Tag: Agricultura de Precisão

  • Lavoura: como calibrar um pulverizador agrícola

    Lavoura: como calibrar um pulverizador agrícola

    A eficiência de uma pulverização não depende apenas do produto utilizado. O desempenho do equipamento também pesa, e muito, no resultado final. Um pulverizador agrícola desregulado pode provocar falhas na cobertura das plantas, aumentar o desperdício de defensivos e comprometer o controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

    É justamente por isso que a calibração faz parte da rotina das propriedades mais tecnificadas. O procedimento ajusta o equipamento para que ele aplique a quantidade de calda prevista pelo agrônomo, com uniformidade e dentro das condições recomendadas para cada cultura.

    Embora muitos produtores associem a calibração a equipamentos sofisticados, ela também é indispensável em pulverizadores costais e máquinas de menor porte.

    O que significa calibrar um pulverizador?

    Calibrar um pulverizador é ajustar todos os componentes responsáveis pela aplicação para que o volume distribuído na lavoura corresponda ao planejado.

    Na prática, isso envolve verificar a vazão dos bicos, regular a pressão de trabalho, conferir a velocidade de deslocamento da máquina e observar a altura correta da barra de pulverização.

    Quando um desses fatores está fora do padrão, a aplicação perde eficiência. Em alguns pontos da área, o produto pode ser aplicado em excesso. Em outros, a cobertura pode não ser suficiente para controlar o problema.

    Por que a calibração é importante?

    Uma regulagem adequada reduz desperdícios e melhora o aproveitamento dos defensivos agrícolas, que representam uma parcela significativa do custo de produção.

    Além da economia, a calibração ajuda a diminuir riscos de deriva, evita sobreposição de aplicações e contribui para uma cobertura mais uniforme das plantas.

    O resultado costuma aparecer não apenas na qualidade do manejo, mas também no bolso do produtor.

    Quando fazer a calibração?

    A recomendação é nunca iniciar uma pulverização sem conferir o equipamento.

    Sempre que houver troca de bicos, alteração na pressão de trabalho, mudança de velocidade, substituição da bomba ou manutenção no sistema hidráulico, uma nova calibração deve ser realizada.

    Também vale repetir o procedimento quando o pulverizador permanecer parado por longos períodos ou antes do início de uma nova safra.

    O que deve ser conferido antes da aplicação?

    Homem trabalhando com pulverizador agrícola
    Foto: Embrapa/Ronaldo Rosa

    Antes de levar a máquina para o campo, alguns itens merecem atenção especial.

    Verifique se existem bicos desgastados ou entupidos, observe possíveis vazamentos em mangueiras e conexões, confira a limpeza dos filtros e certifique-se de que a pressão indicada no manômetro corresponde à regulagem prevista para o trabalho.

    Também é importante avaliar o estado da barra de pulverização. Barras desniveladas ou com folgas podem comprometer a distribuição da calda.

    O clima também interfere na pulverização

    Mesmo um equipamento perfeitamente regulado pode apresentar baixo desempenho quando as condições climáticas não são favoráveis.

    Ventos fortes aumentam o risco de deriva. Temperaturas elevadas aceleram a evaporação das gotas. Já a baixa umidade reduz a eficiência da aplicação.

    Por isso, técnicos costumam recomendar que a pulverização seja realizada nos horários mais amenos do dia, sempre respeitando as orientações técnicas para cada cultura.

    Os erros mais comuns durante a calibração

    Pulverizador agrícola em ação em plnatação de pêssegos
    Foto: Embrapa/Paulo Lanzetta

    Algumas falhas aparecem com frequência no campo e acabam reduzindo a eficiência da operação.

    Uma delas é utilizar bicos com desgaste acima do recomendado. Como a vazão aumenta ao longo do tempo, o equipamento passa a aplicar mais produto do que o previsto, elevando o custo da operação.

    Outro erro recorrente é aumentar a velocidade da máquina para ganhar produtividade sem corrigir os demais parâmetros da pulverização. A consequência costuma ser uma cobertura irregular das plantas.

    Também é comum encontrar produtores que deixam de conferir a pressão de trabalho ou utilizam bicos diferentes na mesma barra, situação que compromete a uniformidade da aplicação.

    A tecnologia facilita o processo

    Os pulverizadores mais modernos contam com recursos que simplificam a calibração.

    Controladores eletrônicos ajustam automaticamente a vazão durante o deslocamento da máquina. Sensores monitoram a altura da barra em tempo real e sistemas de agricultura de precisão registram todas as informações da operação.

    Mesmo assim, esses equipamentos continuam dependendo de inspeções periódicas e manutenção preventiva para entregar o desempenho esperado.

    Calibrar custa pouco e pode evitar grandes prejuízos

    Em muitas propriedades, a calibração leva menos de uma hora. Ainda assim, o procedimento costuma ser um dos que oferecem maior retorno ao produtor.

    Uma aplicação bem regulada reduz desperdícios, melhora o controle fitossanitário e aumenta a eficiência dos produtos utilizados na lavoura.

    No fim da safra, essa diferença pode representar economia de insumos, menor necessidade de reaplicações e uma produção mais eficiente.

  • Pulverizador agrícola: como escolher o equipamento certo?

    Pulverizador agrícola: como escolher o equipamento certo?

    Quem passa por uma grande lavoura costuma reparar primeiro no tamanho das máquinas. Entre elas, o pulverizador chama atenção pelas barras que, abertas, podem ultrapassar a largura de uma quadra esportiva. Mas a importância desse equipamento vai muito além da aparência. É dele que depende boa parte da eficiência das aplicações realizadas ao longo da safra.

    Na prática, uma pulverização mal executada pode significar desperdício de defensivos, aumento dos custos e menor controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Já um equipamento bem dimensionado para a realidade da propriedade ajuda a distribuir o produto de forma uniforme e melhora o aproveitamento de cada litro aplicado.

    Por isso, a escolha do pulverizador deixou de ser apenas uma decisão sobre máquinas. Hoje, ela faz parte do planejamento técnico e financeiro da fazenda.

    O que faz um pulverizador agrícola?

    O pulverizador é responsável por aplicar produtos líquidos nas lavouras, como defensivos agrícolas, fertilizantes foliares, bioinsumos e, em algumas culturas, reguladores de crescimento.

    O objetivo é simples: fazer com que o produto alcance o alvo na quantidade correta. Parece uma tarefa básica, mas pequenos erros de regulagem ou de operação podem comprometer toda a aplicação.

    Não basta colocar a calda no tanque e seguir para o campo. Pressão, velocidade, tipo de bico, altura da barra e até as condições climáticas interferem no resultado.

    Cada propriedade pede um equipamento diferente

    Não existe um pulverizador ideal para todas as fazendas. O modelo que funciona em uma pequena propriedade dificilmente será a melhor escolha para uma área com milhares de hectares.

    Pulverizador agrícola acoplado ao trator
    Foto: Embrapa/Christiane Congro Comas

    Os pulverizadores costais continuam bastante presentes na horticultura, na fruticultura e em pequenas lavouras. São equipamentos simples, de baixo custo e fáceis de transportar, embora tenham rendimento limitado.

    Nas culturas de grãos, o cenário muda completamente. O pulverizador de barra domina as operações por oferecer maior capacidade de trabalho e uma distribuição mais uniforme da calda. Dependendo da necessidade, ele pode ser montado no trator ou operar em sistema de arrasto.

    Já nas grandes propriedades, os autopropelidos passaram a ocupar espaço cada vez maior. Eles trabalham em alta velocidade, cobrem grandes áreas diariamente e costumam sair de fábrica equipados com piloto automático, controle eletrônico de vazão, desligamento automático de seções e integração com plataformas de agricultura de precisão.

    Nos últimos anos, outro equipamento entrou definitivamente nessa lista: o drone pulverizador. Ele ganhou espaço principalmente em áreas inclinadas, cultivos perenes e locais onde a passagem de máquinas pode causar danos às plantas. Ainda assim, na maior parte das lavouras de grãos, atua como complemento aos pulverizadores convencionais.

    Quanto custa investir em um pulverizador?

    O preço varia bastante conforme o porte do equipamento e o nível de tecnologia embarcada.

    Pulverizador agrícola de costas em propriedade rural
    Foto: Embrapa/Eliana Lima

    Um pulverizador costal manual pode ser encontrado por menos de R$ 200. Já um modelo motorizado costuma custar entre R$ 1.200 e R$ 4 mil.

    Os pulverizadores de barra montados em tratores normalmente variam entre R$ 12 mil e R$ 60 mil. Os modelos de arrasto podem superar R$ 250 mil, dependendo da capacidade e dos opcionais.

    Os drones agrícolas destinados à pulverização aparecem em uma faixa intermediária. Hoje, equipamentos profissionais custam, em média, entre R$ 70 mil e R$ 350 mil.

    No topo da lista estão os autopropelidos. Máquinas com grande capacidade operacional e tecnologias de agricultura de precisão ultrapassam facilmente R$ 2 milhões, podendo chegar perto de R$ 2,5 milhões nas versões mais completas.

    Esses valores são apenas uma referência e variam conforme fabricante, capacidade do tanque, largura das barras, recursos eletrônicos e condições comerciais.

    O investimento vai além da compra

    Quem olha apenas para o preço da máquina pode acabar fazendo uma conta incompleta.

    Pulverizador Agrícola em vinhedo
    Foto: Embrapa/Renato Teodoro de Souza

    Todo pulverizador exige manutenção periódica. Bicos sofrem desgaste, filtros precisam de limpeza, mangueiras envelhecem e bombas trabalham sob grande esforço durante a safra.

    Somam-se a isso despesas com combustível, lubrificantes, pneus — quando aplicável — e revisões preventivas. Técnicos do setor costumam estimar que esses gastos representem algo entre 2% e 5% do valor do equipamento por ano, embora esse percentual varie conforme a intensidade de uso.

    Ignorar essas despesas geralmente sai mais caro do que manter a manutenção em dia.

    Tecnologia ajuda, mas não faz milagres

    Os fabricantes investiram pesado em eletrônica embarcada nos últimos anos. GPS, sensores, mapas de aplicação e controladores eletrônicos passaram a fazer parte da rotina de muitas fazendas.

    Esses recursos reduzem sobreposições, evitam falhas e ajudam a economizar produtos. Em algumas situações, sensores identificam plantas daninhas e liberam herbicidas apenas onde existe necessidade.

    Mesmo assim, nenhuma tecnologia compensa uma regulagem mal feita.

    Velocidade excessiva, pressão inadequada, bicos desgastados ou aplicações realizadas sob vento forte continuam entre as principais causas de perdas no campo.

    Pequenos cuidados fazem diferença

    Antes de iniciar qualquer operação, vale conferir se o pulverizador está calibrado.

    Também é importante inspecionar os bicos, limpar filtros, verificar possíveis vazamentos e acompanhar a previsão do tempo. Aplicar produtos durante períodos de calor intenso ou baixa umidade aumenta o risco de deriva e reduz a eficiência da pulverização.

    São medidas simples, mas que costumam fazer diferença no bolso do produtor.

    Como escolher o equipamento certo

    A decisão deve levar em conta muito mais do que o preço.

    Área cultivada, relevo, culturas produzidas, disponibilidade de assistência técnica, custo das peças e capacidade diária de trabalho precisam entrar na conta.

    Em algumas propriedades, um equipamento seminovo pode atender perfeitamente à demanda. Em outras, investir em uma máquina mais moderna reduz desperdícios suficientes para compensar o valor desembolsado ao longo dos anos.

