Tag: Zoneamento Agrícola de Risco Climático

  • Governo publica zoneamento para safrinha de milho com regras para crédito rural

    Governo publica zoneamento para safrinha de milho com regras para crédito rural

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta terça-feira (26) o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o milho de segunda safra. A portaria, publicada no Diário Oficial da União, vale para o ano agrícola 2025/2026 e orienta os produtores sobre as melhores janelas de plantio para reduzir perdas com o clima.

    O estudo abrange 16 estados e o Distrito Federal: Acre, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

    O zoneamento é uma condição fundamental para que produtores rurais acessem políticas federais. Ele é exigência para contratar o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). A partir deste ano, o Zarc também se tornou obrigatório para médios e grandes produtores que buscam crédito no Plano Safra.

    A safrinha é o principal período de produção de milho no Brasil. A cultura é a segunda mais importante do país. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um recorde na safra 2024/2025. A produção total deve chegar a 137 milhões de toneladas. Desse total, a segunda safra deve responder por 109,5 milhões de toneladas.

    Os produtores podem consultar as datas ideais de plantio de sua região por dois canais: o Painel de Indicação de Riscos no site do Mapa ou pelo aplicativo Zarc Plantio Certo.

  • Zarc: novos zoneamentos climáticos ampliam produção de batata no Brasil

    Zarc: novos zoneamentos climáticos ampliam produção de batata no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou novas portarias que atualizam o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a batata. Desenvolvido pela Embrapa, o novo zoneamento cobre todo o território nacional. E detalha, por município, as áreas e períodos com menor risco climático para o cultivo, beneficiando tanto o mercado de consumo in natura quanto a indústria de processamento agroindustrial.

    O Zarc orienta produtores sobre as regiões e janelas de plantio mais seguras, considerando as especificidades do cultivo para batata de mesa e batata destinada à indústria. Para o mercado fresco, o ciclo da cultura dura cerca de 90 dias, priorizando aparência e qualidade visual dos tubérculos. Já para a indústria, o ciclo se estende de 120 a 130 dias, permitindo maior acúmulo de matéria seca e menor teor de açúcar, características que garantem crocância e cor clara ao produto processado.

    Segundo Arione Pereira, pesquisador da Embrapa, a batata para o mercado fresco precisa de pele lisa e boa aparência, enquanto a batata industrial deve completar o ciclo de maturidade para atingir os padrões exigidos pela indústria alimentícia. O zoneamento não diferencia cultivares específicas, pois o manejo define o ciclo da cultura em todas as regiões produtoras.

    Principais riscos e critérios do zoneamento

    O novo Zarc considera riscos climáticos como temperaturas extremas, variações de precipitação, incidência de granizo e geada. Além de fatores como qualidade do solo e altitude. Seca pode ser contornada com irrigação, mas o excesso de chuvas favorece doenças e reduz a produtividade. O sistema permite que produtores consultem, por município, as datas ideais de plantio e as variações de risco de perda de 20%, 30% e 40%, levando em conta a finalidade do plantio e as condições locais.

    A metodologia unificada substitui os antigos zoneamentos estaduais, ampliando a análise para todo o Brasil. O Painel de Indicação de Riscos do Mapa e o aplicativo Zarc Plantio Certo, da Embrapa Agricultura Digital, facilitam o acesso às informações. O novo zoneamento já identificou áreas de altitude elevada na Bahia com potencial produtivo, dentro dos parâmetros aceitos por programas de seguro rural. Mesmo em regiões que tradicionalmente não cultivavam batata.

    Antes de expandir para novas áreas, especialistas recomendam avaliar a disponibilidade de água, mão de obra, mercado e logística. O zoneamento serve como referência para o setor produtivo, para programas de seguro rural e para o Proagro. Assim, fortalecendo a tomada de decisão e a segurança do produtor.

    A elaboração do Zarc contou com a participação da Embrapa Clima Temperado, Embrapa Hortaliças, Embrapa Agricultura Digital e da Associação Brasileira da Batata (ABBA). O Brasil, quinto maior produtor mundial de batata, pode ampliar a produção e a eficiência do setor ao adotar as recomendações do novo zoneamento, reduzindo perdas e aumentando a competitividade no mercado interno e na indústria.

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  • Como reduzir os impactos da estiagem na cultura da soja

    Como reduzir os impactos da estiagem na cultura da soja

    A estiagem tem causado sérios prejuízos à produção de soja no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, segundo maior produtor do país. A escassez de chuvas neste verão, comum em anos de La Niña, já compromete lavouras em diversas regiões e reacende o alerta sobre a importância de estratégias de manejo agrícola para reduzir os efeitos do déficit hídrico sobre a produtividade.

    De acordo com dados da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL), nos últimos cinco anos, o estado deixou de colher cerca de 34,4 milhões de toneladas de grãos de soja devido à estiagem. As perdas se concentram, principalmente, no Centro-Oeste gaúcho, conforme apontam os últimos boletins da Emater/RS.

    As lavouras semeadas no início do período recomendado já apresentam plantas com porte reduzido, desfolha acentuada e perdas produtivas irreversíveis. Já as plantações realizadas em dezembro, embora em estágio de floração e formação de vagens, mostram crescimento limitado e produtividade insatisfatória, com plantas que não ultrapassam 30 cm de altura.

    Terceiro ano seguido de estiagem no RS compromete produtividade

    O Rio Grande do Sul enfrenta o terceiro verão consecutivo com déficit hídrico significativo. Na safra 2021/22, a produtividade caiu para 1.400 kg/ha. Em 2022/23, houve quebra de 30%, com média de 1.980 kg/ha, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com chuvas em 2023/24, muitas lavouras ainda registraram rendimentos abaixo de 3 mil kg/ha.

