de açúcar do néctar, a distância das flores em relação à colmeia e a quantidade de água que precisa evaporar durante a produção do mel alteram o resultado em dezenas de milhares de quilômetros.

    A dança que reduz o esforço das abelhas

    Uma colônia perderia muito mais energia de voo se cada abelha precisasse descobrir boas flores sozinha. Para evitar esse desperdício, as abelhas compartilham informações por meio da chamada dança do requebrado (waggle dance), um movimento em formato de oito decifrado pelo cientista Karl von Frisch, descoberta que lhe rendeu parte do Prêmio Nobel em 1973.

    A dança transmite informações sobre direção e distância. Experimentos modernos confirmam que a duração da parte vibratória do movimento varia conforme a distância até o alvo, enquanto o ângulo indica a direção do alimento em relação ao sol.

    Foto: Fernando Vivas / GOVBA

    Esse sistema de comunicação evita que os números fiquem ainda maiores. Quando pesquisadores impediram colônias de acessar as informações úteis da dança, as abelhas passaram a forragear mais longe das colmeias. A dança recruta operárias para áreas de coleta mais próximas e concentra o esforço coletivo.

    Assim, independentemente do número exato adotado, o panorama geral não muda. Um pote de mel na prateleira da cozinha carrega uma libra de voo concentrado: cerca de dois milhões de visitas a flores e quilômetros suficientes para dar ao menos duas voltas no planeta, produzidos fração por fração de colher de chá por gerações de operárias de vida curta.

  • Regularização da apicultura fortalece cadeia do mel

    Regularização da apicultura fortalece cadeia do mel

    A regularização da apicultura em Minas Gerais impulsiona a cadeia produtiva do mel, amplia a segurança sanitária e fortalece a confiança do consumidor. O trabalho conduzido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abrange desde o cadastro de produtores até a fiscalização de estabelecimentos, criando um ambiente mais seguro e competitivo para o setor.

    Quem consome mel ou própolis raramente percebe a complexidade por trás da produção. No estado, o IMA monitora áreas de criação, controla o trânsito de abelhas e fiscaliza unidades de processamento. Essas ações estruturam a cadeia apícola e valorizam os produtores que atuam dentro das normas.

    Defesa sanitária e controle de doenças

    O IMA mantém o cadastro de apicultores e meliponicultores e exige a atualização periódica das informações sobre colmeias e abelhas-rainha. O órgão também emite a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para o transporte de abelhas em Minas Gerais.

    As medidas seguem o Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSAb), que atua na prevenção, monitoramento e controle de doenças e pragas, como o pequeno besouro das colmeias. Segundo o coordenador estadual do programa, Eduardo Lage, o controle sanitário permite mapear a atividade e definir estratégias mais eficientes de mitigação de riscos.

    Crescimento da formalização no setor

    O número de explorações apícolas e meliponícolas cadastradas no estado cresceu 145% entre abril de 2023 e maio de 2026, passando de 1.735 para 4.257 registros. O avanço reflete maior adesão dos produtores à regularização.

    De acordo com Eduardo Lage, o cadastro representa uma exigência legal e uma ferramenta essencial para proteger a atividade em situações de emergência sanitária. A rastreabilidade dos enxames, garantida pela emissão da GTA, permite respostas rápidas em casos de surtos ou pragas.

    Inspeção garante qualidade e segurança

    Os estabelecimentos que processam mel e derivados precisam de registro em serviços de inspeção municipal (SIM), estadual (SIE/IMA) ou federal (SIF). A exigência assegura fiscalização contínua e avaliação das condições sanitárias, além da qualidade das matérias-primas.

    A fiscal agropecuária Mariana Telles, da Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Animal do IMA, destaca que a formalização reduz riscos de fraudes e amplia a oferta de alimentos seguros. Segundo ela, a rastreabilidade e a certificação aumentam a confiança do consumidor e abrem novos mercados para os produtores.

    Valorização e reconhecimento no mercado

    A regularização também impulsiona a valorização dos produtos apícolas. Um exemplo recente ocorreu no 25º Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), realizado em Florianópolis, onde o mel do Apiário Âmbar, registrado no IMA desde 2020, conquistou o título de melhor do Brasil na categoria empresa.

    A diretora do apiário, Natálha Abreu, afirma que o acompanhamento técnico do instituto contribui para práticas sustentáveis e fortalece a credibilidade da marca junto a parceiros e consumidores.

  • Feira do Mel de Santa Catarina reúne 300 produtores

    Feira do Mel de Santa Catarina reúne 300 produtores

    Florianópolis recebe a 25ª Feira do Mel de Santa Catarina entre 10 e 13 de junho, no Largo da Alfândega. O evento reúne produtores, associações e instituições da apicultura e meliponicultura e deve movimentar até 55 mil quilos de mel e derivados.

    Foto: Cristina Gallo

    A feira funciona das 8h às 19h, com encerramento antecipado no sábado (13), às 16h. Considerada uma das principais vitrines do setor no estado, a iniciativa conecta produtores diretamente ao consumidor, fortalece a agricultura familiar e amplia o acesso a produtos com origem garantida.

    Organização e expectativa de vendas

    A Faasc, Epagri, Secretaria de Estado da Agricultura e Prefeitura de Florianópolis organizam o evento, com apoio de Sebrae/SC, Faesc/Senar, UFSC, Cidasc e Alesc. A atuação conjunta dessas instituições consolida Santa Catarina como referência nacional na produção de mel.

    A estrutura contará com cerca de 600 m² e 35 estandes, representando mais de 300 produtores catarinenses. A organização projeta a comercialização entre 45 mil e 55 mil quilos de mel e produtos da colmeia durante os quatro dias.

    Preços e acesso ao consumidor

    Os visitantes encontrarão preços tabelados. O mel silvestre será vendido a R$ 40/kg e o mel de melato de bracatinga a R$ 55/kg. A venda direta elimina intermediários e favorece preços mais acessíveis.

    A programação inclui atividades gastronômicas, lançamentos de produtos e ações de difusão de conhecimento. O público também poderá conhecer colmeias de abelhas sem ferrão, ampliando o espaço da meliponicultura no evento.

    A feira ainda apresenta bebidas e alimentos produzidos à base de mel, reforçando o potencial de agregação de valor da cadeia produtiva.

    Produtos disponíveis

    Entre os principais itens comercializados estão:

    • Mel multifloral e monofloral
    • Mel composto
    • Mel de melato de bracatinga
    • Méis de abelhas sem ferrão
    • Mel em favos e mel cremoso
    • Própolis (extrato e in natura)
    • Pólen e geleia real
    • Cera de abelha e velas artesanais

    Também haverá produtos derivados e alimentos como bolos, cucas, pães, bolachas, trufas, alfajores e mel com nozes, além de cosméticos como sabonetes, shampoos, cremes e pomadas.

    Entre as bebidas, o público encontrará hidromel, cervejas, licores, cachaças, steinhaeger, chás e bebidas energéticas.

    Santa Catarina se destaca na apicultura

    Santa Catarina ocupa posição estratégica na produção nacional de mel. Dados da Cidasc (2024) indicam 13.401 apicultores e mais de 358 mil colmeias distribuídas pelo estado.

    Segundo o IBGE (2023), o estado é o 8º maior produtor do país, com 4.234 toneladas anuais. No mercado externo, ocupa a 3ª posição entre os exportadores brasileiros, com 5.476,8 toneladas embarcadas.

    A produtividade também chama atenção: 68 kg/km², muito acima da média nacional de 4,8 kg/km².

    Esse desempenho resulta da tradição dos produtores e do suporte técnico de instituições como Epagri, Cidasc, Senar e Sebrae, além da atuação da Faasc, que reúne 50 associações e representa mais de 2 mil produtores.

    Serviço

    • Evento: 25ª Feira do Mel de Santa Catarina
    • Data: 10 a 12 de junho, das 8h às 19h; 13 de junho, das 8h às 16h
    • Local: Largo da Alfândega, Florianópolis (SC)
    • Entrada: gratuita
  • Biólogo transforma 1.200 colmeias em negócio sustentável e mira expansão global

    Biólogo transforma 1.200 colmeias em negócio sustentável e mira expansão global

    A apicultura paulista cresceu 22% em 2024, atingindo 6.772 toneladas de mel produzidas no estado. Por trás desse número, histórias como a de Celso Ribeiro Cavalcanti de Souza ajudam a explicar por que o setor virou estratégico para o desenvolvimento rural de São Paulo. Fundador da Estação do Mel, em Pindamonhangaba, ele construiu um modelo de negócio que une pesquisa de ponta, agronegócio e experiência ao consumidor.

    Foto: Divulgação

    A relação de Celso com as abelhas começou aos 10 anos, quando manejava uma pequena colmeia de abelhas sem ferrão no quintal de casa. Criado em uma região vizinha ao atual Instituto Biológico, antes chamado de Centro de Apicultura Tropical, ele transformou a curiosidade infantil em carreira. Formou-se técnico em agropecuária pelo Colégio Agrícola de Jacareí e, mais tarde, graduou-se em Biologia e Farmácia.

    O diferencial de Celso foi circular entre dois mundos que raramente se encontram: a pesquisa acadêmica e o trabalho braçal no campo. Durante 14 anos, ele atuou na Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), conduzindo o plantel de seleção genética de abelhas rainhas.

    “Trabalhei na prática como produtor e, simultaneamente, dentro do maior centro de pesquisa de abelhas africanizadas do mundo”, conta Celso. Enquanto avançava na ciência apícola, ele estruturava seus próprios apiários, chegando a manejar 1.200 colmeias com tecnologia de ponta.

    Estação do Mel: verticalização, turismo e inovação

    Localizada próxima ao eixo turístico de Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, a Estação do Mel não se limita à produção de mel, pólen e própolis. A empresa aposta no turismo de experiência: visitantes participam de “um dia de apicultor”, com cafés da manhã temáticos e dias de campo.

    Foto: Divulgação

    Com a formação farmacêutica como trunfo, Celso desenvolveu linhas exclusivas de bebidas, vinho, cachaça e vinagre de mel, cosméticos como shampoos, cremes e sabonetes à base de produtos da colmeia, e tratamentos de apiterapia, que incluem ingestão de própolis, inalação do ar da colmeia e massagens detox com mel.

    São Paulo lidera, biodiversidade agradece

    Dados do Instituto de Economia Agrícola e da Defesa Agropecuária, da Secretaria de Agricultura, apontam mais de 235 mil colmeias de abelhas africanizadas distribuídas em 1.926 apiários, com produção anual de 5,15 mil toneladas. As abelhas nativas somam mais de 30 mil colmeias em mais de 3 mil meliponários.

    Para Carolina Matos, especialista ambiental da CATI, o avanço do setor combina geração de renda e conservação: “São Paulo vem mostrando que é possível crescer com responsabilidade ambiental. A apicultura e a meliponicultura geram emprego no campo, fortalecem a economia local e contribuem diretamente para a conservação ambiental, por meio da polinização e da preservação da biodiversidade.”

    Aos 56 anos, Celso não reduz o ritmo. “O futuro é transformar isso em uma grande empresa em nível mundial”, projeta. Sua trajetória comprova que o agronegócio paulista ganha força quando a ciência de laboratório encontra o suor do produtor rural . E quando um biólogo decide, desde criança, escutar o zumbido das abelhas.

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    O mel exige cuidado desde a retirada da colmeia até o envase final para manter a qualidade e garantir a segurança alimentar. Pensando nisso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) lançou a “Cartilha Apicultura: Boas Práticas de Processamento”, que orienta apicultores sobre manejo adequado, higienização e prevenção de contaminações. O material está disponível gratuitamente na Livraria Virtual da Emater-MG.

    Segundo a publicação, o mel é um alimento natural produzido a partir do néctar das flores, e sua qualidade depende diretamente das plantas visitadas pelas abelhas, da pureza da água que consomem e dos cuidados do apicultor ao longo de todas as etapas de produção e processamento.

    De acordo com a cartilha, o produto deve manter as mesmas características que possuía dentro da colmeia. Uma vez perdida, a qualidade não pode ser recuperada, o que exige atenção constante aos critérios físicos, químicos e sensoriais, bem como ao cumprimento da legislação brasileira sobre alimentos de origem animal.

