Tag: agricultores familiares

  • Como a ciência quer salvar o pau-rosa na Amazônia

    Como a ciência quer salvar o pau-rosa na Amazônia

    A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve uma pesquisa que pode transformar o futuro do pau-rosa (Aniba rosaeodora) na região amazônica. O projeto trabalha para superar os principais entraves que impedem o cultivo comercial desta árvore nativa, historicamente explorada de forma predatória.

    Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A espécie concentra alto valor econômico em seu óleo essencial, rico em linalol — composto que as indústrias de cosméticos e perfumaria fina utilizam amplamente. No entanto, a produção despencou nas últimas décadas: de 500 toneladas anuais nos anos 1970 para apenas 1.480 quilos em 2021.

    Clonagem por mini estacas promete produção em larga escala

    Os pesquisadores focam em três frentes principais: seleção de matrizes de alta qualidade, desenvolvimento de protocolos de clonagem por estaquia e definição de práticas agronômicas que reduzam perdas no plantio. A equipe também estabelece uma coleção de trabalho com materiais genéticos de diversas procedências, ampliando a base genética para apoiar as atividades de seleção e melhoramento.

    O projeto parte de 80 árvores-matrizes localizadas na propriedade da empresa Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). A equipe selecionou inicialmente as 10 plantas com maior vigor e teor de óleo acima de 1,5% na biomassa, reproduzidas por sementes.

    “Em novembro de 2025, iniciamos a retirada dos galhos dessas plantas para produzir os clones por enraizamento de miniestacas”, explica o pesquisador Edson Barcelos, da Embrapa Amazônia Ocidental, que lidera a iniciativa. O processo utiliza pequenos pedaços de plantas para que criem raízes e se desenvolvam em mudas idênticas à planta mãe.

    Da pesquisa básica à escala comercial

    O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) já estudou a reprodução do pau-rosa, porém ninguém aplicou a técnica em escala comercial. A Embrapa pretende aprimorar o método de enraizamento para viabilizar a produção em larga escala de mudas clonadas, seguindo o modelo de culturas consolidadas como café, eucalipto e erva-mate.

    Essencia e folhas secas de pau-rosa. Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A proposta estabelece um modelo completo que abrange desde a seleção genética até o manejo no campo. Os pesquisadores avaliarão diversos parâmetros agronômicos: época ideal e altura da poda, espaçamento entre plantas, tipos e doses de adubação, além de estratégias para controlar pragas e doenças.

    “Para plantar cinco hectares, precisamos de cinco mil mudas. Mas não encontramos sementes suficientes e, quando há, o material genético apresenta muita heterogeneidade. As plantas crescem de forma desigual e o teor de óleo varia drasticamente”, detalha Barcelos.

    Produção sustentável preserva as árvores

    O óleo essencial do pau-rosa concentra seu valor principalmente no linalol, composto químico que representa mais de 80% do produto e possui diversas aplicações comerciais. A pesquisa da Embrapa foca na produção sustentável voltada para esses usos, extraindo o óleo de folhas e galhos e mantendo a árvore viva.

    Durante décadas, exploradores cortaram o pau-rosa rente ao solo para extrair o óleo, sem replantio ou manejo adequado. Após a inclusão da espécie na lista de ameaçadas de extinção, essa prática foi proibida. No entanto, o Brasil ainda não desenvolveu tecnologia suficiente para o cultivo comercial, cuja área plantada hoje não ultrapassa 50 hectares, concentrados nos municípios amazonenses de Maués, Novo Aripuanã e Itacoatiara.

    Principais desafios do cultivo

    A escassez de mudas de qualidade representa um dos principais obstáculos. Plantios realizados a partir de sementes apresentam taxa de mortalidade entre 70% e 90%, além de grande variabilidade genética, o que compromete a uniformidade das plantas. O teor de óleo pode variar de 0,5% a 2,0%. A limitada experiência com sistemas de plantio e manejo adequados agrava o problema.

    Uma emenda parlamentar de R$ 250 mil permitiu construir estufas, adquirir vasos e equipamentos para um laboratório de extração de óleo. A casa de vegetação já funciona e, nos próximos meses, a equipe começará os testes de enraizamento com diferentes substratos — como terriço, fibra de coco e vermiculita — e hormônios vegetais.