    No fim das contas, o melhor pulverizador não é o mais caro nem o mais tecnológico. É aquele que entrega uma aplicação eficiente, cabe no orçamento da fazenda e acompanha o ritmo da produção sem comprometer a rentabilidade da safra.

  • Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    As mudanças climáticas têm alterado de forma significativa a rotina no campo. Secas prolongadas, chuvas irregulares e variações bruscas de temperatura impactam diretamente o planejamento das safras. Diante desse cenário, cresce o uso de máquinas inteligentes e tecnologias embarcadas para apoiar o produtor rural.

    Essas soluções já fazem parte da chamada agricultura de precisão. Elas permitem maior controle das operações, uso mais eficiente de insumos e tomada de decisão mais rápida. Como resultado, o produtor consegue reduzir perdas e melhorar o desempenho das lavouras mesmo em condições adversas.

    Além disso, a conectividade no campo amplia a capacidade de monitoramento em tempo real. Isso facilita o ajuste das operações conforme o clima muda ao longo do ciclo produtivo.

    Tecnologia amplia eficiência e reduz desperdícios

    Entre as principais ferramentas utilizadas estão piloto automático, telemetria, monitoramento remoto, controle de seções e aplicação em taxa variável. Esses recursos ajudam a adequar o manejo às características de cada área da propriedade.

    Com isso, há redução de sobreposição de insumos e menor desperdício de sementes, fertilizantes e defensivos. Ao mesmo tempo, o produtor ganha precisão nas operações e melhora o aproveitamento dos recursos disponíveis.

    Outro ponto relevante é a geração de dados pelas máquinas conectadas. Essas informações permitem analisar o desempenho das operações e planejar as próximas safras com mais segurança.

    De acordo com Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, a tecnologia tem papel direto na adaptação da agricultura às mudanças climáticas.

    “As tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas permitem transformar dados em inteligência, ajudando a otimizar recursos, aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos ao longo do ciclo produtivo”, afirma.

    Agricultura de precisão fortalece resiliência no campo

    Segundo o especialista, o uso dessas ferramentas já se tornou estratégico para o setor. A combinação entre automação, conectividade e análise de dados amplia a capacidade de resposta do produtor diante das variações do clima.

    “Quando utilizamos recursos como aplicação em taxa variável, piloto automático e monitoramento remoto, conseguimos produzir de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e aproveitando melhor cada janela de operação. Isso contribui não apenas para a rentabilidade do produtor, mas também para uma agricultura mais resiliente diante das mudanças climáticas”, destaca.

    A Massey Ferguson tem ampliado seu portfólio de soluções digitais para apoiar a gestão das propriedades rurais. A integração entre máquinas e plataformas de monitoramento permite uma visão mais completa da operação.

    Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões mais estratégicas ao longo do ciclo produtivo. Além disso, melhora a eficiência operacional e reduz riscos associados ao clima.

    “A tecnologia é uma das principais aliadas da agricultura para enfrentar os desafios do presente e do futuro. Quanto mais informações o produtor tiver sobre sua operação, maior será sua capacidade de se adaptar às condições climáticas, preservar recursos e manter altos níveis de produtividade”, conclui Zanetti.

  • Modernização do agro exige mais investimentos em capacitação

    Modernização do agro exige mais investimentos em capacitação

    O agronegócio brasileiro passa por uma transformação tecnológica acelerada. Ferramentas de inteligência artificial, plataformas de gestão integradas, sensores remotos e máquinas autônomas ganham espaço nas propriedades rurais. Ao mesmo tempo, soluções de agricultura de precisão ampliam a eficiência das operações e ajudam a elevar a produtividade no campo.

    Apesar desse avanço, a formação dos profissionais não acompanha a mesma velocidade. Empresas e especialistas apontam a qualificação da mão de obra como um dos principais desafios para sustentar a modernização do setor nos próximos anos.

    Embora o agro seja reconhecido pela capacidade de incorporar inovação, os investimentos em treinamento ainda permanecem abaixo do necessário para atender às novas demandas do mercado. A diferença fica evidente quando os números brasileiros são comparados aos de países que lideram o desenvolvimento tecnológico.

    Investimento em treinamento segue abaixo do necessário

    Dados do levantamento Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, elaborado pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), mostram que as empresas brasileiras investem, em média, R$ 1.199 por colaborador ao ano em capacitação. Nos Estados Unidos, o investimento médio chega a R$ 6.690 por profissional.

    A comparação revela outro aspecto importante. As empresas brasileiras oferecem, em média, 26 horas anuais de treinamento por colaborador. Já as norte-americanas registram 21 horas. Para especialistas, a diferença indica que o problema não está apenas no tempo dedicado à capacitação, mas também na profundidade técnica dos conteúdos oferecidos.

    Segundo Diogo Luchiari, sócio e vice-presidente de Atendimento e Operações da Macfor, muitas empresas ainda adotam modelos de treinamento que priorizam o cumprimento de exigências internas em vez do desenvolvimento efetivo dos profissionais.

    “Quando cruzamos o volume de horas com o investimento realizado, percebemos que estamos falando de uma capacitação mais extensa no tempo, mas com menor densidade técnica. É um modelo que muitas vezes cumpre uma obrigação formal, sem necessariamente ampliar a capacidade prática do profissional”, afirma.

    Mercado amplia disputa por profissionais especializados

    A digitalização das atividades rurais elevou o nível de exigência das empresas. Hoje, o mercado busca profissionais capazes de trabalhar com análise de dados, inteligência artificial, monitoramento remoto, automação e sistemas digitais de gestão.

    Essa mudança intensificou a concorrência por mão de obra qualificada. Profissionais que dominam essas competências não despertam interesse apenas do agronegócio. Empresas de tecnologia, fintechs, agtechs, tradings internacionais e grandes corporações também disputam esses talentos.

    “O modelo funcionou durante muito tempo porque havia pouca concorrência pelos mesmos talentos. Hoje, esse cenário mudou. Empresas de diferentes segmentos disputam profissionais especializados e oferecem condições bastante competitivas”, explica Luchiari.

    Os efeitos já aparecem nos processos seletivos. Vagas ligadas à inovação e à transformação digital permanecem abertas por mais tempo. Além disso, muitas empresas encontram dificuldades para contratar profissionais com conhecimentos em tecnologias emergentes.

    Formação precisa ganhar espaço nas estratégias empresariais

    Historicamente, instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), cooperativas, centros de pesquisa e universidades públicas sustentaram grande parte da formação técnica voltada ao agronegócio. Esse modelo contribuiu para o desenvolvimento da mão de obra que impulsionou o crescimento do setor nas últimas décadas.

    Entretanto, a velocidade das mudanças tecnológicas exige uma participação mais ativa das empresas no processo de qualificação. Novas competências surgem constantemente e reduzem o tempo disponível para adaptação dos profissionais.

    “Muitas empresas terceirizaram historicamente a formação para entidades especializadas. Mas quando surge uma demanda por competências novas, ligadas à inteligência artificial ou análise avançada de dados, o ritmo de formação nem sempre acompanha a velocidade exigida pelo mercado”, afirma o executivo.

    Outro indicador reforça essa preocupação. Pesquisa da FESA Group, divulgada em dezembro de 2025, apontou que apenas 15% dos executivos de empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão consideram a capacitação uma prioridade equivalente à remuneração competitiva.

    Para especialistas, o dado mostra que muitas organizações ainda não tratam o desenvolvimento de pessoas como uma prioridade estratégica. Essa realidade contrasta com o avanço tecnológico observado no campo e pode limitar o potencial de crescimento das empresas.

    Pessoas serão determinantes para o futuro do campo

    Nos próximos anos, tecnologias como inteligência artificial preditiva, biotecnologia de precisão, plataformas integradas e sistemas autônomos devem ganhar ainda mais espaço nas operações agrícolas.

    Porém, as empresas só conseguirão aproveitar todo o potencial dessas ferramentas se contarem com profissionais preparados para utilizá-las de forma eficiente. Sem qualificação adequada, os investimentos em tecnologia tendem a gerar resultados abaixo do esperado.

    Nesse cenário, formar, desenvolver e reter talentos passa a ser um diferencial competitivo tão importante quanto investir em máquinas, equipamentos e insumos.

    “A capacitação precisa deixar de ser vista como uma despesa acessória e passar a integrar o núcleo dos investimentos operacionais. Assim como as empresas tratam defensivos, fertilizantes, maquinário e combustível como itens essenciais para a produtividade, elas também precisam incluir o desenvolvimento de pessoas entre as prioridades estratégicas”, conclui Luchiari.

  • Plataforma FieldView ganha velocidade e integração operacional

    Plataforma FieldView ganha velocidade e integração operacional

    A Bayer apresentou, na 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), avanços na plataforma FieldView. A principal novidade é o novo hardware FieldView Drive 2.0. O dispositivo promete transferência de dados até 12 vezes mais rápida. A tecnologia amplia a integração com máquinas agrícolas e reforça a tomada de decisão no campo.

    No centro da estratégia está o FieldView, assistente digital que reúne dados de campo, imagens de satélite e mapas de produtividade. Além disso, a plataforma organiza informações por talhão. Com isso, o produtor ganha mais controle sobre as operações. O novo Drive 2.0 será acoplado ao maquinário. Dessa forma, coleta e envia dados automaticamente para o aplicativo.

    “Esse assistente digital da Bayer reúne dados de campo, imagens de satélite, previsões por talhão, mapas e ferramentas de análise de produtividade em uma plataforma simples e segura. A solução ajuda o agricultor a transformar dados em inteligência para a tomada de decisão ao longo da safra. Hoje, temos 31 milhões de hectares conectados ao FieldView. E dados de campo indicam que as propriedades que utilizam essa gestão digital apresentaram médias de produtividade 30% superiores no milho e 20% na soja em comparação com a média nacional da Conab”, afirma Abdalah Novaes, líder de Soluções Agrícolas Digitais da Bayer para a América Latina.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Integração com máquinas e ganhos operacionais

    A Bayer também ampliou a integração com fabricantes de máquinas agrícolas. A conexão permite enviar prescrições agronômicas diretamente aos equipamentos. Assim, elimina-se o uso de dispositivos físicos, como pen drives. Além disso, o processo reduz falhas operacionais.

    Entre as parcerias, está a John Deere. A tecnologia permite transferência sem fio de dados para o centro de operações das máquinas. Dessa maneira, o produtor ganha agilidade e precisão. A funcionalidade também facilita a importação de prescrições do Bayer Valora Milho.

    No campo das recomendações agronômicas, a empresa amplia soluções baseadas em dados. O Bayer Valora Milho já soma mais de 650 mil hectares inscritos para a safrinha 2026. Nesse contexto, produtores registraram ganhos médios de cinco sacas por hectare. A ferramenta orienta decisões sobre híbridos, sementes e nitrogênio.

    Outra solução é o FieldView Advisor. A ferramenta apresenta retorno positivo em cerca de 70% dos casos na soja. Além disso, compara variedades e gera recomendações personalizadas. O objetivo é otimizar o desempenho por talhão.

    O Bayer Directo Nematoide também integra o portfólio. A tecnologia permite aplicação localizada de nematicidas. Com isso, aumenta a eficiência no controle de pragas. Ao mesmo tempo, reduz o uso de insumos. Atualmente, cerca de 40% das áreas de soja no Brasil apresentam risco de danos econômicos por nematoides.

    Sustentabilidade e digitalização

    A estratégia digital também sustenta iniciativas ambientais. A plataforma PRO Carbono reúne mais de 3,1 milhões de hectares na América Latina. Além disso, envolve cerca de três mil agricultores. Segundo a Bayer, há aumento médio de 9% na estabilidade produtiva. A produtividade anual cresce, em média, 11%.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Por outro lado, a pegada de carbono diminui de forma relevante. A redução pode chegar a 50% na soja e 55% no milho. Esses dados consideram comparação com a média nacional.

    Outra frente é o Barter+. A solução utiliza dados históricos de produtividade. Dessa forma, apoia negociações de insumos. Além disso, amplia o poder de troca do produtor.

    De acordo com Abdalah Novaes, o desenvolvimento regional é um diferencial. “Nosso trabalho com o produtor começa a partir do mapeamento detalhado de necessidades e oportunidades, passa pelo desenvolvimento de planos de digitalização personalizados e segue com suporte contínuo de especialistas e capacitação das equipes das fazendas. É assim que garantimos agilidade na resposta às mudanças do setor e fazemos com que a tecnologia se converta em resultado real”, afirma.

  • IA multiagente amplia operação no campo com robôs autônomos

    IA multiagente amplia operação no campo com robôs autônomos

    A Solinftec apresentou, durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), uma nova etapa de sua estratégia em robótica agrícola ao lançar uma família de robôs autônomos e uma arquitetura de inteligência artificial multiagente. Léo Carvalho (CGSO), Denis Arroyo Alves (vice-presidente global) e Emerson Crepaldi (COO) conduziram a apresentação, enquanto Henrique Nomura (CTO), Bruno Pavão (CCO) e Murilo Toneta (diretor financeiro) participaram da sessão de perguntas e respostas. Com isso, a empresa avança na aplicação da chamada inteligência artificial física, na qual sistemas analisam dados e executam decisões diretamente no campo.

    Inicialmente, a companhia consolidou o modelo Solix X1 como base de sua operação autônoma. Agora, amplia o portfólio com os modelos Solix XT e Solix XC. Dessa forma, passa a estruturar uma operação com múltiplos robôs, capazes de ampliar cobertura e reduzir gargalos operacionais. Segundo Léo Carvalho, “essa nova geração representa a escala, pois a autonomia deixa de ser solução e passa a ser infraestrutura do campo”.

    O Solix XT atua de forma contínua ao longo do ciclo produtivo. Além disso, prioriza frequência e consistência nas operações. O equipamento pode operar por até 50 horas e cobrir até 500 hectares, sobretudo em culturas como a cana-de-açúcar. Por outro lado, o Solix XC foca velocidade e intensidade. Nesse sentido, alcança autonomia de até 70 horas e cobertura de até 1.000 hectares por ciclo, com aplicação em culturas como soja, milho e algodão.

    Ao combinar os dois modelos, a empresa cria uma lógica operacional complementar. Enquanto o XT mantém o campo sob monitoramento contínuo, o XC responde a demandas de execução rápida em grandes áreas. Assim, o sistema reduz a dependência de operações manuais e aumenta a previsibilidade.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    IA multiagente leva decisão à execução no campo

    Além dos robôs, a empresa lançou a Alice IA Multiagente, que introduz uma nova camada de inteligência operacional. Diferentemente dos modelos tradicionais, a solução distribui funções entre agentes especializados. Dessa maneira, cada agente assume responsabilidades específicas e atua de forma coordenada.

    A tecnologia utiliza dados históricos e contexto operacional para transformar análises em ações práticas. Conforme destacou Denis Arroyo Alves, “não se trata mais apenas de analisar dados, mas de agir sobre eles”. Entre os agentes previstos, destacam-se os módulos de suporte, operação, clima, análise de dados, gestão de frotas e projeção espacial.

    Na prática, o sistema atua como um copiloto da operação agrícola. Ele monitora variáveis em tempo real, antecipa riscos e organiza prioridades. Além disso, adapta decisões conforme mudanças no cenário. Segundo Henrique Nomura, a principal mudança ocorre na transição de um modelo reativo para uma inteligência contínua e ativa.

    O Agente Operacional concentra parte relevante das funções. Ele prevê, planeja e otimiza atividades com base em dados agronômicos, históricos e logísticos. Entre as capacidades, estão a simulação de operações, a estimativa de insumos e a recomendação automática de parâmetros de máquinas.

    Além disso, os agentes atuam de forma integrada. Por exemplo, o sistema cruza dados climáticos, operacionais e espaciais para gerar recomendações mais precisas. Com isso, consegue ajustar operações conforme o clima, redistribuir máquinas e priorizar áreas com maior risco agronômico. Ao mesmo tempo, simula cenários antes da execução, o que reduz incertezas.

    Executivos da Solinftec durante perguntas e respostas na coletiva de imprensa – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Previsibilidade e eficiência operacional

    Com a arquitetura multiagente, a empresa busca substituir decisões reativas por planejamento antecipado. Assim, a operação semanal pode ser prevista, simulada e ajustada antes mesmo de começar. Durante a execução, o sistema realiza correções automáticas conforme as condições mudam.

    Outro avanço envolve a comunicação operacional. Em vez de depender de múltiplas etapas, o sistema envia decisões diretamente para operadores e equipamentos. Dessa forma, reduz o tempo de resposta e aumenta a eficiência.

    Por fim, a Solinftec projeta ganhos em eficiência operacional, melhor uso de insumos, redução de riscos e maior velocidade na tomada de decisão. Com isso, a empresa reforça a proposta de uma operação agrícola mais integrada, orientada por dados e com maior autonomia.

  • Trator que fala com operador eleva padrão de conectividade

    Trator que fala com operador eleva padrão de conectividade

    A Valtra colocou a conectividade no centro da estratégia ao apresentar, na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um trator com interface interativa capaz de “conversar” com o operador e entregar dados em tempo real sobre a operação. A novidade foi acompanhada pelo lançamento da nova geração da plantadeira Momentum, com modelos de 30 e 40 linhas, focada em ampliar a eficiência e reduzir o tempo de plantio. As informações foram detalhadas por Marcelo Traldi, vice-presidente Valtra e Fendt e gerente geral da AGCO América Latina, e Claudio Esteves, diretor comercial da marca.