    “A produção de um mel seguro depende do manejo correto e do uso adequado das boas práticas durante a coleta, o transporte e o processamento, reduzindo os riscos de contaminações”, explica Márcia Portugal, coordenadora estadual de Pequenos Animais da Emater-MG e autora da cartilha.

    Principais riscos de contaminação

    O material técnico alerta sobre três tipos de contaminação:

    • Física, causada por materiais estranhos como terra, fragmentos de madeira ou insetos.
    • Química, decorrente de resíduos de detergentes, medicamentos ou agrotóxicos.
    • Biológica, provocada por microrganismos como leveduras e bactérias, que podem gerar fermentação e comprometer a segurança do consumidor.

    “Pequenos descuidos em equipamentos, instalações ou higiene da equipe podem inviabilizar o produto e trazer riscos à saúde pública”, destaca Portugal.

    Orientações sobre higienização e processamento do mel

    A cartilha reúne recomendações sobre limpeza de equipamentos, higiene da mão de obra e procedimentos adequados na colheita, transporte e extração do mel. O documento orienta a sanitização correta de pisos, paredes e superfícies com produtos apropriados e em concentrações seguras.

    No processamento, o mel passa por etapas como centrifugação, filtragem, decantação, envase e armazenamento. Cada fase deve respeitar parâmetros técnicos para evitar degradação dos açúcares e formação de substâncias indesejáveis, mantendo a pureza e a estabilidade do produto.

    Armazenamento e conservação

    O armazenamento adequado também é essencial. Para preservar o aroma, o sabor e as enzimas naturais, o consumidor deve guardar o mel em local seco, escuro e em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. A cristalização é um processo normal e indica pureza, não defeito do produto.

    A apicultura mineira é praticada, em sua maioria, por pequenos produtores rurais. O estado reúne cerca de 7,5 mil agricultores familiares dedicados à produção de mel, própolis e derivados, com uma produção anual estimada em 7,6 mil toneladas. As principais regiões produtoras são o Centro, Centro-Oeste e Norte de Minas, segundo dados da Emater-MG.

  • Da medicina para apicultura: casal muda de vida no Vale do Jequitinhonha

    Da medicina para apicultura: casal muda de vida no Vale do Jequitinhonha

    Gilberto Souza trocou a indústria de equipamentos médicos pela apicultura em 2018. O produtor rural de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, conheceu as abelhas Apis mellifera através de um cunhado apicultor e decidiu investir no setor. Hoje, ao lado da esposa Natália Lacerda Magalhães, ele produz uma tonelada de mel por ano.

    Foto: Emater-MG

    “Fui me identificando com o ramo e decidi montar o apiário junto com meu cunhado. Eu e Natália fizemos diversos cursos sobre manejo das abelhas e extração do mel. A nossa vontade era sempre melhorar”, conta Gilberto.

    Do começo artesanal à profissionalização

    O casal enfrentou dificuldades no início. A produção artesanal gerava baixo retorno financeiro e não cobria os investimentos. Para manter a atividade, Gilberto voltou ao setor industrial enquanto Natália cuidava do apiário.

    A virada aconteceu em 2024. Gilberto se aposentou e retornou à apicultura com todo o conhecimento adquirido em cursos e sua experiência administrativa na indústria. Ele encerrou a sociedade com o cunhado e formou parceria exclusiva com Natália.

    Certificações garantem qualidade e abrem mercados

    O casal reformou um pequeno espaço na fazenda Córrego Seco e criou a Taia e Gil Apicultura. A busca por qualidade levou os produtores a investir em certificações e manejo sustentável.

    “Enfrentamos muitas dificuldades, mas não desistimos. Cumprimos todas as exigências do Consórcio Intermunicipal e Multifinalitário do Baixo Jequitinhonha (Cimbaje). Com minha formação em Processos Químicos, assumi a responsabilidade técnica da empresa”, explica Gilberto.

    A Taia e Gil Apicultura conquistou a certificação de extensão do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e aguarda o certificado do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi).

    A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) auxiliou o casal no cadastramento no Cadastro Nacional de Agricultura Familiar (CAF) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    Vendas crescem com demanda por alimentos saudáveis

    A busca por alimentos saudáveis e sem aditivos químicos impulsiona o crescimento da apicultura. Gilberto e Natália comercializam mel, extrato de própolis e hidromel em lojas especializadas e nas redes sociais.

    Foto: Emater-MG

    “Aguardamos visita técnica para vender pela plataforma ÉdoCampo, da Emater-MG, e negociamos participação na feira mensal da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte”, revela o produtor.

    Propriedade vira referência para novos apicultores

    A persistência do casal chamou a atenção dos extensionistas da Emater-MG. Miguel Ferreira Morais e Gilson Rodrigues escolheram a propriedade para treinar jovens apicultores do programa Futuro no Campo.

    “A iniciativa reforça o compromisso da Emater-MG em capacitar novas gerações, promover a sucessão rural e fortalecer a apicultura como atividade econômica sustentável e de alta qualidade em Minas Gerais”, afirma Miguel Ferreira.

    A trajetória da Taia e Gil Apicultura mostra que dedicação, capacitação técnica e apoio institucional transformam desafios em oportunidades no campo.

  • Produção de mel cresce e impulsiona renda de agricultores familiares

    Produção de mel cresce e impulsiona renda de agricultores familiares

    A apicultura vem ganhando espaço no município de Carlinda, no norte de Mato Grosso, onde famílias da agricultura familiar estão descobrindo no mel uma fonte de renda sustentável e uma aliada da conservação ambiental. Em uma região já conhecida pela pecuária leiteira e fruticultura, a produção de mel vem se consolidando como nova frente econômica e fortalecendo o campo com mais oportunidades.

    Foto: Seaf/Empaer

    Nos últimos anos, o avanço da atividade tem sido impulsionado por investimentos e pelo acompanhamento técnico que ajudam produtores a aprimorar suas práticas. Apenas em Carlinda, a agricultura familiar recebeu R$ 3,8 milhões entre 2019 e 2025 em equipamentos, insumos e maquinários. Parte desse investimento foi destinada à apicultura. Com a entrega de 6 mil caixas de abelha e mil kits completos de apicultor. Cada kit contém traje, luvas, formão, botas e fumegador, para pequenos produtores em todo o estado.

    Segundo o extensionista da Empaer, Antônio Carlos Carneiro, a chegada dos equipamentos transformou a atividade local. “A apicultura está ganhando força na região. Conseguimos organizar um grupo de produtores, unir famílias e estimular trocas de conhecimento. Hoje, já são 35 apicultores no município, com 180 caixas distribuídas e produção crescente”, afirma.

    Parceria

    A extensionista Viviane Saches Passos ressalta que a parceria entre a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e a Empaer fortalece a cadeia produtiva. “As políticas públicas da Seaf, somadas à assistência técnica da Empaer, estão gerando resultados concretos. Pequenos apicultores, como o senhor Valdete, passaram a comercializar o mel de forma estruturada e ampliar a renda”, explica.

    Foto: Seaf/Empaer

    Exemplo disso é o Sítio Salmos 24, onde o produtor Valdete Pimenta Lopes e sua esposa, Ângela Maria Rodrigues da Silva, fizeram da apicultura mais do que uma profissão, mas um novo modo de vida. Com dois apiários e 60 colmeias espalhadas em 45 hectares, o casal produz mel de qualidade, em meio a áreas de mata nativa e frutíferas. “O mel trouxe renda e satisfação. Aprendemos muito com o acompanhamento técnico e hoje conseguimos investir mais na produção”, conta o produtor.

    A expansão da apicultura em Mato Grosso reforça um modelo produtivo de baixo impacto ambiental, que incentiva a polinização e contribui para o equilíbrio ecológico. Além de gerar renda no campo, o mel vem se firmando como símbolo de um futuro mais sustentável para centenas de famílias da agricultura familiar no estado.

  • Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    A apicultura vem se consolidando como uma alternativa sustentável de renda para agricultores familiares no município de Couto Magalhães de Minas e em outras comunidades do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. O avanço é resultado do projeto “Produção de Mel e Própolis Verde no Alto Jequitinhonha”. Desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado (Emater-MG), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Codevasf e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto).

    O projeto tem transformado a realidade local. Desde 2015, cerca de 100 apicultores da região foram beneficiados com assistência técnica, equipamentos e capacitações voltadas ao fortalecimento da atividade. Segundo o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o apoio foi essencial para superar desafios como a falta de recursos e as dificuldades na comercialização do mel e da própolis. “A parceria tem gerado emprego, renda e valorização dos produtos locais”, destaca.

    Geografia propícia

    De acordo com o extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, as condições geográficas da região são ideais para a criação de abelhas e a qualidade da produção. “O aproveitamento da florada nativa e a diversificação da produção têm garantido um mel de alto valor agregado, com sabor e aroma únicos, representando a biodiversidade local”, afirma.

    Na atividade há mais de 10 anos, o presidente da Apicouto, André Marcos da Silva, reforça os resultados positivos. A associação, que hoje reúne 20 produtores e mais de 400 colmeias de abelhas africanizadas, é responsável pelo beneficiamento e pela comercialização dos produtos. “A capacitação reduziu o desperdício, aumentou a qualidade e abriu novos mercados, especialmente nas feiras da região”, comenta.

    Outro beneficiado é Osvaldo Aparecido de Meira, do Apiário Paineira. Ele relata que o apoio recebido permitiu dar continuidade ao negócio. “A doação de equipamentos veio em boa hora e ajudou muito a manter a atividade”, afirma.

    Sustentabilidade e fortalecimento da economia local

    Além de promover geração de renda, o projeto também incentiva práticas sustentáveis no campo. As ações da Emater-MG incluem manejo orgânico, preservação da vegetação nativa e diversificação de floradas, fortalecendo a atividade apícola e a agricultura familiar.

    O secretário Assis Antônio reforça que o trabalho em parceria consolida a apicultura como um dos setores mais promissores da economia local. “A união entre Emater, prefeitura, Senar, Codevasf e Apicouto é essencial para garantir continuidade, apoio técnico e segurança aos produtores”, ressalta.

  • Paraná consolida liderança na produção de mel

    Paraná consolida liderança na produção de mel

    O 19º Seminário Paranaense de Meliponicultura, realizado no último fim de semana em Prudentópolis, tornou-se um termômetro do crescimento explosivo do setor no estado. Com mais de 500 participantes, o evento superou expectativas. E evidenciou a meliponicultora, criação de abelhas nativas sem ferrão, como uma lucrativa frente de negócios no agronegócio paranaense.

    O seminário, o primeiro na cidade desde 2018, contou com palestras e oficinas que focaram na geração de renda, sustentabilidade e equilíbrio ambiental. A organização foi da Câmara Técnica do setor, que reúne associações de produtores, universidades e entidades públicas como o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná).

    Ouro líquido: o valor estratégico do mel sem ferrão

    Diferente da apicultura tradicional (com abelhas com ferrão do gênero Apis), a meliponicultura produz um mel mais raro e valorizado. Embora a produção por enxame seja menor (de 0,5 kg a 3 kg, contra uma média de 25 kg da Apis), o preço no mercado é significativamente maior.

    De acordo com extensionistas do IDR-Paraná, o mel das abelhas sem ferrão pode ser comercializado pelo produtor a preços entre R$ 70 e R$ 150 o quilo. Em comparação, o mel da abelha comum (Apis) chega à indústria em torno de R$ 10 o quilo. Esse valor agregado, somado aos menores custos de manejo, transforma a atividade em uma poderosa fonte de renda complementar para a agricultura familiar.

    “Os temas abordados foram ótimos, cumprindo os objetivos de transmitir conhecimentos sobre a promoção e geração de renda. O feedback foi muito positivo”, afirmou Marlon Tiago Hladczuk, extensionista do IDR-Paraná.

    Paraná: líder nacional na produção de mel

    O fortalecimento da meliponicultura ocorre em um momento em que o Paraná se consolida como potência no mercado do mel. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, compilados pelo Deral/Seab, mostram que o estado assumiu a liderança na produção nacional em 2024, com 9,82 mil toneladas. O equivalente a 14,6% da produção brasileira.

    Na esteira do sucesso, o estado também é o terceiro maior exportador do produto em 2025, com 5,57 mil toneladas vendidas ao exterior, gerando uma receita de US$ 18,64 milhões. Os Estados Unidos são o principal destino, absorvendo 82,5% do mel exportado pelo Paraná.