    O projeto também investiga o uso da banana como cultura de sombreamento nos primeiros anos do pau-rosa. A estratégia oferece sombra ideal e retorno econômico para ajudar a custear o plantio. A pesquisa busca definir o melhor espaçamento, época e altura de poda, adubação e controle de pragas.

    “Vamos criar um sistema de produção validado”, acrescenta o pesquisador.

    Agricultores familiares testam cultivo como alternativa

    Agricultores familiares da zona rural de Manaus testam o cultivo do pau-rosa como alternativa à extração em florestas nativas. Em 2012, famílias dos assentamentos no ramal ZF 4 e a Embrapa iniciaram o plantio de 230 mudas em áreas de roçado de mandioca e capoeira. Os produtores consorciaram as mudas com frutíferas perenes e, em 2020, observaram as primeiras florações.

    Apesar da taxa de mortalidade de 47%, atribuída a pragas, sombreamento e estresse hídrico, as plantas consorciadas apresentaram sobrevivência 50% superior em comparação às cultivadas em capoeira e 60% menos mortalidade. Os técnicos recomendaram a poda das plantas sombreadoras para estimular a biomassa e a reprodução, visando a coleta de sementes e a extração de óleo em agroindústrias familiares.

    Burocracia trava comercialização do óleo

    Além da escassez de mudas de qualidade e da alta mortalidade, a burocracia excessiva na comercialização do óleo essencial representa outro entrave importante. Durante o Simpósio de Óleos Essenciais realizado em Manaus, em outubro de 2025, especialistas e empresários propuseram a “Carta do Pau-Rosa”, iniciativa que busca sensibilizar autoridades para destravar processos que dificultam o avanço da cadeia produtiva. As muitas exigências afastam os compradores, que preferem substituir o pau-rosa por outros óleos.

    Com a consolidação do sistema de produção, a expectativa é fortalecer a cadeia produtiva regional, promover a conservação da espécie e gerar novas oportunidades econômicas para comunidades amazônicas e empreendedores.

    “Estamos construindo um modelo que alia ciência, conservação e desenvolvimento regional. O pau-rosa pode voltar a ser símbolo de riqueza, desta vez, com sustentabilidade”, conclui Barcelos.

  • Conab amplia apoio à agricultura familiar com nova compra institucional

    Conab amplia apoio à agricultura familiar com nova compra institucional

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abriu uma nova operação de Compra Institucional, com recursos de cerca de R$ 46 milhões, para fortalecer a agricultura familiar e reforçar estoques estratégicos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). As propostas de fornecimento de alimentos devem ser enviadas entre os dias 4 e 8 de dezembro pelo aplicativo PAANet – Proposta Doação.

    A iniciativa utiliza recursos sob gestão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). E visa ampliar a participação de agricultores familiares nas políticas públicas de abastecimento. Entre os itens adquiridos estão arroz polido, arroz parboilizado orgânico, feijão, fubá, farinha de mandioca, carnes bovina e suína, polpas de frutas, macaxeira a vácuo, rapadura e melado de cana, entre outros.

    Esses produtos serão direcionados às unidades atendidas pelo PAA, como as Cozinhas Solidárias. E também reforçarão os estoques estratégicos mantidos pela Conab para ações de segurança alimentar e nutricional. A execução será articulada entre a matriz da Conab e as superintendências regionais dos estados de origem dos fornecedores participantes.

    A Compra Institucional é uma modalidade do PAA que permite a aquisição direta de alimentos da agricultura familiar. Respeitando preços de referência e limites de participação por organização. Os produtos adquiridos abastecem equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional ou são usados para recompor estoques estratégicos.

    O comunicado completo, com a lista de produtos, critérios de participação, orientações de entrega e demais regras da modalidade, está disponível na página oficial de execução do PAA.

  • Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    A apicultura vem se consolidando como uma alternativa sustentável de renda para agricultores familiares no município de Couto Magalhães de Minas e em outras comunidades do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. O avanço é resultado do projeto “Produção de Mel e Própolis Verde no Alto Jequitinhonha”. Desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado (Emater-MG), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Codevasf e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto).

    O projeto tem transformado a realidade local. Desde 2015, cerca de 100 apicultores da região foram beneficiados com assistência técnica, equipamentos e capacitações voltadas ao fortalecimento da atividade. Segundo o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o apoio foi essencial para superar desafios como a falta de recursos e as dificuldades na comercialização do mel e da própolis. “A parceria tem gerado emprego, renda e valorização dos produtos locais”, destaca.