    A combinação entre automação, monitoramento contínuo e redução de intervenções manuais posiciona a fabricante na disputa por produtividade em larga escala. Em um cenário de expansão da área cultivada e pressão por margens, a proposta é clara: fazer mais em menos tempo, com maior precisão.

    Plantadeira reduz paradas e amplia janela de plantio

    A nova geração da Momentum chega ao mercado com ajustes diretos no rendimento operacional. A eliminação de pontos de lubrificação reduz paradas para manutenção, enquanto a estrutura de transporte otimizada permite ganho de até uma hora diária na operação, variável crítica durante a janela de plantio.

    Outro avanço está nas três seções de corte de fertilizante, que diminuem a sobreposição nas cabeceiras, aumentam a uniformidade da aplicação e reduzem desperdícios. A medida impacta diretamente o custo por hectare, ponto sensível para o produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O tanque de fertilizante também foi redesenhado. A substituição do inox por polietileno elevou a capacidade em 15%, ao mesmo tempo em que reduziu o peso da máquina e simplificou a manutenção, combinação que melhora a eficiência sem comprometer a robustez.

    No controle de plantio, o sistema atua linha a linha e em tempo real. O monitor 20|20 Seed Sense oferece leitura completa da operação, enquanto o dosador vSet2 garante precisão na deposição das sementes. Já o vDrive ajusta automaticamente a dosagem, assegurando independência e uniformidade entre as linhas.

    Trator interativo reforça digitalização no campo

    O conceito do trator que “fala com o produtor” sintetiza o avanço da conectividade nas máquinas agrícolas. A tecnologia permite comunicação direta com o operador, geração de alertas operacionais e acompanhamento contínuo do desempenho.

    Na prática, o equipamento deixa de ser apenas executador e passa a atuar como ferramenta de gestão, apoiando decisões em tempo real e reduzindo falhas durante a operação. A tendência acompanha o movimento mais amplo de digitalização do campo, com integração crescente entre máquinas, dados e planejamento agrícola.

    Safra positiva pressiona por eficiência

    Os lançamentos ocorrem em um ambiente de expectativa positiva para o agronegócio. Mesmo com impactos climáticos recentes, a produção brasileira deve alcançar 353,4 milhões de toneladas, segundo a Conab — alta de 0,3% frente ao ciclo anterior.

    Foto: PH Lopes/Agro em Campo

    O cenário reforça a necessidade de ganho operacional dentro da porteira. Com custos elevados e margens pressionadas, a adoção de tecnologias que aumentem precisão, reduzam desperdícios e ampliem a capacidade de trabalho tende a se intensificar.

    Ao concentrar os anúncios na Agrishow, a Valtra reforça o posicionamento em inovação aplicada ao campo e sinaliza uma disputa cada vez mais centrada em eficiência operacional e inteligência embarcada.

  • Tecnologia integrada impulsiona eficiência no campo

    Tecnologia integrada impulsiona eficiência no campo

    A New Holland levou à Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um portfólio completo de soluções integradas voltado a diferentes perfis de produtores, com foco em produtividade, eficiência e sustentabilidade. Além disso, a apresentação foi conduzida por Adriano Becker, diretor de Tecnologia de Precisão; Eduardo Kerbauy, vice-presidente de Marketing para a América Latina; Flávio Mazetto, diretor de Produto e Portfólio; e Auri Orlando, diretor de Suporte ao Cliente e Concessionário, responsáveis por detalhar os investimentos em inovação, conectividade e nacionalização da produção.

    Segundo Eduardo Kerbauy, a estratégia da marca reforça o posicionamento como fornecedora full-liner. Nesse sentido, a empresa amplia o acesso a tecnologias capazes de impulsionar a produtividade com simplicidade operacional. Ao mesmo tempo, reforça a proximidade com o produtor rural.

    A empresa destacou a amplitude do portfólio, que abrange desde pulverização inteligente até colheitadeiras com inteligência artificial, além de tratores e soluções digitais integradas. Com isso, busca atender diferentes realidades no campo.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Pulverização inteligente e automação avançada

    A linha de pulverizadores Defensor foi um dos principais destaques, com modelos que variam de 30 a 4.000 litros. O Defensor 4000 incorpora o sistema SaveFarm, que utiliza inteligência artificial para aplicação seletiva, reduzindo o uso de herbicidas em até 90%. Além disso, a tecnologia permite maior precisão e economia de insumos.

    Adriano Becker ressaltou o papel da tecnologia de precisão. Segundo ele, a aplicação seletiva e os sistemas embarcados permitem decisões em tempo real, elevando a eficiência operacional. Dessa forma, o produtor ganha mais controle sobre a lavoura.

    A linha conta ainda com recursos como monitor Smart Fill, IntelliSpray II e sistema de recirculação. Ao mesmo tempo, a marca apresentou drones de aplicação, ampliando a versatilidade, principalmente em áreas de difícil acesso.

    Colheitadeiras com inteligência artificial

    Outro eixo central foi o portfólio de colheitadeiras, com destaque para a linha CR, equipada com automação baseada em inteligência artificial. O sistema IntelliSense ajusta automaticamente os parâmetros da máquina. Com isso, otimiza o desempenho e reduz perdas durante a colheita.

    Flávio Mazetto destacou a evolução tecnológica. De acordo com ele, as máquinas são capazes de tomar decisões operacionais de forma autônoma. Assim, aumentam a eficiência e reduzem custos.

    A marca também enfatizou a oferta de três sistemas de debulha distintos, com as linhas TC, TX e CR. Dessa forma, atende diferentes perfis de produtores e culturas.

    Produção nacional e investimento estratégico

    Um dos anúncios mais relevantes foi o investimento superior a R$ 100 milhões para nacionalizar a produção das plataformas Draper FD2. Com isso, a fabricação será realizada em Curitiba (PR), atendendo toda a América Latina.

