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  • Exportação de vinhos brasileiros sobe 23,7% e chega a quase 80 países

    Exportação de vinhos brasileiros sobe 23,7% e chega a quase 80 países

    As exportações brasileiras de vinhos e espumantes mantiveram a trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026 e confirmaram o avanço da vitivinicultura nacional no mercado internacional. Entre janeiro e junho, os embarques somaram US$ 6,79 milhões, um salto de 23,73% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor exportado havia alcançado US$ 5,49 milhões.

    O desempenho reflete um movimento construído ao longo dos últimos anos, que ampliou a presença do vinho brasileiro em mercados estratégicos, consolidou ações de promoção comercial e diversificou os destinos internacionais dos produtos. No período, os vinhos e espumantes nacionais chegaram a 79 países, um crescimento de 20,4% no número de mercados atendidos.

    O gerente de Promoção para Mercado Externo do Consevitis-RS, Rafael Romagna, atribui o resultado a um trabalho contínuo de promoção internacional. Segundo ele, a presença em feiras, rodadas de negócios e ações com compradores e formadores de opinião amplia a visibilidade e a competitividade dos vinhos brasileiros no exterior. Romagna também destaca a maior diversificação de mercados como fator que reduz a dependência de poucos destinos.

    Para o gestor, os números indicam uma evolução consistente do posicionamento do vinho brasileiro no cenário internacional, fruto de um processo contínuo de fortalecimento da imagem do país como produtor de vinhos de qualidade.

    Vinhos avançam acima dos espumantes e ampliam presença internacional

    Os espumantes continuam como o principal cartão de visitas da vitivinicultura brasileira no exterior, mas o primeiro semestre de 2026 trouxe uma mudança relevante: os vinhos registraram crescimento superior ao dos espumantes nas exportações em valor. Enquanto os espumantes avançaram 19,50% e atingiram US$ 1,18 milhão, os vinhos cresceram 24,66% e alcançaram US$ 5,61 milhões.

    Setor vitivinícola brasileiro reúne milhares de famílias produtoras. Foto: César Silvestro/ Vagão Filmes

    Romagna interpreta o desempenho como sinal de que o reconhecimento internacional conquistado pelos espumantes brasileiros começa a se estender aos vinhos tranquilos. Segundo ele, os vinhos brasileiros vêm conquistando espaço no mercado internacional em um contexto geral, o que complementa um movimento já consolidado dos espumantes, e mostra ampliação do reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros em diferentes categorias. O executivo reforça que os espumantes seguem como porta de entrada importante para diversos mercados, mas o interesse por vinhos que expressem a diversidade da produção nacional e agreguem valor pela origem cresce de forma consistente.

    Identidade brasileira ganha espaço entre consumidores

    A evolução das exportações acompanha uma mudança no comportamento do consumidor internacional. Importadores buscam cada vez mais produtos capazes de contar histórias, traduzir seus territórios de origem e oferecer características únicas. Um movimento que favorece países produtores com identidade própria. Romagna afirma que o consumidor internacional demonstra interesse por vinhos que carreguem histórias e expressem seus territórios de origem, cenário em que o vinho brasileiro tem conseguido se destacar.

    Rodadas internacionais promovidas pelo Exporta Mais Vinhos, na Wine South America, fazem parte da estratégia que impulsiona as exportações de vinhos brasileiros. Foto: Divulgação Wines of Brazil

    O executivo destaca que o Brasil reúne características pouco comuns no cenário mundial, como a convivência de três modelos distintos de vitivinicultura. O país hoje apresenta ao mercado internacional vinhos produzidos em regiões tradicionais, vinhos de inverno e vinhos tropicais, o que amplia a capacidade de atender diferentes perfis de consumidores e fortalece o posicionamento do Brasil como produtor inovador.

    Outro diferencial é o reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros, reforçado pela criação da primeira Denominação de Origem específica para espumantes do Hemisfério Sul, que consolidou a reputação do país nessa categoria.

    Promoção internacional aproxima vinícolas e compradores

    Parte desse crescimento está ligada às ações desenvolvidas pelo Wines of Brazil. Ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026, o projeto intensificou sua presença em eventos como a Wine Paris, a ProWein Düsseldorf e a Vinexpo America, além de promover rodadas de negócios, missões comerciais e projetos compradores realizados no Brasil.

    Romagna descreve o Wines of Brazil como um facilitador do processo de internacionalização das vinícolas brasileiras, já que essas iniciativas aproximam empresas e compradores internacionais e geram oportunidades comerciais que contribuem diretamente para o crescimento das exportações. Os indicadores do projeto sustentam essa avaliação. As ações desenvolvidas em 2024 e 2025 geraram cerca de US$ 21,5 milhões em oportunidades de negócios para as empresas participantes. Um volume expressivo diante dos aproximadamente US$ 24 milhões em exportações somados no mesmo período.

    Diversificação de mercados reduz riscos e amplia oportunidades

    Além do crescimento em valor, a ampliação da presença internacional é outro indicador estratégico para o Wines of Brazil. Em vez de concentrar as exportações em poucos destinos, o projeto busca fortalecer mercados já consolidados e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades comerciais. Romagna explica que o crescimento em mercados consolidados ocorreu paralelamente à entrada em novos destinos, resultado da estratégia de prospecção internacional desenvolvida pelo projeto e pelas vinícolas participantes.