    Geografia propícia

    De acordo com o extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, as condições geográficas da região são ideais para a criação de abelhas e a qualidade da produção. “O aproveitamento da florada nativa e a diversificação da produção têm garantido um mel de alto valor agregado, com sabor e aroma únicos, representando a biodiversidade local”, afirma.

    Na atividade há mais de 10 anos, o presidente da Apicouto, André Marcos da Silva, reforça os resultados positivos. A associação, que hoje reúne 20 produtores e mais de 400 colmeias de abelhas africanizadas, é responsável pelo beneficiamento e pela comercialização dos produtos. “A capacitação reduziu o desperdício, aumentou a qualidade e abriu novos mercados, especialmente nas feiras da região”, comenta.

    Outro beneficiado é Osvaldo Aparecido de Meira, do Apiário Paineira. Ele relata que o apoio recebido permitiu dar continuidade ao negócio. “A doação de equipamentos veio em boa hora e ajudou muito a manter a atividade”, afirma.

    Sustentabilidade e fortalecimento da economia local

    Além de promover geração de renda, o projeto também incentiva práticas sustentáveis no campo. As ações da Emater-MG incluem manejo orgânico, preservação da vegetação nativa e diversificação de floradas, fortalecendo a atividade apícola e a agricultura familiar.

    O secretário Assis Antônio reforça que o trabalho em parceria consolida a apicultura como um dos setores mais promissores da economia local. “A união entre Emater, prefeitura, Senar, Codevasf e Apicouto é essencial para garantir continuidade, apoio técnico e segurança aos produtores”, ressalta.

  • Simples Nacional defasado prejudica pequenos negócios e produtores rurais

    Simples Nacional defasado prejudica pequenos negócios e produtores rurais

    A falta de atualização das tabelas do Simples Nacional está prejudicando pequenos produtores rurais, agricultores familiares e microempresários em todo o país. Com as faixas de faturamento congeladas, a inflação e o aumento dos custos de produção empurram os empreendedores para fora do regime simplificado, forçando uma migração para sistemas tributários mais complexos e onerosos.

    O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, defende uma revisão urgente do sistema. Ele afirma que a defasagem desestimula a produção e pode levar milhares de negócios de volta à informalidade, prejudicando a economia e a rastreabilidade da produção agrícola.

    Impacto direto no campo e na cidade

    No setor rural, o problema é ainda mais sensível. Muitos produtores utilizam o Simples Nacional para manter a regularidade fiscal, acessar linhas de crédito e comercializar sua produção. No entanto, o aumento nominal do faturamento, causado pela alta de preços, não reflete um ganho real. O resultado é um salto para faixas de tributação mais altas, reduzindo a competitividade e comprimindo as já estreitas margens de lucro.

    A situação também afeta artesãos, pequenos comerciantes e prestadores de serviço nas cidades. Eles enfrentam custos crescentes com materiais, energia e transporte, enquanto o limite para permanecer no Simples Nacional não se movimenta. Essa distorção tributária impacta toda a cadeia produtiva, podendo levar ao aumento de preços para o consumidor e ao corte de postos de trabalho.

    Atualização como medida de justiça econômica

    Para Tirso Meirelles, ajustar as tabelas do Simples Nacional é uma questão de justiça e um passo essencial para fortalecer a base produtiva do Brasil. “Esse é um programa importante, principalmente para os pequenos produtores e agricultores familiares, pois garante a formalização. Com o passar dos anos, e o aumento dos custos, as faixas principalmente associadas ao Micro Empreendedor Individual (MEI) desestimulam a continuidade da produção”, alertou.

    Especialistas concordam que a revisão dos limites de faturamento e das alíquotas precisa acompanhar a realidade inflacionária e o crescimento natural das empresas. Sem essa correção, o país arrisca comprometer uma de suas políticas mais bem-sucedidas de incentivo ao empreendedorismo, que há décadas sustenta a geração de renda e a formalização no Brasil.

  • Doação de agrosilício fortalece agricultura sustentável no Leste de Minas

    Doação de agrosilício fortalece agricultura sustentável no Leste de Minas

    O Programa de Doação de Agrosilício tem incentivado práticas agrícolas mais sustentáveis no Leste de Minas Gerais. Em 2025, os 28 municípios atendidos pelo escritório regional da Emater-MG em Governador Valadares receberam cerca de 980 toneladas do insumo, que beneficiaram aproximadamente 400 produtores familiares.

    A iniciativa é resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Emater-MG, prefeituras e a empresa Harsco Environmental.

    De acordo com o coordenador regional de Culturas da Emater-MG, Jader Murta, o agrosilício desempenha papel semelhante ao calcário na correção do pH do solo, tornando os nutrientes mais disponíveis para as plantas. “O programa oferece o insumo gratuitamente, reduzindo custos com fertilizantes químicos e, ao mesmo tempo, aumentando a produtividade e a qualidade da produção da agricultura familiar”, explica.

    O gerente regional da Emater-MG em Governador Valadares, Ademar Pires, destaca que o impacto vai além da distribuição do produto. Segundo ele, a iniciativa contribui para consolidar entre os agricultores uma cultura de análise e cuidado permanente com o solo, o que favorece práticas mais sustentáveis e fortalece a agricultura familiar. A ação também dialoga com os objetivos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que prioriza a oferta de alimentos saudáveis e de base agroecológica na merenda escolar.

    Beneficiados

    Um dos beneficiados é Gislei Alves dos Santos, pecuarista de leite em São José do Divino. A propriedade dele produz cerca de 200 litros de leite por dia, comercializados por meio de uma cooperativa regional. Desde 2024, ele utiliza o agrosilício tanto na pastagem quanto na lavoura de cana destinada à alimentação do rebanho. “Minha motivação foi o melhoramento da pastagem. O apoio técnico da Emater foi fundamental. A aplicação foi tranquila e já percebi melhora na rebrota”, relata. Com os bons resultados, Gislei planeja ampliar a área de cana e de pastagem nos próximos anos.

    O programa, criado em 2024, distribui fertilizantes doados pela Harsco Environmental às prefeituras, em parceria com a Seapa e a Emater-MG. O objetivo é melhorar a qualidade do solo, aumentar a produtividade agrícola e promover o uso eficiente de insumos no campo.

    Segundo o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária, Marlon Gomes Dias, a união entre poder público e iniciativa privada fortalece a agricultura familiar e amplia o acesso à tecnologia. “Essa integração assegura insumos de qualidade e democratiza o uso de novas práticas no campo”, afirma.

    A Emater-MG é responsável pelo acompanhamento técnico, que inclui análises de solo e apoio na distribuição. Para o coordenador técnico estadual de Culturas da instituição, Sérgio Brás Regina, os resultados de 2025 superaram as expectativas. “Distribuímos 12.667 toneladas, enquanto a meta era de 10 mil. Isso reforça o compromisso com a sustentabilidade e o fortalecimento da agricultura familiar”, explica.

    O alcance da iniciativa cresce a cada ano. Em 2024, cerca de 5 mil toneladas de agrosilício atenderam 90 municípios mineiros. Já em 2025, o programa beneficiou 111 municípios em diferentes regiões do estado.

  • Agricultores familiares podem receber R$ 28 mil por preservação ambiental na Amazônia

    Agricultores familiares podem receber R$ 28 mil por preservação ambiental na Amazônia

    Pequenos agricultores familiares da região amazônica têm a oportunidade de receber incentivos financeiros de até R$ 28 mil para manter suas propriedades preservadas através do projeto Floresta+ Amazônia. As inscrições para o segundo edital estão abertas e já contam com 100 produtores inscritos apenas em Mato Grosso.

    O programa conta com recursos de 96 milhões de dólares (aproximadamente R$ 480 milhões) e representa uma iniciativa conjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF) e das Secretarias Estaduais de Agricultura Familiar e Meio Ambiente.

    O projeto Floresta+ Amazônia oferece pagamentos que variam entre R$ 1,5 mil e R$ 28 mil, dependendo do nível de regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade. O programa atende especificamente agricultores familiares com propriedades de até quatro módulos fiscais.

    Política de inclusão social e ambiental

    Além dos pequenos produtores rurais, o projeto também beneficia povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas, funcionando como uma política de prevenção ao êxodo rural e valorização das comunidades tradicionais.

    “O Floresta+ Amazônia é um instrumento de justiça ambiental e social. Ao remunerar os pequenos produtores que conservam a floresta, o governo fortalece a agricultura familiar, garante a sustentabilidade e estimula que esses agricultores mantenham vivas as riquezas ambientais do nosso Estado”, explicou Andréa Fujioka, secretária de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso.

    Como funciona o pagamento por serviços ambientais

    Segundo Patrícia Palermo, coordenadora local do Floresta+ Amazônia em Mato Grosso, o projeto representa um marco na política ambiental brasileira. “O produtor que conserva está prestando um serviço ambiental para o país, e por isso tem direito a receber. Esse incentivo fortalece o combate ao desmatamento e valoriza quem mantém a mata preservada”, destacou.

    Coordenadora local do Floresta + Amazônia em Mato Grosso, Patrícia Palermo. Foto: Divulgação

    A coordenadora explicou que os produtores recebem valores correspondentes à área conservada em suas propriedades, funcionando como reconhecimento pelo serviço prestado ao meio ambiente.

    Estados participantes do programa

    O projeto Floresta+ Amazônia abrange todos os estados da Amazônia Legal:

    • Acre
    • Amapá
    • Amazonas
    • Mato Grosso
    • Pará
    • Rondônia
    • Roraima
    • Tocantins
    • Maranhão

    Passo a passo para inscrição

    Para participar do programa, o agricultor familiar deve:

    • Acessar o site oficial do projeto Floresta+ Amazônia
    • Criar conta Gov.br (disponível em www.gov.br ou via aplicativo mobile)
    • Preencher três formulários com dados pessoais, informações da propriedade e conta bancária
    • Concordar com o termo de adesão ao projeto
    • Aguardar análise da equipe técnica, que entrará em contato posteriormente

    Apoio para regularização

    A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) oferece suporte aos produtores durante o processo de inscrição, enquanto a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) auxilia na regularização do Cadastro Ambiental Rural.

    Agricultores que ainda não possuem o CAR regularizado podem buscar orientação na coordenação local do projeto, localizada na rua Edgard Prado Arze, s/n, 2° Andar, Centro Político Administrativo, em Cuiabá.

    Informações para contato

    • Telefone: (65) 9 9620-2894
    • E-mail: [email protected]
    • Site oficial: [Portal Floresta+ Amazônia]
  • Cadastur – turismo rural como opção para produtores rurais e agricultores familiares

    Cadastur – turismo rural como opção para produtores rurais e agricultores familiares

    A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, anunciou essa semana uma nova portaria durante a 48ª Expointer, em Esteio (RS). A medida autoriza agricultores familiares e produtores rurais a se registrarem no Cadastur.

    O registro permite que esses profissionais ofertem serviços turísticos em suas propriedades. Eles mantêm todos os direitos já garantidos por outras legislações federais, incluindo benefícios previdenciários como aposentadoria.

    A iniciativa, embora lançada no Rio Grande do Sul, tem validade nacional. O governador Eduardo Leite participou da solenidade, junto com o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, e representantes do setor.

    A portaria regulamenta a Lei Geral do Turismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei no final de 2024. A norma traz segurança jurídica para agricultores familiares, empreendedores e profissionais do turismo.

    “Fortalecemos o turismo rural com essa medida”, destaca Ana Carla Lopes. “Os agricultores familiares podem desenvolver atividades turísticas em suas propriedades. Isso gera renda complementar, empregos e desenvolvimento sustentável.”

    Agricultores mantêm direitos previdenciários ao atuar no turismo

    Eduardo Leite enfatiza a importância do turismo rural para o estado. “Nossa intenção é tornar o turismo rural uma atividade pública cada vez mais relevante”, afirma o governador. “Ele tem enorme capacidade de gerar empregos.”

    O governador destaca que as tecnologias transformam a produção rural. No entanto, o turismo exige acolhimento humano. “O ser humano é indispensável nesse processo”, complementa Leite.

    Ronaldo Santini ressalta o impacto na economia local. “A portaria reconhece anos de dedicação dos produtores”, explica o secretário. “Agora podem atuar no turismo sem abrir mão de direitos. Isso agrega valor à produção, amplia renda e fortalece programas como o Selo Sabor Gaúcho.”

