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  • China restabelece licenças de importação de soja para empresas dos EUA

    China restabelece licenças de importação de soja para empresas dos EUA

    A China voltará a conceder licenças de importação de soja para três empresas norte-americanas. Assim, encerrará a suspensão das importações de toras de madeira dos Estados Unidos a partir de 10 de novembro, informou a autoridade aduaneira chinesa nesta sexta-feira. A decisão representa mais um sinal de alívio nas tensões comerciais entre os dois países.

    As suspensões de licenças aplicadas à cooperativa agrícola CHS, à exportadora global de grãos Louis Dreyfus Company Grains Merchandising e à operadora de terminais de exportação EGT haviam sido impostas em março, em meio ao agravamento das disputas comerciais.

    A interrupção das importações de toras dos EUA ocorreu como medida de retaliação após a ordem do então presidente norte-americano Donald Trump, em 1º de março, para investigar as importações de madeira.

    O sentimento dos investidores melhorou depois que Trump se reuniu com o líder chinês Xi Jinping, na Coreia do Sul. Reduzindo os temores de que as duas maiores economias do mundo abandonassem os esforços para resolver seus impasses comerciais.

    Após o encontro, Pequim suspendeu tarifas sobre alguns produtos agrícolas norte-americanos impostas em março. E retomou compras modestas de commodities dos EUA, incluindo duas cargas de trigo. A estatal chinesa COFCO também adquiriu três embarques de soja dos Estados Unidos antes da reunião entre os líderes.

    Mesmo assim, os operadores permanecem cautelosos, já que ainda vigora uma tarifa de 10% sobre todas as importações norte-americanas, inclusive produtos agrícolas. O que limita as expectativas de uma recuperação mais ampla no fluxo comercial.

  • Exportações chinesas crescem 8,3% em setembro apesar de tarifas dos EUA

    Exportações chinesas crescem 8,3% em setembro apesar de tarifas dos EUA

    As exportações da China registraram crescimento de 8,3% em setembro de 2025, superando as expectativas do mercado e fortalecendo a posição do presidente Xi Jinping na disputa comercial com os Estados Unidos. O resultado representa o ritmo mais acelerado de crescimento em seis meses.

    De acordo com dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas nesta segunda-feira, as vendas ao exterior atingiram US$ 328,6 bilhões — o maior volume mensal de 2025. O desempenho ficou acima da projeção mediana de 6,6% estimada por economistas consultados pela Bloomberg.

    Os números demonstram resiliência da economia chinesa mesmo diante do tarifaço dos Estados Unidos, que mantém taxas elevadas sobre produtos do país asiático.

    Queda nas vendas para os EUA é compensada por outros mercados

    Embora os embarques para território americano tenham despencado 27% — marcando o sexto mês consecutivo de quedas superiores a dois dígitos —, a China conseguiu compensar essa retração através da diversificação de destinos.

    As exportações para mercados fora dos Estados Unidos avançaram 14,8%, o maior crescimento desde março de 2023. A estratégia de buscar parceiros comerciais alternativos tem se mostrado eficaz para manter o fluxo de produtos chineses.

    União Europeia lidera crescimento das exportações

    Entre os destaques, as vendas para a União Europeia cresceram mais de 14%, representando o maior aumento em três anos. Outros mercados também apresentaram expansão significativa:

    • África: alta de 56%, o ritmo mais rápido desde fevereiro de 2021
    • América Latina: crescimento de 15,2%, revertendo quedas anteriores
    • Sudeste Asiático: avanço de quase 16%
    • Vietnã: aumento de 25% nas importações de produtos chineses

    “As exportações da China permaneceram resilientes apesar das tarifas americanas, graças à diversificação de mercados e à forte competitividade”, afirmou Michelle Lam, economista para a Grande China do Societe Generale SA.

    Vietnã como centro de redirecionamento comercial

    A Capital Economics identificou o Vietnã como “principal centro de redirecionamento” de produtos chineses. Analistas apontam que empresas têm utilizado o país do Sudeste Asiático como rota alternativa para fazer produtos chegarem indiretamente ao mercado americano.

    As importações chinesas também surpreenderam positivamente, com alta de 7,4% em setembro, impulsionadas por compras do Japão, Coreia do Sul, Países Baixos e Taiwan.

    Com o forte desempenho tanto nas exportações quanto nas importações, o superávit comercial da China atingiu US$ 90,5 bilhões, crescimento de quase 11% na comparação anual.

    O superávit com os Estados Unidos chegou a aproximadamente US$ 23 bilhões — uma alta em relação a agosto, mesmo com a China reduzindo compras de produtos americanos como soja.

    Tensões comerciais entre China e EUA persistem

    As relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo continuam tensas. Na semana passada, a China anunciou controles globais de exportação sobre minerais de terras raras, levando Donald Trump a ameaçar cancelar reunião com Xi Jinping, a primeira em seis anos.

    O presidente americano também anunciou planos para impor tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, além de restrições a softwares críticos.

    Posteriormente, o governo Trump sinalizou abertura para acordo, embora tenha alertado que os controles de exportação chineses representam obstáculo às negociações.