    Para o agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, o cenário reforça a necessidade de adaptação às mudanças climáticas. “O produtor precisa investir em cultivos mais resilientes e aderir a instrumentos de seguridade rural, diante da variabilidade cada vez maior na distribuição das chuvas”, afirma.

    Outros estados também sofrem com o estresse hídrico na soja

    No Mato Grosso do Sul, o Informativo Siga/MS aponta que 46% da área cultivada com soja apresenta sintomas de estresse hídrico. As lavouras mais afetadas foram implantadas entre setembro e meados de outubro. A falta de chuvas em dezembro e janeiro, período crucial para o enchimento de grãos, agravou a situação.

    O Paraná também apresenta perdas localizadas. Segundo o Deral/PR, 68% da soja ainda está em maturação, mas onde a colheita começou, os rendimentos são bastante irregulares. Em Santa Catarina, a Epagri/SC observa grande variação nas lavouras, com parte das plantações superando as expectativas e outras com queda significativa na produtividade.

    Estratégias para minimizar os impactos da seca na soja

    Pesquisadores da Embrapa indicam práticas que podem ajudar produtores a enfrentar os efeitos da estiagem. Confira as principais recomendações:

    1. Preparação do solo e perfil radicular profundo

    A construção de um bom perfil de solo, com fertilidade química, física e biológica adequada, é essencial. O Sistema Plantio Direto e a utilização de espécies com raízes profundas, como braquiária e milheto, favorecem a infiltração de água e o crescimento do sistema radicular da soja, que pode alcançar até 2 metros de profundidade.

    1. Escolha de cultivares tolerantes à seca

    Existem cultivares de soja adaptadas a condições de déficit hídrico. Embora nem sempre liderem em produtividade em condições ideais, essas variedades demonstram maior estabilidade sob estresse hídrico, com raízes vigorosas e boa sanidade.

    1. População adequada de plantas por hectare

    Manter a população de plantas na faixa recomendada é essencial. Populações abaixo do ideal reduzem o fechamento das entrelinhas e aumentam a evaporação da água do solo. Por outro lado, excesso de plantas eleva a competição por recursos e o consumo de água, comprometendo o desempenho em fases críticas.

    1. Uso eficiente da irrigação

    Onde for possível implantar irrigação, é preciso planejar o volume de água necessário com base na capacidade dos reservatórios. O potencial de resposta produtiva da soja à irrigação é alto, especialmente no sul do país. A adoção de boas práticas evita desperdícios e eleva a eficiência do uso da água.

    1. Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)

    O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma ferramenta oficial do governo federal que orienta o melhor período para plantio, considerando os riscos climáticos de cada município. Seguir o ZARC ajuda a reduzir perdas e garantir o acesso a políticas públicas de crédito e seguro rural.

    A variabilidade climática tornou-se um fator constante na produção agrícola brasileira. Frente à intensificação das estiagens, especialmente nos estados do Sul, os produtores precisam adotar medidas preventivas e estratégicas para mitigar os prejuízos. Investir em práticas de manejo resiliente, irrigação planejada, escolha adequada de cultivares e o uso do ZARC são caminhos promissores para garantir a sustentabilidade da produção de soja no Brasil.

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  • Canola: zoneamento climático atualizado impulsiona o cultivo no Brasil

    Canola: zoneamento climático atualizado impulsiona o cultivo no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou nesta terça-feira (14) a atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a canola. A medida inclui novos critérios, como o risco de seca em função do tipo de solo, além dos riscos de geada no estabelecimento e na floração.

    A canola está em expansão no Brasil. Em 2024, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (ABRASCANOLA), a área cultivada alcançou 186.240 hectares. O Rio Grande do Sul lidera a produção, seguido por Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Distrito Federal.

    O agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, destacou que o novo ZARC fortalece a expansão da canola em regiões tropicais. “O movimento da cultura para essas áreas pode ocorrer com maior segurança técnica”, afirmou.

    Produção sustentável e versátil

    Os produtores brasileiros utilizam a canola principalmente para produzir óleo comestível, reconhecido como um dos mais saudáveis para consumo humano. Além disso, eles também aproveitam o grão na produção de biocombustível e ração animal. Globalmente, a canola é a terceira maior oleaginosa, atrás apenas da soja e das palmáceas.

    A canola apresenta vantagens competitivas. Em resumo, enquanto o grão de soja contém 20% de óleo, a canola atinge cerca de 40%. Além disso, a espécie ajuda a melhorar o solo e a quebrar ciclos de doenças, tornando-se uma excelente opção para a rotação de culturas.

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    Histórico do ZARC para a canola

    O primeiro ZARC para a canola foi publicado em 2008, com foco no Rio Grande do Sul e sistema de sequeiro. Em 2021, o estudo incluiu o sistema irrigado em estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A versão atual utiliza uma nova metodologia para avaliar a disponibilidade de água no solo e identifica locais e períodos ideais para o plantio.

    A Rede ZARC Embrapa, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Banco Central desenvolveram o novo ZARC em parceria. Ou seja, a ferramenta ajuda a reduzir perdas, garantir estabilidade na produção e expandir a área cultivada no Brasil.

    Ferramentas de consulta

    Os agricultores podem acessar o ZARC da canola pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível gratuitamente para iOS e Android. Além disso, outra opção é consultar o “Painel de Indicação de Riscos” no site do Ministério da Agricultura e Pecuária.