    Quem pode se beneficiar da nova regulamentação

    A portaria abrange diferentes categorias de produtores rurais. Os agricultores familiares devem atender critérios específicos:

    • Possuir até quatro módulos fiscais de terra
    • Utilizar mão de obra predominantemente familiar
    • Ter a maior parte da renda vinculada ao estabelecimento
    • Dirigir a produção junto com familiares

    A medida também beneficia silvicultores, aquicultores e extrativistas. Pescadores artesanais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais entram na lista.

    Os produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas, também podem se cadastrar. Isso inclui quem desenvolve atividades agropecuárias, pesqueiras ou silviculturais. A extração de produtos primários também está contemplada.

    Cadastur oferece crédito facilitado e segurança jurídica

    O Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos reúne profissionais do setor. O sistema do Ministério do Turismo garante legalidade, benefícios e oportunidades aos cadastrados.

    O registro funciona como fonte de consulta segura para turistas. Os cadastrados têm acesso a programas como o Fungetur. Este fundo oferece crédito com juros reduzidos.

    O financiamento estimula o desenvolvimento do turismo. Também gera empregos e aumenta a renda local nas comunidades rurais.

    Lei Geral do Turismo moderniza setor e reduz burocracias

    A nova Lei Geral do Turismo moderniza todo o setor turístico brasileiro. A legislação reduz burocracias e fortalece o ambiente de negócios.

    A lei aproxima o poder público da iniciativa privada. Isso amplia a competitividade dos destinos brasileiros no mercado internacional.

    O Ministério do Turismo, Congresso Nacional e cadeia produtiva participaram da elaboração. O Conselho Nacional de Turismo (CNT) representou o setor privado nas discussões.

    A LGT amplia o acesso ao Cadastur para novas categorias. Microempreendedores individuais, serviços sociais autônomos e associações privadas podem se cadastrar. Parques aquáticos, de diversões e empreendimentos de lazer também entram no sistema.

  • Garantia-Safra: agricultores mineiros recebem auxílio

    Garantia-Safra: agricultores mineiros recebem auxílio

    39 mil agricultores familiares de 108 municípios do semiárido mineiro já estão aptos a receber o pagamento do Garantia-Safra referente à safra 2023/2024. O benefício, no valor de R$ 1,2 mil por produtor, representa um investimento total de R$ 48 milhões para mitigar perdas causadas por secas e excesso hídrico.

    No último ano, o Governo de Minas repassou R$ 5,7 milhões ao Fundo Garantia-Safra, ampliando em 11% o número de beneficiários, que chegou a 40 mil agricultores. O subsecretário de Agricultura Familiar da Seapa, Julian Silva Carvalho, destaca o impacto econômico e social:

    “Além de garantir segurança alimentar, os recursos impulsionam o comércio local. Nos últimos anos, superamos a participação de municípios e agricultores no programa”.

    Histórias reais: como o benefício transforma vidas

    Lidiane Ferreira Lima, agricultora em Rubelita (Norte de Minas), é um exemplo. Na Fazenda Vereda, ela e sua família plantam hortaliças, feijão, mandioca e milho. Em 2024, após perder mais de 50% da produção por falta de chuva, recebeu R$ 1,2 mil do programa.

    “O recurso complementa nossa renda e incentiva as pessoas a permanecerem no campo”, afirma.

    Para ter direito ao benefício, os agricultores devem:

    • Ter renda familiar mensal de até 1,5 salários mínimos;
    • Possuir perdas de produção igual ou superior a 50%;
    • Aderir ao programa na safra 2023/2024.

    Os recursos serão liberados via Poupança Social Digital da Caixa Econômica Federal, conforme o calendário de benefícios sociais. “A modalidade evita que os agricultores percam o prazo para o saque”, explica Fabrícia Ferraz, coordenadora estadual do programa na Emater-MG.

    Garantia-Safra: política pública de combate à vulnerabilidade climática

    Criado em 2002, o programa integra o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e está disponível para municípios da área de atuação da Sudene. Para aderir, é necessário ser agricultor familiar, estar inscrito no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e cultivar entre 0,6 e 5 hectares de feijão, milho, arroz, algodão ou mandioca.