    A iniciativa busca reduzir prazos de entrega e ampliar a disponibilidade de peças. Além disso, fortalece o suporte técnico ao produtor. Segundo Kerbauy, a produção local melhora a eficiência operacional no campo.

    Conectividade e suporte ao produtor

    A conectividade foi apresentada como elemento central da estratégia. As máquinas contam com telemetria embarcada e diferentes opções de conexão. Assim, o produtor pode monitorar a operação em tempo real.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Auri Orlando destacou o impacto no pós-venda. Segundo ele, a integração entre tecnologia e suporte aumenta a disponibilidade das máquinas. Ao mesmo tempo, melhora a experiência do cliente.

    Tratores e soluções sustentáveis

    A marca também apresentou sua linha renovada de tratores. Entre os destaques está o T6.180 Methane Power, movido a biometano. Com isso, reduz significativamente as emissões de poluentes.

    Outro ponto de atenção foi o conceito T5.120 “Il Trattore”. Por fim, o modelo reforça a conexão entre tradição e inovação no desenvolvimento de máquinas agrícolas.

    Encaminhamentos

    A participação na Agrishow reforça a estratégia da New Holland de ampliar sua presença no mercado latino-americano. Dessa forma, a empresa aposta em tecnologia, produção local e soluções integradas para aumentar a eficiência no campo.

  • Autonomia agrícola deixa de ser promessa e vira realidade

    Autonomia agrícola deixa de ser promessa e vira realidade

    A Fendt apresentou, durante coletiva na Agrishow 2026, sua estratégia global baseada em inovação tecnológica, expansão de mercado e sustentabilidade, com destaque para soluções em autonomia, agricultura de precisão e fortalecimento da rede de concessionários. Executivos da companhia detalharam os planos para a América Latina, com meta de atingir 100% de cobertura até 2030 e ampliar a presença em segmentos de alta potência.

    Participaram da apresentação Andrew Sunderman, vice-presidente comercial PTx; Torsten Dehner, vice-presidente sênior e gerente geral global da Fendt e Valtra; Marcelo Traldi, vice-presidente Fendt e Valtra e gerente geral da AGCO América Latina; Rafael Antonio Costa, diretor comercial Fendt; e Fabio Dotto, diretor de marketing produto Fendt e Valtra.

    Segundo os porta-vozes, o cenário do agronegócio segue sustentado por fundamentos sólidos, mesmo diante de pressões de custo. A produção de grãos deve atingir 359 milhões de toneladas na safra 2026/27, enquanto culturas como soja, algodão e cana-de-açúcar mantêm níveis históricos de produtividade. Nesse contexto, a tecnologia aparece como principal aliada para ganho de eficiência e redução de custos.

    Estratégia combina crescimento e inovação

    A companhia estruturou sua atuação em três pilares: ofensiva em produtos e tecnologia, fortalecimento da rede de distribuição nas Américas e consolidação em mercados estratégicos. Atualmente, a cobertura de concessionárias na América Latina está em cerca de 80%, com previsão de atingir a totalidade até o fim da década.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    De acordo com Marcelo Traldi, o foco está em atender um produtor cada vez mais exigente. “O agricultor busca produtividade com sustentabilidade, e isso passa diretamente por inovação e conectividade no campo”, afirmou.

    Andrew Sunderman destacou o papel das soluções PTx, que já somam mais de 14 inovações apenas em 2025. As tecnologias abrangem todas as etapas do ciclo produtivo, do plantio à colheita, com foco em integração de sistemas e operação em frotas mistas.

    Outro ponto central é o avanço da agricultura de precisão, com soluções retrofit e conectividade que permitem modernizar máquinas já em operação. A estratégia inclui também expansão global, com presença reforçada na Europa, América do Norte e América Latina.

    Autonomia e sustentabilidade ganham protagonismo

    Entre os destaques apresentados está a tecnologia OutRun, que permite operação autônoma de máquinas agrícolas. A Fendt já opera no Brasil com a solução, considerada pelos executivos como realidade no campo, e não mais conceito. O sistema utiliza sensores, conectividade em nuvem e controle assistido para garantir segurança e eficiência operacional.

    Torsten Dehner ressaltou que a autonomia é um caminho sem volta no setor. “Estamos avançando para um novo patamar de mecanização, onde inteligência e automação trabalham juntas para maximizar resultados”, disse.

    No campo da sustentabilidade, a empresa apresentou iniciativas voltadas à redução de emissões e impacto ambiental. Entre elas, o trator elétrico e100 Vario e motores compatíveis com diesel renovável, capazes de reduzir em até 90% as emissões. Tecnologias como a transmissão Vario, que diminui o consumo de combustível em até 20%, e sistemas que reduzem a compactação do solo também foram destacados.

    A plantadeira Momentum, por sua vez, contribui para maior eficiência no uso de insumos, com redução de até 75% na sobreposição de fertilizantes.

    Portfólio reforça sistema completo de produção

    A Fendt também apresentou seu portfólio integrado, que cobre todas as etapas da produção agrícola. Entre os equipamentos, estão os tratores das linhas 700, 800 e 1000 Vario, além das colheitadeiras Ideal e o pulverizador Rogator. No plantio, a Momentum Gen 2 surge como solução de alta precisão, com melhorias estruturais e operacionais.

    Rafael Antonio Costa destacou que o objetivo é entregar um sistema completo ao produtor. “Não se trata apenas de máquinas, mas de uma solução integrada que conecta planejamento, execução e gestão”, afirmou.

    A empresa também reforçou o programa de relacionamento com clientes, oferecendo garantia de fábrica de até três anos para os lançamentos, além de suporte técnico especializado.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Expansão segue como prioridade

    A presença da Fendt na América do Sul tem avançado nos últimos anos, com crescimento expressivo no número de concessionárias desde 2019. A marca já opera no Brasil, Paraguai e Argentina, com planos de ampliar ainda mais a cobertura em regiões estratégicas.

    Fabio Dotto enfatizou que a experiência premium é um diferencial competitivo. “Estamos posicionados em um patamar elevado de tecnologia e serviço, focados nas principais culturas do agro brasileiro”, disse.

    A expectativa da companhia é continuar ampliando sua participação em mercados de alta potência e consolidar a marca como referência em tecnologia agrícola. A meta global prevê investimentos e crescimento contínuo até 2029, com foco em inovação e expansão sustentável.

  • Tecnologia e serviços sustentam eficiência no agro

    Tecnologia e serviços sustentam eficiência no agro

    O ambiente econômico mais desafiador para o agronegócio, marcado por juros elevados, custos de insumos pressionados e redução do crédito, pautou a participação da Case IH na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). Durante um bate-papo com jornalistas, executivos da companhia detalharam como a marca estrutura sua atuação para manter produtividade e rentabilidade no campo, apoiada no tripé gente, produto e serviço. Segundo dados citados, o mercado de máquinas agrícolas registra retração de 5%, conforme a Anfavea, enquanto a inadimplência cresce e exige maior cautela dos produtores.

    Participaram da apresentação Paulo Arabian, vice-presidente de Vendas da Case IH para a América Latina; Fernando Gaya, vice-presidente Comercial e de Operação de Peças; Nilson Righi, gerente de Marketing Tático; e Leandro Conde, diretor de Marketing de Varejo da empresa na região.

    De acordo com Paulo Arabian, vice-presidente de Vendas para a América Latina, o momento é desafiador, mas também exige evolução. “O agro vive de ciclos. O produtor precisa produzir mais para ganhar mais, e isso passa necessariamente por tecnologia e eficiência operacional”, afirmou. A companhia reforça sua posição como marca de alta performance, com foco em soluções que reduzam custos e ampliem produtividade.

    A conectividade aparece como um dos pilares dessa transformação. Sistemas de monitoramento de frota, centrais de controle — mais de 70 em operação — e ferramentas de agricultura de precisão já fazem parte do cotidiano no campo. Nesse contexto, pulverizadores ganham protagonismo, especialmente com a aplicação seletiva, que combina hardware embarcado e softwares capazes de gerar mapas detalhados, reduzindo o uso de defensivos e otimizando recursos.

    Portfólio renovado e avanço tecnológico

    Entre as novidades apresentadas, a Case IH destacou a renovação completa do portfólio entre 2025 e 2026, com mais de 20 lançamentos no estande. Na linha de colheitadeiras, os novos modelos incorporam automação avançada, com capacidade de realizar manobras, comunicação entre máquinas e monitoramento integral das operações. “Já é uma realidade disponível no mercado, com ganhos claros de eficiência”, explicou Nilson Righi, gerente de Marketing Tático.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Outro destaque está na Série 160 e nas plataformas de milho e grãos. As plataformas de milho chegam em três versões — do básico ao mais sofisticado — com opções como a linha Premium, que oferece ajuste hidráulico do despigador diretamente da cabine e chapa defletora lateral para redução de perdas. Já a versão Evolução atende operações de maior escala, com estrutura reforçada, acionamento híbrido e componentes em alumínio de alta resistência.

    Na área de grãos, os equipamentos são produzidos em Curitiba (PR), reforçando a estratégia de nacionalização. Segundo Fernando Gaya, vice-presidente Comercial e de Operação de Peças, o investimento superior a R$ 100 milhões visa ampliar disponibilidade de peças, assistência técnica e condições de financiamento. “O Brasil tem condições muito variadas de campo. Produzir localmente permite maior adaptação e suporte ao cliente”, disse.

    Conectividade, serviços e capacitação

    A digitalização do agro também impulsiona o ecossistema de pós-venda. A Case IH ampliou sua plataforma de e-commerce de peças, que já soma mais de 5 mil clientes, sendo 4 mil recorrentes. São mais de 16 mil itens comercializados, com um portfólio total de 160 mil disponíveis. Em 2026, as vendas online devem superar 7% do total, com crescimento contínuo. Um dos avanços é o sistema que identifica peças por imagem, a partir de uma foto tirada pelo celular.

    Leandro Conde, diretor de Marketing de Varejo, destacou que o valor está no uso dos dados. “Máquina conectada não gera valor sozinha. O valor vem da interpretação e da ação sobre esses dados, com suporte, consultoria e planejamento”, afirmou. A empresa oferece monitoramento remoto, planos de manutenção com previsibilidade de custos e consultoria de performance.

    A formação de mão de obra também é tratada como prioridade. A companhia mantém programas de capacitação com mais de 200 cursos gratuitos e registrou 15 mil certificados emitidos em 2025. Em 2026, uma nova parceria com o Senar-RS deve abrir mais de 7 mil vagas. A empresa também é a única montadora a oferecer curso de CAAR (Condutor de Aplicação de Agroquímicos Remota).

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Inovação no campo e sustentabilidade

    A chamada Fazenda Conectada, projeto iniciado em 2021, funciona como laboratório para validação de tecnologias. Entre os resultados, há aumento médio de 25% na área colhida e redução no uso de máquinas, com impacto direto no consumo de combustível e na eficiência operacional.

    A companhia também avança em soluções sustentáveis, como o desenvolvimento de motores a etanol, 100% nacionais. Uma colhedora equipada com esse conceito já operou na última safra com resultados considerados positivos e deve passar por novos testes. Tratores com a mesma tecnologia também estão em uso.

    Outro ponto de atenção é a integração de drones ao ecossistema agrícola. Com operação contínua, os equipamentos conseguem cobrir até 900 hectares, atingindo 98,9% de área tratada. A proposta é complementar a pulverização tradicional com mais agilidade e precisão.

    Ao final, a empresa reforça que, apesar do avanço da automação, o fator humano permanece central. A estratégia combina tecnologia, capacitação e suporte para garantir produtividade em um cenário que exige cada vez mais eficiência.