    Próxima rodada de negociações prevista

    O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que uma nova rodada de negociações ocorrerá em Frankfurt, na Alemanha, antes de 10 de novembro — data de expiração da trégua tarifária atual.

    Segundo a Bloomberg Economics, tarifas de 100% elevariam as taxas efetivas sobre produtos chineses para cerca de 140%, nível que praticamente paralisaria o comércio bilateral.

    Os bons resultados nas exportações trazem alívio para a economia doméstica chinesa, que enfrenta deflação e dificuldades no setor imobiliário.

    A China deve divulgar os dados do terceiro trimestre no dia 20. Apesar da expectativa de desaceleração, o país segue no caminho para atingir a meta oficial de crescimento de 5% em 2025.

    “O ambiente externo atual continua sombrio e complexo. O comércio exterior enfrenta incertezas e dificuldades crescentes”, alertou Wang Jun, vice-chefe da autoridade alfandegária em Pequim.

    Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING Bank NV, observa que a exposição limitada ao mercado americano em setores de alto crescimento — como baterias de lítio, navios e veículos elétricos — deve facilitar para Pequim conter novas disrupções comerciais.

    “Até agora neste ano, a China tem mostrado que, embora não deseje uma guerra comercial, está disposta a revidar conforme necessário diante de escaladas. A resiliência das exportações provavelmente reforçará a confiança nessa abordagem”, concluiu Song.

  • Mensagens vazadas confirmam crise grave nas fazendas de soja dos EUA

    Mensagens vazadas confirmam crise grave nas fazendas de soja dos EUA

    Na última semana, uma foto capturada pela Associated Press durante a Assembleia Geral das Nações Unidas revelou uma troca alarmante de mensagens internas no governo Trump que expõe a crise profunda enfrentada pelas fazendas de soja dos Estados Unidos e suas implicações econômicas globais.

    A mensagem, datada de 23 de setembro, foi enviada ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, por uma autoridade cujas iniciais coincidem com as da Secretária de Agricultura, Brooke Rollins. O texto inicia com um alerta: “Só um aviso. Estou recebendo mais informações, mas isso é extremamente preocupante.” Ele traz detalhes sobre o resgate financeiro de US$ 20 bilhões que os EUA concederam à Argentina, país que enfrenta uma grave crise econômica sob o presidente Javier Milei.

    Como contrapartida, a Argentina removeu tarifas sobre a exportação de grãos, especialmente soja, aumentando suas vendas para a China a preços mais baixos. Essa movimentação provocou uma queda nos preços internacionais da soja e reduziu a receita dos EUA com as exportações, ao mesmo tempo em que fortaleceu a influência chinesa no comércio global.

    A mensagem expressa preocupação com o fato de que essa dinâmica deteriora a posição dos EUA frente à China. O gigante asiático desde maio não compra soja americana devido à guerra tarifária iniciada pela administração Trump.

    Estratégia questionada

    Junto à mensagem, há um link para uma crítica feita por Ben Scholl, trader de commodities, que questiona a estratégia de ajudar a Argentina nesse contexto. O texto termina com a frase: “Estou a caminho de um avião, Scott, posso te ligar quando desembarcar”, indicando a urgência das discussões internas.

    Os agricultores americanos estão entre os mais prejudicados. As decisões do governo e a intensificação da guerra comercial levaram muitos a uma situação crítica. Principalmente impactada pelo desvio das compras chinesas para o Brasil e Argentina, maiores concorrentes no mercado. O recente “shutdown” do governo norte-americano piorou o cenário. Atrasando auxílios e dificultando o acesso a financiamentos para os produtores em um momento estratégico da colheita.

    A Associação de Produtores de Soja dos EUA tem pressionado publicamente Trump a negociar com a China a retirada das tarifas para evitar o colapso do setor. Seu presidente, Caleb Ragland, enfatizou que “o setor agrícola não pode mais esperar” diante do avanço dos concorrentes sul-americanos.

    Internacional

    No plano internacional, a figura controversa de Javier Milei, com suas políticas de austeridade e gestos simbólicos inusitados, como o presente de uma motosserra decorada para Elon Musk em uma conferência conservadora, reforça as incertezas econômicas da Argentina e seu papel no mercado global de soja. Essa conjuntura reforça uma nova configuração no comércio global. Dando espaço para que o Brasil e a Argentina ampliem sua presença enquanto os EUA enfrentam retrocessos.

    Donald Trump, agora sob pressão para conter os danos ao setor agrícola, anunciou uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping para discutir a retomada das exportações de soja ao mercado chinês, prometendo usar parte dos recursos provenientes das tarifas para ajudar os produtores nacionais.

    Especialistas alertam que, sem uma mudança rápida nas políticas, a crise poderá se prolongar. Portanto, ameaçando a estabilidade e a competitividade americana no comércio global de commodities. O vazamento das mensagens revela não apenas um momento de tensão política interna. Mas evidência a vulnerabilidade de um setor agrícola vital para a economia dos Estados Unidos nos próximos meses.