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  • Governo Federal lança programa “Piscicultura Mais Vida”

    Governo Federal lança programa “Piscicultura Mais Vida”

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), anunciou neste sábado (8) o lançamento do programa “Piscicultura Mais Vida”, voltado ao fortalecimento da aquicultura na região da Baixada Cuiabana (MT). A iniciativa, apresentada pelo ministro Carlos Fávaro durante evento na Estação de Piscicultura da Embrapa, em Livramento, prevê a produção anual de até 1,5 milhão de alevinos (filhotes de peixes) para distribuição gratuita a ribeirinhos, quilombolas, indígenas e, de forma subsidiada, a agricultores familiares.

    Com recursos de R$ 1 milhão do Mapa, a Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi) da Embrapa, que conta com 27 tanques para criação de peixes, será transformada em um centro de referência em piscicultura. O local funcionará como base para cursos de capacitação, nivelamento técnico e produção em larga escala de alevinos. A meta é atender 1,5 mil famílias na região, com a distribuição de 1 mil filhotes por família, garantindo suporte técnico para manejo sustentável.

    Inclusão social e resgate histórico

    Em discurso, o ministro Carlos Fávaro destacou o caráter social do programa. “Enquanto tentavam fechar esta estação, nós a revitalizamos para distribuir alevinos gratuitamente, resgatando um projeto abandonado desde os anos 80”. O foco prioritário são populações tradicionais inscritas em programas federais e que possuam estrutura adequada para a criação de peixes. Agricultores familiares terão acesso aos alevinos com subsídios governamentais.

    Reitor do IFMT, Julio César dos Santos.

    O reitor do IFMT, Júlio César dos Santos, reforçou a importância da instituição no projeto: “Estamos orgulhosos de ser parte desta ferramenta de transformação social. A expertise técnica do IFMT será fundamental para qualificar produtores e ampliar a eficiência da cadeia aquícola”.

    Impacto econômico e sustentável

    Além de impulsionar a economia local, o programa “Piscicultura Mais Vida” busca reduzir a dependência de pesca predatória em rios da região, promovendo a aquicultura como alternativa sustentável. A Embrapa estima que, em dois anos, a produção possa suprir demandas estaduais e até abastecer outros estados.

    As inscrições para beneficiários começam em julho, por meio de plataformas digitais do Mapa. A seleção priorizará áreas com acesso a água e certificação ambiental.

    A Embrapa em Livramento é referência em pesquisas aquícolas desde a década de 1980. A retomada parceria com o IFMT reforça a política do governo federal de aliar ciência, educação e inclusão produtiva no agronegócio.

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  • Banco do Brasil participa do Programa Desenrola Rural

    Banco do Brasil participa do Programa Desenrola Rural

    O Governo Federal lançou o Programa Desenrola Rural, uma iniciativa que visa facilitar a regularização de dívidas de agricultores familiares e suas cooperativas, além de ampliar o acesso às linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O Banco do Brasil, principal parceiro da agricultura familiar, está ativamente envolvido no programa, reforçando seu compromisso histórico com o desenvolvimento da agricultura familiar.

    Condições especiais para regularização de dívidas

    Os agricultores familiares terão acesso a condições especiais para quitação ou renegociação de dívidas, incluindo:

    • Descontos de até 70% para liquidação ou renegociação de débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU).
    • Crédito Instalação do PNRA: Descontos para quitação dos débitos diretamente com o Incra.
    • Descontos de até 80% para liquidação ou renegociação de operações com risco integral do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).
    • Condições diferenciadas para liquidação ou renegociação de dívidas junto ao Banco do Brasil.

    Além da regularização de dívidas, o Desenrola Rural visa impulsionar a concessão de novos financiamentos nas linhas Pronaf A, A/C e B, com recursos do Tesouro Nacional ou FCO. Isso inclui a possibilidade de agricultores familiares assentados contratarem novas operações com teto de até R$ 50 mil e bônus de adimplência de 25%.

    Benefícios e canais de atendimento

    Estima-se que cerca de 406 mil produtores sejam beneficiados pelo programa no Banco do Brasil. Os interessados podem utilizar o app BB, Internet Banking, WhatsApp BB, ou contatar a Central de Relacionamento para renegociar suas dívidas.

    Essa iniciativa contribui para fortalecer as atividades e cadeias produtivas, garantindo segurança alimentar e geração de emprego e renda no campo. Com o Desenrola Rural, o Banco do Brasil reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar.

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