    A participação em feiras internacionais integra a estratégia para ampliar a visibilidade dos vinhos brasileiros e gerar oportunidades de negócios no mercado externo. Foto: Divulgação Wines of Brazil

    A Rússia figura entre os exemplos citados pelo executivo. O país passou a receber atenção especial do Wines of Brazil nos últimos anos, em função de mudanças no cenário internacional. E o projeto identificou ali uma oportunidade de mercado que motivou investimento contínuo na prospecção de compradores locais.

    Para os próximos anos, Estados Unidos, China, Reino Unido, México e Paraguai estão entre os mercados prioritários do projeto. E que também acompanha oportunidades em países como Japão, Emirados Árabes Unidos e Rússia.

    Perspectiva é manter trajetória de crescimento

    Mesmo diante das incertezas do cenário econômico internacional, a expectativa é de continuidade no processo de internacionalização. Romagna afirma que os resultados do primeiro semestre reforçam perspectivas positivas para o restante de 2026. E reconhece que o cenário internacional exige cautela diante das oscilações econômicas e geopolíticas. Ainda assim, ele aposta que o trabalho consistente de promoção internacional continuará ampliando a presença do vinho brasileiro no exterior.

    Exportações brasileiras no 1º semestre de 2026

    • Valor exportado: US$ 6,79 milhões
    • Crescimento geral: +23,73%
    • Espumantes: US$ 1,18 milhão (+19,50%)
    • Vinhos: US$ 5,61 milhões (+24,66%)
    • Destinos: 79 países (+20,4%)
    • Empresas exportadoras apoiadas pelo projeto: 19 vinícolas
    • Participação das empresas do projeto nas exportações totais: 60,81%
    • Participação das empresas do projeto nas exportações de espumantes: 65,83%

    Diferenciais que fortalecem o vinho brasileiro no exterior

    • Reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros
    • Diversidade de terroirs e regiões produtoras
    • Produção em três modelos de vitivinicultura: tradicional, vinhos de inverno e vinhos tropicais
    • Produtos com identidade, origem e autenticidade
  • Exportações de vinhos brasileiros crescem 26%

    Exportações de vinhos brasileiros crescem 26%

    O setor vitivinícola brasileiro encerrou 2025 com resultados expressivos: as exportações de vinhos e espumantes alcançaram US$ 13,3 milhões, crescimento de 26,14% em valor comparado a 2024.

    O Comex Stat compilou os dados, divulgados pelo projeto setorial Wines of Brazil, que o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) desenvolve em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    As vinícolas brasileiras exportaram seus produtos para 63 países em 2025, um crescimento de 31,25% no número de destinos. Paraguai, Haiti e Estados Unidos ocuparam as primeiras posições entre os mercados compradores. Das empresas exportadoras, 62,9% integram o Wines of Brazil – o projeto apoia 21 vinícolas que atuam no mercado internacional.

    Os espumantes brasileiros protagonizaram a expansão do setor, com aumentos de 37,85% em valor e 48,76% em volume exportado. As vinícolas participantes do projeto setorial respondem por 72,53% das exportações de espumantes. Os vinhos também apresentaram desempenho positivo, com crescimento de 23,64% em valor e 22,16% em volume.

    No total, o volume exportado de vinhos e espumantes brasileiros cresceu 24,27% em relação ao ano anterior.

    Feiras internacionais impulsionam resultados

    Rafael Romagna, gerente de promoção para o mercado externo do Consevitis-RS e gestor do projeto setorial Wines of Brazil, atribui os resultados ao trabalho consistente de promoção internacional e ao investimento das empresas brasileiras.

    “O reconhecimento mundial da qualidade dos vinhos brasileiros através de premiações internacionais amplia o conhecimento sobre nossos produtos. Apesar do cenário macroeconômico difícil, conquistamos resultados positivos”, afirma Romagna.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    O projeto Wines of Brazil viabilizou a participação das vinícolas brasileiras em seis feiras setoriais internacionais durante 2025. “As feiras constituem nossas principais ações promocionais e, sem dúvida, trazem os maiores resultados para as vinícolas brasileiras. Em duas delas, realizamos encontros exclusivos entre compradores internacionais e vinícolas brasileiras através do projeto comprador”, destaca o gestor.

    Perspectivas para 2026 exigem cautela

    Romagna considera 2026 um ano mais desafiador devido ao cenário macroeconômico global. “Países negociam acordos bilaterais enquanto adotam medidas protecionistas simultaneamente, o que dificulta previsões. Considerando a volatilidade do mercado, repetir o resultado de 2025 já representaria um desempenho muito positivo”, avalia.

    O Brasil participará da Wine Paris 2026, entre 9 e 11 de fevereiro, consolidando sua presença em uma das feiras profissionais que mais crescem internacionalmente. Oito vinícolas marcarão presença na segunda participação brasileira no evento: Aurora, Bárbara Eliodora, Casa Almeida Barreto, Casa Valduga, CRS Brands, Garziera (Grupo Verano), Miolo e Salton.

    As empresas representam a diversidade geográfica da produção nacional, com rótulos do Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais.